A COP30 confirma a exclusão do continente africano nas decisões importantes sobre o clima.
A África, assumindo um papel passivo, está pagando o preço dos impactos da crise climática intensificada pelo Norte
Todos os anos é a mesma cena. Líderes mundiais se reúnem, multiplicam promessas e elevam a moral, enquanto a África sai de mãos vazias. Este ritual dos COPs se transformou em farsa. Os ricos falam, os pobres escutam. Os ricos poluem, os pobres pagam. A crise climática continua piorando sob a verniz dos discursos. A COP30, que acaba de abrir em Belém, no Brasil, não será exceção. Vai confirmar, mais uma vez, a exclusão do continente africano das decisões reais.
Depois do COP29 em Baku, ninguém pode acreditar que as negociações climáticas globais servem os interesses africanos. Apresentada como a "COP das finanças", deveria ter permitido compromissos fortes para os países do Sul, principalmente estabelecendo uma nova meta de financiamento climático para substituir a meta de 100 bilhões de dólares por ano, que ainda fica muito abaixo das necessidades reais. Terminou com um acordo tão fraco que é quase uma caricatura. A promessa de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035 para todos os países em desenvolvimento foi apresentada como uma vitória. Na verdade, foi uma maneira gentil de dizer à África: fique com o que lhe damos e se contente com isso.
Lembremos que os negociadores africanos pediram 1,3 trilhão de dólares por ano, um valor considerado necessário pelos especialistas das Nações Unidas para alcançar os objetivos do Acordo de Paris.
Empréstimos, não reparos
O problema não é apenas a quantidade. É a própria natureza desses financiamentos. A África já gasta cerca de 163 bilhões de dólares por ano com o serviço da dívida, muitas vezes para os mesmos credores que agora dizem ser solidários ao clima. Corrigida por uma inflação média de 5% ao ano, a promessa de 300 bilhões até 2035 valerá pouco mais de 175 bilhões em valor real, de acordo com uma análise de Kudakwashe Manjonjo, pesquisador no Southern Centre for Inequality Studies da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul.
Sob o pretexto de financiamento climático, eles propõem empréstimos disfarçados de ajuda. O princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas, inscrito na Convenção Climática de 1992, foi esvaziado de todo o sentido. Em vez de compensar suas emissões históricas, os países desenvolvidos empurram a África para uma nova endividamento. Como denunciou a Aliança Panafricana para a Justiça Climática em novembro de 2024, "o clima tornou-se uma nova fonte de endividamento".
Essa hipocrisia é ainda mais flagrante em Baku, onde quase 2.000 lobistas de indústrias de combustíveis fósseis foram credenciados, alguns até mesmo conseguindo acesso aos mais altos níveis de reuniões bilaterais e multilaterais. O Azerbaijão, país orgulhosamente petrolífero, presidiu a conferência comemorando os avanços nos mercados de carbono. Esses mercados, supostamente destinados a reduzir as emissões, servem principalmente para permitir que os poluidores comprem sua tranquilidade "compensando" suas emissões... na África. O continente se torna assim o depósito moral do Norte.
África, refém de um sistema rígido
As reações africanas após o COP29 foram extremamente frias. Ali Mohamed, representante do grupo de negociadores africanos, falou de um acordo "muito fraco, muito tardio e muito ambíguo". Mohamed Adow, da Power Shift Africa, denunciou a "grande fuga" organizada pelo mundo rico. E Faten Aggad, do think tank African Future Policies Hub, resumiu o sentimento geral: "Nenhum acordo é melhor do que um acordo onde os países africanos não têm fundos reais para se adaptar à mudança climática".
As consequências já são visíveis. Por falta de recursos para financiar suas transições, os países africanos estão se voltando cada vez mais para os combustíveis fósseis. O Senegal e Uganda estão explorando seus campos petrolíferos, outros estão apostando no gás ou no carvão. E enquanto o Ocidente os repreende por sua falta de coerência climática, continua subsidiando seus próprios hidrocarbonetos.
Com a COP30, o cenário já está escrito. O cenário amazônico oferecerá belas imagens, discursos sobre justiça climática, promessas de solidariedade. Mas sem a reforma do sistema, nada mudará. Enquanto o financiamento permanecer como empréstimos, enquanto as promessas não forem acompanhadas de um verdadeiro mecanismo de reparação, a África continuará sendo uma espectadora de um teatro diplomático do qual não controla nem o texto nem os atores.
Além disso, o problema não é apenas financeiro. É estrutural. O processo da COP é dominado por um pequeno número de potências industrializadas, enquanto os 54 países africanos lutam para fazer ouvir a sua voz. As decisões são tomadas a portas fechadas, a sociedade civil do Sul é marginalizada, e as grandes empresas do Norte ditam as regras.
Se o Brasil quiser dar à COP30 um alcance histórico, terá de romper com esse modelo. A Amazônia e o Congo são os dois pulmões do planeta. Eles deveriam ser a base de uma aliança Sul-Sul baseada em soberania e não em caridade. Mas isso exige uma verdadeira vontade política, não apenas uma encenação.
Para a África, o caminho para Belém é pavimentado com promessas não cumpridas. Mais uma maneira de adiar as verdadeiras decisões por mais um ano. Enquanto isso, as comunidades africanas estão pagando o preço mais alto.
No entanto, há ainda uma alavanca. A África detém minerais estratégicos: cobalto, lítio, grafite, dos quais o Norte precisa para construir sua economia verde. O continente deveria usá-los como ferramenta de negociação. Sem financiamento justo, sem minerais. Isso não é chantagem, é justiça. A transição energética não pode se basear na exploração daqueles que já estão sofrendo seus efeitos.
Em última análise, a COP30 dirá se o sistema global ainda pode se reformar ou se está condenado a repetir seus fracassos. Por enquanto, os fatos são claros. Os poderosos continuam a se aproveitar, os pobres continuam a pagar.
E quando as luzes se apagarem em Belém, a África será novamente informada para esperar a próxima promessa, o próximo roteiro, a próxima ilusão. Mas ela não tem mais tempo. A injustiça climática não é uma ameaça futura, é uma realidade. Aqui. Agora.
Olivier de Souza
Uma iniciativa "Tarifa Zero" visa beneficiar 53 países africanos que têm relações diplomáticas com a China, para corrigir desequilíbrios em relações comerciais bilaterais.
O continente africano pode se beneficiar da proposta, removendo certos obstáculos de logística e infraestrutura e alinhando suas exportações com as demandas do consumidor chinês.
A iniciativa "Tarifa Zero", que deve beneficiar 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com a China, visa corrigir os desequilíbrios nas relações comerciais bilaterais. Contudo, o continente só pode aproveitar a oportunidade ao superar certos obstáculos estruturais e operacionais.
Os países africanos podem tirar total proveito da isenção tarifária que Pequim planeja aplicar sobre suas exportações, principalmente através do desenvolvimento de cadeias de valor regionais em setores com grande potencial (transformação de produtos agrícolas, indústria leve, processamento de minérios, etc.) e ao fortalecer suas infraestruturas e corredores logísticos, conforme o estabelecido em um relatório publicado em início de novembro pelo Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank).
O estudo, intitulado "Política de tarifas Zero da China e o futuro do comércio africano: um ponto de inflexão estratégico", lembra que o país asiático propôs, em junho passado, a isenção de direitos aduaneiros sobre todos os produtos que importa dos países africanos com quem mantém relações diplomáticas. Em uma carta endereçada aos ministros africanos das Relações Exteriores, o presidente Xi Jinping anunciou que os 53 países africanos com relações diplomáticas com a China obteriam um "tratamento de tarifa zero para 100% das linhas tarifárias".
Essa medida deverá ser objeto de um futuro pacto econômico a ser negociado e assinado. A única exceção é o Essuatíni (antiga Suazilândia), aliado de Taiwan, país com o qual Pequim mantém relações tensas.
Uma abordagem oposta à dos EUA e com importantes vantagens
Ainda não foi anunciada uma data de entrada em vigor, mas, de qualquer forma, essa iniciativa chinesa de “Tarifa Zero” posiciona-se nos antípodas do protecionismo comercial do presidente americano Donald Trump, oferecendo uma alternativa aos acordos comerciais firmados entre países africanos e potências ocidentais, como a Lei Americana de Crescimento e Oportunidades para a África (AGOA) e os Acordos de Parceria Econômica (APE) assinados com a União Europeia.
A isenção generalizada de tarifas oferecida pela China não impõe condições relacionadas à governança ou aos direitos humanos, e abrange não apenas os países africanos menos desenvolvidos — que já se beneficiavam desde setembro de 2024 de um regime tarifário nulo no mercado chinês —, mas também países de renda média, como Egito, Nigéria e África do Sul.
Além do alcance diplomático e geoestratégico de sua iniciativa, que contrasta com a postura dos EUA, Pequim também facilita a redução de seu gigantesco superavit comercial com a África.
No papel, o gesto oferece várias oportunidades às economias africanas, em especial um acesso ampliado a um mercado de mais de 1,4 bilhão de consumidores.
Antes sujeitos a tarifas chinesas que podiam chegar a 25%, os países de renda média se beneficiarão pela primeira vez de acesso ao mercado chinês com isenção total de impostos de importação. Além disso, a política chinesa de “Tarifa Zero” pode melhorar a margem de negociação dos países africanos com outros parceiros comerciais. Em uma eventual renegociação de acordos com os EUA ou de revisão dos APE com a União Europeia, esses países poderão exigir regras de origem e condições preferenciais mais vantajosas, citando o precedente chinês.
Alinhar as exportações à demanda chinesa?
Entretanto, constata-se que as exportações africanas para a China continuam concentradas em poucos países — sobretudo Angola, República Democrática do Congo e África do Sul — e compostas essencialmente por matérias-primas como petróleo, produtos agrícolas e minérios.
Consequentemente, a iniciativa de Pequim pode ter efeito limitado sobre o reequilíbrio das relações comerciais bilaterais, já que regimes tarifários específicos já existem para matérias-primas.
O desafio principal seria, portanto, alinhar as exportações africanas às preferências em constante evolução dos consumidores chineses. Mais do que simplesmente aumentar a produção, isso exige uma abordagem baseada em dados, capaz de identificar produtos de nicho com alto potencial, como café especial, nozes de macadâmia, abacates e minerais de transição.
É igualmente importante atualizar os padrões nacionais e os sistemas de certificação, de modo a atender às rigorosas exigências chinesas de qualidade — frequentemente uma condição prévia para a entrada no mercado.
Paralelamente, o acesso a canais digitais de varejo, como Alibaba, JD.com e Pinduoduo, e o conhecimento das preferências em embalagem, rotulagem e métodos de pagamento serão úteis para conquistar novos segmentos de mercado e aumentar a visibilidade das marcas africanas.
Por outro lado, é essencial fortalecer as infraestruturas que apoiam o aumento dos fluxos comerciais — como zonas industriais próximas a portos, ligações ferroviárias integradas, portos secos e redes de armazéns frigoríficos —, de modo a tornar as exportações africanas mais competitivas em um mercado tão distante quanto o chinês.
Nessa mesma linha, deve-se priorizar o fortalecimento dos mecanismos de financiamento ao comércio, como o seguro de crédito à exportação e os empréstimos comerciais denominados em yuan renminbi, para reduzir os riscos enfrentados pelos exportadores, especialmente pelas pequenas e médias empresas.
Os países africanos também se beneficiariam ao aprofundar sua integração regional no âmbito da Zona de Livre-Comércio Continental Africana (ZLECAf), que oferece uma plataforma para consolidar mercados fragmentados, racionalizar regulações e criar redes de produção em escala continental.
A promoção de cadeias de valor regionais — como um corredor têxtil na África Oriental ou um polo mineiro de baterias na África Austral — poderia permitir escala e especialização, melhorando assim os perfis comerciais. A criação de ecossistemas em torno dos principais setores de exportação incentivaria a produção de valor agregado.
Por fim, a harmonização de normas, documentação e procedimentos fronteiriços entre os países reduziria significativamente as cargas administrativas e os atrasos, enquanto a aceleração da digitalização dos sistemas aduaneiros e de transporte permitiria o trânsito mais eficiente de mercadorias através das fronteiras.
Walid Kéfi
A mina de ouro Siguiri, controlada em 85% pela AngloGold Ashanti, viu sua produção cair 45% no 3º trimestre.
Problemas operacionais causados pela estação das chuvas afetaram a operação, mesmo com a mineração continuando a ocorrer no período
No primeiro semestre de 2025, a mina de ouro Siguiri viu sua produção aumentar em 28%, impulsionada pelo aumento do volume de minério processado. No entanto, esse impulso desacelerou no terceiro trimestre devido a um problema operacional ocorrido no local.
Em seu relatório financeiro divulgado na terça-feira, 11 de novembro, a AngloGold Ashanti relatou uma produção atribuível de 39.000 onças de ouro em sua mina Siguiri na Guiné, que é controlada em 85% pela empresa. Esse resultado operacional, 45% menor que a produção consolidada do mesmo período em 2024, contraria a tendência de alta observada nos dois primeiros trimestres do ano.
Em agosto passado, a Agence Ecofin informou que a produção de Siguiri havia crescido anualmente em 28% no primeiro semestre. No entanto, de julho a setembro, as operações da mina foram perturbadas pela paralisação da planta, resultado de infiltrações observadas após chuvas durante a estação chuvosa. Essa situação levou à interrupção do processamento de minério no local, afetando assim a produção, mesmo com o prosseguimento da mineração durante o período.
Apesar desse desempenho abaixo do esperado, a AngloGold Ashanti continua otimista para o exercício atual, prevendo um aumento de produção de 8% em Siguiri em 2025. A empresa planeja processar, nos próximos meses, os minérios extraídos no terceiro trimestre, desde que as operações já tenham recomeçado na planta.
Nos primeiros meses de 2025, a AngloGold Ashanti reportou ter extraído 204.000 onças de ouro de Siguiri. Considerando os 15% de participação detidos pelo Estado da Guiné, a mina terá produzido um total de 240.000 onças durante o período. Vale lembrar que a empresa reportou uma produção anual consolidada de 273.000 onças em 2024, ou 321.170 onças de ouro numa base de 100%.
Aurel Sèdjro Houenou
A taxa anual de inflação no Egito registrou uma leve queda, situando-se em 10,1% em outubro de 2025, contra 10,3% em setembro.
Várias categorias de bens e serviços registraram queda nos preços, especialmente frutas e serviços de hotelaria e turismo, ajudando a atenuar o aumento geral.
A inflação anual do Egito registrou um leve declínio, estabelecendo-se em 10,1% em outubro de 2025, de 10,3% em setembro, de acordo com os dados publicados em 10 de novembro pela Agência Central para a Mobilização Pública e Estatísticas (CAPMAS).
Diversas categorias de bens e serviços tiveram queda nos preços, principalmente as frutas, serviços de hotelaria e atividades turísticas organizadas, contribuindo para suavizar o aumento geral. Em contraste, alguns setores continuaram a aumentar, especialmente legumes, artigos domésticos, produtos lácteos, ovos, têxteis, vestuário e produtos energéticos, cujos preços, no entanto, permaneceram relativamente estáveis.
FEDA investe 75 milhões de dólares na Spiro, startup especializada na fabricação de veículos elétricos de duas rodas
Investimento visa apoiar a expansão da Spiro na África e fortalecer sua plataforma tecnológica
Ativa em sete países africanos, a Spiro planeja expandir sua frota para mais de 100.000 veículos até o fim de 2025. O Fundo para o Desenvolvimento de Exportações na África (FEDA), subsidiária de investimento de impacto do Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank), anunciou na terça-feira, 11 de novembro de 2025, um investimento de 75 milhões de dólares na Spiro, uma startup especializada na fabricação de veículos elétricos de duas rodas.
Espera-se que o investimento permita à empresa acelerar sua expansão na África, expandir sua rede de estações de troca de baterias e fortalecer sua plataforma tecnológica. "A rápida expansão da Spiro em novos mercados demonstra o crescente interesse do continente em transportes limpos, acessíveis e eficientes", disse Gagan Gupta, fundador da Spiro. Ele acrescentou que "ao desenvolver nossa infraestrutura de troca de baterias e integrar mais energias renováveis, estamos criando um modelo sustentável e escalável para o futuro da mobilidade africana".
Atualmente, a empresa possui uma frota de mais de 60.000 motocicletas elétricas e uma rede de 1200 estações de troca de baterias distribuídas em sete países africanos (Benim, Togo, Quênia, Ruanda, Uganda, Nigéria e Camarões), o que a torna o maior operador de mobilidade elétrica do continente.
Para a FEDA e sua matriz Afreximbank, este apoio faz parte de uma visão mais ampla. A ideia é estimular a produção local de veículos, promover a transferência de habilidades e tecnologias, e reduzir a dependência do continente das importações de veículos usados. "Com essa parceria, o Banco está lançando as bases para uma nova era de comércio e industrialização intra-africanos, estimulando a produção local de veículos, fortalecendo a integração regional e dinamizando o comércio. Esta parceria promove principalmente a transferência de habilidades e tecnologias, cria empregos e reduz a dependência do continente de veículos usados importados", declarou o Dr. George Elombi, presidente do conselho do Afreximbank e da FEDA.
Este investimento surge num contexto em que vários países africanos adotaram políticas públicas que encorajam o uso de veículos elétricos. Estas medidas fiscais e regulatórias visam reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas também reduzem a conta energética do transporte urbano, fortemente dependente das importações de combustíveis fósseis.
De acordo com o relatório Global EV Outlook 2025 publicado pela Agência Internacional de Energia (AIE), as vendas de veículos elétricos na África mais que dobraram em 2024, chegando a cerca de 11.000 unidades. Embora estes números sejam modestos em comparação com os 17 milhões de veículos elétricos vendidos em todo o mundo, eles mostram um crescimento progressivo e uma crescente conscientização dos desafios da mobilidade sustentável.
Sandrine Gaingne
Spark+ Africa Fund, gerido pela Enabling Qapital, anuncia financiamento de US$ 6,4 milhões para o Baobab Group Côte d'Ivoire, a maior instituição de microfinanças do país.
A linha de crédito de impacto permitirá ao Baobab ampliar seus empréstimos para gás de petróleo liquefeito (GPL) e outras soluções de cozinha limpa para seus clientes.
Enquanto a Côte d'Ivoire busca expandir o acesso à cozinha limpa, o Spark+ Africa Fund aposta no microcrédito para acelerar essa mudança. Sua recente parceria com a Baobab ilustra a crescente relevância de soluções inclusivas e acessíveis para a transição energética.
O Spark+ Africa Fund, administrado pela Enabling Qapital, anunciou nesta terça-feira, 11 de novembro, um financiamento de US$ 6,4 milhões para o Baobab Group Côte d'Ivoire, a maior instituição de microfinanças do país, regulamentada e habilitada para receber depósitos. Essa linha de crédito de impacto permitirá ao Baobab ampliar seus empréstimos dedicados ao gás de petróleo liquefeito (GPL) e outras soluções de cozinha limpa para seus clientes.
Esse novo compromisso faz parte de uma série de operações recentes realizadas pela Spark+ para apoiar a transição energética em vários países africanos. Em agosto de 2025, o fundo concedeu US$ 1,23 milhão à Henos Energy em Gana para fortalecer a distribuição de GPL para residências e instituições. Algumas semanas antes, apoiou um projeto conjunto com a Envirofit para a comercialização dos primeiros créditos de carbono negociáveis ligados à distribuição de fogões melhorados em Gana. Em novembro de 2024, a Spark+ também liberou US$ 3 milhões para o Altech Group na República Democrática do Congo para expandir a produção local de fogões melhorados.
Na Côte d'Ivoire, essa operação está em linha com a implementação do Pacto Nacional de Energia, pelo qual o governo se comprometeu a aumentar o acesso às soluções de cozinha limpa para 50%, ante 20% atualmente. Essa meta deve permitir que 2,4 milhões de famílias adicionais adotem alternativas energéticas mais limpas e seguras.
O país também está apostando na distribuição de fogões aprimorados, como as 300 mil unidades distribuídas desde 2021 como parte do projeto Baleine, liderado pela ENI, ao mesmo tempo em que busca superar as barreiras econômicas e culturais que ainda impedem a adesão.
Combinando a microfinança local com o financiamento climático, a Spark+ explora um novo caminho para articular a inclusão financeira e a transição energética. Se o experimento na Côte d'Ivoire for bem-sucedido, esse modelo poderia inspirar outros países da África Ocidental, onde o acesso à cozinha limpa continua sendo um grande desafio.
Abdoullah Diop
Airtel Africa anunciou parceria com a Nokia para implantar uma rede de alta capacidade de fibra óptica na África Central e Oriental.
A rede, a ser implementada pela Telesonic, filial de fibra óptica em atacado do operador, visa atender à crescente demanda por conectividade.
Telesonic foi lançado em fevereiro de 2024. Seu portfólio de serviços inclui o aluguel de linhas nacionais e internacionais, acesso dedicado à Internet, serviços IP e IP de trânsito, bem como serviços MPLS (Comutação Multiprotocolo por etiqueta).
O grupo de telecomunicações Airtel Africa anunciou na terça-feira, 11 de novembro, uma parceria com a empresa de tecnologia finlandesa Nokia para implantar uma rede de fibra óptica de alta capacidade na África Central e Oriental. A rede será implementada pela Telesonic, a subsidiária de fibra óptica em atacado do operador, para atender à crescente demanda por conectividade.
O projeto foi apresentado durante a 28ª edição da AfricaCom, o principal encontro dos protagonistas da conectividade na África, realizado em Cape Town, África do Sul, de 10 a 13 de novembro. Tem como objetivo conectar vários países africanos e ligar cabos submarinos, particularmente o 2Africa, às redes terrestres. Graças à plataforma Nokia 1830 Photonic Service Switch (PSS), essa infraestrutura será capaz de suportar até 38 terabits por segundo (Tbps), facilitando uma transferência rapidamente segura e em larga escala de dados.
"Nossa colaboração com a Nokia é um passo importante no desenvolvimento da infraestrutura digital africana. Utilizando as inovadoras soluções de fibra óptica da Nokia, pretendemos atender à crescente demanda por dados em todo o continente. Esta rede irá impulsionar o crescimento econômico, empoderar comunidades e criar novas oportunidades para empresas e indivíduos", afirmou Prasanta Das Sarma, CEO da Airtel Africa Telesonic.
Lançada em fevereiro de 2024, Telesonic tem a missão de atender à forte demanda por capacidade de dados de atacado em um contexto de acelerada transformação digital. Segundo a GSMA, o tráfego de dados móveis na África Subsaariana deve aumentar em cerca de 6 GB por conexão por mês entre 2023 e 2030. Esse crescimento será impulsionado pela expansão da cobertura de banda larga móvel, pelo aumento da penetração de smartphones e pela maior demanda por conteúdo que consuma muita largura de banda, como jogos online e streaming de vídeo. Em 2024, apenas 28% da população da região utilizava internet móvel, uma taxa que deve chegar a 33% até 2030.
O lançamento de Telesonic faz parte de uma estratégia de diversificação adotada pela Airtel Africa, assim como outros operadores do continente, para diversificar suas fontes de receita além dos serviços de telecomunicações tradicionais. Além da fibra, o grupo criou subsidiárias dedicadas a data centers e publicidade digital. No primeiro semestre de seu exercício de 2026, encerrado em setembro, a empresa alcançou um faturamento de 2,98 bilhões de dólares americanos, dos quais 1,16 bilhão de dólares americanos vieram dos serviços de dados.
Isaac K. Kassouwi
MTN Zambia e MyScape Hub lançam o "Tech for Growth: Avançando a Inclusão Digital para a Zâmbia", visando capacitar mais de 1500 participantes ao longo de cinco meses
Iniciativa visa criar uma ponte para a economia digital para os jovens e as mulheres, dando acesso a formação, mentoria e incentivando o espírito empresarial
Numa Zâmbia onde o acesso à internet atinge menos de um terço da população, um novo programa tem como alvos os jovens e as mulheres para criar uma ponte para a economia digital.
A MTN Zambia anunciou sua parceria com a MyScape Hub para lançar o "Tech for Growth: Avançando a Inclusão Digital para a Zâmbia", um programa de cinco meses destinado a treinar mais de 1500 participantes. Conforme publicação em sua página no Facebook na sexta-feira, 7 de novembro, a iniciativa utiliza a MTN Skills Academy para desenvolver habilidades digitais, oferecer mentoria e encorajar o espírito empreendedor dos jovens e mulheres.
De acordo com os organizadores, o programa se desenrola em várias etapas. Os participantes participam de oficinas práticas e módulos online por meio da MTN Skills Academy, combinando sessões presenciais em centros comunitários e e-learning para alcançar tanto áreas urbanas quanto rurais. A MyScape Hub fica encarregada da logística local e do acompanhamento das participantes que desejam iniciar atividades empreendedoras.
A iniciativa estabelece um caminho completo para a economia digital, desde o treinamento até a certificação, e depois o direcionamento para empregos ou a criação de microempresas. Segundo as informações disponíveis, ela permite que os participantes criem valor, tenham acesso a empregos significativos e avancem na economia digital da Zâmbia, ao mesmo tempo que fortalece o compromisso da Fundação MTN Zambia em promover uma capacitação digital real e acessível.
Esse programa faz parte da estratégia nacional de transformação digital "Smart Zambia 2023-2026", que visa modernizar o serviço público e estimular a economia digital. O relatório "Digital 2024: Zambia" da DataReportal indica que apenas 31,2% da população usava a internet no início de 2024, ou seja, 6,51 milhões de usuários em uma população de 20,85 milhões. A exclusão digital ainda é particularmente marcante em áreas rurais e entre as mulheres, conforme ressaltado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no artigo "New Frontiers: Zambia embraces digital transformation".
Félicien Houindo Lokossou
O mercado africano de centros de dados está em pleno crescimento. Na África do Sul, uma empresa está aproveitando esse dinamismo para desenvolver soluções interessantes.
Oni-Tel, fornecedora sul-africana de fibra ótica, anunciou na semana passada o lançamento de uma rede de fibra ótica que interliga vários data centers estratégicos na província de Gauteng.
A infraestrutura visa reduzir a latência entre os centros de dados, melhorar a resiliência do fluxo e oferecer aos provedores de serviços digitais uma conectividade capaz de suportar cargas cada vez mais pesadas.
"Estamos focados em arquiteturas resilientes, infraestruturas perenes e plataformas de monitoramento inteligentes que transformam a maneira como gerenciamos e protegemos os ativos críticos", disse Andre Pillay, CEO da Oni-Tel. Ele acrescentou: "Estamos percebendo uma crescente necessidade técnica de estabilidade, escalabilidade e velocidade, e é por isso que estamos investindo em infraestruturas robustas”.
Este lançamento faz parte da transformação estrutural do mercado sul-africano de infraestruturas digitais. Há vários anos, a multiplicação dos centros de dados, a chegada de novos participantes em nuvem e o crescimento dos serviços de IA estão aumentando a pressão sobre as redes. Portanto, os operadores estão investindo em novos cabos de fibra, rotas diversificadas e ofertas dedicadas às interconexões.
Cabe destacar que o mercado sul-africano segue a tendência do mercado africano de infraestruturas digitais. Por exemplo, o mercado de centros de dados no continente está em expansão.
Além dos participantes locais, várias empresas internacionais instalaram-se na África para apoiar o crescimento desse mercado. De acordo com o relatório "Africa Data Center Market Landscape 2025-2030", publicado pela consultoria de mercado Research and Markets em março de 2025, estima-se que o tamanho do mercado africano de centros de dados aumente de 3,49 bilhões de dólares em 2024 para 6,81 bilhões em 2030.
Adoni Conrad Quenum
A Namíbia está empenhada em acelerar a conscientização sobre a Inteligência Artificial (IA). Esta iniciativa se insere em um contexto regional onde vários países da África Austral estão fortalecendo a vigilância contra possíveis usos maliciosos de tecnologias emergentes.
Com a proliferação de aplicações digitais e os riscos ligados à desinformação, o governo namibiano considera urgente educar a população sobre os usos, limites e implicações dessas tecnologias emergentes, em particular a IA. Nesse sentido, Emma Theofelus, ministra namibiana da Informação e Comunicação, discursou no dia de abertura do Africa Tech Festival na Cidade do Cabo, na África do Sul.
"Estamos vendo sua adoção [falando sobre a IA] na educação, na academia, no jornalismo e nas mídias sociais. Mas isso deve ser acompanhado das habilidades digitais e midiáticas de que o público precisa", disse ela.
De acordo com as autoridades, a IA está presente em vários setores no país, desde finanças à educação, passando pelos serviços administrativos. Esta rápida disseminação, embora abra perspectivas industriais e econômicas, também cria zonas de incerteza. O Ministério da Informação afirma que o país está enfrentando um aumento dos conteúdos gerados artificialmente, muitas vezes indistinguíveis para o público, em um momento em que os desafios de cibersegurança e confiança digital estão se intensificando.
"Também vemos pessoas sendo enganadas por dinheiro que ganharam com dificuldade ou sendo informadas de que ganharam prêmios através de uma voz sintetizada que parece vir de uma fonte confiável", acrescenta a ministra.
Para responder a isso, Windhoek pretende lançar uma campanha nacional de informação. Isso deve incluir programas de conscientização nas escolas, sessões públicas de explicação sobre tecnologias gerativas e um reforço da regulamentação que enquadra o uso de ferramentas de IA nos meios de comunicação e nos serviços públicos. O governo também quer envolver o setor privado e as organizações da sociedade civil para ampliar o alcance das iniciativas.
As autoridades lembram que a educação digital é um pré-requisito para qualquer estratégia de inovação. O objetivo é garantir que a IA seja usada de forma responsável e que o público seja capaz de identificar os riscos, especialmente durante o período eleitoral. O país também está estudando a elaboração de um quadro nacional sobre IA, que definiria princípios de transparência, ética e proteção de dados.
Adoni Conrad Quenum