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Costa do Marfim, a pecuária e a pesca desempenham um papel estratégico na segurança alimentar e nutricional, constituindo um pilar fundamental no fornecimento de proteínas de origem animal. No início do novo ano, a questão da alimentação animal está no centro das políticas públicas.

Na Costa do Marfim, os alimentos para animais, os insumos para a sua produção e as embalagens utilizadas no acondicionamento passam agora a estar sujeitos a um imposto sobre o valor acrescentado (IVA) de 9%. A medida, anunciada num comunicado da Direção-Geral dos Impostos (DGI), entrou em vigor no sábado, 17 de janeiro, no âmbito da reforma fiscal prevista na lei orçamental para 2026.

Até 2025, os alimentos para gado e animais de quintal, bem como os insumos de produção, estavam isentos de IVA. A anexação fiscal à lei orçamental de 2026 suprimiu estas isenções, incluindo estes produtos no âmbito do IVA.

Embora o texto previsse inicialmente a aplicação da taxa normal de 18%, as autoridades optaram por uma taxa reduzida de 9%, de forma a atenuar o impacto desta nova tributação sobre os intervenientes da cadeia de valor do setor.

Tendo em conta que os custos com insumos representam mais de 60% das despesas do setor pecuário, a introdução do IVA poderá aumentar a pressão sobre os diferentes elos da cadeia de valor, desde os fabricantes de alimentos para animais, passando pelos criadores, até à transformação de produtos de origem animal.

Um desafio para o desenvolvimento da indústria de alimentos para animais?

 

Antes deste anúncio, o Ministério dos Recursos Animais e da Pesca havia apresentado, em abril de 2025, uma série de medidas governamentais para apoiar o setor pecuário e otimizar os custos de produção relacionados com a alimentação animal. Uma das principais medidas incluía a criação de isenções parciais de direitos e impostos aduaneiros, de 7 a 15%, sobre produtos destinados à alimentação animal. Este alívio fiscal revelava a intenção do governo de criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da indústria local, que importa grande parte das suas matérias-primas (milho, soja, trigo…), garantindo a disponibilidade de alimentos para animais em quantidade e qualidade.

Paralelamente, o setor privado tem intensificado os investimentos na cadeia, com vista a aumentar a capacidade de produção.

Por exemplo, a empresa holandesa De Heus anunciou, em setembro último, a construção de uma nova unidade de produção de alimentos para animais em Korhogo, no norte do país. Embora detalhes sobre a localização exata, capacidade de produção ou custo do projeto ainda não sejam conhecidos, o anúncio confirma a intenção da empresa de reforçar a sua presença no mercado marfinense.

No mesmo mês, a Sociedade Marfinense de Produções Animais (SIPRA), líder no setor avícola na Costa do Marfim, anunciou um investimento de 23,5 milhões de dólares do fundo norueguês Norfund no seu capital. A operação visa aumentar a capacidade de produção nos três principais segmentos: fabricação de alimentos para animais, pecuária e transformação de produtos de origem animal, ao mesmo tempo que apoia a inovação em nutrição animal e a melhoria da eficiência operacional.

Com a introdução do IVA de 9% sobre alimentos para animais em 2026, o desafio para as autoridades marfinenses será conciliar a mobilização de receitas fiscais, a competitividade industrial e o controlo dos preços dos insumos, de modo a não travar o desenvolvimento do setor.

Recorde-se que, no âmbito da sua estratégia nacional de desenvolvimento da produção avícola, a Costa do Marfim pretende quase duplicar a produção anual de carne de frango, atingindo 200 000 toneladas até 2030, contra 114 000 toneladas em 2024, segundo a IPRAVI, a interprofissional avícola do país. Esta ambição deverá impulsionar ainda mais a procura de alimentos para animais no período em questão.

Stéphanas Assocle

 

 

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No Quénia, o setor da pecuária contribui com 42% do PIB agrícola. O governo está a repensar a gestão da alimentação animal para reforçar a resiliência dos intervenientes da cadeia face à seca.

O governo queniano pretende criar em breve reservas nacionais de alimentos para gado. Foi o que anunciou o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Pecuário na quinta-feira, 15 de janeiro. Segundo as autoridades, estas reservas destinam-se a armazenar feno, silagem e outros forragens para períodos de seca. Serão constituídas durante períodos de excedente e distribuídas assim que surgirem os primeiros sinais de seca, através de sistemas de alerta precoce.

«Os condados irão liderar o planeamento e a distribuição dos alimentos, apoiados pelo governo nacional, enquanto as cooperativas assegurarão a entrega final para garantir que os alimentos cheguem aos pecuaristas a tempo, evitando assim mortes e vendas forçadas de animais», lê-se no comunicado do ministério. Por agora, os detalhes sobre o número e a localização dos locais destinados a estas novas instalações, bem como o calendário de implementação do projeto, ainda não estão disponíveis.

Reforçar a resiliência do setor pecuário face à seca

Segundo Mutahi Kagwe, o ministro da Agricultura, esta iniciativa permitirá proteger o gado e os meios de subsistência dos pastores contra as secas recorrentes. Vale notar que no Quénia, o subsector da pecuária é um dos mais vulneráveis a este fenómeno climático, especialmente nas zonas áridas e semiáridas (ASAL), que abrigam a maior parte do rebanho bovino e ovino.

De acordo com um relatório publicado pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) na quarta-feira, 7 de janeiro, a época das chuvas nas ASAL foi deficitária em 2025, atingindo apenas 30 a 60% da média sazonal. «Isto intensificou o esgotamento dos pastos, a escassez de água e a perda de gado, provocando um colapso generalizado dos meios de subsistência nas comunidades pastorais. A produtividade do gado continua a diminuir devido à má condição corporal, à regeneração limitada dos forragens e ao acesso restrito à água», destaca o relatório.

Entre 2020 e 2022, o Quénia já havia registado a morte de 2,5 milhões de cabeças de gado em todo o território, referindo o pior episódio de seca dos últimos 40 anos, bem como a dificuldade de acesso a alimentos de qualidade para animais a preços razoáveis para os pecuaristas durante esse período.

Mais amplamente, o projeto de reservas nacionais para alimentação animal reforça os esforços já implementados pelo governo para estimular a produção local e garantir a disponibilidade de alimentos a longo prazo. Em 2023, Nairobi anunciou a intenção de mobilizar 460 mil milhões de shillings (cerca de 3,56 mil milhões de dólares) para implementar uma estratégia nacional de 10 anos destinada a desenvolver a indústria de alimentação animal.

Segundo dados oficiais, o setor pecuário queniano enfrenta atualmente um défice de produção de 33 milhões de toneladas de alimentos para animais por ano. O país da África Oriental contava com 22,4 milhões de bovinos e 38,4 milhões de ovinos e caprinos em 2024, segundo estimativas do gabinete nacional de estatísticas (KNBS).

Stéphanas Assocle

 

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No Ruanda, a pecuária contribui com cerca de 4% do PIB. Embora o setor do couro seja menos destacado do que outros segmentos como o leite e a carne, o seu potencial ainda largamente subexplorado, aliado a políticas públicas direcionadas, atrai novos investidores estrangeiros.

No Ruanda, o setor do couro poderá atrair um novo investidor estrangeiro. Segundo informações divulgadas pelo media local The New Times no domingo, 18 de janeiro, a empresa egípcia Leather and More Company, especializada na produção de calçado em couro e derivados como gelatina, colagénio e produtos farmacêuticos, está a estudar um projeto de instalação industrial no país.

«O meu objetivo é estabelecer parcerias com atores locais para implantar aqui uma fábrica de couro. Dentro de uma a quatro semanas, espero apresentar um roteiro claro para esta cooperação», declarou Hesham Gazar, diretor-geral da empresa.

Por enquanto, o custo previsto do investimento ainda não é conhecido. Seja como for, este projeto, caso se concretize, permitirá reforçar as capacidades de uma indústria local ruandesa ainda embrionária.

Segundo dados oficiais, o Ruanda dispõe atualmente de apenas uma curtume operacional em Huye, que processa menos de 5% das peles animais produzidas localmente. O reforço das capacidades de transformação é particularmente estratégico, já que o governo pretende aumentar a produção de peles de animais para 48.000 toneladas até 2030, contra um stock atual de 6.000 toneladas, oferecendo mercados seguros para os pecuaristas.

Além disso, o interesse da Leather and More Company em investir no país pode ser explicado pela vontade de Kigali em criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de no

vos projetos industriais no setor.

Desde 2023, foi anunciado um projeto de construção de um parque industrial dedicado à produção de couro num terreno de 20 hectares no distrito de Bugesera, com um custo total de 15 milhões de dólares. Em maio do ano passado, o Ministério da Indústria e Comércio anunciou a decisão do governo de alocar 8,47 mil milhões de francos ruandeses (5,8 milhões de dólares) no orçamento do exercício fiscal 2025/2026 para a construção de infraestruturas essenciais, com o objetivo de atrair investidores privados para o local.

Resta saber em que medida a chegada da Leather and More Company favorecerá o desenvolvimento industrial do setor do couro no Ruanda e a sua inserção nos mercados regionais e internacionais.

Stéphanas Assocle

 

 

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Na África Ocidental, o Gana apresenta um dos níveis mais elevados de consumo de peixe per capita. No país, as autoridades multiplicam iniciativas para acelerar o desenvolvimento da aquicultura, cuja contribuição para a oferta ainda é limitada em comparação com a pesca.

Em 14 de janeiro de 2026, a Comissão das Pescas do Gana anunciou ter recebido em visita uma delegação da Universidade da Boémia do Sul, situada na República Checa. Num comunicado publicado no seu site, a agência nacional responsável pela implementação das políticas do Ministério das Pescas e da Aquicultura indicou que o encontro visou lançar as bases de uma nova cooperação no sector da aquicultura.

As trocas entre as duas partes centraram-se no reforço de parcerias tanto a nível universitário como sectorial, nomeadamente nos domínios da investigação, do reforço de capacidades, da inovação e das práticas aquícolas sustentáveis.

Esta iniciativa insere-se num contexto em que o Gana procura transformar a aquicultura num eixo estratégico de segurança alimentar e de criação de emprego. Apesar dos progressos significativos registados no sector nos últimos anos, a sua contribuição para a oferta local de peixe continua relativamente modesta.

Segundo dados oficiais, a produção aquícola no Gana quase duplicou, passando de 52 360 toneladas em 2019 para 100 000 toneladas em 2023. Com este aumento expressivo, a aquicultura representa actualmente cerca de 20% das capturas totais de peixe, estimadas em 484 412 toneladas em 2023.

Para sustentar esta dinâmica de crescimento, as autoridades ganesas anunciaram, por exemplo, em novembro passado, a intenção de criar um fundo de desenvolvimento dedicado à aquicultura, com o objectivo de melhorar o acesso ao financiamento, reforçar as infra-estruturas e acelerar a investigação e a transferência de tecnologias.

Neste contexto, a aproximação à República Checa para uma cooperação no domínio da aquicultura não é fortuita. O país é reconhecido na Europa pela sua longa tradição de piscicultura em águas doces, nomeadamente na criação de carpas em viveiros, bem como pela sua competência académica em aquicultura sustentável. Importa igualmente salientar que a Faculdade de Pescas e Protecção das Águas da Universidade da Boémia do Sul é considerada uma referência europeia em investigação aplicada sobre a gestão de sistemas aquícolas, a reprodução de peixes e a adaptação das práticas de produção às restrições ambientais.

Resta saber se esta cooperação com as autoridades ganesas conduzirá à implementação de iniciativas concretas em benefício da indústria aquícola da antiga Gold Coast. No Gana, a produção aquícola concentra-se principalmente na tilápia do Nilo e no peixe-gato.

Stéphanas Assocle

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Na África Ocidental, o Burquina Faso afirma-se como um dos principais produtores de algodão, ao lado do Mali, Benim e Costa do Marfim. Depois de vários anos de retração, o setor parece iniciar uma inversão de tendência com as perspetivas anunciadas para a campanha 2025/2026.

No Burquina Faso, a produção de algodão-semente está prevista em 336.812 toneladas em 2025/2026, o que representa um aumento de 15% em relação à campanha anterior. É o que indicam as últimas estimativas da interprofissão, reportadas pelo Programa Regional de Produção Integrada de Algodão em África (PR-PICA) no seu último boletim informativo sobre o setor, publicado em 9 de janeiro.

Esta melhoria pode ser atribuída ao aumento das áreas de cultivo. Os dados compilados pelo PR-PICA mostram, de facto, que a superfície dedicada ao algodão cresceu 13%, ou seja, cerca de 44.629 hectares a mais do que na campanha anterior, perfazendo um total de 391.407 hectares.

Paralelamente, o rendimento é estimado em alta de 2%, atingindo 861 kg por hectare em 2025/2026, sugerindo uma melhor implementação das práticas agronómicas, nomeadamente no que diz respeito à utilização de fertilizantes e tratamentos fitossanitários.

De forma geral, a previsão de colheita para a campanha 2025/2026, se confirmada, marcaria também uma recuperação para o setor burquinense, cuja produção tinha registado três anos consecutivos de queda antes desta campanha. No país, a colheita de algodão-semente passou de cerca de 519.000 toneladas em 2021/2022 para 292.660 toneladas em 2024/2025, ou seja, uma diminuição de quase 44% no período considerado, segundo os dados compilados pelo PR-PICA.

Um regresso ao top 3 da zona CFA?

As perspetivas da campanha 2025/2026 no Burquina Faso podem redistribuir a posição dos países produtores de algodão da zona CFA, núcleo da produção cotonnière em África.

Enquanto o Benim e o Mali são apontados para terminar, respetivamente, como 1.º e 2.º maiores produtores da região ao fim desta campanha, o Burquina Faso está bem posicionado para disputar o terceiro lugar à Costa do Marfim. Neste último país, as previsões de colheita reportadas pelo PR-PICA indicam uma produção de 317.000 toneladas para 2025/2026, representando uma queda de 11% face à campanha anterior (357.267 toneladas).

As principais razões que podem explicar a diminuição da oferta marfinense são comuns a todos os países da zona CFA e prendem-se, nomeadamente, com a irregularidade das chuvas durante os meses de setembro e outubro, que correspondem à fase de maturação das cápsulas do algodão, uma fase determinante para a produtividade.

Pluviometria – evolução por país no mês de outubro

Na maioria dos países, foi registada escassez de chuvas, especialmente nas zonas secas e medianas, indicando o fim da estação chuvosa. Esta situação pode ter um impacto negativo no desenvolvimento de semeaduras tardias, resultando em baixa produtividade”, salientou o PR-PICA no seu boletim informativo publicado em novembro passado.

Segundo a organização, a Costa do Marfim registou, por exemplo, uma diminuição de 89 milímetros de água durante o mês de outubro de 2025 em comparação com a pluviometria de outubro da campanha anterior. O desenrolar da campanha mostrará se o Burquina Faso conseguirá consolidar a sua posição regional na produção de algodão.

Stéphanas Assocle

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No momento em que a agricultura enfrenta a pressão climática, a volatilidade dos mercados e a necessidade de alimentar a população de forma sustentável, os dados surgem como um fator central. Sensores, satélites e ferramentas digitais estão a redefinir as práticas agrícolas e a criar novas profissões.

O analista de dados AgriTech é um profissional responsável por transformar informações do setor agrícola em ferramentas de apoio à decisão. Ele utiliza dados climáticos, agronómicos, geoespaciais ou comerciais, recolhidos através de sensores, drones, imagens de satélite ou plataformas digitais. O seu trabalho consiste em analisar estes fluxos de informação para melhorar a produtividade, otimizar o uso da água e insumos, antecipar riscos climáticos ou sanitários e reforçar a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Esta função está no coração da agricultura de precisão e da transição digital do setor.

O rápido desenvolvimento da AgriTech explica o crescimento deste perfil profissional. Segundo a BIS Research, o mercado global de soluções de gestão e análise de dados agrícolas tem registado um crescimento sustentado, impulsionado pela adoção da inteligência artificial (IA), da Internet das Coisas (IoT) e de sistemas de apoio à decisão na agricultura.

Esta dinâmica é reforçada pelo crescimento global da agricultura digital. De acordo com a Global Growth Insights, o setor continua a expandir-se mundialmente, impulsionado pelas necessidades de otimização dos rendimentos e de adaptação às alterações climáticas.

Neste contexto, o analista de dados AgriTech ocupa uma função estratégica. Ele permite que agricultores, empresas agroindustriais e decisores públicos passem de uma agricultura baseada na intuição para uma agricultura guiada por dados. O seu trabalho contribui para reduzir perdas, proteger rendimentos agrícolas e aumentar a resiliência das cadeias de produção perante choques climáticos. Esta dimensão estratégica explica a crescente atratividade da profissão.

Em termos salariais, as diferenças continuam significativas entre regiões. Na Europa e na América do Norte, os analistas de dados especializados em AgriTech estão entre os perfis mais valorizados do setor agrícola digital. Ofertas publicadas nos últimos anos na plataforma Data Recrutement mostram níveis de remuneração comparáveis aos de data analysts em outras indústrias tecnológicas.

Em África, os salários são mais modestos, mas estão a aumentar rapidamente com o crescimento das start-ups AgriTech. No Quénia, os perfis equiparados a data scientists agrícolas beneficiam de reconhecimento crescente, impulsionado pela expansão das tecnologias digitais nas cadeias agrícolas.

Na Nigéria, dados disponíveis na Talenbrium revelam que várias empresas AgriTech oferecem agora remunerações acima da média nacional para atrair talentos capazes de explorar dados agrícolas, sinal de um mercado de trabalho em forte crescimento para estas competências.

Como aceder a esta profissão em África

O acesso a esta profissão em África passa por uma dinâmica de formação ainda em construção, mas em rápida evolução. A digitalização da agricultura acelera no continente, apoiada por políticas públicas, financiadores internacionais e um ecossistema de start-ups cada vez mais estruturado. O Banco Mundial destaca o papel crescente das plataformas digitais agrícolas na melhoria do acesso à informação, aos mercados e aos serviços financeiros para os produtores.

Os percursos dos analistas de dados AgriTech africanos refletem uma diversidade de formações que combinam competências digitais com compreensão dos desafios agrícolas. São oferecidos cursos especializados em big data e plataformas digitais agrícolas, como um programa de formação na Somália que explora como IoT, IA e análise de grandes volumes de dados otimizam a gestão das explorações agrícolas e a tomada de decisão em toda a cadeia de valor.

Formações focadas na aplicação da IA à agricultura também estão disponíveis online ou presencialmente em África, incluindo módulos sobre otimização de processos agrícolas, decisão baseada em dados e integração de tecnologias digitais. No Benim, cursos práticos em análise de dados para agricultura e gestão agrícola ensinam a transformar dados brutos em informação útil para a gestão agrícola e tomada de decisão.

Na mesma linha, módulos na África Ocidental, como DigiGreen & Agri, introduzem estudantes às ferramentas No‑Code e aos fundamentos da IA aplicada à agricultura, primeira etapa para competências em AgriTech. No Senegal, a Universidade Gaston Berger promove sessões de formação AgriTech para reforçar capacidades locais na integração de tecnologias digitais na produção agrícola.

Esta diversidade de ofertas contribui para formar uma nova geração de profissionais capazes de usar dados para modernizar a agricultura africana e reforçar a segurança alimentar, num setor onde a AgriTech é cada vez mais reconhecida como um motor de transformação.

Félicien Houindo Lokossou

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No Ruanda, o setor agrícola contribui com cerca de 24% para o PIB e emprega aproximadamente 55% da população ativa. No final do exercício fiscal 2024/2025, o setor consolida o seu desempenho nas exportações, mas ainda está longe de atingir os objetivos estabelecidos.

No Ruanda, as exportações de produtos agrícolas geraram 893,16 milhões de dólares em receitas no final do ano fiscal 2024/2025. É o que revela o relatório anual publicado pelo Ministério da Agricultura e Recursos Animais em 31 de dezembro passado.

Este montante representa um aumento de 6,4% em relação às receitas registadas no ano anterior (839,2 milhões de dólares). Motor das exportações, o setor do café é também aquele que apresentou o maior crescimento anual.

De facto, as receitas geradas pelo grão aumentaram 47%, atingindo 116,18 milhões de dólares. “O aumento das receitas do café deve-se ao crescimento dos volumes exportados, aliado à subida do preço do café, que passou de 4,78 para 5,66 dólares por quilograma”, destaca o relatório.

O documento sublinha ainda que a diversificação das culturas de exportação e dos produtos de origem animal permitiu compensar quedas pontuais de receitas de outros produtos de exportação tradicionais, como o chá ou o piretro. No conjunto, o café representou 13% das receitas de exportação agrícola do Ruanda, seguido pelo chá (12%) e pelos produtos hortícolas (10%).

Mais amplamente, o crescimento das receitas de exportações agrícolas em 2024/2025 coloca o Ruanda no bom caminho para atingir as suas ambições futuras. No âmbito da 5.ª fase do seu Plano Estratégico para a Transformação da Agricultura (PSTA 5), Kigali define como meta gerar mais de 1,5 mil milhões de dólares em receitas através das exportações de produtos agrícolas até 2028/2029.

Stéphanas Assocle

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A Costa do Marfim fornece cerca de 40 % da produção mundial de cacau. No país, a campanha de 2025/2026 foi lançada em outubro passado.

Na Costa do Marfim, o Conselho do Café-Cacau (CCC) refutou, na quarta-feira, 14 de janeiro, durante uma conferência de imprensa, as informações relativas a um alegado bloqueio da comercialização das amêndoas de cacau no país.

Nas últimas semanas, a imprensa internacional tinha noticiado a imobilização de vários camiões carregados de cacau nas imediações dos portos de Abidjan e de San Pedro, situação que estaria a afetar toda a cadeia de escoamento das amêndoas a partir das zonas de produção.

De acordo com Yves Brahima Koné (foto), diretor-geral do CCC, os referidos camiões estacionados encontram-se numa situação de “ilegalidade”, por não disporem de conhecimentos de embarque, documento administrativo indispensável para a exportação.

“O Conselho do Café-Cacau organizou devidamente a fileira. Há oito anos, em 2018, tomei a seguinte decisão: nenhuma carga de cacau sai da zona de produção sem conhecimento de embarque. E o conhecimento de embarque deve ser validado pelo operador e pelo exportador que recebe a carga em Abidjan. Se ambos não aprovarem o conhecimento, a carga não pode sair da sua zona de produção para Abidjan. Assim, quando nos dizem que há camiões em Abidjan, eles não têm documentos, estão na ilegalidade. Para nós, no Conselho, trata-se de fraude”, explicou o Sr. Koné.

Perante as preocupações manifestadas por várias associações do setor relativamente a uma crise nas vendas das amêndoas, que estaria a afetar os rendimentos dos produtores, o responsável máximo do regulador procurou tranquilizar os intervenientes. “Somos pessoas responsáveis. Fizemos previsões. Toda a produção da Costa do Marfim que sai das nossas plantações será comprada”, afirmou, acrescentando que pelo menos 80 % da produção da campanha de 2025/2026 foi vendida entre outubro e dezembro do ano passado.

Na principal economia da UEMOA, a referida campanha cacaueira foi aberta com um preço garantido de 2 800 FCFA por quilograma (4,9 dólares).

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Na Tunísia, a tâmara constitui o segundo produto agrícola de exportação, a seguir ao azeite. As previsões de colheita para a campanha de 2025/2026 apontam para uma melhoria do desempenho da fileira no mercado externo.

Na Tunísia, o setor das tâmaras espera uma colheita de 404 000 toneladas na campanha de 2025/2026, segundo as mais recentes estimativas do Comité Nacional de Acompanhamento dos Programas do Fundo de Promoção da Qualidade das Tâmaras. Caso se confirme, esta projeção representará um aumento de 16,3 % face à produção da campanha anterior (347 000 toneladas).

Trata-se de uma colheita recorde, ultrapassando pela primeira vez o limiar das 400 000 toneladas”, refere um comunicado do Ministério da Agricultura publicado no seu site a 13 de janeiro. Em pormenor, a Deglet Nour, variedade emblemática e pilar das exportações da fileira tunisina, deverá registar um crescimento da produção de 18,3 % em termos homólogos, atingindo 347 000 toneladas. Já a colheita das chamadas tâmaras comuns deverá alcançar 57 000 toneladas, um aumento de 5,5 % em relação à campanha anterior.

Embora as causas exatas desta melhoria não sejam detalhadas, sabe-se que o Governo reforçou o seu apoio ao setor nos últimos anos, com o objetivo de aumentar a sua resiliência face à seca e às pragas.

A título ilustrativo, o Ministério da Agricultura anunciou, em março de 2025, a distribuição de 5 milhões de redes mosquiteiras aos produtores, destinadas a proteger as colheitas contra as intempéries e os parasitas, no âmbito dos preparativos para a campanha em curso. Além disso, em novembro de 2024, as autoridades indicaram ter beneficiado de um apoio financeiro de 25 milhões de dólares dos Estados Unidos para reforçar o sistema de produção da fileira e adaptá-lo às restrições associadas à seca.

De um modo geral, o crescimento esperado da colheita em 2025/2026 permitirá ao setor tunisino aumentar o volume exportável e, paralelamente, as receitas daí resultantes. Segundo dados compilados pelo Observatório Nacional da Agricultura (Onagri), a Tunísia colocou 153 000 toneladas de tâmaras no mercado internacional em 2024, gerando receitas de 955 milhões de dinares (330 milhões de dólares).

Stéphanas Assocle

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No Senegal, o amendoim é um dos principais produtos agrícolas de exportação. Numa altura em que a colheita se anuncia mais abundante do que o previsto, as autoridades estão a repensar a sua estratégia de gestão da campanha de comercialização de 2025/2026.

No Senegal, a taxa de 4 % atualmente aplicada à exportação de carregamentos de amendoim foi suspensa para a campanha de comercialização 2025/2026. O anúncio foi feito pelo Ministério da Indústria e do Comércio num comunicado publicado na terça-feira, 13 de janeiro, no qual se precisa que a medida visa facilitar as exportações.

Para esta nova campanha de comercialização, as autoridades ambicionam colocar entre 300 000 e 450 000 toneladas de amendoim no mercado internacional. Caso esta projeção se concretize, poderá assinalar uma retoma das exportações do setor senegalês, que têm registado uma forte queda nos últimos anos, segundo dados compilados pela Agência Nacional de Estatística e Demografia (ANSD).

Depois de um pico de 336 000 toneladas alcançado em 2021, as exportações de amendoim caíram para 121 798 toneladas em 2024, representando uma diminuição de 64 % ao longo de quatro anos. Paralelamente, as receitas de exportação do setor também recuaram 57 %, passando de 154,7 mil milhões de francos CFA (274,7 milhões de dólares) para 65,3 mil milhões de francos CFA (115,9 milhões de dólares) no período considerado.

Uma produção mais elevada do que o previsto

Importa salientar que o alívio fiscal anunciado pelo Ministério da Indústria e do Comércio surge num contexto em que o setor antecipa uma colheita abundante. «Através desta medida, o Governo pretende dar uma resposta ao desafio da comercialização da produção deste ano, cujos volumes ultrapassam largamente as previsões, com mais de 900 000 toneladas registadas», sublinha o comunicado.

Esta abordagem, contudo, levanta dúvidas quanto à capacidade de absorção da colheita pelos circuitos tradicionais de comercialização, nomeadamente a transformação local, fazendo pairar o risco de congestionamento do mercado e de pressão descendente sobre os preços pagos aos produtores, perante a sobreprodução que se avizinha.

É neste contexto que, a 5 de janeiro último, o governo instruiu a Société nationale de commercialisation des oléagineux du Sénégal (SONACOS), principal empresa oleaginosa do país, a quase duplicar a sua capacidade de compra de amendoim, elevando-a para 450 000 toneladas, face a um objetivo inicial de 250 000 toneladas para a campanha em curso. Uma iniciativa que ainda não convenceu os produtores.

«Em dois meses, a SONACOS comprou apenas 62 000 toneladas de amendoim. Seria ilusório pensar que esta empresa é capaz de adquirir 450 000 toneladas de grão de amendoim», declarou o coordenador regional da associação camponesa Aar Sunu Momel, em Thiès, em declarações citadas pela Agência Senegalesa de Imprensa (APS) no passado dia 11 de janeiro.

Recorde-se que o governo decidiu fixar o preço mínimo de compra do quilograma de amendoim em 305 francos CFA junto dos produtores para a campanha de 2025/2026. Resta saber se a supressão anunciada da taxa de exportação produzirá o efeito esperado, estimulando as exportações e permitindo uma melhor regulação do mercado.

Stéphanas Assocle

 

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