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A problemática das fraudes relacionadas com o mobile money preocupa consumidores, operadores e autoridades. O governo anunciou a intenção de privar os fraudadores do acesso aos serviços de telecomunicações.

O operador de telecomunicações móveis MTN Ghana iniciou uma operação de saneamento da sua rede de agentes de mobile money. A iniciativa visa proteger os clientes e preservar a confiança, numa altura em que os agentes podem, por vezes, ser vetores de fraude num setor em forte crescimento.

A medida foi revelada pela Mobile Money Fintech, a filial dedicada ao serviço de agentes de mobile money do operador, num comunicado citado pela Ghana News Agency (GNA) na quinta-feira, 16 de abril. Ela consiste na realização de controlos de rotina na plataforma de agentes MoMo. Este exercício já levou a restrições temporárias em algumas contas de agentes.

Segundo a empresa, todas as infrações não são tratadas da mesma forma. Os agentes considerados culpados de infrações menores recebem advertências, enquanto aqueles envolvidos em violações mais graves enfrentam suspensões ou até exclusão definitiva da plataforma.

Em paralelo, a Mobile Money Fintech afirma dialogar individualmente com os agentes envolvidos, analisar os processos e, quando justificado, restabelecer o acesso, mesmo que as investigações continuem.

Uma dinâmica de crescimento

Esta medida surge num contexto de rápido crescimento do mobile money, que se tornou uma ferramenta de pagamento amplamente utilizada devido à sua simplicidade e acessibilidade em comparação com os serviços bancários tradicionais. O mobile money tornou-se também uma alternativa essencial para a inclusão financeira de uma população africana amplamente excluída dos sistemas bancários tradicionais.

Segundo o relatório anual de 2024 do Banco do Gana sobre a supervisão dos sistemas de pagamento, o valor total das transações de dinheiro móvel atingiu 3010 mil milhões de cedis ganeses (273 mil milhões de dólares) em 2024, um aumento de 56,8% face aos 1920 mil milhões de cedis registados em 2023. No final de 2025, o número de contas ativas era de 26,7 milhões, num total de 80,5 milhões de contas registadas.

Esta dinâmica acompanha um aumento das fraudes. Segundo o Relatório sobre a Estabilidade Financeira de 2023 do Banco do Gana, foram reportados 13 451 casos de fraude em todo o setor financeiro. Entre estes, a fraude no mobile money representou 20%, ou seja, cerca de 2700 casos envolvendo carteiras eletrónicas como MTN MoMo, Vodafone Cash e AirtelTigo Money.

Agentes no centro do sistema, entre confiança e abuso

A fraude envolvendo agentes de mobile money está entre as mais frequentes. Abrange práticas fraudulentas cometidas por intermediários responsáveis por depósitos, levantamentos, registos de SIM e verificações de identidade (KYC). Baseia-se amplamente na proximidade e na relação de confiança entre agentes e clientes, bem como em falhas operacionais do sistema.

A forma mais comum é a fraude de comissões, na qual os agentes manipulam as transações para maximizar os seus ganhos: criação de contas fictícias, sequência de depósitos, transferências e levantamentos para gerar comissões, fracionamento de operações ou incentivo aos clientes a aumentar artificialmente os montantes. Em alguns casos, os super-agentes também podem desviar parte das comissões devidas aos subagentes.

Além disso, os agentes podem cometer fraudes diretamente durante operações de cash-in/cash-out (depósitos e levantamentos), entregando menos dinheiro num levantamento, creditando um montante inferior num depósito ou realizando transferências sem o conhecimento do cliente. A isto juntam-se a cobrança de taxas ilegais, a exploração ou revenda de dados de clientes, bem como violações dos procedimentos KYC, facilitando depósitos diretos, levantamentos à distância ou usurpação de identidade. Estas práticas estão frequentemente ligadas a outras formas de fraude, nomeadamente engenharia social ou SIM swap.

Isaac K. Kassouwi

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As autoridades namibianas estão a intensificar os esforços para reduzir a fratura digital. Um orçamento de 78 milhões de dólares namibianos foi destinado a este objetivo para o exercício de 2026/2027.

O governo da Namíbia previu 107,1 milhões de dólares namibianos (6,5 milhões USD) para financiar as fases 2 e 3 do Fundo de Serviço Universal (USF). Este mecanismo visa colmatar as falhas do mercado, facilitando investimentos em zonas de custos elevados e baixa rentabilidade, que de outra forma permaneceriam sem cobertura ou insuficientemente servidas.

Num comunicado publicado na quinta-feira, 16 de abril, a Autoridade Reguladora das Comunicações (CRAN) anunciou a atribuição de 32,3 milhões de dólares namibianos à MTC. A este montante somam-se 9,8 milhões de dólares atribuídos à Telecom Namibia, elevando o total da fase II para 42,1 milhões de dólares namibianos. A MTC será responsável pela instalação de torres de rede de acesso rádio (RAN) em nove locais estratégicos situados nas regiões de ǁKaras, Kavango Oeste, Kunene, Ohangwena e Oshikoto. O projeto permitirá igualmente ligar 15 instituições públicas, incluindo escolas e centros de saúde.

A terceira fase mobilizará cerca de 65 milhões de dólares namibianos para ligar aproximadamente 16 comunidades adicionais. O calendário desta fase ainda não foi divulgado, enquanto o processo da fase 2 já está em curso com o desembolso de parte dos fundos. O início das obras de engenharia civil está previsto para maio de 2026.

Lançado em fevereiro de 2025, o USF assenta num investimento base de 145 milhões de dólares namibianos, financiado por subsídios públicos e por uma taxa de 0,5% aplicada às receitas dos operadores de telecomunicações. A primeira fase abrange as regiões de Kavango Oeste, Kavango Este, Kunene e Oshikoto, com o objetivo de atingir uma cobertura de banda larga de pelo menos 80% nessas áreas. Cerca de 10 300 pessoas deverão beneficiar de serviços 4G melhorados.

Para além do USF, o Ministério das TIC alocou 78 milhões de dólares namibianos para a construção de infraestruturas de telecomunicações em zonas mal servidas e para a implementação de Wi-Fi público gratuito em determinadas instituições durante o exercício 2026/2027. A Telecom Namibia obteve também, em março, um empréstimo de 405 milhões de dólares namibianos para reforçar o acesso à banda larga e a capacidade da rede móvel a nível nacional. As autoridades apostam igualmente em tecnologias satelitais para complementar a cobertura.

Estes esforços inserem-se nos objetivos do sexto Plano Nacional de Desenvolvimento (NDP6), que faz da conectividade universal um motor de crescimento inclusivo, de melhoria dos serviços públicos e de participação na economia digital. O governo pretende, por exemplo, aumentar a taxa de penetração da Internet de 53% para 90% até 2030.

Segundo a CRAN, cerca de 360 000 namibianos, ou seja, aproximadamente 12% da população, não tinham cobertura 4G em fevereiro de 2024. A estes juntam-se 339 estabelecimentos escolares e 50 unidades de saúde. A cobertura 3G atingia 89% em 2023, de acordo com a União Internacional das Telecomunicações (UIT), enquanto a 2G já cobre 100% da população.

Isaac K. Kassouwi

 

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Com a aceleração da transformação digital, a cibersegurança tornou-se um desafio importante para os países africanos. Estes estão a considerar parcerias com diversos parceiros.

O ministério ganês responsável pelas TIC anunciou, na quarta-feira, 15 de abril, o reforço da sua cooperação com a Itália no domínio da cibersegurança. Os dois países manifestam a ambição de reforçar a resiliência dos seus ecossistemas digitais e a segurança das suas infraestruturas críticas.

«A cibersegurança é uma responsabilidade partilhada. O Gana e a Itália unem forças para construir um futuro digital seguro e resiliente», declarou Samuel Nartey George, ministro ganês das TIC.

Esta colaboração insere-se numa estratégia do Gana para acompanhar o crescimento da sua economia digital. À medida que os serviços digitais se expandem, nomeadamente nas telecomunicações, na finança ou na administração pública, os riscos associados aos ciberataques aumentam, tornando indispensável a implementação de mecanismos de proteção adequados.

Para além da dimensão técnica, esta iniciativa reflete uma consciência crescente: a cibersegurança tornou-se uma questão estratégica para os Estados. Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), o Gana faz parte dos países de referência em matéria de cibersegurança. No seu relatório «Global Cybersecurity Index 2024», o país obteve uma pontuação de 99,27 em 100. Por sua vez, a Itália alcançou uma pontuação de 100 em 100.

No entanto, o país continua exposto a perdas associadas à cibercriminalidade. Entre 2019 e 2025, o Gana perdeu mais de 3 mil milhões de dólares, incluindo 19 milhões de cedis (cerca de 1,7 milhões de dólares) apenas nos primeiros nove meses de 2025. Este valor representa um aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Autoridade de Cibersegurança. Além disso, o país registou 2 008 incidentes no primeiro semestre de 2025, um número 17% superior ao total registado em todo o ano de 2024.

Adoni Conrad Quenum

 

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O mercado das telecomunicações na Guiné conheceu uma evolução inesperada nos últimos cinco anos. A concorrência, durante muito tempo sustentada pelos três operadores do país, enfraqueceu rapidamente face às exigências crescentes de investimento nas redes, impulsionadas pelos novos usos dos consumidores.

A situação torna-se ainda mais tensa na Cellcom Guiné. A empresa de telecomunicações enfrenta uma nova vaga de contestação social. Reunidos em assembleia geral na quinta-feira, 16 de abril de 2026, na sede em Conacri, trabalhadores do operador de telefonia móvel denunciaram uma vaga de despedimentos que consideram abusiva, bem como atrasos no pagamento dos salários e o incumprimento de vários compromissos assumidos pela direção.

Segundo os representantes dos trabalhadores, 23 empregados já perderam o seu posto por motivos económicos contestados, enquanto outras 26 supressões de postos estariam em estudo. Perante o que qualifica como má gestão, a Federação Sindical Autónoma das Telecomunicações (FESATEL) interpela o governo, nomeadamente o ministério responsável pelas telecomunicações e o do emprego, para garantir a proteção dos trabalhadores.

O seu secretário-geral, Abdoulaye Barry, anunciou uma ação formal junto das autoridades na próxima semana para exigir uma auditoria à Cellcom e, se necessário, a colocação da empresa sob administração provisória. Não exclui a hipótese de liquidação, com a reclassificação dos trabalhadores noutras empresas do setor.

Tensões financeiras

Esta nova crise social surge num contexto de deterioração financeira observado há vários meses. Em dezembro de 2025, meios de comunicação locais já relatavam dois meses de salários em atraso na Cellcom, seguidos pelo encerramento das suas instalações pelo senhorio, WAQF-BID, devido a dois a três anos de rendas em atraso, estimadas em 14 mil milhões de francos guineenses (cerca de 1,6 milhões de dólares). O operador conseguiu posteriormente a reabertura da sede por decisão judicial, sem que o litígio de fundo tenha sido totalmente resolvido.

A pressão manteve-se em 2026. No final de janeiro, os trabalhadores iniciaram um novo movimento social para exigir o pagamento dos salários de dezembro e janeiro, bem como dos prémios de fim de ano. Estas tensões recorrentes refletem uma situação de tesouraria degradada, num contexto em que as necessidades de investimento continuam elevadas.

Para além da crise interna, o caso Cellcom evidencia os desequilíbrios de um mercado guineense das telecomunicações marcado por uma forte concentração e pelas dificuldades de alguns operadores em manter a sua competitividade. Nos últimos anos, a empresa viu o seu peso no mercado diminuir significativamente, num contexto de pressão concorrencial crescente e de necessidades cada vez maiores de modernização das infraestruturas.

Segundo o último relatório publicado pela Autoridade de Regulação das Postas e Telecomunicações, a 30 de junho de 2025, o número de assinantes da Cellcom representava apenas 2,4% dos cerca de 13 milhões de utilizadores de telefonia móvel registados no mercado, enquanto no segundo trimestre de 2023 o operador ainda detinha 7,8% de cerca de 14 milhões de assinantes na Guiné. Entre 2023 e 2025, as suas receitas não pararam de cair.

O operador detinha 3% dos 1.715 mil milhões de francos guineenses gerados pelo mercado no segundo trimestre de 2023. Essa quota caiu para apenas 0,23% dos 2.237 mil milhões de francos guineenses de receitas geradas no segundo trimestre de 2025, ou seja, cerca de 5 mil milhões de francos guineenses.

Um caminho aberto para a Orange?

A crise da Cellcom ocorre num momento em que o setor já tinha vivido uma viragem importante com a retoma, pelo Estado guineense, da filial local da MTN, Areeba, anunciada no final de 2024. Esta operação refletia já a vontade das autoridades de evitar o desaparecimento de operadores considerados estratégicos para a continuidade dos serviços e para o equilíbrio concorrencial do mercado.

Paralelamente, as reflexões iniciadas pelo regulador sobre a itinerância nacional mostram que as autoridades antecipam, pelo menos parcialmente, a necessidade de novos mecanismos para preservar alguma concorrência. Num setor onde alguns operadores têm dificuldade em acompanhar o ritmo dos investimentos exigidos, perfila-se no horizonte uma forte concentração do mercado das telecomunicações.

Enquanto a situação da Areeba ainda não está verdadeiramente estabilizada em termos de crescimento do número de clientes e receitas (21,4% de quota de mercado) após a sua aquisição pelo Estado, as tensões na Cellcom constituem uma oportunidade para a Orange. A empresa, que já detinha 76,2% do total de assinantes móveis no segundo trimestre de 2025, poderá beneficiar de mais oportunidades para captar clientes inquietos.

Delineia-se assim um cenário semelhante ao do Quénia, com um operador largamente dominante.

Muriel EDJO

 

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A acessibilidade financeira dos smartphones constitui um desafio importante em África. O governo ugandês apelou recentemente à produção local de telemóveis e computadores, com o objetivo de reduzir os custos e incentivar a utilização dos serviços digitais.

Os operadores de telecomunicações em Uganda exortam o Parlamento a eliminar os direitos de importação sobre smartphones de entrada de gama. Esta iniciativa visa tornar estes dispositivos mais acessíveis e apoiar a adoção dos serviços digitais.

Este apelo foi dirigido aos parlamentares durante uma sessão parlamentar na quarta-feira, 15 de abril, por Dennis Kakonge, diretor-geral dos serviços corporativos da MTN Uganda. Ele liderava uma delegação de empresas de telecomunicações que se deslocou ao Parlamento sobretudo para defender a redução da tributação sobre os levantamentos de mobile money.

Segundo Kakonge, a elevada carga fiscal torna os smartphones inacessíveis para muitos ugandeses e incentiva o contrabando. Acrescentou ainda que o elevado custo destes dispositivos limita a participação digital, impedindo muitos cidadãos de aceder a serviços online.

Este apelo surge num contexto em que a taxa de imposto combinada sobre telemóveis em Uganda é de cerca de 30%, segundo dados da Associação Mundial dos Operadores Móveis (GSMA), contra uma média de 33% em África. Esta taxa inclui cerca de 10% de direitos aduaneiros e 18% de imposto sobre o valor acrescentado.

Além disso, a GSMA estima que o preço mediano de um smartphone de entrada de gama na África Subsaariana era de 39 dólares em 2024. Isto representava 26% do rendimento da população em geral. Esse rácio sobe para 64% para os 40% mais pobres e 87% para os 20% mais pobres. É de 32% para as mulheres e de 23% para os homens.

Para recordar, a acessibilidade financeira dos smartphones continua a ser um dos principais obstáculos à adoção e utilização da Internet móvel em África. Segundo dados do Banco Mundial, 27% da população com mais de 15 anos possuía um smartphone em 2024. A União Internacional das Telecomunicações (UIT) estima a taxa de penetração da Internet no país em cerca de 9%, enquanto a GSMA indica que 30 milhões de pessoas no país não utilizam a Internet.

Isaac K. Kassouwi

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A fim de incentivar o investimento no setor imobiliário, as autoridades tunisinas tomaram uma decisão estratégica. Estão prestes a implementar uma solução digital para agilizar os procedimentos administrativos ligados a projetos imobiliários.

A Tunísia está a acelerar a digitalização da sua administração com o lançamento iminente da plataforma Taamir, dedicada à gestão de licenças de construção, segundo noticiou a Agência de Imprensa Tunisina na terça-feira, 14 de abril. Esta nova ferramenta visa modernizar um processo frequentemente considerado longo, complexo e pouco transparente, transferindo-o para um ambiente digital.

Na prática, a Taamir permitirá aos cidadãos e profissionais submeter os seus pedidos online, sem necessidade de deslocação às administrações competentes. A plataforma também permitirá acompanhar a evolução dos processos em tempo real e facilitará a comunicação entre os diferentes intervenientes envolvidos na análise dos pedidos. O sistema integrará ainda soluções de pagamento eletrónico, contribuindo para simplificar ainda mais os procedimentos.

Esta iniciativa insere-se no quadro da modernização da administração pública. A Tunísia está entre os países africanos mais avançados em matéria de administração eletrónica, com uma pontuação de 0,6935 no Índice Mundial de Desenvolvimento da E-Government (EGDI) das Nações Unidas. Esta pontuação é superior à média mundial, fixada em 0,6382.

Ao digitalizar o processo de emissão de licenças de construção, as autoridades tunisinas procuram melhorar a qualidade dos serviços administrativos, reforçando ao mesmo tempo a transparência. A rastreabilidade das operações deverá também melhorar o controlo dos procedimentos e reduzir práticas informais.

Adoni Conrad Quenum

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Nos últimos anos, a Etiópia tem multiplicado iniciativas para estruturar o seu ecossistema tecnológico, um esforço que atrai a atenção de outros países do continente, desejosos de se inspirar nele para acelerar a sua transição digital.

A Libéria pretende acelerar a sua transformação digital apoiando-se nos avanços realizados pela Etiópia neste domínio. Na terça-feira, 14 de abril, os dois países assinaram memorandos de entendimento nas áreas da inteligência artificial (IA), ciência e tecnologia, lançando assim as bases de uma cooperação concreta.

A parceria prevê intercâmbios de conhecimento técnico e o desenvolvimento de projetos conjuntos entre instituições, universidades e atores tecnológicos. O objetivo é permitir à Libéria beneficiar de transferências de competências e adaptar soluções já testadas ao contexto local.

«Estamos a trabalhar para um futuro melhor para a Libéria. Para isso, iremos inspirar-nos nas melhores práticas da Etiópia em matéria de inteligência artificial», afirmou a ministra dos Negócios Estrangeiros liberiana, Sara Beysolow Nyanti.

Esta iniciativa insere-se numa dinâmica de cooperação intra-africana, em que os países do continente procuram partilhar experiências para acelerar o seu desenvolvimento tecnológico. Em vez de depender exclusivamente de parceiros externos, estas colaborações favorecem o surgimento de modelos adaptados às realidades locais.

Cada vez mais países africanos seguem este caminho. Em março, a Zâmbia aproximou-se do Quénia para se inspirar no seu processo de transformação digital. À margem da edição de 2026 do GITEX Africa 2026, o Gabão assinou dois acordos com o Marrocos nas áreas do digital, da formação e da inteligência artificial.

Para a Libéria, o desafio é colmatar o atraso em infraestruturas e capacidades digitais, ao mesmo tempo que lança as bases de um ecossistema mais estruturado. O foco nas tecnologias emergentes reflete a ambição de se posicionar em segmentos de elevado potencial.

Adoni Conrad Quenum

 

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No setor digital, os Estados Unidos estão entre os líderes mundiais, impulsionados por gigantes tecnológicos que dominam a economia global. É para estas empresas que o Chade volta agora a sua atenção, com a ambição de atrair algumas delas para acelerar a sua transformação digital.

O Chade pretende reforçar a atratividade do seu setor digital, virando-se para os Estados Unidos. O ministro das Telecomunicações, da Economia Digital e da Digitalização, Haliki Choua Mahamat, reuniu-se na segunda-feira, 13 de abril, com uma delegação americana liderada por William Flens, encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Chade, com vista a uma futura missão oficial a Washington.

Esta missão deverá permitir às autoridades tchadianas apresentar as oportunidades do mercado local e identificar parceiros capazes de apoiar o desenvolvimento de infraestruturas e serviços digitais.

«As discussões incidiram sobre os preparativos de uma missão próxima aos Estados Unidos, destinada a reforçar a cooperação e a estabelecer parcerias técnicas com empresas americanas, nomeadamente nos setores das telecomunicações, da economia digital e da saúde digital», indicou o ministério.

Num contexto em que a transformação digital se afirma como um motor de crescimento, o Chade procura colmatar o seu défice de competências e de investimentos. O recurso a parceiros internacionais surge como uma estratégia-chave para acelerar a modernização do setor, ainda marcado por desafios estruturais, sobretudo ao nível da conectividade e das capacidades técnicas.

Esta estratégia já foi adotada por outros países africanos nos últimos anos, nomeadamente o Quénia. Em setembro de 2023, o presidente queniano William Ruto deslocou-se ao Silicon Valley, nos Estados Unidos, para se reunir com dirigentes de várias empresas tecnológicas americanas. Por sua vez, estas multinacionais já estão presentes no continente africano, incluindo Google, Oracle, Amazon e Microsoft.

Adoni Conrad Quenum

 

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O mercado de telecomunicações da Serra Leoa é atualmente dominado por três operadores privados, que partilham um parque móvel nacional de 8,2 milhões de assinaturas em 2024, segundo fontes oficiais.

As autoridades da Serra Leoa pretendem relançar o operador histórico de telecomunicações Sierratel, em dificuldades há vários anos. O governo concluiu um acordo com um parceiro privado com o objetivo de reestruturar e reposicionar a empresa segundo um novo modelo de exploração.

A iniciativa foi anunciada na terça-feira, 14 de abril, durante uma reunião que reuniu os trabalhadores da empresa, bem como o Ministério do Emprego e o Ministério da Comunicação, Tecnologia e Inovação.

No âmbito desta parceria, está previsto um pagamento antecipado de 2 milhões de dólares para iniciar a regularização dos compromissos com os trabalhadores, estimados em cerca de 6,3 milhões de dólares. Para além da liquidação dos atrasados, o executivo pretende atuar em vários eixos, incluindo a modernização das infraestruturas, a gestão da dívida externa e a melhoria das condições de trabalho.

«Esta relançamento constitui uma etapa importante para restaurar as atividades da Sierratel, preservar os ativos nacionais de telecomunicações, melhorar a qualidade dos serviços e construir um setor mais sólido e sustentável», indicou o ministério responsável pelas TIC em comunicado.

Entre desafios tecnológicos e financeiros

O declínio da Sierratel explica-se, segundo as autoridades, por uma combinação de constrangimentos tecnológicos e financeiros estreitamente ligados. Quando chegou ao poder em 2018, o governo afirma ter herdado uma empresa já fortemente degradada, com elevadas dívidas a trabalhadores, fornecedores e vários credores internacionais.

Estas obrigações incluem salários em atraso, indemnizações de fim de serviço, subsídios de férias e contribuições sindicais, bem como dívidas a parceiros comerciais e instituições financeiras estrangeiras. A empresa devia, em particular, mais de 35 milhões de dólares a dois bancos, um encargo entretanto assumido pelo Estado.

A estas dificuldades financeiras juntou-se a obsolescência das infraestruturas. As escolhas tecnológicas feitas por volta de 2014, com um investimento significativo no CDMA, tinham inicialmente permitido melhorar o desempenho comercial. Contudo, a rápida transição do mercado global para o GSM acabou por marginalizar esta tecnologia, tornando os equipamentos da empresa obsoletos.

Este atraso tecnológico acelerou a perda de competitividade da empresa. A migração dos clientes para redes concorrentes mais eficientes levou a uma queda das receitas, mergulhando o operador num ciclo de fragilidade financeira. Incapaz de cumprir regularmente as suas obrigações, nomeadamente o pagamento de salários, a empresa viu os seus passivos acumularem-se ao longo dos anos.

Para além das questões financeiras, a crise teve também impactos sociais significativos. Os atrasos salariais afetaram as condições de vida dos trabalhadores, alguns dos quais enfrentaram dificuldades crescentes para suportar despesas essenciais, como a educação.

Um mercado nacional dominado por operadores privados

No processo de relançamento, a Sierratel terá de conquistar espaço num mercado dominado por operadores privados. Segundo o regulador, a Africell contava com 4,46 milhões de assinaturas móveis no final de dezembro de 2024, representando 55% do mercado. Seguem-se a Orange e a Qcell, com quotas de 38% e 7%, respetivamente, de um total de 8,2 milhões de assinaturas móveis. Os últimos dados relativos à Sierratel remontam a 2019, com uma quota de mercado de 1,95%.

No segmento de dados móveis, a Orange lidera o mercado com 2,16 milhões de assinaturas e uma quota de 60% no final de 2023. A Africell detinha então 27% do mercado, contra 13% da Qcell.

Apesar disso, o governo da Serra Leoa continua confiante de que o futuro da Sierratel dependerá de reformas ambiciosas e de investimentos estratégicos para recuperar o seu lugar num ambiente digital em rápida evolução.

Isaac K. Kassouwi

 

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Cada vez mais países africanos estão a acelerar a implementação da tecnologia 5G. Esta tecnologia é considerada um catalisador da transformação digital em curso no continente.

Na Mauritânia, os operadores Mauritel, Mattel, Rimatel e Chinguitel apresentaram uma oferta global de 1,08 mil milhões de ouguiyas (27 milhões de dólares) para a obtenção das licenças 5G. A proposta foi validada pelo regulador das telecomunicações, tornando estes quatro operadores adjudicatários provisórios das licenças 5G no país.

Esta decisão segue-se à abertura, na semana passada, das propostas financeiras pela Autoridade Reguladora (ARE), no final do concurso encerrado a 30 de março. Em detalhe, a Mauritel propôs 305 milhões MRU, a Rimatel 265 milhões MRU, a Chinguitel 260,5 milhões MRU e a Mattel 252,6 milhões MRU. A estes valores junta-se, para cada operador, uma taxa equivalente a 5% da receita anual gerada pela 5G.

A ARE convida agora os operadores a assinarem os respetivos cadernos de encargos num prazo máximo de 30 dias a contar de 9 de abril de 2026. Terão igualmente de pagar as contrapartidas financeiras fixas ao Tesouro Público no prazo de 15 dias após a assinatura dos cadernos de encargos.

A Mauritânia prossegue assim o seu processo de implementação comercial da 5G. O concurso para atribuição das licenças, lançado a 2 de dezembro, deveria inicialmente terminar a 15 de janeiro, tendo sido sucessivamente adiado para 17 e depois para 30 de março.

No total, poderão ser atribuídas até quatro licenças.

A assinatura dos cadernos de encargos e o pagamento das contrapartidas financeiras irão formalizar a aquisição efetiva das licenças, permitindo aos operadores implementar a tecnologia de última geração. Os consumidores podem esperar velocidades mais elevadas, baixa latência e maior capacidade, respondendo às necessidades crescentes de particulares, empresas e administrações em conectividade de alta velocidade ao serviço da transformação digital. Os operadores também abrem caminho a novas fontes de receita.

No entanto, vários fatores devem ser considerados. Por exemplo, o custo de implementação, num contexto em que a cobertura 4G e 3G ainda não está totalmente generalizada, estimada respetivamente em 73% e 78% da população em 2024, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT). Um estudo de 2022 da empresa tecnológica sueca Ericsson estima que o custo base de implementação da 5G num país varia entre 3 e 8 mil milhões de dólares. A isto somam-se entre 20% e 35% de investimentos adicionais para expandir a cobertura a nível nacional.

Uma vez implementada comercialmente a rede 5G, a adoção dos serviços dependerá de vários fatores, incluindo o acesso a smartphones, estimado em cerca de 56,6% da população mauritana com mais de 15 anos em 2024, segundo o Banco Mundial. Outros fatores incluem a acessibilidade dos pacotes de dados 5G e o nível de competências digitais básicas.

Isaac K. Kassouwi

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