O Quênia, primeiro produtor africano de chá e terceiro maior exportador global, está direcionando esforços para aumentar sua participação no mercado marroquino.
O Tea Board of Kenya (TBK) organizou uma reunião entre a TMAN Distribution Company, empresa marroquina especializada em consultoria e distribuição, e a Evergreen Tea Factory, produtora queniana de chá membro da East African Tea Trade Association (EATTA).
O Quênia é o mais importante produtor africano de chá e o terceiro maior exportador mundial, atrás da China e Sri Lanka, com o setor apresentando-se como principal fonte de receitas de exportação do país, sempre à procura de novas oportunidades comerciais.
No Quênia, o setor do chá busca ampliar sua presença no mercado marroquino. Nesse contexto, o Conselho do Chá (TBK) organizou, na sexta-feira, 7 de novembro passado, um encontro entre a TMAN Distribution Company, companhia de consultoria e distribuição do Marrocos, e a Evergreen Tea Factory, produtora de chá do Quênia membro da East African Tea Trade Association (EATTA).
Em comunicado publicado em seu site, o TBK anuncia que a iniciativa tem como objetivo explorar meios de aumentar as exportações de chá queniano para o mercado marroquino. Segundo informações divulgadas pelo veículo local The Standard, os dois países concordaram em assinar um protocolo de entendimento (MoU), buscando reforçar a cooperação comercial e promover um acesso mutuamente benéfico ao mercado.
O desafio ganha relevância, pois o Marrocos representa o segundo maior mercado de chá na África, após o Egito. Dados compilados na plataforma TradeMap mostram que o reino marroquino importou 77.800 toneladas de chá, no valor de quase 244,7 milhões de dólares em 2024, sendo que cerca de 98% da demanda foi atendida pela China.
Para o setor queniano, que espera fortalecer sua posição neste mercado, o desafio será também adaptar-se à demanda dos consumidores marroquinos. De acordo com o TradeMap em 2024, quase todos os chás comprados pelo Marrocos eram verdes, enquanto as exportações quenianas são amplamente dominadas pelo chá preto CTC (Cut-Tear-Curl) ou "Cortar Rasgar Enrolar", que representa 99% dos volumes produzidos e exportados.
Por outro lado, o fortalecimento no mercado marroquino também visa ampliar a contribuição do chá para as receitas de exportação do país. Conforme TBK, o país do leste africano colocou 594.500 toneladas de chá no mercado internacional em 2024, gerando 181,69 bilhões de shillings (1,4 bilhão de dólares) em receitas.
Stéphanas Assocle
O preço mínimo do quilograma de gergelim no Burkina Faso foi fixado em 535 francos CFA para a safra comercial de 2025/2026, marcando uma queda de 14,4% em comparação com a safra anterior.
A redução foi motivada por aspectos como a saturação do mercado global de gergelim em 2025 e a fraca demanda chinesa, principal motor do comércio mundial de gergelim.
Burkina Faso é o quarto maior produtor africano de gergelim, atrás do Sudão, Nigéria e Tanzânia. No país, a semente oleaginosa também é um dos principais produtos agrícolas de exportação, juntamente com o algodão e a castanha de caju.
No Burkina Faso, o quilograma de gergelim será negociado por um preço mínimo de 535 francos CFA na safra comercial 2025/2026, que foi oficialmente inaugurada no sábado, 8 de novembro. O anúncio foi feito em um comunicado publicado no site do Conselho de Burkina para os setores agropastoril e pesqueiro.
Este preço anunciado representa uma queda de 14,4% em relação ao da safra anterior (635 francos CFA). "Esse preço, decidido após uma análise das tendências de mercado, visa proteger os produtores contra as flutuações do mercado e garantir uma renda mínima", destacou o comunicado ao explicar esta revisão para baixo do preço mínimo.
Em junho passado, a empresa europeia Commodity Board Europe GmbH, especializada em análises de mercados de commodities agrícolas, destacou uma saturação do mercado mundial de gergelim em 2025. Essa saturação se deu devido a um excesso de oferta relacionado ao crescimento da produção em vários países africanos, o que manteve os preços em queda no mercado internacional.
Em seu último relatório sobre o mercado de oleaginosas lançado em 31 de outubro de 2025, o serviço independente de consultoria de negócios N'kalo ressaltou que a demanda chinesa, que é o principal motor do comércio mundial de gergelim, está atualmente fraca, e isso está pressionado fortemente os preços internacionais.
"Sem sinais de recuperação em breve da demanda no mercado chinês, a tendência de queda nos preços no mercado internacional deve persistir nas próximas semanas. Algumas cotações para o gergelim branco da África Ocidental já estão abaixo de US$ 1.000/tonelada FOB, uma queda de US$ 300/tonelada (170 FCFA/kg) em relação ao mesmo período do ano passado", diz o relatório.
Quanto às perspectivas de colheita, as autoridades são otimistas. "A safra 2025-2026 apresenta perspectivas promissoras para os produtores e todos os atores da cadeia de valor", aponta o comunicado.
Embora nenhuma estimativa tenha sido feita ainda, vale ressaltar que o setor de Burkina está em ascensão há alguns anos. Dados compilados pela Agência de Promoção de Exportações (APEX) mostram que a colheita de gergelim subiu 32,56%, passando de 186.449 toneladas em 2021 para 247.157 toneladas em 2023.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INS), o país exportou quase 50.000 toneladas de sementes de gergelim em 2024, gerando 43,1 bilhões de francos CFA (76 milhões de dólares).
Stephanas Assocle
Egito aprova a criação da empresa Feerum Egypt em parceria com a polonesa Feerum, para localizar a produção de silos para armazenamento de grãos no país.
Governo egípcio tem planos de disponibilizar 34 bilhões de libras (718 milhões de dólares) para financiar a construção de novos silos de grãos até 2030.
O Egito é o principal mercado para cereais na África, sendo o primeiro produtor e importador deste tipo de mercadoria no continente. O governo deseja fortalecer sua capacidade de armazenamento, estabelecendo uma indústria local para a produção de infraestrutura.
No Egito, o governo aprovou na quinta-feira, 6 de novembro, a criação da empresa Feerum Egypt, com o objetivo de localizar a produção de silos para o armazenamento de grãos no país. O anúncio foi feito em um comunicado publicado no site do Ministério do Abastecimento e Comércio Exterior.
Trata-se de uma empresa de ações, fundada em uma parceria entre a empresa egípcia Samcrete e a indústria polonesa Feerum, especializada no design, fabricação e instalação de silos de grãos e sistemas de secagem para produtos agrícolas.
Segundo Sherif Farouk (foto), ministro do Abastecimento, este projeto está em conformidade com os planos de desenvolvimento do sistema de armazenamento estratégico do Estado. De fato, o Feerum Egypt se compromete a produzir localmente 80% dos componentes necessários para a fabricação de silos de grãos em três anos, no âmbito de um contrato de preço fixo em moeda nacional. A empresa deverá fornecer equipamentos que cobrem uma capacidade total de armazenamento de 1,4 milhões de toneladas durante o período e exportará o excedente para os mercados regionais e mundiais.
Vale lembrar que, em novembro de 2024, o governo egípcio anunciou sua intenção de liberar 34 bilhões de libras (718 milhões de dólares) para financiar a construção de novos silos de grãos até 2030. A ambição era então aumentar a capacidade de armazenamento de grãos do país para 2,6 milhões de toneladas.
Possuindo uma fábrica local, o governo pode reduzir os custos de importação de componentes de silos e também acelerar o fortalecimento de suas infraestrutruras de armazenamento de cereais para reduzir perdas pós-colheita. "A localização da fabricação de silos não é apenas um projeto industrial, mas um projeto nacional de segurança alimentar. Ele traduz a visão da direção política de tornar o Egito um centro regional de armazenamento de cereais, fortalecendo nossa capacidade de atingir a autossuficiência para certos produtos estratégicos e garantir a estabilidade dos mercados a longo prazo", declarou o Sr. Farouk.
De acordo com dados da FAO, o Egito produziu uma média anual de 21,7 milhões de toneladas de cereais entre 2021 e 2023 e importou uma média de 20,3 milhões de toneladas no mesmo período.
Stephanas Assocle
Orçamento para o setor agrícola da Argélia em 2026 aumenta em 4%, alcançando US$ 5,84 bilhões
O aumento vem na esteira da Conferência Nacional sobre a Modernização da Agricultura, onde a necessidade de uma transformação agrícola baseada em tecnologia e inovação foi destacada
Em Argélia, a agricultura contribui com 13% do PIB e emprega cerca de 9% da população ativa. O governo, querendo aumentar o nível de produção local para reduzir a dependência de importações, está reforçando seu apoio ao setor.
Na Argélia, o governo autorizou compromissos de gastos públicos totalizando 764,2 bilhões de dinares (US$ 5,84 bilhões) para o setor agrícola como parte do projeto de Lei do Orçamento (PLF) 2026. O anúncio foi feito por Yacine El-Mahdi Oualid, Ministro da Agricultura, na segunda-feira, 3 de novembro, durante uma audiência perante a Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia Popular Nacional (APN).
No geral, o orçamento anunciado é 4% maior em comparação ao montante alocado no PLF 2025 (US$ 5,5 bilhões). De acordo com os detalhes divulgados pela Argélia Press Service (APS), esse orçamento previsto será destinado em 90,25% aos programas dedicados à agricultura e ao desenvolvimento rural, 6% aos programas florestais, 3% à administração geral, enquanto o restante será destinado à pesca e à aquicultura.
Vale destacar que a decisão de aumentar o orçamento agrícola veio poucos dias após a Conferência Nacional sobre a Modernização da Agricultura, realizada em 27 e 28 de outubro de 2025, onde o governo reafirmou seu compromisso de enfrentar os desafios persistentes no setor. Segundo informações divulgadas pela mídia local, a conferência destacou a necessidade de uma transformação agrícola baseada em tecnologia e inovação, como resposta a indicadores de desempenho preocupantes em várias áreas.
Os dados mencionados pelo Ministério da Agricultura mostram, por exemplo, que a renda anual média de grãos é de 1,8 tonelada por hectare, o que é duas vezes menor que a média mundial (3,9 toneladas). Além disso, há outros desafios, como a fraqueza das cadeias de refrigeração e armazenamento, identificadas como a principal causa das perdas pós-colheita, que afetam entre 20 e 30% da produção agrícola cada ano, e a taxa de uso de técnicas de irrigação modernas, que não excedem 15% da área irrigada, enquanto o país enfrenta uma diminuição dos recursos hídricos devido a uma seca estrutural agravada pela mudança climática.
Todos esses fatores limitam a exploração do potencial agrícola e perpetuam uma forte dependência de importações agrícolas e alimentares. Vale lembrar que a Argélia é o segundo maior gastador em importações de alimentos na África após o Egito.
No país do Norte da África, a conta de importações de alimentos em 2024 aumentou 10,66% para chegar a US$ 10,97 bilhões, segundo dados compilados pelo Banco Central do país. De acordo com a instituição financeira, os motores desse crescimento foram carne, vegetais, e grãos (trigo e cevada).
Stéphanas Assocle
Grupo franco-marroquino Azura anuncia investimento de 200 milhões de dirhams ($21,4 milhões) em Dakhla.
Iniciativa busca impulsionar atividades na região e criar novos empregos.
No Marrocos, a horticultura é um dos principais contribuintes para o PIB agrícola. Neste setor, os investimentos privados são o motor do desenvolvimento da produção e das exportações.
No dia 1º de novembro, o grupo franco-marroquino Azura anunciou um investimento de 200 milhões de dirhams ($21,4 milhões) em Dakhla. Essa iniciativa ocorre após uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que estabelece o plano de autonomia do governo marroquino como base para futuras negociações sobre o Saara Ocidental.
Com esse compromisso financeiro, a empresa fundada em 1988 pretende impulsionar suas atividades na região e criar novos empregos nas províncias do sul, segundo detalhes divulgados pelo jornal local LeDesk.
Com clientes do varejo, principalmente na França, a empresa é uma das líderes mundiais na produção de tomates-cereja, com mais de 1.200 hectares, dos quais 436 hectares estão em Dakhla.
Na segunda cidade mais populosa do Saara Ocidental após Laâyoune, a gigante também possui uma estação aquicultura de 200 hectares dedicada à produção de amêijoas europeias, que inclui um viveiro e 15 parques de engorda.
Mais amplamente, deve-se destacar que o investimento anunciado também ocorre em um contexto onde a nova parceria comercial sobre pesca e agricultura entre Marrocos e a UE prevê a extensão do tratamento preferencial em termos de tarifas alfandegárias ao Saara Ocidental e inclui novas disposições sobre a rotulagem de produtos hortícolas provenientes deste território.
Azura relata um investimento total acumulado de 1,5 bilhão de dirhams ($161 milhões) no Saara Ocidental e mais de 7.000 empregos diretos em Dakhla. A empresa exportou 188.000 toneladas de tomates-cereja e gerou um faturamento consolidado de 5,5 bilhões de dirhams ($590 milhões) em 2024.
Espoir Olodo
A fabricante grega de soluções de refrigeração comercial, Frigoglass, almeja produzir até 100.000 unidades de refrigeradores de bebidas por ano no Egito;
Se atingir esse objetivo, a empresa será capaz de abocanhar cerca de 30% de participação de mercado na categoria do país africano.
O Egito, mais populoso país da África do Norte, também se estabelece como o principal mercado de bebidas gasosas na região. O aumento da demanda por essa categoria de produtos é um fator impulsionador para o desenvolvimento de setores correlatos, como a cadeia de refrigeração.
Frigoglass, fabricante grega de soluções para refrigeração comercial, pretende elevar sua produção de refrigeradores de bebidas no Egito para 100.000 unidades por ano. Foi o que informou Serge Joris, diretor-geral da empresa, em entrevista à Bloomberg no dia 3 de novembro.
Segundo o executivo, se esse objetivo for alcançado, a empresa conseguirá conquistar cerca de 30% de participação do mercado de refrigeradores de bebidas no país africano. Em junho passado, a empresa iniciou uma linha de produção no Cairo em parceria com o fabricante egípcio de eletrodomésticos Fresh SAE. Desde o início de 2025, a Frigoglass já entregou quase 10.000 refrigeradores no mercado egípcio.
A decisão do grupo de acelerar sua produção também sinaliza o desejo de capitalizar a expansão do mercado de bebidas no país. "O Egito é um novo mercado para a Frigoglass e representa um passo estratégico para nossa expansão no Oriente Médio e Norte da África", explica Joris.
Na verdade, a Frigoglass abastece muitas multinacionais ativas no país, como Coca-Cola HBC e Heineken NV, com refrigeradores para suas cadeias de distribuição. Projeções realizadas pela Statista sugerem que o tamanho do mercado de bebidas gasosas do Egito atingirá 12,7 bilhões de dólares até o final de 2025, e deverá crescer em média 17,44% ao ano até 2030, impulsionado pelas vendas domésticas.
Além disso, a Frigoglass pode aproveitar outras oportunidades no mercado de cadeia fria. Segundo a empresa americana BCC Research LLC, especializada em estudos de mercado setoriais, o tamanho do mercado da cadeia fria no Oriente Médio e Norte da África deve crescer em média 8,8% ao ano, atingindo 41,1 bilhões de dólares no período 2025-2030.
Stéphanas Assocle
Depois de permanecerem relativamente estáveis na maior parte de 2024, os preços globais de fertilizantes devem subir este ano. As causas principais dessa tendência incluem uma demanda forte e uma perturbação prolongada no comércio internacional.
O índice de preços de fertilizantes globais deve fechar o ano de 2025 com um aumento de 21% ante 2024, conforme estimado pelo Banco Mundial na última edição de seu relatório "Commodity Markets Outlook", publicado em 29 de outubro. Segundo a instituição, os preços têm aumentado quase todos os meses desde o início do ano, registrando no terceiro trimestre um nível 30% superior ao do mesmo período do ano anterior.
Em setembro, o preço médio da ureia (fertilizante nitrogenado) subiu 36,6% ano a ano, para US$ 461 por tonelada, enquanto os preços do DAP, o fertilizante fosfatado mais comum, saltaram 41%, para US$ 554,8 por tonelada. Enquanto isso, o preço por tonelada de cloreto de potássio (MOP) subiu 23%, para US$ 286,9 por tonelada.
Esse movimento foi motivado por uma forte demanda global contra um fundo de oferta limitada no mercado. Por um lado, a China manteve as restrições às exportações de fertilizantes nitrogenados para garantir seu fornecimento interno, e reduziu as vendas de fosfatos para favorecer a produção de baterias de fosfato de ferro e lítio usadas em veículos elétricos. Por outro lado, a Bielo-Rússia, grande fornecedora de potássio, permanece sob sanções da União Europeia, enquanto a Rússia está sujeita a novas tarifas aduaneiras europeias sobre fertilizantes.
De acordo com o Banco Mundial, os preços do DAP devem subir 26% em 2025, antes de cair 8% em 2026. Enquanto isso, os preços do MOP devem subir 19% este ano, e os preços da ureia devem subir 30% antes de cair 7% em 2026 e 9% em 2027. "O aumento dos preços dos fertilizantes provavelmente vai corroer ainda mais as margens de lucro dos agricultores e gera preocupações sobre futuros rendimentos agrícolas", indicou a instituição.
Esperança Olodo
A Etiópia lança o "e-Phyto", uma plataforma online para automatizar a emissão de certificados fitossanitários, com o objetivo de tornar o comércio agrícola mais fluido, transparente e em conformidade com padrões internacionais.
Os principais beneficiários serão os atores dos setores hortícolas, que são mais afetados pelas exigências de certificados fitossanitários para a exportação, devido à sua alta sensibilidade a organismos prejudiciais e às estritas exigências dos países importadores.
Na Etiópia, o setor agrícola contribui com 34% do PIB e emprega cerca de 62% da população ativa. O governo, querendo aumentar a contribuição da agricultura para a economia nacional, introduziu uma nova solução digital para facilitar o comércio.
A Etiópia deu mais um passo na modernização de seu sistema de comercialização de produtos agrícolas. Na quinta-feira, 30 de outubro, a Autoridade Agrícola Etíope (EAA) lançou o Sistema Fitossanitário Eletrônico (e-Phyto), uma plataforma online projetada para automatizar a emissão de certificados fitossanitários para produtos vegetais.
De acordo com informações divulgadas pela Agência de Imprensa Etíope (ENA), a iniciativa apresentada na segunda conferência regional fitossanitária realizada em Addis Abeba nos dias 30 e 31 de outubro, visa tornar o comércio agrícola mais fluido, transparente e de acordo com padrões internacionais.
Até agora, a emissão de certificados fitossanitários, indispensáveis para certificar a conformidade sanitária dos produtos vegetais exportados, era feita manualmente, levando a atrasos na liberação alfandegária, custos adicionais para os exportadores e um risco aumentado de falsificação e corrupção, de acordo com as autoridades.
Segundo Deriba Kuma, diretor geral da EAA, a digitalização do processo por exemplo, permitirá reduzir o tempo de processamento dos certificados, de dois a três dias para apenas algumas horas. "Este sistema também permitirá reduzir custos relacionados à perda de certificados, falsificação, corrupção e a necessidade de deslocamentos físicos", acrescentou o responsável.
Esta inovação beneficiará principalmente atores dos setores hortícolas, que são mais afetados pelos requisitos de certificados fitossanitários para exportação, devido à sua alta sensibilidade a organismos prejudiciais e às rigorosas exigências dos países importadores.
Na Etiópia, as remessas de flores cortadas geraram quase $470 milhões em receita em 2023/2024, enquanto as de frutas e vegetais renderam $65,1 milhões. No total, essas duas categorias de produtos hortícolas representaram 14,1% da receita total de exportações de bens e serviços realizadas pelo país no período considerado.
Stéphanas Assocle.
Quênia suspende importações de leite em pó em esforço para proteger produtores locais e aumentar competitividade da indústria doméstica.
Em 2024, Quênia importou cerca de 85,3 milhões de dólares em produtos lácteos, sendo que 42% deste valor era de leite em pó.
O Quênia, o principal produtor de leite na África Subsaariana, em uma política protecionista, decidiu suspender as importações de leite em pó para estimular a competitividade do setor local.
As importações de leite em pó estão agora proibidas no Quênia. De acordo com informações divulgadas pela Kenya News Agency, a medida entrou em vigor imediatamente e foi anunciada na sexta-feira, 31 de outubro, por Mutahi Kagwe, Ministro da Agricultura.
Segundo o ministro, o objetivo desta proibição é proteger os produtores locais contra a concorrência desleal dos produtos estrangeiros, principalmente da região, garantindo ao mesmo tempo que a demanda local seja atendida diante da pressão demográfica.
Um relatório publicado em 2024 sobre a indústria de laticínios do Quênia pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou, por exemplo, que a primeira economia da África Oriental importou cerca de 85,3 milhões de dólares em produtos lácteos, dos quais 42%, ou seja, 36,05 milhões de dólares, eram de leite integral e leite desnatado em pó.
De acordo com a agência americana, Uganda é o principal fornecedor de produtos lácteos no mercado queniano, muito à frente dos Países Baixos, Bélgica, Irlanda e Alemanha. Além do desejo protecionista expresso pelas autoridades, o desafio de restringir as importações de leite em pó será também criar condições favoráveis para fortalecer a produção local, a fim de apoiar o forte crescimento observado nos últimos anos.
Dados compilados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (KNBS) mostram que a produção local de leite no Quênia aumentou 30%, passando de 4 milhões de toneladas em 2020 para 5,28 milhões de toneladas em 2023. Estimativas provisórias sobre o desempenho da indústria em 2024 colocam a oferta em cerca de 5,33 milhões de toneladas.
Deve-se observar que, como parte do seu "Plano de Sustentabilidade da Indústria Láctea" lançado em 2023, o governo tem como objetivo aumentar a produção de leite do país para 10 milhões de toneladas até 2032. Nesse contexto, o desafio para as autoridades será acelerar o fortalecimento das infraestruturas de armazenamento e da cadeia de frio para reduzir as perdas pós-colheita e acompanhar o crescimento da produção. Em 2023, por exemplo, a indústria local lamentava a perda de 290.000 toneladas de leite fresco, um aumento de 50% em relação a 2022 e o mais alto registrado em quatro anos.
Stéphanas Assocle
A Guiné conseguiu um financiamento de 35 milhões de dólares para o setor agrícola com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O acordo visa o fortalecimento das capacidades institucionais e de governança, melhoria da produção agro-silvo-pastoril e pesqueira, bem como a promoção da resiliência e da proteção social no meio rural nos próximos cinco anos.
Na Guiné, o setor agrícola representa quase 29% do PIB e emprega cerca de 58% da população ativa. Para apoiar suas ambições de desenvolvimento e modernização, o governo está intensificando a cooperação com os parceiros técnicos e financeiros internacionais.
Na Guiné, o governo e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) assinaram, em 31 de outubro de 2025, em Conakry, o Quadro de Programação do País (CPP) 2024-2028. O anúncio foi feito em um comunicado publicado no site do Ministério do Planejamento e Cooperação Internacional.
O CPP é um documento estratégico que define as prioridades de cooperação entre a FAO e o país, e que também serve como um roteiro para orientar as intervenções técnicas, financeiras e institucionais nos setores agrícolas, alimentares, florestais e pesqueiros.
Com um financiamento total de 34,7 milhões de dólares, o quadro assinado com a Guiné visa fortalecer as capacidades institucionais e de governança, melhorar a produção agro-silvo-pastoril e pesqueira, bem como promover a resiliência e proteção social no meio rural nos próximos cinco anos.
De acordo com as autoridades, as intervenções planejadas estão alinhadas com as ambições do governo de modernizar o setor agrícola, transformar sustentavelmente os sistemas agroalimentares e alcançar a soberania alimentar. “Não é apenas um documento, mas uma promessa feita aos nossos agricultores: a de uma agricultura mais moderna, mais inclusiva e mais resiliente”, disse Mariama Ciré Sylla, Ministra da Agricultura.
Na Guiné, o potencial agrícola ainda é amplamente subaproveitado. De acordo com dados oficiais, o país possui cerca de 6,2 milhões de hectares de terras cultiváveis, das quais apenas 50% são exploradas a cada ano. Embora o potencial de irrigação seja estimado em 364.000 hectares, as últimas estimativas da FAO mostram que apenas 95.000 hectares foram equipados para irrigação até 2023, revelando uma taxa de mobilização de cerca de 25%.
Stéphanas Assocle
Preços do açúcar bruto atingiram 14,07 centavos por libra (0,45 kg) na bolsa de valores de Nova Iorque, o menor nível desde outubro de 2020;
Consultoria Datagro prevê excedente de 1,98 milhão de toneladas na safra 2025/26, marcando um ponto de alto contraste com o déficit anterior de 5 milhões de toneladas.
O açúcar é uma das commodities mais negociadas globalmente, com as flutuações de produção e exportação na Índia e no Brasil cuidadosamente monitoradas pelos participantes do mercado.
Na quinta-feira, 30 de outubro, o preço do açúcar bruto atingiu 14,07 centavos por libra (0,45 kg) na Bolsa de Valores Intercontinental (ICE) de Nova Iorque. Esse é o menor nível desde outubro de 2020 – marcando a quarta sessão consecutiva de queda no preço da commodity. No intervalo de dois anos, o preço do Açúcar Bruto nº 11 (contrato de referência mundial) caiu quase um terço.
Essa nova baixa ocorre em meio a crescentes preocupações sobre uma possível superabundância nos próximos meses. Segundo dados da consultoria Datagro, o mercado deve registrar um excedente de 1,98 milhão de toneladas na safra 2025/26, em comparação a um déficit anterior de 5 milhões de toneladas.
Tanto no Brasil quanto na Índia, os principais fornecedores do mercado, espera-se uma oferta robusta de açúcar. No primeiro país, um recente relatório publicado pelo grupo industrial UNICA indicou um leve aumento na produção acumulada até o início de outubro.
Na Índia, as autoridades projetam uma produção de 30 milhões de toneladas de açúcar, contra 26,1 milhões de toneladas no ano anterior. Foi até mesmo sugerido que o país poderia retornar ao mercado de exportação no referido período.
Para muitos observadores, a evolução dos preços do açúcar nos próximos meses será algo a ser vigiado, especialmente com a variação dos preços do petróleo e as condições climáticas no Brasil.
A queda nos contratos futuros do petróleo de fato torna a cana-de-açúcar menos atraente como matéria-prima para a produção de bioetanol no Brasil, o que favorece as refinarias de açúcar, ao contrário, o aumento dos preços do petróleo favorece a conversão das canas para a produção de biocombustível.
Esperança Olodo
Contrabando de cacau custou ao Gana o equivalente a US$ 1,1 bilhão em receitas de exportação nas últimas quatro campanhas de comercialização
Volumes consideráveis do produto estão sendo desviados ilegalmente para a Costa do Marfim e Togo, de acordo com as últimas estimativas oficiais do Conselho de Cacau (COCOBOD)
O cacau, principal produto agrícola de exportação do Gana, desempenha um papel-chave na economia do país, representando cerca de 10% do PIB. Enquanto as autoridades estão otimistas sobre a recuperação da produção após várias campanhas difíceis, o contrabando continua sendo uma preocupação.
O Gana perdeu o equivalente a US$ 1,1 bilhão em receitas de exportação nas últimas quatro campanhas de comercialização, devido ao desvio ilegal de grãos para a Costa do Marfim e o Togo. Isso foi relatado pela mídia local News Ghana, na terça-feira, 28 de outubro, citando as últimas estimativas oficiais do COCOBOD.
De acordo com os dados compilados pelo regulador, um volume total de 473.253 toneladas foi desviado entre as campanhas de 2021/2022 e 2024/2025, com um pico de 253.212 toneladas registrado em 2023/2024. Esta situação, por exemplo, reduziu a disponibilidade de cacau em 2024/2025 e forçou o COCOBOD a adiar a entrega de 100.000 toneladas para a campanha de 2025/2026, que começou em agosto passado.
A questão do contrabando é amplamente documentada e é principalmente explicada por diferenças de preços que incentivam muitos produtores a vender seus grãos para mercados vizinhos mais lucrativos. Essa situação beneficia redes bem organizadas que exploram a porosidade das fronteiras nas principais zonas produtoras de cacau. No Gana, as regiões de Western North, Western South, Volta e Brong Ahafo são identificadas como os principais pontos de saída do produto fora do país.
Medidas Anticontrabando 2025/2026
As recentes estimativas do prejuízo causado pelo contrabando de cacau reacenderam as preocupações para a atual campanha. No entanto, o governo ganense está contando principalmente na competitividade dos preços de compra dos produtores para frear o fenômeno. "Eu não acho que o contrabando seja um problema hoje. Tudo depende principalmente dos preços, e nossos preços agora são competitivos", disse Eric Opoku, ministro da Agricultura, em 21 de outubro, à margem do Diálogo Internacional de Segurança Alimentar Norman Borlaug, em Iowa, EUA.
No início de outubro, o governo do Gana elevou o preço mínimo de venda do cacau no campo para 58.000 cedis (US$ 5.342 pela taxa atual) por tonelada em seu território, ou seja, US$ 5,3 por quilograma. Esse preço é mais alto do que o aplicado na Costa do Marfim, fixado em 2.800 francos CFA (US$ 4,96), e o que está em vigor no Togo, estabelecido em 2.405 francos CFA (US$ 4,25).
Paralelamente, o COCOBOD introduziu uma nova medida de incentivo destinada a conter o contrabando, além do reforço do controle nas fronteiras implementado há vários anos. De acordo com um comunicado publicado em seu site em 8 de outubro, o regulador anunciou que qualquer informante ou agente envolvido na apreensão de cacau ilegal receberá agora um terço do valor de mercado do produto confiscado. Esta medida visa envolver mais as comunidades fronteiriças na luta contra o contrabando.
Alguns observadores lembram, no entanto, que medidas semelhantes já foram implementadas no passado, sem resultar em uma redução significativa nos volumes de contrabando, destacando a necessidade de repensar a estratégia de combate.
Para a campanha de 2025/2026, o Gana pretende produzir mais de 650.000 toneladas, impulsionado por condições climáticas favoráveis, esforços para combater a Doença Viral do Swollen Shoot e a redução da mineração ilegal. Resta saber se as novas medidas contra o contrabando permitirão consolidar os resultados até o final da campanha, em setembro de 2026.
Stéphanas Assocle
Continuação da digitalização deve trazer ganhos estimados de 28.64 bilhões de kwachas para a economia zambiana até 2028, diz GSMA.
Governo zambiano lança iniciativa para treinar agentes agrícolas em habilidades digitais, visando a modernização do setor.
A continuação da digitalização deve proporcionar um ganho estimado de 28,64 bilhões de kwachas para a economia zambiana até 2028, segundo a GSMA. Isso é particularmente relevante para os setores de manufatura, transporte, comércio, administração pública e agricultura.
Nesta semana, o governo zambiano lançou uma iniciativa para treinar agentes agrícolas em habilidades digitais, como parte de sua estratégia para modernizar o setor. O país espera usar a digitalização da agricultura para alcançar seus objetivos de produção estabelecidos em 10 milhões de toneladas de milho, 1 milhão de toneladas de trigo e 1 milhão de toneladas de soja por ano até 2031.
Segundo o Ministério da Agricultura, o programa tem como objetivo equipar os agentes de extensão agrícola com habilidades digitais essenciais. Eles poderão coletar dados em tempo real, registrar agricultores, monitorar pragas e doenças, e fornecer informações atualizadas para os produtores em todo o país. A Autoridade Zambiana das TIC (ZICTA) apoia a iniciativa, equipando os agentes com tablets que possuem aplicações agrícolas.
O treinamento é uma das respostas que se seguiram a um estudo realizado pela ZICTA em 2022 sobre o estado da adoção das TIC nos diferentes setores. No setor agrícola, o estudo destacou várias deficiências, como a falta de acesso a equipamentos de TIC, conectividade precária e um nível de alfabetização digital limitado entre os agentes agrícolas. O regulador de telecomunicações já distribuiu 550 tablets para agentes de extensão agrícola em vinte distritos em 2024.
O lançamento deste treinamento ocorre cerca de duas semanas depois que as autoridades zambianas solicitaram o apoio do Banco Mundial para reforçar as habilidades digitais da força de trabalho nacional, especialmente nos setores de mineração e agricultura. Durante a cerimônia de treinamento, o Ministro da Agricultura, Reuben Mtolo, destacou outras inovações tecnológicas já implementadas por seu departamento.
Trata-se, em especial, do Sistema de Informação sobre o Mercado Agroalimentar, que fornece aos produtores dados atualizados sobre preços e mercados; do sistema eletrônico de vales do Programa de Apoio a Insumos Agrícolas; e do Sistema Eletrônico Único da Zâmbia (Zambia Electronic Single Window), que facilita as solicitações online de autorização de importação e exportação para agricultores e empresas do setor.
"Essas inovações estão tornando a agricultura na Zâmbia mais eficiente, transparente e inclusiva. Estamos usando a tecnologia para empoderar os agricultores e preparar um setor resiliente e voltado para o futuro", declarou o ministro.
Em seu relatório "Driving Digitalisation of the Economy in Zambia: Leveraging Policy Reforms", publicado em outubro de 2024, a GSMA destaca que a tecnologia digital favorece a agricultura de precisão, o acesso a informações direcionadas e uma melhor conexão com os mercados. Segundo a organização, a adoção dessas ferramentas poderia aumentar a produção de 10,5% a 20%, os lucros em até 23%, e gerar um valor adicionado potencial de um bilhão de kwachas (45,5 milhões), ou seja, 0,14% do PIB, além de 300.000 empregos e 250 milhões de kwachas em receita fiscal até 2028.
Vale lembrar que o setor agrícola representa 23% dos empregos do país, mas contribui com apenas 3% do PIB, de acordo com dados da Zambia Statistics Agency (ZamStats) citados pela GSMA.
Isaac K. Kassouwi
O Standard Bank, da África do Sul, liberou 45 milhões de dólares para dois engarrafadores do PepsiCo no Quênia e em Uganda.
Os empréstimos devem aumentar a produção local desses fabricantes de bebidas, melhorar a produtividade e fortalecer suas cadeias de suprimento locais.
No mercado de bebidas em rápido crescimento na África, impulsionado pela urbanização, a ascensão da classe média e a expansão das redes de distribuição, a PepsiCo, como um importante player global, está bem estabelecida em vários países, incluindo a África Oriental.
O grupo bancário sul-africano Standard Bank liberou 45 milhões de dólares através de suas subsidiárias no Quênia e em Uganda, a Stanbic Bank Kenya e a Stanbic Bank Uganda, em benefício de dois engarrafadores do grupo americano de alimentos e bebidas PepsiCo nestes dois países.
Informações divulgadas pela mídia local na terça-feira, 28 de outubro, indicam que a Crown Beverages Limited (CBL), um engarrafador da PepsiCo baseado em Uganda, obteve um empréstimo de 30 milhões de dólares, enquanto a Seven Up Bottling Company Kenya (SBC Kenya), com base no Quênia, vai receber financiamento de 15 milhões de dólares.
Segundo os responsáveis da instituição financeira, esses empréstimos devem permitir estimular a produção local desses dois fabricantes de bebidas em seus respectivos países, melhorar a produtividade e fortalecer suas cadeias de suprimento locais de matérias-primas.
Embora os detalhes operacionais do investimento ainda não tenham sido divulgados, essa notícia sugere a intenção dos engarrafadores de reforçar a presença dos produtos PepsiCo num mercado de refrigerantes em expansão.
De acordo com projeções da Statista, o mercado de refrigerantes deve atingir 3,64 bilhões de dólares no Quênia até o final de 2025, com um crescimento médio anual de 9,89% até 2030. Menor, o mercado ugandense é estimado em 883,7 milhões de dólares até o final de 2025, com um crescimento médio anual previsto de 15,91% até 2030.
Importa notar que a PepsiCo possui uma grande variedade de marcas de refrigerantes, produzidas e comercializadas pelos seus engarrafadores, tais como "Pepsi", "7UP", "Mirinda", "Mountain Dew", "Evervess" e "Tropicana Sparkling". Além do Quênia e da Uganda na África Oriental, a PepsiCo também está presente na Tanzânia através de seu engarrafador Varun Beverages.
Stéphanas Assocle
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