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O projeto, cuja primeira fase inclui a construção de 800 quartos de hotel e de uma aldeia de lazer, visa diversificar a oferta turística do país, que irá coorganizar o Campeonato do Mundo de Futebol de 2030 com Espanha e Portugal.

Um consórcio egípcio-emiradense, que reúne a empresa emiradense Al Nowais Investments, a empresa egípcia Sunrise Group e o bilionário egípcio Samih Sawiris, planeia investir 200 milhões de euros (cerca de 235 milhões de dólares) num projeto turístico integrado em Marrocos.

Este montante servirá para financiar a primeira fase deste grande projeto, que deverá estender-se por uma área total de 2,5 milhões de m² na cidade de Essaouira, situada na costa atlântica marroquina.

Segundo duas fontes próximas do processo citadas pelo site de informação Asharq Business, a primeira fase do projeto prevê a construção de 800 quartos de hotel, dos quais 270 deverão estar concluídos até ao final de 2027. Esta fase inclui igualmente a construção de uma aldeia de lazer com espaços comerciais, campos de golfe e 30 pequenas unidades hoteleiras do tipo “hotéis boutique”, numa área de 300.000 m².

A segunda fase, cujos detalhes não foram divulgados, deverá arrancar cinco anos após o início das obras da primeira fase.

O projeto tem como objetivo reforçar a atratividade turística da região de Essaouira, onde a oferta turística assenta numa combinação de riads (residências tradicionais marroquinas), hotéis e casas de hóspedes. Insere-se nos objetivos do roteiro de desenvolvimento do turismo elaborado pelas autoridades marroquinas, que prevê a receção de 26 milhões de turistas em 2030, ano em que Marrocos irá coorganizar o Campeonato do Mundo de Futebol com Espanha e Portugal.

O reino, onde o setor do turismo representa cerca de 7% do PIB e gera quase 900.000 empregos diretos, já é o principal destino turístico africano em termos de afluência, com um número recorde de 19,8 milhões de turistas em 2025 (+14% em relação a 2024).

Walid Kéfi

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Fortes de uma crescimento sustentado nos últimos anos, as exportações marfinenses ultrapassam os 14 mil milhões de dólares, impulsionadas por uma dinâmica de diversificação e de transformação local.

As autoridades da Costa do Marfim pretendem reforçar o papel do Conselho Nacional das Exportações (CNE), após um balanço das exportações considerado em alta. É o que resulta da 8.ª reunião plenária do CNE, realizada na segunda-feira, 20 de abril, em Abidjan.

Criado há doze anos, este órgão consultivo, ligado ao Ministério do Comércio, da Indústria e do Artesanato, tem-se afirmado progressivamente como um ator-chave do comércio externo, com uma experiência reconhecida na estruturação de fileiras e na melhoria da competitividade. Para reforçar o seu papel, o governo prevê a construção e a instalação de armazéns especializados nas fronteiras terrestres, com o objetivo de facilitar as trocas comerciais.

A médio prazo, as prioridades passam pela valorização dos agropolos, pela promoção da transformação local e pela implementação efetiva da Política Nacional do Comércio Externo (PNCE). Nesta dinâmica, está igualmente prevista uma maior implicação do Conselho na estruturação de novas fileiras de exportação, nomeadamente ligadas a produções emergentes.

Desempenhos sólidos impulsionados por produtos estratégicos

As exportações marfinenses registaram um crescimento médio anual de 6,3% «ao longo dos últimos cinco anos», segundo Olivier Daipo, diretor de gabinete adjunto do ministro do Comércio, ultrapassando os 14 mil milhões de dólares em 2023, o que representa um aumento de 5,2% em relação ao ano anterior.

Em 2023, a Costa do Marfim consolidou a sua posição como motor económico regional, destacando produtos de primeira linha como o cacau e os seus derivados, os produtos petrolíferos, o ouro bruto e a borracha natural. Estes produtos principais representaram, em conjunto, 70,1% do total das exportações.

Esta dinâmica insere-se na estratégia global do governo marfinense, que visa diversificar a economia e reduzir a dependência das exportações de matérias-primas brutas, privilegiando produtos com maior valor acrescentado. Entre 2020 e 2024, o país reforçou a sua resiliência comercial, com exportações em forte crescimento (+72,4%) e um excedente significativo, apesar de um défice registado em 2022.

Este desempenho assenta, nomeadamente, no crescimento da transformação local do cacau, que compensa a diminuição dos volumes exportados. Segundo as previsões da Coface for Trade, o crescimento deverá manter-se sustentado, impulsionado pela solidez das exportações, sobretudo agrícolas — em particular o cacau —, bem como pelos setores extrativos. Após duas épocas de queda devido às condições climáticas e às doenças, a produção deverá recuperar 5,3%, atingindo 1,7 milhão de toneladas.

Reforço dos mecanismos de apoio à exportação

As autoridades marfinenses pretendem acelerar a implementação de ferramentas de apoio à exportação, incluindo uma plataforma de orientação com centro de atendimento, diretório e serviços digitais. Destacam igualmente a criação de armazéns especializados nas fronteiras para facilitar as trocas comerciais.

O CNE é, assim, chamado a alargar o seu campo de intervenção. «O CNE tem uma visão essencial: ser uma verdadeira plataforma de engenharia e de especialização ao serviço das exportações marfinenses», declarou Daipo, sublinhando a necessidade de tornar a instituição «mais eficiente, mais ágil e mais influente».

Carelle Yourann (estagiária)

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Com a criação de um cluster que reúne start-ups, universidades e centros de investigação, a Argélia pretende estimular sinergias tecnológicas e acelerar a sua transição para uma economia baseada no conhecimento.

O governo argelino lançou, no sábado, 18 de abril, em Argel, o primeiro cluster nacional de start-ups dedicado à inteligência artificial e à cibersegurança, no polo científico e tecnológico de Sidi Abdellah. A iniciativa marca uma nova etapa na estruturação do ecossistema de inovação, com a ambição de reforçar a competitividade das jovens empresas tecnológicas e aumentar a sua contribuição para a economia nacional.

Este cluster apresenta-se como um quadro integrado que reúne start-ups, universidades, centros de investigação e atores económicos em torno de projetos comuns. O objetivo é promover o surgimento de soluções inovadoras em áreas estratégicas, nomeadamente a inteligência artificial, a cibersegurança e os serviços digitais inteligentes. A sua particularidade reside na abertura a start-ups provenientes tanto do meio universitário como do ecossistema empresarial tradicional, de forma a estimular sinergias e acelerar a transformação de projetos inovadores em aplicações económicas concretas.

Impulsionado conjuntamente pelos ministérios do Ensino Superior, da Economia do Conhecimento e das Telecomunicações, o dispositivo insere-se numa ambição mais ampla dos poderes públicos de desenvolver massivamente o ecossistema empreendedor. O Presidente da República, Abdelmadjid Tebboune, definiu, nomeadamente, o objetivo de atingir 20.000 start-ups na Argélia até 2029, apoiando-se na universidade como principal fonte de inovação e competências.

Em junho passado, as autoridades indicaram que 1.600 microempresas, 130 start-ups e 1.175 projetos com o selo «inovador» tinham sido registados, aos quais se juntavam mais de 2.800 patentes depositadas junto das entidades competentes.

Ao apoiar-se neste tipo de estruturas, a Argélia procura acelerar a sua transição para uma economia baseada no conhecimento, onde a inovação tecnológica se torna um motor de crescimento. À escala internacional, os clusters são considerados catalisadores de competitividade, capazes de estimular o desenvolvimento tecnológico, reforçar a atratividade dos territórios e promover o surgimento de empresas com elevado potencial.

Samira Njoya

 

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Abeba pretende tirar partido dos investimentos europeus para modernizar as suas infraestruturas estratégicas, num contexto de reformas económicas de grande escala.

A União Europeia (UE) anunciou um investimento de 559 milhões de euros (cerca de 660 milhões de dólares) para financiar a transformação estrutural da economia etíope. A iniciativa foi apresentada na segunda-feira, 20 de abril, em Addis Abeba, por ocasião do Fórum Empresarial UE–Etiópia 2026.

Investimentos direcionados na energia e no digital

Neste âmbito, a UE detalhou os contornos de um programa de investimentos estruturantes. Dotado de 269 milhões de euros, o programa RISE prevê, nomeadamente, alargar o acesso à eletricidade, modernizar a rede nacional, instalar 2.500 quilómetros de fibra ótica, bem como reabilitar o parque eólico de Ashegoda.

A estes financiamentos junta-se um envelope de 150 milhões de euros destinado ao desenvolvimento da economia digital, com o objetivo de reforçar a conectividade, financiar a inovação e promover o surgimento de um ecossistema digital dinâmico. Além disso, foram anunciados novos financiamentos do Banco Europeu de Investimento (BEI) para apoiar a agricultura, as comunidades rurais e o empreendedorismo feminino.

A UE confirmou igualmente a retoma do seu apoio orçamental à Etiópia, com mais de 140 milhões de euros destinados a setores prioritários como a energia, a saúde, a conectividade e a melhoria do ambiente de negócios.

Estes investimentos surgem num contexto em que a Etiópia procura posicionar-se como um importante hub económico em África, apoiando-se nas suas reformas internas e num reforço da parceria com a União Europeia.

Uma estratégia energética ambiciosa para 2030

Intervindo na cerimónia de abertura, a ministra de Estado etíope das Finanças, Semereta Sewasew, destacou os progressos realizados no âmbito das reformas económicas. Estas visam, nomeadamente, melhorar a competitividade, atrair investimento estrangeiro e reforçar o papel do setor privado no crescimento.

«Com uma população de mais de 120 milhões de habitantes e uma força de trabalho jovem, a Etiópia oferece importantes oportunidades nos setores da agricultura, da indústria transformadora, das energias renováveis e dos serviços digitais», afirmou.

O governo lançou importantes projetos no setor da energia, com um vasto programa de modernização e expansão das infraestruturas. Até 2030, prevê a construção de 30.000 km de linhas de transmissão e de 456.000 km de rede de distribuição.

Pretende também melhorar a eficiência do sistema elétrico, reduzindo as perdas de transmissão para 5,5%, as de distribuição para 13% e as perdas comerciais para 4,5%. Ao mesmo tempo, a capacidade instalada deverá passar de 9.761 MW para 14.000 MW, enquanto a quota das energias renováveis (excluindo a hidroeletricidade) deverá aumentar de 5,6% para 15%.

Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento económico do país é estimado em 9,2% para 2026.

Carelle Yourann (estagiária)

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Este financiamento inclui um mecanismo de garantia que permite ao país refinanciar parte da sua dívida em condições mais vantajosas.

Angola receberá 750 milhões de dólares do Banco Mundial para financiar a execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026.

O anúncio foi feito no sábado, 18 de abril, em Washington, pela ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, à margem das reuniões de primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo a Angop.

De acordo com a responsável, esta operação integra um mecanismo de garantia que permitirá ao país refinanciar parte da sua dívida em condições mais favoráveis. O objetivo é reduzir o custo global do endividamento, ao mesmo tempo que liberta margem orçamental para financiar prioridades sociais, nomeadamente no setor da educação.

O governo prevê assim acelerar a construção de infraestruturas escolares e reforçar a formação de professores. Para além da educação, a parceria com o Banco Mundial abrange também projetos destinados a melhorar o acesso à eletricidade e à água potável.

Este financiamento surge num contexto económico ainda desafiante. Fortemente dependente do petróleo, Angola continua os seus esforços de diversificação, apesar de uma dívida estimada em cerca de 64% do PIB em 2025, segundo o FMI. O crescimento, estimado em 3,1% em 2025 pelo Banco Mundial, mantém-se moderado num ambiente marcado por uma inflação próxima de 15,7%. Os desafios sociais continuam significativos, com cerca de 39% da população a viver abaixo do limiar de pobreza.

Nos setores visados, os défices estruturais permanecem acentuados. Segundo o Banco Mundial, 51,1% da população tinha acesso à eletricidade em 2023, o que ilustra as limitações de um sistema energético pouco inclusivo, apesar do elevado potencial em recursos (petróleo, hidroeletricidade e energia solar).

Para responder a estes desafios, as autoridades lançaram várias iniciativas, incluindo um programa de formação destinado a 500 000 jovens, com o objetivo de promover a empregabilidade e apoiar a diversificação económica. Além disso, Angola promulgou, em janeiro de 2025, uma lei sobre a eletricidade, marcando um passo rumo à liberalização do setor.

O país tem também reforçado parcerias regionais, nomeadamente com a Namíbia, com a qual assinou dois acordos no valor total de 941 milhões de dólares namibianos (cerca de 57,48 milhões de dólares), para o desenvolvimento de uma interligação elétrica transfronteiriça, segundo a Namibia Mining and Energy.

Ingrid Haffiny

 

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Desde há uma década, os megaprojetos urbanos multiplicam-se no Egito. Estes projetos são impulsionados tanto por capitais provenientes dos países do Golfo como por grandes investidores nacionais.

No Egito, o gigante imobiliário Talaat Moustafa Group (TMG) anunciou, a 18 de abril de 2026, a construção de uma nova cidade chamada “The Spine”, a leste do Cairo, com um investimento de 1,4 biliões de libras egípcias (27 mil milhões de dólares).

De acordo com os detalhes revelados por Hisham Talaat Moustafa, CEO do grupo, durante uma conferência de imprensa, o projeto será desenvolvido numa área de cerca de 2,4 km².

A futura cidade pretende ser um complexo urbano integrado, combinando bairros residenciais, espaços comerciais, escritórios, hotéis, zonas de lazer, centros de retalho e amplos espaços verdes públicos que deverão cobrir mais de 70% da área total. Irá acolher mais de 160 torres residenciais, de escritórios e comerciais.

Este projeto será desenvolvido em parceria com o National Bank of Egypt (NBE), que participa no capital da empresa responsável pelo projeto, a qual foi dotada de 69 mil milhões de libras egípcias (1,3 mil milhões de dólares) de capital realizado.

“The Spine” deverá beneficiar do estatuto de zona especial de investimento, à semelhança de Madinaty — outro projeto emblemático da TMG —, o que lhe proporcionará um enquadramento regulamentar e fiscal favorável para atrair capitais e investidores.

Segundo o Sr. Moustafa, esta nova cidade poderá gerar cerca de 818 mil milhões de libras egípcias em receitas fiscais para o Estado, incluindo imposto sobre as sociedades, IVA, impostos sobre imóveis e outras contribuições ligadas às atividades económicas que aí serão desenvolvidas. Em termos de impacto social, o grupo anuncia a criação de mais de 55 000 empregos diretos e mais de 100 000 empregos indiretos.

Um novo marco na estratégia de megaprojetos urbanos

Este novo projeto confirma uma dinâmica mais ampla de desenvolvimento urbano no Egito. Nos últimos anos, tem-se verificado um forte interesse por investimentos em novas cidades, zonas económicas especiais, polos turísticos e corredores logísticos, com o apoio de importantes fluxos de investimento estrangeiro, nomeadamente provenientes do Golfo.

Entre estes projetos de destaque encontra-se Ras El Hekma, na costa mediterrânica, considerado um dos maiores empreendimentos imobiliários da história do país.

Localizado no governadorado de Matrouh, a cerca de 350 km a norte do Cairo, este megaprojeto deverá abranger uma área de 170 km² e acolher, a prazo, até 2 milhões de habitantes. O projeto prevê a construção de um vasto complexo turístico, uma zona franca, infraestruturas portuárias e aeroportuárias, bem como bairros comerciais e residenciais, com infraestruturas de nível internacional. Ras El Hekma foi objeto de um acordo de investimento histórico assinado em fevereiro de 2024 entre o Egito e os Emirados Árabes Unidos, através do fundo soberano de Abu Dhabi, ADQ.

Paralelamente a esta iniciativa, a Qatari Diar, braço imobiliário do fundo soberano do Qatar, anunciou em novembro de 2025 que planeia investir cerca de 30 mil milhões de dólares num complexo turístico de alto padrão em Alam Al-Roum, também localizado no governadorado de Matrouh. Este megaprojeto, desenvolvido em parceria com a Autoridade das Novas Comunidades Urbanas (NUCA), abrangerá cerca de 20,2 km², com a ambição de transformar uma área ainda largamente virgem num destino turístico e de investimento aberto durante todo o ano.

A Qatari Diar deverá pagar cerca de 3,5 mil milhões de dólares pela aquisição do terreno e mobilizar mais 26,2 mil milhões de dólares em investimentos diretos para desenvolver um conjunto urbano integrado que incluirá bairros residenciais, hotéis com cerca de 4 500 quartos, marinas, equipamentos de lazer, campos de golfe, escolas, universidades e diversas infraestruturas públicas.

Espoir Olodo

 

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Ao longo dos últimos dez anos, o Benim apresentou uma das taxas de crescimento mais dinâmicas da África Ocidental. Prevista em 7% em 2026, deverá ser a mais elevada da UEMOA, impulsionada por reformas e pelo desenvolvimento do turismo e da indústria.

Entre 2016 e 2026, a economia beninense, sob a governação de Patrice Talon, conheceu uma transformação profunda, caracterizada por um forte crescimento económico. Passou de 3,3% em 2016 para 7,2% em 2021, sendo estimada em 7% em 2026 — a mais elevada da zona UEMOA — depois de 7,3% estimados em 2025, segundo o Banco Mundial.

A evolução do país caracteriza-se igualmente por uma modernização das infraestruturas, uma maior atratividade económica e turística, bem como por uma dinâmica de industrialização.

Para alcançar este desempenho, foram implementadas várias reformas. Romuald Wadagni, antigo ministro da Economia e das Finanças e novo presidente eleito da República, é considerado um dos principais arquitetos desta transformação.

Um crescimento assente na implementação de reformas

De 2016 a 2021, o governo implementou o Programa de Ação Governamental (PAG), intitulado «Benim Revelado», um vasto programa de transformação estrutural avaliado em 9 039 mil milhões de francos CFA. Este roteiro estruturava-se em torno de três pilares principais, desdobrados em sete eixos estratégicos, incluindo o reforço das instituições democráticas e do Estado de direito, a consolidação do quadro macroeconómico e a preservação da estabilidade. Incluía igualmente o reforço dos serviços sociais de base e da proteção social.

O PAG baseava-se em 45 projetos emblemáticos, complementados por 95 projetos setoriais e 19 reformas institucionais, constituindo um instrumento central de modernização da economia beninense. A sua implementação permitiu desencadear reformas profundas em todos os sectores e iniciar a transformação estrutural da economia, apoiada por ações com impacto duradouro no bem-estar das populações.

Segundo a Umoa-Titres, a taxa de crescimento passou de 5,7% em 2017 para 7,2% em 2021. O país registava uma deflação de -0,8% em 2016, passando para 1,7% em 2021, abaixo do limiar comunitário de 3%. Quanto à taxa de investimento, aumentou de 24% do PIB em 2017 para 28,9% em 2021.

«As despesas de investimento foram principalmente direcionadas para os transportes, a energia, o ordenamento do território, o ambiente, bem como a água e o saneamento», indica o Banco Mundial. Acrescenta ainda que esta distribuição reflete a ambição do governo de melhorar as condições de vida das populações e reduzir a pobreza. Neste contexto de progresso económico, o Benim tornou-se, em 2020, um país de rendimento médio-baixo.

Aceleração das reformas económicas e sociais

Entre 2021 e 2026, o Benim prosseguiu a implementação do Programa de Ação Governamental (PAG 2021-2026), com o objetivo de acelerar a transformação estrutural da economia. Esta dinâmica assenta na manutenção da estabilidade macroeconómica, na continuação de investimentos massivos em infraestruturas, na intensificação da diversificação económica e na promoção de um sistema educativo de qualidade.

Com vista a um crescimento económico mais rápido e sustentável, foram direcionados investimentos significativos para sectores estratégicos: o digital e a digitalização, a agricultura, o turismo e a cultura, a energia e as minas, as infraestruturas, as indústrias transformadoras, bem como o artesanato, com o objetivo de reforçar a competitividade e melhorar o quotidiano dos cidadãos beninenses.

Estes esforços refletiram-se na evolução do crescimento económico. «Em 2024, o crescimento económico do Benim atingiu 7,5%, o seu nível mais elevado desde 1990, graças ao forte desempenho dos sectores dos serviços e da indústria. O sector dos serviços, principal motor do crescimento, registou um aumento de 7,5%. O sector agrícola apresentou a sua maior contribuição desde 2019, impulsionado pela forte produção de algodão e culturas de exportação», sublinhou o Banco Mundial.

Entre 2019 e 2022, a taxa de pobreza situava-se em 36,2%, menos 2,3 pontos percentuais em relação a 2018-2019. A taxa de desemprego era de 2,4%, enquanto o subemprego afetava 72% da população ativa.

O índice de desenvolvimento humano (IDH) do Benim também registou progressos, passando de 0,351 para 0,515, o que representa um aumento de 46,7% entre 1990 e 2023. «A esperança de vida à nascença aumentou 7,8 anos, a duração esperada da escolaridade 5,6 anos e a duração média da escolaridade 1,7 anos. O rendimento nacional bruto per capita aumentou cerca de 70,9% entre 1990 e 2023», acrescenta o Banco Mundial.

Uma dívida pública em alta, mas com «risco moderado»

Segundo o Boletim Estatístico da Dívida Pública publicado pela Caixa Autónoma de Gestão da Dívida (CAGD), a dívida pública do Benim no quarto trimestre de 2024 situava-se em 6 960,33 mil milhões de francos CFA (12,47 mil milhões de dólares), passando de 35,92% do PIB em 2016 para cerca de 53,7% em 2024. Apesar do aumento, o Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a dívida pública global e externa do Benim apresenta um risco moderado de sobre-endividamento. Todos os indicadores projetados da carga da dívida externa permanecem abaixo dos limiares de risco elevado.

O país atingiu o objetivo de défice orçamental da UEMOA, fixado em 3% do PIB em 2024, contra 4,1% em 2023, graças a uma maior mobilização das receitas internas e à redução das despesas de investimento, refere o Banco Mundial. Apesar de um aumento nominal de 8,9% das despesas correntes, estas mantiveram-se controladas em percentagem do PIB, graças ao crescimento económico e a uma melhor gestão das finanças públicas.

Em 2025, o país lançou uma operação de gestão da dívida para antecipar o reembolso de um eurobond com vencimento em 2032.

O turismo como pilar do desenvolvimento

Desde 2016, o turismo no Benim tem conhecido uma transformação profunda, passando de um sector subexplorado a um vetor estratégico de crescimento económico. O governo colocou este sector no centro da sua estratégia de desenvolvimento, considerando-o um motor essencial de diversificação económica e de criação de emprego sustentável.

Através de investimentos em infraestruturas, valorização do património e requalificação de sítios, o país transformou-se numa destinação em forte crescimento. A estátua da Amazona, inaugurada em 2022, tornou-se um símbolo do turismo beninense. O património cultural e histórico continua central: Ouidah e a Porta do Não Retorno, Ganvié — apelidada de «Veneza de África» —, o festival das máscaras de Porto-Novo e os Vodun Days reforçam a identidade turística.

O Banco Mundial destaca que os serviços de viagens melhoraram e contribuíram para reduzir o défice, paralelamente ao desenvolvimento do sector turístico. Segundo a Country Economy, o número de turistas passou de 267 000 em 2016 para 325 000 em 2020. Com um investimento de cerca de 1,4 mil milhões de dólares previsto até 2030, o país ambiciona que o turismo represente 13,4% do PIB e ultrapassar os 2 milhões de visitantes por ano.

Uma transformação industrial em curso com a GDIZ

O governo lançou uma estratégia de industrialização com o objetivo de desenvolver a transformação local de matérias-primas. A Zona Industrial de Glo-Djigbé (GDIZ), criada em 2021, tornou-se um motor de desenvolvimento económico. Com 1 640 hectares, é dedicada à transformação de produtos agrícolas como o ananás, o karité, a castanha de caju, a soja e o algodão. Em 2024, as unidades têxteis transformaram cerca de 40 000 toneladas de algodão. Mais de 170 mil milhões de francos CFA foram investidos e mais de 14 000 empregos criados.

Segundo o Banco Mundial, o dinamismo da GDIZ contribuiu para sustentar o crescimento, apesar da diminuição do investimento público. A zona prevê 1,4 mil milhões de dólares de investimentos e mais de 300 000 empregos diretos até 2030.

Apesar de tudo, desafios persistem

Apesar do seu desempenho macroeconómico, o Benim enfrenta ainda vários desafios estruturais, nomeadamente a redução da pobreza e a criação de emprego. Eleito presidente da República com mais de 94% dos votos, Romuald Wadagni terá de enfrentar múltiplos desafios económicos, sociais, ambientais e de segurança, num contexto marcado por ataques terroristas no norte do país.

Lydie Mobio

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Com um desempenho macroeconómico entre os mais dinâmicos da zona UEMOA, o país desperta um interesse particular por parte dos investidores internacionais. Estas novas parcerias financeiras serão orientadas para os sectores social e energético.

A Costa do Marfim concluiu dois acordos estratégicos no valor total de 888 milhões de dólares em Washington, à margem das Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. O anúncio foi feito pelo Ministério da Economia, das Finanças e do Orçamento marfinense na sexta-feira, 17 de abril.

O primeiro acordo diz respeito a um memorando de entendimento de 500 milhões de euros (588 milhões de dólares) com o grupo ABD, uma empresa especializada no desenvolvimento de projetos. Este acordo visa financiar e executar projetos-chave em vários domínios sociais, como a saúde, a educação e a hidráulica.

O segundo acordo refere-se à implementação do segundo Compacto da Millennium Challenge Corporation (MCC), no valor de 300 milhões de dólares. Combina financiamento internacional e contribuição nacional para transformar o sector energético, reforçar as competências locais e posicionar o país como um ator regional de destaque. Neste âmbito, a contribuição marfinense está estimada em mais de 22,5 milhões de dólares.

Mobilização de investidores em torno do PND

Durante estas reuniões, a delegação marfinense, liderada pelo ministro da Economia, das Finanças e do Orçamento, Adama Coulibaly, procurou mobilizar parceiros financeiros em torno das ambições económicas do país. Neste contexto, a apresentação do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) pelo ministro do Planeamento e do Desenvolvimento, Souleymane Diarrassouba, durante um painel que reuniu empresários americanos, “suscitou grande interesse”.

Muitos investidores estão desejosos de investir na Costa do Marfim porque consideram que o país apresenta um perfil atrativo”, afirmou Coulibaly.

Estas parcerias estratégicas surgem num momento em que a Costa do Marfim reforça as suas relações internacionais para financiar os projetos do PND 2026-2030. Em março, foram assinados vários acordos financeiros com a União Europeia, incluindo um no valor de 1,1 mil milhões de dólares para apoiar infraestruturas e emprego.

Com um crescimento económico estimado em 6,6% em 2025, uma inflação controlada dentro do intervalo comunitário de 1% a 3% e uma consolidação orçamental progressiva em torno de 3,7%, o país continua a reforçar a sua atratividade junto dos investidores.

Recorde-se que o PND assenta em 810 projetos distribuídos por sete polos industriais prioritários, entre os quais a agroindústria, a energia, o digital e a saúde. O plano mobiliza um orçamento global de 114 838,5 mil milhões de francos CFA (cerca de 206 mil milhões de dólares), dos quais mais de 70% provêm do sector privado.

Lydie Mobio

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Este montante foi anunciado no final da 3.ª Conferência Internacional sobre o Sudão, realizada em Berlim. Um dos objetivos do encontro era apelar às partes beligerantes para pôr fim às hostilidades que já duram há três anos, consideradas a pior crise humanitária do mundo.

Os doadores internacionais indicaram que irão disponibilizar 1,5 mil milhões de euros (mais de 1,7 mil milhões de dólares), dos quais 811 milhões de euros provenientes da União Europeia (UE) e dos seus Estados-membros, para responder à crise humanitária no Sudão. É o que indica a declaração conjunta dos participantes, publicada na quinta-feira, 16 de abril de 2026, no final da conferência internacional sobre o Sudão.

Este montante deverá servir para responder às necessidades humanitárias no Sudão, bem como nos países vizinhos, que continuam a acolher um grande número de pessoas em busca de refúgio.

«Comprometemo-nos hoje a prosseguir incansavelmente os nossos esforços coletivos para garantir que o Sudão não se torne uma crise esquecida e apelamos a todos os nossos parceiros que intensifiquem os esforços para pôr fim a este conflito», sublinha o comunicado.

A conferência, organizada pela Alemanha, França, Reino Unido, Estados Unidos da América, União Africana (UA) e União Europeia, reuniu diversas personalidades e organizações, incluindo ministros e representantes de 55 Estados, bem como doadores. Estiveram também presentes representantes de organizações regionais como a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento e a Liga dos Estados Árabes. A estes juntaram-se representantes do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento, bem como 38 ONG internacionais e sudanesas.

O objetivo da conferência era apelar às partes em conflito para cessarem as hostilidades, cumprirem imediatamente o direito internacional humanitário e garantirem um acesso humanitário total, seguro e sem entraves a todo o território sudanês, incluindo através de operações transfronteiriças. Foi também solicitado que eliminem todos os obstáculos burocráticos à entrega de ajuda de emergência, protejam os civis e assegurem a implementação das operações humanitárias.

Uma guerra que dura há três anos

O Sudão enfrenta a pior crise humanitária e de deslocamento do mundo, que já dura há três anos (com os confrontos a terem começado a 15 de abril de 2023), segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Duas fações militares rivais enfrentam-se: de um lado, as Forças Armadas Sudanesas (SAF), lideradas pelo general Abdel Fattah al-Burhan, de facto no poder após o golpe de Estado; do outro, as Forças de Apoio Rápido (RSF) do general Mohammed Hamdan Daglo, conhecido como «Hemetti».

Segundo a ONU, «a tomada de El Fasher a 26 de outubro de 2025 pelas forças paramilitares das Forças de Apoio Rápido e a escalada da violência no norte de Darfur e nos estados de Kordofan mergulharam o Sudão numa nova fase de instabilidade».

Quase 13 milhões de pessoas foram deslocadas à força devido ao conflito, incluindo sete milhões dentro do país. Mais de quatro milhões foram obrigadas a fugir para países vizinhos.

Além disso, as necessidades humanitárias continuam a aumentar: estima-se que 33,7 milhões de pessoas no Sudão necessitem de assistência. A fome já afeta várias regiões do país e cerca de 30 milhões de habitantes precisam de ajuda alimentar. Aproximadamente 12 milhões de pessoas, incluindo muitas crianças, estão atualmente expostas a violência de género.

Lydie Mobio

 

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O ecossistema da inteligência artificial (IA) no Senegal está em construção, num contexto marcado por necessidades em competências, financiamento e estruturação das iniciativas ligadas à inovação.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Ministério da Comunicação, das Telecomunicações e do Digital (MCTN) assinaram, na terça-feira, 14 de abril, em Dakar, um protocolo de acordo-quadro com o objetivo de estruturar a governação digital do Senegal e acelerar a integração da inteligência artificial nos serviços públicos.

O acordo foi assinado pelo ministro Alioune Sall (à esquerda na foto) e por Njoya Tikum (à direita), representante residente do PNUD. Surge num contexto estratégico para a política digital senegalesa, marcado pela ambição das autoridades de reforçar a inclusão digital e estabelecer um quadro regulamentar favorável à inovação. O governo qualifica esta parceria como «estruturante e orientada para resultados tangíveis», em linha com as suas prioridades em matéria de desmaterialização dos serviços públicos e de competitividade económica.

A concretização mais imediata desta cooperação está prevista para 27 de abril, com a inauguração do University Innovation Pod (UNIPOD) na Universidade Amadou Mahtar Mbow. Financiado em um milhão de dólares, este polo tecnológico será concebido como um incubador de nova geração destinado a apoiar jovens inovadores na transformação dos seus projetos de investigação em soluções empresariais de elevado impacto. As autoridades planeiam, a prazo, replicar este modelo em todo o território nacional, de forma a reforçar a rede de polos de inovação.

Esta iniciativa insere-se no âmbito do «New Deal tecnológico», a estratégia nacional de transformação digital do Senegal. O objetivo é, nomeadamente, criar mais de 500 start-ups tecnológicas certificadas até 2034 e gerar cerca de 150 000 empregos diretos no setor. Segundo dados da StartupBlink, o país conta atualmente com cerca de sessenta start-ups ativas, o que ilustra um ecossistema ainda em fase de estruturação e crescimento.

Samira Njoya

 

 

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