No Ruanda, a pecuária contribui com cerca de 4% do PIB. Embora o setor do couro seja menos destacado do que outros segmentos como o leite e a carne, o seu potencial ainda largamente subexplorado, aliado a políticas públicas direcionadas, atrai novos investidores estrangeiros.
No Ruanda, o setor do couro poderá atrair um novo investidor estrangeiro. Segundo informações divulgadas pelo media local The New Times no domingo, 18 de janeiro, a empresa egípcia Leather and More Company, especializada na produção de calçado em couro e derivados como gelatina, colagénio e produtos farmacêuticos, está a estudar um projeto de instalação industrial no país.
«O meu objetivo é estabelecer parcerias com atores locais para implantar aqui uma fábrica de couro. Dentro de uma a quatro semanas, espero apresentar um roteiro claro para esta cooperação», declarou Hesham Gazar, diretor-geral da empresa.
Por enquanto, o custo previsto do investimento ainda não é conhecido. Seja como for, este projeto, caso se concretize, permitirá reforçar as capacidades de uma indústria local ruandesa ainda embrionária.
Segundo dados oficiais, o Ruanda dispõe atualmente de apenas uma curtume operacional em Huye, que processa menos de 5% das peles animais produzidas localmente. O reforço das capacidades de transformação é particularmente estratégico, já que o governo pretende aumentar a produção de peles de animais para 48.000 toneladas até 2030, contra um stock atual de 6.000 toneladas, oferecendo mercados seguros para os pecuaristas.
Além disso, o interesse da Leather and More Company em investir no país pode ser explicado pela vontade de Kigali em criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de no
vos projetos industriais no setor.
Desde 2023, foi anunciado um projeto de construção de um parque industrial dedicado à produção de couro num terreno de 20 hectares no distrito de Bugesera, com um custo total de 15 milhões de dólares. Em maio do ano passado, o Ministério da Indústria e Comércio anunciou a decisão do governo de alocar 8,47 mil milhões de francos ruandeses (5,8 milhões de dólares) no orçamento do exercício fiscal 2025/2026 para a construção de infraestruturas essenciais, com o objetivo de atrair investidores privados para o local.
Resta saber em que medida a chegada da Leather and More Company favorecerá o desenvolvimento industrial do setor do couro no Ruanda e a sua inserção nos mercados regionais e internacionais.
Stéphanas Assocle
Na África Ocidental, o Gana apresenta um dos níveis mais elevados de consumo de peixe per capita. No país, as autoridades multiplicam iniciativas para acelerar o desenvolvimento da aquicultura, cuja contribuição para a oferta ainda é limitada em comparação com a pesca.
Em 14 de janeiro de 2026, a Comissão das Pescas do Gana anunciou ter recebido em visita uma delegação da Universidade da Boémia do Sul, situada na República Checa. Num comunicado publicado no seu site, a agência nacional responsável pela implementação das políticas do Ministério das Pescas e da Aquicultura indicou que o encontro visou lançar as bases de uma nova cooperação no sector da aquicultura.
As trocas entre as duas partes centraram-se no reforço de parcerias tanto a nível universitário como sectorial, nomeadamente nos domínios da investigação, do reforço de capacidades, da inovação e das práticas aquícolas sustentáveis.
Esta iniciativa insere-se num contexto em que o Gana procura transformar a aquicultura num eixo estratégico de segurança alimentar e de criação de emprego. Apesar dos progressos significativos registados no sector nos últimos anos, a sua contribuição para a oferta local de peixe continua relativamente modesta.
Segundo dados oficiais, a produção aquícola no Gana quase duplicou, passando de 52 360 toneladas em 2019 para 100 000 toneladas em 2023. Com este aumento expressivo, a aquicultura representa actualmente cerca de 20% das capturas totais de peixe, estimadas em 484 412 toneladas em 2023.
Para sustentar esta dinâmica de crescimento, as autoridades ganesas anunciaram, por exemplo, em novembro passado, a intenção de criar um fundo de desenvolvimento dedicado à aquicultura, com o objectivo de melhorar o acesso ao financiamento, reforçar as infra-estruturas e acelerar a investigação e a transferência de tecnologias.
Neste contexto, a aproximação à República Checa para uma cooperação no domínio da aquicultura não é fortuita. O país é reconhecido na Europa pela sua longa tradição de piscicultura em águas doces, nomeadamente na criação de carpas em viveiros, bem como pela sua competência académica em aquicultura sustentável. Importa igualmente salientar que a Faculdade de Pescas e Protecção das Águas da Universidade da Boémia do Sul é considerada uma referência europeia em investigação aplicada sobre a gestão de sistemas aquícolas, a reprodução de peixes e a adaptação das práticas de produção às restrições ambientais.
Resta saber se esta cooperação com as autoridades ganesas conduzirá à implementação de iniciativas concretas em benefício da indústria aquícola da antiga Gold Coast. No Gana, a produção aquícola concentra-se principalmente na tilápia do Nilo e no peixe-gato.
Stéphanas Assocle
Na África Ocidental, o Burquina Faso afirma-se como um dos principais produtores de algodão, ao lado do Mali, Benim e Costa do Marfim. Depois de vários anos de retração, o setor parece iniciar uma inversão de tendência com as perspetivas anunciadas para a campanha 2025/2026.
No Burquina Faso, a produção de algodão-semente está prevista em 336.812 toneladas em 2025/2026, o que representa um aumento de 15% em relação à campanha anterior. É o que indicam as últimas estimativas da interprofissão, reportadas pelo Programa Regional de Produção Integrada de Algodão em África (PR-PICA) no seu último boletim informativo sobre o setor, publicado em 9 de janeiro.
Esta melhoria pode ser atribuída ao aumento das áreas de cultivo. Os dados compilados pelo PR-PICA mostram, de facto, que a superfície dedicada ao algodão cresceu 13%, ou seja, cerca de 44.629 hectares a mais do que na campanha anterior, perfazendo um total de 391.407 hectares.
Paralelamente, o rendimento é estimado em alta de 2%, atingindo 861 kg por hectare em 2025/2026, sugerindo uma melhor implementação das práticas agronómicas, nomeadamente no que diz respeito à utilização de fertilizantes e tratamentos fitossanitários.
De forma geral, a previsão de colheita para a campanha 2025/2026, se confirmada, marcaria também uma recuperação para o setor burquinense, cuja produção tinha registado três anos consecutivos de queda antes desta campanha. No país, a colheita de algodão-semente passou de cerca de 519.000 toneladas em 2021/2022 para 292.660 toneladas em 2024/2025, ou seja, uma diminuição de quase 44% no período considerado, segundo os dados compilados pelo PR-PICA.
Um regresso ao top 3 da zona CFA?
As perspetivas da campanha 2025/2026 no Burquina Faso podem redistribuir a posição dos países produtores de algodão da zona CFA, núcleo da produção cotonnière em África.
Enquanto o Benim e o Mali são apontados para terminar, respetivamente, como 1.º e 2.º maiores produtores da região ao fim desta campanha, o Burquina Faso está bem posicionado para disputar o terceiro lugar à Costa do Marfim. Neste último país, as previsões de colheita reportadas pelo PR-PICA indicam uma produção de 317.000 toneladas para 2025/2026, representando uma queda de 11% face à campanha anterior (357.267 toneladas).
As principais razões que podem explicar a diminuição da oferta marfinense são comuns a todos os países da zona CFA e prendem-se, nomeadamente, com a irregularidade das chuvas durante os meses de setembro e outubro, que correspondem à fase de maturação das cápsulas do algodão, uma fase determinante para a produtividade.
Pluviometria – evolução por país no mês de outubro
“Na maioria dos países, foi registada escassez de chuvas, especialmente nas zonas secas e medianas, indicando o fim da estação chuvosa. Esta situação pode ter um impacto negativo no desenvolvimento de semeaduras tardias, resultando em baixa produtividade”, salientou o PR-PICA no seu boletim informativo publicado em novembro passado.
Segundo a organização, a Costa do Marfim registou, por exemplo, uma diminuição de 89 milímetros de água durante o mês de outubro de 2025 em comparação com a pluviometria de outubro da campanha anterior. O desenrolar da campanha mostrará se o Burquina Faso conseguirá consolidar a sua posição regional na produção de algodão.
Stéphanas Assocle
No momento em que a agricultura enfrenta a pressão climática, a volatilidade dos mercados e a necessidade de alimentar a população de forma sustentável, os dados surgem como um fator central. Sensores, satélites e ferramentas digitais estão a redefinir as práticas agrícolas e a criar novas profissões.
O analista de dados AgriTech é um profissional responsável por transformar informações do setor agrícola em ferramentas de apoio à decisão. Ele utiliza dados climáticos, agronómicos, geoespaciais ou comerciais, recolhidos através de sensores, drones, imagens de satélite ou plataformas digitais. O seu trabalho consiste em analisar estes fluxos de informação para melhorar a produtividade, otimizar o uso da água e insumos, antecipar riscos climáticos ou sanitários e reforçar a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Esta função está no coração da agricultura de precisão e da transição digital do setor.
O rápido desenvolvimento da AgriTech explica o crescimento deste perfil profissional. Segundo a BIS Research, o mercado global de soluções de gestão e análise de dados agrícolas tem registado um crescimento sustentado, impulsionado pela adoção da inteligência artificial (IA), da Internet das Coisas (IoT) e de sistemas de apoio à decisão na agricultura.
Esta dinâmica é reforçada pelo crescimento global da agricultura digital. De acordo com a Global Growth Insights, o setor continua a expandir-se mundialmente, impulsionado pelas necessidades de otimização dos rendimentos e de adaptação às alterações climáticas.
Neste contexto, o analista de dados AgriTech ocupa uma função estratégica. Ele permite que agricultores, empresas agroindustriais e decisores públicos passem de uma agricultura baseada na intuição para uma agricultura guiada por dados. O seu trabalho contribui para reduzir perdas, proteger rendimentos agrícolas e aumentar a resiliência das cadeias de produção perante choques climáticos. Esta dimensão estratégica explica a crescente atratividade da profissão.
Em termos salariais, as diferenças continuam significativas entre regiões. Na Europa e na América do Norte, os analistas de dados especializados em AgriTech estão entre os perfis mais valorizados do setor agrícola digital. Ofertas publicadas nos últimos anos na plataforma Data Recrutement mostram níveis de remuneração comparáveis aos de data analysts em outras indústrias tecnológicas.
Em África, os salários são mais modestos, mas estão a aumentar rapidamente com o crescimento das start-ups AgriTech. No Quénia, os perfis equiparados a data scientists agrícolas beneficiam de reconhecimento crescente, impulsionado pela expansão das tecnologias digitais nas cadeias agrícolas.
Na Nigéria, dados disponíveis na Talenbrium revelam que várias empresas AgriTech oferecem agora remunerações acima da média nacional para atrair talentos capazes de explorar dados agrícolas, sinal de um mercado de trabalho em forte crescimento para estas competências.
Como aceder a esta profissão em África
O acesso a esta profissão em África passa por uma dinâmica de formação ainda em construção, mas em rápida evolução. A digitalização da agricultura acelera no continente, apoiada por políticas públicas, financiadores internacionais e um ecossistema de start-ups cada vez mais estruturado. O Banco Mundial destaca o papel crescente das plataformas digitais agrícolas na melhoria do acesso à informação, aos mercados e aos serviços financeiros para os produtores.
Os percursos dos analistas de dados AgriTech africanos refletem uma diversidade de formações que combinam competências digitais com compreensão dos desafios agrícolas. São oferecidos cursos especializados em big data e plataformas digitais agrícolas, como um programa de formação na Somália que explora como IoT, IA e análise de grandes volumes de dados otimizam a gestão das explorações agrícolas e a tomada de decisão em toda a cadeia de valor.
Formações focadas na aplicação da IA à agricultura também estão disponíveis online ou presencialmente em África, incluindo módulos sobre otimização de processos agrícolas, decisão baseada em dados e integração de tecnologias digitais. No Benim, cursos práticos em análise de dados para agricultura e gestão agrícola ensinam a transformar dados brutos em informação útil para a gestão agrícola e tomada de decisão.
Na mesma linha, módulos na África Ocidental, como DigiGreen & Agri, introduzem estudantes às ferramentas No‑Code e aos fundamentos da IA aplicada à agricultura, primeira etapa para competências em AgriTech. No Senegal, a Universidade Gaston Berger promove sessões de formação AgriTech para reforçar capacidades locais na integração de tecnologias digitais na produção agrícola.
Esta diversidade de ofertas contribui para formar uma nova geração de profissionais capazes de usar dados para modernizar a agricultura africana e reforçar a segurança alimentar, num setor onde a AgriTech é cada vez mais reconhecida como um motor de transformação.
Félicien Houindo Lokossou
No Ruanda, o setor agrícola contribui com cerca de 24% para o PIB e emprega aproximadamente 55% da população ativa. No final do exercício fiscal 2024/2025, o setor consolida o seu desempenho nas exportações, mas ainda está longe de atingir os objetivos estabelecidos.
No Ruanda, as exportações de produtos agrícolas geraram 893,16 milhões de dólares em receitas no final do ano fiscal 2024/2025. É o que revela o relatório anual publicado pelo Ministério da Agricultura e Recursos Animais em 31 de dezembro passado.
Este montante representa um aumento de 6,4% em relação às receitas registadas no ano anterior (839,2 milhões de dólares). Motor das exportações, o setor do café é também aquele que apresentou o maior crescimento anual.
De facto, as receitas geradas pelo grão aumentaram 47%, atingindo 116,18 milhões de dólares. “O aumento das receitas do café deve-se ao crescimento dos volumes exportados, aliado à subida do preço do café, que passou de 4,78 para 5,66 dólares por quilograma”, destaca o relatório.
O documento sublinha ainda que a diversificação das culturas de exportação e dos produtos de origem animal permitiu compensar quedas pontuais de receitas de outros produtos de exportação tradicionais, como o chá ou o piretro. No conjunto, o café representou 13% das receitas de exportação agrícola do Ruanda, seguido pelo chá (12%) e pelos produtos hortícolas (10%).
Mais amplamente, o crescimento das receitas de exportações agrícolas em 2024/2025 coloca o Ruanda no bom caminho para atingir as suas ambições futuras. No âmbito da 5.ª fase do seu Plano Estratégico para a Transformação da Agricultura (PSTA 5), Kigali define como meta gerar mais de 1,5 mil milhões de dólares em receitas através das exportações de produtos agrícolas até 2028/2029.
Stéphanas Assocle
A Costa do Marfim fornece cerca de 40 % da produção mundial de cacau. No país, a campanha de 2025/2026 foi lançada em outubro passado.
Na Costa do Marfim, o Conselho do Café-Cacau (CCC) refutou, na quarta-feira, 14 de janeiro, durante uma conferência de imprensa, as informações relativas a um alegado bloqueio da comercialização das amêndoas de cacau no país.
Nas últimas semanas, a imprensa internacional tinha noticiado a imobilização de vários camiões carregados de cacau nas imediações dos portos de Abidjan e de San Pedro, situação que estaria a afetar toda a cadeia de escoamento das amêndoas a partir das zonas de produção.
De acordo com Yves Brahima Koné (foto), diretor-geral do CCC, os referidos camiões estacionados encontram-se numa situação de “ilegalidade”, por não disporem de conhecimentos de embarque, documento administrativo indispensável para a exportação.
“O Conselho do Café-Cacau organizou devidamente a fileira. Há oito anos, em 2018, tomei a seguinte decisão: nenhuma carga de cacau sai da zona de produção sem conhecimento de embarque. E o conhecimento de embarque deve ser validado pelo operador e pelo exportador que recebe a carga em Abidjan. Se ambos não aprovarem o conhecimento, a carga não pode sair da sua zona de produção para Abidjan. Assim, quando nos dizem que há camiões em Abidjan, eles não têm documentos, estão na ilegalidade. Para nós, no Conselho, trata-se de fraude”, explicou o Sr. Koné.
Perante as preocupações manifestadas por várias associações do setor relativamente a uma crise nas vendas das amêndoas, que estaria a afetar os rendimentos dos produtores, o responsável máximo do regulador procurou tranquilizar os intervenientes. “Somos pessoas responsáveis. Fizemos previsões. Toda a produção da Costa do Marfim que sai das nossas plantações será comprada”, afirmou, acrescentando que pelo menos 80 % da produção da campanha de 2025/2026 foi vendida entre outubro e dezembro do ano passado.
Na principal economia da UEMOA, a referida campanha cacaueira foi aberta com um preço garantido de 2 800 FCFA por quilograma (4,9 dólares).
Na Tunísia, a tâmara constitui o segundo produto agrícola de exportação, a seguir ao azeite. As previsões de colheita para a campanha de 2025/2026 apontam para uma melhoria do desempenho da fileira no mercado externo.
Na Tunísia, o setor das tâmaras espera uma colheita de 404 000 toneladas na campanha de 2025/2026, segundo as mais recentes estimativas do Comité Nacional de Acompanhamento dos Programas do Fundo de Promoção da Qualidade das Tâmaras. Caso se confirme, esta projeção representará um aumento de 16,3 % face à produção da campanha anterior (347 000 toneladas).
“Trata-se de uma colheita recorde, ultrapassando pela primeira vez o limiar das 400 000 toneladas”, refere um comunicado do Ministério da Agricultura publicado no seu site a 13 de janeiro. Em pormenor, a Deglet Nour, variedade emblemática e pilar das exportações da fileira tunisina, deverá registar um crescimento da produção de 18,3 % em termos homólogos, atingindo 347 000 toneladas. Já a colheita das chamadas tâmaras comuns deverá alcançar 57 000 toneladas, um aumento de 5,5 % em relação à campanha anterior.
Embora as causas exatas desta melhoria não sejam detalhadas, sabe-se que o Governo reforçou o seu apoio ao setor nos últimos anos, com o objetivo de aumentar a sua resiliência face à seca e às pragas.
A título ilustrativo, o Ministério da Agricultura anunciou, em março de 2025, a distribuição de 5 milhões de redes mosquiteiras aos produtores, destinadas a proteger as colheitas contra as intempéries e os parasitas, no âmbito dos preparativos para a campanha em curso. Além disso, em novembro de 2024, as autoridades indicaram ter beneficiado de um apoio financeiro de 25 milhões de dólares dos Estados Unidos para reforçar o sistema de produção da fileira e adaptá-lo às restrições associadas à seca.
De um modo geral, o crescimento esperado da colheita em 2025/2026 permitirá ao setor tunisino aumentar o volume exportável e, paralelamente, as receitas daí resultantes. Segundo dados compilados pelo Observatório Nacional da Agricultura (Onagri), a Tunísia colocou 153 000 toneladas de tâmaras no mercado internacional em 2024, gerando receitas de 955 milhões de dinares (330 milhões de dólares).
Stéphanas Assocle
No Senegal, o amendoim é um dos principais produtos agrícolas de exportação. Numa altura em que a colheita se anuncia mais abundante do que o previsto, as autoridades estão a repensar a sua estratégia de gestão da campanha de comercialização de 2025/2026.
No Senegal, a taxa de 4 % atualmente aplicada à exportação de carregamentos de amendoim foi suspensa para a campanha de comercialização 2025/2026. O anúncio foi feito pelo Ministério da Indústria e do Comércio num comunicado publicado na terça-feira, 13 de janeiro, no qual se precisa que a medida visa facilitar as exportações.
Para esta nova campanha de comercialização, as autoridades ambicionam colocar entre 300 000 e 450 000 toneladas de amendoim no mercado internacional. Caso esta projeção se concretize, poderá assinalar uma retoma das exportações do setor senegalês, que têm registado uma forte queda nos últimos anos, segundo dados compilados pela Agência Nacional de Estatística e Demografia (ANSD).
Depois de um pico de 336 000 toneladas alcançado em 2021, as exportações de amendoim caíram para 121 798 toneladas em 2024, representando uma diminuição de 64 % ao longo de quatro anos. Paralelamente, as receitas de exportação do setor também recuaram 57 %, passando de 154,7 mil milhões de francos CFA (274,7 milhões de dólares) para 65,3 mil milhões de francos CFA (115,9 milhões de dólares) no período considerado.
Uma produção mais elevada do que o previsto
Importa salientar que o alívio fiscal anunciado pelo Ministério da Indústria e do Comércio surge num contexto em que o setor antecipa uma colheita abundante. «Através desta medida, o Governo pretende dar uma resposta ao desafio da comercialização da produção deste ano, cujos volumes ultrapassam largamente as previsões, com mais de 900 000 toneladas registadas», sublinha o comunicado.
Esta abordagem, contudo, levanta dúvidas quanto à capacidade de absorção da colheita pelos circuitos tradicionais de comercialização, nomeadamente a transformação local, fazendo pairar o risco de congestionamento do mercado e de pressão descendente sobre os preços pagos aos produtores, perante a sobreprodução que se avizinha.
É neste contexto que, a 5 de janeiro último, o governo instruiu a Société nationale de commercialisation des oléagineux du Sénégal (SONACOS), principal empresa oleaginosa do país, a quase duplicar a sua capacidade de compra de amendoim, elevando-a para 450 000 toneladas, face a um objetivo inicial de 250 000 toneladas para a campanha em curso. Uma iniciativa que ainda não convenceu os produtores.
«Em dois meses, a SONACOS comprou apenas 62 000 toneladas de amendoim. Seria ilusório pensar que esta empresa é capaz de adquirir 450 000 toneladas de grão de amendoim», declarou o coordenador regional da associação camponesa Aar Sunu Momel, em Thiès, em declarações citadas pela Agência Senegalesa de Imprensa (APS) no passado dia 11 de janeiro.
Recorde-se que o governo decidiu fixar o preço mínimo de compra do quilograma de amendoim em 305 francos CFA junto dos produtores para a campanha de 2025/2026. Resta saber se a supressão anunciada da taxa de exportação produzirá o efeito esperado, estimulando as exportações e permitindo uma melhor regulação do mercado.
Stéphanas Assocle
A carne de frango é uma das principais fontes de proteínas animais nos hábitos alimentares em África. Enquanto a maioria dos países do continente depende de importações para colmatar o défice de produção, a origem brasileira ganha cada vez mais terreno.
965 699 toneladas. Este é o volume total de carne de frango importado pelos países africanos a partir do Brasil ao longo de todo o ano de 2024, segundo o relatório anual de 2025 da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Este volume representa um aumento de 18,25 % em relação ao ano anterior e confirma a importância crescente do frango brasileiro na alimentação dos consumidores do continente.
Um crescimento de 74 % desde 2020
Enquanto as exportações brasileiras de carne de frango para África totalizavam apenas 555 734 toneladas em 2020, passaram para 662 323 toneladas em 2021, antes de atingirem 816 611 toneladas em 2023. No conjunto, as importações africanas de frango brasileiro aumentaram 74 % ao longo de cinco anos, com uma taxa média de crescimento anual estimada em 14,81 % no período considerado.
O frango brasileiro conquista África
O sucesso deste produto no continente é impulsionado, antes de mais, pela África do Sul, que constitui há vários anos o principal mercado de destino para os comerciantes brasileiros. Em 2024, por exemplo, o país arco-íris adquiriu 325 409 toneladas de frango, o que corresponde a cerca de um terço do volume total importado por África. Seguem-se a Líbia (10,34 %), o Gana (9,74 %), Angola (9,11 %) e a República do Congo (4,98 %). No total, o setor brasileiro abasteceu 44 países africanos nesse ano.
Gana e República do Congo: motores do aumento das importações
Dois países da África Subsaariana destacam-se pelo forte crescimento das suas importações de frango brasileiro nos últimos anos: o Gana e a República do Congo. No Gana, o volume importado do Brasil passou de 15 268 toneladas em 2020 para 94 130 toneladas em 2024, ou seja, um aumento de seis vezes. Este crescimento rápido elevou o país da quinta para a terceira posição entre os clientes africanos de Brasília, sublinhando a importância crescente desta fonte de abastecimento no mercado local.
Quanto à República do Congo, as suas importações de frango brasileiro mais do que quadruplicaram, passando de 11 239 toneladas em 2020 para 48 170 toneladas em 2024. Se anteriormente Brazzaville não figurava entre os principais mercados da indústria avícola brasileira, afirma-se agora como um mercado em plena expansão.
Estas evoluções refletem a ascensão do frango brasileiro em mercados africanos que, até então, eram marginalizados na estratégia de exportação do país sul-americano.
Um abrandamento em 2025?
Embora as estatísticas de exportação de 2025 para todos os países africanos ainda não estejam disponíveis, é possível que a dinâmica de crescimento observada venha a abrandar. Importa recordar que, a 15 de maio, o Brasil declarou o seu primeiro caso de gripe aviária numa exploração comercial. Este anúncio gerou fortes preocupações entre os países clientes.
A África do Sul, por exemplo, impôs uma proibição temporária das importações com esta origem, enquanto Angola optou por uma restrição. Será necessário aguardar pela publicação do relatório anual de 2026 da ABPA para avaliar em que medida este episódio afetou o setor brasileiro no seu comércio com África ao longo dos 12 meses do ano.
Recorde-se que o continente africano representa o terceiro maior mercado de destino do frango brasileiro, a seguir à Ásia e ao Médio Oriente.
Stéphanas Assocle
Senegal: a mandioca é o principal tubérculo cultivado e constitui uma cultura estratégica para a segurança alimentar. Enquanto a produção tem vindo a decrescer nos últimos anos, o governo apoia a reorganização do setor para garantir uma melhor gestão.
No Senegal, o setor da mandioca encontra-se atualmente em processo de estruturação, com vista à criação próxima de uma interprofissional. Esta iniciativa, promovida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Agro-Silvo-Pastoral (FNDASP), foi mencionada num comunicado publicado a 9 de janeiro.
Segundo as autoridades, várias etapas já foram concluídas. Após o diagnóstico organizacional, uma campanha de informação e sensibilização, bem como inquéritos e ateliers de validação que permitiram elaborar um novo esquema de estruturação, realizaram-se com sucesso as Assembleias Gerais dos sub-colégios regionais, que reúnem produtores, transformadores e comerciantes, nas três principais zonas de produção (Noroeste, Centro e Sudeste).
«O próximo passo consiste em organizar as Assembleias Gerais Constitutivas (AGC) dos colégios, de forma a estruturar de forma duradoura os atores do setor; instalar os órgãos de direção; formalizar as instâncias de governação através de atas validadas. Este processo será concluído com a Assembleia Geral Constitutiva da Interprofissional», sublinha o FNDASP.
Um setor em declínio
Segundo as autoridades, a criação de uma interprofissional visa reforçar a organização, a competitividade e o desempenho do setor da mandioca, em benefício dos diversos atores e da segurança alimentar nacional. Esta reorganização ocorre num contexto em que o setor da mandioca regista um forte recuo na produção nos últimos anos, de acordo com dados compilados pela Agência Nacional de Estatística e Demografia (ANSD).
Após um pico de produção de 1,34 milhão de toneladas na campanha agrícola de 2020/2021, a colheita caiu ligeiramente para 1,32 milhão de toneladas em 2021/2022, estagnou em 2022/2023 e desceu para 824.734 toneladas em 2023/2024.
Os resultados provisórios de 2024/2025, ainda por confirmar, indicam uma colheita de 740.721 toneladas, confirmando a continuidade desta tendência decrescente. Resta saber se a futura criação de uma interprofissional no setor conseguirá insuflar uma nova dinâmica e relançar a produção.
Stéphanas Assocle
O Marrocos é o terceiro exportador africano de citrinos, depois da África do Sul e do Egito. A laranja, o segundo fruto mais exportado pela indústria de citrinos depois da tangerina, registou, em 2024/2025, desempenhos que apontam para uma retoma do sector.
No Marrocos, o sector dos citrinos exportou 84.600 toneladas de laranjas, no valor de 61 milhões de dólares, ao longo da campanha de comercialização de 2024/2025, segundo dados compilados pelo site especializado East Fruit. O volume anunciado representa um aumento de 38 % face à campanha anterior e marca o segundo ano consecutivo de crescimento desde 2022/2023.
Para explicar este bom desempenho, a East Fruit destaca a procura sustentada nos mercados tradicionais. Importa notar, por exemplo, que, com excepção dos EUA, as exportações para os nove outros principais destinos aumentaram todas de ano para ano. «As exportações para o Canadá dispararam 65 % […] as exportações para o Reino Unido multiplicaram-se por sete, para a Arábia Saudita por cinco e para Espanha por três», relata a mesma fonte.
Principais destinos das laranjas marroquinas em 2024/2025
Para além do crescente interesse pela laranja marroquina no mercado internacional, o aumento das exportações pode também ser atribuído ao apoio público de que o sector beneficia. Em maio do ano passado, por exemplo, o governo marroquino aprovou a entrada em vigor de um novo mecanismo de apoio à exportação de citrinos frescos, aplicável a cinco campanhas agrícolas de 2024 a 2028. Este mecanismo prevê a atribuição de um prémio fixo de 1.000 dirhams (107,7 $) por tonelada de citrinos exportada para a UE, Reino Unido e alguns países africanos.
Uma dinâmica de crescimento que deverá abrandar em 2025/2026
Embora os resultados das duas últimas campanhas de comercialização sugiram uma retoma do sector marroquino, as expectativas para a campanha em curso são mais moderadas. No seu último relatório sobre o mercado marroquino de citrinos, publicado a 17 de dezembro, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) prevê uma estagnação dos volumes de laranjas destinadas à exportação, em 85.000 toneladas, para a campanha 2025/2026 em curso.
Para explicar esta previsão, a organização norte-americana destaca os desafios relacionados com a seca e a escassez de água que afectam a produção, assim como a forte concorrência no mercado internacional.
«Os exportadores marroquinos continuam a enfrentar uma concorrência intensa por parte do Egito e da Turquia, onde os custos de produção são significativamente mais baixos. No caso do Egito, uma taxa de câmbio favorável reforçou a competitividade dos preços, permitindo exportações a tarifas mais baixas, enquanto os custos de mão-de-obra mais elevados no Marrocos e as persistentes limitações relacionadas com a água penalizam a produção», lê-se no relatório.
Stéphanas Assocle
Entre os países africanos mais expostos ao stress hídrico, o Marrocos tem sofrido desde 2018 com secas consecutivas agravadas pelas alterações climáticas. O ano de 2026 marca o fim deste ciclo.
No Marrocos, Nizar Baraka, ministro do Equipamento e da Água, anunciou a 12 de janeiro de 2026 o fim de um ciclo de seca que durou sete anos. Perante o Parlamento, destacou que as precipitações registadas desde dezembro foram 95% superiores às do ano anterior e 17% acima da média invernal.
Além disso, a taxa média de enchimento das barragens atingiu 46%, com algumas infraestruturas estratégicas a atingir mesmo a sua capacidade máxima.
Segundo a Direção-Geral da Meteorologia do Marrocos, o ano de 2022 foi o mais quente registado no país nos últimos 40 anos.
Um pesado tributo
Com o regresso das chuvas, instala-se agora algum alívio para os atores do setor agrícola, que sofreram perdas significativas.
Penalizada pelo défice hídrico prolongado, pelas vagas de calor e pela redução das áreas cultivadas, a produção cerealífera caiu 42%, para 3,3 milhões de toneladas em 2023/2024, segundo dados da FAO. Esta situação levou o país a aumentar as importações de trigo para satisfazer as necessidades internas.
No setor da pecuária, a seca persistente afetou os pastos, provocando um aumento dos preços dos alimentos para animais e uma redução na produção de carne.
As dificuldades climáticas atingiram o seu auge em fevereiro de 2025, quando o rei do Marrocos, Mohammed VI, pediu à população que se abstivesse de sacrificar ovelhas durante a festa do Aïd Al-Adha, prevista para junho – uma primeira desde 1996 – devido à diminuição do rebanho causada pela seca e ao aumento dos preços.
De acordo com dados oficiais, o país perdeu 38% do efetivo bovino e ovino desde 2016.
No total, segundo o governo, o Marrocos terá perdido um milhão de empregos agrícolas devido à seca e ao stress hídrico. Em resposta a este fenómeno, Rabat acelerou os seus projetos de dessalinização, com a meta de cobrir 60% das necessidades em água potável através de água do mar tratada até 2030, contra os atuais 25%.
Espoir Olodo
Entre objetivos climáticos ambiciosos e forte pressão sobre o seu sistema energético, a Nigéria destaca os seus instrumentos para mobilizar financiamentos em grande escala. Num contexto de rápido crescimento demográfico, necessidades massivas em infraestruturas e dependência dos hidrocarbonetos, Abuja procura posicionar a finança climática como um vetor estratégico de desenvolvimento.
Durante a Abu Dhabi Sustainability Week, realizada de domingo, 11, a quinta-feira, 15 de janeiro, o presidente nigeriano Bola Tinubu anunciou, segundo informações da Reuters, que o país visa uma capitalização de 2 mil milhões de USD para o seu fundo nacional dedicado ao clima. O fundo deverá apoiar projetos que contribuam para a redução das emissões de gases com efeito de estufa e para a adaptação aos impactos das alterações climáticas. Tinubu, que não especificou o calendário de mobilização de recursos, destacou, no entanto, o interesse dos investidores pelos instrumentos verdes do país.
O fundo climático anunciado pelo chefe de Estado tem a sua base legal no Climate Change Act (CCA), adotado em 2021. Após vários anos de inatividade, o fundo iniciou em 2025 um processo de operacionalização. Está previsto que seja financiado por dotações orçamentais, contribuições internacionais, multas relacionadas com obrigações climáticas, bem como receitas provenientes de mecanismos de carbono.
Além disso, soma-se à criação da Nigerian Climate Investment Platform (NCIP), uma iniciativa distinta lançada pelo Ministério Federal das Finanças em maio de 2025. Esta plataforma visa mobilizar até 500 milhões de USD para projetos ligados a infraestruturas, resiliência e adaptação, contando com a coordenação entre o Ministério das Finanças, a Nigeria Sovereign Investment Authority, o National Council on Climate Change e o Green Climate Fund.
Estas iniciativas ocorrem num contexto em que a Nigéria reafirmou o seu objetivo de neutralidade carbónica até 2060 e adotou um plano de transição energética que abrange os setores da eletricidade, transportes, petróleo e gás, cozinha doméstica e indústria. Em 2023, o gás natural representava 77% da produção elétrica do país, enquanto o setor elétrico era responsável por 17% das emissões energéticas de CO₂.
Com a maior população de África e uma das principais economias do continente, a Nigéria enfrenta elevada exposição aos riscos climáticos, forte dependência de energia fóssil e um défice persistente de acesso à eletricidade para milhões de pessoas. Neste contexto, a capacidade de mobilização de financiamentos em grande escala será determinante para apoiar um desenvolvimento sustentável e uma economia mais resiliente.
Abdoullah Diop
O Egito é o terceiro maior exportador mundial de citrinos, atrás de Espanha e África do Sul. O país procura continuamente oportunidades comerciais para melhorar o desempenho do setor através das receitas geradas.
No Egito, o setor de citrinos obteve, em 1 de janeiro de 2026, a autorização para exportar os seus produtos para a República Dominicana, segundo um comunicado publicado em 12 de janeiro pelo organismo oficial de comunicação do governo egípcio.
Segundo as autoridades, o acesso a este novo mercado resulta das negociações entre o serviço de quarentena agrícola egípcio e o seu homólogo dominicano, que definiram um plano de trabalho conjunto e diretrizes técnicas garantindo o cumprimento das normas fitossanitárias exigidas pela República Dominicana.
Para o Cairo, este desenvolvimento insere-se numa estratégia destinada a aumentar os excedentes exportáveis, gerar receitas em divisas estrangeiras e reforçar a competitividade internacional.
«A República Dominicana é considerada um dos principais destinos turísticos das ilhas do Mar do Caribe, o que aumenta a procura por produtos agrícolas para atender às necessidades dos turistas em frutas e vegetais frescos», refere o comunicado. Deve notar-se que a procura por citrinos não parou de crescer na República Dominicana nos últimos cinco anos.
Segundo dados compilados na plataforma Trade Map, o volume de citrinos importado pelo país caribenho mais do que triplicou, passando de 5.211 toneladas em 2020 para 17.215 toneladas em 2024. No mesmo período, o valor das compras também mais do que triplicou, atingindo 26,6 milhões de dólares. Este mercado é, no entanto, dominado pelo Peru, EUA, Chile e Colômbia.
Mais amplamente, o acesso a este novo mercado ocorre num contexto em que o setor egípcio espera uma recuperação das exportações. Num relatório publicado em 17 de dezembro, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicava, por exemplo, que o Egito prevê colocar 1,9 milhão de toneladas de laranjas no mercado internacional em 2025/2026. Se esta previsão se concretizar, representará um aumento de 14,45% face à campanha anterior (1,66 milhão de toneladas), num contexto de melhoria da produção.
Recorde-se que os principais mercados do setor egípcio incluem a União Europeia, Rússia, Arábia Saudita, Síria, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.
Stéphanas Assocle
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