Mercado de grafite sofre com a predominância da China e sua oferta excessiva, impactando preços e novos projetos
Apesar das condições adversas, empresas operando na África continuam buscando desenvolver seus projetos de extração de grafite
O mercado global de grafite sofre desde 2023 uma oferta excessiva proveniente da China, pressionando preços e atração por novos projetos. No entanto, as perspectivas a longo prazo continuam positivas, particularmente para os atores na África, que surgem como alternativas ao domínio de Pequim.
A empresa canadense NextSource Materials, que opera a mina de grafite Molo em Madagascar, anunciou na quarta-feira, 29 de outubro, um acordo para um crédito que pode alcançar 10 milhões de dólares. Fornecidos por seu principal acionista, a Vision Blue Resources, os fundos darão suporte ao processo conduzindo à decisão final de investimento para a construção de uma fábrica de ânodos de baterias nos Emirados Árabes Unidos.
Este financiamento ilustra os esforços realizados por empresas de mineração ativas na África para continuar o desenvolvimento de seus projetos de grafite, apesar de um mercado estagnado por vários anos.
Excesso chinês impacta produtores na África
Em seu relatório de atividades do terceiro trimestre de 2025, publicado na terça-feira, 28 de outubro, a Syrah Resources mais uma vez descreveu a situação difícil enfrentada pelos produtores de grafite. A empresa australiana, que opera a mina de Balama em Moçambique, acredita que os preços e a demanda por grafite natural são prejudicados pelo excesso de grafite sintético vindo da China, país que já fornece 70% do suprimento global de grafite natural de acordo com a Benchmark Mineral Intelligence, ambos utilizados na fabricação de ânodos para baterias elétricas.
No seu Global Critical Minerals Outlook 2025, publicado em maio, a International Energy Agency (Agência Internacional de Energia, AIE) informa que os fabricantes de ânodos agora privilegiam o grafite sintético, cujo consumo aumentou de fato 30% em 2024, contra um aumento global de apenas 8% para todo o mercado. "A oferta de anodos sintéticos está crescendo rapidamente para atender à crescente demanda por grafite, o que está baixando os preços dos ânodos muito abaixo das médias históricas", observa a instituição.
Em julho de 2024, o preço do material de ânodo em grafite natural caiu abaixo do de seu equivalente sintético, uma primeira em mais de três anos segundo a Benchmark. Os preços do grafite caíram 20% ao longo desse ano, indica a AIE. Esta crise levou a Syrah Resources a reduzir desde 2023 a exploração de Balama, que é a maior mina de grafite da África. A empresa funciona agora por fases, ajustando a produção da mina à demanda de seus clientes.
Esta situação também afeta outros produtores na África, incluindo a NextSource, que ainda não atingiu a capacidade nominal de 17,000 toneladas por ano prevista para Molo, mais de 2 anos após entrar em operação. Em fevereiro de 2025, a empresa afirmava estar avançando rumo a este objetivo, embora reconhecesse que "as condições de mercado difíceis desaceleraram o progresso do projeto".
Dificuldades técnicas e econômicas
Além da pressão exercida pela queda dos preços, várias empresas ativas na África precisam lidar com outros desafios. A Tirupati Graphite, que opera as minas de Vatomina e Sahamamy em Madagascar, está enfrentando desde 2024 uma série de contratempos operacionais. Este ano, condições climáticas desfavoráveis e problemas de fornecimento de peças de reposição estão prejudicando a produção.
"Elaboramos um plano completo de medidas corretivas e aumento de capacidade, que será implementado nos próximos meses. Esperamos, portanto, ainda poder alcançar o objetivo de produção anterior de 1.500 toneladas por mês até dezembro de 2025. A queda na produção claramente tem impacto em nosso fluxo de caixa", afirmou em agosto Mark Rollins, o presidente executivo da empresa sediada no Reino Unido.
Estes desafios lembram aqueles encontrados pela empresa australiana Walkabout Resources, que entrou em administração voluntária em novembro de 2024, poucos meses após a entrada em operação de sua mina de grafite Lindi Jumbo na Tanzânia. Este procedimento, que supostamente permitiria reestruturar suas finanças, resultou na sua desistência da bolsa australiana (ASX), e pouca informação tem sido divulgada desde então sobre a exploração contínua da mina.
No caso da NextSource, uma avaliação realizada no primeiro trimestre de 2025 ressaltou problemas técnicos, incluindo ineficiências nos circuitos de trituração e flotação, que limitam a capacidade de produção anual da mina Molo a 11.000 toneladas de grafite. A empresa decidiu economizar os fundos que seriam usados para otimizar a usina para financiar a próxima fase de expansão das instalações. Até lá, a mina segue o mesmo funcionamento que Balama, com campanhas de produção pontuais.
De maneira mais geral, as empresas que pretendem construir novas minas de grafite na África têm dificuldades em mobilizar o financiamento necessário para colocar seus projetos em operação. Estas dificuldades financeiras são particularmente visíveis na Tanzânia, onde vários projetos importantes estão estagnados por falta de capital. É o caso da Ryzon Materials (antiga Magnis Energy) para seu projeto Nachu, ou da EcoGraf para seu projeto Epanko.
Perspectivas favoráveis apesar dos desafios
Apesar das dificuldades encontradas, há otimismo entre as empresas de mineração ativas na extração de grafite na África, como a Black Rock Mining, que opera o projeto Mahenge na Tanzânia. Em outubro de 2025, a empresa iniciou os preparativos para a construção da mina, que deve começar assim que o financiamento for concluído e a decisão final de investimento for tomada. Três instituições financeiras panafricanas, incluindo o Banco de Desenvolvimento da África Austral, já aprovaram empréstimos e facilidades de crédito totalizando mais de 200 milhões de dólares em benefício da empresa.
NextSource também divulgou no mês passado um estudo técnico e econômico para sua fábrica de ânodos de bateria nos Emirados Árabes Unidos. O projeto exige um investimento de 291 milhões de dólares, que a empresa pretende levantar para iniciar a produção no final de 2026. A britânica Blencowe Resources mantém seu objetivo de produzir grafite na mina ugandesa de Orom-Cross em 2026, apesar da situação atual. A empresa anunciou em setembro de 2025 ter contratado a consultoria sul-africana WaterBorne Capital para estruturar o financiamento necessário para a construção da mina.
Estes compromissos financeiros refletem a confiança constante dos investidores no potencial a longo prazo do grafite, apesar da conjuntura atual. Segundo a AIE, a demanda mundial por este mineral deverá ultrapassar 10 milhões de toneladas até 2035, o dobro do nível atual. Vale lembrar que o grafite é o mineral mais presente em termos de peso num veículo elétrico, com aproximadamente 60 kg por carro.
Emiliano Tossou
Chade aprova novo plano estratégico 2025-2030 para aumentar a produção de petróleo para 250.000 barris por dia, um crescimento de 69% em relação à produção atual.
Este plano se concentra na expansão das atividades de exploração e produção, no aumento da capacidade de refino e distribuição e na melhoria da infraestrutura intermediária, além de reformas jurídicas e institucionais.
Assim como outros produtores da África Central enfrentando a degradação de seus campos maduros, o Chade está vendo sua produção de petróleo, sua principal fonte de receita, diminuir. É uma situação que as autoridades estão procurando resolver. O Chade adotou um novo plano estratégico para o setor de hidrocarbonetos de 2025 a 2030, que visa, segundo informações publicadas na imprensa local em 31 de outubro, aumentar sua produção de petróleo para 250.000 barris por dia. Este é um objetivo que representa um aumento de cerca de 69% em relação ao nível atual de cerca de 140.000 barris/dia.
Para atingir este objetivo, o plano enfatiza o aumento das atividades de exploração e produção upstream, bem como o aumento das capacidades de refino e distribuição downstream. Também inclui a melhoria das infraestruturas intermediárias (logística, depósitos, oleodutos, etc.) e o fortalecimento da governança e a promoção do conteúdo local para capturar mais valor agregado na cadeia de petróleo nacional. Por último, sugere reformas jurídicas e institucionais para orientar este processo e garantir transparência e eficiência.
Esta mudança estratégica está ligada a várias realidades. O setor de petróleo continua sendo um dos pilares econômicos do Chade. Segundo dados de 2024 da agência de classificação financeira Moody's, o petróleo representa cerca de 60% das receitas de exportação do país. Uma nota-país publicada em agosto de 2025 pela Energy Intelligence, uma empresa especializada em análise estratégica do setor de energia, registra uma queda na produção, que passou de uma média de 144.000 barris/dia em 2024 para 137.000 barris/dia entre janeiro e maio de 2025. Esta publicação atribui a redução à falta de investimentos no setor, agravada pelo envelhecimento da infraestrutura.
Nesse contexto, o governo está procurando valorizar melhor seus recursos para apoiar o crescimento econômico. Vale lembrar que, em suas projeções para o Chade publicadas em 2024, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) prevê que as perspectivas econômicas permanecem favoráveis, com um aumento do PIB esperado em 5,3% em 2025, de 5,2% em 2024, impulsionado pelo dinamismo do setor de petróleo.
Abdel-Latif Boureima
BP e ExxonMobil firmam acordos de entendimento com o Gabão visando exploração petrolífera em águas profundas e ultra-profundas.
Cerca de 70% do domínio offshore do país ainda não foi explorado, Gabão busca renovar reservas de hidrocarbonetos e modernizar setor petrolífero.
Enquanto a produção de petróleo bruto, pilar de sua economia, diminuiu nos últimos anos, o Gabão procura identificar novos campos de hidrocarbonetos, dando preferência para áreas localizadas em águas profundas.
O Gabão continua sua estratégia de abrir o offshore profundo através de novas parcerias com duas grandes empresas internacionais. Em apenas uma semana, o país assinou dois memorandos de entendimento.
O mais recente foi anunciado na quinta-feira, 30 de outubro de 2025, pela Câmara de Energia da África (AEC), que anunciou a assinatura de um memorando de entendimento entre o Ministério do Petróleo, Gás e Minas e o grupo britânico BP para a exploração de blocos em águas profundas e ultra-profundas.
Alguns dias antes, na quarta-feira, 22 de outubro de 2025, a imprensa internacional relatou a assinatura de um protocolo de acordo sem compromisso jurídico com a multinacional americana ExxonMobil, focado na identificação de prospectos offshore adicionais.
Esses acordos são parte de uma dinâmica já iniciada por outros atores operando no Gabão, como Perenco, Assala Energy e VAALCO Energy. Juntos, eles fazem parte da estratégia nacional para modernizar o setor petrolífero e renovar as reservas de hidrocarbonetos.
Dados oficiais mostram que cerca de 70% do domínio offshore do Gabão ainda não foi explorado, o que confirma a extensão do potencial petrolífero e gasífero ainda disponível no país na África Central. As autoridades gabonesas procuram atrair parceiros com avançado conhecimento tecnológico para explorar o potencial de suas zonas offshore profundas.
A produção de petróleo do Gabão, estimada em cerca de 204.000 barris por dia em 2023, segundo dados publicados pela plataforma The GlobalEconomy, vem declinando ao longo de vários anos. Uma erosão ligada ao esgotamento progressivo de campos maduros, que tem levado o estado a apostar nas águas profundas como novo eixo de crescimento.
Ao associar-se à BP e à ExxonMobil, o Gabão aumenta a visibilidade de seu setor petrolífero no cenário internacional e continua a implementar sua estratégia de abrir o offshore profundo, enquanto as autoridades anunciam a preparação de novas ofertas offshore para 2026 para valorizar as áreas ainda inexploradas.
Abdel-Latif Boureima
Argélia planeja modernizar seu sistema de controle e telesupervisão da rede elétrica nacional a partir de 2026.
O objetivo é fortalecer e melhorar o serviço público de eletricidade e a confiabilidade da rede elétrica do país.
Em março, a Argélia mostrou sua ambição de apoiar sua economia através da exportação de sua eletricidade. No entanto, para atingir este objetivo, o país precisa fortalecer e modernizar suas infraestruturas elétricas.
Na Argélia, o Ministro da Energia e Energias Renováveis, Mourad Adjal, anunciou o início, em 2026, de uma operação de reabilitação do sistema de controle e telesupervisão da rede elétrica nacional. A informação foi divulgada quinta-feira, 30 de outubro, pela Agência de Imprensa da Argélia (APS), após uma reunião setorial realizada em Argel.
O ministro especificou que esta operação diz respeito especificamente ao sistema SCADA, explorado pela Sonelgaz, empresa pública responsável pela produção, transporte e distribuição de eletricidade. Esta reabilitação tem o objetivo de "melhorar ainda mais o serviço público de eletricidade" em todo o território nacional.
Segundo os dados divulgados pela imprensa argelina, a reabilitação se concentrará especificamente no sistema de supervisão e telecontrole, que permite monitorar, controlar e regular o fluxo de eletricidade através da rede nacional.
A operação incluirá a atualização técnica do sistema existente, bem como trabalhos de modernização dos equipamentos de comunicação e infraestruturas digitais utilizadas pelos centros regionais de controle. Estas obras serão supervisionadas pela Sonelgaz, que já administra as infraestruturas de transporte e distribuição de alta tensão.
Explicando a relevância deste projeto, o Ministério da Energia indica que esta reabilitação visa reforçar a confiabilidade da rede elétrica nacional e garantir uma supervisão mais eficaz das instalações. Enfatiza também que o crescimento da demanda, a expansão da rede e a diversificação das capacidades de produção tornam necessária a modernização dos sistemas de controle.
A iniciativa se insere na continuidade dos esforços empenhados pelas autoridades públicas para reforçar a segurança energética do país. Nos últimos anos, o governo lançou vários programas de modernização e confiabilização das infraestruturas. Entre eles, o Programa Nacional de Desenvolvimento de Energias Renováveis e Eficiência Energética, que visa 27% de energias renováveis na produção nacional de eletricidade até 2030 e a implementação de um quadro de incentivo para a conexão à rede.
Abdel-Latif Boureima
Governo camaronês negocia com a Société Générale Cameroun e outros bancos locais para garantir pagamentos regulares à Nachtigal Hydro Power Company (NHPC).
Operação está relacionada a uma linha de crédito rotativo de 141 a 177,3 milhões de dólares, organizada pela Société Générale Capital Securities Central Africa.
Depois de já ter garantido 86 milhões de euros, o governo camaronês ainda precisa mobilizar fundos adicionais para apoiar a empresa. O Ministério das Finanças (Minfi) está negociando com a Société Générale Cameroun e vários bancos locais para estabelecer uma nova garantia financeira destinada a assegurar o pagamento regular das faturas devidas à Nachtigal Hydro Power Company (NHPC), operadora da barragem hidrelétrica de Nachtigal. Segundo documentos consultados pelo Investir in Cameroon, a operação envolve uma linha de crédito rotativo entre 80 e 100 bilhões de FCFA (cerca de 141 e 177,3 milhões de dólares), organizada pela Société Générale Capital Securities Central Africa, líder do projeto. A Société Générale Cameroun está entre os credores, junto com outros bancos cuja participação está em processo de finalização. "O Minfi recentemente assinou o acordo com a Société Générale Cameroun, mas ainda faltam as assinaturas de outros bancos locais", relata uma fonte próxima ao caso.
Esta facilidade, que dura 24 meses, tem dois objetivos: pagar as dívidas pendentes da Éneo para a NHPC no âmbito do contrato de compra de eletricidade (PPA) assinado em 2018, e reabastecer a carta de crédito stand-by (SBLC) emitida pela Société Générale por instrução do Estado camaronês, a favor da NHPC, por um montante de 86 milhões de euros, apoiado por uma garantia do Banco Mundial.
As discussões em andamento complementam a garantia soberana já fornecida pelo Estado à Société Générale Paris. Esta garantia inicial cobria 86 milhões de euros (cerca de 56 bilhões de FCFA), mas a taxa de uso agora ultrapassa 85%, com menos de 10 milhões de euros ainda disponíveis. "Por enquanto, a garantia não está esgotada e é essencial que não se esgote, já que é contra-garantida pelo Banco Mundial", explica uma fonte a par da situação.
Eneo sob pressão
Desde a entrada em operação da barragem de Nachtigal - com uma capacidade instalada de 420 MW - a NHPC cobra 10 bilhões de FCFA por mês da Éneo, independente de a energia produzida ser consumida ou não, de acordo com o contrato assinado com o Estado. Mas os atrasos na construção das linhas de transmissão desde o posto de Nyom e a recepção parcial da linha de evacuação para Yaoundé limitam por enquanto a absorção de toda a produção.
A Éneo, confrontada com sérias tensões de caixa, não consegue mais cumprir plenamente suas obrigações contratuais desde fevereiro. A empresa deveria fornecer uma garantia bancária para cobrir o risco de inadimplência, complementada por uma cobertura soberana. Sem acordos de financiamento, a Éneo não pode cumprir esse compromisso, levando a NHPC a ativar a garantia detida pela Société Générale Paris. Até agora, os pagamentos feitos pela Éneo cobrem menos de 50% das faturas mensais, de acordo com informações obtidas pelo Investir in Cameroon. Esses números não foram confirmados pelo concessionário do fornecimento de eletricidade, que ainda não divulgou oficialmente sua situação financeira.
Para evitar uma quebra de financiamento do projeto, o Minfi está negociando com os bancos locais a implementação de uma nova facilidade de garantia, para permitir que a NHPC continue recebendo seus pagamentos, mesmo em caso de inadimplência da distribuidora de energia. "Consciente das questões relacionadas à classificação de crédito do Camarões e à credibilidade financeira do Estado, o Minfi tenta manter a confiança dos investidores e financiadores", disse uma autoridade envolvida nas negociações.
A situação da Éneo continua preocupante. Segundo o relatório Compact Energy Pays do Ministério da Água e Energia (Minee), a dívida total da Éneo Camarões no final de 2024 era de 800 bilhões de FCFA, incluindo 500 bilhões de dívidas com seus fornecedores e 80 bilhões de recebíveis. A Minee a classifica como um dos principais riscos orçamentários para o Estado. Em seus documentos internos, a empresa é descrita como "um fator que pode provocar uma diferença entre as previsões e a execução orçamentária", devido à contínua deterioração de sua situação financeira e ao alto risco de inadimplência.
Amina Malloum (Investir au Cameroun)
Iniciativa de US$200 milhões lançada pelo governo ganês para financiar a instalação de sistemas solares em telhados em todo o país
Programa prevê a implementação de 4 mil instalações fotovoltaicas em telhados, com uma capacidade cumulativa de 137 MW
A Gana, com 89% de sua população conectada à eletricidade em 2023-2024, apresenta um dos níveis mais altos de acesso à energia na África Ocidental. No entanto, esse indicador oculta tensões na rede em algumas áreas urbanas e periurbanas.
No Gana, o governo lançou uma iniciativa de cerca de US$200 milhões para financiar a instalação de sistemas solares em telhados por todo o país. Conforme informações divulgadas na terça-feira, 28 de outubro, pela Ghana News Agency, o programa prevê a implementação de cerca de 4 mil instalações fotovoltaicas em telhados, com uma capacidade cumulativa de 137 MW.
A operação faz parte de um acordo bilateral com a Suíça, apoiada por financiamentos públicos e privados. O dispositivo será implementado por meio do Ministério da Energia de Gana e do regulador Energy Commission, que lideram a chamada a candidaturas de proprietários de edifícios residenciais e comerciais com um telhado adequado.
As instalações serão realizadas por empresas credenciadas e incluirão financiamento privado para complementar a ajuda pública. Segundo a imprensa ganense citando o Ministério da Energia, US$60 milhões virão diretamente de um parceiro do setor privado, enquanto o restante do financiamento (até US$140 milhões) será mobilizado através deste programa.
O principal objetivo é aliviar uma rede elétrica frequentemente sobrecarregada em momentos de alta demanda, ao mesmo tempo em que reduz a dependência do país de grupos diesel e combustíveis fósseis importados. De acordo com a Energy Commission, em 2024, o pico de consumo excedeu 3.900 MW. A Gana busca assim diversificar seu mix energético e fortalecer a confiabilidade do fornecimento.
O governo vê essa iniciativa como parte da trajetória de redução de emissões adotada sob suas Contribuições Determinadas a Nível Nacional (CDN), aprovadas pelo secretariado do Acordo de Paris em 2023.
Abdel-Latif Boureima
A produção alumínio no Camarões sofreu um forte retração de 40,8% no primeiro trimestre de 2025.
Alucam, o principal produtor de alumínio do país, enfrenta desafios estruturais persistindo prejuízo financeiro desde 2019.
A Companhia Camaronesa de Alumínio (Alucam) vem encarando deficits consecutivos desde 2019. Os resultados do início do ano de 2025 seguem essa mesma tendência.
A produção alumínio no Camarões sofreu uma forte retração de 40,8% no primeiro trimestre de 2025, segundo o boletim econômico divulgado pelo Ministério das Finanças (Minfi). Esta queda é resultado da paralisação de mais da metade das células de eletrolise por razões técnicas. "A produção dos lingotes e placas de alumínio recuou 40,8%, em conexão com o desligamento de mais de 50% das células de eletrolise devido à falha técnica", relata o boletim. Em termos anuais, o setor ainda registra um crescimento de 4,5%, e a produção deve aumentar 6% ao longo de 2025.
Este desempenho ilustra as dificuldades estruturais persistentes da Companhia Camaronesa de Alumínio (Alucam), principal produtor nacional. A empresa, controlada pelo Estado camaronês em 79,68%, conta entre seus acionistas a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) (5,05%) e a Sociedade Nacional de Investimento (SNI) (14,32%). Seus resultados financeiros de 2024 confirmam a tendência negativa: 23,7 bilhões de FCFA de perdas (cerca de 42 milhões USD), contra 23,6 bilhões um ano antes. O faturamento, fixado em 94,4 bilhões de FCFA, exibe uma queda de 10% em um ano, devido à "indisponibilidade do ferramental", segundo o relatório anual. Excetuando um ligeiro aumento em 2021 (+ 447,9 milhões de FCFA), a Alucam contabiliza deficits desde 2019.
Para reverter a situação, a empresa conta com a chegada de um investidor estratégico capaz de injetar capital fresco. "Procedimentos ainda estão em curso para a procura de um novo investidor que possa injetar capitais e, por conseguinte, dar nova vida à empresa", indica a direção.
Enquanto espera por este parceiro, a Alucam se apoia em um contrato assinado em agosto de 2024 com a Proalu, que prevê a compra mensal de 2.500 toneladas de matéria-prima, representando cerca de 48 bilhões de FCFA em receitas anuais. Esse acordo, junto com um adiantamento de 9,85 bilhões de FCFA, deverá melhorar o fluxo de caixa e estabilizar parte da receita da empresa.
Criada em 1957, a Alucam continua sendo um dos símbolos históricos da industrialização dos Camarões. Mas após décadas de domínio regional na produção de alumínio, o produtor histórico luta agora para evitar um colapso industrial e recuperar sua competitividade em um contexto energético e financeiro difícil.
Amina Malloum (Investir au Cameroun)
A Modern Cooking Facility for Africa (MCFA) firmou um acordo com a Hanny G Investment Company Ltd, visando promover a cozinha limpa nas escolas da Tanzânia;
O acordo prevê o financiamento de um milhão de euros para expandir a unidade de produção da empresa em Mafinga, fornecendo aproximadamente 4300 equipamentos de cozinha limpa até 2029.
A falta de acesso a meios de cozinha limpa continua sendo um dos desafios energéticos mais persistentes globalmente. Na África, isso expõe milhões de famílias à poluição doméstica e acelera o desmatamento. Na Tanzânia, onde quase todas as escolas públicas ainda utilizam lenha para a preparação das refeições, novas iniciativas buscam reverter essa tendência.
A Modern Cooking Facility for Africa (MCFA) anunciou, na quinta-feira, 30 de outubro, que celebrou um acordo com a Hanny G Investment Company Ltd, uma empresa fundada em 2016 especializada no fornecimento de soluções de cozinha limpa, incluindo fogões de tiragem natural e briquetes não carbonizados.
Esta parceria, a quarta para o MCFA na Tanzânia, pretende promover a cozinha limpa em escolas, um segmento ainda pouco explorado, mas estratégico para a saúde pública e a proteção das florestas. A empresa receberá um financiamento de um milhão de euros para expandir sua unidade de produção em Mafinga, na região de Iringa.
Esse suporte financeiro permitirá que ela forneça cerca de 4300 equipamentos de cozinha limpa para escolas e instituições até 2029. A iniciativa deve melhorar as condições de trabalho de mais de 7000 funcionários de refeitórios e reduzir a dependência dos alunos na coleta de lenha, uma tarefa ainda comum nas áreas rurais.
"Estamos orgulhosos de nos associar ao MCFA e ao Nefco para acelerar a transição para a cozinha limpa na Tanzânia. Essa parceria nos permitirá ampliar o acesso a soluções de energia limpa, acessíveis, sustentáveis e locais para escolas e instituições, ao mesmo tempo em que criamos oportunidades econômicas para mulheres e jovens", declarou Hanny Abdi Mbaria, CEO da Hanny G Investment Company Ltd.
Dos cerca de 22.000 escolas públicas na Tanzânia, quase todas ainda dependem da lenha para a preparação das refeições. A Estratégia Nacional de Cozinha Limpa 2024-2034 do país incentiva as instituições a adotarem combustíveis alternativos para reduzir a pressão sobre os recursos florestais.
Globalmente, cerca de 2,1 bilhões de pessoas ainda não têm acesso a soluções de cozinha limpa, uma situação que dificulta a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 7 e 13, relacionados à energia sustentável e ao combate às mudanças climáticas. O desenvolvimento de tecnologias modernas de cozinha é, portanto, uma prioridade para conciliar saúde, educação e sustentabilidade ambiental.
Ao apoiar empresas locais, como a Hanny G Investment, o MCFA contribui para estruturar um mercado emergente de cozinha limpa, essencial para melhorar o bem-estar, a igualdade de gênero e a sustentabilidade energética na Tanzânia e em toda a África subsaariana, onde cerca de 900 milhões de pessoas não têm acesso à cozinha limpa.
Abdoullah Diop
Lukoil da Rússia aceitou oferta de compra de seus ativos internacionais pelo negociante suíço de commodities, Gunvor
Move-se em resposta às sanções americanas que ameaçam interromper severamente as operações internacionais da Lukoil
Sujeito a certas condições suspensivas, a gigante russa do petróleo irá se separar de todos os seus ativos no exterior para evitar os impactos negativos das sanções americanas, que podem complicar seriamente as suas atividades fora da Rússia.
Na quinta-feira, 30 de outubro, a empresa de petróleo russa Lukoil anunciou que havia aceitado uma oferta do negociante suíço de commodities Gunvor para a compra de todos os seus ativos internacionais, que incluem muitas concessões e participações em projetos na África.
"Lukoil informa que recebeu uma oferta do Gunvor Group para a compra da Lukoil International GmbH, subsidiária integral da LUKOIL que detém os ativos internacionais da empresa", indicou a gigante petrolífera.
"As principais condições da transação foram previamente acordadas pelas partes. Por seu lado, a Lukoil aceitou a oferta, comprometendo-se a não negociar com outros possíveis compradores", acrescentou.
A Lukoil também esclareceu que sua decisão de ceder seus ativos no exterior foi motivada pelas "medidas restritivas" tomadas por alguns Estados contra o grupo e suas subsidiárias, em referência às sanções anunciadas na semana passada pelos Estados Unidos contra os principais players do sector russo de hidrocarbonetos.
As sanções americanas, que visam a reduzir a força financeira da Rússia para forçá-la a negociar um cessar-fogo na Ucrânia, implicam num congelamento de todos os ativos da Rosneft e da Lukoil nos Estados Unidos, bem como a proibição de todas as empresas americanas de fazer negócios com as duas empresas, que representam 55% da produção petrolífera russa. Estas medidas limitam, de facto, o acesso da Lukoil a financiamentos, serviços técnicos e tecnologia necessários para a exploração petrolífera.
Condições suspensivas
A conclusão do acordo vinculativo de venda dos ativos internacionais da Lukoil à Gunvor ainda está sujeita a condições suspensivas, incluindo a obtenção pelo comprador de uma autorização da OFAC (Office of Foreign Assets Control), o organismo americano responsável pelas sanções. Licenças, permissões e outras autorizações em outras jurisdições competentes também são necessárias.
O Departamento do Tesouro Americano emitiu uma licença que concede às empresas um prazo até 21 de novembro de 2025 para encerrar quaisquer transações com Lukoil e Rosneft, sob pena de "sanções secundárias" que as impediriam de acessar os bancos, negociantes, expedidores e seguradoras americanas.
"Se necessário, as partes planejam solicitar uma extensão da licença OFAC existente e qualquer licença adicional, para garantir a continuidade das operações dos ativos internacionais e de seus serviços bancários até a conclusão da transação", indicou Lukoil.
O grupo russo, que anunciou na segunda-feira, 27 de outubro, o início de um processo de venda de todos os seus ativos fora da Rússia, possui um vasto portfólio de projetos na África, Oriente Médio, Europa, Ásia Central e América Latina. Este portfólio representava cerca de 15 a 20% da produção total do grupo em 2024, de acordo com a empresa.
Na África, Lukoil controla 20% do bloco OPL 245 na Nigéria, em parceria com a major italiana ENI e a estatal nigeriana NNPC. Em Gana, detém 38% de participação no bloco Deepwater Cape Three Points, operado pela Aker Energy. Além disso, possui uma participação de 25% no bloco Marine XII no Congo-Brazzaville, bem como várias concessões nas regiões do deserto oriental e do Golfo de Suez no Egito.
Walid Kéfi
O Grupo Kaishan, empresa chinesa de engenharia, anuncia um acordo para a construção de uma usina geotérmica de 165,4 MW no Quênia.
O investimento total de $800 milhões será utilizado para produzir 100.000 toneladas de amônia verde e outros derivados, resultando em uma receita anual estimada entre $220 e $250 milhões.
O Quênia é um dos principais atores da indústria global de energia geotérmica. No país do leste africano, essa fonte de energia tem um papel crescente na produção de fertilizantes verdes.
A empresa de engenharia chinesa Kaishan Group Co. Ltd anunciou na terça-feira, 28 de outubro, um acordo entre sua subsidiária Kaishan Terra Green Ammonia Limited e a Kenya Electricity Generating Company (KenGen), para a construção de uma usina geotérmica de 165,4 MW no país do leste africano.
Conforme informações divulgadas pelo site especializado Thinkgeoenergy, a instalação, que tem um custo global estimado em $800 milhões, servirá principalmente para produzir 100.000 toneladas de amônia verde e outros derivados, como ureia e nitrato de cálcio amoniacal, destinados à produção de fertilizantes. A instalação busca uma receita anual entre $220 e $250 milhões, uma vez em operação.
Com este novo investimento, o Grupo Kaishan busca consolidar sua posição na indústria global de amônia verde e sua presença no setor energético queniano. Em outubro de 2024, a empresa já havia anunciado um investimento de cerca de $93 milhões em uma usina geotérmica de 35 MW em Menengai, denominada "Orpower 22". No geral, o grupo chinês busca desenvolver ainda mais o segmento de energia geotérmica.
Embora o Quênia seja o 7º maior produtor de energia geotérmica do mundo, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), apenas explora 950 MW de um potencial de quase 10.000 MW. A principal economia da África oriental, que tem um dos mix elétricos mais decarbonizados do continente, planeja dobrar sua produção de energia geotérmica até 2030.
Esperança Olodo
O SIM Senegal 2025 acontecerá de 4 a 6 de novembro, sob o patrocínio de Sua Excelência, Bassirou Diomaye Diakhar Faye, Presidente da República do Senegal.
Delegações ministeriais e de alto nível virão do Burkina Faso, Congo, Costa do Marfim, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Mali, Mauritânia e Niger para participar do evento.
O SIM Senegal 2025, o maior evento de mineração na África Ocidental, será realizado de 4 a 6 de novembro de 2025, sob o patrocínio de Sua Excelência Bassirou Diomaye Diakhar Faye, presidente da República do Senegal. Organizado a cada dois anos desde 2009, este será a sua 8ª edição, organizada pelo Ministério de Energia, Petróleo e Minas em parceria com a AME Trade Senegal.
O SIM Senegal é um evento regional autêntico e contará com a presença de delegações ministeriais e de alto nível do Burkina Faso, Congo, Costa do Marfim, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Mali, Mauritânia e Niger, tornando este evento o ponto de encontro para negócios no setor de mineração na África Ocidental e Central.
Os líderes industriais patrocinando o evento incluem: SOMISEN, Endeavour Mining, Eramet Grand Cote, TotalEnergies, ICS-Indorama, CORICA, Vivo Energy, Managem Group, Resolute Mining, Carmeuse Senegal, Bernabe, Neemba, IDC Drilling Company, SOCOCIM, Dangote, AGL, Baobab Mining & Chemicals Corporation, SOMIVA, Makabingui Gold Corporation, BOYA, Elton, CIMAF, MCI Contracting & Infrastructure, Star Energy, CSTTAO, CFAO Equipment, Forvis Mazars, BNDE, Bank of Africa, EPC Mineex e Mann & Hummel. Nossos patrocinadores representam toda a cadeia de suprimentos da indústria de mineração, desde a exploração à produção, passando por energia, serviços de mineração e máquinas.
O SIM Senegal quebrou todos os recordes anteriores, com 150 expositores confirmados até agora, oferecendo uma vasta rede de mineração a todos os participantes. Entre os parceiros oficiais do evento estão: Business France, EUROCHAM, Comissão Canadense de Comércio, Advantage Austria, ASKY, MSS Security, Wemoov, Kaynann e a Câmara de Comércio Senegal-Reino Unido.
As novidades do SIM Senegal incluem uma feira de recrutamento no setor de mineração, organizada pela ADEMIG e AME Trade Senegal com o apoio da SOMISEN, que pretende conectar empresas de mineração e estudantes recém-formados ou à procura de emprego. Mais de 1.000 candidaturas foram recebidas e, após uma primeira seleção, cerca de cem candidatos foram selecionados para participar.
Entre os outros eventos paralelos realizados durante o SIM Senegal, incluem-se um workshop organizado pela Comissão Canadense de Comércio sobre boa governança, um evento especial organizado pela Câmara de Minas do Senegal sobre impactos socioeconômicos e repercussões de atividades de mineração, petróleo e gás nas comunidades anfitriãs, bem como um workshop dedicado à mineração responsável, organizado pela Eramet. Também será realizado um programa de conferências de três dias paralelamente, sobre o tema principal "Recursos Minerais: Uma Alavanca para a Soberania Econômica".
O Senegal tem a ambição e o projeto de se tornar o centro de mineração da África Ocidental, criando assim milhares de empregos, além de contribuir para a industrialização e diversificação econômica do país. O público diverso e internacional do SIM Senegal reflete a atratividade do país como um gateway regional para a indústria de mineração da África Ocidental e reflete sua ambição de se tornar uma das principais portas de entrada para a mineração na África.
Sobre a AMETRADE Ltd
Fundada em 2006, a AME Trade Ltd se tornou uma das principais facilitadoras do comércio e investimentos nos mercados emergentes da África. Com mais de 20 anos de experiência, somos especializados na organização de eventos B2B, conferências e serviços de marketing digital setorial, incluindo nos setores de mineração, energia, finanças, petróleo e gás. Presente em 29 países africanos, trabalhamos com os melhores especialistas do setor e PMEs locais para organizar eventos de alto impacto que impulsionam o desenvolvimento sustentável e crescimento econômico em todo o continente. Nossa missão é facilitar relações comerciais significativas, educar e reunir os principais players para discutir e resolver questões que levem a uma melhor colaboração e progresso em cada um dos setores que atendemos. Nossa presença local nos confere uma vantagem competitiva e um conhecimento inigualável. Nossa oferta de serviços de valor agregado inclui: programas de capacitação sob medida, serviços de marketing digital e relatórios de inteligência estratégica. Junte-se a nós em nossos esforços para construir um desenvolvimento econômico próspero, sustentável e inclusivo na África. Visite www.ametrade.org para saber mais. Siga-nos no: LINKEDIN | TWITTER
O grupo chinês CMOC anuncia um investimento de US$ 1,08 bilhão para aumentar a produção anual da mina Kisanfu de cobre na República Democrática do Congo (RDC)
Série de projetos mostra o forte envolvimento de atores chineses na crescente indústria de cobre do país da África Central, que verá uma demanda mais alta nas próximas décadas
Primeiro produtor africano e segundo no mundo, a RDC vem atraindo mais atenção com a anunciada escassez de cobre. O país se destaca com novos projetos que deverão reforçar sua produção nos próximos anos.
Na sexta-feira, 24 de outubro de 2025, o grupo chinês CMOC anunciou a aprovação do seu conselho de administração para o desenvolvimento da expansão da mina de cobre Kisanfu na República Democrática do Congo. A iniciativa, no valor de US$ 1,08 bilhão, visa aumentar a produção anual em 100 mil toneladas em média, tornando-se um dos novos projetos chineses que irão impulsionar a produção de cobre congolesa.
Setor em expansão
Em detalhes, a CMOC planeja um cronograma de dois anos para implementação desta expansão, que entrará em operação em 2027. Uma vez concluída, a mina de Kisanfu aumentará sua capacidade de processamento de cobre, que atualmente entrega mais de 150.000 toneladas por ano, segundo o site oficial da empresa. Esse anúncio de expansão surge enquanto um projeto de otimização semelhante está em andamento na mina Kamoa-Kakula, outra mina de cobre controlada em 39,6% pela chinesa Zijin Mining.
Chamado "Projeto 95", o projeto de otimização tem o objetivo de aumentar as taxas de recuperação de cobre dos concentradores 1 e 2, gerando anualmente até 30.000 toneladas adicionais. A iniciativa visa atingir uma produção anual de 600.000 toneladas em Kamoa-Kakula (contra 437.061 t entregues em 2024).
Paralelamente, JinChuan Group, uma outra entidade chinesa já ativa nas minas Ruashi e Kinsenda, está preparando o lançamento de sua terceira mina de cobre na RDC. Trata-se do projeto Musonoi, com capacidade de produção de 38.000 t por ano, e cuja finalização está prevista para o segundo trimestre de 2026. Esses diferentes projetos destacam o peso cada vez maior dos atores chineses na crescente indústria de cobre do país da África Central.
O país, segundo maior produtor do mundo desde 2023, exportou 3,1 milhões de toneladas de cobre em 2024. Um resultado que representa um aumento de 13%, impulsionado pelas boas performances das minas Kamoa-Kakula e das operações da CMOC.
Antecipação de perspectivas do mercado global
É importante ressaltar que esses projetos estão inseridos num contexto de mercado favorável para o cobre, cuja demanda é esperada para aumentar com a ascensão da transição energética e da inteligência artificial. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a oferta atual de projetos de mineração não será suficiente para atender à demanda nos próximos anos. A instituição indica que o déficit de oferta de cobre pode chegar a 40% até 2035.
Uma fatia do mercado que as empresas podem alcançar desenvolvendo novas fontes de produção ou reforçando seus ativos existentes. Essa constatação ganha ainda mais relevância para a RDC, considerando que a China é atualmente o principal importador do seu cobre.
Para o país africano, a concretização desses projetos chineses poderá consolidar sua posição entre os principais centros de produção de cobre do mundo, desde que os sites existentes mantenham-se estáveis. Além disso, os projetos podem proporcionar mais receita para o país. Kinshasa controla principalmente 20% de Kamoa-Kakula, e 25% do capital do Musonoi, através da empresa pública Gécamines.
Aurel Sèdjro Houenou
Eni e a Associação Bioenergética para o Desenvolvimento Sustentável assinaram um acordo de cooperação para estudar a viabilidade de produzir biogás.
A iniciativa faz parte dos esforços do governo egípcio para promover soluções locais para a descarbonização e diversificar a matriz energética.
Enquanto a transição energética acelera, a busca das autoridades egípcias é por diversificar suas fontes renováveis e integrar melhor as soluções provenientes da biomassa.
A empresa petrolífera italiana Eni e a Associação de Bioenergia para o Desenvolvimento Sustentável, vinculada ao ministério do meio ambiente egípcio, assinaram um acordo de cooperação no dia 27 de outubro, no Cairo, para estudar a viabilidade de unidades de produção de biogás. O projeto visa transformar resíduos agrícolas e animais em eletricidade, calor e fertilizantes orgânicos, ao mesmo tempo gerando créditos de carbono.
Essa iniciativa se encaixa nos esforços do governo egípcio para promover soluções locais de descarbonização. O país busca diversificar sua matriz energética e reduzir as emissões provenientes da agricultura e de resíduos, setores ainda subutilizados na estratégia nacional. O biogás representa uma via para complementar o rápido crescimento da energia solar e eólica, além de apoiar o desenvolvimento econômico de áreas rurais.
De acordo com o relatório "Renewables 2025" da Agência Internacional de Energia, o interesse por biogás e biomassa tem crescido substancialmente ao redor do mundo nos últimos cinco anos. A agência explica esse crescimento pela busca por segurança energética desde a crise Russo-Ucraniana, a necessidade de reduzir as emissões de metano e a ascensão do conceito de economia circular.
Presente no Egito desde 1954, a Eni afirma ser o principal produtor de hidrocarbonetos do país. Ao se envolver em projetos sustentáveis, e em particular no desenvolvimento de biogás, a empresa apoia as ambições egípcias de descarbonização e fortalece o país como ator regional de energia sustentável.
Abdoullah Diop
A Comissão de Energia da Nigéria (ECN) assina um protocolo de entendimento com a UNIDACO Limited, sediada em Londres, para um investimento de 100 milhões de euros (cerca de US$ 116,2 milhões) na transição energética do país.
Estima-se que o investimento contribuirá para a expansão da produção de energias renováveis, fortalecendo a capacidade industrial do país e promovendo o crescimento sustentável, alinhando a Nigéria aos objetivos globais de transição energética e crescimento verde.
A Nigéria tem um grande potencial em termos de energias renováveis, mas isso permanece subutilizado devido à falta de investimentos, segundo o Climate Parliament.
A Comissão de Energia da Nigéria (ECN) assinou um protocolo de entendimento com a UNIDACO Limited, uma empresa sediada em Londres, para um investimento de 100 milhões de euros (cerca de US$ 116,2 milhões) destinado à transição energética do país. Este acordo foi assinado durante o "Renewed Hope Global Dialogue – UK Edition", um fórum internacional dedicado à promoção de parcerias globais e oportunidades de investimento na Nigéria.
De acordo com o comunicado da presidência nigeriana divulgado na quarta-feira, 29 de outubro de 2025, espera-se que este investimento ajude a expandir a produção de energias renováveis, fortalecer a capacidade industrial do país e promover o crescimento sustentável como parte do programa "Renewed Hope", uma política transformadora que pretende reposicionar a Nigéria como um destino preferido de investimento global.
"Esta parceria destaca a determinação da Nigéria em explorar energias limpas como motor de crescimento industrial, criação de empregos, e em termos mais amplos atingir um PIB de 1 trilhão de dólares até 2030", afirma o comunicado.
Segundo o Climate Parliament, uma rede global de parlamentares comprometidos com o clima, a Nigéria tem um potencial considerável em termos de energias renováveis (solar, eólica, hidroelétrica e biomassa), que continua subutilizado. De fato, o setor enfrenta várias barreiras, como falta de investimentos, infraestrutura de rede nacional deficiente e a complexidade dos processos de aprovação regulatória.
Para superar este déficit, a organização acredita que investimentos financeiros, desenvolvimento de infraestrutura e forte apoio legislativo são necessários. Acrescenta que estas reformas permitirão não só ao país mais populoso da África sustentar seu crescimento econômico através da criação de empregos e desenvolvimento da indústria manufatureira local, mas também alinhar a Nigéria aos objetivos globais de transição energética e crescimento verde.
Vale salientar que o país tem como objetivo alcançar a neutralidade de carbono até 2060. Para atingir este objetivo, o governo implementou o Plano de Transição Energética (ETP) para estabelecer um cronograma e um quadro para alcançar a redução de emissões em cinco setores-chave, incluindo energia, culinária, petróleo e gás, transportes e indústria.
Lydie Mobio
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Marrakech. Maroc