As autoridades do Chad estão apostando no digital para apoiar seu desenvolvimento socioeconômico. Por exemplo, a estratégia nacional “Tchad Connexion 2030” prevê 1,5 bilhão de dólares em investimentos em infraestrutura de telecomunicações, transformação digital e adoção de serviços digitais.
O Senado, câmara alta do Parlamento do Chade, ratificou a ordem presidencial sobre a reforma da Agência Nacional de Segurança da Informação e Certificação Eletrônica (ANSICE). Essa iniciativa ocorre após a aprovação do texto pela Assembleia Nacional, com o objetivo de tornar a instituição mais eficiente diante das ameaças do mundo digital em expansão.
A reforma foi adotada pelos senadores na sexta-feira, 13 de março, após debates em plenário. Segundo comunicado do Secretariado-Geral do Governo (SGG), a nova lei visa reforçar as capacidades de atuação da ANSICE e consolidar o sistema nacional de cibersegurança.
“Esta reforma permitirá, em particular, proteger melhor os sistemas informáticos do Estado e os dados dos cidadãos contra ameaças cibernéticas, em um contexto de crescimento do digital”, destaca o comunicado.
Novidades da reforma
Segundo a Agência de Imprensa e Edição do Chade (ATPE), a reforma amplia significativamente as missões da agência, que agora incluem: cibersegurança, proteção de dados pessoais, segurança de transações eletrônicas, combate à cibercriminalidade e proteção do espaço informacional nacional.
O novo texto confere à agência um papel ampliado na regulação de sistemas de videovigilância e na supervisão do uso de drones. Introduz novas disposições sobre regulação de redes sociais, plataformas digitais e sistemas de inteligência artificial, além da classificação de entidades de importância digital vital e do reforço dos poderes de regulação, investigação e sanção da ANSICE.
Além disso, vários conceitos-chave foram atualizados para fortalecer o quadro jurídico, especialmente relacionados à soberania da informação, plataformas digitais, redes sociais e IA.
A reforma também visa melhorar a organização e as capacidades operacionais da ANSICE, fortalecendo seus recursos técnicos e humanos e promovendo uma melhor coordenação com instituições nacionais e parceiros internacionais especializados em cibersegurança.
Cibersegurança: um desafio crucial
Segundo a ATPE, o ministro da Segurança Pública, Ali Ahmat Akhabache, destacou em plenário que a proteção do espaço digital é um desafio crucial, à medida que a administração pública caminha para a digitalização dos serviços. Para ele, a criação de um quadro institucional sólido aumentará a confiança nas transações eletrônicas e estimulará o desenvolvimento da economia digital no país.
Essa visão está alinhada à da União Internacional de Telecomunicações (UIT). No seu Global Cybersecurity Index 2024, a organização afirmou que o desenvolvimento eficaz das TIC só prospera em um ambiente seguro e confiável.
“Os países devem possuir capacidades técnicas e institucionais para identificar, detectar e mitigar riscos e ameaças cibernéticas, responder a incidentes e se recuperar de ataques”, destacou a UIT.
Além disso, a UIT recomenda que os países promovam a troca de informações, implementem normas e boas práticas de cibersegurança e adotem medidas para garantir a segurança das TIC, em consonância com as missões da ANSICE.
Avanços, mas esforços ainda insuficientes
Dentro desse contexto, o Chade tem multiplicado iniciativas para garantir a segurança do ciberespaço nacional. Por exemplo, o Executivo confiou recentemente ao Techso Group a missão de proteger o data center nacional, incluindo auditoria de segurança e certificação de equipamentos, garantindo conformidade com normas de proteção de infraestrutura crítica.
A cibersegurança também é um foco de parcerias internacionais do Chade no setor digital. A ANSICE aderiu oficialmente ao Global Forum on Cyber Expertise (GFCE) em novembro de 2024 e o país foi um dos primeiros signatários da Convenção da União Africana sobre Cibersegurança e Proteção de Dados Pessoais (Convenção de Malabo), estabelecendo um quadro de colaboração continental.
Em termos jurídicos, desde dezembro de 2022 o Chade vem elaborando sua estratégia nacional de cibersegurança. O Código do Digital, em elaboração desde dezembro de 2025, incorpora normas internacionais sobre cibersegurança e proteção de dados.
No entanto, a UIT classificou o Chade no penúltimo nível (Tier 4) do Global Cybersecurity Index 2024, com desempenho considerado adequado em regulação e cooperação, mas necessitando reforço em medidas técnicas, organizacionais e desenvolvimento de capacidades.
Isaac K. Kassouwi
Diante de desafios crescentes de segurança em seus centros urbanos, a Guinea recorre às tecnologias digitais. As autoridades planejam implantar um sistema integrado de videovigilância e análise inteligente para melhorar a gestão do tráfego e a coordenação das forças de segurança.
O Conselho Nacional de Transição (CNT) validou, na sexta-feira, 13 de março, um acordo de financiamento de 385,3 milhões de yuans (cerca de 56 milhões de dólares) com o Export-Import Bank of China. Este empréstimo concessional, com taxa de juros de 2% e prazo de 20 anos, destina-se ao programa “Guinea Safe City”, baseado em tecnologias digitais e videovigilância, com o objetivo de reforçar a segurança nas principais cidades do país.
O projeto prevê a construção e o equipamento de 324 pontos de videovigilância distribuídos em oito cidades, bem como a criação de oito centros de comando e monitoramento para centralizar e analisar os dados coletados. O sistema também incluirá 900 terminais portáteis para as forças de segurança e 100 terminais móveis em veículos de coordenação, facilitando as intervenções no terreno. Para garantir a transmissão segura dos dados, serão instaladas seis estações-base LTE, fornecendo uma rede sem fio dedicada aos equipamentos do sistema.
Segurança urbana no centro da transformação digital
O projeto “Guinea Safe City” reflete a intenção das autoridades de usar tecnologias digitais para melhorar a gestão da segurança pública, em um contexto de rápida urbanização e pressão crescente sobre as infraestruturas urbanas. As grandes cidades do país, especialmente Conacri, concentram grande parte da atividade econômica, mas enfrentam desafios recorrentes relacionados a criminalidade, tráfego e gestão de multidões em eventos públicos.
Inspirado em programas similares implementados em várias cidades da Ásia e da África, o sistema será baseado em infraestrutura integrada, combinando videovigilância, redes de comunicação seguras e ferramentas de análise inteligente de dados. O objetivo é permitir monitoramento em tempo real das áreas sensíveis e melhorar a coordenação entre os diferentes serviços de segurança.
Além de fortalecer a segurança pública, o projeto pode modernizar a gestão urbana, facilitando o monitoramento do tráfego, aprimorando a coordenação dos serviços de intervenção e fornecendo dados estratégicos para o planejamento e gestão dos espaços urbanos.
Samira Njoya
No final de janeiro, a Lucara Diamond anunciou seu projeto de lançar uma emissão de títulos para mobilizar fundos adicionais e financiar a ampliação da mina de diamantes Karowe, no Botswana. Esta obra, com custo de 779 milhões de dólares, está prevista para ser concluída em 2028.
No Botsuana, a mineradora canadense Lucara Diamond pretende levantar 350 milhões de dólares americanos por meio da emissão de títulos anunciada na quinta-feira, 12 de março. Esses fundos destinam-se principalmente a financiar o projeto de ampliação da mina Karowe, com conclusão prevista para 2028.
O projeto, com custo total estimado em 779 milhões de dólares, já recebeu mais de 436 milhões de dólares em investimentos nos últimos cinco anos. Para dar continuidade ao desenvolvimento, a empresa realizou anteriormente, ainda este ano, uma colocação de ações. Os recursos obtidos, combinados com os da emissão de títulos, deverão garantir à Lucara “acesso suficiente a capitais” para cobrir os custos restantes do projeto.
“Após o fechamento do financiamento via emissão de títulos, a empresa prevê dispor dos fundos necessários para concluir o projeto UGP [nome do projeto de ampliação] sem financiamento adicional, desde que tudo ocorra conforme o planejado e a empresa atinja seus objetivos de produção e receita”, indica a nota.
A concretização do projeto é crucial para o futuro da Lucara em Karowe, pois permitiria prolongar a vida útil da mina até 2038, com uma produção estimada em 4,5 milhões de quilates ao longo desse período. O pagamento da emissão de títulos está previsto para cerca de 27 de março. Além dessa operação, a Lucara ainda precisa lidar com um mercado de diamantes global em baixa.
A situação é tal que o grupo prevê nova queda em seu faturamento neste ano, enquanto a demanda mundial por diamantes naturais permanece fraca. A continuidade dos projetos em Karowe nesse contexto será observada de perto, especialmente pelo lado do Estado do Botsuana, que recebe 10% de royalties sobre a receita da mina.
Aurel Sèdjro Houenou
Há alguns meses, os preços do cacau estão em forte queda em relação ao pico alcançado em 2024. Essa situação está abalando todos os atores da cadeia de valor global, desde os produtores até os comerciantes e os transformadores.
E se a atual crise dos preços do cacau fosse apenas o início de uma nova fase destinada a durar? Essa é, pelo menos, a visão de Edward George, consultor independente e fundador da empresa Kleos Advisory, ativa nos mercados de matérias-primas agrícolas na África.
Desde o recorde alcançado em Nova York em dezembro de 2024 — 12.906 dólares por tonelada —, as cotações globais sofreram uma forte correção e agora giram em torno de 3.000 dólares por tonelada, com repercussões importantes nos sistemas de comercialização da Côte d’Ivoire e de Ghana, os dois maiores produtores mundiais.
Enquanto nos dois países as autoridades reduziram significativamente os preços pagos aos produtores (57% na Costa do Marfim e 28,6% em Gana) para tentar relançar as compras de grãos acumulados nas zonas de produção, o especialista acredita que essa crise está longe de terminar.
“O mercado do cacau entrou claramente em um novo ciclo. No ano passado, os grãos eram escassos. Hoje há muito cacau disponível no mercado. Não é a primeira vez que observamos isso. Já vimos situações semelhantes em ciclos de cerca de 10 a 15 anos. Infelizmente, a história se repete, desta vez com um impacto muito pesado”, explica Edward George.
Além da dolorosa correção dos preços ligada a uma maior disponibilidade da oferta, o analista ressalta que essa inversão do ciclo também se traduz por um enfraquecimento da demanda, especialmente nas grandes regiões consumidoras.
“Observa-se uma queda clara na moagem e no uso do cacau na Europa, na América do Norte e na Ásia”, afirma, apontando um duplo efeito.
“As indústrias de chocolate utilizam menos cacau e procuram formulações alternativas, enquanto a crise do custo de vida leva as famílias a reduzir a compra de confeitos e a frequentar menos restaurantes. Se olharmos as últimas estimativas de mercado, agora se prevê um excedente mundial de cerca de 200.000 toneladas, ou até mais.”
“Precisamos de mudanças estruturais”
Embora atualmente as cadeias produtivas em Gana e na Costa do Marfim tenham recuperado algum fôlego, o especialista destaca que ajustes de curto prazo não serão suficientes para lidar com essa nova dinâmica do mercado.
Em Gana, as autoridades já estudam um novo modelo de financiamento baseado em títulos domésticos lastreados em cacau e anunciaram a meta de transformar metade da colheita até a safra 2026/2027.
“A implementação de um novo sistema de financiamento dependerá da posição do banco central, do Ministério das Finanças e do Parlamento. Há também um histórico de captações anteriores mal geridas, o que torna os mercados cautelosos”, alerta.
De forma mais ampla, ele considera que a governança do setor do cacau precisa ser repensada, não apenas em Gana e na Costa do Marfim, mas também em Cameroun e Nigeria, onde os mercados são mais liberalizados, caso esses países queiram resistir melhor a choques futuros.
“Precisamos de uma transformação estrutural”, insiste, antes de destacar os potenciais benefícios de uma Bolsa africana de cacau (AfCX).
Segundo ele, o projeto da International Cocoa Organization de criar uma Bolsa africana do cacau poderia desempenhar um papel fundamental, permitindo que o preço pago aos produtores reflita melhor as condições dos mercados locais.
“Gana e Costa do Marfim falam muito da necessidade de reforçar a transformação local e, também nesse caso, uma bolsa poderia ser decisiva. Os transformadores poderiam recorrer à plataforma para se abastecer de grãos quando não conseguem obtê-los pelas cadeias tradicionais de fornecimento, dominadas pelas casas de comércio e pelas multinacionais do chocolate.”
Espoir Olodo.
Diante do uso ainda massivo da biomassa no Ghana, as autoridades buscam promover o uso do gás doméstico. Investimentos específicos foram anunciados com esse objetivo.
O Ghana planeja encerrar as importações de botijões de gás doméstico (gás de petróleo liquefeito – GPL). O anúncio foi feito pelo ministro da Energia e da Transição Verde, John Abdulai Jinapor, durante uma sessão no Parlamento.
Segundo informações divulgadas no sábado, 14 de março, por vários meios de comunicação locais citando o ministro, o governo espera que a proibição da importação desse equipamento favoreça, a longo prazo, sua fabricação por empresas instaladas no país.
De acordo com o ministro, essa política de conteúdo local visa criar um mercado para os fabricantes nacionais, dos quais os distribuidores deverão passar a se abastecer. Nesse sentido, as autoridades trabalham na modernização da Ghana Cylinder Manufacturing Company (GCMC), a única fábrica pública especializada na produção de botijões de gás.
“Acredito que estamos no caminho certo para modernizar a Ghana Cylinder e reequipar a fábrica”, declarou o ministro.
Diante dos parlamentares, John Abdulai Jinapor afirmou que a modernização da empresa exigirá cerca de 8 milhões de dólares. Segundo ele, aproximadamente 6 milhões de dólares já foram mobilizados pelo governo para financiar as obras de reabilitação. Nesse contexto, o Ministério da Energia também solicitou a retirada de certos cilindros considerados obsoletos, para que sejam substituídos por unidades produzidas localmente.
Além disso, o governo firmou um acordo com a companhia petrolífera pública Ghana Oil Company PLC (GOIL) para apoiar a comercialização dos botijões fabricados pela fábrica nacional.
O Ghana acelera a promoção do GPL nos lares
Esse desenvolvimento ocorre enquanto as autoridades buscam ampliar o acesso a soluções de cozinha mais limpas, como o GPL, a fim de reduzir a dependência das famílias da lenha e do carvão vegetal.
No Ghana, cerca de 75% das famílias ainda utilizam combustíveis sólidos para cozinhar, segundo dados do Ministério da Energia, citados no âmbito de um programa nacional de promoção do GPL.
O governo pretende acelerar a adoção desse combustível nas residências, apoiando-se tanto em programas públicos quanto na participação de empresas do setor energético. A estratégia busca melhorar o acesso a uma energia doméstica mais moderna, ao mesmo tempo em que estimula o desenvolvimento do mercado nacional de gás.
Nesse contexto, a Ghana Oil Company PLC prevê investir cerca de 50 milhões de dólares para desenvolver a oferta de GPL no país. O projeto inclui principalmente o reforço das capacidades de armazenamento e distribuição, para atender à crescente demanda por esse combustível doméstico.
De forma mais ampla, essa dinâmica faz parte de uma estratégia energética mais abrangente. No final de novembro de 2025, as autoridades estimaram que um uso mais amplo do gás natural poderia reduzir em até 75% os custos de produção de eletricidade no país.
Abdel-Latif Boureima
Enquanto Angola enfrenta dificuldades para restaurar sua credibilidade internacional — estando na lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira e sem correspondência bancária em dólares há quase dez anos — a International Finance Corporation (IFC) tenta reabrir os canais de financiamento do comércio, ilustrando os desafios de reconexão das economias africanas dependentes de matérias-primas.
A International Finance Corporation, braço dedicado ao setor privado do World Bank Group, concedeu uma facilidade de financiamento ao comércio de 30 milhões de dólares ao Banco de Fomento Angola (BFA). A operação assume a forma de garantia não financiada sobre transações comerciais com duração máxima de 360 dias, estruturada no âmbito do Programa Global de Financiamento do Comércio (GTFP) da instituição.
Nesse mecanismo, a IFC não desembolsa recursos imediatamente, mas compromete-se a cobrir o risco de não pagamento do BFA perante grandes bancos internacionais, chamados bancos confirmadores, responsáveis por garantir aos fornecedores estrangeiros o bom andamento das operações de importação e exportação. Esse sistema permite que o BFA associe suas cartas de crédito à classificação financeira de alto nível da IFC, obtendo assim acesso a linhas de financiamento que dificilmente conseguiria sozinho nos mercados internacionais.
O Banco de Fomento Angola é o segundo maior banco do país em depósitos e créditos. No final de junho de 2025, a instituição contava com 160 agências e mais de 3,4 milhões de clientes. O banco é majoritariamente detido pela operadora de telecomunicações Unitel (36,90%) e pelo grupo bancário português Banco BPI (33,35%), que é uma filial do CaixaBank.
Em setembro de 2025, o banco realizou uma oferta pública inicial (IPO), vendendo 29,75% do seu capital a mais de 8.000 acionistas individuais, uma operação rara em um mercado de capitais ainda pouco desenvolvido.
Financiamento do comércio exterior ainda sob restrições
O financiamento do comércio exterior continua profundamente limitado na África. O déficit de financiamento comercial no continente é estimado em mais de 100 bilhões de dólares, segundo instituições multilaterais, impulsionado pela baixa liquidez em dólares, pelas crescentes exigências de conformidade regulatória e pelas dificuldades na avaliação do risco de crédito.
Em Angola, essas restrições são agravadas pela ausência de correspondência bancária direta com bancos americanos, situação que persiste desde novembro de 2016, após a saída do Deutsche Bank. Desde então, os bancos locais são obrigados a passar por intermediários europeus para realizar pagamentos internacionais, o que aumenta os custos.
O país também foi incluído na lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira em outubro de 2024, devido a deficiências no sistema de combate à lavagem de dinheiro, o que tornou ainda mais difícil o acesso às linhas de crédito internacionais.
Apesar disso, alguns avanços positivos foram registrados. No final de 2025, o JPMorgan Chase retomou o clearing em dólares para Angola — ou seja, o processamento e liquidação de transações em moeda americana, interrompidos desde a saída do Deutsche Bank em 2016. Observadores interpretam esse retorno como um sinal de renovada confiança dos atores financeiros internacionais nas reformas iniciadas por Luanda.
Fiacre E. Kakpo
Mbanza Kongo, localizada no norte de Angola, é uma das cidades históricas mais importantes da África Central. Capital da província do Zaire, situa-se num planalto que domina o vale do rio Congo, próximo da fronteira com a República Democrática do Congo. A cidade é sobretudo conhecida por ter sido a capital do antigo Reino do Kongo, um dos Estados mais poderosos e estruturados da África antes da chegada dos europeus. Devido à sua importância histórica e cultural, o sítio histórico de Mbanza Kongo foi inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO em 2017.

Antes do século XVI, Mbanza Kongo — então chamada Mbanza Kongo ou Banza Kongo, expressão que significa “cidade do Kongo” em kikongo — era o centro político, religioso e administrativo do Reino do Kongo. Este reino estendia-se por uma vasta região que abrangia grande parte do atual norte de Angola, o oeste da República Democrática do Congo, a República do Congo e parte do Gabão. A cidade servia de residência ao mani Kongo, o rei do reino, bem como à aristocracia e aos dignitários responsáveis pela administração das províncias.

Quando os portugueses chegaram à costa atlântica no final do século XV, estabeleceram rapidamente relações diplomáticas e comerciais com o Reino do Kongo. Em 1491, o rei Nzinga a Nkuwu converteu-se ao cristianismo e adotou o nome de João I. Mbanza Kongo passou então a ser chamada São Salvador do Congo pelos portugueses. A cidade tornou-se um importante centro de contacto entre a África Central e a Europa, com a construção de igrejas, escolas e edifícios administrativos inspirados na arquitetura portuguesa. Um dos vestígios mais marcantes desse período é a Catedral de Kulumbimbi, considerada uma das igrejas mais antigas da África Subsaariana, da qual hoje restam apenas ruínas.

Durante os séculos XVI e XVII, Mbanza Kongo foi um dinâmico centro político e religioso onde tradições africanas coexistiam com influências cristãs. Missionários europeus viviam ao lado das elites kongolesas, e alguns príncipes do reino foram enviados para estudar na Europa. Contudo, o Reino do Kongo foi progressivamente enfraquecido por rivalidades internas e pelas transformações ligadas ao comércio atlântico, especialmente o tráfico de escravos. Essas tensões culminaram em 1665 com a Batalha de Ambuíla, na qual as forças portuguesas enfrentaram o exército do Reino do Kongo. A morte do rei António I e a crise política que se seguiu provocaram um longo declínio da capital.

Ao longo do século XVIII, Mbanza Kongo passou por um período de abandono parcial antes de ser gradualmente reocupada. Ainda assim, a cidade manteve uma forte dimensão simbólica para os povos kongo, que continuaram a vê-la como o coração histórico da sua civilização. Após a independência de Angola, em 1975, as autoridades angolanas iniciaram esforços para preservar e valorizar este património excecional.

Hoje, Mbanza Kongo é ao mesmo tempo uma cidade provincial e um importante sítio histórico. Os vestígios da antiga capital do Reino do Kongo, as ruínas da catedral, as antigas residências reais e vários locais rituais testemunham a profundidade da sua história. A cidade continua também a ser um centro importante para a memória e a identidade dos povos kongo, presentes em vários países da África Central. O reconhecimento pela UNESCO contribuiu para atrair maior atenção internacional para este património e para incentivar projetos de investigação arqueológica e de conservação.

Essa previsão ocorre num contexto em que Ruanda apresenta uma dinâmica econômica sustentada, impulsionada especialmente pelo setor da construção. A agência de classificação também elevou a perspectiva do país para “estável”, citando a redução da incerteza relacionada ao acesso a financiamentos externos.
O crescimento do PIB real de Ruanda deverá ultrapassar 7% em 2027, contra 6,7% esperados para o período 2025-2026, impulsionado pelos setores da construção, agricultura e turismo. É o que indica a agência Fitch Ratings em um comunicado publicado na sexta-feira, 13 de março.
A instituição ressalta, no entanto, que esse crescimento continua exposto a certos riscos, principalmente ligados a possíveis atrasos nos desembolsos oficiais, bem como a perturbações de origem climática ou sanitária.
Além disso, a inflação deverá registrar aumento e atingir 7,6% em 2026, contra 7% em 2025, devido ao aumento dos preços dos produtos alimentares e energéticos. Ainda assim, ela permanece dentro da faixa-alvo fixada pelo Banco Central, situada entre 2% e 8%.
Esse desempenho ocorre num momento em que o país da África Oriental tem experimentado uma expansão econômica sustentada nos últimos anos. No terceiro trimestre de 2025, o crescimento atingiu 11,8%, contra 8,9% em 2024, segundo dados do National Institute of Statistics of Rwanda. Na sequência, o governo realizou o rebaseamento do PIB, tomando 2024 como ano-base, uma operação que permite refletir melhor a estrutura real da economia.
O país, contudo, continua enfrentando um elevado nível de dívida pública, que deverá atingir um pico de 79% do PIB em 2027 (contra 75% em 2025), antes de se estabilizar. Esse aumento será alimentado por déficits primários persistentes, compromissos relacionados ao projeto do Aeroporto Internacional de Bugesera e à expansão da RwandAir, além de uma depreciação gradual da taxa de câmbio, destaca a Fitch. No entanto, a agência observa: “prevemos que o elevado peso da dívida será atenuado pelas condições muito favoráveis da dívida externa, o que se traduzirá numa capacidade de reembolso favorável.”
Paralelamente, o país continua confrontado com um baixo PIB per capita, bem como déficits orçamentários e externos persistentes, que contribuíram para manter elevados os níveis de dívida pública e externa.
Fitch eleva a perspectiva para “estável” e confirma a nota “B+”
A Fitch Ratings confirmou a nota de inadimplência do emissor em moeda estrangeira de longo prazo de Ruanda em “B+”, ao mesmo tempo em que elevou a perspectiva de “negativa” para “estável”. Essa classificação avalia a probabilidade de um Estado ou empresa não reembolsar sua dívida externa em um período superior a um ano.
A decisão reflete uma redução das incertezas sobre o acesso do país a financiamentos externos, em um contexto de melhoria relativa do clima diplomático na região dos Grandes Lagos e de manutenção do apoio dos parceiros internacionais.
“Os desembolsos externos atingiram cerca de 1 bilhão de dólares (6,1% do PIB) no exercício fiscal que terminou em junho de 2025”, destaca a Fitch. Esses fluxos contribuíram para reduzir os riscos de financiamento no curto prazo.
A previsão de crescimento do PIB de Ruanda também se situa acima da média dos países classificados na categoria “B”, estimada em 4,5%.
Lydie Mobio
Em pouco mais de trinta anos de existência, a zona franca industrial do Togo gerou cerca de 19 mil empregos diretos, antes de ser dissolvida em favor de uma agência unificada de promoção de investimentos.
Em três décadas, os investimentos acumulados na zona franca industrial do Togo atingiram 425,664 bilhões de francos CFA (741,3 milhões de dólares) até o final de 2024, o que representa cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados apresentados na quarta-feira, 11 de março, durante o Conselho de Ministros em Lomé. O dispositivo também contribuiu para a criação de aproximadamente 19 mil empregos diretos para cidadãos nacionais, segundo as mesmas fontes.
Desde 1994, a Sociedade de Administração da Zona Franca (SAZOF) estruturou progressivamente um tecido industrial voltado para a exportação. Das 141 empresas autorizadas desde a criação do regime, 91 estão atualmente em atividade, atuando principalmente em setores com forte vocação exportadora. Um resultado que permanece modesto em escala continental, mas que se insere em uma dinâmica que Lomé pretende agora acelerar.
Durante o mesmo Conselho de Ministros, o governo anunciou a transformação da Sociedade de Administração da Zona Franca (SAZOF) na Agência de Promoção de Investimentos e da Zona Franca (API-ZF), uma estrutura única que reunirá a gestão do código de investimentos e do estatuto da zona franca industrial.
A API-ZF havia sido criada pela lei nº 2019-005 de 17 de junho de 2019, que instituiu o código de investimentos, complementada pelo decreto presidencial nº 2019-144/PR de 31 de outubro de 2019, que define as atribuições, organização e funcionamento da agência. Sua implementação efetiva constituía o projeto P30 do Roteiro Governamental 2020-2025.
Essa reforma visa “reforçar a coerência institucional, simplificar os procedimentos administrativos e melhorar a eficácia das políticas públicas” em matéria de atração de investimentos, segundo as autoridades togolesas.
Ela ocorre no momento em que Lomé aposta na Plataforma Industrial de Adétikopé (PIA), desenvolvida em parceria público-privada com o grupo Arise IIP — sendo 35% do capital detido pelo Estado e 65% pelo operador privado — para revitalizar seu tecido industrial. Inaugurada em 2021, a cerca de 15 quilômetros de Lomé, a plataforma abriga mais de vinte empresas nos setores têxtil, agroalimentar e farmacêutico.
Fiacre E. Kakpo
Frente a uma economia mundial estruturada em torno do conhecimento e da inovação, a Argélia acelera sua transformação universitária. A criação de uma comissão dedicada ao modelo 4.0 reflete a materialização de uma ambição cultivada há vários anos.
Na Argélia, a Universidade de Formação Contínua (UFC) instalou oficialmente uma comissão encarregada de liderar sua transição para a universidade de "quarta geração" (4.0). De acordo com o serviço de imprensa da Argélia (APS), que divulgou a informação nesta quinta-feira, 12 de março, essa iniciativa "reflete a orientação do setor para apoiar as mudanças tecnológicas globais e fortalecer o papel da universidade no campo da inovação".
A instituição pública dedicada ao ensino a distância vê isso como "um passo para a construção de uma universidade inteligente e inovadora, capaz de enfrentar os desafios do futuro e contribuir de forma eficaz para o desenvolvimento nacional e para a economia do conhecimento".
A comissão se apoia em uma base digital já bem desenvolvida. Em setembro de 2025, durante a Semana Nacional de Ensino Digital, o reitor Yahia Djaafri indicou que a UFC havia formado mais de 800 professores em tecnologias de informação e comunicação, finalizado 683 cursos online, sendo 120 deles em inglês, e implantado 68 plataformas digitais dedicadas aos estudantes. Sua formalização como órgão institucional agora lhe confere os meios para avançar ainda mais.
Esse projeto faz parte de uma dinâmica setorial mais ampla. Para o ano letivo de 2024/2025, o Ministério do Ensino Superior e da Pesquisa Científica registrou 1.530.230 estudantes, dos quais 938.673 são mulheres (63%). Um volume que reflete tanto a massificação do sistema quanto a urgência de modernizar seus conteúdos.
No âmbito da visibilidade internacional, o caminho é claro. Com 46 instituições listadas no ranking QS Arab Region 2026, contra 17 em 2025 e 14 em 2024, a Argélia ocupa a liderança no Magrebe e no mundo árabe em número de universidades classificadas. Resta agora converter essa dinâmica em empregabilidade concreta, um desafio central que o modelo 4.0 do ensino superior foi precisamente projetado para enfrentar.
Félicien Houindo Lokossou