As florestas da bacia do Congo constituem o maior sumidouro de carbono líquido do mundo. Este serviço ecológico continua amplamente subaproveitado pelos países responsáveis pela gestão deste ecossistema florestal.
Na África, seis países da bacia do Congo lançaram recentemente planos estratégicos para o mercado de carbono e o financiamento climático no setor florestal, com o apoio do Banco Mundial. O anúncio foi feito em um comunicado publicado na segunda-feira, 23 de fevereiro, no site da instituição financeira.
Os países são: Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo. Esses planos estratégicos são apresentados como instrumentos específicos destinados a ajudar cada um desses países a se comprometer de maneira credível e eficaz nos mercados globais de carbono, a fim de obter financiamentos em troca da capacidade de suas florestas de absorver dióxido de carbono (CO₂).
De acordo com as autoridades, as intervenções se concentrarão principalmente no alinhamento dos quadros nacionais com as exigências do Acordo de Paris para acessar o mercado de carbono, no fortalecimento das capacidades digitais e institucionais para a implementação do sistema MRV (Medição, Relato e Verificação), um dispositivo central na governança climática internacional. Também está prevista a clarificação do quadro jurídico e fiscal dos créditos de carbono, o engajamento do setor privado e das comunidades locais, além da atração de investimentos climáticos de longo prazo e parcerias técnicas.
« Os mercados de carbono podem ser um divisor de águas para os países da bacia do Congo, mas apenas se as condições favoráveis forem estabelecidas. Estes planos estratégicos oferecem um guia prático completo para que os governos implementem o financiamento do carbono, com foco na boa governança, no envolvimento do setor privado e nos benefícios para as comunidades locais », afirmou Cheick Fantamady Kanté, diretor de divisão do Banco Mundial para os Camarões, República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo.
Oportunidades a serem aproveitadas
Os países da bacia do Congo recebem apenas uma fração marginal do valor total dos serviços ecossistêmicos florestais que oferecem ao mundo. Em um relatório publicado em agosto de 2025, o Banco Mundial avaliou em 1.152 bilhões de dólares o valor monetário total dos serviços prestados pelas florestas da bacia do Congo em 2020, incluindo a retenção de carbono, a regulação hidrológica, a biodiversidade, a extração de madeira e os alimentos silvestres (produtos comestíveis obtidos por coleta, caça ou pesca não doméstica).
O relatório destaca, no entanto, que o valor efetivamente integrado nas economias dos seis países centrais (Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo) foi de apenas 7,8 bilhões de dólares naquele ano.
Embora a retenção de carbono represente por si só quase 99% do valor monetário estimado dos serviços florestais, sua contribuição para a economia nacional dos países da bacia do Congo é apenas de 9%. Este paradoxo sugere uma baixa monetização do capital de carbono da bacia do Congo, bem como um acesso limitado aos mecanismos econômicos de compensação ou financiamento climático.
O desafio de valorizar melhor o serviço de retenção de carbono torna-se ainda mais estratégico, considerando que as florestas da bacia do Congo armazenaram 90,9 bilhões de toneladas de carbono em 2020, o que equivale a 10 vezes as emissões globais anuais de CO₂ do setor energético, de acordo com os dados do Banco Mundial.
Neste contexto, a adoção desses planos estratégicos aparece como uma etapa decisiva para permitir que os países da bacia do Congo valorizem melhor seus recursos florestais e capturem uma parte maior dos financiamentos relacionados aos mercados de carbono.
Stéphanas Assocle
Em 2024, as superfícies certificadas como orgânicas no continente africano diminuíram 17,6%. Uma contração inédita, em parte devido ao endurecimento das normas europeias, mas que não freia a dinâmica comercial do setor.
Em 2024, a África registrou uma contração significativa em suas áreas dedicadas à agricultura orgânica, passando de cerca de 3,4 milhões de hectares para pouco mais de 2,8 milhões de hectares. Essa informação foi divulgada na última edição do relatório The World of Organic Agriculture, publicado no dia 14 de fevereiro pelo Instituto de Pesquisa em Agricultura Orgânica (FiBL).
A queda de 600.000 hectares representa uma redução de 17,6% em relação ao ano anterior e marca, além disso, a primeira contração das áreas destinadas à agricultura orgânica no continente em mais de uma década, desde 2011.
De acordo com o relatório, a contração das superfícies orgânicas declaradas na África coincide com a transição para o novo regulamento de agricultura orgânica da União Europeia (UE), que exige, a partir de 2024, que as importações provenientes de países terceiros sigam os mesmos padrões exigidos aos operadores europeus. Esse quadro regulatório marca o fim progressivo do sistema de equivalência, que permitia que alguns países terceiros exportassem para a UE de acordo com suas próprias normas, consideradas comparáveis.
Nesse contexto, a redução observada nas áreas declaradas pode ser explicada pela necessidade, por parte dos organismos de certificação, de revisar seus dados e considerar apenas as terras totalmente em conformidade com os novos requisitos europeus.
A África representa agora 2,8% das terras agrícolas orgânicas no mundo, mas apenas 0,2% de sua própria área agrícola. A distribuição das superfícies dedicadas à agricultura orgânica no continente ainda é muito concentrada, com quatro países respondendo por quase metade das terras certificadas.
Liderando o ranking, Uganda mantém sua posição como o país africano com maior área certificada, com 505.308 hectares em 2024, seguido por Burkina Faso (251.000 hectares), Etiópia (227.000 hectares) e Togo, que ocupa o quarto lugar com mais de 225.000 hectares.
Exportações em alta, impulsionadas pela demanda americana
Apesar da redução das áreas de cultivo, as exportações africanas de produtos agrícolas orgânicos continuam a se consolidar. De acordo com o FiBL, o continente exportou 687.395 toneladas dessa categoria de produtos para o mercado internacional em 2024, registrando um crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior.
O principal destino, a UE, absorveu 62,38% das exportações africanas, mas as compras do bloco econômico caíram ligeiramente em 0,4%, somando 428.845 toneladas. O segundo destino preferido para os produtos agrícolas orgânicos exportados da África, os Estados Unidos, registraram um aumento de 24,4% nas compras do continente, atingindo 258.550 toneladas.
Com mais de 340.000 toneladas e cerca de 50% das exportações orgânicas africanas, a soja e seus derivados foram o principal grupo de produtos agrícolas orgânicos exportados, seguidos pelos óleos vegetais (63.000 toneladas, principalmente óleo de oliva) e bananas (48.000 toneladas). O maior exportador africano continua sendo o Togo, que exporta principalmente soja e seus derivados, seguido pela Tunísia, conhecida por seu óleo de oliva, e Gana, que se destaca pelas exportações de bananas.
Perspectivas favoráveis para os próximos anos?
Para os exportadores africanos, o novo regulamento da União Europeia sobre agricultura orgânica representa tanto um desafio de adaptação regulatória quanto uma porta de entrada para um mercado em expansão, mas também um dos mais exigentes do mundo. Embora essa transição implique custos adicionais de conformidade e uma melhor estruturação das cadeias produtivas, alguns sinais indicam que um movimento de transformação já está em andamento no continente.
Embora ainda não haja dados consolidados sobre as superfícies certificadas, volumes produzidos ou exportações de 2025, o FiBL observa uma progressão tangível na adoção de práticas agrícolas orgânicas e agroecológicas.
Em seu relatório, a instituição menciona que, até o final de 2025, 14 países africanos haviam implementado políticas ou leis em favor da agroecologia, enquanto 42 universidades ofereciam programas acadêmicos dedicados, revelando uma transformação institucional gradual. Em comparação, apenas 5 países do continente tinham legislações sobre agricultura orgânica em 2022.
Além disso, há a expansão dos Sistemas de Garantia Participativa (PGS), uma forma de certificação alternativa desenvolvida pela iniciativa continental plurianual sobre agricultura orgânica ecológica (EOA-I) e pelo Centro de Conhecimento para Agricultura Orgânica e Agroecologia na África (KCOA). Em 2025, 1.326 agricultores foram certificados via PGS, com 18 grupos adicionais em processo de certificação, segundo o relatório.
Stéphanas Assocle
Brasil suspende as compras de cacau da Costa do Marfim por motivos fitossanitário.A Costa do Marfim é o maior exportador mundial de cacau, e o Brasil está entre seus principais mercados, ao lado dos países europeus. No entanto, uma nova medida pode perturbar essa relação comercial.
Na segunda-feira, 23 de fevereiro, o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil anunciou a suspensão das compras de grãos e produtos à base de cacau provenientes da Costa do Marfim até novo aviso. A decisão foi publicada no Diário Oficial devido a preocupações relacionadas ao risco fitossanitário.
As autoridades brasileiras explicaram que o grande fluxo de grãos provenientes de países vizinhos para a Costa do Marfim permitia a presença de amêndoas misturadas nas remessas destinadas ao Brasil. Assim, o Ministério destacou que a suspensão permanecerá em vigor "até que a República da Costa do Marfim forneça uma declaração formal sobre a situação e apresente garantias de que as remessas originárias desse país não contenham grãos produzidos em países vizinhos, cujo status fitossanitário proíbe a entrada de cacau e coprodutos no Brasil."
O Secretariado de Comércio e Relações Internacionais, assim como o Secretariado de Defesa Agroalimentar, também foram encarregados de verificar possíveis casos de triangulação de amêndoas de cacau fermentadas e secas provenientes da Costa do Marfim, devido às potenciais implicações fitossanitárias.
Esta decisão não é a primeira do tipo. De fato, o Brasil já havia suspendido temporariamente suas compras de cacau da Costa do Marfim no passado. No entanto, essa nova proibição pode ter repercussões negativas nas relações de cooperação emergentes entre os dois países no setor de cacau.
Em fevereiro de 2025, o Conselho do Café e Cacau da Costa do Marfim recebeu uma delegação da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil (ApexBrasil), com discussões focadas em pesquisa agronômica, transformação e produção sustentável de cacau.
A proibição ocorre em um contexto em que as vendas de cacau da Costa do Marfim para o Brasil alcançaram um nível recorde de 177 milhões de dólares em 2024. O Brasil se tornou o 10º maior mercado de exportação para a Costa do Marfim, segundo os dados mais recentes da plataforma TradeMap.
Essa medida se soma a uma situação já difícil para o setor de cacau da Costa do Marfim, que enfrenta a queda nos preços globais e a pressão dos comerciantes para reduzir o preço garantido aos produtores, atualmente fixado em 2.800 Fcfa/kg (aproximadamente 5 $/kg).
Espoir Olodo
Na África Ocidental, o Gana é o terceiro maior fornecedor de peixe, depois da Nigéria e do Senegal. O país, que também apresenta um dos maiores níveis de consumo per capita, enfrenta um déficit de produção que está tentando suprir.
A Câmara de Aquicultura do Gana (COA) anunciou que, no dia 25 de fevereiro, lançará o Blue Food Innovation Hub, um centro de inovação destinado a apoiar o desenvolvimento da cadeia de valor da aquicultura e da pesca, em parceria com o Fórum Econômico Mundial (WEF). O anúncio foi feito em um comunicado de imprensa publicado no dia 24 de fevereiro.
De acordo com a organização, o centro de inovação foi projetado para reforçar a disseminação de tecnologias e melhorar as competências dos produtores. Ele também visa incentivar a colaboração entre startups, pesquisadores, investidores e parceiros técnicos nos setores de aquicultura e pesca, a fim de criar soluções para desafios relacionados aos custos dos insumos, à resiliência climática e ao acesso aos mercados.
"Este hub permitirá encontrar soluções para alguns desafios importantes, como a falta de acesso a financiamento e mercados, a baixa adoção de tecnologias e as lacunas de conhecimento dos atores do setor. Ele transformará o setor de alimentos azuis, especialmente a aquicultura continental, e oferecerá às pequenas empresas que têm dificuldades em escalar os recursos necessários para se desenvolverem", afirmou Jacob Adzikah, diretor-geral da COA, em declarações transmitidas pela mídia local My Joy Online.
Mobilizar 10 milhões $ até 2036
A COA tem como objetivo mobilizar cerca de 10 milhões de dólares de investimentos nos próximos dez anos, por meio da operacionalização do Blue Food Innovation Hub. Segundo Adzikah, esses recursos serão utilizados para apoiar empresas que operam na pesca e aquicultura, promover práticas de aquicultura sustentável e apoiar a transformação local para fortalecer a competitividade nos mercados regionais e internacionais.
"O Hub lançará, em primeira instância, um programa de aceleração para apoiar um conjunto de startups e PME, a fim de torná-las prontas para o investimento e capazes de escalar", diz o comunicado da COA. De forma mais ampla, essa nova iniciativa acompanha os esforços já realizados por Acra para desenvolver a aquicultura e as práticas de pesca sustentável.
Em outubro de 2025, por exemplo, a vice-presidente Jane Naana Opoku-Agyemang anunciou a intenção do governo de criar um fundo de desenvolvimento para melhorar o acesso ao financiamento na aquicultura, fortalecer as infraestruturas e acelerar a pesquisa e o transferência de tecnologia no setor em crescimento.
Anteriormente, em dezembro de 2025, o Ministério da Pesca e Aquicultura anunciou ter iniciado discussões com pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, como parte de uma estratégia para fortalecer a governança e a sustentabilidade do setor pesqueiro.
De acordo com dados compilados pela FAO, as capturas de peixe realizadas nas águas continentais e marítimas do país diminuíram 22,6%, caindo de 496.770 toneladas em 1999 para 384.370 toneladas em 2023. Por outro lado, a produção de aquicultura no Gana quase dobrou, passando de 52.360 toneladas em 2019 para 100.000 toneladas em 2023.
No total, a produção de peixe na ex-Costa do Ouro foi estimada em 484.412 toneladas em 2023, das quais 44% foram destinadas à exportação, enquanto o consumo aparente foi de cerca de 798.128 toneladas, segundo a FAO. As últimas estimativas oficiais do Ministério da Pesca e Aquicultura, feitas em 2026, apontam para um déficit anual de fornecimento de peixe fresco de quase 700.000 toneladas no país.
Stéphanas Assocle
No Sahel, as condições climáticas já dificultam o desenvolvimento da agricultura. A isso somam-se os ataques sazonais de pragas, como os gafanhotos migratórios, que representam um desafio adicional para os sistemas de produção agrícola na região.
No Senegal, a Direção de Proteção de Plantas (DPV) obteve, no dia 21 de fevereiro, uma verba de 100 milhões de francos CFA (179.646 USD) desbloqueada pela União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA). De acordo com informações divulgadas pela mídia local, este apoio financeiro faz parte do reforço do dispositivo nacional de combate ao gafanhoto migratório.
Está previsto que os recursos mobilizados permitam intensificar as operações de prospeção e monitorização dos gafanhotos migratórios em todo o território, adquirir pesticidas homologados em conformidade com as normas em vigor, reforçar as capacidades técnicas das equipas especializadas e garantir um desdobramento mais eficaz das unidades de intervenção no terreno.
Antes deste anúncio no Senegal, a UEMOA já tinha concedido, no dia 2 de fevereiro, um apoio idêntico de 100 milhões de CFA ao Mali para apoiar o Plano Nacional de Resposta contra os gafanhotos migratórios, com o mesmo objetivo. "Esta contribuição permitirá reforçar os nossos dispositivos de alerta precoce e garantir uma resposta rápida para proteger o trabalho dos nossos produtores", destacou, na altura, Siméon Kelema, ministro da Agricultura do Mali, em declarações divulgadas pela mídia local.
De forma geral, esses apoios financeiros refletem a vigilância da UEMOA face à ameaça acrídia, em particular no Sahel. Segundo a FAO, os gafanhotos migratórios são capazes de devorar, num único dia, uma quantidade de alimento equivalente ao consumo de 35.000 pessoas, o que os torna as pragas migratórias mais destrutivas do mundo.
Uma ameaça preocupante desde 2025
No seu último boletim informativo sobre a situação dos gafanhotos migratórios no mundo, publicado a 5 de fevereiro, a FAO estima que estes continuam a representar uma ameaça para os sistemas de produção em alguns países do Sahel.
"Em janeiro, o ressurgimento preocupante na Mauritânia e no Saara Ocidental dividiu-se em duas zonas. No sul, a zona infestada estendia-se desde o norte do Senegal até o sul da Mauritânia, com grupos de gafanhotos alados e pequenos enxames imaturos presentes, mas os seus números diminuíram na última década", sublinha o relatório.
Vale a pena notar que o ressurgimento dos focos no Sahel já era observado desde o final de 2025. No boletim informativo publicado um pouco antes, em dezembro do ano passado, a organização das Nações Unidas já mencionava o receio de uma reprodução dos insetos em outras regiões, incluindo o nordeste do Mali e o noroeste do Níger.
Embora a FAO se mostre otimista quanto à gestão dessas pragas em alguns países para o restante de 2026, recomenda que as operações de prospeção, monitorização e combate continuem a ser mantidas e até intensificadas à medida que a temporada de reprodução se reinicie, especialmente se as condições climáticas (chuvas localizadas e vegetação favorável) facilitarem um novo desenvolvimento das populações acrídidas.
Stéphanas Assocle
A SASA e a BEVSA travam uma dura batalha para influenciar a revisão do principal elemento do mecanismo de proteção da indústria açucareira sul-africana contra as importações, o DBRP. Cada organização apresentou petições à ITAC, que se comprometeu a avaliá-las. Eis o que é importante entender.
Como funciona o mecanismo?
O DBRP, ou preço de referência baseado no dólar, faz parte do modelo utilizado pelas autoridades sul-africanas para regular o comércio de açúcar com países fora da União Aduaneira da África Austral (SACU), que também inclui Botswana, Eswatini, Lesoto e Namíbia. A ideia geral é impor tarifas aduaneiras adicionais sobre o açúcar importado, assim que o valor das cargas fique abaixo do referido preço de referência, com o objetivo de proteger a indústria açucareira.
Este preço é calculado com base, entre outros, no preço médio do açúcar branco nos últimos 6 anos (contrato No.5 em Londres), ao qual se adiciona 40% para levar em conta os custos locais e os subsídios nos grandes países produtores, de forma a refletir um nível de preço considerado sustentável para a indústria açucareira sul-africana.
Desde julho de 2018, o DBRP em vigor está fixado em 680 USD por tonelada. Os direitos aduaneiros são acionados quando a média de 20 dias do preço London No.5 fica mais de 20 USD abaixo deste limite. Concretamente, quando o preço desce abaixo de 660 USD, é aplicada uma taxa de 1093,60 rands (64,2 USD) por tonelada importada.
Quais são as reivindicações das duas partes em disputa?
Neste contexto, quanto mais baixo for o DBRP, mais limitada será a margem para aplicar tarifas aduaneiras. Por outro lado, um DBRP elevado resulta em taxas significativas sobre as importações, o que protege a indústria local, mas aumenta os custos para os transformadores e consumidores. Este é o cerne do debate que tem ocorrido desde o início do ano no país.
A Associação Sul-Africana do Açúcar (SASA) pediu um aumento do DBRP atual para 905 USD/tonelada, citando a necessidade de proteger a indústria açucareira local e garantir sua sustentabilidade. "Os produtores sul-africanos de cana já estão a sofrer perdas financeiras devastadoras devido ao aumento das importações. Em 2025, este impacto já soma R733 milhões, com o açúcar importado a substituir o açúcar local no mercado. É crucial que o DBRP seja reavaliado face às realidades do mercado mundial de açúcar e continue a funcionar dentro de uma política comercial sul-africana justa. O DBRP atual não está devidamente alinhado com as realidades do mercado e permitiu uma onda recorde de importações de açúcar que substitui a produção local", defendeu a associação.
Por outro lado, a Associação das Bebidas Sul-Africanas (BEVSA) pediu uma redução do DBRP atual para uma faixa entre 552 e 650 USD por tonelada, citando o impacto negativo das taxas atuais sobre os produtores de bebidas, engarrafadores e consumidores. "Um DBRP mais baixo, como solicitado pela BEVSA à ITAC, poderia oferecer benefícios a curto prazo aos importadores de açúcar e aos membros da BEVSA, mas o impacto a longo prazo destruiria a cadeia de valor doméstica. Os preços mundiais do açúcar flutuam, e os preços baixos atuais não durarão para sempre. Destruir a indústria açucareira local para um ganho a curto prazo é irrefletido e só prejudicará a economia sul-africana a longo prazo", criticou severamente a SASA.
Quais são os desafios?
Numa nota publicada no final de janeiro, a Comissão de Administração do Comércio Internacional (ITAC) indicou que irá recolher comentários e dados adicionais de todos os agentes da cadeia de valor do açúcar, desde os produtores até os industriais utilizadores. A missão promete ser delicada.
A instituição já havia aumentado o DBRP várias vezes na última década, passando de 358 USD por tonelada em 2009 para 566 USD em 2014, e depois para o valor atual, acompanhando a tendência de aumento dos preços mundiais do açúcar. No entanto, o contexto do mercado mudou. Após uma queda de 6,4% em 2024, os preços do açúcar bruto caíram ainda mais, cerca de 17 a 22% em 2025, enquanto o açúcar branco perdeu mais de 15% após uma queda semelhante no ano anterior, e os contratos futuros em Nova Iorque e Londres tocaram, no início de fevereiro, o seu nível mais baixo em cinco anos.
Embora essa queda nos preços internacionais possa influenciar a decisão, a decisão da ITAC será ainda mais observada, já que o setor está implementando desde 2020 até 2030 o South African Sugar Value Chain Master Plan. Este plano de revitalização visa estabilizar o setor, preservar o emprego e preparar sua diversificação para subprodutos como o etanol, baseando-se principalmente numa proteção comercial estratégica da indústria açucareira local, embora o objetivo seja reduzir gradualmente a dependência das tarifas aduaneiras em favor de uma cadeia de valor mais competitiva e diversificada.
Espoir Olodo
O setor da pesca e da aquacultura representa mais de 15% do PIB da região da CEDEAO. A pesca ilegal tem sido um grande desafio para a gestão sustentável dos recursos pesqueiros na região durante vários anos.
A Nigéria comprometeu-se a liderar a fase piloto da implementação do primeiro registo regional dos navios de pesca autorizados no Golfo da Guiné, na África Ocidental. Isto foi o que resultou de uma reunião realizada no dia 19 de fevereiro em Abuja entre Adegboyega Oyetola, Ministro da Economia Marinha e Azul, e o Secretário-Geral do Comité de Pesca para o Golfo da Guiné Centro-Oeste (FCWC).
Trata-se de uma ferramenta projetada para reforçar a luta contra a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (INN). O projeto consiste concretamente em estabelecer uma base de dados harmonizada dos navios industriais autorizados a pescar nas águas dos seis Estados membros do FCWC, nomeadamente Benim, Costa do Marfim, Gana, Libéria, Nigéria e Togo.
"Isso representa um avanço importante para reforçar a transparência, a responsabilidade e a cooperação na governança das pescas nas nossas águas compartilhadas", declarou o Sr. Oyetola em declarações divulgadas pela mídia local Shipping Position.
Assim, a Nigéria deverá testar a viabilidade do sistema, identificar lacunas operacionais e gerar lições para orientar o seu desenvolvimento a nível regional. Até o momento, a data de lançamento dos trabalhos e o calendário de implementação do projeto na região ainda não são conhecidos.
A questão para os países costeiros da África Ocidental, ao adotar estratégias integradas que combinem regulação, monitorização e cooperação regional, é combater as pressões causadas pela sobrepesca e pela pesca INN sobre os recursos pesqueiros.
De acordo com um relatório publicado em março de 2023 pela rede internacional de jornalismo investigativo IJ–Reportika, a pesca ilegal na África Ocidental resultava numa perda estimada de 2,3 mil milhões de dólares por ano e na perda de cerca de 300.000 empregos em seis países da região.
Stéphanas Assocle
África Ocidental, verdadeiro epicentro da oferta mundial de caju, inicia suas campanhas de comercialização no início de cada novo ano. Após Gana e Costa do Marfim, é agora o Burkina Faso que dá início à sua nova temporada para o ano de 2026.
No Burkina Faso, o governo decidiu manter, para a campanha de 2026, o preço mínimo “bord champ” do quilograma de caju, fixado em 385 francos CFA (0,69 $) em 2025. O anúncio foi feito por Ismaël Sombié, ministro da Agricultura, durante uma cerimônia oficial realizada em Ouagadougou para lançar as campanhas de frutas no país, em 21 de fevereiro.
Este preço é inferior aos praticados na Costa do Marfim (0,79 $/kg) e em Gana (1,09 $/kg). Contrasta, porém, com a decisão desses dois países vizinhos, que reduziram os preços “bord champ” em 6% e 20%, respetivamente, devido às incertezas sobre a procura internacional em 2026.
Segundo Sombié, a manutenção do preço mínimo visa garantir o acesso à matéria-prima para as unidades locais de processamento, dando continuidade às medidas de relançamento do setor de transformação iniciadas em 2025.
Uma abordagem mais gradual para apoiar a transformação em 2026
Entre as outras medidas adotadas para a campanha de 2026, Ouagadougou decidiu dedicar um período exclusivo de compra às unidades nacionais de processamento, bem como à Société Nationale de Gestion du Stock de Sécurité Alimentaire (SONAGESS), de 21 de fevereiro a 1 de abril.
“Durante este período estratégico, as exportações são suspensas para assegurar o fornecimento prioritário ao mercado local e apoiar a indústria nacional”, lê-se num comunicado do Conselho Burkinabè das Cadeias Agropecuárias e Pesqueiras (CBF).
É importante notar que medida semelhante é adotada pela Costa do Marfim, maior produtora e processadora de caju em África, com o objetivo de priorizar o abastecimento das indústrias locais antes de abrir o mercado aos exportadores.
Em março de 2025, Ouagadougou havia suspendido as exportações de castanhas de caju cruas para garantir o abastecimento das fábricas locais, levantando a proibição em maio ao afirmar que as unidades industriais já estavam devidamente abastecidas.
Estimativas preliminares do serviço independente de consultoria comercial N’kalô, publicadas num boletim sobre o mercado africano de caju em 3 de fevereiro, sugerem que a transformação de caju no Burkina Faso caiu 33%, situando-se em 10.000 toneladas em 2025.
Resta saber se a introdução de um período de compra exclusivo para as indústrias conseguirá dar nova dinâmica ao setor. Por outro lado, as metas de colheita e transformação de caju no Burkina Faso ainda não foram divulgadas.
Dados compilados pela FAO mostram que o país dos Homens Íntegros produziu, em média, cerca de 115.014 toneladas de caju por ano entre 2020 e 2024, com um pico de 147.616 toneladas registado em 2024.
Stéphanas Assocle
Em África, a Argélia representa o principal mercado para produtos lácteos. O país, que pretende reduzir a dependência das importações, incentiva investimentos em novas infraestruturas de processamento.
A Argélia dá mais um passo rumo à autossuficiência em produtos lácteos. No dia 19 de fevereiro, o Ministério da Agricultura inaugurou oficialmente uma unidade de produção de laticínios na zona industrial de Rouiba. Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, esta unidade, implantada num terreno de 4 hectares, é obra do Groupe Industriel Public des Productions Laitières (Giplait).
Embora o custo do investimento não tenha sido divulgado, sabe-se que a instalação possui uma capacidade de produção de 1.200 toneladas de leite por dia, o que a torna, segundo as autoridades, a maior fábrica de laticínios em funcionamento no país.
“A laticínios de Rouiba está equipada com instalações modernas que garantem os mais altos níveis de competência e qualidade […] este projeto constitui uma etapa estratégica para o desenvolvimento do setor do leite, a realização da autossuficiência, a eliminação da escassez e a contribuição para a estabilidade do mercado nacional de produtos de primeira necessidade”, declarou Samah Lahlouh, CEO da Giplait.
Para além dos projetos industriais desenvolvidos por atores locais, o governo também atrai investimentos estrangeiros para reforçar a capacidade de produção da indústria nacional. Em janeiro, por exemplo, a Giplait iniciou negociações com o grupo russo EkoNiva, visando a criação de fazendas piloto especializadas na produção de leite cru.
Paralelamente, o grupo catariano Baladna planeia iniciar em 2026 a construção de um mega complexo agroindustrial de 3,5 mil milhões de dólares, com capacidade para produzir 200.000 toneladas de leite em pó por ano no país. Este projeto, previsto para entrar em funcionamento a partir de 2027, já é anunciado como a maior fábrica integrada de laticínios do mundo.
Dados compilados pela FAO mostram que a Argélia importou, em média, 431.270 toneladas de produtos lácteos (leite em pó, queijo, manteiga, etc.) por ano entre 2020 e 2024, com um pico de 452.812 toneladas registado em 2022. No mesmo período, a fatura média anual destes produtos atingiu 1,61 mil milhões de dólares, com um pico de 2 mil milhões de dólares em 2022.
Stéphanas Assocle
Carrefour, um dos líderes da grande distribuição na Europa, ambiciona expandir-se em África
Ser um dos grandes pesos da distribuição em França já não basta ao Carrefour. O gigante francês pretende também tornar-se líder do setor no continente africano nos próximos quatro anos. Este é um dos muitos objetivos da empresa, que revelou, na quarta-feira, 18 de fevereiro, o seu plano estratégico “Carrefour 2030”, destinado a acelerar o crescimento e melhorar a rentabilidade.
Mais concretamente, a empresa visa uma presença total em 22 países africanos, dos 45 que integra no seu plano de expansão internacional.
Uma ofensiva já em curso
O grupo francês, presente em África há mais de duas décadas através de acordos de franquia, não pretende mudar a sua receita. Embora não tenha divulgado mais detalhes, nos últimos três meses marcou posição ao associar-se a novos parceiros com forte presença local ou regional, para expandir as suas atividades.
Em janeiro, anunciou na Etiópia um acordo de franquia e fornecimento com a Queens Supermarket PLC, subsidiária do grupo privado local Midroc Investment Group. Este acordo prevê a conversão de 13 supermercados existentes para a marca Carrefour em 2026 e, até 2028, a abertura de 17 novas lojas. Em dezembro de 2025, o Carrefour associou-se à Brands For All no Gana para implementar lojas, know-how e produtos sob a sua marca. Este acordo permitirá assumir e rebrandizar 7 lojas do distribuidor sul-africano Shoprite até abril do próximo ano.
Estes novos parceiros juntam-se a colaboradores de longa data, como o conglomerado de Dubai Majid Al Futtaim (MAF), que gere lojas no Egito, Quénia, Uganda, Médio e Próximo Oriente, e a CFAO Retail, que opera em África francófona (República Democrática do Congo, Gabão, Camarões e Senegal).
Além disso, o grupo conta com parceiros franchisados na Tunísia (Ulysse Hyper Distribution), Argélia (Hyper Distribution Algérie) e Marrocos (Label’Vie). No total, o Carrefour possui cerca de 700 lojas em África.
Um rival sério para o Shoprite?
Enquanto o plano de expansão africano do Carrefour se desenrola, a empresa terá de enfrentar um concorrente já bem estabelecido: o sul-africano Shoprite. Líder incontestável da grande distribuição alimentar no continente, o grupo operava 3.478 lojas em 2025 (incluindo África do Sul) e registou vendas superiores a 250 mil milhões de rands (cerca de 15,6 mil milhões de dólares).
No entanto, as estratégias dos dois grupos diferem claramente. O Shoprite apostou durante muito tempo na expansão direta, antes de reduzir a presença em vários países onde o retorno sobre o investimento se mostrou insuficiente: saída da Nigéria, Quénia, Uganda, RDC, Madagascar, e venda das operações no Gana e Malawi para se concentrar no mercado doméstico e em alguns países da África Austral considerados mais estáveis.
O grupo opta por uma estratégia de consolidação em vez de expansão indiscriminada. O Carrefour, por seu lado, adota um modelo de menor capital próprio, apoiado em parceiros regionais, procurando ocupar os espaços deixados pelo gigante sul-africano, especialmente no Gana.
Espoir Olodo
Na Costa do Marfim, o setor agrícola representa cerca de 15% do PIB e emprega aproximadamente 46% da população ativa. No âmbito da sua política de soberania alimentar, o governo apoia ativamente o desenvolvimento da produção agrícola no país.
No dia 17 de fevereiro, a Agência Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Rural (ANADER) anunciou a adoção do seu novo plano estratégico de desenvolvimento para o período 2026-2030. Este plano, com um custo total estimado em 167,42 bilhões de francos CFA (aproximadamente 300 milhões de dólares), tem como objetivo reforçar a produtividade agrícola e promover a resiliência das populações rurais.
Eixos estratégicos do plano
De acordo com a Agência Ivoirienne de Imprensa (AIP), este plano estratégico assenta em cinco eixos principais, nomeadamente:
Reforçar a competitividade agrícola,
Intensificar e personalizar o aconselhamento aos produtores,
Facilitar o acesso a insumos e à mecanização,
Desenvolver um quadro rural integrado, com a estruturação das organizações profissionais, a sensibilização para a saúde comunitária e a nutrição,
Apoiar as autoridades locais na sua planificação e desenvolvimento territorial.
Objetivos de rendimento e modernização
O plano tem como alvo principal culturas alimentares estratégicas, como o arroz, o milho, a mandioca, os cultivos hortícolas, assim como a pecuária de bovinos, ovinos e suínos. O objetivo é aumentar os rendimentos e as superfícies cultivadas, enquanto se modernizam as práticas agrícolas e pecuárias. A ANADER prevê, por exemplo, aumentar o rendimento da mandioca de 22 para 45 toneladas por hectare e o rendimento do arroz de 4 para 8 toneladas por hectare.
Para alcançar esses objetivos, a ANADER irá colocar ênfase na modernização das práticas agrícolas, adotando soluções como a digitalização das operações no terreno, o uso de drones, a mecanização das explorações agrícolas e um reforço do ancoramento territorial com as suas 60 zonas de intervenção e 1.100 centros rurais por todo o país.
Dependência das importações alimentares
Apesar desses esforços em favor da soberania alimentar, a Costa do Marfim continua a ser fortemente dependente das importações de produtos alimentares. De acordo com um relatório publicado pela CNUCED em julho de 2025, a Costa do Marfim importou cerca de 2,89 bilhões de dólares de produtos agrícolas e alimentares entre 2021 e 2023. Entre as principais importações, encontram-se o arroz, as carnes e miudezas comestíveis, que são precisamente os setores visados pelo novo plano da ANADER.
Um país em busca de segurança alimentar
Apesar do seu potencial agrícola, a Costa do Marfim está classificada como o segundo país da África Ocidental com as maiores despesas em importações alimentares, depois da Nigéria. O governo, através da ANADER, procura reduzir esta dependência e aumentar a produção local para melhorar a segurança alimentar do país.
Stéphanas Assocle
No Burkina Faso, o setor pecuário contribui com 12% para o PIB e ocupa cerca de 72% da população. A avicultura é um componente importante deste setor, concentrando sozinha quase metade do rebanho.
No Burkina Faso, a Câmara de Comércio e Indústria do Burkina Faso (CCI-BF) realizou, no dia 17 de fevereiro, a inauguração oficial de uma granja avícola localizada em Tolotama, no município de Bobo-Dioulasso. Segundo as informações divulgadas pela mídia local Ouest Info, esta nova instalação, cujo custo de construção é estimado em 700 milhões de francos CFA (aproximadamente 1,2 milhão de dólares), é obra da empresa Pharmapath Burkina.
Nomeada "Poulet et l'Œuf" (Frango e Ovo), esta granja, que ocupa uma área de 2 hectares, será dedicada à produção de pintos e ovos férteis de qualidade, destinados ao abastecimento dos criadores de aves. De acordo com Alidou Ouédraogo, coordenador da Pharmapath Burkina, está prevista a produção de um milhão de ovos férteis já em 2026, com o objetivo de duplicar esse estoque em 2027.
“A nossa visão, através deste projeto, é permitir que o consumo de frango não seja um luxo reservado para ocasiões especiais ou para os mais abastados, mas que cada burquinês possa consumir ao menos um pedaço de frango por dia”, explicou o responsável.
Um ambiente favorável para o surgimento de campeões locais
O lançamento desta granja ocorre em um contexto favorável, que melhora a competitividade dos produtores locais de pintos. O governo burquinês suspendeu, em 3 de outubro de 2025, a importação de pintos de corte. Esta medida visa estimular a produção interna, proteger a cadeia avícola e reforçar a soberania alimentar. Ela cria um ambiente onde iniciativas privadas, como a Pharmapath Burkina, podem se desenvolver em um contexto de crescente demanda de consumo com o aumento da população.
Os dados compilados na plataforma Trade Map indicam, por exemplo, que o Burkina Faso importou anualmente, entre 2020 e 2024, pinto de corte no valor médio de 736.000 dólares, com um pico de 1,06 milhão de dólares em 2024. De acordo com os fluxos de importação, o Marrocos, a Bélgica, a França e a Turquia estavam entre os principais fornecedores estrangeiros para o país em 2024.
Para recordar, a produção de pintos de um dia é fundamental para sustentar a criação de frangos de corte, destinados à produção de carne. No Burkina Faso, o rebanho contava com cerca de 71 milhões de cabeças de animais em 2023, dos quais 49,5% eram aves, segundo os dados compilados pelo Instituto Nacional de Estatística e Demografia (INSD).
Stéphanas Assocle
Uganda: a indústria aquícola é a mais desenvolvida na África Oriental e o governo aposta em novas oportunidades comerciais para atrair mais investimentos e melhorar o desempenho do setor.
O Uganda pode agora exportar peixe proveniente da aquicultura para a União Europeia a partir de 18 de fevereiro de 2026. O anúncio foi feito a 28 de janeiro, no Regulamento de Execução da Comissão Europeia, que atualiza a lista de países não membros autorizados a enviar certos produtos de origem animal para o mercado europeu.
De acordo com as autoridades, o Uganda poderá exportar inicialmente até 4.000 toneladas por ano de peixe, um volume que poderá ser reavaliado nos próximos anos à medida que os sistemas de inspeção e regulação forem reforçados. Vale destacar que as principais espécies de peixe cultivadas em aquicultura no país são o tilápia e o peixe-gato.
Em declarações sobre o assunto, divulgadas pelo meio local Daily Monitor a 18 de fevereiro, Joseph Bwanika, comissário de Aquicultura e Regulação das Pescas do Ministério da Agricultura, afirmou que o governo iniciou um levantamento dos produtores para avaliar os volumes disponíveis e preparar as primeiras expedições previstas para o final de 2026.
Este acesso ao mercado europeu deve melhorar a contribuição da piscicultura nas receitas de exportação de produtos pesqueiros. Segundo dados compilados na plataforma Trade Map, a UE comprou, por exemplo, cerca de 68.097 toneladas de peixe, com um valor estimado de 521,8 milhões de dólares no mercado internacional em 2024.
Por outro lado, a perspectiva de aceder a um novo mercado pode estimular investimentos no setor aquícola em expansão. As autoridades estimam que o acesso à UE pode gerar um aumento de 40 a 60% nas receitas de exportação relacionadas com a aquicultura e atrair novos investimentos na transformação e nas infraestruturas da cadeia de frio. "O acesso aos mercados premium europeus incentivará uma produção de qualidade e fortalecerá toda a cadeia de valor aquícola", afirmou Bwanika.
De acordo com dados da FAO, a produção aquícola no Uganda foi de 130.000 toneladas em 2023.
Stephanas assocle
Ghana e Costa do Marfim representam cerca de 60% da produção mundial de cacau
A Costa do Marfim e o Gana são responsáveis por cerca de 60% da produção mundial de cacau. Cada um desses países enfrenta desafios no segmento de comercialização das sementes de cacau.
Na Costa do Marfim, as autoridades podem seguir o exemplo do Gana e reduzir o preço do cacau à beira do campo. Segundo a Reuters, em 18 de fevereiro, fontes próximas ao assunto, que pediram anonimato, informaram que um comitê interministerial se reuniu para discutir a questão e uma decisão deve ser tomada em breve.
Se essa medida for confirmada, ela marcará o fim do impasse entre o Conselho Café-Cacau (CCC) e os negociantes, que têm solicitado a redução dos preços de compra, atualmente fixados em 2.800 Fcfa/kg (cerca de 5.000 dólares por tonelada), devido à queda de cerca de 70% nos preços internacionais desde o pico de final de 2024.
Redução de preços no Gana e a espera pela Costa do Marfim
O Gana anunciou, uma semana antes, uma redução de 28,6% nos preços de compra, fixando-os em 41.392 cedis (3.764 dólares por tonelada) para o restante da temporada 2025/2026. Na Costa do Marfim, nenhum detalhe sobre a amplitude de uma possível redução foi revelado.
Porém, os observadores acreditam que uma possível redução no preço na Costa do Marfim deve ser semelhante, ou pelo menos próxima, à do Gana, para evitar que o cacau marfinense seja desviado para o ex-Ghana (atualmente Gana). Em relação ao momento da redução, alguns analistas acreditam que a diminuição poderia ser implementada durante a campanha intermediária, que começará em abril e terminará em setembro.
Costa do Marfim-Gana: uma aliança à prova de fogo?
Enquanto aguardam mais detalhes do governo marfinense ou do regulador da cadeia de cacau, os analistas concordam que a crise atual testará a força da cooperação entre os dois países produtores de cacau.
Desde 2017, os dois gigantes da indústria do cacau, que juntos representam 60% da oferta mundial, aproximaram-se para enfrentar a crise de preços e ter maior influência no mercado, além de obter uma fatia melhor da cadeia de valor global do cacau.
Essa aliança lutou e obteve, em 2020/2021, a implementação de um diferencial de receita de 400 dólares por tonelada comprada pelos traders mundiais, com o objetivo de melhorar as condições de vida dos produtores.
Com a nova queda nos preços, os olhares estão voltados novamente para esses dois países, cujos sistemas de comercialização são diferentes (totalmente liberalizado na Costa do Marfim e parcialmente aberto aos privados no Gana).
A coordenação eficaz no nível dos preços será determinante nos próximos meses. De acordo com Alex Assanvo, secretário-executivo da Iniciativa Cacau Costa do Marfim-Gana (ICCIG), os dois países podem discutir essas questões em uma reunião futura.
“A organização continua mobilizada para coordenar as políticas nos dois países”, disse ele à Reuters, acrescentando que todos os atores do setor serão reunidos para examinar a evolução do mercado e propor melhorias nos mecanismos de estabilização dos preços.
Espoir Olodo
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