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Como muitos países africanos, o Gabão está a comprometer-se ativamente com a sua transformação digital. As autoridades multiplicam os contactos com diversos parceiros técnicos e financeiros, de forma a reforçar e apoiar a implementação dos seus projetos.

Uma delegação de cerca de cinquenta investidores dos Emirados Árabes Unidos deslocou-se, na segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, a Libreville, no Gabão, para explorar oportunidades de cooperação. Recebidos pelos ministros gaboneses responsáveis pela Economia Digital e pelas Finanças, os investidores participaram em discussões sobre vários projetos estratégicos na interseção entre finanças e digital.

Entre as iniciativas em análise estão o desenvolvimento de plataformas bolsistas que facilitem o investimento transfronteiriço, a melhoria dos mecanismos de transferências financeiras internacionais e a exploração de um potencial projeto de banco digital. «Este encontro ilustra a vontade das mais altas autoridades de reforçar as parcerias internacionais, promover a inovação financeira e posicionar o país como um ator atrativo na economia digital regional», indica o Ministério da Economia Digital.

Esta visita sucede à deslocação do presidente Brice Clotaire Oligui Nguema aos Emirados Árabes Unidos, onde se reuniu com o seu homólogo Mohamed bin Zayed Al Nahyan. As autoridades gabonesas procuram diversificar as suas fontes de financiamento, num contexto de transição económica, e acelerar a digitalização da economia do país. É neste quadro que mantêm diálogos com diversos parceiros técnicos e financeiros para concretizar os seus projetos, incluindo a estratégia Digital Gabão.

Libreville aposta nos serviços financeiros digitais para aumentar a sua atratividade junto do capital estrangeiro e modernizar o seu ecossistema financeiro. Nesta fase, nenhum documento foi assinado e nenhum investimento em projeto específico foi anunciado.

Adoni Conrad Quenum

 

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No Gabão, onde a comunidade de utilizadores digitais continua a crescer, esta medida poderá atrasar a circulação de informação e travar as atividades económicas online, nomeadamente o comércio, a publicidade e os serviços digitais que dependem destas plataformas.

A Alta Autoridade da Comunicação anunciou, na terça-feira, 17 de fevereiro, numa declaração na sua sede em Libreville, a suspensão imediata das redes sociais em todo o território do Gabão. A medida, aplicável até novo aviso, visa, segundo o regulador, pôr fim à difusão de conteúdos considerados difamatórios, odiosos ou atentatórios à segurança nacional, em violação do Código de Comunicação de 2016.

O regulador refere a multiplicação de casos de cyberassédio coordenado e divulgação não autorizada de dados pessoais, práticas que considera atentatórias à ordem pública e à segurança nacional, denunciando ainda a insuficiência dos mecanismos de moderação de conteúdos ilícitos. A decisão implica a mobilização das autoridades técnicas e dos fornecedores de acesso para bloquear plataformas como Facebook, X, TikTok e Instagram.

Esta medida ocorre num contexto em que as redes sociais ocupam um lugar central no ecossistema informativo e económico do país. Uma análise da Kepios, realizada para a DataReportal, indica que o Gabão tinha cerca de 850.000 utilizadores ativos de redes sociais em outubro de 2025, cerca de 32,6% da população nacional.

Estas plataformas constituem um canal principal de comunicação pública, marketing digital e comércio online, sobretudo para pequenas empresas e atividades informais. A sua suspensão poderá perturbar a circulação de informação, atrasar transações comerciais digitais e afetar serviços dependentes da visibilidade online.

As restrições de acesso à Internet e às plataformas digitais têm ainda um custo económico mensurável a nível continental. Segundo estimativas publicadas em janeiro de 2026 pela Top10VPN, os cortes de Internet provocaram perdas económicas de cerca de 1,11 mil milhões USD em África em 2025, devido, nomeadamente, à interrupção das atividades comerciais, à queda de produtividade e à desaceleração dos serviços digitais. Estas perturbações afetaram cerca de 116,1 milhões de utilizadores em todo o continente.

Samira Njoya

 

 

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A UIT considera a cibersegurança como um pilar estratégico para os países que querem aproveitar plenamente os benefícios da transformação digital. Nesse contexto, vários países africanos apostam na cooperação regional e internacional para fortalecer seus dispositivos.

O governo moçambicano está explorando uma parceria com os Estados Unidos da América nos campos de cibersegurança e proteção de dados pessoais. As perspectivas de colaboração foram discutidas na sexta-feira, 13 de fevereiro, durante a visita de uma delegação da embaixada dos Estados Unidos ao Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC).

A parceria e o apoio técnico previstos envolveriam, entre outros, o fortalecimento das capacidades institucionais do setor. Lourino Chemane, presidente do conselho de administração do INTIC, destacou a necessidade de apoio técnico para consolidar o CSIRT (Equipe Nacional de Resposta a Incidentes de Cibersegurança), a fim de garantir uma resposta mais rápida e eficaz aos incidentes, em um contexto de crescente digitalização dos serviços e da economia.

A delegação americana também expressou interesse em aprofundar seu conhecimento sobre um decreto adotado em 2025, que regula o registro e a concessão de licenças para prestadores intermediários de serviços eletrônicos e operadores de plataformas digitais em Moçambique.

Intensificação da Cooperação Internacional

Esse estreitamento de laços ocorre em um contexto de aceleração da transformação digital. As autoridades moçambicanas estão apostando nas TICs para apoiar o desenvolvimento socioeconômico. A reunião com a delegação americana aconteceu após a primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital, realizada de 11 a 12 de fevereiro, que marcou o lançamento dos trabalhos de elaboração da estratégia nacional de transformação digital.

Em novembro de 2025, Maputo já havia assinado um protocolo de acordo com o Togo na área de cibersegurança, durante a 1ª Conferência da Semana Internacional de Cibersegurança de Moçambique. O acordo cobre, entre outras coisas, o fortalecimento das capacidades técnicas e operacionais do CSIRT dos dois países, o compartilhamento de informações sobre ameaças e vulnerabilidades emergentes, bem como a troca de boas práticas.

Moçambique também está entre os 21 países africanos (de um total de 72) que assinaram a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético, no final de outubro de 2025, em Hanói. Esse marco visa fortalecer a cooperação internacional, a assistência técnica e o desenvolvimento de capacidades, especialmente nos países em desenvolvimento.

O país já havia ratificado, em 2019, a Convenção da União Africana sobre Cibersegurança e Proteção de Dados Pessoais (Convenção de Malabo). Em fevereiro de 2024, também foi convidado a aderir à Convenção de Budapeste sobre Crime Cibernético. Esses diferentes instrumentos oferecem a Moçambique plataformas de cooperação em um contexto de intensificação das ameaças digitais.

Estados Unidos: um parceiro estratégico?

Nesse contexto, os Estados Unidos surgem como um parceiro estratégico potencial. De acordo com o Índice Global de Cibersegurança 2024 da União Internacional das Telecomunicações (UIT), o país está entre os modelos globais, com uma pontuação geral de 99,86 de 100. Além disso, abriga várias empresas de destaque na área, como a Cybastion. Esta última já está presente em vários países africanos, como Guiné, Gabão, Costa do Marfim, Burkina Faso, Libéria e Benin.

Moçambique, por sua vez, ocupa o terceiro nível em cinco do índice 2024, com uma pontuação de 66,05 de 100. Existem margens de progresso, especialmente nas áreas de medidas legais, técnicas e no desenvolvimento de capacidades, embora os resultados sejam considerados relativamente satisfatórios no que diz respeito à organização e à cooperação.

Neste estágio, a parceria prevista entre Maputo e Washington ainda está em fase de discussões. Nenhum acordo formal foi ainda anunciado publicamente. Os próximos passos ajudarão a avaliar o alcance concreto desse estreitamento de laços em um ambiente digital cada vez mais exposto aos riscos. Segundo a Interpol, os incidentes de cibersegurança na África causaram perdas financeiras superiores a 3 bilhões de dólares entre 2019 e 2024.

Isaac K. Kassouwi

 

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O Quénia revelou, em Adis Abeba, duas plataformas digitais destinadas a transformar as embaixadas africanas em centros operacionais de comércio. A iniciativa visa acelerar a implementação da Zona de Livre-Comércio Continental Africana (ZLECAf), facilitando a concretização de acordos de investimento e de trocas intra-africanas.

O Quénia anunciou, na semana passada, o lançamento do BiasharaLink e do Deal House, duas plataformas digitais destinadas a reforçar a diplomacia económica e a estimular o comércio intra-africano.

Apresentada à margem da 39.ª Cimeira da União Africana (UA), a iniciativa pretende colmatar o défice de execução dos acordos comerciais no continente, numa altura em que os chefes de Estado multiplicam os apelos a soluções concretas para tornar operacional a Zona de Livre-Comércio Continental Africana (ZLECAf).

As ferramentas foram desenvolvidas pela Real Sources Africa (RSA), uma instituição panafricana especializada em infraestruturas comerciais e reconhecida pelo Quénia como sociedade nacional de comércio no âmbito da ZLECAf. O objetivo é explorar o potencial de mais de 1 000 missões diplomáticas africanas, transformando-as em facilitadoras ativas de transações.

O BiasharaLink permitirá às embaixadas, exportadores e investidores identificar e estruturar oportunidades comerciais alinhadas com as prioridades da Zona de Livre-Comércio. O Deal House assegurará o acompanhamento operacional: validação das oportunidades, ligação a parceiros credíveis, acesso ao financiamento e apoio até à assinatura dos contratos.

«Trata-se de um novo modelo de diplomacia económica, orientado para resultados», declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Musalia Mudavadi.

Segundo a RSA, as missões diplomáticas africanas recebem cerca de 3 500 pedidos comerciais por mês, mas menos de 1 % resultam em acordos formais, o que evidencia a necessidade de um mecanismo mais eficaz de acompanhamento e execução.

O secretário-geral da ZLECAf, Wamkele Mene, sublinhou que África deve reforçar o seu mercado interno face às crescentes tensões nas cadeias de abastecimento globais.

A iniciativa coloca igualmente a tónica na integração das PME e das empresas lideradas por mulheres nas cadeias de valor regionais, com o objetivo declarado de transformar as ambições de integração continental em transações concretas geradoras de emprego e crescimento.

 

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Graças às suas filiais africanas e ao desenvolvimento de dados móveis, a Maroc Telecom mantém seu crescimento em 2025. O operador aposta na inovação e no fortalecimento de suas infraestruturas para se manter competitivo no mercado nacional e region

Em 2025, a Maroc Telecom registrou um faturamento consolidado de 36,7 bilhões de dirhams (aproximadamente 4 bilhões de dólares), apresentando um crescimento leve de 1,4% a taxas de câmbio constantes, apesar da estabilidade quase total em relação a 2024 (–0,1%). Esse crescimento foi em grande parte impulsionado pelo bom desempenho das filiais africanas e pelo aumento dos serviços digitais, como dados móveis e Mobile Money.

Crescimento impulsionado pelas filiais africanas

As filiais africanas sob a marca Moov Africa registraram uma receita de 19,15 bilhões de dirhams, o que representa um aumento de 5,3% em comparação ao ano anterior. Esse resultado é majoritariamente resultado do desenvolvimento de serviços digitais, que se tornaram uma alavanca estratégica para a operadora. O Mobile Money e o crescente uso de dados móveis são fatores-chave para esse desempenho positivo.

Investimentos em infraestrutura e lançamento da 5G

A Maroc Telecom continuou a investir de forma significativa na modernização das suas infraestruturas. Em 2025, os investimentos fora das licenças e frequências representaram 25,6% da receita, o que reforça a prioridade da empresa em melhorar e expandir a sua rede. O lançamento da 5G no Marrocos, previsto para novembro de 2025, junto com a criação das joint ventures UniFiber e UniTower, são iniciativas estratégicas para melhorar a qualidade do serviço e acelerar a adoção das tecnologias digitais.

Crescimento da base de clientes e projeções para 2026

O grupo também registrou um aumento no número de clientes, alcançando 77 milhões de assinantes, com um crescimento de 3,6%, especialmente no mercado africano (+5,1%). No Marrocos, a base de clientes manteve-se estável em torno de 22 milhões.

Para 2026, a Maroc Telecom projeta um novo crescimento em sua receita e EBITDA, com investimentos em CAPEX mantidos em 25% da receita. O grupo continuará focando na expansão dos serviços de Mobile Money, no aumento da oferta de dados móveis, e na expansão da rede 5G para garantir sua competitividade nos mercados regionais e nacional.

 Samira Njoya

 

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Nas últimas semanas, avarias no cabo 2Africa estavam a perturbar o acesso à Internet em vários países africanos, incluindo a República do Congo e a RDC.

Na sexta-feira, 13 de fevereiro, a operadora de telecomunicações MTN Congo anunciou a entrada em funcionamento do cabo submarino 2Africa no país. Este avanço reforça a infraestrutura digital nacional, numa altura em que a conectividade estava perturbada há várias semanas devido a falhas técnicas no único cabo submarino que até então servia o país em capacidade internacional.

Segundo a operadora, o cabo encontra-se agora ligado a Pointe-Noire, com uma ligação direta a Londres. A infraestrutura oferece duas rotas internacionais seguras via África do Sul e Nigéria. Melhora a capacidade internacional, a fiabilidade e a resiliência da rede, reduz a latência para a Europa e grandes plataformas, e optimiza o streaming, a cloud, as videoconferências e os serviços financeiros digitais.

Com este novo cabo, aterrado em 2023, a MTN promete aos congoleses uma ligação mais rápida, melhor qualidade de streaming e de chamadas de vídeo, bem como uma conectividade empresarial mais eficiente e segura. Isto acontece num contexto de perturbações persistentes atribuídas a falhas do cabo WACS, única infraestrutura do país desde 2012.

Perante esta situação, o Ministério dos Correios, das Telecomunicações e da Economia Digital tinha anunciado no final de janeiro a entrada em funcionamento de um novo cabo submarino no prazo de três semanas. Também foram abordadas medidas de reforço da resiliência dos operadores, ativação de rotas de reserva e cooperação com países vizinhos, com a perspetiva de um futuro cabo «Dow Africa».

Potenciais vantagens do novo cabo submarino

As autoridades congolesas consideram que a ligação ao novo cabo permitirá aos operadores melhorar a qualidade e a disponibilidade dos serviços de Internet para os consumidores. Mais de 3,5 milhões de congoleses utilizam a Internet diariamente, numa população de cerca de 6 milhões, correspondendo a uma taxa de penetração de aproximadamente 58,3%.

Os cabos submarinos contribuem igualmente para a redução dos custos de Internet. Segundo um relatório da Fundação para Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento Internacional (FERDI), publicado em junho de 2025, a duplicação da capacidade internacional proporcionada por estes cabos provoca uma redução imediata de 32% no custo do acesso fixo de alta velocidade e até 50% no acesso móvel de alta velocidade em África.

O Banco Mundial indicava, num estudo de julho de 2024, que cada duplicação da capacidade dos cabos submarinos em África reduz, em média, 7% do preço do acesso fixo de alta velocidade e 13% do preço do acesso móvel. A capacidade nominal do cabo WACS é de 14,5 terabits por segundo, contra 180 para o 2Africa.

A FERDI destaca que a implementação de novos cabos historicamente reduziu os custos, citando o exemplo da Nigéria e do cabo Didon na Tunísia. Em 2025, o custo de 5 GB de acesso móvel de alta velocidade representava 5,32% do RNB per capita na República do Congo, acima do limite de acessibilidade de 2% definido pela UIT. Para o acesso fixo de alta velocidade, o pacote de 5 GB representava 12,5% do RNB per capita.

Desafios e obstáculos

Estes benefícios não são, no entanto, automáticos. A capacidade adicional termina na estação de aterragem; é necessário transportar essa capacidade por todo o território.

Em setembro de 2023, o Congo lançou a construção de uma segunda espinha dorsal nacional de fibra ótica, com capacidade de 10 Gb, ligando Pointe-Noire a Brazzaville. A primeira espinha dorsal transporta os dados do cabo WACS e interliga-se com países vizinhos através da iniciativa Central Africa Backbone (CAB). No entanto, a infraestrutura nacional continua vulnerável ao vandalismo.

A FERDI sublinha a necessidade de resiliência e de uma regulação eficaz: apenas os países com uma autoridade independente, capaz de gerir a concorrência, o partilhamento de infraestruturas e a proteção dos consumidores, beneficiam plenamente da redução dos preços proporcionada pelos cabos submarinos.

Isaac K. Kassouwi

 

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A fractura digital continua a ser particularmente acentuada na República Democrática do Congo (RDC). A União Internacional das Telecomunicações (UIT) estimava que cerca de 80% da população congolense não utilizava a Internet em 2024.

Na República Democrática do Congo, o Fundo de Desenvolvimento do Serviço Universal (FDSU) revelou, na semana passada, uma estratégia de dez anos destinada a reduzir esta fractura digital. Abrangendo o período 2026-2035, este plano aposta numa abordagem de infraestruturas partilhadas para ligar cerca de 68 milhões de pessoas que vivem em zonas rurais.

A estratégia foi apresentada na quinta-feira, 12 de fevereiro, durante o primeiro encontro do quadro de colaboração setorial. Este reuniu os principais atores públicos e privados do setor das telecomunicações, sob a liderança do diretor-geral do FDSU, Paterne Binene A Kadiat.

O plano prevê um modelo de infraestruturas partilhadas, designado «TowerCo Lead». Os fornecedores de torres (TowerCo), como principais atores, financiam e implementam as infraestruturas passivas (torres, energia, backhaul) em acesso aberto. Os operadores móveis (MNO) instalam os equipamentos ativos nessas torres para fornecer os seus serviços. A Autoridade de Regulação dos Correios e Telecomunicações (ARPTC) assegura a regulação, garantindo a qualidade do serviço e o cumprimento do quadro normativo.

Por sua vez, o FDSU assume um papel estratégico e financeiro: estrutura os mecanismos de subsídio e supervisiona a sua execução. As ajudas são atribuídas, por zona de exploração, aos consórcios formados entre TowerCo e MNO. O território está dividido em cinco zonas operacionais. Foi instituído um mecanismo de compensação para que os locais rentáveis contribuam para o equilíbrio económico das zonas deficitárias, limitando assim a necessidade de subsídios públicos.

Esta iniciativa surge num contexto em que a partilha de infraestruturas de telecomunicações é cada vez mais valorizada como forma de reduzir a fractura digital em África. Na RDC, a Orange e a Vodacom anunciaram a criação de uma joint venture destinada a instalar 2.000 estações-base móveis alimentadas a energia solar em zonas rurais, visando uma cobertura final de 19 milhões de pessoas. Em agosto de 2025, os grupos Vodacom e Airtel Africa anunciaram também a assinatura de um acordo de partilha de infraestruturas de telecomunicações em vários mercados-chave, incluindo a RDC.

Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), «a partilha de infraestruturas de serviços móveis é uma solução que permite reduzir o custo de implementação das redes, especialmente em zonas rurais ou em mercados marginais. Esta partilha pode também incentivar a migração para novas tecnologias e o desenvolvimento de banda larga móvel. Além disso, pode reforçar a concorrência entre operadores de serviços móveis e fornecedores de serviços, quando são aplicadas medidas de salvaguarda para impedir comportamentos anticoncorrenciais».

Para referência, as redes 2G, 3G e 4G cobriam, respetivamente, 75%, 55% e 45% da população congolense em 2024, segundo dados da UIT. A organização estimava a taxa de penetração da telefonia móvel em 44,3%, contra 19,7% para a Internet. No final de setembro de 2025, o regulador congolês indicava uma taxa de penetração da telefonia móvel de 65,3%, contra 32,2% para a Internet móvel, numa população de 112,2 milhões de habitantes. Além disso, a GSMA estimava em 40 milhões o número de pessoas não conectadas à Internet móvel na RDC em 2023.

Isaac K. Kassouwi

 

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O desenvolvimento da 5G acelera em África, num contexto de transformação digital acelerada. Em meados de 2025, 48 operadores em 21 países já forneciam a tecnologia, segundo dados da Agência Ecofin.

As autoridades de Cabo Verde estão a preparar o desenvolvimento da tecnologia móvel de quinta geração (5G). Para tal, uma estratégia nacional de implementação foi oficialmente apresentada na quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026.

Segundo o comunicado oficial, esta iniciativa estabelece uma visão clara e progressiva para o desenvolvimento da 5G. Tendo em conta a configuração geográfica, socioeconómica e infraestrutural do arquipélago, a implementação será feita de forma gradual e responsável, começando pelo modelo 5G Non-Standalone (NSA), que se apoia na rede 4G existente.

O plano inclui também a realização de projetos-piloto focados em casos de uso prioritários. «Estes projetos permitirão testar soluções tecnológicas em contextos reais, demonstrar o valor da 5G, estimular a inovação e recolher dados concretos sobre os impactos económicos, sociais e territoriais da tecnologia», indica o comunicado. Acrescenta ainda: «Servirão de base para a expansão gradual da rede e para o ajuste contínuo das políticas públicas associadas».

Vice-PM: à esquerda Olavo Correia, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças de Cabo Verde, e à direita o secretário de Estado da Economia Digital, Pedro Lopes.

A elaboração deste plano nacional ocorre num contexto em que cada vez mais países africanos se interessam pela tecnologia móvel de última geração, considerada um motor essencial da transformação digital. Esta atenção deve-se às capacidades oferecidas pela 5G, nomeadamente velocidades muito superiores às gerações anteriores, menor latência, conectividade massiva para objetos e maior fiabilidade dos serviços.

Cabo Verde ambiciona “tornar-se uma nação digital para acelerar a sua dinâmica de crescimento e desenvolvimento e tornar-se um país de rendimento elevado no horizonte de uma década”. O Estado pretende integrar as TIC em diversos setores, como educação, saúde, turismo, administração pública, comércio, agricultura e economia azul. Isto permitirá aumentar progressivamente a contribuição do setor das TIC para o PIB, que atualmente é de cerca de 5%.

É importante lembrar, no entanto, que a implementação da 5G requer investimentos significativos. Segundo um estudo publicado em 2022 pela Ericsson, o custo base da implementação da 5G num país é estimado entre 3 e 8 mil milhões de dólares, aos quais se somam 20 a 35% de investimentos adicionais para expandir a cobertura da rede a nível nacional.

Para além das infraestruturas, coloca-se a questão da adoção efetiva da 5G pelas populações. Diversos fatores influenciam, como o custo dos smartphones compatíveis, a acessibilidade dos planos de dados 5G, o nível de competências digitais dos utilizadores, a perceção da relevância dos serviços oferecidos e a qualidade da experiência do cliente.

Isaac K. Kassouwi

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Perante um mercado de trabalho jovem saturado e uma economia digital em forte expansão, as autoridades nigerianas apostam na formação em competências digitais para transformar o emprego e a inovação.

O governo federal da Nigéria, em colaboração com a empresa sueca de telecomunicações Ericsson, lançou o Connect NextGen Innovation Hackathon, um programa intensivo de formação digital de quatro meses destinado a 50.000 jovens, com o objetivo de colmatar lacunas em competências digitais e promover o emprego no setor tecnológico. Segundo a imprensa local, a apresentação oficial decorreu na quarta-feira, 11 de fevereiro, em Abuja, onde o vice-presidente Kashim Shettima classificou a iniciativa como um “plano estratégico para o ecossistema tecnológico nigeriano”.

Concretamente, este hackathon nacional é apresentado como um “canal de inovação”, com candidaturas abertas a estudantes, jovens empreendedores, start-ups e hubs tecnológicos do país. Segundo o representante do vice-presidente durante o evento, Ibrahim Hassan Hadejia, a iniciativa prevê selecionar 50 equipas de alto potencial para um acompanhamento técnico intensivo, após uma fase de mentoria em larga escala. Cerca de dez finalistas serão escolhidos para uma fase de incubação e aceleração, com perspetivas de implementação de soluções digitais comercializáveis.

Os responsáveis explicam que o programa prepara os participantes para tecnologias emergentes como inteligência artificial, computação em nuvem, Internet das Coisas e tecnologias sustentáveis, incentivando também a criação de soluções em setores estratégicos como inclusão digital, cidades inteligentes e agritech. Para Peter Olusoji Ogundele, diretor da Ericsson Nigéria, esta parceria reflete o compromisso da empresa com a transformação digital do país e a transferência de competências, permitindo que a Nigéria “exporte talentos digitais a nível global”.

Esta iniciativa insere-se num contexto em que o desemprego juvenil continua a ser um desafio significativo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, a taxa de desemprego dos jovens entre 15 e 24 anos atingiu 6,5% em 2025, bem acima da média nacional. Para responder a este desafio, o Estado multiplicou programas destinados a reforçar competências técnicas e digitais, muitas vezes em parceria com o setor privado. Em 2025, apoios financeiros do setor privado permitiram fortalecer o programa de competências técnicas 3MTT (3 Million Technical Talent), que já formou mais de 135.000 jovens em dois anos e gerou oportunidades de emprego bem remuneradas em empresas tecnológicas locais e no estrangeiro, segundo as autoridades.

Paralelamente, uma nova Comissão Nacional de Literacia Digital foi inaugurada no início de 2026, com o objetivo de planear a formação e certificação de um milhão de nigerianos até 2030, no âmbito de um plano nacional que visa atingir 95% de literacia digital até ao final da década.

Félicien Houindo Lokossou

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Os jogos móveis representam 87 % do mercado de gaming africano, embora a quota das consolas e dos PC deva crescer com a melhoria da acessibilidade financeira do equipamento informático e o surgimento de uma classe média mais aberta à cultura do «pay-to-play».

Em África, o mercado dos videojogos gerou mais de 2,29 mil milhões de dólares em receitas em 2025, impulsionado sobretudo pela expansão dos jogos distribuídos através de aplicações móveis, segundo um relatório publicado na terça-feira, 10 de fevereiro, pelo acelerador de estúdios de desenvolvimento de videojogos SpielFabrique e pela Xsolla, empresa especializada em soluções de pagamento para a indústria do gaming.

Intitulado «State of the Industry: African Video Game Report 2026», o relatório indica que este mercado regista uma taxa média de crescimento anual de 12,32 %, um nível significativamente superior ao do mercado global (7,5 %).

Os principais mercados em termos de receitas são o Egito (368 milhões de dólares), a Nigéria (300 milhões), a África do Sul (278 milhões) e o Quénia (46 milhões). Nestes países, como no restante continente, a atividade de gaming concentra-se nos grandes centros urbanos.

O rápido crescimento do mercado africano é impulsionado pelo forte desenvolvimento dos jogos disponíveis em telemóveis, que representam cerca de 87 % da base de jogadores.

Os jogos para PC e consola estão em crescimento, embora sejam menos difundidos do que os acessíveis via telemóvel e estejam amplamente limitados a segmentos urbanos específicos e a jogadores com rendimentos mais elevados. Já a adoção de videojogos em realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR) é atualmente negligenciável no continente. O cloud gaming é o segmento com crescimento mais rápido, com uma taxa média anual estimada em 14 %, oferecendo uma alternativa potencial às experiências tradicionais em consola, embora o seu desenvolvimento permaneça fortemente dependente da disponibilidade de ligações à Internet de qualidade. Esta situação deverá, contudo, evoluir com a melhoria da acessibilidade do equipamento informático e o surgimento de uma classe média mais recetiva à cultura do «pay-to-play».

Desenvolvedores africanos privilegiam mercados internacionais

Os jogos mais populares em África são Candy Crush (10,4 %), PUBG (6 %), FIFA (2,2 %), Dream League Soccer (1,8 %) e Temple Run (1,6 %).

A monetização dos videojogos no continente continua, no entanto, condicionada por dificuldades de pagamento, dado que cerca de 90 % dos africanos não têm acesso a cartão de crédito ou a crédito nas lojas de aplicações.

A Google Play continua a ser a principal plataforma de distribuição de aplicações de jogos no continente. A App Store detém uma quota de mercado menor, mas mantém relevância nos mercados mais maduros, como a África do Sul e o Egito.

O relatório destaca também o surgimento de novos intervenientes na distribuição de jogos móveis em África. Lançada em 2023, a Gara Store posicionou-se, por exemplo, como uma loja digital focada em África, visando inicialmente a África Ocidental francófona antes de se expandir a todo o continente.

Para além destes novos atores, as lojas de aplicações dos fabricantes (OEM – aplicações pré-instaladas ou integradas nos smartphones), como a Huawei AppGallery e a Samsung Galaxy Store, distribuem vários jogos, embora o seu impacto varie consoante os dispositivos e as regiões. A KaiStore, loja do sistema operativo móvel KaiOS, disponibiliza jogos em telemóveis básicos (feature phones), enquanto as lojas de terceiros que distribuem ficheiros APK (Android Package Kit) permanecem fragmentadas e apresentam riscos mais elevados em termos de confiança e segurança.

O relatório observa ainda que o ecossistema africano é amplamente composto por desenvolvedores em fase inicial e semiprofissionais, bem como por um número mais reduzido — mas em crescimento — de estúdios totalmente profissionais. De modo geral, os estúdios africanos privilegiam os mercados internacionais em detrimento dos públicos locais, como forma de reduzir riscos comerciais. Embora esta estratégia prudente tenha permitido alguns sucessos à escala global, também travou o desenvolvimento de narrativas afrocentradas e aumentou a dependência de consumidores estrangeiros para a geração de receitas.

Walid Kéfi

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