Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin

Sete centros financeiros africanos figuram entre os internacionais mais competitivos, mas apenas dois estão no Top 50 global

A Casablanca Finance City (CFC) destronou o centro financeiro de Maurício, assumindo o título de centro financeiro mais competitivo de África, segundo a 39.ª edição do «Global Financial Centres Index» (GFCI), publicada na quinta-feira, 26 de março de 2026, pelo think tank londrino Z/Yen Group em colaboração com o China Development Institute.

A CFC ocupa o 49.º lugar neste índice semestral, que avalia 120 centros financeiros internacionais com base na sua competitividade e atratividade para investidores, profissionais da área financeira e empresas em todo o mundo.

Casablanca Finance City subiu sete posições em relação à edição anterior do relatório e ocupa agora o 4.º lugar na região África & Médio Oriente, atrás apenas dos centros financeiros dos Emirados de Dubai, Abu Dhabi e Doha. Este hub financeiro, voltado para o continente africano, serve como porta de entrada para a África e conta com mais de 200 empresas membros, distribuídas em quatro categorias principais: instituições financeiras, sedes regionais de multinacionais, prestadores de serviços e holdings.

O Mauritius International Financial Centre, em Maurício, ocupa a segunda posição africana e o 50.º lugar global, subindo duas posições em comparação com a edição anterior do GFCI.

O centro financeiro de Kigali (Rwanda, 72.º global) é o terceiro a nível africano, apesar de ter caído sete posições, à frente de Joanesburgo (África do Sul), que subiu 14 posições e se posiciona no 80.º lugar global e 4.º na África. Seguem-se os centros financeiros da Cidade do Cabo (África do Sul, 96.º global), Nairóbi (Quénia, 114.º) e Lagos (Nigéria, 118.º).

Dos sete centros africanos presentes no ranking, quatro registaram progressos em relação à 38.ª edição do GFCI (Casablanca, Maurício, Joanesburgo e Lagos), enquanto três recuaram (Kigali, Nairóbi e Cidade do Cabo).

Segundo a pesquisa com participantes ativos nos mercados financeiros globais, Maurício, Kigali e Casablanca estão também entre os 15 centros com maior potencial de crescimento nos próximos dois a três anos.

Metodologia baseada em dados e perceção de mercado

O GFCI avalia os centros financeiros com base em duas principais fontes de dados. A primeira integra 147 indicadores quantitativos de competitividade distribuídos por cinco categorias: ambiente de negócios, capital humano, infraestruturas, desenvolvimento do setor financeiro e reputação. Esses dados provêm de instituições multilaterais como o Banco Mundial, o Fórum Económico Mundial (WEF), a ONU e a OCDE.

A segunda fonte é uma pesquisa com 5.218 participantes ativos em centros financeiros globais, incluindo gestores de ativos, traders, bancos e empresas de tecnologia financeira.

No ranking global, Nova Iorque mantém-se no topo, seguida por Londres, Hong Kong, Singapura, São Francisco e Xangai.

Walid Kéfi

 

Published in Noticias Financas

O Estado senegalês assegura 304 mil milhões de FCFA no primeiro APE de 2026, com taxas entre 6,40 % e 6,95 %

O Senegal anunciou no domingo, 29 de março, o encerramento bem-sucedido do seu primeiro Apelo Público à Poupança (APE) de 2026, lançado no final de fevereiro. A operação mobilizou 304,15 mil milhões de FCFA (533 milhões de dólares), bem acima do objetivo inicial de 200 mil milhões, correspondendo a um índice de cobertura de 152 %.

As taxas de remuneração foram estruturadas para atender diferentes perfis de investidores: 6,40 % para 3 anos, 6,60 % para 5 anos, 6,75 % para 7 anos e 6,95 % para 10 anos. Este esquema diversificado permitiu atrair tanto investidores institucionais como particulares, incluindo a diáspora, reforçando a confiança na assinatura do Senegal no mercado financeiro regional.

Recursos destinados a prioridades do Estado

Segundo o Ministério das Finanças e do Orçamento, os fundos arrecadados serão utilizados principalmente para:

  • Financiar as despesas previstas na Lei de Finanças 2026
  • Apoiar a gestão ativa da dívida pública, otimizando o perfil da dívida com maturidades longas até 10 anos e condições de financiamento controladas

O ministério destacou que esta operação integra-se numa dinâmica de mobilização de recursos domésticos e desenvolvimento do mercado financeiro sub-regional, alinhada às orientações estratégicas do Estado.

Contexto financeiro e desafios

O sucesso do APE surge num contexto financeiro tenso. Em 27 de março, a agência S&P Global Ratings rebaixou a notação em moeda local do Senegal para CCC+/C, apontando que as necessidades de financiamento em 2026 atingirão 26 % do PIB, sem progressos num programa com o FMI.

Desde 2024, o Senegal tem enfrentado uma série de rebaixamentos nas notas de crédito sobre a dívida em divisas estrangeiras, realizados pela Moody’s e pela S&P, limitando o acesso aos mercados internacionais e aumentando o custo de financiamento.

Sandrine Gaingne

 

Published in Noticias Financas

Aprovado em 27 de março pelo Conselho de Ministros da UMOA, o novo plano quinquenal da BOAD estabelece um objetivo de financiamentos sem precedentes para a região, apoiado numa reestruturação profunda do seu modelo operacional.

A Banco Oeste-Africana de Desenvolvimento (BOAD) entra numa nova era. Reunido na sexta-feira, 27 de março, em Dakar, o Conselho de Ministros da UMOA aprovou formalmente o plano estratégico “Djoliba, a continuação”, que compromete a instituição para o período 2026-2030 com um objetivo de 6.500 mil milhões de FCFA (cerca de 11,5 mil milhões de dólares) em financiamentos, quase o dobro do ciclo anterior.

Um alicerce financeiro que sustenta a ambição

Esta aceleração assenta em fundamentos sólidos. Entre 2021 e 2025, a BOAD mobilizou 3.765 mil milhões de FCFA, com um crescimento médio anual de 11% do seu produto líquido bancário e uma taxa de créditos em atraso contida em 2,5%. O programa Djoliba 2021-2025 apresentou uma taxa de realização de 107,4%, com 5,2 mil milhões de dólares comprometidos em cinco anos, superando os objetivos iniciais em infraestruturas, agricultura e setores sociais.

Os resultados de 2025 confirmam esta dinâmica:

  • Ativos totais aumentaram 38%, para 5.363 mil milhões de FCFA
  • Lucro líquido de 42,5 mil milhões de FCFA (+8%)
  • Fundos próprios efetivos de 1.780,5 mil milhões de FCFA

As notações Baa1 (Moody’s) e BBB (Fitch), categoria “Investment Grade”, mantêm-se, enviando um sinal forte aos mercados de capitais internacionais. Isto reflete-se nas operações e captações internacionais realizadas nos últimos anos.

Uma estrutura financeira que industrializa a securitização

Para atingir os 6.500 mil milhões de FCFA, a BOAD apoia-se em três alavancas:

  1. 650 mil milhões em empréstimos nos mercados
  2. 100 mil milhões através de um programa de securitização
  3. Aumento dos fundos próprios

Este recurso massivo à securitização baseia-se numa experiência consolidada. Em 2023, a primeira operação Doli-P captou 150 mil milhões de FCFA em créditos soberanos, distinguida com o prémio de operação inovadora nos BRVM Awards 2024. Em 2024, uma segunda emissão sobre ativos não soberanos mobilizou 160 mil milhões de FCFA num único dia de subscrição.

No final do ciclo anterior, a BOAD já cobria 26% do seu balanço através de mecanismos de securitização e seguro-crédito. O novo ciclo pretende sistematizar esta gestão ativa do balanço, libertando capital regulamentar e redirecionando-o continuamente para novos projetos, aproximando a BOAD das práticas de grandes bancos de desenvolvimento multilaterais.

De banco a grupo: uma mutação estrutural

A ambição vai além do volume de financiamentos. A BOAD pretende transformar-se num grupo bancário integrado, à semelhança do Banco Mundial, da Agência Francesa de Desenvolvimento ou do Banco Africano de Desenvolvimento. Segundo o presidente Serge Ekué, “trata-se de transformar o ciclo de projetos, passando de uma lógica de aprovação para uma lógica de execução plena e de impacto”.

Na prática, a transformação implica a criação de entidades especializadas em torno da sede em Lomé, seguindo o modelo já iniciado pela filial BOAD Titrisation e pelo recém-lançado BOAD Market Solutions. O plano foi elaborado com o apoio do Boston Consulting Group, após um seminário de concertação alargado aos acionistas e ao setor privado, com quatro eixos prioritários:

  • Financiamento de infraestruturas
  • Transição energética
  • Resiliência climática
  • Apoio ao setor privado

Primeiros sinais operacionais de 2026

O impulso inicial confirma a ambição:

  • Mais de 300 mil milhões de FCFA anunciados para apoiar o Plano Nacional de Desenvolvimento da Costa do Marfim 2026-2030
  • 750 mil milhões de FCFA previstos para a relançamento multisectorial no Burkina Faso
  • 26 milhões de euros (29,8 milhões $) em financiamentos verdes implementados no Benim, Burkina Faso e Mali

Ao ultrapassar o marco simbólico de 10.000 mil milhões de FCFA em financiamentos cumulativos desde 1976, alcançado durante a sessão em Dakar com a aprovação de mais 501,5 mil milhões, a BOAD inicia um novo capítulo.

Fiacre E. Kakpo

 

Published in Noticias Financas

A S&P abaiou a notação em moeda local do Senegal para CCC+/C num contexto de elevados requisitos de financiamento e acesso limitado aos mercados internacionais. O Estado recorre ao mercado regional e a instrumentos como os «Total Return Swaps (TRS)» para mobilizar divisas.

A agência S&P Global Ratings rebaixou, na sexta-feira 27 de março, a notação de crédito de longo e curto prazo em moeda local do Senegal de B-/B para CCC+/C. A perspetiva associada à notação de longo prazo em moeda local foi também revista de sob vigilância para negativa.

Esta decisão baseia-se no aumento do recurso à dívida interna de curto prazo e num nível de necessidades de financiamento estimado em 26% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A agência sublinha que a ausência de progressos num programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI) aumenta o risco de refinanciamento, num contexto em que as emissões no mercado regional apresentam prazos mais curtos.

Esta evolução ocorre numa sequência de rebaixamentos iniciada em 2024 por Moody’s e S&P sobre a dívida em divisas estrangeiras do Senegal. A Moody’s reduziu sucessivamente a notação de Ba3 para B1 em outubro de 2024, de B1 para B3 em fevereiro de 2025 e depois para Caa1 em outubro de 2025, devido a preocupações relacionadas com a dívida. Por sua vez, a S&P reduziu a notação de B+ para B em fevereiro de 2025, depois para B- em julho de 2025 e, finalmente, para CCC+ em novembro de 2025. Esta trajetória conduziu a um aumento do custo de financiamento nos mercados internacionais, particularmente para emissões de eurobonds, limitando o acesso a essas fontes de liquidez e direcionando o Estado para o mercado regional.

Recurso ao mercado regional e mobilização de liquidez

Perante estas restrições, o Senegal intensificou o recurso ao mercado regional de títulos públicos da União Monetária Oeste-Africana. Só em 2025, as captações atingiram 4.004 mil milhões de FCFA (7,01 mil milhões de dólares) através de quatro chamadas públicas à poupança (APE) e adjudicações.

No domingo, 29 de março, ao anunciar o encerramento da sua primeira APE do ano, o Senegal indicou ter arrecadado 304,15 mil milhões de FCFA, acima do montante inicialmente previsto de 200 mil milhões, traduzindo um nível de subscrição superior à oferta.

Paralelamente, o Estado recorreu, a partir de 2025, a operações de Total Return Swaps (TRS) para obter liquidez sem recorrer ao mercado internacional. Segundo o Ministério das Finanças, estas operações mobilizaram 721 mil milhões de FCFA entre abril e novembro de 2025, com uma taxa de 7%. O mecanismo assenta na emissão de títulos em moeda local no mercado regional, transferidos como garantia a instituições financeiras como a Africa Finance Corporation e o First Abu Dhabi Bank, em troca de financiamento em divisas. Este recurso aos TRS reflete uma estratégia de diversificação das fontes de financiamento face ao acesso limitado aos mercados internacionais.

Funcionamento dos TRS

As operações de TRS permitem mobilizar recursos em divisas lastreados em títulos em moeda local. O mecanismo envolve investidores com divisas que desejam participar no financiamento do Tesouro. Os fluxos financeiros passam por instituições da sub-região, são convertidos em francos CFA com apoio do banco central e investidos em títulos públicos emitidos no mercado regional.

Para tornar estas operações atrativas aos investidores, são integrados mecanismos de cobertura que limitam o risco cambial e as variações de valor dos ativos, incluindo garantias e montantes dedicados à segurança das transações. A estrutura permite direcionar recursos externos para o mercado regional, mantendo a emissão em moeda local.

Segundo o economista Abou Kane, o recurso aos TRS responde a uma limitação de financiamento. O acesso aos mercados internacionais permanece restrito para o Senegal, enquanto a capacidade do mercado regional é insuficiente para absorver todas as necessidades. Neste contexto, os TRS funcionam como um instrumento de ajuste, mantendo os fluxos de financiamento, apesar da complexidade acrescida e dos compromissos financeiros envolvidos.

Chamberline Moko

 

Published in Noticias Financas

O dispositivo visa restabelecer a situação financeira da instituição de microfinanças e reorganizar a sua estrutura após um período marcado por tensões internas e pelo abandono do capital pela Agência Francesa de Desenvolvimento.

Na República Centro-Africana (RCA), as autoridades detalharam o plano de reestruturação da Caisse du Crédit Mutuel de Centrafrique (CMCA), uma instituição de microfinanças de primeira categoria confrontada com dificuldades operacionais e de liquidez.

Na sexta-feira, 27 de março, durante uma visita do Ministro das Finanças e do Orçamento, Hervé Ndoba (foto, ao centro), o administrador provisório da instituição, Jacob Mbaitadjim, indicou que o plano de reestruturação totaliza 5,1 mil milhões de francos CFA (8,9 milhões de dólares). Este montante permitirá restabelecer o equilíbrio financeiro, apoiar o funcionamento da instituição e assegurar a continuidade das suas atividades.

Plano baseado em recapitalização e reorganização interna

O dispositivo apresentado assenta em três pilares principais:

  • Recapitalização da CMCA
  • Reorganização interna e adaptação das práticas de gestão
  • Ações para restaurar a relação com sócios e parceiros

A CMCA encontra-se sob administração provisória pela Comissão Bancária da África Central (COBAC). Em 26 de junho de 2025, Jacob Mbaitadjim foi nomeado administrador provisório, com o objetivo de diagnosticar as dificuldades e implementar medidas de reestruturação. A intervenção do regulador visa conter riscos e proteger os interesses dos depositantes num contexto de desequilíbrio financeiro.

As dificuldades observadas têm origem nas crises económicas e políticas que afetaram a RCA no início dos anos 2000. A saída do principal acionista, a Agência Francesa de Desenvolvimento (anteriormente Caisse Française de Développement), provocou alterações na composição acionista e nos órgãos de gestão.

Neste contexto, a instituição enfrentou problemas de governança e tensões de tesouraria, que resultaram na degradação dos seus equilíbrios financeiros e justificaram a intervenção do regulador.

Chamberline Moko

 

Published in Noticias Financas

Esta decisão surge num contexto de alargamento do número de intervenientes e de reorganização progressiva do mercado regional, marcado por uma concentração de atores nos Camarões e uma recomposição do posicionamento no Gabão.

A Comissão de Supervisão do Mercado Financeiro da África Central (Cosumaf) concedeu licenças a três sociedades de bolsa, incluindo a Smart Capital, um gabinete de consultoria estratégica e financeira constituído em 2021, com um capital de 300 milhões de francos CFA.

Esta decisão faz parte de um conjunto de deliberações adotadas durante a sessão do colégio da instituição realizada na terça-feira, 10 de março, em Libreville. Ela reflete a vontade do regulador de alargar a base de intervenientes e reforçar a oferta de serviços no mercado regional.

A licença permite à Smart Capital exercer todas as atividades de intermediação no mercado financeiro da zona CEMAC. Este âmbito abrange a receção e transmissão de ordens de bolsa, negociação, custódia de títulos, gestão de carteiras, consultoria em gestão de património, bem como operações de colocação e manutenção de contas de títulos.

Um perfil de liderança vindo da banca de investimento

A Smart Capital é dirigida pelo banqueiro de investimento Léandre Bouanza Mombo. Durante oito anos, liderou a BGFI Bourse, a primeira sociedade de bolsa gabonesa, conduzindo operações de oferta pública inicial e emissões obrigacionistas a nível regional. O seu percurso inclui ainda experiências em auditoria e consultoria financeira junto de grupos e instituições ativos em vários países africanos.

Em 30 de junho de 2025, o mercado financeiro da CEMAC contava com 25 sociedades de bolsa licenciadas pela Cosumaf, incluindo Global Trade International Investment, Archer Capital Securities (ACS), Financia Capital e Attijari Securities West-Africa (ASCA).

Os Camarões concentram a maioria destes intervenientes, evidenciando uma dinâmica local mais acentuada nas atividades de intermediação. No Gabão, a BGFI Bourse mantém uma posição histórica no mercado, enquanto outros operadores reforçam a sua presença. A Fedhen Capital iniciou um desenvolvimento neste mercado com a recente nomeação de uma direção nacional dedicada. A entrada de novos operadores licenciados insere-se numa evolução do panorama competitivo e num movimento de estruturação do mercado financeiro regional.

Chamberline Moko

 

Published in Noticias Financas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) contribui para o financiamento de reformas estruturais em vários países africanos. Neste contexto, seis países da África Central pretendem estabelecer novos parcerias com a instituição para apoiar os seus esforços de ajustamento macroeconómico e de transformação económica.

A 17 de março de 2026, em Paris, durante a reunião de ministros da Economia e Finanças, governadores dos bancos centrais e responsáveis das instituições da CEMAC — Camarões, Congo, Gabão, Guiné Equatorial, Chade e República Centro-Africana (RCA) — e da França, o Camarões e os seus pares da sub-região comprometeram-se a concluir novos programas com o FMI. A informação consta no comunicado oficial publicado segunda-feira, 23 de março, no site da BEAC, o banco central dos seis países da CEMAC.

«(...) Os Estados da CEMAC comprometeram-se a atuar coletiva e individualmente para a boa execução dos programas nacionais apoiados pelo FMI e para a conclusão de novos programas, a fim de assegurar a sustentabilidade das finanças públicas e consolidar as reservas cambiais da CEMAC. Neste contexto, a França reafirmou o seu apoio à estabilidade macroeconómica e financeira da CEMAC e dos seus Estados-membros. Assim, continuará a acompanhá-los nas suas relações com parceiros técnicos e financeiros, incluindo o FMI, para a conclusão e bom desenrolar dos programas em curso e futuros», sublinha o comunicado.

Em outras palavras, durante a reunião em Paris, o Congo e o Camarões — cujos últimos programas com o FMI terminaram, respetivamente, em março e julho de 2025 —, bem como o Gabão, que encerrou o seu último programa com o Fundo em julho de 2024, comprometeram-se a concluir novos programas com esta instituição de Bretton Woods. O Chade, a RCA e a Guiné Equatorial, ainda sob programa com o FMI, comprometeram-se a prosseguir a sua colaboração com este parceiro para o desenvolvimento.

O apoio orçamental: um desafio central

O compromisso assumido pelo Camarões a 17 de março na capital francesa reflete o apelo do ministro das Finanças em conselho de gabinete, a 30 de outubro de 2025. Durante esta reunião mensal entre o Primeiro-Ministro e os ministros, Louis Paul Motazé defendeu claramente a necessidade do governo camaronês de renovar a parceria com o FMI. Objetivo: manter os apoios orçamentais fornecidos pelo FMI e outros parceiros para o desenvolvimento, os quais estão condicionados à execução satisfatória de um programa económico.

De facto, o ministro Motazé recordou, na ocasião deste conselho de gabinete, que entre 2017 e 2025, o Camarões recebeu cerca de 2 600 mil milhões de FCFA em apoios orçamentais no âmbito de dois programas sucessivos da instituição de Bretton Woods. «Não os teríamos caso não se concluísse um novo programa com o FMI. Isso significa que seria necessário encontrar outros recursos. É por isso que consideramos necessário abrir uma reflexão sobre um novo acordo», afirmou o membro do governo.

Apesar deste apelo do ministro das Finanças, o Primeiro-Ministro decidiu submeter a decisão final ao arbitramento da presidência da República. Foi, aparentemente, este arbitramento presidencial solicitado pelo governo há cerca de cinco meses que inspirou o compromisso assumido a 17 de março de 2026, em Paris, pelas autoridades camaronesas.

Um pré-requisito essencial: validar a revisão das políticas comuns

Apesar do consenso aparente entre os governantes sobre a necessidade de concluir um novo programa entre o Camarões e o FMI, a decisão final continua dependente de uma condição a cumprir a nível sub-regional: «a conclusão da revisão, conduzida pelo FMI, das políticas comuns da CEMAC, que atualmente condiciona a continuação e implementação dos programas nacionais apoiados pelo FMI na sub-região», informou oficialmente a BEAC.

A validação desta revisão pelo Conselho de Administração do FMI estava inicialmente prevista para dezembro de 2025. No entanto, segundo documentos oficiais da BEAC consultados pelo Investir au Cameroun, esta «foi adiada para uma data posterior, devido ao desalinhamento das políticas orçamentais com a estratégia regional e à incompletude dos acordos sobre seguros regionais em apoio às reformas».

Este atraso, de acordo com fontes autorizadas, provocou também o adiamento da validação das revisões e dos desembolsos associados aos programas entre o FMI e o Chade, por um lado, e o FMI e a RCA, por outro. O mesmo atraso afeta agora a conclusão de novos programas económicos e financeiros entre o FMI e três outros países da CEMAC: Camarões, Congo e Gabão.

Brice R. Mbodiam (Investir au Cameroun)

Published in Noticias Financas

Kinshasa confiou à Rothschild & Cie uma missão de consultoria estratégica de 2 milhões de euros para preparar a sua primeira emissão de eurobond, prevista para 2026, com o objetivo de levantar cerca de 750 milhões de dólares nos mercados internacionais.

O governo da República Democrática do Congo atribuiu o contrato a Rothschild & Cie, com uma remuneração de 500 000 euros por trimestre ao longo de doze meses, em regime de adjudicação direta justificado pela “urgência” do projeto, segundo documento oficial consultado pela Agência Ecofin.

Esta missão faz parte da preparação da entrada da RDC nos mercados internacionais de capitais, uma operação inédita para o país. Os fundos captados deverão financiar projetos estratégicos de infraestruturas nos setores de transportes, energia e conectividade, num contexto em que as necessidades de financiamento da RDC são estimadas em cerca de 3 mil milhões de dólares para 2026.

A operação será estruturada por Citigroup, com apoio local do Rawbank, enquanto Rothschild atuará como consultor financeiro na preparação e estruturação da emissão.

Para as autoridades congolesas, o objetivo vai além da simples captação de fundos: pretende-se também avaliar o apetite de investidores internacionais e criar bases para um acesso regular aos mercados obrigacionistas. O ministro das Finanças declarou que há planos de emitir vários eurobonds no futuro.

O contexto macroeconómico é relativamente favorável, com inflação controlada em torno de 2% e uma dívida/PIB estimada entre 18% e 20%, uma das mais baixas de África. Contudo, como emissor iniciante com classificação especulativa, a RDC poderá ter de oferecer rendimentos de dois dígitos para atrair investidores.

Fiacre E. Kakpo

 

Published in Noticias Financas

Em espera da aprovação do conselho de administração, este financiamento visa reforçar as capacidades industriais da Société Diarra Négoce na transformação de cereais.

A Société financière internationale planeia conceder um empréstimo de 13 milhões de euros (cerca de 15 milhões de dólares) à SDN, especializada nos setores agroindustrial e logístico.

O pacote inclui um empréstimo direto da SFI de 6,5 milhões de euros, complementado por financiamentos concessionais mobilizados através do guiché do setor privado da Associação Internacional de Desenvolvimento. Este mecanismo visa viabilizar um projeto considerado arriscado num contexto em que o acesso a financiamentos de longo prazo continua limitado para empresas locais.

O financiamento aguarda atualmente aprovação pelo conselho de administração da instituição. O objetivo é apoiar o desenvolvimento das capacidades industriais da SDN na transformação de cereais. Na prática, os fundos permitirão a construção de um novo complexo moageiro em Banankoro, ao sul de Bamako.

O projeto prevê um moinho de trigo com capacidade de 300 toneladas por dia, instalações de armazenamento de cereais de 20 000 toneladas e uma central solar de 2,3 MW para abastecer o complexo. A procura por produtos derivados do trigo está em forte crescimento no Mali, e a SDN planeia enriquecer a farinha com micronutrientes para combater a desnutrição. O farelo da moagem será utilizado na alimentação animal, impulsionando a atividade económica e o emprego local.

O custo total do projeto é estimado em 18,6 milhões de euros, com o saldo a ser aportado pelo promotor.

Além disso, a SFI apoiará a gestão financeira da empresa, a segurança alimentar e os padrões ambientais e sociais, implementando mecanismos de gestão de risco e de diálogo com as partes interessadas.

A SDN já atua na produção de alimentos para animais, transformação de óleo de algodão, transporte e logística, e agora busca ampliar sua atuação na transformação de cereais, atendendo à crescente demanda por produtos à base de trigo no Mali.

No Mali, a agricultura emprega 70% da população, mas representa apenas 38% do PIB. As explorações, frequentemente pequenas, com uma média de 4,8 hectares, apresentam rendimentos baixos, limitados pelo acesso à água e pelo déficit de investimentos nos processos de produção.

SG

 

Published in Noticias Financas

O Gabão prevê mobilizar 13,8 mil milhões de FCFA para participações nos setores agroindustrial, de transporte aéreo, habitação e finanças multilaterais, com o objetivo de retomar o controlo dos seus motores de crescimento.

O Estado gabonês planeia liberar em 2026 a quantia de 3,9 mil milhões de FCFA (cerca de 6,9 milhões de dólares) para finalizar a aquisição de 35% do capital do Agro Business Group. A informação consta da Lei de Finanças de 2026.

A operação culmina um processo iniciado em maio de 2024, com a assinatura de um acordo para a aquisição de 2 590 000 ações. Nenhum detalhe foi fornecido sobre o calendário ou as modalidades de mobilização dos financiamentos.

Através desta participação, o Estado pretende desempenhar um papel direto na governação do Agro Business Group, nomeadamente através da nomeação de representantes para o conselho de administração. O objetivo é estabilizar a empresa, garantir as suas atividades industriais e preservar cerca de 800 empregos diretos nas cidades de Bitam, Mitzic, Nzilé e Kango. Em contrapartida, a empresa compromete-se a manter e modernizar os seus meios de produção no território nacional.

A empresa, anteriormente conhecida como Siat-Gabon, especializada na produção de borracha, óleo de palma e pecuária, enfrenta dificuldades há vários anos, incluindo tensões de tesouraria que levaram à suspensão temporária das suas atividades. Fragilizada por estes desempenhos insuficientes, acabou por ser retirada da cotação da Bourse des valeurs mobilières de l'Afrique centrale em 17 de fevereiro de 2023, por decisão da Commission de surveillance du marché financier d’Afrique centrale, devido a incumprimentos das regras de mercado.

Esta aquisição visa relançar o setor agroindustrial e proteger a cadeia de valor local. Neste contexto, a Banque pour le commerce et l’entrepreneuriat du Gabon, em colaboração com o governo, criou o «Fundo de Crédito Agrícola a Taxa Reduzida» (CATR). Com um envelope de 6,8 mil milhões de FCFA (cerca de 12 milhões de dólares), este mecanismo pretende facilitar o acesso ao financiamento para promotores de projetos nos setores agrícola e avícola.

Sandrine Gaingne

 

Published in Noticias Financas
Page 13 sur 48

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.