Através da sua estratégia nacional "New Deal Tecnológico", o Senegal aposta na transformação digital de todos os setores para apoiar os objetivos de desenvolvimento socioeconômico. Isso, porém, expõe o país a um aumento das ciberataques.
No Senegal, a polícia registou 3.794 infrações relacionadas com a cibercriminalidade em 2025. Esta situação reflete a intensificação dos crimes cometidos com o uso de meios de comunicação eletrônicos. Em 2024, 3.902 queixas já haviam sido registradas, de acordo com as autoridades locais.
Os dados foram divulgados na quinta-feira, 12 de março, durante a apresentação do relatório anual da Polícia Nacional. De acordo com as informações divulgadas pela imprensa local, as infrações de cibercriminalidade em 2025 envolvem principalmente fraudes online, violação de dados informáticos e acesso não autorizado a sistemas informáticos.
A Polícia também alertou sobre o aumento dos casos de difamação e insultos em plataformas digitais, um fenômeno crescente com o uso massivo das redes sociais. As investigações realizadas pelas autoridades levaram à prisão de 257 pessoas por infrações relacionadas à cibercriminalidade ao longo de 2025.
Perfil dos infratores
O perfil dos infratores é bastante variado, embora o homem adulto senegalês seja o mais comum. Na realidade, 84% dos detidos são homens, enquanto 16% são mulheres. Quanto à faixa etária, 250 pessoas são adultas, enquanto 7 são menores, o que evidencia a participação, embora minoritária, de jovens nessas atividades ilegais. Em relação à nacionalidade, 89% dos envolvidos são senegaleses, contra 11% de estrangeiros.
Tendência continental
Esses dados se inserem em uma tendência observada em todo o continente africano. Segundo a Interpol, essa evolução é impulsionada pela rápida transformação digital, caracterizada por maior conectividade e pela adoção em massa de tecnologias como banco móvel e comércio online. A organização estima que, entre 2019 e 2025, os incidentes de cibersegurança na África terão causado perdas financeiras superiores a 3 bilhões de dólares.
Por exemplo, uma operação conjunta da Interpol e das forças de segurança de 16 países africanos, incluindo o Senegal, realizada entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, resultou em 651 prisões e a recuperação de mais de 4,3 milhões de dólares. A operação visou as infraestruturas e os responsáveis por fraudes relacionadas a investimentos de alto rendimento, fraudes com dinheiro móvel e pedidos de empréstimos fraudulentos.
Medidas contra a cibercriminalidade
De acordo com o Comissário Baïdy Sène, que apresentou os dados do relatório, "a segurança do espaço digital tornou-se uma questão crucial para a soberania e proteção dos cidadãos". Ele apelou a uma vigilância maior face às novas formas de criminalidade online.
O Diretor Geral da Polícia Nacional, Mame Seydou Ndour, afirmou que a melhoria da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos, por meio da digitalização dos processos, é uma das prioridades da instituição.
No âmbito desse esforço, as forças de segurança lançaram, em fevereiro de 2025, a plataforma oficial de denúncia de crimes cibernéticos, com o objetivo de facilitar a denúncia e o acompanhamento dos atos de cibercriminalidade, que estão em crescente ascensão.
Esses atos incluem, entre outros, a disseminação não autorizada de conteúdos, disseminação de conteúdo obsceno, assédio online, difamação, extorsão digital, ciberpedofilia, conteúdos de ódio, intrusão em sistemas informáticos, hackeamento de contas, usurpação de identidade, SIM swap, fraudes sentimentais, falsos investimentos, fraudes com dinheiro móvel, acesso fraudulento a contas de dinheiro móvel, falsos recrutamentos online, pagamentos fraudulentos e falsas vendas online.
Parceria com tecnologia americana
A Polícia senegalesa também iniciou discussões para reforçar a cooperação com uma empresa de tecnologia americana no combate à cibercriminalidade. As conversações focaram especialmente na proteção dos jovens e menores, assim como no fortalecimento das capacidades das autoridades investigativas.
Isaac K. Kassouwi
Líder no setor espacial no continente, a África do Sul agora busca automatizar suas infraestruturas para aumentar a produtividade. Diante do crescente volume de dados, o país está integrando IA (Inteligência Artificial) no coração de seus telescópios, um passo crucial para manter sua competitividade tecnológica global.
O Observatório Astronômico Sul-Africano (SAAO) anunciou, na quinta-feira, 12 de março, uma parceria estratégica com o Hartree Centre do Reino Unido para lançar o programa “Intelligent Observatory”. Esta iniciativa visa integrar inteligência artificial (IA) e computação de alto desempenho nas operações diárias dos telescópios nacionais, transformando instalações que até então eram amplamente manuais em sistemas autônomos e preditivos.
Segundo Stephen Potter, responsável pela astronomia no SAAO, esse projeto reforça a liderança da África do Sul em astronomia inovadora, ao mesmo tempo que cria oportunidades poderosas para estudantes e pesquisadores de toda a África se envolverem em uma ciência de ponta focada na IA.
Telescópios autônomos com o uso da IA
O centro do projeto é a automação da monitorização e do processamento de dados. Com a IA, os telescópios serão agora capazes de autovigiar-se, detectar falhas de hardware ou mudanças climáticas em tempo real e ajustar os instrumentos para corrigir distorções atmosféricas. Esta reatividade será fundamental para capturar fenômenos efémeros, como as explosões de estrelas, que exigem análise instantânea dos dados brutos para serem aproveitados pelos pesquisadores.
Além disso, o programa prevê a implementação de um “assistente digital” baseado em modelos de linguagem (LLM). Esta ferramenta permitirá aos astrônomos acessar imediatamente relatórios técnicos, manuais de manutenção e arquivos científicos, especialmente os do Southern African Large Telescope (SALT). O objetivo é liberar os cientistas das tarefas administrativas e técnicas repetitivas, permitindo-lhes focar exclusivamente na exploração e análise das descobertas.
Um ecossistema científico em plena transformação
Essa iniciativa faz parte de uma estratégia maior para consolidar a posição da África do Sul como um centro de pesquisa astronômica de referência no hemisfério sul. O país é sede do radiotelescópio MeerKAT, integrado ao projeto internacional Square Kilometre Array (SKA), que se destina a se tornar um dos maiores observatórios radioastronômicos do mundo. Essas infraestruturas geram volumes crescentes de dados científicos, aumentando a necessidade de ferramentas avançadas de automação e análise baseadas em inteligência artificial.
Além da astronomia, esta parceria financiada pela cooperação britânica serve como laboratório para outros setores industriais. As tecnologias de manutenção preditiva e sensores inteligentes desenvolvidas para os telescópios podem ser transferidas diretamente para a indústria, energia e transportes. Para a África do Sul, essa colaboração não só fortalece sua liderança científica no continente, mas também oferece aos jovens pesquisadores locais uma experiência de ponta em ciência de dados e inteligência artificial.
Samira Njoya
O operador portuário SEA-Invest, concessionário do terminal mineral do Porto Autônomo de Abidjan, iniciou um programa de investimento de aproximadamente 20 bilhões de FCFA (cerca de 35 milhões de USD) para modernizar suas instalações e melhorar a manipulação de cargas a granel mineral. Esta iniciativa visa apoiar o aumento do fluxo de produtos originados pelas atividades mineradoras, em um contexto de expansão dos projetos minerais na região da África Ocidental, que pode aumentar o tráfego de matérias-primas através do Porto de Abidjan.
O programa de investimento inclui a aquisição de duas novas barcaças com maior capacidade, além de dois sistemas de tremonha com captura de poeira, destinados ao descarregamento de matérias-primas usadas pela indústria cimenteira. Vale destacar que uma primeira leva de novos equipamentos, como guindastes, foi recebida, com um custo estimado de cerca de 8 bilhões de FCFA. Estes equipamentos reforçarão a capacidade de carga e descarga de navios graneleiros que transportam produtos como gesso, calcário e clínquer.
Posicionamento nos fluxos minerais nacionais e regionais
Este investimento é uma resposta à crescente dinâmica do setor mineral da Costa do Marfim, que viu sua contribuição para o PIB aumentar de aproximadamente 1% para 5% na última década, representando 13% das exportações nacionais. O projeto também se alinha às perspectivas de crescimento dos fluxos minerais regionais, incluindo o aumento da produção de lítio no Mali.
Várias empresas mineradoras do Mali, um país sem saída para o mar, estão se preparando para entrar na fase de exploração de seus projetos minerais e já planejam usar o Porto de Abidjan como principal ponto de exportação marítima. O grupo chinês Ganfeng Lithium, que iniciará as exportações de concentrado de lítio entre maio e junho de 2025, já escolheu o porto de Abidjan como seu hub logístico para os fluxos de lítio.
Expansão e modernização das capacidades portuárias
Desde 2009, a SEA-Invest gerencia dois terminais no Porto de Abidjan: um terminal de frutas e um terminal mineral, por meio de uma concessão. Este acordo está alinhado com a estratégia de expansão e modernização das capacidades portuárias da Costa do Marfim, com o objetivo de apoiar o crescimento do comércio e das atividades industriais no país.
Henoc Dossa
As infraestruturas rodoviárias são um vetor fundamental para o desenvolvimento económico e social de qualquer região. Consciente desta prioridade estratégica, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) apoia o Camarões na modernização e expansão da sua rede rodoviária.
O Camarões acaba de assegurar um novo financiamento para modernizar a sua rede rodoviária numa das suas regiões mais isoladas. O Conselho de Administração do Grupo do BAD aprovou um empréstimo de 309,93 milhões de euros (357,3 milhões de USD), cerca de 203 mil milhões de FCFA, destinado a financiar a primeira fase do Programa de Desenclavamento e Conectividade dos Bacias Económicas Transfronteiriças na região do Leste (PDCBET), segundo comunicado da instituição.
Aprovado a 18 de fevereiro, este financiamento permitirá a construção e pavimentação de um troço de 156 quilómetros, ligando Ngoura II a Yokadouma, no eixo estratégico Bertoua – Batouri – Ngoura II – Yokadouma – Moloundou – fronteira com a República do Congo. Este corredor é considerado um elo-chave para facilitar o comércio entre o Camarões e os países vizinhos da África Central.
«Ao melhorar a conectividade da região do Leste e a sua integração nos corredores fronteiriços, contribuímos para libertar o potencial produtivo e reforçar a integração regional na África Central», afirmou Léandre Bassolé, Diretor-Geral do Grupo do BAD para a África Central.
Um programa para reduzir disparidades territoriais
Para além da melhoria da mobilidade, o programa visa reforçar a coesão social e reduzir as disparidades territoriais numa zona que permaneceu durante muito tempo à margem do desenvolvimento de infraestruturas.
A região do Leste, a maior do país com cerca de 109 000 km² (aproximadamente 23% do território nacional), encontra-se entre as menos servidas pela rede rodoviária.
De acordo com dados citados pelo BAD, a taxa de estradas pavimentadas é estimada em 6,25%, com uma densidade rodoviária de cerca de 0,70 km por 1 000 habitantes. Esta situação constitui um obstáculo importante à valorização do potencial produtivo local, sobretudo nos setores agrícola, florestal e mineiro.
Segundo o comunicado do BAD, a construção de uma estrada moderna e transitável em todas as épocas do ano deverá facilitar o escoamento entre as zonas de produção e os centros de comercialização. A infraestrutura contribuirá ainda para reduzir os custos de transporte, melhorar o acesso aos serviços e aumentar a competitividade dos operadores económicos.
A implementação do programa deverá gerar pelo menos 2 500 empregos diretos e indiretos, beneficiando especialmente jovens, mulheres e minorias vulneráveis.
Para além da obra rodoviária, o projeto insere-se numa lógica mais ampla de integração económica regional, reforçando as ligações entre os polos de produção do Leste camaronês e os corredores transfronteiriços que ligam o Camarões à República do Congo e a outros mercados da África Central.
Amina Malloum (Investir au Cameroun)
Num contexto de reorganização do transporte ferroviário na África do Sul, as autoridades estão a apostar na abertura a capitais privados para relançar uma rede fragilizada por anos de baixo desempenho. A iniciativa visa mobilizar investimentos para modernizar algumas infraestruturas e apoiar a retoma dos fluxos logísticos, essenciais para setores chave como a indústria mineira e o transporte de contentores.
A Transnet Rail Infrastructure Manager (TRIM) lançou um concurso público para o arrendamento de três linhas ferroviárias secundárias situadas nas regiões Leste e Centro. O concurso, que abrange propostas para explorar e desenvolver estas infraestruturas, insere-se no âmbito das reformas em curso para abrir a rede ferroviária a operadores privados.
O processo pretende captar investimentos para melhorar as infraestruturas e intensificar as expedições de carvão e contentores. Estruturado em várias fases, inclui pré-seleção, avaliação funcional e avaliação final do preço e das preferências. As propostas devem incluir a renovação das linhas ferroviárias, instalações de carga, drenagem, iluminação, segurança, cercas, acessos e outras melhorias. As rendas serão baseadas no valor de mercado, com garantias para preservar esse valor. Os concorrentes deverão também demonstrar como contribuirão para melhorar os tempos de inatividade e a eficiência do transporte rodoviário para o ferroviário.
Separada da empresa de exploração ferroviária Transnet Freight em 2024, a TRIM faz parte das reformas estruturantes em curso na rede logística sul-africana, cujo colapso afetou o desempenho de vários setores vitais da economia nacional, nomeadamente na indústria mineira. De acordo com os objetivos da reestruturação em curso, a empresa pública ambiciona aumentar os volumes de carga ferroviária para 250 milhões de toneladas por ano até 2030, contra 152 milhões de toneladas no exercício 2023/24. Em 2017/18, antes da degradação da rede, os volumes atingiam 226 milhões de toneladas.
O prazo limite para a entrega das propostas é quinta-feira, 30 de abril, e haverá uma sessão de informação virtual não obrigatória sobre o concurso a realizar-se na sexta-feira, 13 de março.
Henoc Dossa
Já ativa no Mali e no Senegal, a Resolute Mining planeia expandir até 2028 a sua presença na África Ocidental para a Costa do Marfim, através do projeto aurífero Doropo. A companhia australiana anunciou, na quinta-feira, 12 de março, a decisão final de investimento (FID) para este projeto, quase um ano após adquiri-lo à AngloGold Ashanti.
O passo decisivo abre caminho para o início da construção de uma nova mina de ouro no local, com um custo total estimado em 516 milhões USD. A empresa pretende iniciar as obras no primeiro semestre de 2026, dispondo já de todas as autorizações regulamentares e ambientais, incluindo a licença de exploração concedida pelo Estado marfinense em fevereiro. Para o primeiro ano, o orçamento previsto é entre 170 e 190 milhões USD, financiado principalmente pela tesouraria líquida de 209 milhões USD da companhia.
O objetivo é, a longo prazo, operar uma mina capaz de produzir em média 169 000 onças de ouro por ano ao longo de 13 anos. Este desenvolvimento insere-se na estratégia da Resolute de expansão na África Ocidental, região de onde já provém toda a sua produção de ouro, oriunda das minas Syama (Mali) e Mako (Senegal), totalizando 277 236 onças no último ano. Com Doropo, cuja produção é prevista até 2028, a empresa quase duplicará a sua capacidade, atingindo 500 000 onças por ano.
Chris Eger, diretor-geral da Resolute Mining, afirmou: «Esta decisão final de investimento representa um marco importante para a Resolute e avança a nossa estratégia de nos tornarmos um produtor de ouro diversificado, com produção anual prevista de mais de 500 000 onças até final de 2028. Reforça a qualidade do projeto de Doropo, a solidez do nosso trabalho técnico e a nossa confiança no ambiente operacional».
Para a Costa do Marfim, Doropo poderá impulsionar significativamente a produção nacional de ouro, que se espera alcançar 100 toneladas na próxima década, contra 58 toneladas em 2024. O projeto complementará outros desenvolvimentos importantes, como Koné (Montage Gold) e Assafou (Endeavour Mining), gerando novas receitas para a economia do país.
A Resolute prepara ainda a expansão da sua presença na Costa do Marfim através dos projetos ABC e La Debo, para os quais estudos económicos estão em curso.
Mais cedo este mês, a Newcore Gold anunciou a mobilização de fundos adicionais para avançar no desenvolvimento do seu projeto aurífero Enchi no Gana. O objetivo é, nomeadamente, publicar um estudo económico destinado a apresentar os primeiros parâmetros de uma futura mina para este ativo.
No Gana, a empresa mineira canadiana Newcore Gold pretende agora acelerar os seus investimentos no projeto aurífero Enchi nos próximos meses. Numa nota publicada na quinta-feira, 12 de março, indica que pretende expandir o seu programa de exploração em curso para 60.000 metros, contra os 45.000 metros inicialmente previstos.
A Newcore justifica esta decisão pelos resultados considerados encorajadores obtidos durante os trabalhos de exploração anteriores realizados no âmbito desta campanha. A isto soma-se o reforço da sua tesouraria, na sequência de uma recente captação de fundos de 10 milhões de dólares canadianos (≈ 7,3 milhões USD). Neste contexto, a empresa planeia lançar uma nova fase de exploração centrada na descoberta e no aumento dos recursos do projeto Enchi, que atualmente alberga 743.500 onças de ouro em recursos minerais indicados e 972.000 onças em recursos inferidos.
«Estamos entusiasmados por dispor de uma tesouraria sólida para continuar o desenvolvimento do nosso projeto aurífero de Enchi e explorar plenamente o seu potencial a nível do distrito através da perfuração […]. Temos pela frente um ano intenso, dedicado ao desenvolvimento do projeto e à exploração, a fim de concretizar ainda mais o potencial do nosso projeto aurífero de Enchi no Gana», afirmou Luke Alexander, presidente da Newcore.
Para além das atividades de exploração, a Newcore Gold também está a avançar na planificação de uma futura mina de ouro no local. Um estudo de pré-viabilidade, esperado até ao final de junho, deverá apresentar, nomeadamente, os primeiros indicadores económicos. Para o Gana, principal produtor africano de ouro, os progressos registados em Enchi inserem-se nas ambições nacionais de crescimento do setor, num contexto marcado pelo aumento recente dos preços do metal precioso.
Aurel Sèdjro Houenou
O projeto petrolífero offshore Bonga South West Aparo foi relançado em meados de janeiro de 2026, após quase uma década de incertezas, e a decisão final de investimento ainda está pendente.
No Nigéria, o projeto Bonga South West Aparo aproxima-se de uma decisão final de investimento (FID) após a aprovação presidencial obtida pela companhia petrolífera estatal NNPC, noticiaram vários meios de comunicação nigerianos na quarta-feira, 11 de março.
“O presidente Bola Ahmed Tinubu aprovou um incentivo fiscal direcionado destinado a desbloquear a decisão final de investimento [FID], aguardada há muito tempo, para o projeto em águas profundas Bonga South West Aparo [BSWA]”, indica a NNPC Ltd em comunicado divulgado pela imprensa local.
Este avanço abre o caminho para a adoção da FID, etapa essencial na qual os parceiros validam oficialmente o desenvolvimento e comprometem os investimentos necessários para a produção.
Segundo estimativas do setor, este projeto, operado pela multinacional anglo-holandesa Shell através da sua subsidiária Shell Nigeria Exploration and Production Company (SNEPCo), representa um investimento avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares.
Um projeto relançado após quase uma década de incertezas
O desenvolvimento de Bonga South West Aparo já era previsto há muito tempo. Em meados de janeiro de 2026, a Agência Ecofin noticiou o seu relançamento após quase uma década de incertezas, incluindo a abertura de um procedimento de concurso para fornecimento de uma unidade flutuante de produção, armazenamento e descarregamento (FPSO).
Localizado no bloco OML 118, o sítio visa explorar novos recursos na área offshore de Bonga, um dos principais polos de exploração em águas profundas do Nigéria. O campo produz petróleo desde 2005 através de um FPSO instalado a cerca de 120 km da foz do Delta do Níger. A instalação planejada poderá ter capacidade para produzir cerca de 150.000 barris por dia, um volume comparável ao FPSO atualmente em operação.
Uma onda de aceleração de projetos petrolíferos e gasíferos na Nigéria desde 2025
Desde 2025, vários desenvolvimentos refletem a aceleração de novos projetos no setor upstream. Segundo dados publicados em 2025 pela Nigerian Upstream Petroleum Regulatory Commission (NUPRC), o regulador do setor, 28 planos de desenvolvimento de campos foram aprovados, representando cerca de 18,2 mil milhões de dólares em investimentos.
De acordo com a instituição, esses projetos poderão desbloquear 1,4 mil milhões de barris de petróleo e 5,4 trilhões de pés cúbicos de gás, com potencial de produção adicional estimado em 591.000 barris e 2,1 mil milhões de pés cúbicos de gás por dia.
Paralelamente, algumas empresas internacionais relançaram os seus programas de investimento no offshore nigeriano. Em maio de 2025, a Reuters noticiou que a ExxonMobil planeava investir cerca de 1,5 mil milhões de dólares para desenvolver o campo offshore Usan, localizado no bloco OML 138.
No segmento de gás, o mesmo meio indicou em outubro de 2025 que a Shell e o seu parceiro Sunlink Energies aprovaram o desenvolvimento do campo de gás offshore HI, destinado a fornecer cerca de 350 milhões de pés cúbicos de gás por dia ao complexo Nigeria LNG.
Estes desenvolvimentos juntam-se a evoluções notáveis em outros projetos em águas profundas, incluindo o bloco petrolífero OPL 245, reorganizado em quatro perímetros atribuídos à Eni e à Shell, num contexto em que o Nigéria pretende aumentar a sua produção de petróleo para 2,5 milhões de barris por dia até ao final do ano.
Abdel-Latif Boureima
No Quénia, a procura por eletricidade está em forte crescimento. Com o aumento do consumo doméstico e comercial, a oferta precisa acompanhar para atender às necessidades atuais e futuras.
As autoridades quenianas estão à procura de consultores em transações para desenvolver e estruturar um projeto de central elétrica a gás. Segundo informações divulgadas a 11 de março pela Bloomberg, citando Alex Wachira, Secretário Principal de Energia, a unidade terá capacidade de 1.200 MW (1,2 GW).
O projeto, que exigirá um investimento de 2,9 mil milhões de USD, será construído em Dongo Kundu, Mombaça, e desenvolvido pela empresa pública de eletricidade KenGen em parceria com investidores privados.
Responder à crescente demanda elétrica
A nova central funcionará com gás natural liquefeito importado, permitindo à maior economia da África Oriental reforçar sua oferta de eletricidade. A distribuidora pública Kenya Power and Lighting Company registrou uma demanda de pico de 2.439,06 MW em 4 de dezembro de 2025, superando o recorde anterior de 2.418,77 MW de 18 de novembro.
Desde 2018, a demanda de pico aumentou cerca de 35%, impulsionada pelo crescimento do número de lares conectados, programas de ligação à rede e maior consumo residencial. A urbanização e o crescimento industrial também elevam a procura por energia para indústrias, serviços e infraestrutura, exigindo novas capacidades de produção complementares às existentes.
Segundo a Autoridade Queniana de Regulação da Energia e Petróleo (EPRA), em junho de 2025, a capacidade instalada do país era de 3.840,8 MW, dos quais 3.192 MW estavam conectados à rede nacional. O geotérmico lidera a matriz energética com 25,9%, seguido de hidroeletricidade (24%), centrais térmicas (17,2%), solar fotovoltaica (14,1%) e eólica (12%).
Fortalecer a transmissão
O governo visa alcançar 15.000 MW de capacidade instalada até 2030 e reforça o desenvolvimento do transporte eficiente de eletricidade aos centros de consumo, para reduzir cortes. Em dezembro de 2025, foi assinado um acordo de 311 milhões USD para duas linhas de alta tensão, em parceria público-privada entre a transmissora estatal KETRACO e um consórcio formado por Africa50 e Power Grid Corporation of India.
A primeira linha permitirá evacuar 300 MW de eletricidade geotérmica dos campos de Baringo-Silali, enquanto a segunda expandirá pela primeira vez a rede de alta tensão para o oeste do país, região até então com quedas frequentes de tensão e perdas técnicas elevadas.
Em fevereiro de 2026, a Kenya Power anunciou um plano de investimento de cerca de 1 bilhão de shillings (7,7 milhões USD) para modernizar e expandir a infraestrutura elétrica no oeste do país, cobrindo 11 condados, incluindo Kisumu, Homa Bay, Migori e Kakamega, com novas linhas e conclusão de projetos existentes.
Espoir Olodo
No Nigéria, o subsector da pecuária representa cerca de 2 a 5% do PIB e contribui com 35% do PIB agrícola. Para aumentar a produtividade do seu rebanho, o país reforça a colaboração com parceiros estrangeiros.
O Ministério do Desenvolvimento da Pecuária anunciou a 10 de março que iniciou discussões com a ONG americana Heifer International para acelerar a transformação do setor pecuário no país. Segundo um comunicado do ministério, as conversas centraram-se no reforço da cooperação técnica e na implementação de modelos de criação sustentáveis e produtivos.
A Heifer International, presente no Nigéria desde 2021, já é um ator relevante no desenvolvimento agrícola e rural. Suas atividades incluem formação de produtores, inclusão social e acesso ao mercado, com o objetivo de tornar a agricultura e a pecuária pilares de segurança alimentar e prosperidade rural.
O programa principal da ONG, “Naija Unlock”, visa aumentar a autossuficiência alimentar, elevando a produção local e a renda de pequenos produtores e famílias em situação de pobreza. Desde o seu lançamento, cerca de 3,9 milhões de famílias agrícolas participaram do programa, que foca em três cadeias de valor prioritárias: arroz, avicultura e tomate.
Segundo o comunicado, a presidente da Heifer International, Surita Sandosham, expressou a vontade da ONG de atuar como parceiro técnico do governo, compartilhando expertise em produtividade leiteira, serviços veterinários comunitários, saúde animal e negócios de pecuária liderados por jovens.
Este alinhamento com a ONG americana surge enquanto o governo nigeriano mantém grandes ambições para a indústria leiteira: em junho passado, Abuja anunciou planos para dobrar a produção de leite até 2030, alcançando 1,4 milhão de toneladas, com apoio do setor privado e parceiros internacionais.
Antes dessas negociações com a Heifer International, o ministério já havia anunciado, em fevereiro, sua participação num parceria trilateral com Brasil e Reino Unido no projeto “Iniciativa Trilateral para Sistemas Bovinos Inteligentes Climaticamente Resilientes”, cujo objetivo é aumentar a produtividade do gado usando novas tecnologias.
Stéphanas Assocle