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No Gana, a pecuária contribui com 13% do PIB agrícola. Num contexto em que o governo deseja relançar a avicultura e acelerar o desenvolvimento da aquicultura, a procura por alimentos para animais deverá continuar a crescer.

A empresa biotecnológica dinamarquesa Insectum ApS, especializada na produção de proteínas para alimentação animal a partir de resíduos orgânicos, prepara-se para lançar a sua primeira instalação comercial no Gana.

De acordo com informações divulgadas pelos meios de comunicação internacionais, este novo projeto será realizado no âmbito de uma parceria tripartida celebrada a 4 de março em Acra, com a sua compatriota Michael Bundgaard Holding e a empresa ganesa JSO Waste, especializada na reciclagem e valorização de resíduos.

Na Insectum, estamos muito entusiasmados por formar a nossa primeira parceria de franchising em África, e estamos particularmente orgulhosos de o fazer com a JSO e a Michael Bundgaard Holding, empresas com as quais a colaboração se impôs naturalmente desde o início”, afirmou David Munk-Bogballe, diretor-geral da Insectum ApS.

Com um investimento total de 2,5 milhões de euros (2,9 milhões de dólares), a futura fábrica terá capacidade para processar 8.000 toneladas de resíduos orgânicos por ano, transformando estes fluxos em proteínas para peixes e aves, bem como em fertilizantes orgânicos para a agricultura. Por enquanto, os detalhes sobre o início das obras e a localização do local ainda não são conhecidos.

Rumo à redução dos custos de produção de alimentos para animais

A particularidade da Insectum reside na sua tecnologia inovadora baseada na criação da mosca-soldado-negra (Hermetia illucens). As larvas deste inseto consomem os resíduos orgânicos e transformam-nos em proteínas e lipídios ricos, ideais para a alimentação animal. Os resíduos servem de fertilizantes naturais, apoiando a produção agrícola local e reduzindo a pegada ambiental.

O projeto responde a uma necessidade estratégica para o Gana, que procura relançar o setor avícola e desenvolver a aquicultura. Segundo a FAO, a farinha de mosca-soldado-negra constitui uma alternativa sustentável e mais barata em comparação com a farinha de peixe convencional, tradicionalmente usada na alimentação de peixes em aquicultura.

Num relatório publicado em janeiro, o Fórum Económico Mundial (WEF) sublinhou que, em África, as limitações relativas aos alimentos para peixes levam a custos de produção aquacultural superiores em 10 a 20% à média mundial. “Estes custos elevados devem-se à dependência de alimentos piscícolas convencionais, importados devido à capacidade limitada de produção local, compostos por farelo de soja [também essencial para consumo humano] e farinha de peixe [proveniente de captura de peixes selvagens]”, explica o WEF.

Neste contexto, a perspetiva de reduzir os custos de produção de alimentos para peixes à base de farinha de mosca-soldado-negra deverá sustentar a dinâmica de crescimento observada na indústria aquacultural ganesa nos últimos anos. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento da Pesca e Aquicultura, a produção aquacultural no Gana quase duplicou, passando de 52.360 toneladas em 2019 para 100.000 toneladas em 2023. Com este aumento significativo, a aquicultura representa atualmente cerca de 20% da captura total de peixes, estimada em 484.412 toneladas em 2023.

No setor avícola, o elevado custo de produção de alimentos para animais é também considerado um dos principais obstáculos ao desenvolvimento da indústria local. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o Gana produziu apenas 60.000 toneladas de carne de frango em 2023, ou seja, apenas 18% do consumo total, estimado em 330.000 toneladas no mesmo ano.

Com o seu projeto em preparação no Gana, a Insectum ApS e os seus parceiros procuram posicionar-se num mercado de alimentos para animais destinado a crescer, acompanhando a vontade do governo de aumentar a produção avícola e aquacultural nos próximos anos.

Stéphanas Assocle

 

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A África do Sul é um dos principais atores africanos no mercado internacional de abacates, ao lado do Quénia e do Marrocos. Após uma queda de desempenho em 2025, o país procura recuperar-se, apesar dos desafios logísticos na Mar Vermelha e no Oriente Médio.

A produção sul-africana de abacate prevê colocar 22 milhões de caixas no mercado internacional em 2026, o equivalente a 88 000 toneladas (1 caixa = 4 kg), revelou Derek Donkin, CEO da Associação Sul-Africana de Produtores de Frutos Subtropicais, ao Farmer’s Weekly em 9 de março.

Se concretizadas, estas projeções representam um aumento de 15,8% em relação a 2025 (76 000 toneladas) e um rebote face às 82 787 toneladas enviadas em 2024. O crescimento esperado deve-se à maturação de novos pomares, aumentando a produção e, consequentemente, o volume exportável. Cerca de 60% da produção anual é destinada ao mercado internacional, enquanto o restante é vendido internamente.

Desafios logísticos em destaque

Apesar da expectativa de recuperação, a indústria enfrenta perturbações no comércio marítimo que afetam o acesso aos mercados. Em 2025, a produção sul-africana sofreu com gargalos logísticos na Mar Vermelha, rota essencial para a Europa, principal destino das exportações.

Segundo a FAO, a retomada de ataques dos rebeldes houthis do Iémen criou um clima de insegurança, levando as empresas marítimas a evitar o Canal de Suez, aumentando custos e tempos de transporte. Este fator foi apontado como principal motivo da redução das exportações em 2025.

Além disso, tensões geopolíticas no Oriente Médio, como o conflito crescente entre EUA, Israel e Irão, podem agravar a insegurança em 2026. O Irão anunciou o bloqueio do estreito de Ormuz, enquanto os Houthis intensificaram ameaças ao tráfego marítimo na Mar Vermelha, colocando em risco rotas comerciais essenciais entre Ásia, Europa e África.

Expansão para mercados asiáticos

Desde 2023, a África do Sul tem diversificado os mercados asiáticos, abrindo novos canais na China, Índia e Japão, e negociações para Coreia do Sul devem começar em 2026.

Dados da plataforma Trade Map mostram que, em 2024, o país exportou cerca de 204 milhões de dólares em abacates, com 76% das receitas provenientes da UE, 13% do Reino Unido, 5,3% da Rússia e 4% da Ásia.

Diante deste contexto de incerteza, os produtores são aconselhados a gerir a temporada com cautela, aproveitando a flexibilidade de maturação dos frutos. Zac Bard, diretor de estratégia da Westfalia, destacou a importância de ajustar os planos de colheita e comercialização conforme condições logísticas e de mercado.

Stéphanas Assocle

 

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No mundo, a segurança fundiária constitui um desafio central para a produção agrícola, e o continente africano está entre as regiões mais afetadas por esta questão.

Na África subsaariana, 73% das terras são detidas sob regimes consuetudinários, revela um relatório sobre “A situação dos direitos e da governação fundiária”, publicado em conjunto no final de fevereiro pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, pela International Land Coalition e pelo Centro de Cooperação Internacional em Investigação Agronómica para o Desenvolvimento.

Na prática, isto significa que, na região, quase três quartos das terras são geridas segundo regras locais (chefiados, linhagens, famílias, comunidades de aldeia) socialmente aceites.

Embora esta proporção seja superior à média mundial (42%, cerca de 5,5 mil milhões de hectares), o relatório destaca que a região ocupa o último lugar em termos de reconhecimento oficial pelo Estado. Apenas 1% das terras consuetudinárias ao sul do Saara estão formalmente reconhecidas nos quadros legais nacionais, comparado com 8% a nível global.

Um paradoxo africano

Segundo os autores do relatório, esta falta de reconhecimento oficial ocorre num contexto em que 28% das terras consuetudinárias cartografadas no mundo estão em África, comparado com 30% na América do Norte e Europa, 18% na Ásia e 12% na América Latina e Caraíbas.

Ou seja, embora o conhecimento sobre a distribuição geográfica dos territórios geridos por comunidades africanas esteja a melhorar, esses dados raramente se traduzem em direitos formais inscritos nas leis, cadastros ou registos fundiários.

Este paradoxo deixa grande parte das terras da África subsaariana em zona cinzenta jurídica, perpetuando a insegurança fundiária no setor agrícola. Terras mesmo cartografadas podem ser consideradas legalmente “terras do Estado” ou espaços sem proprietário claramente definido, tornando os agricultores vulneráveis e abrindo espaço a riscos de apropriação de terras ou projetos impostos sem o consentimento das comunidades.

Impacto sobre as mulheres

As mulheres são particularmente afetadas, pois em muitos países já possuem menos direitos fundiários seguros que os homens. Esta situação limita a sua capacidade de investir e aceder a fatores de produção, como água ou insumos, apesar da sua importância no setor agroalimentar (representando 49% da mão de obra, segundo a FAO).

O relatório indica ainda que, globalmente, mulheres proprietárias de terras relatam significativamente mais frequentemente que os homens sentirem insegurança fundiária em casos de divórcio ou morte do cônjuge, sendo esta desigualdade particularmente pronunciada em África subsaariana, Sul da Ásia, Sudeste Asiático e Oeste Asiático.

Uma questão ambiental e climática

O documento salienta que, em África como no resto do mundo, as terras consuetudinárias abrigam grande parte das florestas intactas e do carbono “irreversível”, de modo que a ausência de reconhecimento formal também coloca em risco questões globais relacionadas com o clima e a biodiversidade.

Chamado à ação

Face a estes desafios, os autores do relatório apelam a novos compromissos dos Estados, incluindo o acesso das mulheres aos direitos fundiários e a segurança dos direitos consuetudinários. Embora novos quadros políticos e regimes fundiários tenham sido implementados na região, os especialistas reconhecem que muito ainda precisa ser feito.

Entre as iniciativas existentes estão a gestão comunitária de recursos e os acordos de co-gestão, que tratam as comunidades consuetudinárias como parceiros iguais na conceção e implementação de soluções climáticas. É essencial aplicar os princípios do Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI), respeitar a autodeterminação e integrar os conhecimentos dos povos indígenas nas políticas fundiárias, climáticas e de governação.

Espoir Olodo

 

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A International Finance Corporation prepara-se para financiar a expansão agrícola da Nile Sugar Company, filial da família Sawiris family, na região de Minya. Trata-se de uma aposta industrial e soberana no centro da estratégia alimentar do Cairo.

O Egypt continua a procurar reduzir a sua dependência das importações de açúcar, e a International Finance Corporation (IFC), braço privado do World Bank, pretende apoiar essa ambição. Segundo documentos obtidos pela Agence Ecofin, a instituição considera conceder um empréstimo sénior de 40 milhões de dólares à Nile Sugar Company, produtora privada de açúcar de beterraba fundada em 2006 pela família Sawiris family. O processo, que circula internamente há vários meses, encontra-se atualmente à espera de aprovação.

Uma estrutura paritária e um prazo de sete anos

O financiamento proposto divide-se em duas parcelas iguais: 20 milhões de dólares provenientes diretamente da IFC e 20 milhões mobilizados junto de investidores terceiros, com maturidade de sete anos, incluindo três anos de carência. A Nile Sugar Company foi adquirida em 2019 pela Orascom Investment Holding, o veículo de investimento de Naguib Sawiris, numa transação avaliada em 3,7 mil milhões de libras egípcias (71,8 milhões de dólares), o que permitiu ao grupo consolidar a sua posição no setor agroalimentar estratégico.

Os fundos servirão para financiar o desenvolvimento de 13 711 feddans — cerca de 5 760 hectares de terras agrícolas — na região de Minya, no Alto Egito, destinados ao cultivo de beterraba sacarina. Estão igualmente previstos investimentos em infraestruturas, equipamentos e fundo de maneio, nomeadamente para o pré-financiamento de sementes e insumos destinados aos pequenos agricultores fornecedores da empresa.

Inserção na grande reconversão das terras desérticas

O projeto insere-se no vasto programa nacional de valorização agrícola conduzido pela Egyptian Countryside Development Company, uma estrutura tripartida que reúne os ministérios das Finanças, da Agricultura e da Habitação, com o objetivo de reconverter quatro milhões de feddans (1,68 milhão de hectares) de terras desérticas até 2030. Este programa de grande escala visa reforçar as capacidades agrícolas do Egypt, atrair investimentos locais e estrangeiros e promover o desenvolvimento sustentável.

A refinaria da Nile Sugar Company, situada em Nubariyah, ao longo da estrada do deserto Alexandria–Cairo, processa atualmente até 11 000 toneladas de beterraba por dia e produz cerca de 232 000 toneladas de açúcar branco por campanha. A fábrica, localizada a cerca de 350 quilómetros das novas terras agrícolas de Minya, é considerada pela IFC como uma instalação associada ao projeto, uma vez que se abastece quase exclusivamente das explorações financiadas.

Um défice estrutural que a produção doméstica ainda não cobre

O desafio é significativo. A produção de açúcar do Egypt atingiu 2,8 milhões de toneladas em 2025, com uma meta de 2,9 milhões de toneladas em 2026, o que corresponde a uma taxa de autossuficiência de 81%, em ligeira recuperação após ter caído para 75,8% em 2024. O país consome cerca de 3,2 milhões de toneladas por ano, mantendo um défice estrutural que as autoridades procuram reduzir através da expansão das áreas cultivadas e do reforço da capacidade industrial do setor privado.

As importações de açúcar bruto deverão cair para 1,5 milhão de toneladas em 2024-2025, contra 1,8 milhão de toneladas na campanha anterior, sinal de uma dinâmica de substituição de importações que o investimento da IFC pretende acelerar.

Fiacre E. Kakpo

 

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Na África Ocidental, o Senegal está entre os principais mercados para o trigo importado. Com a crescente demanda pelos produtos derivados deste cereal, o setor de transformação tem-se reforçado no país, impulsionado por novos projetos industriais.

A empresa marroquina de engenharia industrial REMORA, especializada na instalação e montagem de unidades agroindustriais, anunciou no dia 27 de fevereiro que concluiu a construção de um moinho de farinha de trigo no Senegal. Num comunicado publicado no seu site, a empresa detalha que esta nova unidade industrial tem uma capacidade de processamento de 500 toneladas de trigo por dia.

Até agora, a identidade do promotor do projeto não foi revelada. No entanto, a entrada em funcionamento deste novo moinho deverá reforçar a capacidade de produção de farinha de trigo no Senegal. Ele também reflete o dinamismo da demanda por trigo e seus derivados, que continua a atrair o interesse dos industriais.

Um mercado em plena expansão

É importante notar que o Senegal é atualmente o terceiro maior importador de trigo na África Ocidental, atrás apenas da Nigéria e de Gana. Sendo o trigo a segunda cereal mais consumida após o arroz, ele ocupa um lugar cada vez mais importante nos hábitos alimentares da população, sendo principalmente consumido sob a forma de pão, pastéis, semolina ou massas alimentícias.

Por habitante, o consumo anual de trigo no país aumentou de 27 kg em 2002 para 42 kg em 2020, de acordo com os dados oficiais. Enquanto a produção local deste cereal é praticamente inexistente, como em muitos países da África Ocidental, a crescente demanda no mercado interno é suprida pelas importações.

Os dados compilados pela Agência Nacional de Estatísticas e Demografia (ANSD) mostram que as compras de trigo importado no Senegal aumentaram 30,3% em 5 anos, passando de 693.996 toneladas em 2020 para 904.947 toneladas em 2024. Ao mesmo tempo, o custo dessas compras aumentou globalmente 55,24%, atingindo 171,37 bilhões de francos CFA (303,5 milhões de dólares) no mesmo período.

Essas importações são feitas por uma dezena de moinhos, sendo os mais importantes, em termos de capacidade de transformação do trigo em farinha, os Grands Moulins de Dakar, Grands Moulins du Sahel, MS, FKS, NMA e Olam.

Interesses nas exportações?

Embora a maioria do trigo importado seja transformada e consumida no mercado interno, é importante destacar que uma parte é exportada para os países da sub-região da África Ocidental. Segundo a ANSD, a indústria sénegalesa exportou, em média, 13.861 toneladas de farinha de trigo por ano entre 2020 e 2023, com um pico de 29.249 toneladas em 2021.

Simultaneamente, as receitas de exportação geradas nesse período atingiram uma média de 3,86 bilhões de francos CFA (6,83 milhões de dólares), com um pico de 7,7 bilhões (13,64 milhões de dólares) em 2021. Nesse contexto, o reforço das capacidades de transformação de farinha de trigo também pode apoiar o crescimento das exportações de farinha de trigo nos próximos anos.

Stéphanas Assocle

 

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Enquanto a mandioca continua a ser o segundo alimento básico mais importante na África subsaariana, depois do milho, o relatório recomenda a seleção de variedades resistentes e a implementação de sistemas de distribuição de estacas certificadas livres da doença viral, para evitar um aumento da insegurança alimentar no continente.

A Estria Castanha da Mandioca (Cassava Brown Streak Disease, CBSD), durante mais de 70 anos confinada às regiões costeiras da África Oriental, poderá progredir rapidamente para o Oeste e expandir a sua área climática potencial para cerca de 33,7% das terras do continente, alertaram cientistas num estudo publicado a 16 de janeiro de 2026 no East African Journal of Science, Technology and Innovation.

Intitulado Predicting the current and future suitable habitats of cassava and cassava brown streak disease in Africa, o estudo foi conduzido por investigadores, nomeadamente afiliados à Universidade de Stellenbosch, na África do Sul. Os autores cartografaram as zonas atuais e futuras susceptíveis de acolher tanto o cultivo da mandioca como a doença, com base em modelos de distribuição de espécies (MDE). Estas ferramentas estatísticas utilizam dados ambientais — temperatura, precipitação e altitude — para prever a distribuição geográfica de uma espécie ao longo do tempo e do espaço.

Os resultados mostram que 54,6% da área total da África, cerca de 16,2 milhões de km², apresenta atualmente condições favoráveis ao cultivo da mandioca. Esta área abrange principalmente as regiões tropicais e subtropicais da África subsaariana.

Ao mesmo tempo, os investigadores estimam que cerca de 10,2 milhões de km², ou 33,7% da superfície do continente, oferecem condições propícias à propagação da Estria Castanha da Mandioca, considerada a doença viral mais destrutiva que afeta esta cultura.

A CBSD provoca necrose nas raízes, a parte comestível da mandioca, tornando as colheitas impróprias para consumo. Os principais focos históricos da doença situam-se atualmente ao longo das costas da Tanzânia e de Moçambique.

Segundo as projeções dos investigadores, as zonas mais vulneráveis no futuro incluem a costa leste e as regiões lacustres da Tanzânia, do Uganda e do sudeste da RDC. O Malawi, Ruanda, Burundi e Angola — onde já foram reportados focos da doença — estão também entre os países de alto risco, assim como o norte da Zâmbia.

Uma provável expansão para a África Ocidental

A presença da Estria Castanha da Mandioca ainda não foi registada na África Ocidental, mas os modelos de distribuição de espécies indicaram condições favoráveis à propagação da doença nesta sub-região, em particular na Costa do Marfim, Gana e Nigéria, nas próximas décadas.

A progressão prevista da CBSD no continente explica-se, em primeiro lugar, pelos efeitos das alterações climáticas. Condições mais quentes e húmidas, bem como alterações nos padrões de precipitação, permitem cada vez mais à mosca-branca (Bemisia tabaci), vetor do vírus da Estria Castanha da Mandioca, expandir-se acima do limite de cerca de 1 000 metros de altitude, um limiar anteriormente considerado desfavorável à sua sobrevivência pelos investigadores. Estudos científicos concluíram que a mosca-branca se adapta progressivamente às condições climáticas características das zonas de cultivo da mandioca na região dos Grandes Lagos.

Para além disso, o material vegetal infetado continua a ser um fator importante na propagação da CBSD no continente. Isto é ainda mais relevante dado que os sistemas oficiais de distribuição de material vegetal controlado não são comuns no sul do Saara. Esta situação contrasta com a dos países asiáticos produtores, como a Tailândia, primeiro exportador mundial de produtos à base de mandioca, onde o material vegetal certificado e livre de doenças é distribuído através de sistemas mais estruturados e controlados pelo Estado.

E, por último, muitas variedades de mandioca de alto rendimento desenvolvidas para resistir à doença do mosaico da mandioca (CMD) são muito vulneráveis à Estria Castanha, criando assim um vasto reservatório de hospedeiros suscetíveis.

Enquanto a capacidade da mandioca de tolerar a seca e as altas temperaturas a torna um aliado precioso contra a insegurança alimentar em África, num contexto marcado pelo aceleramento do aquecimento global, o relatório sublinha que a seleção de variedades resistentes, a implementação de sistemas de distribuição de estacas certificadas livres de doenças e o controlo mais rigoroso dos circuitos informais de comercialização do material vegetal constituem as únicas formas viáveis de conter a propagação da doença, apelidada de “Ebola da mandioca”.

Walid Kéfi

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À medida que a procura por esta fonte de proteína animal continua a crescer, os fornecedores estão atentos às oportunidades para consolidar a sua presença neste mercado.

A Rússia exportou cerca de 35.000 toneladas de carne de aves, no valor de 51 milhões de dólares, para países africanos até ao final de 2025. A informação foi divulgada pela agência de notícias russa Interfax, citando as últimas estimativas de fevereiro da Agroexport, órgão federal russo responsável por estruturar, promover e garantir as exportações agrícolas.

O volume anunciado representa mais do dobro do registado um ano antes, enquanto as receitas foram mais do triplo das obtidas no ano anterior. Para explicar este crescimento, a Agroexport destaca o regresso dos operadores russos a mercados anteriormente abandonados, bem como a penetração em novos mercados no continente.

O ano passado ficará na memória como o primeiro ano em que carne de aves e subprodutos foram fornecidos à República Centro-Africana e ao Sudão. Além disso, as exportações para a Serra Leoa e Djibuti retomaram pela primeira vez desde a interrupção em 2017, assim como as exportações para Tanzânia, pela primeira vez desde 2020, para Gâmbia desde 2018, e para Marrocos e Togo desde 2023”, informou a mesma fonte.

Globalmente, o Benim foi o principal destino em 2025, representando cerca de 41,1% das compras em valor, seguido pela RDC (21,56%) e pelo Gana (11,7%). Apesar desta melhoria nos volumes de exportação ano após ano, a origem russa deverá permanecer marginal no abastecimento do mercado africano.

É de notar que, em África, as importações de carne e derivados de aves aumentaram 19% em cinco anos, passando de 2 milhões de toneladas em 2020 para 2,44 milhões de toneladas em 2024, segundo dados compilados pela FAO. Paralelamente, a fatura destas compras cresceu 37% no mesmo período, atingindo 2,63 mil milhões de dólares. Entre os principais fornecedores destacam-se o Brasil, os Estados Unidos e a União Europeia.

Stéphanas Assocle

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O mercado mundial do cacau tem registado nos últimos meses fortes oscilações. Confrontados com a queda dos preços, Gana e a Costa do Marfim procuram, cada um à sua maneira, uma solução.

Em Costa do Marfim, o preço no campo do cacau foi reduzido em 57%, fixando-se em 1.200 FCFA (2,13 $) por quilo para a campanha intermédia de 2025/2026, que começa em março com um mês de antecedência. O anúncio foi feito na quarta-feira, 4 de março, por Bruno Koné, ministro da Agricultura. Durante a época principal, de outubro a fevereiro, o preço tinha sido fixado em 2.800 FCFA/kg.

“Esta decisão não foi tomada de ânimo leve”

Segundo o governante, este reajuste” está principalmente relacionado com a evolução dos preços do cacau. “Esta decisão não foi tomada de ânimo leve”, reconheceu.

Embora não seja certo que esta declaração tranquilize os cacaicultores, que tinham recebido com entusiasmo o tarifário anterior, ela era esperada num contexto delicado para o setor ivoiriense.

Normalmente, o preço pago ao produtor durante a pequena colheita é inferior ou igual ao da campanha principal. No entanto, esta nova tabela tem várias implicações para os agricultores e para todo o sistema de comercialização das amêndoas de cacau.

De facto, o preço de compra anterior, fixado em outubro, acabou por se revelar superior ao preço mundial do cacau alguns meses depois.

Atualmente, os contratos flutuam em torno de 3.000 $ por tonelada, tendo atingido em 24 de fevereiro o nível mais baixo em mais de dois anos, 2.952 $/t, depois de terem chegado ao máximo histórico em dezembro de 2024 em Nova Iorque (12.906 $/t).

Para os negociantes internacionais, esta queda traduziu-se em perdas e numa desaceleração das compras, resultando num stock de 100.000 toneladas de amêndoas não vendidas da colheita principal, inventariadas em janeiro pelo Conselho do Café-Cacau (CCC) nas zonas produtoras.

Para fornecer liquidez aos produtores e acalmar as organizações de agricultores, o governo ivoiriense lançou um programa de recompra de todo este volume ao preço garantido aplicado durante a campanha principal.

Um orçamento de 280 mil milhões FCFA (496 milhões $) foi alocado para a operação, que já permitiu adquirir 23.000 toneladas de “ouro marrom, segundo dados da Organização Interprofissional Agrícola do Cacau, reportados pela Reuters.

Rumo a um retorno à normalidade?

Com esta medida, o governo persegue um duplo objetivo. Apesar de a redução relativa ser maior do que a feita em Gana (28,6%), o preço continua a ser mais atrativo em termos absolutos, com o preço ganês fixado em 41.392 cedis (3.847 $) por tonelada.

Este fator reposiciona a diferença de preços a seu favor e poderia limitar as saídas ilegais para o país vizinho a leste. Além disso, a medida alivia ainda mais a estrutura de custos para os importadores.

Segundo informações divulgadas pela Bloomberg em 25 de fevereiro, os traders já beneficiaram da supressão do prémio associado à qualidade do produto e do diferencial de rendimento decente de 400 $ por tonelada, instaurado desde 2020/2021 para melhorar as condições dos produtores.

Com a nova medida, as autoridades esperam acelerar as operações dos comerciantes no terreno. De acordo com dados da Reuters, citados pelo site especializado CocoaRadar, a atividade já retoma nos principais portos de exportação das amêndoas na primeira economia da UEMOA.

Na semana encerrada em 1 de março, chegaram cerca de 28.000 toneladas, das quais aproximadamente 15.000 em Abidjan e 13.000 em San Pedro, contra cerca de 18.000 toneladas no mesmo período do ano anterior.

Espoir Olodo

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Na África Ocidental, o Mali figura entre os principais produtores de algodão, juntamente com o Benim, o Burquina Faso e a Costa do Marfim. Entre desafios climáticos e de segurança, o setor maliano tenta, a duras penas, estabilizar a produção da matéria-prima.

O Mali prevê aumentar a produção de algodão em caroço para mais de 650.000 toneladas durante a próxima campanha de 2026/2027. A informação, divulgada por vários meios de comunicação locais, foi revelada durante a 106.ª sessão ordinária do Conselho de Administração da Companhia Maliana para o Desenvolvimento dos Têxteis (CMDT), realizada em 26 de fevereiro.

Se se concretizar, esta previsão representaria um aumento superior a 50% em relação à colheita estimada para a campanha em curso. Dados da interprofissão, reportados pelo Programa Regional de Produção Integrada de Algodão em África (PR-PICA), mostram que o Mali espera uma produção de 433.700 toneladas de algodão em caroço em 2025/2026.

No âmbito desta ambição, a CMDT prevê aumentar a área semeada em 96.000 hectares, para um total de 630.000 hectares na campanha de 2026/2027. Está igualmente previsto aumentar em 17% o rendimento médio das culturas de ano para ano, para atingir 950 kg por hectare.

Segundo as autoridades, o setor terá, no entanto, de lidar com desafios agronómicos e estruturais que já perturbavam a campanha anterior. Em várias zonas produtoras, a insegurança continua a dificultar as atividades agrícolas, enquanto a variabilidade climática, marcada por episódios de inundações e zonas de seca, afeta os rendimentos. A estes constrangimentos juntam-se a gestão de ataques de jassídeos (insetos parasitas do algodão) e atrasos no fornecimento de insumos.

Em declarações ao diário Echos Médias, Kouloumégué Dembélé, CEO da CMDT, indica que está em curso a adoção de um plano de relançamento intermédio, acompanhado de um plano de ação operacional, para melhor antecipar estes riscos.

Um setor em busca de estabilidade

No Mali, a produção de algodão em caroço tem evoluído de forma irregular nas últimas cinco campanhas. Desde o pico de produção de 777.000 toneladas atingido em 2021/2022, o setor nunca mais conseguiu ultrapassar a barreira das 700.000 toneladas. Esta irregularidade custou-lhe, em várias ocasiões, a liderança africana em oferta, em favor do Benim, sendo a última vez na campanha de 2025/2026.

Produto estratégico e segunda maior fonte de receitas de exportação do país, depois do ouro, o algodão pesa fortemente na balança comercial do Mali. A instabilidade da oferta limita não só os volumes exportáveis, mas também as receitas geradas. Um desafio ainda mais sensível, dado que os preços internacionais têm vindo a cair nos últimos anos.

Segundo o Comité Consultivo Internacional do Algodão (ICAC), o índice Cotlook A, referência internacional para o preço do algodão, caiu pelo terceiro ano consecutivo, fixando-se em média nos 79,6 cêntimos por libra (0,45 kg) em 2024/25, uma diminuição de 13,4% em relação à temporada anterior, e o seu nível médio mais baixo desde a campanha de 2020/2021.

Dados compilados na plataforma Trade Map indicam que o Mali exportou cerca de 69,7 milhões USD de algodão em 2024, valor quase quatro vezes inferior aos 256 milhões USD de receitas registadas em 2020.

Dados do PR-PICA enviados por e-mail (produção maliana nas últimas 5 campanhas)

Stéphanas Assocle

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O Quênia é o líder africano em flores cortadas, principalmente devido ao clima de seus planaltos, ideal para as rosas. No país, a floricultura também representa a segunda maior fonte de receitas de exportação agrícola, depois do chá.

Os ataques americanos e israelenses contra o Irã, lançados na noite de 27 para 28 de fevereiro, desencadearam uma reação em cadeia nos céus do Oriente Médio. De acordo com vários meios de comunicação internacionais, o Irã, Israel e vários países da região, como Catar, Kuwait, Bahrein, Síria e Emirados Árabes Unidos, fecharam ou restringiram o acesso aos seus espaços aéreos.

Esse contexto de insegurança no Oriente Médio pode perturbar os embarques da indústria floricultura do Quênia. "O Golfo é um hub aéreo chave para os produtos perecíveis do Quênia. Quando os aeroportos e os corredores aéreos ficam mais restritos, vemos uma redução do espaço de carga disponível, atrasos e desvios", declarou Clément Tulezi (foto), diretor-geral do Conselho Florícola (KFC), em uma entrevista à mídia local Capital FM, no dia 3 de março.

A conquista dos mercados do Golfo em risco?

É importante notar que Nairobi tem buscado, nos últimos anos, diversificar seus mercados para flores cortadas fora da União Europeia, mirando países do Golfo Pérsico, como Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita.

Os dados compilados pela plataforma Trade Map mostram, por exemplo, que esses 5 países representaram quase 13,35% das expedições totais de flores cortadas do Quênia, em valor, que somaram 722,9 milhões de dólares.

Além do receio de uma redução do espaço de carga disponível para as expedições, o KFC também teme um aumento nas tarifas do frete aéreo, uma vez que as companhias aéreas poderão ser forçadas a desviar os voos para evitar rotas comerciais de risco, aumentando assim os custos operacionais.

"Para o mercado do Oriente Médio em particular, qualquer interrupção prolongada dos voos para hubs como Dubai afeta a entrega pontual, o que é essencial para as flores. Nossa prioridade imediata é proteger a qualidade através da cadeia de frio e trabalhar com as companhias aéreas e os operadores de carga para garantir rotas alternativas", acrescentou.

A situação já estava complicada

A situação é ainda mais preocupante, pois a indústria floricultura do Quênia já estava enfrentando um aumento nos custos do frete marítimo desde 2023, devido à crise no Mar Vermelho relacionada aos ataques dos Houthis, com o desvio das rotas marítimas pelo Cabo da Boa Esperança e o aumento dos tempos de trânsito. Essa situação, aliás, fez com que muitos envolvidos no setor passassem a recorrer ao transporte aéreo para continuar com as expedições de flores cortadas.

Os dados compilados pelo Bureau Nacional de Estatísticas (KNBS) também mostram que os volumes de flores cortadas exportados pelo Quênia diminuíram 12% de um ano para o outro, totalizando 102.475 toneladas em 2024, no contexto do conflito no Mar Vermelho.

Stéphanas Assocle

 

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