Diante da escassez persistente de professores e da precariedade de milhares de contratados, as autoridades nigerinas iniciam uma reforma do recrutamento público com o objetivo de estabilizar o emprego na educação e fortalecer de forma duradoura um sistema escolar sob forte pressão demográfica.
Em um comunicado publicado na sexta-feira, 9 de janeiro, na página do Facebook do Ministério da Educação Nacional do Níger, o governo anunciou a integração sem concurso de 11.015 professores contratados na Função Pública. Esta medida responde às tensões sociais recorrentes no setor educacional e à fragilidade do status dos professores contratados.
A decisão resulta de um processo de consulta envolvendo vários ministérios e os parceiros sociais do setor educacional, apoiado pelos trabalhos de duas instâncias técnicas criadas a iniciativa do Primeiro-Ministro Ali Mahamane Lamine Zeine, sob a liderança do chefe de Estado Abdourahamane Tiani. Segundo as autoridades, essas consultas “permitiram identificar soluções concretas, especialmente no que diz respeito ao recrutamento e à regularização de salários atrasados e promoções”.
A coordenação da implementação foi confiada ao Ministério da Função Pública, Trabalho e Emprego. Conforme informado, os professores integrados serão progressivamente alocados em vários departamentos ministeriais, incluindo educação, formação técnica e profissional, juventude e esportes, bem como cultura e promoção de valores sociais.
De acordo com o comunicado oficial, esta integração visa proteger carreiras profissionais por muito tempo marcadas pela instabilidade contratual. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lembra que a precariedade do emprego público na educação é um fator importante de desmotivação e queda da qualidade do ensino em vários países de baixa renda. Ao estabilizar o emprego na educação, as autoridades nigerinas esperam responder a uma urgência social e, ao mesmo tempo, estabelecer bases para um fortalecimento duradouro do sistema educacional e do mercado de trabalho público.
A medida ocorre em um contexto de déficit estrutural de professores no Níger, com turmas frequentemente superlotadas. Segundo o Instituto de Estatística da UNESCO (UIS), a relação aluno-professor no ensino secundário é de cerca de 30 alunos por professor, um nível acima das recomendações internacionais, limitando a qualidade do acompanhamento pedagógico. Em algumas áreas rurais, essa proporção pode ultrapassar 50 alunos por professor.
Enquanto a inserção profissional dos jovens diplomados continua a ser um desafio na Argélia, o Estado explora vias diretas entre formação de excelência e emprego público, num contexto de desemprego ainda elevado entre perfis qualificados.
Na quarta-feira, 7 de janeiro, o governo argelino organizou um dia de informação dedicado às ofertas de emprego do Ministério da Defesa Nacional, destinado aos diplomados da Escola Nacional Superior de Inteligência Artificial (ENSIA) e da Escola Nacional Superior de Matemática (ENSM). O encontro realizou-se no polo científico e tecnológico Chahid Abdelhafid Ihaddaden, em Sidi Abdellah, Argel, com o objetivo de apresentar as oportunidades de recrutamento nas diferentes direções e serviços do Exército Nacional Popular (ANP).
Na abertura da sessão, o ministro do Ensino Superior e da Investigação Científica, Kamel Baddari, saudou “o entusiasmo dos estudantes das escolas nacionais superiores pertencentes ao polo científico e tecnológico por este encontro”.
As trocas permitiram esclarecer os perfis procurados, os procedimentos de recrutamento e as missões propostas, numa lógica de aproximação entre as formações científicas de alto nível e as necessidades operacionais do Estado. Segundo o comunicado oficial, esta parceria insere-se “na visão de desenvolvimento definida pelo Presidente da República, Sr. Abdelmadjid Tebboune, que dá prioridade às ciências, tecnologias e conhecimentos ligados à economia inovadora”.
O coronel Belloula Ammar, representante do Ministro da Defesa Nacional, especificou que esta iniciativa visa reforçar o acompanhamento dos jovens talentos e valorizar as realizações científicas dos estudantes. Ela ocorre a poucos meses da saída da primeira turma da ENSIA e da ENSM, duas escolas consideradas como alavancas da economia inovadora.
A questão é também social. Em 2025, a taxa de desemprego na Argélia é estimada em 12,7%, com maior pressão sobre os jovens diplomados, segundo o Escritório Nacional de Estatística (ONS), citado pela imprensa local.
Félicien Houindo Lokossou
A África apresenta uma juventude dinâmica e mercados de trabalho em transformação, mas as pessoas com deficiência continuam largamente excluídas de formações adaptadas e de empregos dignos, apesar do surgimento de iniciativas públicas e associativas. Esta situação coloca a inserção profissional das pessoas com deficiência no centro dos debates sobre o desenvolvimento inclusivo do continente.
Em vários países africanos, começam a surgir programas colaborativos e quadros de ação sobre o tema, promovidos por alianças entre governos, organizações internacionais e atores locais. Estas dinâmicas refletem uma crescente conscientização, embora o seu alcance ainda seja limitado.
No Benim, em novembro de 2025, a Universidade de Abomey-Calavi dedicou uma sessão específica à empregabilidade dos diplomados com deficiência durante o Salão do Emprego, demonstrando a vontade de integrar esta questão nos mecanismos de inserção existentes. Alguns meses antes, a Agência Nacional de Emprego (AnpE) tinha organizado uma formação destinada a reforçar as capacidades dos responsáveis pela promoção do emprego, no acompanhamento de candidatos com deficiência.
Na África Oriental, a Tanzânia ilustra outro aspeto desta mobilização. A parceria estabelecida em março de 2025 entre o National Business and Disability Network, a Associação de Empregadores e a ONG Sightsavers evidencia o envolvimento crescente do setor privado na promoção da inclusão. Apoiada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), esta iniciativa insere-se num diálogo estruturado com as empresas para promover a evolução das práticas internas.
A OIT sublinha que o objetivo é ir além dos compromissos simbólicos, integrando progressivamente políticas de emprego inclusivas nos processos de recrutamento, gestão de carreiras e adaptação das condições de trabalho. No Norte de África, Marrocos também reforçou a cooperação entre instituições públicas e atores económicos. Os acordos celebrados em 2022 com algumas cadeias de distribuição para favorecer a inserção profissional de pessoas com deficiência intelectual ilustram esta orientação.
Estes exemplos mostram que a construção de percursos de emprego duradouros depende de uma ação concertada entre poderes públicos, sociedade civil e setor privado.
Obstáculos persistentes e desafios a superar em África
Apesar destes sinais encorajadores, os obstáculos estruturais continuam significativos em todo o continente. O acesso a formações realmente adaptadas permanece insuficiente, e muitas instituições educativas e ambientes profissionais continuam a ser pouco acessíveis. A estas limitações materiais somam-se estereótipos persistentes que dificultam o acesso ao emprego formal e limitam as perspetivas de progressão, mesmo para pessoas qualificadas com deficiência.
Os dados disponíveis confirmam a dimensão do desafio. Segundo as Nações Unidas, cerca de 16% da população mundial vive com uma deficiência significativa, sendo quase 80% em países em desenvolvimento. Em África, a situação no mercado de trabalho é particularmente crítica. Um estudo citado pelo Social Business Impact indica que menos de 20% das pessoas com deficiência possuem um emprego remunerado.
Perante esta realidade, a questão vai além do simples reconhecimento de direitos. Trata-se de promover uma transformação profunda dos sistemas de formação, das práticas de recrutamento e das políticas públicas, de modo a eliminar de forma sustentável as barreiras à inclusão. Sem investimentos direcionados e sem uma mobilização contínua dos Estados, empresas e sociedade civil, a integração profissional das pessoas com deficiência continuará a progredir demasiado lentamente, limitando o potencial humano e económico de África.
Félicien Houindo Lokossou
À medida que milhões de jovens africanos entram todos os anos num mercado de trabalho que não gera empregos formais suficientes, a lacuna entre as competências de que dispõem e aquelas exigidas pelas empresas dificulta fortemente a sua inserção profissional.
O reskilling refere-se à aprendizagem de novas competências que permitem abraçar outra profissão ou adaptar-se a um ambiente profissional em transformação. Não se trata de retomar matérias gerais, mas de uma formação direcionada para as competências demandadas pelo mercado.
Num mundo do trabalho profundamente transformado pela automação, digitalização e transições económicas, o reskilling surge como uma resposta concreta para reduzir a lacuna entre as competências disponíveis e as exigidas pelos empregadores. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) salienta que estas formações facilitam transições profissionais mais fluidas e contribuem para corrigir os desequilíbrios persistentes entre oferta e procura de competências.
No terreno, esta inadequação é particularmente visível em África. Diversos estudos mostram que uma parte significativa dos jovens trabalhadores considera que as suas competências não correspondem ao seu emprego, quer estejam subqualificados, quer sobrequalificados. Esta situação evidencia uma desconexão estrutural entre os sistemas de formação e as realidades económicas.
Por que o reskilling é crucial para a juventude africana
A juventude africana enfrenta um desafio demográfico e profissional. Segundo a OIT, mais de 70,9 milhões de jovens africanos eram NEET (nem em emprego, nem em educação, nem em formação) em 2025, representando cerca de 23% da população jovem total.
Este problema soma-se ao acesso limitado a formações técnicas e profissionais qualificantes. De acordo com dados oficiais, apenas cerca de 9% dos jovens africanos completaram uma formação técnica ou profissional, significativamente abaixo da média mundial, o que restringe a sua capacidade de adquirir competências práticas procuradas pelos empregadores.
Em muitos países, a maioria dos diplomados trabalha em empregos que não correspondem às suas qualificações, criando outro aspecto do desfasamento entre competências e emprego. Por exemplo, um estudo recente na Costa do Marfim mostra que cerca de 76% dos jovens diplomados ocupam cargos que não correspondem às suas qualificações, ilustrando a profunda inadequação entre formação e necessidades económicas.
Estas realidades sublinham a urgência de investir em programas de reskilling orientados para competências práticas e profissões em crescimento, de modo a transformar o potencial demográfico africano num trunfo para o emprego sustentável e inclusivo.
Félicien Houindo Lokossou
Face às dificuldades no mercado de trabalho e às limitações de acesso ao ensino superior, os jovens sul-africanos têm-se voltado massivamente para formações técnicas e profissionais, que representam uma alavanca essencial para desenvolver competências adaptadas.
Em 2025, a África do Sul registou 587.671 inscrições nos seus colégios TVET (Ensino e Formação Técnicos e Profissionais), o que corresponde a 94,8% da meta estabelecida pelo governo para estas instituições, segundo o Ministério do Ensino Superior e da Formação. Este número reflete uma forte mobilização dos jovens em torno de percursos que combinam aprendizagem prática e empregabilidade, confirmando o atrativo das formações profissionais para o desenvolvimento económico.
Os colégios TVET desempenham um papel central na preparação dos jovens para profissões de utilidade quotidiana e no atendimento às necessidades de uma economia em mudança. Estas instituições oferecem formações que vão desde o artesanato à informática, passando pela hotelaria e serviços técnicos, proporcionando assim passagens diretas para o emprego.
Esta dinâmica sublinha a necessidade de reforçar a qualidade dos programas e a adequação ao mercado de trabalho. O sucesso dos TVET depende tanto das inscrições quanto da capacidade dos diplomados em encontrar emprego ou empreender. Parcerias com empresas, estágios práticos e programas de aprendizagem continuam a ser essenciais para transformar estes percursos em oportunidades concretas.
Paralelamente, outros segmentos do ensino pós-secundário, como os centros de educação comunitária, enfrentam dificuldades em atrair estudantes, revelando desigualdades no acesso à formação de adultos. Para os decisores políticos, os números dos TVET são encorajadores. Eles mostram que a educação técnica pode tornar-se um verdadeiro motor de inserção profissional, ao mesmo tempo que lembram a importância de apoiar os estudantes, adaptar os currículos às necessidades do mercado e promover o acompanhamento para o emprego a fim de maximizar o impacto destas formações.
Félicien Houindo Lokossou
Diante de um mercado de trabalho rígido e de cadeias produtivas ainda pouco desenvolvidas, as autoridades congolesas apostam na formação prática para melhorar a inserção profissional dos jovens e estimular atividades geradoras de renda.
Durante uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira, 30 de dezembro, em Brazzaville, na República do Congo, o Fundo Nacional de Apoio à Empregabilidade e à Aprendizagem (FONEA) anunciou o lançamento de um programa nacional de formação gratuita em trabalho com miçangas (perlagem), destinado a reforçar a empregabilidade e o autoempreendedorismo dos jovens. Apoiado pela Sociedade Africana de Recuperação (SAR), o programa prevê a formação de 3.000 beneficiários em uma cadeia artesanal ainda pouco estruturada, mas percebida como portadora de oportunidades econômicas.
Segundo os detalhes disponíveis, o programa é voltado a jovens de 16 a 35 anos e está organizado em torno do aprendizado do ofício, seguido por uma fase de produção e, posteriormente, de comercialização dos produtos. Essa abordagem integrada busca estruturar uma atividade artesanal ainda amplamente informal, transformando-a em um verdadeiro projeto empreendedor inserido em uma lógica de mercado.
Totalmente gratuita, a formação prevê a entrega de kits de instalação aos participantes, bem como um acompanhamento pós-formação destinado a avaliar seu impacto na inserção profissional. Em sua mensagem, Ghislain Louboya, diretor do FONEA, explica que o programa começa com uma fase piloto em Brazzaville e Pointe-Noire, antes de uma expansão progressiva em nível nacional.
Oficialmente, o projeto visa “fazer do trabalho com miçangas um instrumento de autoemprego e de inserção sustentável”, segundo o responsável pelo Fundo, convencido de que não se trata apenas de formar para um ofício, mas de “forjar verdadeiros empreendedores” capazes de gerar rendas duradouras. A escolha do trabalho com miçangas baseia-se em seu potencial econômico, considerado apto a criar oportunidades no artesanato e nos mercados locais, ao mesmo tempo em que valoriza o “Made in Congo”.
Essa iniciativa surge em um contexto de crescentes preocupações em torno do emprego juvenil. Segundo dados do Banco Mundial citados pela Global Economy, a taxa de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos na República do Congo permanece elevada, em torno de 39,99% em 2024, bem acima da média mundial.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto o Senegal busca melhorar a qualidade do seu ensino superior para atender melhor às demandas do mercado de trabalho, o recrutamento em massa de professores universitários pela Guiné evidencia as tensões entre mobilidade profissional, quadro legal e atratividade do sistema acadêmico.
Em comunicado divulgado pela imprensa local na segunda-feira, 5 de janeiro, as autoridades senegalesas de ensino superior se pronunciaram sobre o recrutamento de 59 docentes-pesquisadores em universidades guineenses. Esse movimento, considerado “controverso” por alguns veículos, foi examinado pelo Ministério do Ensino Superior, Pesquisa e Inovação (MESRI).
Segundo o ministro Daouda Ngom, essa mobilização levanta questões sobre o cumprimento da regulamentação nacional, em particular a proibição de um funcionário público trabalhar na função pública de outro país sem mecanismos de cooperação previamente ratificados. Longe de ser um fenômeno marginal, esse fluxo de professores é visto como indicativo de problemas estruturais relacionados à gestão de carreiras e à atratividade das universidades senegalesas.
Regular a mobilidade sem reduzir a atratividade
Em comunicado oficial, o MESRI lembrou as disposições legais que regem a mobilidade de docentes-pesquisadores. A lei nº 61‑33 de 15 de junho de 1961 consagra a exclusividade do emprego na função pública, enquanto o artigo 11 da lei nº 81‑59 de 9 de novembro de 1981 regulamenta o uso do pessoal universitário fora do quadro.
Com base nisso, os reitores das universidades públicas foram encarregados de verificar se qualquer compromisso no exterior respeita essas normas e evita acúmulo irregular de empregos. O ministério ressalta, contudo, que a mobilidade internacional não é proibida e pode ocorrer dentro de mecanismos de cooperação formalizados e missões autorizadas por lei.
Esse posicionamento reflete a tensão entre a liberdade profissional dos docentes e a necessidade de preservar as capacidades institucionais nacionais. Segundo o MESRI, as universidades senegalesas continuam atraentes na sub-região devido ao seu ambiente acadêmico sólido e remuneração competitiva, mas a mobilidade deve ser regulada.
Essa declaração surge enquanto o ensino superior senegalês enfrenta vários desafios, incluindo a adequação entre formação e emprego, a qualidade da pesquisa e o fortalecimento das capacidades acadêmicas por meio do plano estratégico 2025‑2026, que prevê a contratação de centenas de docentes-pesquisadores. Além disso, Dacar e Conacri assinaram em maio de 2025 um protocolo de cooperação universitária e científica, prevendo a mobilidade de professores e estudantes, cuja implementação é confiada a um comitê de acompanhamento.
Nesse contexto, o Senegal tenta conciliar abertura regional, atratividade acadêmica e respeito ao quadro jurídico nacional, enquanto o debate sobre a mobilidade de talentos e a competitividade das universidades africanas continua se intensificando.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto a África enfrenta um elevado desemprego juvenil e um déficit de startups viáveis, iniciativas de financiamento e de fortalecimento de capacidades se multiplicam para estimular o empreendedorismo e o emprego, oferecendo novas oportunidades de crescimento econômico.
A Tony Elumelu Foundation (TEF) abriu oficialmente as candidaturas para o seu Programa de Empreendedorismo 2026 (TEEP), uma iniciativa destinada a apoiar jovens empreendedores. O programa oferece capital semente não reembolsável de até 5.000 dólares, treinamento profissional intensivo de 12 semanas, acompanhamento individual por mentores e oportunidades de networking internacional para empreendedores de todos os setores.
O TEEP ocorre em várias etapas, incluindo candidatura e seleção, verificação, treinamento em gestão empresarial, desenvolvimento do plano de negócios, competição de pitch e concessão do capital. Segundo informações oficiais, os beneficiários recebem os fundos por transferência eletrônica em suas contas profissionais, enquanto aqueles não selecionados podem continuar a participar do treinamento e se candidatar nos ciclos seguintes. O programa é voltado para empreendedores africanos, sejam eles donos de uma empresa ou apenas com uma ideia de projeto, e é oferecido em inglês, francês, português e árabe, a fim de abranger todo o continente.
O empreendedorismo continua sendo um vetor-chave para o emprego na África, onde cerca de 3 em cada 4 jovens adultos ocupam empregos precários, segundo o Banco Mundial. Ao fornecer capital, habilidades e rede de contatos, o TEEP busca preencher o déficit de startups viáveis e de empreendedores capacitados, contribuindo para a emergência de empresas capazes de criar empregos duradouros e dinamizar a economia local.
Este anúncio ocorre enquanto a África Subsaariana continua enfrentando um desemprego juvenil estruturalmente alto, estimado em 11,3% em 2025, e um descompasso entre formação e necessidades do mercado, de acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto a economia ganesa tenta consolidar a sua recuperação após vários anos de fortes tensões macroeconómicas, a inserção profissional dos jovens qualificados continua a ser um dos principais desafios ao crescimento. A transição entre a formação e o emprego evidencia desequilíbrios estruturais persistentes no mercado de trabalho.
No final de julho de 2025, em Acra, Abdul-Rashid Hassan Pelpuo, ministro ganês do Emprego e das Relações Laborais, alertou publicamente para a situação dos jovens diplomados. Durante um fórum nacional dedicado ao emprego jovem, organizado pelo seu ministério, indicou que, dos cerca de 300 000 diplomados que entram todos os anos no mercado de trabalho, quase 60% não conseguem obter um emprego duradouro. A declaração baseia-se em dados oficiais do Ghana Statistical Service (GSS), divulgados pela imprensa local.
Segundo o ministro, esta dificuldade de inserção contribui diretamente para manter o desemprego jovem em níveis elevados. Em 2025, por exemplo, 32% dos jovens entre os 15 e os 24 anos encontravam-se desempregados, de acordo com as estatísticas mais recentes do GSS.
O Ministério do Emprego sublinha que esta realidade nem sempre se traduz numa inatividade total. Muitos diplomados encontram-se em situações precárias, alternando entre pequenos empregos informais, estágios não remunerados ou longos períodos de procura de trabalho, sem uma verdadeira estabilização profissional.
Para as autoridades, este fraco desempenho explica-se em grande parte por um desfasamento persistente entre a formação recebida e as necessidades reais da economia. Os ministérios da Educação e do Emprego apontam para um défice de competências práticas, técnicas e digitais, especialmente nos setores da indústria, da agricultura modernizada e dos serviços de elevado valor acrescentado.
Perante este diagnóstico, o governo aposta no reforço da formação técnica e profissional, bem como numa maior implicação do setor privado, uma orientação reafirmada durante o fórum de julho de 2025. Resta saber se as reformas anunciadas serão efetivamente concretizadas, de modo a transformar de forma mais eficiente o conjunto de diplomados num motor sustentável de crescimento e criação de emprego. Este desafio é ainda mais crucial num país onde os jovens representam uma parte significativa da população, com mais de 35% dos ganeses com menos de 25 anos em 2025, segundo os dados demográficos mais recentes.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto menos de metade das crianças malawianas têm atualmente acesso ao ensino secundário, o governo está a implementar uma reforma destinada a eliminar as barreiras financeiras que dificultam a continuação dos estudos após o ensino primário.
Num comunicado de imprensa divulgado na sexta-feira, 2 de janeiro, na sua página do Facebook, o Ministério da Educação do Malawi confirmou a entrada em vigor da gratuitidade do ensino secundário público a partir de 2026. Esta decisão dá seguimento ao compromisso assumido pelo Presidente Arthur Peter Mutharika em outubro de 2025, posteriormente reafirmado na abertura do Parlamento, por ocasião da revisão orçamental de meio de ano.
De acordo com o texto oficial, as taxas de exames e de emissão de cartões de identificação, cobradas pelo Malawi National Examination Board para os exames nacionais do ensino primário e secundário, são abolidas com efeito imediato. Desde 1 de janeiro de 2026, o Fundo de Desenvolvimento Escolar, bem como todas as demais taxas anteriormente suportadas pelas famílias, passaram a ser assumidas pelo Estado em todas as escolas secundárias públicas. Assim, os alunos das escolas públicas sem internato, conhecidas como day schools, deixam de pagar quaisquer propinas escolares.
No entanto, algumas categorias de estabelecimentos não são abrangidas pela medida. Os internatos públicos continuarão a cobrar taxas de alojamento, tal como as Open Secondary Schools e as escolas subvencionadas da Association of Christian Educators in Malawi, onde as despesas de hospedagem permanecem em vigor até nova ordem. Para estas estruturas, o Estado esclarece que assumirá o Fundo de Desenvolvimento Escolar e outras taxas através de subvenções diretas e das Outras Transações Recorrentes, cujos atrasos foram regularizados até dezembro de 2025.
Esta orientação insere-se num quadro jurídico e estratégico mais amplo. A gratuitidade do ensino secundário está em conformidade com o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que prevê a implementação progressiva do ensino gratuito neste nível. Está igualmente alinhada com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável n.º 4 das Nações Unidas, que visa garantir a todos uma educação primária e secundária gratuita, equitativa e de qualidade até 2030. A Visão Malawi 2063 e o Plano Nacional do Setor da Educação 2020-2030 colocam também o desenvolvimento do capital humano como um pilar central das políticas públicas.
A implementação desta medida ocorre num contexto marcado por fortes constrangimentos no acesso à educação. Segundo dados oficiais de 2024, a taxa de transição do ensino primário para o secundário no Malawi situa-se em cerca de 49,7%, enquanto a taxa líquida de escolarização no secundário é estimada em apenas 16,8%, ilustrando a dimensão dos desafios que o sistema educativo nacional continua a enfrentar.
Félicien Houindo Lokossou
Face à crescente pressão sobre o sistema educativo e ao défice de infraestruturas escolares em todo o país, o Estado senegalês lançou um projeto ambicioso destinado a reforçar a oferta de ensino secundário e a preparar melhor os jovens para os desafios do mercado de trabalho.
Na quinta-feira, 1 de janeiro, o Primeiro-Ministro Ousmane Sonko colocou a primeira pedra de um liceu moderno em Passy, no Senegal. Com um custo de 3,54 mil milhões de FCFA (aproximadamente 6,3 milhões de dólares), este projeto ilustra a vontade do Estado de facilitar o acesso a uma educação de qualidade e de preparar os jovens para as profissões do futuro. A cerimónia reuniu responsáveis ministeriais e atores locais.
Segundo informações publicadas na página de Facebook do Ministério da Educação Nacional, o projeto abrange 5 hectares e poderá acolher 1 500 alunos. O estabelecimento incluirá 24 salas de aula, um edifício administrativo, um centro de documentação e informação (CDI), uma sala informática, laboratórios, um anfiteatro, um refeitório-ginásio, uma enfermaria, campos desportivos e blocos sanitários.
A construção respeita os princípios bioclimáticos e integra tecnologias de informação e comunicação, garantindo igualmente acessibilidade universal. Insere-se no âmbito do Referencial Senegal 2050 e da Estratégia Nacional de Transformação Sistémica da Educação, alinhando o ensino com as necessidades do mercado de trabalho. Está prevista uma cooperação entre o Ministério da Educação Nacional e o Ministério das Infraestruturas para assegurar a qualidade das construções e o cumprimento dos prazos.
Esta iniciativa surge num contexto em que o Senegal enfrenta um défice de cerca de 46 632 salas de aula, segundo o balanço de 2025 da Direção de Construções Escolares (DCS). Mesmo nas zonas já equipadas, a falta de infraestruturas básicas, como eletricidade e água, limita o acesso à educação e afeta a qualidade do ensino. A estes desafios soma-se a elevada taxa de crianças fora do sistema escolar. De acordo com o relatório do Estado do Sistema Educativo Nacional (RESEN), publicado em junho de 2025, cerca de 38 % das crianças senegalesas com idades entre 6 e 16 anos não frequentam a escola.
Félicien Houindo Lokossou
Perante um mercado de trabalho em que o desemprego jovem continua elevado e a procura por competências qualificadas não para de crescer, a Argélia tenta reforçar a formação profissional para melhor preparar os jovens para o emprego e a inovação.
O governo argelino lançou oficialmente, na quarta-feira, 17 de dezembro, uma rede nacional de 18 centros de excelência destinados a desenvolver competências e promover a inovação, em resposta aos desafios de integração dos jovens diplomados e à necessidade de mão-de-obra qualificada. Estas estruturas abrangem várias áreas consideradas estratégicas, como agroalimentar, têxtil, digital e mecânica, e foram concebidas para aproximar formação, indústria e emprego.
Segundo o secretário-geral do Ministério da Formação e do Ensino Profissional, Seddik Koudil, estas estruturas «beneficiam de atenção especial em termos de equipamentos e programas de formação, baseados numa abordagem pedagógica inovadora e numa parceria concreta com as empresas». O objetivo, acrescenta, é «garantir uma inserção suave dos diplomados no mercado de trabalho, permitindo ao mesmo tempo que os jovens acedam a uma formação de qualidade que lhes abra perspetivas de participação ativa no processo de desenvolvimento».
O responsável destaca ainda a intenção do governo de transformar estes estabelecimentos em plataformas verdadeiramente integradas, oferecendo aos jovens a oportunidade de desenvolver competências adaptadas às necessidades do mercado de trabalho e de estimular a inovação.
Esta iniciativa surge num contexto em que o mercado de trabalho jovem permanece particularmente difícil. Em 2024, a taxa de desemprego entre argelinos de 15 a 24 anos atingia cerca de 29,7%, muito acima da média mundial, apesar de uma ligeira descida recente, segundo dados do TheGlobalEconomy. Paralelamente, o Banco Mundial indica que, em 2024, 20% dos jovens desta faixa etária encontravam-se sem emprego, sem formação ou escolarização (NEET).
Félicien Houindo Lokossou
Face a uma população jovem em forte crescimento e às persistentes dificuldades do mercado de trabalho, o Mali está a implementar uma reforma educativa para aproximar a escola do empreendedorismo e preparar melhor os futuros ativos para criar o seu próprio emprego.
O Mali lançou oficialmente, na segunda-feira, 15 de dezembro, a introdução de módulos de formação em empreendedorismo desde o ensino básico. A cerimónia decorreu na sala de conferências da Direção Nacional do Ensino Secundário Geral e contou com a presença de responsáveis do Ministério da Educação Nacional, presidida pelo secretário-geral do departamento, Boubacar Dembélé, em companhia do chefe de gabinete e do terceiro vice-presidente do Conselho Nacional do Patronato do Mali (CNPM).
Segundo o comunicado oficial, esta iniciativa marca uma etapa chave para integrar competências empreendedoras nos currículos escolares. O secretário-geral do ministério apresenta esta reforma como uma resposta à pressão sobre o emprego público, promovendo ao mesmo tempo o autoemprego, a inovação e o engajamento cívico. Salienta que as funções públicas não conseguem absorver todos os jovens e que a parceria com o setor privado permitirá criar novas oportunidades de emprego.
Em nome do Ministro da Educação Nacional, foi sublinhado que a entrega dos módulos se enquadra na implementação das reformas do PRODEC 2, o novo programa decenal de desenvolvimento da educação, consolidando as recomendações dos Estados Gerais da Educação. O ministério continuará disponível para fornecer expertise e acompanhamento técnico de modo a tornar a cultura empreendedora concreta nas escolas.
Para o terceiro vice-presidente do CNPM, Sidi Dagnoko, o projeto integra a estratégia “Capital Humano”. As reflexões realizadas evidenciaram a necessidade de reforçar a colaboração entre o sistema educativo e o setor privado. A metodologia prevê uma ação progressiva, começando pelo ensino básico e secundário, seguindo-se das universidades públicas e privadas. O relatório final recomenda a inserção dos módulos desde os primeiros anos de escolaridade, de forma a incutir cedo o espírito de iniciativa e autonomia, aproximando assim a escola das realidades socioeconómicas.
Esta reforma surge num contexto em que cerca de 300 000 jovens chegam todos os anos ao mercado de trabalho no Mali, muitas vezes sem qualificações adequadas, ultrapassando a capacidade de criação de empregos formais pelo Estado, segundo estatísticas do Bureau Internacional do Trabalho (BIT) citadas pelo meio le360 Afrique. A taxa de desemprego no Mali era de 3,5 % em 2024, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, com um mercado dominado pelo setor informal e empregos precários.
Félicien Houindo Lokossou
Frente aos crescentes desafios de empregabilidade e inovação no ensino superior do Magrebe, a cooperação transfronteiriça entre instituições argelinas e tunisianas se fortalece para alinhar melhor formação, competências e necessidades do mercado de trabalho.
Na Universidade Mohamed-Chérif Messaâdia, em Souk Ahras, realizou-se, na terça-feira, 16 de dezembro, o 7º Fórum das Universidades Fronteiriças Argélio-Tunisianas (5+5), com a presença do ministro argelino do Ensino Superior e da Pesquisa Científica, Kamel Baddari, e de seu homólogo tunisiano, Mondher Belaid. Este encontro acadêmico de alto nível, reunindo reitores, pesquisadores e responsáveis institucionais, visa dinamizar a cooperação entre universidades fronteiriças a serviço da inovação e da competitividade.
Sob o tema “Ensino Superior na Era Digital: Conhecimento, Inovação e Competitividade Econômica”, a edição de 2025 destaca a transformação digital, a inovação científica e a abertura ao empreendedorismo. O programa de dois dias inclui sessões científicas, workshops e exposições dedicadas à inovação, bem como apresentações de projetos conduzidos por estudantes e pesquisadores em áreas-chave, como ciência, tecnologia e plataformas modernas de ensino. Sessões específicas abordam ensino a distância, ferramentas pedagógicas digitais e dinâmicas de incubação universitária.
A iniciativa ilustra a intenção da Argélia e da Tunísia de fortalecer uma rede universitária estruturante em suas regiões fronteiriças. No lado argelino, participam as universidades de Tébessa, El Tarf, El Oued, Annaba e Souk Ahras; no lado tunisiano, as universidades de Gafsa, Kairouan, Sfax, Jendouba e Gabès. Os organizadores destacam que o fórum busca reforçar a integração científica, estimular a pesquisa conjunta e impulsionar formações relevantes para a economia do conhecimento.
O 7º fórum ocorre em um contexto em que o ensino superior está sob pressão para modernizar suas estruturas e responder à rápida evolução do mercado de trabalho e das tecnologias digitais.
Na Tunísia, o orçamento do Ministério do Ensino Superior e da Pesquisa Científica, fixado em 2,37 bilhões de dinares para 2026 (aproximadamente 811 milhões de dólares), é apresentado como um instrumento para apoiar reformas que alinhem os cursos às necessidades do mercado e melhorem a empregabilidade. No entanto, os desafios persistem frente à crescente necessidade de adaptação dos currículos. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INS), citados pelo meio Tunisie Numérique, revelam que a taxa de desemprego entre graduados do ensino superior no terceiro trimestre de 2025 atingiu 24,9%.
Na Argélia, apesar da rápida expansão do sistema universitário e dos esforços de reforma baseados no modelo Licenciatura-Mestrado-Doutorado (LMD), as instituições ainda enfrentam um desafio estrutural significativo. Um estudo publicado em julho de 2025 no ResearchGate mostra que uma parte considerável dos graduados ainda tem dificuldades para se inserir no mercado de trabalho devido à falta de alinhamento entre a oferta de formação e as reais necessidades econômicas.
Félicien Houindo Lokossou
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