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O governo da Costa do Marfim cria novos marcos regulatórios para o setor bancário e a microfinança

O governo da Costa do Marfim adotou dois projetos de lei destinados a redefinir os quadros regulatórios do setor bancário e da microfinança. As novas legislações introduzem a finança islâmica, regulamentam as operações de moeda eletrônica e reforçam as exigências de governança nas instituições de microfinança.

Reforma do setor bancário e microfinança

Em reunião do Conselho de Ministros na quarta-feira, 29 de abril, o governo marfinense aprovou dois projetos de lei, um relacionado à regulamentação bancária e o outro à microfinança.

Abertura do setor bancário a novos atores

O projeto de lei relativo à regulamentação bancária «introduz, no setor bancário nacional, a finança islâmica, novos atores, como as empresas de tecnologia financeira, incluindo as FinTechs, e novas operações, como aquelas relacionadas à moeda eletrônica, que não estão cobertas pela legislação atual», conforme o relatório do Conselho de Ministros.

O texto reflete as mudanças no ambiente bancário regional e leva em consideração o crescimento das tecnologias financeiras, a inclusão financeira e as necessidades de financiamento da economia. Nesse contexto, amplia o escopo do setor bancário nacional para novos segmentos de atividade.

Essa adaptação busca fornecer uma base jurídica para inovações financeiras já presentes no mercado, ao mesmo tempo em que regula a supervisão desses novos serviços. O governo procura apoiar o surgimento de novos usos financeiros e diversificar a oferta de serviços, especialmente em um cenário onde as soluções digitais ganham cada vez mais importância nas transações e no acesso ao financiamento.

Reforma da microfinança

O segundo projeto de lei trata da reforma do setor de microfinança. O texto «traz correções essenciais para a questão da governança das instituições de microfinança, introduz novos mecanismos de gestão do risco de crédito, controle interno e gestão do sistema de informações, com o objetivo de gerar automaticamente relatórios financeiros confiáveis e conter a deterioração progressiva da qualidade da carteira», afirmou o governo da Costa do Marfim.

A reforma também prevê o fortalecimento dos mecanismos de proteção dos depositantes e de tratamento das instituições em dificuldades. Ao acelerar os procedimentos de intervenção e consolidar as ferramentas de supervisão, as autoridades buscam garantir a estabilidade do setor. Além disso, pretendem restaurar a confiança nesse segmento, que deverá desempenhar um papel cada vez mais importante no financiamento das famílias e das pequenas unidades econômicas.

Com esses dois projetos de lei, a Costa do Marfim busca adaptar seu quadro financeiro às evoluções do mercado regional e consolidar as bases regulatórias necessárias para o desenvolvimento de novos atores, em um contexto de aceleração da transformação dos serviços financeiros na África Ocidental.

A finança islâmica na Costa do Marfim tem mostrado um crescimento notável, impulsionado pela diversificação dos produtos (Ijara, Mourabaha) e o lançamento de novos instrumentos como o Wakf. O Coris Bank Baraka, a janela islâmica do Coris Bank, é um exemplo de inovação no setor.

Chamberline Moko

 

Posted On lundi, 04 mai 2026 08:37 Written by

Esta decisão ocorre enquanto o total da dívida global atingiu 8606,6 bilhões de FCFA (15,3 bilhões de dólares) no final de outubro de 2025. Paralelamente, Libreville iniciou uma auditoria destinada a reconstruir o nível real dos compromissos do Estado.

O Gabão aprovou, durante a reunião do Conselho de Ministros de quinta-feira, 30 de abril, a criação do Comitê Nacional da Dívida Pública (CNDP), por meio da adoção de um decreto que define suas atribuições, organização, funcionamento e formas de convocação.

O CNDP é o órgão nacional de coordenação, orientação, aconselhamento e controle em matéria de política de endividamento e gestão da dívida pública”, destaca o relatório. Sua criação atende a uma exigência comunitária que ficou sem implementação durante vários anos, apesar da adoção de textos similares em 2013 e 2018, acrescenta o Conselho de Ministros.

O sistema é composto por três entidades complementares. O comitê de coordenação, presidido pelo ministro responsável pela dívida pública, é responsável pela deliberação e tomada de decisões. O comitê técnico examina os projetos de empréstimos, operações de reestruturação e pedidos de garantias, antes de emitir uma opinião. O secretariado permanente, coordenado pela direção-geral da dívida, garante a execução operacional das missões do comitê.

Uma Auditoria para Estabelecer o Nível Real dos Compromissos

Essa reforma ocorre em um contexto de reavaliação da situação financeira do Estado. O governo gabonês também anunciou a criação de uma comissão encarregada de realizar uma auditoria da dívida pública, a fim de estabelecer o nível real dos compromissos do Estado, de acordo com os padrões do manual de estatísticas das finanças públicas e o quadro normativo da CEMAC.

Prevista para um período de dois a três meses, essa auditoria deverá distinguir os compromissos que estão em conformidade com as regras de contabilização da dívida pública daqueles que exigem um tratamento específico, conforme a natureza real dos compromissos assumidos.

De acordo com as autoridades, essa iniciativa responde a vários problemas identificados, como a não execução de certos projetos financiados, a ausência de transferência de certos fundos para as contas do Tesouro Público e falhas contratuais e orçamentárias observadas no período de 2016 a 2023.

Sob a coordenação do Ministro da Economia e Finanças, com o apoio do Fundo Monetário Internacional, essa comissão também deverá estabelecer as bases de uma estratégia destinada a garantir novos financiamentos voltados para infraestrutura básica.

Uma Dívida em Alta Devido às Necessidades de Financiamento

Essa reestruturação ocorre enquanto os indicadores de endividamento do Gabão mostram um aumento. De acordo com dados da direção-geral da dívida, o total global passou de 7133 bilhões de FCFA para 8606,6 bilhões de FCFA (15,3 bilhões de dólares) no final de outubro de 2025, representando um aumento de 1473 bilhões de FCFA em dez meses.

Esse aumento de 20,6% reflete o maior recurso do Estado ao endividamento para atender às suas necessidades de financiamento. A dívida interna representa a maior parte, com um total de 4391,9 bilhões de FCFA, enquanto a dívida externa é de 4214,8 bilhões de FCFA. A criação do CNDP e o lançamento da auditoria demonstram, portanto, uma vontade de retomar o controle sobre a trajetória de endividamento do país.

Chamberline Moko

 

Posted On lundi, 04 mai 2026 08:34 Written by

O grupo botswanês de serviços financeiros concluiu um acordo com a Axian Digital Venture Holdings para ceder a totalidade das suas filiais no Gana, Nigéria, Ruanda, Tanzânia e Uganda. A Axian reforça assim a sua presença nos serviços financeiros em África.

A Letshego Africa Holdings, um grupo de serviços financeiros com sede no Botswana e cotado na Botswana Stock Exchange, anunciou no início da semana ter assinado acordos com a Axian Digital Venture Holdings com vista à venda de 100% do capital de cinco das suas filiais bancárias e de microfinanças implantadas na África Oriental e Ocidental.

A operação abrange as suas entidades no Gana, Nigéria, Ruanda, Tanzânia e Uganda, nomeadamente Letshego Ghana Savings and Loans, Letshego Faidika Bank Tanzania, Letshego Microfinance Bank Nigeria, Letshego Rwanda e Letshego Uganda. Estes ativos foram integrados no portefólio do grupo Letshego entre 2012 e 2017, no âmbito da sua estratégia de expansão no continente.

Um recentramento ditado pela pressão financeira

Esta operação insere-se na reorganização iniciada pela Letshego para concentrar os seus recursos nos mercados da África Austral. A direção do grupo indica que esta venda visa reforçar a sua estrutura de capital e recentrar as suas atividades nos mercados onde a sua presença é considerada mais significativa.

Segundo a sua diretora-geral, Reinette van der Merwe, esta decisão responde a uma lógica de simplificação do grupo e de realocação de recursos para mercados com maior potencial de criação de valor. «Ao racionalizar o nosso portefólio, prevemos melhorar a eficiência do capital, reforçar o nosso balanço e posicionar a Letshego para gerar melhores rendimentos e valor sustentável a longo prazo para os nossos acionistas», afirmou.

Nos seus resultados financeiros relativos ao exercício de 2025, a Letshego já tinha classificado as suas atividades na África Oriental e Ocidental como destinadas à venda, em conformidade com a norma contabilística IFRS 5. Esta classificação levou a uma desvalorização de 570,7 milhões de pulas botswaneses, contribuindo para um prejuízo após impostos de 519,5 milhões de pulas nesse portefólio e para um prejuízo consolidado após impostos de 235,5 milhões de pulas, face a 93,3 milhões no ano anterior. O grupo salienta, contudo, que as suas filiais na Tanzânia, Uganda, Gana e Ruanda registaram uma melhoria do seu desempenho operacional.

Axian reforça a sua plataforma pan-africana

Para o grupo Axian, com sede nos Emirados Árabes Unidos, esta aquisição constitui uma nova etapa na sua expansão no mercado africano de serviços financeiros. Já presente em 21 países africanos através das suas atividades nas telecomunicações, serviços financeiros e banca digital, o grupo prossegue a construção de uma plataforma pan-africana orientada para serviços destinados a particulares e pequenas e médias empresas (PME). O seu diretor-geral apresentou esta operação como uma alavanca de expansão em mercados com elevado potencial.

A Axian afirma fornecer, diretamente e através das suas participações e parcerias estratégicas, serviços financeiros a mais de 24 milhões de consumidores e PME em toda a África.

Para a Letshego, a conclusão desta transação reduzirá a sua presença de 11 para 6 mercados subsaarianos, com um foco exclusivo na África Austral. A operação permanece sujeita à obtenção das autorizações regulamentares e à aprovação das autoridades bolsistas competentes.

Chamberline Moko

Posted On vendredi, 01 mai 2026 10:29 Written by

A Sociedade Financeira Internacional (SFI) e o Standard Chartered lançaram um mecanismo de 300 milhões de dólares para facilitar o financiamento das cadeias de abastecimento em África, com o objetivo de apoiar empresas locais e dinamizar o comércio em oito economias estratégicas.

A SFI, instituição do Banco Mundial dedicada ao financiamento do setor privado nos países em desenvolvimento, e o banco britânico Standard Chartered anunciaram na quarta-feira, 29 de abril, este novo mecanismo de partilha de risco destinado a reforçar as cadeias de abastecimento em África.

Este novo programa visa apoiar o crescimento das empresas locais, garantindo um acesso mais fluido a liquidez, num contexto em que o continente ainda enfrenta fortes necessidades de financiamento.

Um impulso para oito economias-chave

O programa será implementado em oito mercados estratégicos — Costa do Marfim, Egito, Gana, Quénia, Nigéria, África do Sul, Tanzânia e Zâmbia — e incidirá sobre setores essenciais como agroalimentar, saúde e indústria transformadora.

Na prática, o mecanismo cobrirá até 300 milhões de dólares em ativos de financiamento do comércio e das cadeias de abastecimento emitidos pelo Standard Chartered. A SFI fornecerá garantias de até 150 milhões de dólares para assegurar transações em dólares norte-americanos e algumas moedas locais.

1,9 mil milhões de dólares em transações esperadas

O objetivo é acelerar os pagamentos aos fornecedores, frequentemente confrontados com atrasos que limitam o seu crescimento. As duas instituições estimam que esta facilidade poderá gerar cerca de 1,9 mil milhões de dólares em transações ao longo de três anos, beneficiando diretamente mais de 500 fornecedores em todo o continente.

«Este mecanismo é uma alavanca essencial para reforçar a resiliência das empresas africanas e promover uma integração comercial mais profunda», destacam os parceiros.

Uma estratégia de longo prazo

Esta iniciativa integra uma estratégia mais ampla da SFI para estimular o comércio nos países em desenvolvimento. Em dezembro de 2024, a instituição já tinha assinado um acordo semelhante de mil milhões de dólares com o HSBC.

Para o Standard Chartered, este projeto reflete uma mudança estratégica para a banca de transações, com foco em serviços digitais e financiamento do comércio, reduzindo a sua presença em banca de retalho em vários países africanos.

Fiacre E. Kakpo

Posted On jeudi, 30 avril 2026 13:05 Written by

O grupo bancário queniano Equity Group anunciou que pretende adquirir bancos em Angola, Zâmbia e Moçambique, no âmbito de uma estratégia de expansão pan-africana centrada nos corredores mineiros e comerciais do continente.

O diretor-geral James Mwangi confirmou estas intenções numa entrevista à Reuters, sublinhando que o Equity quer aproveitar estas oportunidades «à primeira oportunidade». Angola surge como o mercado mais avançado: segundo o site Billionaires Africa, o grupo estará em negociações para adquirir uma participação maioritária num banco angolano não identificado até ao final de 2026.

«Existe uma oportunidade que pode ser aproveitada em Angola, na Zâmbia e em Moçambique. Não se trata apenas de países, trata-se de seguir os nossos clientes e seguir as rotas comerciais», afirmou Mwangi.

A expansão baseia-se na posição do Equity na República Democrática do Congo (RDC), onde o grupo se tornou o segundo maior banco após adquirir duas instituições em 2015 e 2020. A RDC constitui um ponto central do corredor de transporte de Lobito, apoiado por Washington, que liga as zonas mineiras da África Central aos portos da África Austral. «Não se pode fazer Moçambique sem a Zâmbia», resumiu o CEO.

Estes três mercados-alvo possuem importantes reservas de cobre, cobalto, petróleo e gás natural, beneficiando também de investimentos ligados aos corredores logísticos. O Equity privilegia aquisições em vez de criar operações do zero, devido às barreiras linguísticas e culturais desses mercados.

Resultados recorde a sustentar a expansão

A estratégia surge após resultados anuais recorde. O Equity registou um lucro líquido de 75,5 mil milhões de xelins quenianos (cerca de 584,5 milhões de dólares) em 2025, um aumento de 55% em relação ao ano anterior.

A RDC registou um crescimento de 58% no lucro, enquanto o Uganda apresentou uma subida de 500%. O grupo aumentou também o dividendo pago aos acionistas.

O objetivo declarado é operar em 15 países africanos até 2030, contra sete atualmente.

A Etiópia em espera

O grupo mantém ainda um escritório de representação na Etiópia, aguardando uma eventual abertura do setor bancário a investidores estrangeiros. No entanto, a legislação limita a participação estrangeira a 40%, o que tem atrasado os planos.

Fiacre E. Kakpo

Posted On jeudi, 30 avril 2026 12:57 Written by

Pela primeira vez, um construtor automóvel chinês passa do estatuto de exportador ao de fabricante local em África: a Jetour irá montar os seus SUV em Pretória, transformando a antiga fábrica da Nissan num novo polo industrial.

O fabricante chinês Jetour anunciou na quarta-feira, 29 de abril, que irá produzir os seus SUV todo-o-terreno T1 e T2 na África do Sul a partir de 2027, na fábrica de Rosslyn, que a sua empresa-mãe Chery está a adquirir à Nissan.

A Chery prevê uma capacidade de produção de 50.000 unidades por ano neste local e a criação de mais de 3.000 empregos na indústria transformadora e nas cadeias de abastecimento, segundo um comunicado publicado pela Jetour.

«Este anúncio de produção local da série T posiciona a África do Sul como uma componente integral das ambições globais da Jetour», declarou Nic Campbell, vice-presidente da Jetour África do Sul, no comunicado.

Uma fábrica com 60 anos de história automóvel muda de mãos

A fábrica de Rosslyn, localizada a cerca de 30 quilómetros a norte de Pretória, está em funcionamento desde 1966, segundo a Nissan. A venda à Chery SA, sujeita à aprovação das autoridades reguladoras, deverá ser concluída em meados de 2026. Cerca de 700 dos 800 trabalhadores da Nissan no local deverão ser integrados pelo novo proprietário chinês, em condições semelhantes, segundo a empresa japonesa.

A Nissan, que já só produzia a pickup Navara em Rosslyn após o fim do NP200, continuará presente no mercado sul-africano como importadora.

Uma expansão comercial antes da implantação industrial

A Jetour, filial do grupo Chery, já vendeu mais de 12.000 veículos na África do Sul desde a sua entrada no mercado em setembro de 2024. Os modelos T1 e T2, lançados em outubro de 2025, somam mais de 4.500 unidades vendidas.

A marca alcançou o 10.º lugar entre as mais vendidas em março de 2026, ultrapassando concorrentes como Kia, BMW e Nissan. O grupo Chery, no seu conjunto, liderou também o mercado de usados no primeiro trimestre de 2026.

A nível global, a Jetour vendeu 620.000 veículos em 2025, mais 11% do que no ano anterior, com 40% destinados à exportação. O objetivo é atingir 2 milhões de unidades até 2030.

A expansão chinesa reconfigura o setor automóvel africano

A instalação em Rosslyn ocorre num contexto de forte crescimento dos fabricantes chineses em África. A China tornou-se o maior exportador mundial de automóveis em 2023, com 4,91 milhões de veículos exportados.

O governo sul-africano saudou o investimento, destacando a preservação da atividade industrial e dos empregos.

A entrada da Jetour intensifica a concorrência num mercado dominado por Toyota, Volkswagen e Stellantis, enquanto a Nissan se reposiciona noutras partes do continente, incluindo um investimento no Egito para reforçar a sua capacidade de exportação regional.

Segundo analistas, observa-se uma reorganização industrial: fabricantes asiáticos tradicionais avançam para o norte de África, enquanto marcas chinesas consolidam a sua presença industrial no sul do continente.

Fiacre E. Kakpo

Posted On jeudi, 30 avril 2026 12:55 Written by

Esta reforma impõe uma revisão das grelhas tarifárias e dos métodos de cálculo da taxa anual efetiva global, a fim de evitar sanções da Comissão Bancária da UMOA.

A partir de 1 de junho, as instituições de crédito e as instituições de microfinanças que operam no espaço da UEMOA deverão cumprir novos limites máximos para as taxas de usura.

Fixado pelo Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), a 31 de dezembro de 2025, este teto passará para «14,0% ao ano, para os bancos; 24,0% ao ano, para os estabelecimentos financeiros de crédito, as instituições de microfinanças e outros agentes económicos», segundo o comunicado. Esta revisão diz respeito à taxa anual efetiva global (TAEG), que representa o nível máximo ao qual as instituições estão autorizadas a conceder crédito a um cliente.

Este mecanismo visa proteger os mutuários contra taxas excessivas (crédito usurário). A taxa anual efetiva global resulta da relação entre todos os encargos obrigatórios associados à concessão de um empréstimo e o montante efetivamente obtido. A sua atualização responde à vontade do banco central de adaptar o enquadramento do crédito à evolução do mercado e às condições de funcionamento dos diferentes atores financeiros da União.

Para as instituições de microfinanças, esta reforma representa uma mudança na estruturação das suas ofertas de crédito. Durante vários anos, aplicavam uma taxa de usura fixada em 27% para o cálculo da taxa efetiva global (TEG) dos seus produtos de crédito. A partir de 1 de junho, qualquer crédito cujo TEG exceda o limite de 24% «expõe a instituição a uma sanção direta da Comissão Bancária da UMOA, independentemente da boa-fé do dirigente», alerta o marfinense Boris Blé, especialista em sistemas financeiros descentralizados.

Para os bancos, o novo teto é de 14%. «A diferença entre os dois limites não é uma vantagem concedida aos sistemas financeiros descentralizados. Trata-se do reconhecimento de que estes servem populações com custos de intermediação mais elevados», sublinha Boris Blé. Esta diferenciação regulamentar não constitui uma exceção, mas sim uma adaptação à estrutura operacional destes atores.

Com a aproximação da entrada em vigor desta medida, as instituições abrangidas deverão reforçar os seus mecanismos de controlo interno, rever a tarifação dos seus produtos e assegurar a conformidade dos seus métodos de cálculo. Para além da exigência regulamentar, esta transição representa um desafio de governação e de gestão de risco para todo o setor financeiro da União.

Chamberline Moko

Posted On jeudi, 30 avril 2026 12:46 Written by

A RDC ambiciona tornar-se um hub digital regional até 2030, com um roteiro que prioriza a expansão das infraestruturas e a inclusão financeira.

A Sociedade Financeira Internacional (SFI) prevê conceder um financiamento que pode atingir até 59 milhões de dólares ao operador de torres de telecomunicações Eastcastle Infrastructure, para apoiar a expansão da sua rede na República Democrática do Congo (RDC). O anúncio foi feito na segunda-feira, 27 de abril.

Em detalhe, a SFI planeia reativar um compromisso de dívida existente de 30 milhões de dólares e acrescentar um novo financiamento misto que pode chegar a 29 milhões de dólares. O restante financiamento, integrado num programa global estimado em 180 milhões de dólares, deverá ser mobilizado junto de outros investidores.

Estes fundos serão utilizados para financiar a implantação e a operação de novas torres de telecomunicações no território congolês. Estas infraestruturas permitirão que vários operadores móveis partilhem os mesmos equipamentos, em vez de cada um construir os seus próprios postes.

Segundo os dados mais recentes da Autoridade de Regulação dos Correios e Telecomunicações do Congo (ARPTC), o país conta com cerca de 73,9 milhões de subscrições móveis ativas para uma população estimada em 112,2 milhões de habitantes, o que corresponde a uma taxa de penetração de 65,9%. A internet móvel representa cerca de 55% das receitas do setor das telecomunicações, enquanto a taxa de penetração do dinheiro móvel ultrapassou 30% no final de 2025.

Neste contexto, a expansão da cobertura de rede deverá permitir que mais utilizadores, especialmente os não bancarizados, possam aceder a serviços de pagamento e transferência de dinheiro através do telemóvel.

Sandrine Gaingne

Posted On jeudi, 30 avril 2026 11:20 Written by

Durante dois anos, a desvalorização do naira mascarou uma realidade que os números de 2025 tornaram impossível ignorar: as filiais da zona franco CFA tornaram-se o principal centro de lucro do grupo United Bank for Africa. Uma transformação silenciosa, construída ao longo de vários anos, que redesenha a geografia financeira de um dos maiores bancos do continente.

Os resultados anuais do United Bank for Africa (UBA) para o exercício de 2025, publicados em fevereiro de 2026 na praça financeira de Lagos, suscitaram uma leitura quase unânime: o grupo registou uma queda de 47% do seu lucro líquido, passando de 766 mil milhões de nairas (557 milhões de dólares) para 405 mil milhões de nairas. A casa-mãe nigeriana, penalizada pela normalização das taxas de câmbio e por um aumento acentuado das provisões para créditos de cobrança duvidosa, apresentou um resultado antes de impostos próximo de zero. Uma leitura correta, mas incompleta. Enquanto a atenção se centrava em Lagos, as demonstrações financeiras consolidadas das filiais contavam uma história bem diferente.

As filiais da zona CFA (UEMOA e CEMAC combinadas) registaram em 2025 um lucro líquido acumulado de 323 mil milhões de nairas, ou seja, 80% do resultado líquido consolidado do grupo. Uma proporção sem precedentes na história recente da UBA, que coloca a zona franco CFA no centro da rentabilidade de um grupo cujo quartel-general, reguladores e principais acionistas são nigerianos.

Sete anos de paciência, oito vezes o resultado

Para medir a dimensão desta transformação, é necessário recuar a 2020, quando, mesmo antes da desvalorização do naira, a zona CFA representava 35% do resultado líquido consolidado da UBA. Um ano depois, as filiais CFA geravam coletivamente 47 mil milhões de nairas de lucro líquido, ou seja, 40% do resultado do grupo. Em 2022, a contribuição absoluta aumentou ligeiramente para 52 mil milhões, mas a sua quota relativa caiu para 31%, impulsionada por uma aceleração da rentabilidade na Nigéria. Depois veio 2023.

A decisão do presidente Bola Tinubu de deixar flutuar o naira, em junho de 2023, provocou uma desvalorização abrupta da moeda nigeriana, de 460 para mais de 750 nairas por dólar em poucas semanas. Para a UBA, o efeito contabilístico foi espetacular: os ganhos de reavaliação cambial fizeram disparar o lucro líquido do grupo de 170 para 608 mil milhões de nairas num único exercício. A zona CFA, apesar de um crescimento de 132% em valor absoluto (de 52 para 121 mil milhões), pareceu desaparecer nesse movimento. A sua quota caiu para 20%, levando muitos a concluir, erradamente, que o resto do continente fora da Nigéria ainda era apenas uma aposta estratégica.

Em 2024, esta leitura começou a ser corrigida. Com 284 mil milhões de nairas de lucro líquido na zona CFA, ou seja, 37% do total do grupo, a tendência estrutural voltou a afirmar-se, apesar de uma Nigéria ainda inflacionada pelos efeitos cambiais. Em 2025, com a normalização completa, a realidade surge sem filtros: a zona franco CFA já não complementa o grupo nigeriano, passa a sustentá-lo.

Desde 2020, as filiais da zona CFA multiplicaram por mais de oito o seu lucro líquido, passando de 38 mil milhões de nairas para 323 mil milhões, numa progressão contínua, mesmo durante os anos de ganhos extraordinários na Nigéria.

Abidjan, locomotiva continental

No interior da zona CFA, as dinâmicas são contrastantes. A UEMOA domina com 217 mil milhões de nairas de lucro líquido em 2025, contra 150 mil milhões em 2024, o que representa um crescimento de 45%. E dentro da UEMOA, um único mercado concentra a maior parte da performance: a Costa do Marfim.

A UBA Costa do Marfim registou 125 mil milhões de nairas de lucro líquido em 2025, contra 56 mil milhões no ano anterior, duplicando em apenas doze meses. Sozinha, a filial de Abidjan representa 39% do lucro líquido de toda a zona CFA, e mais do que o conjunto das quatro filiais da CEMAC. Este desempenho resulta de uma combinação de fatores: crescimento das receitas de juros, controlo das provisões num portefólio menos exposto do que noutros mercados, e dinamismo da clientela corporativa num mercado marfinense que consolida o seu estatuto de hub regional.

As restantes filiais da UEMOA contribuem positivamente, ainda que em menor escala. A UBA Burkina Faso apresenta um crescimento de 22%, apesar de um contexto de segurança degradado e de tensões políticas persistentes, com depósitos de clientes em alta de 15%. A UBA Benim cresce 26%, a UBA Senegal recua 54% num contexto de crise da dívida soberana, e a UBA Mali regista um resultado quase nulo, com apenas 1,3 mil milhões de nairas de lucro líquido.

A CEMAC em dificuldades

A zona CEMAC apresenta um quadro mais misto. Após um pico em 2024 com 134 mil milhões de nairas, o lucro líquido recua para 106 mil milhões em 2025, ou seja, uma queda de 21%. A UBA Camarões, principal filial da zona, sofre uma forte compressão: o seu lucro líquido cai de 64 para 41 mil milhões de nairas, devido a um aumento significativo das provisões para créditos, que atingem 17,7 mil milhões contra 1,7 mil milhões no ano anterior. A deterioração da qualidade da carteira de crédito neste ambiente pesa sobre um mercado que continua a ser o maior da CEMAC. Em contrapartida, a UBA Congo-Brazzaville apresenta a melhor progressão da zona, com um aumento de 45% do seu resultado, e a UBA Gabão estabiliza apesar da transição política iniciada após o golpe de Estado de agosto de 2023.

Ter sucesso onde outros falharam

A ascensão da zona CFA constitui, sem dúvida, um sucesso estratégico para o grupo de Tony Elumelu. Vinte anos após a sua entrada nos mercados francófonos, a UBA construiu na zona franco CFA uma capacidade de geração de lucros comparável à de operadores como a Ecobank, cujo terreno histórico é precisamente esta região. No entanto, este sucesso levanta também questões sobre a concentração de riscos. Se a zona CFA representa 80% do grupo, e se a UEMOA responde por 67% dessa contribuição, a filial marfinense sozinha pesa agora quase um terço do lucro líquido consolidado da UBA. Uma eventual deterioração acentuada do mercado de Abidjan — seja de natureza macroeconómica, regulatória ou ligada à qualidade do crédito — teria um impacto direto na rentabilidade global do grupo. A UBA é, assim, o exemplo de um gigante bancário nigeriano que conseguiu triunfar nos mercados francófonos onde quase todos os outros bancos nigerianos falharam.

Fiacre E. Kakpo

Posted On mercredi, 29 avril 2026 09:31 Written by

As transferências de dinheiro para a Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC) estão a migrar cada vez mais para canais digitais. Segundo o relatório de 2024 do Banco dos Estados da África Central sobre os serviços de pagamento, mais de 1 000 mil milhões de francos CFA foram recebidos diretamente em contas de pagamento móvel ao longo do ano.

Esta progressão insere-se num aumento mais amplo das transferências internacionais recebidas pela CEMAC. O número de operações passou de 2,91 milhões em 2023 para 7,81 milhões em 2024, ou seja, uma multiplicação por 2,7. Em termos de valor, os fundos recebidos atingiram 1 354 mil milhões de francos CFA, contra 763,81 mil milhões um ano antes, representando um aumento de cerca de 77%.

A União Europeia continua a ser a principal origem dos fluxos registados, com 4,27 milhões de operações num total de 804 mil milhões de francos CFA. Segue-se a América do Norte, com 2,24 milhões de operações e 275 mil milhões de francos CFA. Em conjunto, estas duas regiões concentram a maior parte das transferências recebidas. Os fluxos provenientes da África Ocidental permanecem significativamente mais baixos, com cerca de 107 000 operações no valor de 21,8 mil milhões de francos CFA.

O mobile money surge como um dos principais motores desta transformação. Durante muito tempo dominadas pelos bancos e por empresas especializadas em transferências de dinheiro, as remessas internacionais são agora cada vez mais captadas por plataformas móveis. Esta evolução reflete tanto a expansão do uso do telemóvel nos pagamentos como o alargamento da rede de distribuição. Em 2024, a CEMAC contava com mais de 51 milhões de contas de pagamento móvel, um aumento de 28%, enquanto o número de pontos de serviço ultrapassava os 634 000.

A dinâmica é menos uniforme no que diz respeito às transferências efetuadas a partir da CEMAC. O seu número aumentou 42,6%, atingindo 1,29 milhão de operações em 2024. No entanto, o valor total diminuiu 11,92%, fixando-se em 756,7 mil milhões de francos CFA. Esta evolução sugere um aumento das pequenas transações, mas uma redução do montante médio enviado para fora da região.

Os dados do BEAC confirmam assim o peso crescente do mobile money nas transferências internacionais. O canal móvel está a tornar-se central na receção de fundos da diáspora, sobretudo devido à sua acessibilidade e à sua ampla cobertura territorial. O relatório precisa, no entanto, que alguns usos continuam regulamentados: «Desde a expansão do mobile money, estes serviços são utilizados principalmente para o envio de montantes inferiores ou iguais a um milhão de francos CFA para destinos fora da CEMAC. Em contrapartida, a receção de fundos dentro da comunidade não está sujeita a qualquer limite de montante».

Amina Malloum

 

Posted On mercredi, 29 avril 2026 09:27 Written by
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