Esta previsão surge enquanto o Ruanda apresenta uma dinâmica econômica sustentada, impulsionada principalmente pelo setor da construção. A agência de classificação de risco também elevou a perspectiva do país para “estável”, citando uma redução da incerteza relacionada ao acesso a financiamentos externos.
O crescimento do PIB real do Ruanda deve superar 7% em 2027, contra 6,7% esperados para o período 2025-2026, impulsionado pelos setores da construção, agricultura e turismo, de acordo com a agência Fitch Ratings, em comunicado publicado na sexta-feira, 13 de março.
A instituição ressalta, no entanto, que esse crescimento continua exposto a certos riscos, principalmente ligados a eventuais atrasos nos desembolsos oficiais, bem como a perturbações de origem climática ou sanitária.
Além disso, a inflação deve registrar alta, atingindo 7,6% em 2026, contra 7% em 2025, devido ao aumento dos preços de alimentos e energia. Ela permanece, contudo, dentro da faixa-alvo fixada pelo Banco Central, que vai de 2% a 8%.
Este desempenho ocorre enquanto o país da África Oriental tem apresentado expansão econômica robusta nos últimos anos. No terceiro trimestre de 2025, o crescimento chegou a 11,8%, contra 8,9% em 2024, segundo dados do National Institute of Statistics of Rwanda (NISR). Paralelamente, o governo procedeu ao rebase do PIB, adotando 2024 como ano-base, operação que permite refletir melhor a estrutura real da economia.
O país ainda enfrenta um nível elevado de dívida pública, que deve atingir um pico de 79% do PIB em 2027 (contra 75% em 2025), antes de se estabilizar. Esse aumento será impulsionado por déficits primários persistentes, compromissos ligados ao projeto do Aeroporto Internacional de Bugesera e à expansão da RwandAir, assim como pela depreciação gradual da taxa de câmbio. A Fitch observa, no entanto: “prevemos que o elevado peso da dívida será mitigado pelas condições muito favoráveis da dívida externa, resultando em uma capacidade de pagamento adequada”.
Paralelamente, o país enfrenta um PIB per capita baixo, bem como déficits orçamentários e de conta corrente persistentes, que contribuíram para manter a dívida pública e externa elevada.
Fitch mantém perspectiva estável e confirma classificação “B+”
A Fitch Ratings confirmou a nota de inadimplência de longo prazo em moeda estrangeira do Ruanda em B+, elevando a perspectiva de “negativa” para “estável”. Essa nota avalia a probabilidade de um Estado ou empresa não honrar sua dívida externa por um período superior a um ano.
Essa decisão reflete uma diminuição das incertezas sobre o acesso do país a financiamentos externos, em um contexto de melhoria relativa do clima diplomático na região dos Grandes Lagos e manutenção do apoio de parceiros internacionais.
“Os desembolsos externos alcançaram cerca de 1 bilhão de dólares (6,1% do PIB) no exercício fiscal encerrado em junho de 2025”, destaca a Fitch. Esses fluxos contribuíram para reduzir os riscos de financiamento de curto prazo.
A previsão de crescimento do PIB do Ruanda também está acima da média dos países classificados na categoria “B”, estimada em 4,5%.
Lydie Mobio
Tropas rwandesas lutam desde julho de 2021 contra uma insurgência islâmica na província de Mozambique de Cabo Delgado, região rica em reservas de gás natural exploradas por várias multinacionais ocidentais, incluindo TotalEnergies, ENI e ExxonMobil.
No sábado, 14 de março, o Rwanda anunciou que retirará suas tropas de Cabo Delgado caso os financiadores internacionais não garantam recursos suficientes para a continuidade da missão anti-jihadista. O ministro das Relações Exteriores, Olivier Nduhungirehe, declarou na rede social X:
“O Ruanda retirará suas tropas de Moçambique se um financiamento sustentável não for garantido para nossas operações antiterroristas em Cabo Delgado.”
A porta-voz do governo, Yolande Makolo, acrescentou que a sustentabilidade do destacamento rwandês depende de financiamento adequado e previsível, lembrando que a Facilidade Europeia para a Paz forneceu até agora cerca de 20 milhões de euros (aprox. 23 milhões de USD), enquanto o custo real para Ruanda é pelo menos dez vezes maior, sem contar o sacrifício de vidas de soldados.
Estas declarações surgem após notícias da Bloomberg em 12 de março indicando que o apoio financeiro da União Europeia (UE) ao destacamento rwandês termina em maio, sem projeto de renovação, além das sanções do governo americano contra altos oficiais militares de Ruanda por suposto apoio ao grupo M23 na República Democrática do Congo. Ruanda nega qualquer apoio ao M23.
Resultados das tropas rwandesas
Desde final de 2017, Cabo Delgado enfrenta uma insurgência do grupo jihadista Ahlu Sunna Wal Jamaa, que causou milhares de mortes e interrompeu projetos de gás, incluindo o complexo de GNL da TotalEnergies avaliado em 20 bilhões de USD. Outras empresas como ENI e ExxonMobil também desenvolvem projetos de GNL na região.
A pedido de Maputo, Kigali enviou mil soldados em julho de 2021, aumentando posteriormente o contingente para milhares de homens. As forças rwandesas reivindicam sucessos significativos, incluindo a recuperação da cidade portuária Mocímboa da Praia, antes considerada base dos rebeldes.
Apesar do reconhecimento da contribuição positiva de Ruanda na segurança da província, o ministro Nduhungirehe alertou que sanções ocidentais ameaçam a viabilidade da exploração do gás, ressaltando que os soldados rwandeses são cruciais para conter a insurgência e para o desenvolvimento estratégico de um polo africano de exportação de gás natural, essencial para a economia de um dos países mais pobres do mundo.
Walid Kéfi
Khidmaty é o portal digital nacional da Mauritania, que já reúne diversos serviços administrativos. As autoridades continuam a integrar novas funcionalidades para simplificar os procedimentos e melhorar o dia a dia dos cidadãos.
Na quinta-feira, 12 de março, o governo anunciou que o serviço de pedido de alvará de construção foi disponibilizado na plataforma Khidmaty. O serviço está agora acessível nas nove comunas da capital, Nouakchott.
O projeto faz parte da estratégia de modernização da administração pública, visando agilizar os processos e aumentar a eficiência no tratamento dos pedidos. Os cidadãos podem agora submeter seus pedidos de forma totalmente online, sem necessidade de se deslocar entre diferentes repartições.
Os alvarás emitidos por meio do sistema têm plena validade jurídica, e sua autenticidade pode ser verificada em tempo real pelos agentes de fiscalização, reduzindo riscos de fraude ou falsificação.
Segundo o Ministério responsável pelas TIC, o processo segue o princípio do “dossiê completo desde a submissão”, garantindo que o pedido seja tratado sem interrupções por falta de documentos. O cidadão envia a solicitação pelo smartphone e acompanha cada etapa em tempo real. O pagamento só é devido após a validação completa do dossiê pelas autoridades, com tarifas pré-aprovadas pelos conselhos municipais e efetuadas via carteiras digitais nacionais.
Com esta iniciativa, a Mauritânia busca acelerar a digitalização dos serviços públicos e facilitar o acesso dos cidadãos às demandas administrativas. Em 2024, o país registrava uma pontuação de 0,3491 sobre 1 no Índice Global de Administração Online, abaixo da média continental de 0,4247.
Adoni Conrad Quenum
Essa previsão ocorre num contexto em que Ruanda apresenta uma dinâmica econômica sustentada, impulsionada especialmente pelo setor da construção. A agência de classificação também elevou a perspectiva do país para “estável”, citando a redução da incerteza relacionada ao acesso a financiamentos externos.
O crescimento do PIB real de Ruanda deverá ultrapassar 7% em 2027, contra 6,7% esperados para o período 2025-2026, impulsionado pelos setores da construção, agricultura e turismo. É o que indica a agência Fitch Ratings em um comunicado publicado na sexta-feira, 13 de março.
A instituição ressalta, no entanto, que esse crescimento continua exposto a certos riscos, principalmente ligados a possíveis atrasos nos desembolsos oficiais, bem como a perturbações de origem climática ou sanitária.
Além disso, a inflação deverá registrar aumento e atingir 7,6% em 2026, contra 7% em 2025, devido ao aumento dos preços dos produtos alimentares e energéticos. Ainda assim, ela permanece dentro da faixa-alvo fixada pelo Banco Central, situada entre 2% e 8%.
Esse desempenho ocorre num momento em que o país da África Oriental tem experimentado uma expansão econômica sustentada nos últimos anos. No terceiro trimestre de 2025, o crescimento atingiu 11,8%, contra 8,9% em 2024, segundo dados do National Institute of Statistics of Rwanda. Na sequência, o governo realizou o rebaseamento do PIB, tomando 2024 como ano-base, uma operação que permite refletir melhor a estrutura real da economia.
O país, contudo, continua enfrentando um elevado nível de dívida pública, que deverá atingir um pico de 79% do PIB em 2027 (contra 75% em 2025), antes de se estabilizar. Esse aumento será alimentado por déficits primários persistentes, compromissos relacionados ao projeto do Aeroporto Internacional de Bugesera e à expansão da RwandAir, além de uma depreciação gradual da taxa de câmbio, destaca a Fitch. No entanto, a agência observa: “prevemos que o elevado peso da dívida será atenuado pelas condições muito favoráveis da dívida externa, o que se traduzirá numa capacidade de reembolso favorável.”
Paralelamente, o país continua confrontado com um baixo PIB per capita, bem como déficits orçamentários e externos persistentes, que contribuíram para manter elevados os níveis de dívida pública e externa.
Fitch eleva a perspectiva para “estável” e confirma a nota “B+”
A Fitch Ratings confirmou a nota de inadimplência do emissor em moeda estrangeira de longo prazo de Ruanda em “B+”, ao mesmo tempo em que elevou a perspectiva de “negativa” para “estável”. Essa classificação avalia a probabilidade de um Estado ou empresa não reembolsar sua dívida externa em um período superior a um ano.
A decisão reflete uma redução das incertezas sobre o acesso do país a financiamentos externos, em um contexto de melhoria relativa do clima diplomático na região dos Grandes Lagos e de manutenção do apoio dos parceiros internacionais.
“Os desembolsos externos atingiram cerca de 1 bilhão de dólares (6,1% do PIB) no exercício fiscal que terminou em junho de 2025”, destaca a Fitch. Esses fluxos contribuíram para reduzir os riscos de financiamento no curto prazo.
A previsão de crescimento do PIB de Ruanda também se situa acima da média dos países classificados na categoria “B”, estimada em 4,5%.
Lydie Mobio
Em pouco mais de trinta anos de existência, a zona franca industrial do Togo gerou cerca de 19 mil empregos diretos, antes de ser dissolvida em favor de uma agência unificada de promoção de investimentos.
Em três décadas, os investimentos acumulados na zona franca industrial do Togo atingiram 425,664 bilhões de francos CFA (741,3 milhões de dólares) até o final de 2024, o que representa cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados apresentados na quarta-feira, 11 de março, durante o Conselho de Ministros em Lomé. O dispositivo também contribuiu para a criação de aproximadamente 19 mil empregos diretos para cidadãos nacionais, segundo as mesmas fontes.
Desde 1994, a Sociedade de Administração da Zona Franca (SAZOF) estruturou progressivamente um tecido industrial voltado para a exportação. Das 141 empresas autorizadas desde a criação do regime, 91 estão atualmente em atividade, atuando principalmente em setores com forte vocação exportadora. Um resultado que permanece modesto em escala continental, mas que se insere em uma dinâmica que Lomé pretende agora acelerar.
Durante o mesmo Conselho de Ministros, o governo anunciou a transformação da Sociedade de Administração da Zona Franca (SAZOF) na Agência de Promoção de Investimentos e da Zona Franca (API-ZF), uma estrutura única que reunirá a gestão do código de investimentos e do estatuto da zona franca industrial.
A API-ZF havia sido criada pela lei nº 2019-005 de 17 de junho de 2019, que instituiu o código de investimentos, complementada pelo decreto presidencial nº 2019-144/PR de 31 de outubro de 2019, que define as atribuições, organização e funcionamento da agência. Sua implementação efetiva constituía o projeto P30 do Roteiro Governamental 2020-2025.
Essa reforma visa “reforçar a coerência institucional, simplificar os procedimentos administrativos e melhorar a eficácia das políticas públicas” em matéria de atração de investimentos, segundo as autoridades togolesas.
Ela ocorre no momento em que Lomé aposta na Plataforma Industrial de Adétikopé (PIA), desenvolvida em parceria público-privada com o grupo Arise IIP — sendo 35% do capital detido pelo Estado e 65% pelo operador privado — para revitalizar seu tecido industrial. Inaugurada em 2021, a cerca de 15 quilômetros de Lomé, a plataforma abriga mais de vinte empresas nos setores têxtil, agroalimentar e farmacêutico.
Fiacre E. Kakpo
Estes dispositivos deverão contribuir para melhorar a coerência e a coordenação das intervenções públicas, sublinhou o secretário de Estado senegalês encarregado do desenvolvimento das PME/PMI, Ibrahima Thiam.
O governo do Senegal prevê reformas institucionais para melhorar a coerência e a coordenação da sua política de apoio às pequenas e médias empresas (PME). A informação foi divulgada pela Agência de Imprensa Senegalesa (APS) na terça-feira, 10 de março, citando o secretário de Estado encarregado do Desenvolvimento das PME/PMI, Ibrahima Thiam.
Entre as medidas está a criação de um Conselho Nacional das PME, que reunirá os principais atores do ecossistema empreendedor. Este órgão permitirá assegurar o acompanhamento e a condução das políticas de apoio às empresas.
A instância deverá também «reconhecer oficialmente as pequenas e médias empresas que respeitam as suas obrigações legais, permitindo-lhes aceder mais facilmente aos mecanismos de apoio e às oportunidades oferecidas pelo Estado», sublinhou Thiam.
O governo prevê igualmente a criação de um Fundo Nacional de Promoção das PME, destinado a reforçar os mecanismos de financiamento e de apoio ao setor. Estes dispositivos deverão contribuir para melhorar a coerência e a coordenação das intervenções públicas em favor das pequenas e médias empresas.
Paralelamente, o ministro da Agricultura, da Soberania Alimentar e da Pecuária, Mabouba Diagne, anunciou um aumento de mais de 2 mil milhões de francos CFA (3,4 milhões de dólares) no orçamento da Agência de Desenvolvimento e de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (ADEPME). A isto junta-se a criação de 30 incubadoras nos oito polos territoriais do país. O objetivo é melhorar o ecossistema empreendedor e fazer das PME «um verdadeiro motor de crescimento e de criação de empregos».
Este anúncio foi feito durante o lançamento do Plano de Transformação da ADEPME, que visa, nomeadamente, reforçar o papel da agência no apoio às PME e no desenvolvimento de polos de crescimento competitivos.
No Senegal, as PME são essenciais para a economia nacional, representando cerca de 95% do tecido económico, segundo dados do Ministério da Indústria e do Comércio. No entanto, grande parte opera no setor informal e enfrenta dificuldades de acesso ao financiamento, devido à relutância dos bancos em apoiá-las.
Além destas reformas, o governo senegalês implementou um programa de financiamento massivo e seguro, destinado a mobilizar 3000 mil milhões de francos CFA até 2028 para dinamizar as PME e PMI.
Lydie Mobio
A guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão perturba o abastecimento mundial de petróleo. Com as ameaças sobre o estreito de Ormuz e a redução da oferta, os preços do crude estão a subir.
Perante as tensões no abastecimento petrolífero mundial provocadas pela guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, a Agência Internacional da Energia (AIE) decidiu, na quarta-feira, 11 de março, libertar cerca de 400 milhões de barris de petróleo provenientes das reservas estratégicas dos seus países membros para estabilizar os mercados.
Aprovada por unanimidade pelos 32 países membros da organização, a medida constitui a maior libertação de reservas alguma vez coordenada pela AIE. Ultrapassa amplamente a intervenção realizada em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, quando 182 milhões de barris foram colocados no mercado.
Os volumes provirão das reservas públicas e dos stocks detidos pela indústria sob obrigação governamental. No total, os membros da AIE dispõem de cerca de 1,2 mil milhões de barris de reservas públicas, aos quais se juntam 600 milhões de barris detidos pela indústria.
Vários países já anunciaram as suas contribuições. O Reino Unido prevê libertar 13,5 milhões de barris das suas reservas de emergência. O Japão, cujas importações de petróleo transitam em cerca de 70% pelo estreito de Ormuz, indicou que colocará no mercado 80 milhões de barris a partir de 18 de março. A Coreia do Sul prevê libertar 22,46 milhões de barris, enquanto a Alemanha contribuirá com cerca de 19,5 milhões de barris.
Esta decisão surge num momento em que a guerra iniciada no final de fevereiro entre os Estados Unidos, Israel e o Irão está a perturbar fortemente os fluxos energéticos no Médio Oriente. As ameaças iranianas contra navios que transitam pelo estreito de Ormuz — uma passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto do petróleo e do gás mundial — reduziram a atividade marítima e retiraram quase 15 milhões de barris por dia do mercado, segundo a AIE.
A tensão repercutiu-se rapidamente nos mercados petrolíferos. O preço do Brent ultrapassou os 119 dólares por barril no início da semana, um nível inédito desde 2022, antes de recuar para cerca de 90 dólares após o anúncio da libertação das reservas.
Apesar da sua dimensão, a intervenção poderá ter um efeito limitado. Os 400 milhões de barris representam cerca de quatro dias da produção mundial e o equivalente a aproximadamente 16 dias dos volumes habitualmente transportados pelo Golfo, segundo estimativas de analistas.
Neste contexto, a evolução dos preços dependerá em grande medida da duração das perturbações no estreito de Ormuz e da capacidade dos atores internacionais para garantir a segurança desta rota marítima essencial para o abastecimento energético mundial.
Olivier de Souza
As economias africanas mais desenvolvidas, que já dispõem de bases industriais estabelecidas e de desempenhos logísticos relativamente bons, estão melhor posicionadas para tirar proveito da política de “tarifa aduaneira zero” oferecida pela China à África.
As economias africanas mais desenvolvidas poderão obter a maior parte dos benefícios do tratamento tarifário nulo que a China prevê aplicar às suas importações provenientes do continente, em detrimento dos países menos avançados, segundo uma análise publicada na quinta-feira, 12 de março, por Lauren Johnston, investigadora do China Studies Centre ligado à Universidade de Sydney, na revista The Conversation.
Intitulado «China’s new tariff-free regime for Africa: the potential upside and downside», o artigo recorda que o presidente chinês Xi Jinping anunciou, a 14 de fevereiro passado, que o seu país eliminará os direitos aduaneiros sobre todas as importações provenientes dos países africanos com os quais mantém relações diplomáticas a partir de 1 de maio de 2026, observando ao mesmo tempo que esta iniciativa contribuirá para “criar novas oportunidades para o desenvolvimento da África”.
Este desmantelamento tarifário tinha sido anunciado pela primeira vez em junho de 2025, num contexto marcado por uma desestabilização do comércio mundial, causada pelas tarifas aduaneiras impostas pela administração Trump. Na altura, o governo chinês não tinha mencionado a data de entrada em vigor da nova medida destinada a reequilibrar as trocas comerciais com o continente, caracterizadas por um grande excedente a favor de Pequim.
A isenção generalizada de direitos aduaneiros será concedida pela China a todos os seus parceiros comerciais africanos, com exceção de Eswatini (antiga Suazilândia), o último aliado de Taiwan no continente. Até agora, apenas 33 países do continente já beneficiam do tratamento tarifário nulo oferecido por Pequim aos Países Menos Avançados (PMA). Os países de rendimento intermédio foram excluídos dessas preferências comerciais. Por exemplo, a África do Sul continuou sujeita a direitos aduaneiros entre 10% e 25% sobre a maioria das suas exportações para o Império do Meio, nomeadamente frutas, vinho e produtos alimentares transformados.
Cadeias de abastecimento regionais para equilibrar os ganhos
Com a nova política de “tarifa zero”, os países africanos de rendimento intermédio beneficiarão pela primeira vez de acesso ao vasto mercado chinês com isenção de direitos aduaneiros.
No entanto, esta medida corre o risco de provocar uma concentração da produção destinada ao mercado chinês nas economias africanas mais desenvolvidas, como a África do Sul, Marrocos ou o Quénia, alerta a autora. Dotados de bases industriais mais sólidas e de melhores desempenhos logísticos, estes países estão melhor posicionados para aumentar as suas exportações assim que os direitos aduaneiros forem eliminados. Em contrapartida, os países menos avançados poderão perder a vantagem associada ao “estatuto especial” de que beneficiavam no antigo regime tarifário e continuar prejudicados por obstáculos estruturais, nomeadamente a falta de fiabilidade do fornecimento de eletricidade, o défice de infraestruturas portuárias e as dificuldades relacionadas com o cumprimento de certas normas comerciais.
O artigo estima, contudo, que os ganhos desiguais esperados do tratamento tarifário nulo proposto pela China aos seus parceiros africanos poderão ser corrigidos através da criação de cadeias de abastecimento transnacionais e intra-regionais baseadas nas vantagens comparativas. Essas cadeias de abastecimento permitiriam aos exportadores africanos provenientes dos PMA e dos países de rendimento intermédio alcançar a dimensão e a competitividade necessárias para desenvolver as suas próprias exportações para a China, que em breve estarão isentas de direitos aduaneiros.
Assim, os países menos avançados deixariam de precisar de exportar diretamente para a China. Bastar-lhes-ia integrar cadeias de abastecimento comerciais regionais para beneficiar da nova política tarifária chinesa e, ao mesmo tempo, apoiar o processo de integração comercial em África.
Walid Kéfi
Este novo programa aprovado a favor do Burkina Faso será implementado em quatro regiões selecionadas pelo seu potencial agrícola e pela sua presença em cadeias de valor prioritárias, nomeadamente o arroz e o milho. O objetivo é, entre outros, apoiar a melhoria da produtividade agrícola.
O Banco Mundial aprovou um financiamento de 215,9 milhões de dólares destinado a apoiar o desenvolvimento do setor agrícola, segundo um comunicado divulgado na terça-feira, 10 de março.
O programa visa desenvolver cadeias de valor agrícolas prioritárias — em particular as do arroz e do milho — apoiando o aumento da produtividade, a modernização das infraestruturas de transformação e um melhor acesso aos mercados. Será implementado em quatro regiões e deverá ajudar a ultrapassar limitações de financiamento, favorecendo o investimento privado e a adoção de tecnologias.
Será também dada uma atenção especial à inclusão de mulheres e jovens, com o objetivo de reforçar a sua participação nas cadeias de valor agrícolas e promover a criação de empregos sustentáveis nas zonas rurais.
Segundo Hamoud Abdel Wedoud Kamil, diretor nacional do Banco Mundial para o Burkina Faso, «a agricultura continua a ser um pilar central da economia burquinabê e um instrumento essencial para a segurança alimentar e a resiliência das populações rurais». Acrescentou que, através deste projeto, a instituição reafirma o seu compromisso de apoiar a transformação do setor agrícola para uma crescimento mais inclusivo e sustentável.
O projeto surge num contexto em que o país implementa várias iniciativas importantes para transformar a agricultura, com investimentos destinados a reforçar a soberania alimentar, reduzir importações, criar emprego e promover o setor privado.
Entre essas iniciativas destaca-se o Projeto de Apoio à Transformação da Agricultura (PATA), desenvolvido pelo governo com o apoio do Banco Mundial. Este insere-se nas prioridades nacionais definidas no Plano de Ação para a Estabilização e o Desenvolvimento (PA-SD) e na Política Setorial de Produção Agro-Silvo-Pastoril (PS-PASP), que visam uma transformação estrutural da economia do país.
️ Lydie Mobio
Perante níveis ainda elevados de malnutrição, o governo do Benim aprovou uma nova Estratégia Nacional de Alimentação e Nutrição para o período 2026-2030, com o objetivo de reforçar a coordenação das políticas públicas e melhorar o estado nutricional da população. A decisão foi tomada durante o Conselho de Ministros realizado a 11 de março.
O documento pretende operacionalizar a Política Nacional de Alimentação e Nutrição, transformando as suas orientações em ações concretas, planeadas e financiadas. Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, a estratégia foi concebida como um instrumento nacional de referência para todos os intervenientes envolvidos na luta contra a malnutrição e a insegurança alimentar no país.
Entre os objetivos estão a melhoria da alocação e utilização dos recursos, bem como o reforço da responsabilidade na implementação das prioridades nacionais neste domínio.
Indicadores nutricionais ainda preocupantes
De acordo com dados da UNICEF, a situação nutricional no país continua a ser um desafio significativo. A prevalência de atraso de crescimento atinge 36,5 % das crianças, enquanto a malnutrição aguda afeta 8,3 % das crianças com menos de cinco anos, segundo o inquérito MICS 2021-2022. Além disso, 17 % dos recém-nascidos apresentam baixo peso à nascença.
A organização estima ainda que cerca de 55 % da mortalidade infantil no país esteja associada à malnutrição.
Reforço do quadro institucional
Face a estes desafios, o governo tem vindo a reforçar progressivamente o seu dispositivo institucional no domínio da nutrição. Foi criada a Agência Nacional de Alimentação e Nutrição (ANAN) para promover uma alimentação saudável, melhorar o estado nutricional da população e prevenir doenças relacionadas com a alimentação.
Apesar desses esforços, os recursos financeiros destinados à nutrição continuam relativamente limitados. Segundo a UNICEF, as despesas públicas dedicadas a este setor representaram em média 1,5 % do orçamento do Estado entre 2017 e 2023, um nível inferior à recomendação da Federação das Sociedades Africanas de Nutrição (FANUS), que sugere um mínimo de 3 % das despesas públicas.
Ainda assim, a UNICEF considera que o país dispõe de margem orçamental suficiente para financiar uma cobertura nutricional universal para crianças com menos de cinco anos e as suas mães. Entre 2023 e 2027, o Benim poderia mobilizar cerca de 376,52 mil milhões de FCFA (aproximadamente 684,6 milhões de dólares) para esse objetivo.
️ Charlène N’dimon