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Especialistas africanos instam o G20 a criar um mecanismo de refinanciamento para substituir as obrigações mais custosas por financiamentos acessíveis

A falta de um refinanciamento massivo e imediato pode levar vários países pobres, na África e além, a serem esmagados pelo peso da dívida

Enquanto vários países africanos enfrentam prazos de dívida cada vez mais pesados, um painel de especialistas está incitando o G20 a criar urgentemente um mecanismo de refinanciamento capaz de substituir as obrigações mais custosas por financiamentos acessíveis.

Três dias antes do encontro do G20 em Joanesburgo, África do Sul, um painel de especialistas africanos decidiu desafiar a agenda internacional. A mensagem que desejam transmitir: sem um refinanciamento massivo e imediato, vários países pobres - na África e além - correm o risco de serem esmagados pelo peso de suas dívidas.

Estabelecido pela presidência sul-africana do G20, o grupo propõe romper com as fórmulas tradicionais, consideradas muito lentas e tímidas. Acabaram-se as reestruturações intermináveis e as discussões técnicas que nunca chegam a uma conclusão. Os especialistas defendem uma ferramenta simples e rápida: um dispositivo que permite substituir a dívida mais cara por financiamentos acessíveis, antes que a espiral de reembolso se torne incontrolável.

Em um relatório divulgado na terça-feira, eles propõem várias soluções: um fundo dedicado capaz de comprar as obrigações mais onerosas, ou mecanismos de swap de dívida que mobilizam recursos concessores. O FMI poderia desempenhar um papel central, por meio do uso de direitos de saque especiais (SDRs). As reservas de ouro da instituição também são mencionadas, se os membros do G20 aceitarem liberar seu uso.

Por trás dessas propostas, uma constatação: para muitas economias de baixa renda, o tempo está se esgotando. Os reembolsos estão explodindo, as margens orçamentárias estão diminuindo e os programas sociais estão se tornando variáveis ajustáveis. "Alguns países precisam de alívio agora, não em 2027", diz um membro do painel.

Esta equipe inclui figuras reconhecidas, incluindo um ex-ministro das finanças da África do Sul e um ex-governador do Banco Central do Quênia. Todos apontam a ineficácia do "Quadro Comum" lançado pelo G20 após a covid-19. A Zâmbia e Gana, supostos casos de teste, passaram anos sem chegar a um acordo definitivo. Enquanto isso, outros estados como Senegal e Moçambique veem as tensões aumentarem.

O painel vai mais longe ao pedir aos países endividados para se unirem em um "clube de empréstimos", destinado a reequilibrar a relação de forças dominada pelos credores. O objetivo: ter mais influência na reforma da arquitetura financeira mundial, especialmente a do FMI.

A União Africana, por sua vez, está promovendo a criação de um mecanismo continental de refinanciamento, sem um calendário firme por enquanto. No entanto, o discurso converge: a dívida voltou ao centro do palco, ameaçando a estabilidade financeira de várias regiões.

Fiacre E. Kakpo

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Especialistas africanos conclamam o G20 a aumentar a supervisão das agências de classificação de risco, acusadas de viés que prejudica o continente.

O painel de especialistas, constituído sob a presidência sul-africana do G20, apresentou um relatório em 18 de novembro de 2025, solicitando uma regulamentação mais estrita desses importantes agentes do mercado financeiro.

Enquanto o G20 se prepara para se reunir em um cenário de endividamento recorde e tensões financeiras, especialistas africanos instam as principais economias a supervisionar mais fortemente as agências de classificação de risco, acusadas de viés que prejudica o continente.

Às vésperas da cúpula do G20, um painel de especialistas africanos alerta: as grandes agências de classificação de risco continuam, segundo eles, a aplicar métodos "enviesados" que prejudicam gravemente as economias do continente. Em um relatório apresentado na terça-feira, 18 de novembro de 2025, aos membros do grupo, eles pedem uma regulamentação mais rigorosa desses influentes agentes dos mercados financeiros.

Formado sob a presidência sul-africana do G20, o painel acredita que as classificações atribuídas a muitos países africanos nem sempre refletem seus fundamentos econômicos. Os especialistas denunciam um "viés de percepção" que levaria a superestimar o risco africano, resultando em custos de empréstimo mais altos e limitando a capacidade dos estados de acessar o financiamento internacional.

Entre suas recomendações, os especialistas pedem ao G20 que imponha maior transparência às agências de classificação de risco: publicação dos modelos utilizados, justificativa detalhada dos rebaixamentos e consideração mais detalhada da diversidade das economias africanas. Eles também pedem para evitar decisões de classificação "automáticas" em tempos de crise, que podem agravar as dificuldades financeiras dos países afetados.

As grandes agências - S&P, Moody's e Fitch - rejeitam qualquer acusação de parcialidade, garantindo que seus critérios são aplicados de maneira uniforme em todo o mundo.

Diante dessas críticas recorrentes, a União Africana (UA) está acelerando a implantação de sua própria Agência Africana de Classificação de Risco, anunciada para o segundo semestre de 2025. O objetivo é oferecer uma avaliação ancorada nas realidades econômicas do continente e reduzir a dependência das classificações internacionais. Porém, vários analistas questionam se essa instituição interestadual conseguirá mudar a percepção dos investidores em relação ao continente.

O relatório, presidido pelo ex-ministro das Finanças da África do Sul, Trevor Manuel (foto), foi elaborado com a participação de personalidades de renome, incluindo a economista Esther Duflo, Nobel de Economia, e o ex-chefe do Banco Africano de Desenvolvimento, Donald Kaberuka. Todos enfatizam que uma melhor regulação das agências de classificação de risco é vital para apoiar os esforços de financiamento e desenvolvimento do continente africano.

 Fiacre E. Kakpo

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FPI do Congo em prospecção em Singapura para atrair investimentos sólidos

Parcerias com SCE, EDB e ESG discutidas para impulsionar projetos industriais na RDC

Em busca de novas fontes de financiamento, as autoridades congolesas estão em busca de parceiros financeiros sólidos para concretizar seus projetos. Atualmente, estão realizando uma prospecção em um país asiático, um dos quatro dragões.

O Fundo para a Promoção da Indústria (FPI) mostrou interesse em estabelecer parcerias com três instituições econômicas de Singapura: a Singapore Cooperation Enterprise (SCE), a Economic Development Board (EDB) e a Enterprise Singapore (ESG). Seu diretor geral, Hervé Claude Ntumba Batukonke (foto), encontrou-se com os líderes dessas agências durante uma missão de prospecção econômica realizada em Singapura, de 1 a 8 de novembro de 2025, a convite do Embed Financial Group Holdings (EFGH Singapore).

De acordo com uma nota do FPI, as conversas com a Singapore Cooperation Enterprise focaram na governança industrial, na digitalização e na transferência de competências. A SCE, responsável pela concepção e implementação de parcerias governo-a-governo (G2G) e programas de fortalecimento de capacidades, elogiou as reformas em andamento na RDC nessas áreas.

A reunião com a Economic Development Board, organização responsável pela atração de investimentos em tecnologia, finanças, indústria e biotecnologia, possibilitou a identificação de cooperativas para mobilizar investidores em torno dos projetos industriais congoleses.

Discussões também aconteceram com a Enterprise Singapore, que vê na RDC um parceiro potencial para suas futuras iniciativas industriais. Esta instituição, responsável por apoiar a expansão internacional das empresas singapurenses, reivindica quase 20 bilhões de dólares em investimentos comprometidos em vários projetos na África. A agência também apoia as PMEs através de financiamento, assistência técnica e formação.

Segundo Hervé Claude Ntumba, esses encontros permitiram destacar os atrativos econômicos da RDC e promover novas oportunidades de investimento no setor industrial. Ao término da missão, o FPI e as agências singapurenses concordaram em trabalhar para formalizar um quadro de cooperação bilateral, preparar a participação do FPI na Conferência Internacional de 2027 com uma lista de projetos prioritários, e estabelecer um mecanismo de acompanhamento para concretizar as intenções de investimento.

Ronsard Luabeya (Bankable)

 

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Em Cotonou, o Banco Mundial e vários governos africanos anunciam estratégia para transformar a conectividade existente em uso real, visando custos, habilidades digitais, serviços digitais essenciais e infraestruturas compartilhadas.

A principal dificuldade enfrentada é um déficit no acesso e não em infraestrutura. Cerca de 70% das pessoas não conectadas já vivem em áreas cobertas.
Reunidos em Cotonou, o Banco Mundial e vários governos africanos anunciaram uma nova estratégia para transformar a conectividade existente em uso real. A iniciativa mira nos custos, habilidades e serviços digitais essenciais, além da compartilha de infraestruturas.

Em Cotonou, o diagnóstico foi claro: a África sofre menos com um déficit de infraestrutura do que com uma falta de uso. Esse se tornou a nova frente de batalha na era digital. No "Cúpula Regional sobre a Transformação Digital na África Ocidental e Central", realizada de 17 a 18 de novembro, governos, o Banco Mundial e várias instituições regionais discutiram um paradoxo central: apesar do crescimento na cobertura móvel, quase dois terços dos africanos permanecem offline. Segundo dados apresentados pelo Banco Mundial, cerca de 70% das pessoas desconectadas já vivem em áreas cobertas.

Persistência de barreiras econômicas e sociais

Em uma região que carecia de torres de cell-site, fibra ou backbone, essa mudança de análise marca uma ruptura. "O desafio não é mais cobrir, mas incluir", resumiu Ousmane Diagana, vice-presidente do Banco Mundial para a África Ocidental e Central, durante a sessão de abertura. Atrás dessa frase, surge uma nova certeza: a batalha pela conectividade agora é jogada no campo da acessibilidade econômica, das habilidades digitais e da relevância de uso.

As razões são primeiramente econômicas. O acesso à internet móvel ainda custa em média 4,6% da renda mensal, mais do que o dobro do limite recomendado internacionalmente. O acesso a um plano fixo de banda larga chega a representar 21,5% da renda mensal, um valor sem equivalente no mundo. No Liberia, um caso extremo, os preços representam até 153% do rendimento mensal médio para um acesso fixo, tornando a assinatura fora de alcance para a grande maioria das famílias. Em muitos países da região, o preço de um smartphone de entrada ainda é equivalente a uma ou duas semanas de renda para uma família urbana, ainda mais em áreas rurais.

Mas o obstáculo também é social. Em muitos países, o nível de alfabetização digital ainda é insuficiente para aproveitar ao máximo os serviços online.

Mudança de paradigma

Nesse cenário, a cúpula de Cotonou adquiriu uma dimensão estratégica. O Banco Mundial está mudando sua abordagem. Ao longo de vinte anos, a instituição financiou principalmente a infraestrutura. Agora, ela busca abordar diretamente a questão do uso. Isso significa financiar bens digitais públicos - identidades digitais, sistemas de pagamento, registros unificados, plataformas interoperáveis - que tornam os serviços mais acessíveis e estimulam a demanda.

Desenvolvimento de habilidades digitais

O outro eixo prioritário, amplamente discutido, diz respeito às habilidades digitais. As estimativas do Banco Mundial são claras: até 2030, 230 milhões de postos de trabalho na África exigirão habilidades digitais ou relacionadas à IA. Até agora, a maioria dos sistemas educacionais não está alinhada com essas necessidades.

Mercado Único Digital africano

A perspectiva de um Mercado Único Digital africano, apoiado pela União Africana, ocupou uma parte significativa das discussões. O encontro deve levar a uma Declaração Comum, comprometendo os países a reduzir os custos de acesso, a compartilhar infraestruturas transfronteiriças, a reforçar a interoperabilidade e a desenvolver serviços compartilhados.Vários oradores sublinharam que o investimento privado em centros de dados, computação em nuvem e fibra ótica terrestre só poderá acelerar se a região oferecer uma estrutura harmonizada e mais transparente para os operadores. "A era dos projetos isolados acabou: os nossos países precisam de criar sinergias regionais", destacou Aurélie Adam Soulé Zoumarou.

Fiacre E. Kakpo

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Benin manifesta intenção de levantar 100 bilhões de CFA (aproximadamente $177 milhões) para financiar investimentos referentes ao orçamento de 2025.
Duas emissões de títulos de dívida têm maturidades de sete e dez anos, com taxas fixas de juros anuais de 6% e 6.15% respectivamente.

O Benin acaba de lançar duas novas emissões de títulos de dívida no mercado financeiro regional da UEMOA com o objetivo de angariar 100 bilhões de francos CFA ($176.7 milhões) para financiar investimentos relacionados ao orçamento de 2025.

Essas emissões têm duas maturidades: “TPBJ 6% 2025-2032” de um valor indicativo de 70 bilhões de FCFA em sete anos, e “TPBJ 6.15% 2025-2035” de um valor de 30 bilhões FCFA em dez anos. Cada título de obrigação é proposto ao preço de emissão de 10.000 FCFA, com um total de 10 milhões de títulos.

As taxas de juros são de 6% ao ano para a porção com prazo de vencimento em sete anos, e 6,15% para a porção de dez anos. As assinaturas estão abertas de 10 a 28 de novembro de 2025, com possibilidade de encerramento antecipado caso o valor buscado seja excedido.

O governo beninense, tradicionalmente quase ausente no mercado regional nas últimas duas anos, marca seu retorno, sobretudo no segmento de emissões por syndication, que há muito tempo não eram utilizadas. Em contrapartida, em 2025, vários outros estados da zona intensificaram fortemente suas emissões, atingindo volumes inéditos.

No início deste ano, Cotonou mobilizou mais de $1 bilhão nos mercados internacionais para assegurar o exercício orçamentário, à medida que o país acelera a implementação de sua ambição por infraestruturas, modernização econômica e melhoria do acesso a serviços. De acordo com previsões do FMI, o crescimento econômico é esperado em 7% neste ano.

Fiacre E. Kakpo

 

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A operadora de telecomunicações Orange Mali obteve um empréstimo de 80 milhões de euros (cerca de 93 milhões de dólares) da Sociedade Financeira Internacional (SFI) e do Banco de Desenvolvimento da África Ocidental (BOAD) para aprimorar sua rede.

O financiamento tem como objetivo ampliar a rede da Orange Mali, reforçar sua resiliência e beneficiar mais pessoas com as oportunidades oferecidas pela economia digital.

O investimento poderá melhorar não apenas a qualidade dos serviços, mas também contribuir para a redução da diferença no acesso à tecnologia digital (conhecida como "fratura digital") e apoiar o desenvolvimento econômico local.

A provedora de telecomunicações Orange Mali, líder no segmento de telefonia móvel, fixa e internet no país, obteve um empréstimo de cerca de 93 milhões de dólares da SFI e do BOAD, segundo comunicado da filial do Banco Mundial publicado em 17 de novembro de 2025. Dentro desse acordo, a SFI fornece 50 milhões de euros, enquanto o BOAD contribui com o restante. A Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA) também apoia o projeto, facilitando o acesso a financiamentos em moeda local, recurso bastante limitado no mercado maliano.

Com esse financiamento, a Orange Mali planeja instalação de 300 novas antenas 4G, sendo que a metade será instalada em áreas rurais, além da expansão de sua rede de fibra óptica. Essa modernização visa aprimorar o acesso à internet para cerca de 300.000 residências e pequenas empresas, em um país cujas áreas rurais permanecem amplamente desassistidas. O acesso confiável à internet é um fator chave para impulsionar a economia, facilitar os serviços públicos e criar novas oportunidades para a juventude.

"Graças a esse apoio, vamos expandir a cobertura da rede, aumentar sua resiliência e permitir que mais malianos se beneficiem das oportunidades oferecidas pela economia digital", afirmou Aboubakar Sadikhe Diop, diretor geral da Orange Mali, que conta com mais de 12 milhões de assinantes e é a principal operadora de telecomunicações do país.

Além da expansão da rede, o projeto visa reduzir a desigualdade digital. A Orange Mali se comprometeu a treinar em seus programas de competências digitais, até 2032, 70% de mulheres, uma iniciativa elogiada pela SFI como uma ferramenta essencial para aumentar a participação econômica das mulheres.

O projeto também planeja a gradual substituição dos geradores diesel da Orange Mali por sistemas movidos a energia solar. Essa mudança reduzirá as emissões anuais de CO₂ em mais de 8.000 toneladas, reforçando assim os esforços ambientais da operadora.

Este financiamento é a primeira concretização de um acordo assinado em maio de 2025 entre a SFI e a Orange Middle East and Africa (OMEA), que visa implantar infraestruturas digitais sustentáveis em oito países da África Ocidental e Central.

Sandrine Gaingne

 



 

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A República Centro-Africana (RCA) pretende levantar entre 35 e 50 bilhões de FCFA (cerca de US$ 68 e 88,4 milhões) a partir dos investidores da CEMAC;

A dívida pública será emitida em três maturidades distintas, com a intenção de financiar os projetos prioritários definidos pelo país no Plano Nacional de Desenvolvimento 2024-2028 (PND-RCA).

O Tesouro público da República Centro-Africana (RCA) busca novamente, nesta segunda-feira, 17 de novembro de 2025, investidores da zona CEMAC, em uma nova operação de endividamento no mercado de títulos públicos do Banco dos Estados da África Central (BEAC).

O país planeja emitir três tranches de Títulos do Tesouro, com a objetivo de levantar entre 35 a 50 bilhões de FCFA (cerca de 68 a 88,4 milhões de dólares). A emissão é estruturada em torno de três maturidades distintas. A primeira, com duração de três anos (vencimento em 19 de novembro de 2028), propõe uma taxa de juros de 6,25% para um levantamento de entre 15 a 20 bilhões de FCFA. Haverá uma segunda obrigação, de quatro anos (vencimento em 19 de novembro de 2029), oferecendo um rendimento mais elevado de 6,75% para levantar uma quantia similar. Finalmente, a terceira tranche, a mais longa com maturidade de cinco anos (vencimento em 19 de novembro de 2030), visa arrecadar entre 5 a 10 bilhões de FCFA com uma taxa atraente de 7%.

Os fundos a serem obtidos com esta emissão serão destinados a financiar projetos dentro do Plano Nacional de Desenvolvimento 2024-2028 (PND-RCA), o primeiro plano desse tipo para o país, adotado em setembro de 2024. O plano lista 58 projetos com um custo total estimado em US$ 12,8 bilhões, destinados a modernizar a infraestrutura, desenvolver a agricultura, fortalecer o capital humano e apoiar os setores produtivos. O objetivo é estimular a recuperação econômica e melhorar as condições de vida da população.

Este novo levantamento de fundos também deve permitir ao Tesouro Centro-Africano superar amplamente sua meta anual. De acordo com o calendário de emissões publicado no início do exercício, o país planejava levantar 95 bilhões de FCFA no mercado regional em 2025. Até o final de julho, já havia acumulado mais de 81 bilhões de FCFA.

Sandrine Gaingne

 

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Bancos marfinenses detêm 1800 bilhões de FCFA (3,18 bilhões de dólares) da dívida do Senegal, o que representa 42% das subscrições da dívida sengalesa no mercado regional.
Em meio à crise da dívida em Dakar, a S&P adverte sobre um aumento da exposição dos bancos costa-marfinenses à problemática dívida sengalesa.

S&P alerta para o aumento da exposição dos bancos da Costa do Marfim à problemática dívida do Senegal, apesar da manutenção da nota 'BB/B' de Abidjan. A crise da dívida em Dakar aumenta os riscos regionais para a UEMOA. Uma perda duradoura de confiança na assinatura de Dakar pode intensificar as tensões de liquidez na União e afetar indiretamente os balanços dos bancos marfinenses.

A Costa do Marfim manteve sua classificação soberana 'BB/B' da S&P Global Ratings, mas a agência americana alerta para o aumento da exposição do setor bancário marfinense à dívida pública senegalesa, enquanto Dakar enfrenta uma grande crise da dívida.

A perspectiva permanece estável, mas o ambiente regional está se tornando mais incerto, adverte a agência de classificação, que na sexta-feira, 14 de novembro de 2025, rebaixou o país da Téranga, agora ao nível 'CCC+', com necessidades de financiamento que chegam a 29% do PIB somente em 2026.

S&P destaca que os bancos marfinenses se tornaram os principais compradores de títulos senegaleses no mercado regional. O volume detido ou mantido pelas instituições com sede em Abidjan atingiu 1800 bilhões de FCFA (3,18 bilhões de dólares) em setembro de 2025, cerca de 3,1% do PIB.

Segundo a agência, esse rápido aumento é principalmente impulsionado pelo papel de intermediação dos bancos marfinenses, que atuam como intermediários para investidores internacionais que desejam acessar o mercado de títulos da UEMOA. Eles agora representam 42% das subscrições da dívida senegalesa, um nível inédito na União.

Este alerta surge enquanto a S&P acabou de rebaixar a nota soberana do Senegal para 'CCC+' em moeda estrangeira, devido a uma dívida reavaliada em 119% do PIB, necessidades de financiamento recorde e incerteza em torno das discussões com o FMI. Dakar agora depende fortemente do mercado regional, onde as taxas excedem 7%, e deve refinanciar em 2026 o equivalente a 29% do seu PIB, incluindo 2600 bilhões de FCFA de dívida externa.

A agência estima que as condições de financiamento podem piorar ainda mais na ausência de um acordo rápido com o Fundo, já que o primeiro-ministro senegalês, Ousmane Sonko, foi bastante claro: não há reestruturação à vista.

Apesar dessas tensões, a S&P considera que o risco de contágio para a Costa do Marfim é limitado. A agência lembra que apenas 2% dos títulos marfinenses são detidos por investidores não residentes, em comparação com uma dependência muito maior no Senegal. Os bancos marfinenses, mais sólidos e melhor capitalizados do que a média regional, possuem um nível de liquidez que sustenta a demanda interna por títulos do governo. Seu índice de solvência, de 16,3% em junho de 2025, está bem acima do mínimo da UEMOA. O mercado marfinense continua dominado por investidores locais e se beneficia do papel estabilizador do BCEAO e da ancoragem do franco CFA ao euro.

A S&P também destaca a estratégia ativa do governo marfinense em termos de gestão da dívida, citando especialmente uma série de operações inovadoras realizadas desde 2024. A Costa do Marfim emitiu o primeiro empréstimo sustentável africano garantido pelo Banco Mundial, um Samurai bond sustentável apoiado pelo JBIC, o primeiro título em francos CFA colocado em um mercado internacional, bem como uma importante recompra de eurobonds. A agência considera que essas operações, juntamente com o acesso contínuo a financiamentos concessionais, permitiram conter o aumento do custo da dívida.

A perspectiva estável atribuída ao país é um sinal da confiança da S&P nas perspectivas econômicas marfinenses, a continuidade das políticas após a reeleição do presidente Ouattara e a forte dinâmica dos setores de cacau, ouro e hidrocarbonetos. A agência prevê um crescimento médio de 6,5% entre 2025-2028, alimentado pela expansão das capacidades portuárias e rodoviárias, a industrialização do setor agrícola e a intensificação dos projetos de petróleo Baleine e Calao.

No entanto, a S&P alerta que a Costa do Marfim continua exposta a riscos políticos internos ligados à sucessão de Alassane Ouattara, bem como a riscos regionais, especialmente se a situação senegalesa se deteriorar ainda mais. Uma perda duradoura de confiança na assinatura de Dakar pode intensificar as tensões de liquidez na UEMOA e afetar indiretamente os balanços dos bancos marfinenses.

Atualmente, a agência acredita que os fundamentos marfinenses - crescimento sustentado, acesso privilegiado a financiadores internacionais e um mercado doméstico profundo - são suficientes para manter a estabilidade da nota. Mas o caso senegalês, descrito pela S&P como um "risco emergente para a União", permanecerá um ponto importante a ser observado nos próximos meses.

Fiacre E. Kakpo

 

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Sistemas de pagamento instantâneo (SPI) na África movimentaram um valor recorde de $1980 bilhões em 2024

Acesso aos sistemas cresceu 35% em média anualmente entre 2020 e 2024, conforme relatório da AfricaNenda Foundation, em colaboração com Banco Mundial e Comissão Econômica das Nações Unidas pela África (CEA)

Os sistemas de pagamento instantâneo vêm experimentando um rápido crescimento na África nos últimos 5 anos, mas apenas um deles alcançou um nível de inclusão maduro caracterizado pelo suporte a todos os casos de uso, disponibilidade de mecanismos de recurso sólidos e baixos custos para os usuários finais.

Os sistemas de pagamento instantâneo (SPI) ativos na África processaram um recorde de 64 bilhões de transações totalizando $1980 bilhões em 2024, de acordo com um relatório publicado em 13 de novembro pela AfricaNenda Foundation, uma organização africana independente que trabalha pelo desenvolvimento dos sistemas de pagamento no continente.

Intitulado "The State of inclusive Instant Payment Systems in Africa 2025/SIIPS 2025", o relatório foi realizado em colaboração com o Banco Mundial e a Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (CEA). O documento aponta que o volume de transações processadas por esses sistemas registrou um crescimento médio anual de 35% entre 2020 e 2024. O valor das transações registrou um crescimento médio anual de 26% nos últimos cinco anos.

Com base em dados coletados junto a atores públicos e privados do setor e aos bancos centrais, assim como em pesquisas realizadas junto a consumidores, o relatório revela que a África contava com 36 sistemas de pagamento instantâneo operacionais em junho de 2025, contra 31 no mesmo mês de 2024. Estes incluem 33 sistemas nacionais e 3 sistemas regionais, sendo o Sistema Panafricano de Pagamento e Liquidação (PAPSS), o GIMACPAY (CEMAC) e o TCIB (SADC).

Entre julho de 2024 e junho de 2025, foram lançados cinco novos sistemas de pagamento que operam 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano: o Switch Mobile (Argélia), Eswatini Payment Switch Fast Payment Module (Eswatini), LYPay (Líbia), Salone Payment Swich (Serra Leoa) e Somalia Instant Payment System (SIPS).

Sete países (Egito, Gana, Quênia, Marrocos, Nigéria, África do Sul e Tanzânia) possuem vários SPIs operacionais. No total, 31 países africanos contam com sistemas de pagamento instantâneo, mas este número deve aumentar consideravelmente nos próximos anos, uma vez que novos SPIs estão em desenvolvimento em 19 países, incluindo Benin, Botsuana, Guiné, Libéria, Mauritânia e Madagascar.

Dos 33 SPIs nacionais listados, o relatório identifica 16 interdomínios, permitindo interações entre vários meios de pagamento, como contas bancárias e carteiras mobile money. Os SPIs de mobile money (10) ocupam a segunda posição, à frente dos SPIs bancários (6). Além disso, há um único sistema baseado em uma moeda digital de banco central (MNBC), que é o eNaira, na Nigéria.

Em termos da quantidade de transações, os SPIs bancários registraram o maior aumento (28%) entre 2023 e 2024, à frente dos interdomínios (9%) e dos de mobile money (7%). Essa dinâmica tem um impacto sobre o valor das transações, com uma expansão de 50% entre 2023 e 2024 para os bancários, contra 29% e 25%, respectivamente, para os interdomínios e mobile money. O valor médio das transações para os SPIs bancários caiu de $251 para $154 por transação, enquanto para os SPIs interdomínios caiu de $225 para $95. Os SPIs de mobile money apresentam o valor médio mais baixo, sendo $11 por transação.

Os aplicativos  móveis são o canal mais utilizado.

O relatório destaca que os aplicativos móveis são o canal mais utilizado pelos sistemas de pagamento instantâneo na África. Eles são usados por 33 sistemas, o que reflete o aumento da penetração de smartphones no continente.

O relatório também aponta que os protocolos USSD (Unstructured Supplementary Service Data) são o segundo canal mais comum. Eles são utilizados por 25 sistemas, devido à sua acessibilidade em telefones móveis básicos. Serviços bancários acessíveis por meio de um navegador de internet ocupam a terceira posição (22 SPIs), seguidos por soluções baseadas em tecnologia de código QR (20 SPIs) e canais com assistência humana (agentes bancários) disponíveis em 16 SPIs. Os pontos de venda (POS), caixas automáticos (ATMs) e comunicações de campo próximo (NFC) são os canais menos utilizados.

Quanto aos casos de uso, 35 sistemas de pagamento instantâneo suportam transações de pessoa para pessoa (P2P) e 27 disponibilizam transações de pessoa para empresa (P2B). 15 permitem pagamentos de pessoa para governo (P2G), como o pagamento de impostos, e 16 suportam transações entre empresas (B2B). Apenas 11 SPIs integram atualmente pagamentos de governo para pessoa (G2P), como pagamento de aposentadorias ou transferências sociais, e 11 permitem pagamentos transfronteiriços.

O relatório destaca ainda que um único sistema de pagamento instantâneo na África atingiu um nível de inclusão maduro, caracterizado pelo suporte a todos os casos de uso, a implementação de mecanismos de recurso para os consumidores além das exigências regulatórias, e baixos custos para os usuários finais. Trata-se do sistema nigeriano NIBSS Instant Payment.

10 sistemas, porém, estão progredindo em direção a um estágio de inclusão madura, incluindo o GIMACPA, EthSwitch (Etiópia), National Financial Switch (Zâmbia), Mobile Money Interoperability (Gana) e Instant Payment Network (Egito). Esses sistemas estão chegando mais perto de um estado ideal onde todos os casos de uso estão integrados, a interoperabilidade é total e a governança é favorável aos segmentos sociais de baixa renda. Na África, 15 SPIs estão num nível básico, integrando os canais mais usados e oferecendo funcionalidades mínimas para os casos de uso, enquanto outros 10 não são classificados, ou porque não atendem aos critérios básicos de inclusão, ou devido à insuficiência de dados disponíveis.

Walid Kéfi 

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Presco lança levantamento de fundos de 164 milhões de dólares para impulsionar a expansão

A operação poderá aumentar a produção nacional e reduzir a dependência do país em importações de óleo de palmeira

Este levantamento de fundos permitirá à Presco dar um novo passo em sua estratégia de expansão, oferecendo aos seus acionistas a oportunidade de fortalecer sua participação em uma empresa chave do setor agroindustrial nigeriano.

O grupo agroindustrial Presco, líder nigeriano na produção de óleo de palma e listado na Bolsa Nigeriana, anunciou na terça-feira, 12 de novembro de 2025, o lançamento de um levantamento de fundos de 236,7 bilhões de nairas (aproximadamente 164 milhões de dólares) através de uma emissão de direitos preferenciais.

A operação, aprovada pela Nigerian Exchange Limited (NGX), consiste na emissão de um pouco mais de 166,6 milhões de ações ordinárias com valor nominal de 0,50 naira cada, oferecidas a 1420 nairas por ação. Os acionistas existentes podem subscrever na proporção de uma nova ação para cada seis detidas em 13 de outubro de 2025. A subscrição estará aberta até 2 de dezembro de 2025.

Esta oferta de direitos de subscrição, que visa principalmente aumentar o capital da empresa, permite aos acionistas existentes aumentar sua participação no capital da Presco e apoiar sua visão de longo prazo. Segundo o comunicado oficial, os fundos levantados serão usados principalmente para a expansão industrial e a finalização de aquisições de projetos "Greenfield" e "Brownfield".

Esses investimentos estão alinhados com a estratégia de longo prazo da empresa, que visa fortalecer sua capacidade de produção e consolidar sua posição de liderança no mercado regional de óleos vegetais, o que deverá contribuir para fortalecer a produção nacional e a transformação local, reduzindo a dependência das importações deste produto.

Embora a Nigéria seja o principal produtor africano de óleo de palma, ainda depende de 25% das importações. O projeto da Presco está, portanto, alinhado com a estratégia nacional de 2026-2030, que visa desenvolver a produção local e reduzir as importações de alimentos.

Sandrine Gaingne

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