O governo Sul-Africano planeja adicionar 105.000 megawatts de nova capacidade de produção até 2039
Pretende-se investir 2200 bilhões de rands (aproximadamente US$ 127,1 bilhões), equivalente a cerca de 30% do PIB
O governo da África do Sul elaborou um plano estratégico para resolver a persistente crise energética do país e impulsionar o crescimento econômico. Até 2039, está previsto acrescentar 105.000 megawatts de nova capacidade de produção, o que é 2,5 vezes o tamanho atual da Eskom.
O governo sul-africano planeja investir 2200 bilhões de rands (cerca de US$ 127,1 bilhões), equivalente a cerca de 30% de seu Produto Interno Bruto (PIB), em uma estratégia abrangente de transformação energética. O anúncio foi feito por Kgosientsho Ramokgopa, Ministro da Eletricidade e Energia, em uma entrevista coletiva no domingo, 19 de outubro de 2025.
Segundo o ministro, este é o Plano Integrado de Recursos (IRP) 2025, que visa resolver a persistente crise energética do país e impulsionar o crescimento econômico. O IRP permitirá estimular a economia e gerar empregos, com o objetivo de aumentar o PIB em 3% até 2030.
Esse plano também marca uma mudança importante na matriz energética do país, com fontes mais limpas, como a hidroeletricidade, a energia nuclear, a eólica e a solar, previstas para ultrapassar o carvão pela primeira vez na história do país.
O IRP também visa reduzir significativamente as emissões de CO2, com o objetivo de 160 milhões de toneladas equivalentes de CO2 até 2030 e 142 milhões de toneladas até 2035.
"Nenhuma economia pode crescer se as luzes estiverem apagadas. Nenhuma indústria escolherá se estabelecer na África do Sul se não pudermos garantir eletricidade disponível, de boa qualidade e acessível", declarou o Sr. Ramokgopa. Ele acrescentou: "Enquanto não houver eletricidade, enquanto as luzes estiverem apagadas, comprometeremos o potencial do país para atingir suas ambições de crescimento, atrair os investimentos necessários e permitir que nossa população se desenvolva de acordo com nosso potencial".
Para lembrar, a África do Sul enfrenta uma grave crise energética há vários anos, devido à incapacidade da empresa nacional de eletricidade, Eskom, de atender à demanda, por causa de suas centrais de carvão antigas e a capacidade insuficiente de produção de energia. Essa situação levou a uma queda no crescimento econômico do país para 0,6% em 2024 e 0,8% no segundo trimestre de 2025.
A crise energética tem se intensificado recentemente, com cortes de energia que podem durar até 12 horas por dia. De acordo com a Public Investment Corporation, esses desligamentos teriam causado uma perda de cerca de 20% da capacidade econômica do país.
Para resolver esta situação, o governo implementou reformas econômicas, incluindo a participação do setor privado na produção de eletricidade.
Até 2039, a nação arco-íris planeja adicionar 105.000 megawatts de nova capacidade de produção, o que equivale a 2,5 vezes o tamanho atual da Eskom.
Lydie Mobio
BNP Paribas condenado a pagar $20,5 milhões a três refugiados sudaneses por facilitar a finança de atrocidades no Sudão pelo regime de Omar el-Béchir.
Decisão marca um possível precedente para milhares de ações semelhantes de exilados sudaneses.
Um júri federal dos Estados Unidos condenou o BNP Paribas a pagar 20,5 milhões de dólares a três refugiados sudaneses. O tribunal acredita que o banco francês ajudou o regime de Omar el-Béchir a financiar atrocidades no Sudão.
Um corpo de jurados federal em Manhattan decidiu na sexta-feira, 17 de outubro de 2025, que o BNP Paribas auxiliou o governo sudanês a cometer atrocidades durante o regime de Omar el-Béchir, fornecendo serviços bancários em violação às sanções americanas.
O banco francês foi condenado a pagar 20,5 milhões de dólares a três refugiados sudaneses agora residentes nos Estados Unidos, que testemunharam sobre a violência sofrida durante as campanhas de limpeza étnica em Darfur, no Sudão do Sul e nas Montanhas Nuba. Este veredicto, considerado histórico, pode abrir caminho para milhares de outras ações semelhantes por parte de exilados sudaneses.
"Nossos clientes perderam tudo em uma campanha de destruição alimentada por dólares americanos, que o BNP Paribas ajudou a circular", afirmou seu advogado Bobby DiCello, comemorando uma vitória simbólica, após vários anos de processo.
O BNP Paribas imediatamente anunciou sua intenção de recorrer, afirmando que a decisão baseou-se em uma "interpretação errada da lei suíça" e que o banco não pôde apresentar todos os elementos em sua defesa.
O julgamento, conduzido pelo juiz Alvin Hellerstein, concentrou-se em saber se os serviços financeiros do banco haviam sido uma causa direta dos crimes cometidos pelo regime sudanês. Em uma decisão anterior, o juiz considerou que havia evidências que mostravam uma ligação entre as operações do banco e os abusos cometidos contra a população civil.
Em 2014, o BNP Paribas já havia se declarado culpado e pagou uma multa recorde de 8,97 bilhões de dólares por transferir fundos para entidades sudanesas, iranianas e cubanas sob sanções americanas. Esta penalidade foi considerada humilhante em Paris, especialmente porque outros bancos americanos envolvidos em escândalos semelhantes (crise das subprime, lavagem de dinheiro, paraísos fiscais) foram poupados ou condenados a montantes menores. Alguns diplomatas franceses viram isto como um ato político em vez de uma simples ação judicial.
O novo veredicto de Manhattan (outubro de 2025) acontece num contexto de relações transatlânticas tensas em assuntos econômicos e regulatórios.
Banco Central da Nigéria cria grupo de trabalho para avaliar a adoção de stablecoins, buscando inovação financeira mas com cautela face aos riscos monetários.
Entre julho de 2023 e junho de 2024, cerca de 59 bilhões de dólares em transações com criptomoedas foram processados na Nigéria, tornando o país um dos líderes globais na adoção de cripto.
Após estabelecer um quadro para os criptoativos, a Nigéria planeja agora a regulamentação dos stablecoins, tokens digitais indexados a moedas reais, vistos como uma alternativa mais estável às criptomoedas comuns. O governador do Banco Central (CBN), Olayemi Cardoso, anunciou a criação de um grupo de trabalho para estudar a possibilidade de adoção desses tokens durante as Assembleias Anuais do FMI e do Banco Mundial em Washington.
De acordo com Cardoso, este grupo reunirá a CBN, o Ministério das Finanças e outras instituições públicas para "aprofundar a análise das implicações econômicas, regulatórias e tecnológicas" de um quadro nacional para as stablecoins. Esses ativos digitais, lastreados em moedas ou matérias-primas, despertam crescente interesse nas economias emergentes em busca de inclusão financeira e estabilidade monetária. "O objetivo é acompanhar o desenvolvimento das tecnologias financeiras sem as dificultar, mantendo a confiança e a estabilidade", declarou.
Um assunto de soberania monetária
Para o CBN, a reflexão sobre os stablecoins é uma extensão da estratégia focada na modernização do sistema de pagamento nigeriano, já marcado pelo surgimento de fintechs e plataformas digitais. Pioneira no lançamento de uma moeda digital de banco central (a eNaira em 2021), a Nigéria agora busca ajustar seu quadro regulamentar ao avanço dos criptoativos privados.
Esta iniciativa poderia ajudar a definir as condições de emissão, conversão e supervisão dos stablecoins no mercado nigeriano, fortalecendo a capacidade do Banco Central de monitorar estes fluxos de capitais digitais.
A penetração das criptomoedas na Nigéria é significativa: o país está entre as economias mais avançadas do mundo em adoção de cripto. Entre julho de 2023 e junho de 2024, cerca de 59 bilhões de dólares em transações com criptomoedas foram processados na Nigéria, colocando o gigante africano em segundo lugar no mundo, atrás apenas da Índia.
Especificamente, os stablecoins desempenham um papel importante: em 2024 representavam cerca de 40% do mercado de criptomoedas nigeriano, ou cerca de 43% das transações do público em geral inferiores a 1 milhão de dólares. Um relatório indica que quase 22 milhões de nigerianos, ou cerca de 10,3% da população, possuíam ou usavam criptomoedas em 2025.
O setor fintech e o movimento para um modelo híbrido
O setor de fintech da Nigéria, um dos mais dinâmicos da África, tem advogado por anos por uma suavização do quadro regulamentar e um reconhecimento dos stablecoins como instrumentos de pagamento legítimos. Plataformas locais de transferência e financiamento participativo já começaram a explorar seu uso para facilitar os pagamentos transfronteiriços e reduzir a dependência do dólar.
No entanto, as autoridades monetárias permanecem cautelosas. Para o CBN, a questão é evitar os riscos de volatilidade, fraude e evasão de controle de capitais.
Segundo vários especialistas, a Nigéria poderia seguir modelos híbridos já testados em Singapura ou Dubai, onde os stablecoins são regulamentados por licenças específicas e suportados por instituições bancárias credenciadas.
Se o projeto for bem-sucedido, o país poderia se tornar o primeiro grande mercado africano a definir um quadro formal para esses instrumentos.
Fiacre E. Kakpo
O Governo de Burkina Faso adotou um decreto que exige que todas as Organizações Não Governamentais (ONGs) e associações estabeleçam seus fundos exclusivamente no Banco de Depósitos do Tesouro.
A medida visa aumentar a transparência e rastreabilidade dos fluxos financeiros e evitar riscos de financiamento ilegal.
Esta medida visa reforçar a rastreabilidade dos fluxos financeiros e prevenir os riscos de financiamento ilícito. Ela ocorre em um contexto de controle aumentado das atividades das organizações estrangeiras que operam em território burkinabé.
O governo do Burkina Faso adotou, na quinta-feira, 16 de outubro de 2025, um decreto obrigando as Organizações Não Governamentais (ONGs) e associações credenciadas a abrir e domiciliar todas as suas contas de disponibilidade exclusivamente no Banco de Depósitos do Tesouro (BDT).
Aprovado em Conselho de Ministros presidido pelo capitão Ibrahim Traoré, este texto exige que todas as operações de receita e despesas das ONGs e associações sejam realizadas exclusivamente por meio dessas contas. Isso permitirá rastrear todos os movimentos de fundos desses organismos, incluindo subsídios, donativos e qualquer outro recurso financeiro recebido no âmbito de suas atividades.
Objetivo: rastreabilidade e controle dos fluxos financeiros
Segundo o comunicado governamental, este dispositivo visa assegurar a transparência e a rastreabilidade dos fundos recebidos e utilizados pelas ONGs e associações. Isso permitirá ao governo monitorar melhor suas fontes de financiamento, evitar riscos de lavagem de dinheiro, desvio ou financiamento de atividades ilegais, e reforçar a conformidade do país com as normas internacionais do Grupo de Ação Financeira (GAFI).
A medida também faz parte dos compromissos internacionais do Burkina Faso na luta contra o financiamento do terrorismo e os fluxos financeiros ilícitos. Com a adoção deste decreto, o país pretende avançar no dispositivo de regulação das atividades das ONGs e associações e controle de suas fontes de financiamento.
Contexto de Segurança
Esta reforma acontece num contexto marcado pela prisão de oito membros da International NGO Safety Organisation (Inso), uma ONG internacional sediada na Holanda e ativa no Burkina Faso desde 2019 no campo de formação de organizações humanitárias em segurança. Sua prisão foi anunciada na terça-feira, 7 de outubro de 2025, durante uma coletiva de imprensa em Ouagadougou, pelo Ministro da Segurança do Burkina Faso, Mahamadou Sana.
"Inso estava coletando sistematicamente todos os tipos de informações relacionadas às atividades de segurança, políticas e administrativas do país em violação à legislação vigente", ele declarou. Ele também afirmou que a Inso conseguiu registrar rotas, movimentos e composição de comboios militares e/ou de suprimento dos municípios, enquanto esses dados deveriam ser mantidos em segredo.
Entre os indivíduos presos estavam o diretor do país da ONG e quatro burkinabé. Este evento contribuiu para reforçar a vontade das autoridades de controlar ainda mais os fluxos financeiros e operacionais das ONGs estrangeiras, muitas vezes vistas como canais de influência externa.
Inaugurado em 2 de agosto de 2024, em Ouagadougou, pelo Capitão Traoré, o BDT é uma instituição pública responsável pela gestão financeira do Estado e das comunidades locais. Ele oferece principalmente serviços públicos que vão desde a coleta e gestão de recursos até a execução de operações bancárias, incluindo a disponibilidade de ferramentas de pagamento digital, o desenvolvimento e a promoção de serviços bancários inovadores. O BDT não está sujeito à lei bancária e não tem a intenção de competir com os bancos comerciais do país.
A start-up marroquina de comércio eletrónico B2B concluiu uma captação de fundos recorde, co-liderada pela SPE Capital e pela Orange Ventures. A empresa também recebeu autorização do Bank Al-Maghrib para operar como instituição de pagamento. Este duplo avanço marca uma etapa importante no seu crescimento e reforçará o seu papel na digitalização do comércio a retalho.
A startup marroquina Chari, especializada em comércio eletrônico B2B para produtos de consumo em massa, anunciou na quarta-feira, 15 de outubro de 2025, que captou 12 milhões de dólares em uma rodada de financiamento da série A.
A ação, co-liderada pela SPE Capital e Orange Ventures, é a maior captação deste tipo ocorrida no Marrocos até esta data. Diversos investidores internacionais participaram, incluindo Verod-Kepple Africa Ventures, Global Founders Capital, Plug and Play, Endeavor Catalyst, Pincus Capital, Al Khwarizmi Ventures e UM6P Ventures, além de um grupo de investidores anjo.
Com essa captação, a Chari eleva seu total de recursos levantados para $17 milhões desde sua criação em 2020 por Ismaël Belkhayat e Sophia Alj. Segundo os fundadores, os recursos serão utilizados para fortalecer a tecnologia e acelerar a expansão da Chari. “Esta é uma oportunidade para transformar o comércio tradicional em pontos de acesso a serviços financeiros locais”, explicou Sophia Alj. "Agora que nossa infraestrutura está em operação, estamos acelerando a implementação do Chari, tanto como um Super-App para comerciantes quanto como uma plataforma de Banking-as-a-Service para nossos parceiros.", acrescentou Ismael Belkhayat.
Paralelamente à captação de recursos, o Bank Al-Maghrib, o banco central do Marrocos, concedeu à Chari uma licença de instituição de pagamentos. Isto permitirá que a startup ofereça contas de pagamento, cartões de débito, pagamento de contas, bem como produtos de microsseguro para pequenos comerciantes. O objetivo da Chari é transformar seu aplicativo atual em um Super-App que combine serviços de pedidos, gerenciamento de estoque, financiamento e pagamento.
Esta captação de recursos da Chari ocorre em um contexto de consolidação do capital de risco marroquino. Segundo o relatório Partech Africa 2024, as startups do país levantaram $82 milhões em equity em 2024, distribuídos em 25 operações. Embora este montante represente uma queda de 11% em comparação com 2023, confirma a posição do Marrocos entre os seis principais países africanos em termos de captação de recursos por startups. O Marrocos está atrás da Nigéria, África do Sul, Egito, Quênia e Gana.
O Banco da Namíbia reduziu sua taxa básica de juros em 25 pontos base, para 6,50%, contra 6,75% anteriormente, após a reunião de seu Comitê de Política Monetária (CPM) realizada na segunda-feira, 13, e terça-feira, 14 de outubro de 2025.
Essa decisão visa apoiar a economia nacional e preservar a ligação entre o dólar namibiano e o rand sul-africano. Ela ocorre em um momento de desaceleração da atividade econômica, enquanto a inflação permanece sob controle.
"A atividade econômica enfraqueceu. A inflação continua moderada, enquanto o crescimento do crédito ao setor privado (PSCE) melhorou ainda mais, embora continue relativamente baixo", afirma o Banco Central. E acrescenta: "o déficit comercial diminuiu, e o nível das reservas internacionais continua sendo suficiente para manter a ancoragem monetária e cumprir os compromissos financeiros externos do país".
Em setembro, a inflação na Namíbia foi de 3,5% em termos anuais, contra 3,2% em agosto.
Vale mencionar que o Banco da Namíbia revisou para baixo suas previsões de inflação para 3,6% em 2025 e 4,0% em 2026, uma redução de 0,2 ponto percentual em relação às estimativas anteriores.
Ingrid Haffiny
A Tanzânia lança um projeto para reforçar as suas capacidades de prevenção e resposta a emergências de saúde, com um investimento de 38,7 milhões de dólares.O projeto é uma parceria entre o governo da Tanzânia, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o UNICEF e a FAO.
Até 2027, a Tanzânia espera ter um sistema integrado e operacional de monitoramento e resposta, capaz de identificar e conter efetivamente ameaças epidêmicas e pandêmicas.
O governo da Tanzânia, em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), UNICEF e FAO, lançou na quarta-feira, 15 de outubro de 2025, o "Projeto do Fundo para Pandemias", com um orçamento de $38,7 milhões, destinado a fortalecer a capacidade do país em prevenção, preparação e resposta a emergências de saúde.
Apoiado por uma doação inicial de $25 milhões do Fundo para Pandemias, complementada por $13,7 milhões de co-financiamento e investimentos adicionais, o projeto segue a abordagem "Uma Única Saúde", integrando a saúde humana, animal e ambiental.
Durante a cerimônia de lançamento, o vice-primeiro-ministro da Tanzânia e ministro da Energia, Doto Biteko, enfatizou a necessidade de cooperação intersetorial para antecipar crises de saúde.
"Lutamos contra a COVID-19 e a doença de Marburg nos últimos anos, por isso é indispensável fortalecer nossas capacidades de prevenção e preparação para a resposta a pandemias e emergências de saúde pública", disse ele, reafirmando o compromisso do governo em garantir a rigorosa implementação do projeto.
Os parceiros internacionais elogiaram a iniciativa, destacando a importância crucial da colaboração para avançar a cobertura universal de saúde e fortalecer os serviços veterinários, a fim de prevenir a transmissão de doenças zoonóticas. Eles também destacaram o papel essencial dos agentes de saúde comunitários no dispositivo.
Diante dos crescentes riscos de doenças zoonóticas e transfronteiriças, a Tanzânia busca fortalecer seu sistema de vigilância, suas capacidades de diagnóstico e sua equipe de saúde. Este programa, portanto, complementa o Plano Nacional de Ação para a Segurança da Saúde e visa reduzir o impacto de futuras epidemias, especialmente nas populações mais vulneráveis.
Até 2027, o país espera ter um sistema integrado e operacional de monitoramento e resposta, capaz de detectar e conter efetivamente ameaças epidêmicas e pandêmicas.
Charlène N’dimon,
Diante do maior vencimento de dívida de sua história, a Namíbia conseguiu mobilizar os recursos necessários para quitar um eurobond de 750 milhões de dólares — um gesto visto como um forte sinal para os mercados internacionais, mesmo em um contexto de forte pressão sobre as finanças do país.
Enfrentando o maior vencimento de dívida de sua história, a Namíbia mobilizou os fundos necessários para reembolsar um eurobond de 750 milhões de dólares, um gesto visto como um forte sinal aos mercados internacionais, mesmo em meio às tensões financeiras do país.
A duas semanas de um vencimento histórico, a Namíbia confirma ter mobilizado os fundos necessários para honrar o reembolso de seu eurobond de 750 milhões de dólares, emitido em 2015. O anúncio, feito na quarta-feira, 15 de outubro de 2025, pelo governador do Banco da Namíbia, Johannes Gawaxab, marca um teste importante para a credibilidade financeira do país.
Este eurobond, o maior da história do país, vence em 29 de outubro. Segundo o banco central, o reembolso equivale a cerca de 13,5 bilhões de dólares namibianos, com base em uma taxa de câmbio de 17,5 NAD por dólar americano. "Mobilizamos todos os recursos necessários, de acordo com nossa estratégia de gestão da dívida", garantiu Johannes Gawaxab, durante uma conferência do comitê de política monetária.
O banco central da Namíbia reconhece que essa operação pesará temporariamente em suas reservas cambiais, que devem cair 25%, para cerca de 47 bilhões de dólares namibianos no final de 2025, contra 63 bilhões um ano antes. No entanto, a prioridade é preservar a confiança e evitar qualquer sinal de fragilidade, disse o governador, destacando que o banco central está buscando novas linhas de swap de moedas para estabilizar suas posições.
As autoridades acreditam que as reservas podem se recuperar ligeiramente já em 2026 (cerca de 53 bilhões de dólares namibianos). No entanto, isso ocorre em um contexto de tensões nas finanças públicas: um crescimento limitado a 3,7% em 2024 e projetado para 3,8% em 2025, receitas fiscais fortemente dependentes dos direitos aduaneiros da SACU (em queda de 11,2% para 7,7% do PIB) e exportações minerais dominadas quase 60% por diamantes, urânio e ouro.
O sucesso do reembolso pode, no entanto, reforçar a credibilidade do país junto aos investidores internacionais, em um momento em que várias economias africanas - de Gana à Zâmbia - estão tentando restaurar seu acesso aos mercados internacionais.
O Conselho de Administração do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento aprovou um novo Documento de Estratégia do País (DSP) para a Sierra Leoa para o período de 2025-2030, comprometendo-se com um investimento de cerca de 500 milhões de dólares para promover um crescimento econômico sustentável, fortalecer a resiliência à fragilidade e fomentar um desenvolvimento inclusivo.
A estratégia da instituição é baseada em duas grandes prioridades: desenvolver infraestruturas sustentáveis para fortalecer a competitividade do setor privado; e apoiar o desenvolvimento da cadeia produtiva agrícola para estimular a criação de empregos e a segurança alimentar. Essas áreas de intervenção visam diretamente os principais desafios da Sierra Leoa, incluindo a falta de infraestruturas, o baixo valor agregado do setor privado e a alta vulnerabilidade às mudanças climáticas.
Com um financiamento total estimado em 2,1 bilhões de dólares, incluindo co-financiamentos de parceiros de desenvolvimento, o DSP está alinhado com o Plano Nacional de Desenvolvimento (2021-2025) e a Visão 2030 do governo, que buscam posicionar a Sierra Leoa como uma economia de renda média.
As iniciativas-chave em infraestrutura se concentrarão na expansão da produção de energia renovável, aumentando o acesso à eletricidade de 41% em 2024 para 60% até 2030, enquanto modernizando as redes rodoviárias resistentes ao clima e melhorando os sistemas de água e saneamento para fornecer acesso à água potável a 1,2 milhão de pessoas a mais.
O setor agrícola dá prioridade à transformação agroindustrial, visando reduzir a dependência das importações de alimentos, que atualmente são de 70% para culturas básicas como o arroz, enquanto cria mais de 500.000 empregos, especialmente para mulheres e jovens, através do apoio às pequenas e médias empresas.
A economia da Sierra Leoa tem demonstrado resiliência com um crescimento médio do PIB real de 6,7% entre 2020 e 2024, impulsionado pela agricultura e serviços. A nova estratégia baseia-se nessa dinâmica e tira proveito do portfólio existente do Grupo do Banco, composto por dez projetos em andamento no valor de 150 milhões de dólares, que já melhoraram a conectividade rodoviária e o acesso à energia no país.
"Esta estratégia representa um grande avanço para a construção de uma economia resiliente e inclusiva em Sierra Leoa", disse Halima Hashi, chefe do escritório do Grupo do Banco para Sierra Leoa, antes de acrescentar: "Ao investir em infraestrutura e agricultura sustentável, estamos empoderando comunidades, criando empregos e apoiando a visão de Sierra Leoa para um crescimento transformador."
Os programas do Grupo do Banco, como o AFAWA ("Ação Financeira Afirmativa para Mulheres na África"), fornecerão financiamento e treinamento direcionado para empresas agroindustriais de propriedade ou dirigidas por mulheres, enquanto que ferramentas digitais melhorarão a eficiência da cadeia de suprimentos e o acesso ao mercado em todo o setor agrícola.
O DSP está alinhado com o Plano Nacional de Desenvolvimento de Médio Prazo da Sierra Leoa e a Agenda 2063 da União Africana, além da Estratégia Decenal do Grupo do Banco. A estratégia também apoia os compromissos de Sierra Leoa no contexto da Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) ao fortalecer as infraestruturas comerciais e as exportações agrícolas.
A estratégia inclui temas transversais, tais como a mitigação das mudanças climáticas, a igualdade de gênero e o empoderamento dos jovens. Visa reduzir a pegada de carbono de Sierra Leoa através de projetos de energia renovável e promover uma agricultura climatologicamente inteligente para mitigar os efeitos das inundações e secas que estão cada vez mais afetando o país.
A implementação do DSP começa imediatamente com uma estreita coordenação entre o governo, o setor privado e a sociedade civil para maximizar o impacto e garantir o alinhamento com as prioridades nacionais. As salvaguardas ambientais e sociais garantirão a conformidade com as regulamentações nacionais, incluindo a Lei de Proteção Ambiental de 2022 da Sierra Leoa.
A estratégia aborda os fatores estruturais de fragilidade através de investimentos direcionados em infraestruturas e cadeias produtivas agrícolas, com sistemas de monitoramento projetados para acompanhar o progresso rumo a resultados mensuráveis de desenvolvimento e resultados inclusivos para o gênero.
A empresa canadense International Lithium Corp (ILC) anunciou planos para adquirir 80% do projeto de lítio Karibib, operado pela Lepidico na Namíbia, por cerca de US$ 702.000. O depósito contém 11,9 milhões de toneladas com 0,45% de óxido de lítio.
O negócio depende da resolução de um processo arbitral em curso e deve ser concluído até novembro de 2025. Apesar da queda de mais de 80% nos preços do lítio desde 2022, a ILC aposta em uma recuperação do mercado, impulsionada pela transição energética.
Além da ILC, outras mineradoras, como a chilena SQM, já demonstraram interesse em projetos de lítio na Namíbia.