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Noticias Financas

Noticias Financas (304)

 

 
 

O dispositivo visa o aumento das receitas fiscais, a redução da fraude e um melhor acompanhamento das transações comerciais, através de um sistema controlado pela administração fiscal.

O Burkina Faso prevê lançar uma fatura eletrónica certificada já neste mês de janeiro de 2026. O anúncio foi feito a 31 de dezembro de 2025, durante o discurso à nação do seu dirigente, o capitão Ibrahim Traoré, para quem este dispositivo prossegue dois objetivos principais. O primeiro diz respeito ao aumento das receitas públicas: ao receber os dados de faturação de forma contínua, a administração fiscal pode acompanhar melhor os valores declarados pelas empresas. Tal permitirá reduzir a subdeclaração e limitar as perdas associadas à fraude ao IVA e aos impostos indiretos.

O segundo objetivo é o combate às práticas de corrupção nas transações comerciais. A fatura eletrónica certificada reduz, de facto, os contactos diretos entre os agentes fiscais e os operadores económicos. Os controlos passam a assentar mais em dados registados no sistema do que em intervenções presenciais, o que limita os acordos informais e reforça a rastreabilidade das operações. Com este dispositivo, o Burkina Faso pretende assim ligar comerciantes, empresas e a administração fiscal em torno de um sistema de faturação único e controlado.

Para os comerciantes e as empresas, a fatura eletrónica certificada facilita o acompanhamento das vendas e a organização da contabilidade, reduzindo simultaneamente os riscos de litígios com a administração fiscal graças à centralização dos dados. O sistema tem igualmente o potencial de melhorar o acesso ao crédito, uma vez que os bancos podem basear-se em dados de vendas verificáveis para analisar a situação e o perfil financeiro de um cliente.

Para o Estado, a fatura eletrónica certificada melhora a visibilidade sobre as transações económicas. Permite uma melhor previsão das receitas e uma gestão mais estruturada da fiscalidade. Pode também alargar a base tributária, integrando progressivamente atividades até então pouco ou nada declaradas. À escala da economia, esta fatura favorece a formalização das atividades comerciais, em particular nos setores onde os pagamentos em numerário continuam a ser predominantes.

Condicionantes técnicas e experiências estrangeiras

A implementação da fatura eletrónica certificada comporta, no entanto, várias condicionantes. A primeira diz respeito aos equipamentos. Os comerciantes devem dispor de um terminal, de um software certificado e de acesso à internet. Para as pequenas estruturas, estas exigências podem representar um encargo financeiro adicional. Além disso, a conectividade limitada em algumas zonas, nomeadamente rurais, pode dificultar a emissão de faturas em tempo real.

O dispositivo coloca também desafios ao nível da formação. Os comerciantes terão de aprender a utilizar as ferramentas digitais e a cumprir as novas obrigações fiscais. Os agentes da administração deverão igualmente ser formados para a exploração dos dados recolhidos. Por fim, a questão da proteção de dados permanece central: o Estado deverá garantir a segurança das informações comerciais recolhidas e prevenir qualquer utilização não autorizada.

Vários países já utilizam sistemas comparáveis. O Ruanda implementou, em 2021, a faturação eletrónica obrigatória para as empresas sujeitas a IVA, com transmissão direta dos dados para a administração fiscal. O Quénia implementou, entre 2021 e 2022, o sistema e-TIMS, que impõe a emissão de faturas eletrónicas certificadas às empresas abrangidas. Estas experiências sugerem que a eficácia deste instrumento de gestão fiscal dependerá da mobilização dos agentes económicos e da capacidade de acompanhamento técnico por parte do Estado.

Chamberline Moko

 

Posted On lundi, 05 janvier 2026 09:40 Written by

Apesar de uma presença econômica significativa, a fiscalidade camaronense tinha dificuldades em enquadrar as atividades digitais transfronteiriças. A ausência de regras específicas limitava a tributação das receitas geradas localmente por empresas estabelecidas fora do território nacional.

A partir de 1º de janeiro de 2026, todas as plataformas on-line que realizam negócios nos Camarões sem estabelecimento físico passarão a ser tributadas. Com efeito, segundo revela a Direção Geral dos Impostos (DGI), a lei de finanças de 2026 do Estado dos Camarões sujeita agora essa categoria de empresas ao pagamento do Imposto sobre as Sociedades (IS), à taxa mínima de 3% do faturamento realizado localmente.

Dependendo do volume de atividade no país, essa tributação poderá evoluir para o chamado “regime de direito comum”, com um IS que representará, nesse caso, “30% do lucro real”, conforme se lê em um documento da DGI. No entanto, a administração fiscal estabelece dois critérios alternativos para ser elegível a esse regime: dispor de uma rede de 1.000 consumidores nos Camarões ou realizar um faturamento anual sem impostos de, no mínimo, 50 milhões de francos CFA.

O registro das empresas digitais envolvidas, as declarações fiscais e os pagamentos serão feitos em uma plataforma digital específica da DGI. Para a administração tributária, o objetivo dessa taxação é triplo: “capturar o valor criado pela economia digital no território nacional, assegurar a equidade fiscal em relação às empresas locais e aumentar as receitas do Estado em um setor de forte crescimento”.

Uma reforma alinhada à OCDE

A reforma instituída pela lei de finanças de 2026 do Estado dos Camarões baseia-se em uma diretriz da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Com efeito, para enfrentar os desafios fiscais colocados pela economia digital, formou-se um consenso internacional em favor de uma tributação mínima global de 15% sobre os lucros das empresas multinacionais que realizam atividades econômicas em todo o mundo, sem necessariamente ter presença física nos territórios dos diferentes Estados.

Nos Camarões, o desafio vai além do alinhamento a uma diretriz internacional: a tributação das empresas digitais não residentes também responde ao aumento das necessidades de financiamento público. Nesse contexto, o governo camaronês mira cada vez mais setores em forte expansão — entre eles o digital — com o objetivo de ampliar a base tributária e aumentar as receitas.

O digital: uma verdadeira niche fiscal

Essa nova etapa insere-se em uma sequência de reformas iniciadas há vários anos. A lei de finanças de 2020 consagrou, assim, a cobrança do IVA sobre as operações de comércio eletrônico, em vigor desde 2021. A cobrança de direitos aduaneiros sobre mercadorias importadas oriundas do comércio on-line, por sua vez, está em vigor desde 2023, com o objetivo de limitar as perdas fiscais ligadas à “desmaterialização cada vez mais crescente das transações econômicas”, segundo o Ministério das Finanças.

Em 2022, foi instituído um imposto sobre a transferência de dinheiro por via eletrônica, para tirar proveito da expansão do Mobile Money. Objetivo declarado pela DGI: arrecadar pelo menos 20 bilhões de francos CFA em receitas adicionais a cada ano. Desde 2024, foi também instituída “uma taxa reduzida de 5% a título do imposto sobre os benefícios não comerciais (BNC), aplicável às rendas geradas em plataformas digitais por pessoas físicas que realizam operações de venda de um bem, prestação de um serviço ou troca e compartilhamento de um bem (economia colaborativa)”.

No total, com pelo menos quatro reformas direcionadas ao setor nos últimos cinco anos, o digital se afirma cada vez mais como uma verdadeira niche fiscal nos Camarões.

 

Brice R. Mbodiam

 

Posted On samedi, 03 janvier 2026 14:55 Written by

Pela primeira vez desde 2012, o naira nigeriano terminou 2025 em alta, a 1.429 nairas por dólar. Um avanço atribuído às reformas do Banco Central, após treze anos de desvalorização contínua.

Na Nigéria, o naira encerrou o ano de 2025 em nota positiva, algo inédito em mais de uma década. A moeda nigeriana fechou em 31 de dezembro a 1.429 nairas por dólar, registrando uma valorização anual de 7,4%, segundo dados oficiais do Banco Central da Nigéria (CBN).

Trata-se da primeira alta anual do naira desde 2012, após treze anos consecutivos de desvalorização, marcados por escassez de divisas, forte dependência das importações e desequilíbrios persistentes no mercado cambial.

O ano de 2025, no entanto, não foi linear. A moeda enfrentou fortes turbulências no primeiro semestre, atingindo seu ponto mais baixo em abril, em torno de 1.602 nairas por dólar. Inflação elevada, demanda sustentada por divisas e atrasos nas entradas de capitais pesaram fortemente sobre a moeda nesse período.

A partir de maio, contudo, iniciou-se uma recuperação gradual, que se acelerou no último trimestre. Setembro marcou um ponto de inflexão, com o retorno duradouro do naira abaixo do patamar de 1.500 por dólar. Após uma leve consolidação em novembro, a moeda ganhou novo fôlego em dezembro e encerrou o ano em seu nível mais alto dos últimos doze meses.

Para os analistas, essa evolução reflete o impacto das reformas do mercado cambial implementadas pelo Banco Central em 2024, sob a liderança de seu governador, Yemi Cardoso (foto, ao centro). Essas medidas reduziram, em especial, o diferencial entre as taxas oficiais e paralelas para menos de 5%, limitando comportamentos especulativos e melhorando a transparência do mercado.

O Banco Central também endureceu sua política monetária e reforçou seu arcabouço regulatório, com a introdução, no início de 2025, de um código de conduta cambial destinado a enquadrar as práticas dos participantes do mercado.

Embora essa estabilização alimente um otimismo cauteloso para 2026, observadores ressaltam que a solidez do naira dependerá da capacidade da Nigéria de conter a inflação, atrair capitais de forma sustentável e diversificar suas fontes de divisas. O CBN, por sua vez, projeta uma redução significativa das pressões inflacionárias, com uma inflação média estimada em 12,94% em 2026, contra cerca de 21,3% em 2025, impulsionada pela moderação dos preços dos alimentos e dos combustíveis, maior estabilidade do câmbio e pelos efeitos das medidas monetárias e estruturais em curso.

Ao mesmo tempo, a instituição aposta em uma aceleração do crescimento econômico, com o produto interno bruto previsto para crescer cerca de 4,49% em 2026, cenário que depende da continuidade das reformas, da melhoria das entradas de divisas e de um ambiente macroeconômico mais estável. Na ausência de resultados duradouros nessas frentes, alertam os analistas, a moeda nigeriana poderá permanecer exposta a novos períodos de volatilidade.

 

Fiacre E. Kakpo

 

 

Posted On samedi, 03 janvier 2026 14:30 Written by

Esta evolução reforça as preocupações em torno da sustentabilidade da dívida e da capacidade do Estado gabonês de cumprir as suas obrigações financeiras dentro dos prazos estabelecidos, em particular face a determinados credores e prestadores de serviços.

No final de outubro de 2025, a dívida pública do Gabão registou um forte aumento. Segundo dados da Direção-Geral da Dívida (DGD), o stock global passou de 7 133 mil milhões para 8 606,6 mil milhões de FCFA (15,37 mil milhões de dólares), o que representa um acréscimo de cerca de 1 473 mil milhões em dez meses. Este aumento de 20,6% ilustra o recurso acrescido do Estado ao endividamento para cobrir as suas necessidades de financiamento, num contexto marcado por fortes tensões de tesouraria.

Esta subida é impulsionada sobretudo pela dívida interna, cujo montante em dívida atinge agora 4 391,9 mil milhões de FCFA. O mercado financeiro regional representa a maior parte desse valor, com mais de 3 200 mil milhões, confirmando a dependência crescente do Tesouro gabonês em relação a este canal de financiamento.

A dívida externa, por sua vez, situa-se em 4 214,8 mil milhões de FCFA. É largamente dominada por credores multilaterais e pelo mercado financeiro internacional. Os compromissos junto das instituições multilaterais rondam os 1 646,7 mil milhões, enquanto a dívida contraída nos mercados internacionais ultrapassa os 1 397 mil milhões de FCFA.

Esta estrutura reflete um recurso crescente a financiamentos comerciais e obrigacionistas para apoiar as políticas públicas.

Os atrasos continuam a acumular-se

Paralelamente, os atrasos no pagamento da dívida continuam a aumentar. No final de outubro de 2025, atingiram 443,6 mil milhões de FCFA (792 milhões de dólares), mais 174 mil milhões de FCFA em comparação com dezembro de 2024. Este montante inclui prestações correntes não pagas e atrasos mais antigos, revelando dificuldades persistentes na gestão da liquidez pública.

Esta situação suscita preocupações quanto à sustentabilidade da dívida e à capacidade do Estado de honrar os seus compromissos atempadamente, nomeadamente perante certos credores e fornecedores, com potenciais repercussões na atividade económica.

Uma trajetória considerada preocupante

A dinâmica atual da dívida tende a confirmar as previsões das instituições financeiras internacionais, que apontam para um agravamento do endividamento do Gabão nos próximos anos. De acordo com a mais recente nota de conjuntura económica do Banco Mundial, intitulada “Construir e preservar as riquezas do Gabão para melhorar as condições de vida das populações”, a dívida pública gabonesa deverá continuar a aumentar, atingindo 86,1% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2027, um nível claramente acima do critério de convergência da CEMAC fixado em 70%.

Perante estas perspetivas, as autoridades gabonesas defendem uma abordagem centrada na qualidade do endividamento. Para Henri-Claude Oyima (foto), ministro da Economia, das Finanças, da Dívida e das Participações, responsável pela luta contra o custo de vida, o desafio não é reduzir o stock da dívida a qualquer preço, mas sim transformá-la num motor de crescimento. “A dívida torna-se problemática quando não gera qualquer receita. O nosso objetivo é construir uma boa dívida: quando os empréstimos financiam investimentos estruturantes que produzem receitas adicionais, a dívida torna-se um fator de desenvolvimento”, declarou recentemente à imprensa local.

Sandrine Gaingne

 

Posted On vendredi, 19 décembre 2025 11:47 Written by

O mais recente ranking dos Especialistas em Valores do Tesouro confirma a dominação do Ecobank e do Coris Bank no mercado regional da dívida, no centro do financiamento orçamental dos Estados da UEMOA em 2024.

No mercado de títulos públicos da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), dois grupos bancários destacam-se claramente: o Ecobank e o Coris Bank International. O mais recente ranking dos Especialistas em Valores do Tesouro (SVT) confirma o seu papel central no financiamento dos Estados da região, num contexto marcado pelo aumento das necessidades orçamentais e pelo aperto das condições financeiras.

Presente em todos os países da União, o Ecobank lidera em vários mercados-chave, nomeadamente na Costa do Marfim, no Senegal, no Benim e no Togo. Estes países concentram uma parte significativa das emissões de bilhetes e obrigações do Tesouro da UEMOA.

Por sua vez, o Coris Bank International tornou-se também um ator de primeira linha em vários países do Sahel. O banco, cuja sede se encontra no Burkina Faso, ocupa o primeiro lugar entre os SVT no Burkina Faso, no Mali, no Níger e na Guiné-Bissau, sendo, na maioria desses mercados, seguido de perto pelo grupo Ecobank. Nestas economias mais dependentes do financiamento interno, o Coris Bank apoia-se numa forte proximidade com os Tesouros Públicos.

Esta repartição da liderança ilustra bem a estruturação do mercado regional em torno de dois polos. O Ecobank domina os mercados mais profundos e mais líquidos, enquanto o Coris Bank está particularmente presente nos países onde o financiamento do Estado depende mais do sistema bancário local. Em conjunto, os dois grupos asseguram uma grande parte da intermediação entre os Estados e os investidores.

Atrás deste duo, outros estabelecimentos — Bank of Africa, Orabank, CBAO, bem como várias sociedades de gestão e de intermediação — participam igualmente no funcionamento do mercado, sem, no entanto, pôr em causa a posição dominante dos dois líderes.

Num contexto em que os Estados da UEMOA continuam a recorrer massivamente aos mercados internos para financiar os seus orçamentos, o papel dos bancos Especialistas em Valores do Tesouro (SVT) revela-se mais do que nunca determinante para a estabilidade e a liquidez do mercado regional da dívida.

À data de 17 de dezembro, mais de 11 460 mil milhões de FCFA (20,47 mil milhões de dólares) já tinham sido mobilizados junto dos investidores no mercado regional, o que representa cerca de 41% a mais do que no ano passado, quando um total de 8 127 mil milhões de FCFA foi levantado ao longo de todo o ano. Entre 80% e 90% destes montantes provêm dos bancos da zona, confirmando o seu papel central na absorção e distribuição da dívida soberana. Recorde-se que apenas os estabelecimentos acreditados como SVT estão habilitados a participar diretamente nos leilões de bilhetes e obrigações do Tesouro organizados pela Agência UMOA-Títulos, em nome dos Estados membros.

Editado por M.F. Vahid Codjia

 

Posted On vendredi, 19 décembre 2025 11:42 Written by

Enquanto a pertença do Burkina Faso, do Mali e do Níger à UEMOA permanece juridicamente intacta, a análise do estado de detenção dos títulos de dívida no mercado sub-regional, ao final do terceiro trimestre de 2025, revela uma realidade mais matizada. Num movimento quase imperceptível para o público em geral, os investidores em dívida soberana começaram a reorientar estrategicamente os seus portfólios.`

Os dados agregados pela S&P Global Ratings sobre a detenção de títulos públicos emitidos no mercado de títulos da sub-região (UMOA-Títulos) evidenciam uma tendência de fundo: os investidores, constituídos principalmente por atores do setor financeiro, nomeadamente bancos, parecem ter integrado, na sua gestão de risco e liquidez, um cenário de segmentação financeira entre os países da Aliança dos Estados do Sahel (AES) e o restante da União Monetária.

Um recuo técnico dos investidores da zona costeira

O primeiro indicador desta reconfiguração é a redução significativa da exposição dos países não membros da AES (Benim, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Senegal, Togo) à dívida emitida pelos Estados sahelianos. Entre o quarto trimestre de 2024 e o terceiro trimestre de 2025, o montante da dívida dos países da AES detido pelos investidores dos outros países da União recuou 373 mil milhões de FCFA (aproximadamente 569 milhões de euros). O stock total passou, assim, de 3 174 mil milhões de FCFA para 2 801 mil milhões de FCFA (4,27 mil milhões de euros).

Esta contração de quase 11,7% não deve ser necessariamente interpretada como desconfiança política, mas antes como um ajuste prudencial. Perante uma visibilidade reduzida sobre o futuro institucional da zona, as ações tomadas pelos comités de risco dos bancos sediados em Dakar, Cotonou, Lomé ou Abidjã indicam uma tendência de redução dos compromissos transfronteiriços para o Sahel.

A paradoxal contração dos fluxos intra-AES

O facto mais marcante deste balanço trimestral reside, no entanto, na dinâmica interna da Aliança dos Estados do Sahel. Contrariamente à ideia de uma integração financeira reforçada entre Ouagadougou, Bamako e Niamey, os números mostram uma diminuição significativa das detenções cruzadas de títulos. A dívida intra-AES (títulos emitidos por um país da AES e detidos por outro membro da AES) caiu 622 mil milhões de FCFA (aproximadamente 948 milhões de euros), passando de 3 782 mil milhões de FCFA no final de 2024 para 3 160 mil milhões de FCFA (4,82 mil milhões de euros) no terceiro trimestre de 2025.

Esta redução de 16,4% evidencia uma limitação estrutural: a correlação das economias da Aliança. Confrontados simultaneamente com desafios de segurança e orçamentais semelhantes, os tesouros e sistemas bancários destes três países enfrentam as mesmas necessidades de liquidez. Esta sincronização dos ciclos impede que estes Estados atuem como “reservatórios de liquidez” uns para os outros, obrigando-os a liquidar posições em vez de as renovar. Uma nuance: no Burkina Faso, país com maior maturidade financeira na AES, as autoridades decidiram, em junho de 2025, tributar os dividendos provenientes de investimentos externos. Contudo, o impacto final desta decisão nos portfólios deve ser acompanhado ao longo do tempo.

Uma assimetria de comportamento

Em contraste com este movimento de retirada, os investidores da AES mantêm uma posição quase estável sobre os títulos emitidos pelos outros países da UEMOA. As suas posições na zona não-AES recuaram apenas 32 mil milhões de FCFA (aproximadamente 49 milhões de euros), fixando-se em 1 367 mil milhões de FCFA (2,08 mil milhões de euros). Esta estabilidade sugere que os atores financeiros do Sahel continuam a ver as garantias soberanas dos países costeiros (como a Costa do Marfim ou o Senegal) como ativos de diversificação relevantes dentro da zona franc. Além disso, isso pode dever-se à Coris Holding, um dos maiores grupos bancários do Burkina Faso, com presença sub-regional significativa, ao contrário do Mali e do Níger, que não possuem bancos de envergadura regional.

Rumo à nacionalização da dívida soberana

Para além das flutuações de um trimestre para outro, estes números mostram que os investidores estão cada vez mais focados em determinados títulos de dívida pública do mercado monetário da UEMOA. Com exceção da Costa do Marfim, que mantém o seu estatuto de hub financeiro na sub-região, a diminuição dos fluxos cruzados entre países e grupos de países indica que os sistemas bancários nacionais absorvem uma parcela maior das emissões do seu próprio Estado.

Este fenómeno, se se confirmar, poderá aumentar a ligação entre o risco soberano e o risco bancário doméstico, reduzindo assim um dos principais benefícios da integração monetária: a mutualização do risco através de um mercado de capitais profundo e diversificado.

Idriss Linge

 

 

Posted On jeudi, 18 décembre 2025 13:01 Written by

O montante servirá para financiar o projeto de expansão da videovigilância. O objetivo é equipar as cidades camerunesas com um sistema destinado a combater de forma mais eficaz a insegurança.

Por decreto assinado na quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, o presidente do Camarões, Paul Biya (foto), autorizou o ministro da Economia, Planeamento e Ordenamento do Território a celebrar um acordo de financiamento com a China Citic Bank Corporation Ltd (CITIC Bank), filial de Shenzhen.

O acordo refere-se a um empréstimo comprador “Buyer Credit” no valor de 59,82 milhões de euros (70,13 milhões de dólares), destinado ao financiamento complementar do projeto de expansão a nível nacional do sistema de videovigilância urbana inteligente, um programa governamental que visa reforçar a segurança nas principais aglomerações do país.

Segundo o governo, este novo financiamento visa consolidar e expandir os dispositivos tecnológicos já implementados em algumas grandes cidades do país. O objetivo é melhorar a prevenção e repressão do crime, a gestão do trânsito rodoviário e a capacidade de intervenção das forças de segurança através de ferramentas digitais avançadas.

Este novo empréstimo dá continuidade aos financiamentos previamente mobilizados. Em dezembro de 2024, os Camarões já tinham obtido autorização para contrair um empréstimo de 50 milhões de euros junto do mesmo banco para o financiamento parcial do projeto. Antes disso, um financiamento de 46 mil milhões de FCFA (82,2 milhões de dólares) concedido pelo Bank of China permitiu realizar a primeira fase do projeto.

Esta fase inicial levou à instalação de 1 500 câmaras de videovigilância em várias cidades do país, bem como à aquisição de 2 000 postos emissores-receptores portáteis destinados às forças de segurança. As cidades abrangidas incluem as sedes das dez regiões dos Camarões, bem como localidades estratégicas como Kribi, onde se encontra o principal porto de águas profundas do país, Kyé-Ossi e Garoua-Boulaï, localizadas nas fronteiras com a Guiné Equatorial, o Gabão e a República Centro-Africana.

O projeto também se concentrou em zonas sensíveis da região do Extremo Norte, confrontada desde 2013 com ataques do grupo islâmico nigeriano Boko Haram.

SG

 

 

Posted On jeudi, 18 décembre 2025 12:58 Written by

BAD: 11 bilhões de dólares em promessas para reconstituir o Fundo Africano de Desenvolvimento, abaixo da meta após retirada dos EUA

A Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciou, na terça-feira, 16 de dezembro de 2025, ter mobilizado 11 bilhões de dólares em promessas de doações para reconstituir seu fundo destinado a países africanos de baixa renda. Embora superior ao ciclo anterior, o valor permanece significativamente abaixo da meta inicial, especialmente após o afastamento dos Estados Unidos.

Os compromissos foram obtidos ao final de uma conferência de dois dias em Londres dedicada à reconstituição do Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD), o braço concessional da BAD, que oferece empréstimos a condições preferenciais e doações para as economias mais vulneráveis do continente.

No ciclo anterior, em 2022, o FAD havia levantado 8,9 bilhões de dólares. Desta vez, os responsáveis da BAD visavam 25 bilhões de dólares antes do desengajamento dos EUA enfraquecer a dinâmica de captação.

“Em um dos ambientes globais mais desafiadores para o financiamento do desenvolvimento, nossos parceiros escolheram a ambição em vez da retração”, declarou o presidente da BAD, Sidi Ould Tah, em comunicado.

A instituição não detalhou se os Estados Unidos assumiram compromissos durante o encontro, e Washington, por sua vez, não comentou o assunto. Em maio, a administração americana havia retirado uma parcela de financiamento de 197 milhões de dólares, aumentando a incerteza sobre sua contribuição futura, historicamente estimada em cerca de 6 a 7% nos ciclos anteriores.

Diante desse recuo, vários países africanos aumentaram sua participação. Dezenove Estados africanos, incluindo Quênia, Zâmbia e Costa do Marfim, contribuíram pela primeira vez para o FAD, totalizando 182,7 milhões de dólares em promessas, segundo a BAD.

A conferência contou com 43 parceiros e foi coorganizada pelo Reino Unido e Gana. Entre os principais compromissos anunciados destacam-se 800 milhões de dólares do Banco Árabe para o Desenvolvimento Econômico na África (BADEA) e 2 bilhões de dólares do Fundo da OPEP para o Desenvolvimento Internacional.

Criado em 1972, o FAD financiou 45 bilhões de dólares em projetos em 37 países africanos, incluindo irrigação, rodovias e eletricidade. Diferentemente do braço ordinário da BAD, o FAD oferece financiamentos com taxas muito baixas ou nulas, com prazos superiores a 20 anos.

Nos últimos anos, seu papel se tornou ainda mais relevante, diante do alto endividamento, da redução da ajuda internacional e do aperto nos mercados financeiros globais, que limitam o acesso dos Estados africanos a financiamentos.

Analistas alertam que a falta contínua de recursos concessionais pode aumentar a pressão sobre os sistemas bancários locais, obrigando os governos a recorrer a empréstimos domésticos mais caros para financiar infraestrutura e gastos sociais.

Para compensar a redução americana, a BAD avalia novas estratégias, incluindo a ampliação do leque de doadores, revisão de sua carta para captar até 5 bilhões de dólares nos mercados a cada ciclo, e maior envolvimento de fundações filantrópicas.

Fiacre E. Kakpo

 

Posted On mercredi, 17 décembre 2025 13:21 Written by

Após uma queda de 54,6% no trimestre anterior, o mercado de seguros no Gabão apresenta desempenhos em alta. No entanto, ainda permanece pouco explorado. A cobertura da população é limitada a menos de 2%, freada pela falta de conscientização e pelas restrições regulatórias.

Depois de um início de ano difícil, o setor de seguros gabonês recupera-se no segundo trimestre de 2025. Segundo os últimos dados setoriais do ministério responsável pela Economia, o faturamento das seguradoras cresceu 72,3%, invertendo a tendência observada três meses antes, quando a atividade havia caído 54,6%. Os valores financeiros correspondentes a essa evolução, porém, não foram detalhados pelo ministério.

A retomada de algumas obras do setor de construção civil (BTP) e a dinâmica do setor de mineração, dois segmentos altamente consumidores de seguros, explicam essa evolução, observada tanto nos ramos de não-vida quanto de vida e capitalização.

De forma detalhada, as apólices do ramo não-vida aumentaram 67,2% no segundo trimestre, após uma queda de 60,8% no trimestre anterior. Esse desempenho resulta do crescimento de alguns produtos, como seguro automóvel (+5%), responsabilidade civil geral (+43%) e cobertura de saúde (+2%).

O ramo vida apresenta um aumento mais expressivo, com o faturamento crescendo 90,2% no período, após um trimestre anterior com ligeira alta (+2,8%). Esse aumento reflete o fortalecimento dos produtos de vida e a renovação de algumas apólices, especialmente nos produtos de poupança/aposentadoria (+31%), mistos (+71%) e morte (+7%).

Sinistros e comissões

Seguindo a mesma tendência, o valor dos sinistros pagos registrou forte aumento de 103,8% no segundo trimestre, após atrasos nos pagamentos no trimestre anterior (-67,8%). Os sinistros cresceram 121,5% para o ramo não-vida e 73,5% para o ramo vida. No comparativo anual, a carga total de sinistros, entretanto, caiu 3,7%. As comissões pagas aos intermediários aumentaram 6,6% no trimestre, após recuo de 29,5% anteriormente. No comparativo anual, registram queda de 8,6%.

Apesar desse crescimento, o setor de seguros no Gabão continua enfrentando diversos desafios, incluindo baixa penetração dos produtos, nível reduzido de conscientização da população e dificuldades na aplicação das regulamentações.

Sandrine Gaingne

 

 

Posted On mercredi, 17 décembre 2025 13:12 Written by

A Nigéria lançará, em março de 2026, um fundo de mil milhões de dólares destinado a start-ups da economia azul e do setor marítimo.

O anúncio foi feito no domingo, 14 de dezembro de 2025, em Abuja, por Ronke Kosoko, diretora-geral do Maritime Innovations Hub, durante uma conferência de imprensa organizada à margem da cimeira sobre o investimento na economia azul.

O fundo será oficialmente lançado por ocasião da Cimeira sobre o Investimento na Economia Azul, prevista para decorrer em Lagos, de 9 a 11 de março de 2026. Terá como alvo jovens empresas ativas em vários segmentos do setor marítimo, nomeadamente o transporte marítimo, a pesca, o turismo costeiro, a construção naval e as energias marinhas renováveis.

Segundo Ronke Kosoko, o objetivo é fornecer financiamento direto às start-ups e reforçar as suas competências. O fundo prevê programas de formação, acompanhamento técnico e acesso a redes internacionais. Insere-se na continuidade de um financiamento de 100 milhões de dólares já obtido pela Nigéria para a formação e o reforço de capacidades no setor marítimo. A responsável indicou ainda que as negociações com os parceiros financeiros estão na fase final e que os representantes do fundo deverão regressar em breve à Nigéria para finalizar os compromissos.

A economia azul no centro da diversificação

Esta iniciativa surge num contexto de diversificação da economia nigeriana. O país procura, de facto, reduzir a sua dependência das receitas provenientes do petróleo, desenvolvendo setores alternativos. A economia azul faz parte das prioridades definidas pelo governo federal.

A Nigéria possui um dos mais extensos litorais da África Ocidental, com mais de 850 km, e uma posição estratégica nas principais rotas marítimas internacionais. Apesar destes trunfos, a sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) permanece inferior a 3%, segundo Ronke Kosoko.

Vários fatores explicam esta situação. O setor sofre com a falta de infraestruturas portuárias, a escassez de dados económicos fiáveis e um enquadramento regulamentar por vezes instável. Estas limitações restringem o desenvolvimento das atividades marítimas e travam a entrada de capitais privados.

De acordo com a diretora-geral do Maritime Innovations Hub, um apoio financeiro estruturado poderia permitir que a economia azul contribuísse para colmatar parte do défice do PIB da Nigéria, estimado em cerca de 750 mil milhões de dólares. As autoridades consideram que investimentos direcionados podem transformar atividades informais em empresas estruturadas e geradoras de receitas fiscais.

Um sinal para os investidores internacionais

Ao apoiar start-ups com capital, formação e exposição internacional, o fundo pretende reduzir os constrangimentos associados ao setor marítimo e à economia azul. Os promotores do projeto acreditam que a estruturação do ecossistema local facilitará a entrada de fundos de investimento e de parceiros industriais.

Este anúncio surge algumas semanas após o regresso da Nigéria ao Conselho da Organização Marítima Internacional (OMI), após 14 anos de ausência. No final de novembro de 2025, o país foi eleito para o Conselho da OMI para o mandato de 2026, na categoria C, que reúne os Estados com interesses específicos no transporte marítimo.

O ministro dos Assuntos Marítimos e da Economia Azul, Adegboyega Oyetola, apresentou esta eleição como um sinal de reconhecimento das reformas em curso e dos esforços de segurança desenvolvidos no Golfo da Guiné. Segundo o ministro, este regresso deverá dinamizar o setor, reforçar as parcerias internacionais do país, melhorar o acesso à assistência técnica e aumentar a confiança dos investidores.

Chamberline Moko

Posted On mercredi, 17 décembre 2025 10:42 Written by
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