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Equipe Publication

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Com um fecho final acima do seu objetivo inicial, o African Rivers Fund IV reforça o seu programa de financiamento de cerca de cinquenta PME. Ao direcionar os seus capitais para a RDC, Angola e várias economias da África Oriental, o fundo aposta em mercados onde o acesso a financiamento de longo prazo continua limitado e onde as necessidades de capital para crescimento permanecem elevadas.

A gestora de ativos XSML Capital anunciou, esta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, o fecho final do seu quarto veículo de investimento, o African Rivers Fund IV (ARF IV), com um montante total de 142 milhões de dólares. O fundo ultrapassa assim o seu objetivo inicial, fixado em 135 milhões de dólares.

O ARF IV tem como objetivo financiar cerca de cinquenta pequenas e médias empresas (PME) africanas que operam em segmentos onde o acesso a financiamento de longo prazo continua restrito. As zonas de intervenção prioritárias são a África Oriental, Angola e a República Democrática do Congo (RDC), países onde a XSML Capital dispõe de presença local.

«O facto de termos ultrapassado o nosso objetivo de dimensão e o teto de financiamento do Fundo IV, num contexto de captação de recursos difícil, demonstra que os investidores apoiam a nossa abordagem de investimento nas PME», declarou Barthout van Slingelandt (foto), sócio-gerente da XSML Capital. Acrescentou ainda: «estamos convencidos de que o crédito privado, combinado com um acompanhamento operacional, é frequentemente perfeitamente adequado às PME locais».

Os montantes investidos por empresa variarão entre 300 mil e 10 milhões de dólares, sob a forma de dívida privada e de participações minoritárias no capital. Esta abordagem permite aos gestores financiar a expansão das suas atividades sem ceder o controlo das respetivas empresas.

Desde o primeiro closing do ARF IV, realizado em março de 2024 e que permitiu mobilizar 98,7 milhões de dólares, o fundo acolheu três novas instituições de financiamento do desenvolvimento, bem como dois family offices alemães, alargando assim a sua base de investidores.

Investimentos já comprometidos

No final de dezembro de 2025, o ARF IV já tinha comprometido 85 milhões de dólares, o que representa 60 % do seu capital de investimento. A atual repartição geográfica da carteira revela uma forte exposição à RDC (47 %), seguida de Angola (22 %), Uganda (17 %) e Zâmbia (14 %). Os setores visados incluem a indústria transformadora, a distribuição, as bebidas, o agroalimentar e o setor farmacêutico, segmentos ligados ao consumo local e à transformação industrial.

O sucesso desta angariação de fundos envia vários sinais ao mercado. Por um lado, confirma o interesse de investidores institucionais por estratégias de dívida privada orientadas para as PME africanas. Por outro, ilustra a atratividade persistente de economias ditas de fronteira, como a RDC ou Angola, onde as necessidades de capital produtivo continuam elevadas.

Com o ARF IV, a XSML Capital consolida assim a sua posição entre os atores especializados no financiamento de PME africanas. A gestora afirma ter investido em mais de 100 PME na África Central, Oriental e Austral, em diversos setores, ao longo de 15 anos de atividade.

Chamberline Moko

2025 marcou um ponto de viragem para a Ecobank Costa do Marfim. Num contexto económico caracterizado por um crescimento sustentado, mas confrontado com necessidades crescentes de financiamento, o banco evoluiu na intersecção de várias dinâmicas: celebração dos 40 anos do Grupo, continuação da transformação digital e desejo de ampliar o seu papel no financiamento da economia real.

Ao longo de 2025, a filial marfinense do Grupo pan-africano Ecobank manteve uma trajetória com o objetivo de consolidar os seus fundamentos financeiros, ao mesmo tempo que expandia o seu campo de atuação sectorial. PME, agricultura, indústria local, empreendedorismo feminino: tantos territórios investidos à medida que o banco refinava o seu posicionamento, entre prudência bancária e dinamismo económico. Um olhar sobre um ano de consolidação para a Ecobank Costa do Marfim.

Apoiar as PME e o investimento produtivo

Desde o início do ano, a Ecobank Costa do Marfim reforçou o seu posicionamento em favor das pequenas e médias empresas. Em janeiro, foi estabelecida uma parceria com a Sociedade de Garantia de Créditos às PME (SGPME), para facilitar o acesso ao financiamento bancário para um segmento frequentemente confrontado com restrições de garantias.

Em fevereiro, o banco participou no financiamento da instalação de uma fábrica farmacêutica liderada pelo grupo Farah, juntamente com outras instituições bancárias. O objetivo declarado foi contribuir para a redução da dependência das importações de medicamentos e apoiar o surgimento de uma indústria farmacêutica local, num país onde a fatura das importações continua elevada.

No mesmo período, foram lançadas várias iniciativas nos setores agrícola e imobiliário, com ações de formação e sensibilização dirigidas aos empreendedores, visando estruturar melhor as cadeias de valor.

Março, mês do financiamento feminino

O mês de março concentrou várias iniciativas voltadas para a autonomia económica das mulheres. A Ecobank Costa do Marfim lançou uma versão reforçada do seu programa ELLEVER, que combina acesso ao financiamento, acompanhamento não financeiro e mentoria.

Além disso, o banco lançou o primeiro «Gender Bond» do espaço UEMOA, uma emissão obrigacionista de 10 mil milhões de FCFA (18,2 milhões de dólares) dedicada ao financiamento de empresas detidas ou geridas por mulheres. A operação, concluída em menos de 48 horas, representa uma inovação no mercado financeiro regional e demonstra o interesse crescente dos investidores por instrumentos de impacto social.

Resultados financeiros e evolução da governação

Em abril, a Assembleia Geral anual confirmou a boa performance dos indicadores financeiros. O produto líquido bancário superou 122 mil milhões de FCFA, em crescimento face ao ano anterior, enquanto o resultado líquido ultrapassou os 57 mil milhões de FCFA. Os acionistas aprovaram a distribuição de dividendos correspondentes a 77% do resultado líquido.

A nível institucional, o ano também foi marcado por uma mudança na presidência do conselho de administração, com o fim do mandato de Michel Aka-Anghui e a nomeação de Serge Thiémélé, garantindo continuidade estratégica.

Agricultura, digital e eficiência operacional

A partir de maio, a Ecobank Costa do Marfim reforçou o seu compromisso com a agricultura, setor-chave da economia marfinense. Por ocasião do Salão Internacional da Agricultura e Recursos Animais (SARA), o banco oficializou o lançamento do seu escritório Agribusiness, destinado a estruturar o financiamento das cadeias agrícolas.

No domínio tecnológico, 2025 confirmou a importância da digitalização na estratégia bancária. A filial marfinense foi reconhecida pelos seus esforços na transformação digital, enquanto internamente foi criado um Centro de Excelência de Crédito para reduzir os prazos de processamento dos pedidos de empréstimo, agora reduzidos a poucos dias úteis.

Capital humano e inclusão financeira

Entre junho e setembro, várias iniciativas envolveram formação, emprego e juventude. Foram estabelecidas parcerias com instituições públicas para reforçar a educação financeira e a empregabilidade dos jovens provenientes do ensino técnico e profissional.

No campo das infraestruturas de pagamento, a Ecobank Costa do Marfim foi um dos primeiros bancos a integrar a plataforma interoperável PI-SPI do BCEAO, destinada a facilitar transferências entre bancos e fintechs em toda a UEMOA. Uma evolução importante num contexto marcado pelo crescimento do mobile money e pela procura de soluções de pagamento mais fluidas.

O ano dos 40 anos do Grupo Ecobank

Outubro foi um momento simbólico com a celebração oficial dos 40 anos do Grupo Ecobank. Para a filial marfinense, esta ocasião deu origem a várias ações de caráter educativo, ambiental e económico, bem como à participação em financiamentos estruturantes, nomeadamente na indústria e na cadeia café-cacau.

Até setembro de 2025, o lucro líquido foi anunciado em 44 mil milhões de FCFA, confirmando uma trajetória de crescimento nos nove primeiros meses do ano, num contexto regional marcado por fortes exigências de solidez financeira.

Fim de ano: parcerias e diversificação

Os últimos meses do ano foram dedicados à consolidação de parcerias, nomeadamente na interoperabilidade de pagamentos com atores de mobile money, e à expansão da oferta de gestão de património. Iniciativas internas ligadas à saúde, bem-estar no trabalho e inovação na gestão encerraram o exercício.

Editado por M.F. Vahid Codjia

 

 

Adenia Partners realiza a sua primeira operação no Egito e aposta na produção local de produtos farmacêuticos e de cuidados pessoais

A Adenia Partners realizou, a 26 de janeiro de 2026, a assinatura de um acordo para adquirir uma participação maioritária na Parkville Pharmaceuticals, empresa sediada no Cairo. Trata-se do seu primeiro investimento no Egito. A firma de private equity compra as ações detidas pela Admaius Capital Partners, que tinha entrado no capital da Parkville em novembro de 2023.

Mahmoud Farrag, cofundador e CEO da Parkville Pharmaceuticals, declarou: «Continuamos profundamente empenhados [...] em promover um ambiente de trabalho saudável e estimulante para os nossos colaboradores e em oferecer valor sustentável e de longo prazo aos nossos investidores que acreditam na visão da Parkville. A nossa ambição é posicionar a Parkville como um líder no Médio Oriente e em África.»

Fundada há 18 anos, a Parkville desenvolve, fabrica e distribui produtos em três segmentos: farmacêutico, cosmético e nutracêutico. O seu portfólio inclui cuidados de pele, cuidados capilares, desodorizantes, suplementos alimentares e tratamentos farmacêuticos. A empresa combina produção local com distribuição regional.

A Adenia torna-se acionista ao lado dos fundadores e da equipa de gestão. O fundo prevê alargar a gama de produtos, reforçar os canais digitais e acelerar o comércio online. A expansão para outros mercados regionais também faz parte do plano. Esta operação marca uma extensão geográfica da Adenia para o Norte de África, após investimentos concentrados na África Subsariana. A transação está sujeita a autorizações regulatórias.

A entrada da Adenia no Egito envia um sinal sobre a atratividade do mercado de saúde e de bens de consumo. Para a firma, a operação permite aceder a um mercado interno de grande dimensão, posicionar-se em produtos de saúde com ampla distribuição, explorar o crescimento do e-commerce de saúde e criar uma base de exportação para o Norte de África e Médio Oriente.

Chamberline Moko

 

Sujeito a uma persistente restrição orçamental, Angola está a explorar um mecanismo de troca dívida‑saúde, com o objetivo de reduzir o custo do seu endividamento e, simultaneamente, redirecionar parte dos recursos libertados para o financiamento do seu sistema de saúde.

Angola estuda novas formas de aliviar o peso da sua dívida pública. O Ministério das Finanças anunciou, na terça-feira, 27 de janeiro, a intenção de implementar ainda este ano um mecanismo de troca dívida‑saúde, em paralelo com um regresso aos mercados internacionais e com o apoio financeiro do Banco Mundial.

Este tipo de mecanismo permite a um país converter uma parte da sua dívida em investimentos direcionados para setores sociais, neste caso a saúde. As poupanças obtidas com o serviço da dívida devem ser então realocadas para programas sanitários. Até ao momento, as autoridades não especificaram os montantes em causa nem os credores envolvidos.

As trocas de dívida com fins sociais ou ambientais estão a ganhar popularidade nos países em desenvolvimento, num contexto de endurecimento das condições financeiras globais. Vários Estados, na América Latina e em África (como a Costa do Marfim no ano passado), recorreram recentemente a este tipo de mecanismo para aliviar a pressão orçamental.

Regresso esperado aos mercados internacionais

No âmbito do seu plano anual de endividamento, o país prevê também levantar cerca de 1,7 mil milhões de dólares nos mercados internacionais em 2026. O governo conta, paralelamente, com um apoio orçamental de 500 milhões de dólares do Banco Mundial, destinado a sustentar o equilíbrio das finanças públicas.

Segundo o Ministério das Finanças, estão previstos este ano quase 1,4 mil milhões de dólares em financiamentos comerciais, nomeadamente através da troca dívida‑saúde. Uma parte das necessidades de financiamento será igualmente assegurada por credores bilaterais e agências de crédito à exportação.

Reduzir o custo da dívida

As autoridades afirmam querer agora «minimizar os custos de financiamento a longo prazo», após um período marcado por uma forte acumulação de dívida, nomeadamente através de empréstimos garantidos pelo petróleo. Em 2025, o serviço da dívida representou mais de 40% das despesas orçamentais do país.

O Ministério antecipa uma redução da razão dívida/PIB para 45% até ao final de 2026, contra 47% no ano passado, melhoria parcialmente relacionada com a revisão do ano base utilizado para o cálculo do Produto Interno Bruto.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê, por sua vez, um crescimento económico moderado para Angola este ano, em torno de 2%. A instituição de Bretton Woods reforça que a trajetória orçamental do país dependerá da sua capacidade de diversificar uma economia ainda largamente dependente do petróleo.

O governo de Luanda afirma prosseguir com as suas reformas, nomeadamente a redução gradual dos subsídios e a abertura de setores dominados pelo Estado a investimentos privados, de forma a reforçar de forma sustentável as finanças públicas.

Fiacre E. Kakpo

 

 

A digitalização progressiva da administração argelina não está isenta de riscos. Para se proteger contra ameaças cibernéticas, as autoridades estão a reforçar os mecanismos de proteção digital.

A Argélia dotou-se de um quadro institucional fortalecido para proteger os seus sistemas de informação face ao aumento das ameaças cibernéticas. O decreto presidencial nº 26‑07, de 7 de janeiro de 2026, publicado a 21 de janeiro no Jornal Oficial, define a organização e o funcionamento das estruturas de cibersegurança nas instituições, administrações e organismos públicos, com o objetivo de antecipar e gerir melhor os riscos associados aos ciberataques.

Em cada entidade pública será criada uma estrutura dedicada à cibersegurança, distinta daquela responsável pela gestão técnica dos sistemas de informação. Sob a autoridade direta do responsável máximo da instituição, esta entidade terá a missão de coordenar todas as ações relacionadas com a proteção de dados e a segurança dos sistemas, incluindo para os organismos sob tutela.

Será responsável por elaborar e acompanhar a implementação da política de cibersegurança, identificar os riscos através de uma cartografia dedicada e implementar planos de remediação adequados. Vigilância contínua, auditorias regulares e notificação imediata de qualquer incidente às autoridades competentes complementam o dispositivo.

O decreto também impõe o cumprimento da legislação sobre proteção de dados pessoais, em coordenação com a autoridade nacional competente. Incentiva ainda a cooperação com estruturas responsáveis pelos contratos públicos e pela segurança interna, de forma a integrar cláusulas de segurança nos contratos de subcontratação e reforçar a proteção do pessoal e dos equipamentos.

Esta iniciativa surge num contexto marcado pelo aumento dos ataques digitais na Argélia. Em 2024, o país enfrentou um volume estimado de mais de 70 milhões de ciberataques, segundo dados da Kaspersky, colocando a Argélia no 17.º lugar mundial entre as nações mais visadas por ameaças digitais. Entre estes ataques, mais de 13 milhões de tentativas de phishing foram bloqueadas, assim como cerca de 750.000 anexos maliciosos neutralizados pelas soluções de segurança, evidenciando a magnitude dos riscos para utilizadores e organizações.

Para as autoridades argelinas, este dispositivo deverá consolidar de forma duradoura a governação da cibersegurança no setor público e acompanhar a transição digital através de um enquadramento institucional reforçado. Num país onde o uso de sistemas digitalizados se expande rapidamente, a implementação de um quadro operacional de cibersegurança visa proteger os serviços públicos, infraestruturas críticas e dados sensíveis, ao mesmo tempo que reforça a confiança dos cidadãos e dos agentes económicos no ecossistema digital.

Samira Njoya

 

Impulsionada por novos investimentos anunciados nos últimos anos, a Zâmbia ambiciona aumentar a sua produção de cobre para 3 milhões de toneladas até 2031. Nesse contexto, Lusaca esperava ultrapassar a marca de um milhão de toneladas no exercício de 2025.

Segundo maior produtor de cobre em África, a Zâmbia registou uma produção total de 890.346 toneladas em 2025, um aumento de 8% face às 825.513 toneladas reportadas em 2024. O anúncio foi feito pelo Ministro das Minas, Paul Kabuswe, durante uma conferência de imprensa na terça-feira, 27 de janeiro, marcando o segundo ano consecutivo de crescimento para o país da África Austral.

Os resultados de 2024 já mostravam uma subida de 12% face a 2023, pondo fim a três anos consecutivos de queda na produção de cobre no país. Esta dinâmica manteve-se em 2025, impulsionada, nomeadamente, pelos ganhos registados nas minas Mopani (+40%) da empresa dos Emirados International Resources Holding e Konkola (Vedanta Resources). A mina Kansanshi, explorada pela canadiana First Quantum, também viu a sua produção aumentar 5%.

No entanto, este crescimento anual não foi suficiente para atingir as ambições zambianas. Lusaca esperava, de facto, alcançar a marca de um milhão de toneladas de cobre em 2025, etapa intermédia rumo ao objetivo de 3 milhões de toneladas até 2031. Será também necessário aguardar a publicação das receitas de exportação para avaliar os impactos económicos deste crescimento, que coincide com uma subida de mais de 30% nos preços mundiais do cobre durante o último ano.

Enquanto se prevê já um aumento da produção em algumas minas, como Kansanshi, a trajetória da produção nacional zambiana em 2026 continua a ser monitorizada. Novas operações estão previstas, incluindo o projeto Kitumba da chinesa Sinomine Resources. A longo prazo, empresas como Barrick Mining (Lumwana), JCHX (Lubambe) ou Vedanta anunciaram investimentos cumulativos superiores a mil milhões de dólares, com o objetivo de otimizar os rendimentos das suas operações.

Aurel Sèdjro Houenou

 

O mercado mundial de gaming está em forte crescimento. Segundo a Mordor Intelligence, as receitas foram estimadas em 269,06 mil milhões de USD em 2025 e deverão atingir 435,4 mil milhões de USD até 2030.

As autoridades marroquinas lançaram, na segunda-feira, 26 de janeiro, a segunda edição do programa «Video Game Creator», destinado a formar profissionais nas áreas do desenvolvimento de videojogos. Realizada em parceria com a França, esta iniciativa integra uma visão estratégica mais ampla, visando estruturar a indústria nacional de gaming e posicionar Marrocos como um hub regional do setor.

O programa baseia-se numa formação acreditada de nove meses, incluindo três meses de prática profissional no Instituto de Profissões do Audiovisual e Cinema (ISMAC) em Rabat, sob supervisão de especialistas da ISART Digital, instituição francesa especializada nas profissões de videojogos.

Este lançamento ocorre algumas semanas depois do início do programa «Gamification Lab», destinado a apoiar a produção local através da criação de uma plataforma nacional responsável por promover e adquirir soluções de gamificação desenvolvidas por start-ups marroquinas. Em maio do ano passado, já tinham sido assinados dois acordos para reforçar a formação em profissões do gaming: um relativo à introdução de cursos universitários dedicados a videojogos, e outro à criação de três percursos profissionais: caster de e-sports, streamer de e-sports e técnico de laboratório de videojogos.

Para além destas iniciativas, Marrocos apoia-se numa estratégia nacional estruturada em vários eixos principais. Esta prevê, nomeadamente, o reforço das infraestruturas dedicadas, com a criação da «Rabat Gaming City», o lançamento de uma oferta de serviços especializada e o desenvolvimento de outras zonas dedicadas. A formação constitui também um pilar central, através da identificação de áreas relevantes, da estruturação da oferta existente e de uma estratégia de implementação coerente a nível nacional.

Paralelamente, as autoridades pretendem fomentar a emergência de um ecossistema atrativo para investidores, implementando soluções de financiamento adequadas, mecanismos de atração de capitais estrangeiros e incubadoras para a indústria do gaming. Esta dinâmica é apoiada por uma estratégia de comunicação e promoção, materializada, entre outros, pela organização da «Morocco Gaming Expo» e por ações de visibilidade a nível nacional e internacional.

Um mercado africano em crescimento

Esta iniciativa insere-se num contexto de forte crescimento do mercado africano de videojogos. Segundo um relatório publicado em fevereiro de 2025 pelo editor Carry1st e pelo gabinete Newzoo, o mercado africano atingiu 1,8 mil milhões de USD em 2024, um aumento de 12,4% face ao ano anterior, contra um crescimento global limitado a 2,1%.

Por seu lado, a Mordor Intelligence estima que o mercado africano atingirá 2,29 mil milhões de USD em 2026, com projeções de 4,1 mil milhões de USD até 2030, impulsionadas, entre outros fatores, pela generalização dos smartphones, pela redução dos custos de dados, pelo crescimento dos pagamentos móveis, pelo desenvolvimento de ligas nacionais de e-sports e pelo investimento em infraestruturas de cloud gaming.

A nível nacional, um estudo encomendado pelo Ministério da Comunicação indica que, até 2030, o ecossistema marroquino de criação de videojogos poderá exportar 94% da sua produção. Segundo dados da Statista, as receitas do mercado marroquino de gaming foram estimadas em 277,3 milhões de USD em 2024, contra 218,5 milhões de USD em 2023.

Isaac K. Kassouwi

 

À medida que os financiamentos concessionais e a ajuda orçamental se tornam mais incertos para muitos países africanos, a Tanzânia procura novas margens de manobra para continuar a financiar os seus projetos de infraestruturas. Num contexto de preços recorde do ouro, o país pretende mobilizar parte das suas reservas de metal precioso.

A Tanzânia prevê vender uma parte das suas reservas de ouro para financiar despesas em infraestruturas. O anúncio foi feito na segunda-feira, 26 de janeiro, em Londres, por Kitila Mkumbo, Ministro de Estado responsável pelo Planeamento e Investimento, após instrução da presidente Samia Suluhu Hassan à banca central.

«Os governos já não estão dispostos a fornecer ajuda a África; estamos a reorganizar-nos», afirmou o ministro.

Segundo a Bloomberg, o Bank of Tanzania foi encarregado de realizar a venda parcial das reservas de ouro do país. Os volumes envolvidos, o calendário da operação e as modalidades de implementação não foram especificados. De acordo com dados publicados na semana passada pela instituição, as reservas de ouro da Tanzânia atingiam o equivalente a cerca de 1,3 mil milhões de dólares no final de dezembro de 2025.

Um ambiente menos favorável à ajuda ao desenvolvimento

A decisão anunciada por Dar es Salaam surge num momento em que a ajuda pública ao desenvolvimento diminui a nível internacional. Vários países ocidentais reduziram recentemente os seus compromissos, privilegiando prioridades orçamentais internas, nomeadamente nas áreas da defesa e segurança.

Nos Estados Unidos, uma iniciativa lançada pelo presidente Donald Trump conduziu ao encerramento da agência USAID, que durante mais de sessenta anos constituiu um dos principais instrumentos de cooperação bilateral do país. No Reino Unido, o governo anunciou no início de 2025 que o orçamento da ajuda seria progressivamente reduzido de 0,5 % para 0,3 % do rendimento nacional bruto até 2027, para financiar um aumento das despesas em defesa e segurança. Ajustamentos semelhantes foram também implementados em França, Suécia, Países Baixos e Alemanha, em proporções variadas, segundo a imprensa internacional.

Para a Tanzânia, este contexto é ainda mais sensível, uma vez que o país foi recentemente alvo de críticas por parte da União Europeia, na sequência da eleição presidencial contestada de outubro de 2025, que reconduziu Samia Suluhu Hassan ao poder. Em novembro de 2025, o Parlamento Europeu adotou uma resolução não vinculativa pedindo a suspensão de um programa de ajuda de 156 milhões de euros. A Comissão Europeia, contudo, indicou continuar o diálogo com as autoridades tanzanianas, sem anunciar uma decisão definitiva.

O ouro, pilar da economia mineira tanzaniana

Enquanto não houver mais detalhes sobre a venda prevista, a iniciativa relembra o papel central do ouro na economia da Tanzânia. O país é um dos principais produtores africanos do metal precioso, com uma produção estimada em 52 toneladas em 2023, segundo o World Gold Council.

Dados do Bank of Tanzania indicam que o ouro representou 22,5 % das exportações nacionais nesse ano, com um valor de cerca de 3,05 mil milhões de dólares. O setor mineiro contribuiu com cerca de 9,9 % do PIB e aproximadamente 15 % das receitas fiscais.

Nos últimos anos, as autoridades reforçaram o enquadramento do setor aurífero. Em setembro de 2023, foi lançado um programa de compra de ouro aos mineiros locais, a favor do banco central, para reforçar as reservas cambiais. Um ano depois, foi adotada uma nova medida, impondo às empresas mineiras e comerciantes a cedência de 20 % das suas exportações de ouro ao Bank of Tanzania.

Louis-Nino Kansoun

 

 

Libéria: 30 milhões de dólares para modernizar a estrada Salayea–Konia e impulsionar a economia localCom mais de 88% da sua rede rodoviária sem pavimentação, o Libéria enfrenta défices significativos em infraestruturas rodoviárias, uma situação que preocupa fortemente o governo.

O governo libério e o Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA) celebraram um acordo de financiamento de 30 milhões de dólares destinado a modernizar a estrada Salayea–Konia, no condado de Lofa, reduzir os tempos de deslocação e estimular a atividade económica, especialmente na agricultura e no comércio.

O acordo, assinado na segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, inclui uma subvenção de 700 mil dólares para melhorar a prestação de serviços de saúde ao longo do corredor rodoviário Gbarnga–Voinjama, uma via estratégica que serve várias comunidades do norte do país.

Esta iniciativa evidencia que estradas e saúde estão intimamente ligadas. Quando as estradas melhoram, o acesso aos cuidados de saúde melhora; e quando as clínicas são reforçadas, vidas são salvas”, afirmou a ministra da Saúde, Dra. Louise Mapleh Kpoto.

O financiamento surge após uma visita realizada na sexta-feira, 23 de janeiro, por responsáveis do BADEA ao país, durante a qual foram discutidos apoios nos setores da energia e da água, entre outros.

O Libéria enfrenta défices significativos em infraestruturas rodoviárias, “com mais de 88% da sua rede sem pavimentação”, segundo revela o governo no seu novo Plano Nacional de Desenvolvimento 2025‑2029, Arrest Agenda for Inclusive Development. Reconhecendo que as infraestruturas são essenciais para um crescimento económico inclusivo e para a melhoria das condições de vida, o documento visa reduzir estes défices.

Destaca-se que já foram lançadas iniciativas com parceiros privados, incluindo a construção de duas rotundas em Congo Town. Em novembro de 2025, o país analisou um projeto de concessão avaliado em 365 milhões de dólares, para construir e explorar, ao longo de cinco anos, cinco eixos rodoviários totalizando 255 km.

Lydie Mobio

 

Perante o crescimento urbano, as autoridades do Burquina Faso reforçam o transporte coletivoPara além de facilitar a mobilidade, a medida traduz uma vontade de estruturar o mercado, apoiar o emprego formal e reposicionar o operador público num ecossistema dominado por atores privados.

No Burquina Faso, a SOTRACO (Sociedade de Transportes Coletivos de Ouagadougou) recebeu na terça-feira, 27 de janeiro de 2026, um lote de 375 autocarros para reforçar a sua frota. Este investimento, realizado no âmbito do Projeto de Mobilidade Urbana do Grande Ouaga (PMUGO) e da Iniciativa Presidencial para uma Educação de Qualidade (IPEQ), destina-se, segundo o governo, a facilitar a mobilidade dos burquinenses em todo o território.

Estes novos autocarros complementam um primeiro lote de 155 unidades recebido em agosto de 2025, elevando para 530 o número total de veículos adquiridos no âmbito dos dois programas.

A sua aquisição enquadra-se numa estratégia global que visa reforçar a oferta de serviço público e melhorar a competitividade do operador estatal. Em linha com estes objetivos, os dirigentes do Burquina Faso aprovaram, a 27 de novembro de 2025, dois decretos relativos à tomada de controlo total da SOTRACO pelo Estado.

As 36.075 ações, correspondentes a 8,39% do capital detido por acionistas privados, foram assim adquiridas, tornando a SOTRACO numa empresa 100% pública. Esta transformação poderá intensificar a concorrência com os atores privados, nomeadamente companhias de autocarros, táxis convencionais, “táxis verdes” ou miniautocarros informais.

O sucesso das reformas dependerá, entre outros fatores, do compromisso do Estado ao longo do tempo em assegurar a manutenção das frotas, uma governação rigorosa e um financiamento sustentável.

Henoc Dossa

 

 

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