A queda do investimento direto estrangeiro (IDE) foi mais acentuada no Norte de África do que na parte Sul. De forma geral, os fluxos internacionais tendem a concentrar-se em algumas regiões economicamente prósperas, em detrimento dos países em desenvolvimento.
Os fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE) para África caíram 38 % em 2025, situando-se em 59 mil milhões de dólares norte-americanos, segundo um relatório publicado na terça-feira, 20 de janeiro, pela ONU Comércio e Desenvolvimento (anteriormente Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento – CNUCED). Intitulado Global Investment Trends Monitor, o documento precisa que a diminuição do IDE foi mais pronunciada no Norte de África, que captou apenas 17 mil milhões de dólares ao longo do último ano, contra 51 mil milhões em 2024, registando assim uma forte retração de 67 %.
O forte aumento do IDE nesta sub-região em 2024 resultou essencialmente do megaprojeto de desenvolvimento turístico e urbano da península egípcia de Ras El-Hekma, liderado pela Abu Dhabi Developmental Holding Company, o fundo soberano do emirado de Abu Dhabi. A África Subsaariana, por sua vez, atraiu 42 mil milhões de dólares de IDE em 2025, o que corresponde a um recuo de apenas 6 % em comparação com 2024.
De modo geral, os fluxos captados pelo continente africano no ano passado seguiram a tendência global observada nas economias em desenvolvimento, onde os IDE de entrada recuaram 2 %, totalizando 877 mil milhões de dólares, o que representa 55 % do total registado à escala mundial. Os países de baixo rendimento foram os mais duramente afetados, com três quartos dos países menos desenvolvidos a registarem fluxos estagnados ou em queda.
Os fluxos para as economias desenvolvidas aumentaram, por sua vez, 43 %, atingindo 728 mil milhões de dólares, impulsionados pelo bom desempenho da Europa e dos centros financeiros. A União Europeia registou um crescimento de 56 %, sustentado por importantes aquisições transfronteiriças e por uma recuperação em economias como a Alemanha, a França e a Itália.
À escala mundial, o investimento direto estrangeiro aumentou 14 % em 2025, alcançando cerca de 1 600 mil milhões de dólares. Mais de 140 mil milhões de dólares deste aumento provêm do acréscimo dos fluxos que transitam pelos centros financeiros mundiais. Se estes fluxos em trânsito não forem considerados, o IDE mundial aumentou apenas cerca de 5 %, o que sugere uma fragilidade da recuperação do investimento subjacente.
O relatório indica ainda que o investimento internacional em infraestruturas diminuiu 10 % em 2025, principalmente devido a uma forte redução dos projetos de energias renováveis, um setor no qual os investidores estão a reavaliar os riscos de rendimentos e as incertezas regulamentares. Os investidores nacionais têm vindo a colmatar cada vez mais parte do défice registado, mas a CNUCED observa que este desvio aprofunda ainda mais as insuficiências de investimento nos países que dependem do financiamento internacional para grandes projetos de infraestruturas.
Para 2026, a instituição prevê que os fluxos de IDE aumentem de forma modesta, nomeadamente devido aos efeitos persistentes das tensões geopolíticas e da fragmentação económica.
Walid Kéfi
Durante muito tempo, a cooperação económica entre Paris e Lomé caracterizou-se por uma presença francesa difusa, marcada essencialmente por iniciativas isoladas. Esta falta de estruturação explicava a fraca visibilidade desta parceria bilateral.
A cooperação económica e financeira entre o Togo e a França encontra-se em boa forma. Foi o que indicaram, na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, as autoridades francesas durante um encontro com a imprensa em Lomé, na presença do embaixador de França no Togo, Augustin Favereau, e do novo diretor da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), Benjamin Neumann.
Esta cooperação traduz-se por um volume significativo de financiamentos mobilizados pela AFD, bem como pelo dinamismo das trocas económicas. De acordo com os dados divulgados, a instituição francesa — braço financeiro do desenvolvimento da França no continente africano — investiu mais de 450 milhões de euros (536,6 milhões de dólares) no Togo, dos quais cerca de 80 milhões de euros sob a forma de subvenções. Estes financiamentos foram implementados através de 18 projetos distribuídos por todo o território nacional.
A carteira da AFD no Togo é composta principalmente por empréstimos concessionais, segundo Benjamin Neumann. O volume médio anual de novos compromissos situa-se em torno de 40 milhões de euros. Estes recursos são orientados para projetos considerados prioritários pelas autoridades togolesas, nomeadamente nos setores da água e saneamento, da agricultura e da energia.
Segundo a Agência, estes financiamentos visam melhorar o acesso das populações aos serviços públicos essenciais, ao mesmo tempo que apoiam investimentos estruturantes em setores-chave da economia. As subvenções, que representam atualmente uma parte mais limitada da carteira, são utilizadas sobretudo para financiar estudos, assistência técnica e projetos com forte componente social. Permitem igualmente preparar projetos de investimento de maior envergadura e acompanhar reformas institucionais, explicou o responsável.
A cooperação franco-togolesa já havia sido abordada ao mais alto nível. «O Togo apresenta uma trajetória económica que oferece numerosas oportunidades e estou verdadeiramente empenhado em reforçar a parceria económica com a França», declarava o presidente togolês Faure Essozimna Gnassingbé, atualmente presidente do Conselho, no final de um almoço de trabalho no Palácio do Eliseu, a 9 de abril de 2021. Na ocasião, sublinhou uma vontade partilhada de consolidar esta relação bilateral.
A cooperação económica entre o Togo e a França não se limita aos financiamentos, mas assenta igualmente em relações comerciais e investimentos de longa data, indicou o conselheiro económico da Embaixada de França no Togo, Jérôme Frouté. Esta dinâmica inscreve-se no quadro de uma «parceria económica renovada», tal como defendida pelo presidente Emmanuel Macron no seu discurso anual perante os embaixadores, a 8 de janeiro de 2026, no Eliseu, no qual apelou a um regresso ofensivo das empresas francesas a África, sublinhando a necessidade de intensificar os investimentos e reforçar as trocas num contexto de forte concorrência.
De acordo com os dados mais recentes disponíveis, as trocas comerciais entre o Togo e a França atingiram cerca de 268 milhões de euros em 2023. Com 225 milhões de euros de exportações para o país, a França detinha uma quota de mercado de 9,3 %, posicionando-se como o segundo fornecedor do Togo, atrás da China (19,6 %), mas à frente da Índia (8,2 %).
A cerca de quarenta filiais de empresas francesas presentes no país registavam um volume de negócios acumulado superior a 570 milhões de euros e empregavam mais de 3 000 trabalhadores, excluindo micro, pequenas e médias empresas prestadoras de serviços. Estas empresas estão ativas em vários setores da economia togolesa, nomeadamente na logística, construção e obras públicas, energia, agroalimentar e serviços.
Por outro lado, embora as exportações francesas para o Togo apresentem uma dinâmica sustentada, as compras de produtos togoleses pela França situaram-se em cerca de 42,9 milhões de euros em 2023. Estas importações incidiram principalmente sobre produtos agrícolas, nomeadamente cereais, leguminosas e oleaginosas. A França ocupava assim o sexto lugar entre os clientes do Togo, com uma quota de mercado estimada em 6,5 %.
Fiacre E. Kakpo
Embora a África disponha de uma população ativa jovem e em rápido crescimento, compreender a participação das pessoas em idade ativa permite perceber melhor a sua contribuição para a vida económica, seja através do emprego ou da procura de trabalho.
A taxa de atividade, por vezes chamada de taxa de participação da população ativa, é um indicador essencial do mercado de trabalho. Corresponde à proporção de pessoas entre os 15 e os 64 anos que são economicamente ativas, ou seja, aquelas que trabalham ou procuram emprego. Esta medida fornece uma visão sobre a capacidade de uma economia mobilizar a sua força de trabalho e produzir bens e serviços, refletindo a dinâmica de participação da população na vida económica. Segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a África apresenta uma taxa de participação relativamente elevada em comparação com muitas outras regiões do mundo, em parte devido à sua população maioritariamente jovem e ao forte envolvimento dos habitantes em atividades diversas, formais e informais.
Em África, o crescimento demográfico influencia fortemente a taxa de atividade. A população ativa tem aumentado ao longo dos anos e mantém-se elevada, embora os números variem conforme os países e os métodos de recolha de dados. Este crescimento reflete não apenas uma maior proporção de pessoas disponíveis para trabalhar, mas também as pressões económicas que levam muitas pessoas a procurar ou aceitar emprego, mesmo que precário ou informal.
Um elemento estruturante do mercado de trabalho africano é a onipresença do setor informal. Em muitos países do continente, uma grande maioria dos empregos não é regulada por contratos formais nem acompanhada de proteção social. A nível africano, cerca de 84 % dos empregos são informais, um nível muito superior à média mundial, explicado pela importância do trabalho independente, de pequenas atividades comerciais e da agricultura familiar sem estatuto oficial.
Importância e interpretação da taxa de atividade
Compreender a taxa de atividade ajuda a analisar várias dimensões do mercado de trabalho. Permite medir a disponibilidade da força de trabalho e estimar quantas pessoas contribuem para a economia, mas também evidencia os desafios ligados ao emprego informal. A análise deste indicador fornece pistas para identificar disparidades internas significativas, nomeadamente entre homens e mulheres, jovens e adultos, zonas urbanas e rurais. Em muitos países africanos, a participação das mulheres continua inferior à dos homens, influenciando não só os indicadores globais, mas também as políticas de igualdade e inclusão.
A capacidade de mobilizar e integrar eficazmente os jovens no mercado de trabalho é outro desafio central. Mesmo que as taxas de desemprego oficiais possam parecer moderadas, grande parte dos jovens ativos ocupa empregos precários ou informais, com pouca estabilidade e proteção social.
A análise da taxa de atividade é crucial para os decisores públicos. Governos e organizações internacionais baseiam-se neste indicador para conceber políticas de formação profissional, estimular o emprego juvenil e facilitar o acesso a empregos mais estáveis e formais. Uma interpretação superficial da taxa pode levar a medidas ineficazes se a elevada proporção de empregos informais e a qualidade do emprego não forem devidamente consideradas.
Mais do que um simples número estatístico, a taxa de atividade reflete a combinação de dinâmicas demográficas, estruturas económicas e realidades sociais que moldam os mercados de trabalho africanos. Compreendê-la ajuda a perceber melhor os desafios do desenvolvimento e a orientar políticas económicas e sociais mais eficazes.
Félicien Houindo Lokossou
As ameaças cibernéticas intensificam-se em África à medida que a transformação digital acelera. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), as atividades de cibercrime provocaram perdas financeiras estimadas em mais de 3 mil milhões de dólares no continente entre 2019 e 2025.
As autoridades quenianas lançaram, na segunda-feira, 26 de janeiro, o projeto Kenya Cyber Resilience (KCR), destinado a reforçar a segurança, resiliência e fiabilidade de um ecossistema digital nacional em rápido crescimento. Com um custo total de 454 milhões de xelins quenianos (≈3,5 milhões de USD), a iniciativa é financiada pela União Europeia.
Segundo um comunicado da delegação da UE no Quénia, o projeto assenta em três pilares complementares: o fortalecimento dos quadros jurídicos, regulamentares e institucionais em matéria de cibersegurança; a melhoria das capacidades operacionais, tanto a nível nacional como setorial, para a prevenção e resposta a incidentes cibernéticos; e a promoção da consciencialização, inclusão e confiança digitais, com especial atenção às mulheres, jovens e utilizadores de serviços públicos.
As autoridades quenianas sublinham que a dimensão e a rapidez da transformação digital do país aumentaram a sua exposição a ciberameaças cada vez mais sofisticadas, tornando a ciberresiliência uma prioridade nacional. De acordo com dados da Communications Authority (CA), foram detetadas 12,5 mil milhões de ciberameaças em 2025, um aumento de 247 % face a 2024.
O projeto KCR deverá complementar o quadro regulamentar existente, que inclui, entre outros, a Estratégia Nacional de Cibersegurança, o Plano Diretor Digital, a Lei de Proteção de Dados Pessoais, bem como a Lei sobre Uso Indevido de Computadores e Cibercrime. O Quénia prevê ainda a criação de uma Agência Nacional de Cibersegurança, entre outras iniciativas estruturantes.
Enquanto o governo faz do digital um alavanca central para o desenvolvimento socioeconómico, a UIT recorda que os países não podem tirar pleno proveito das tecnologias de informação e comunicação sem dar atenção especial à cibersegurança. No seu Índice Global de Cibersegurança 2024, a organização classificou o Quénia em 21.º lugar a nível mundial e 3.º em África, com pontuações máximas em cooperação, desenvolvimento de capacidades e medidas organizacionais. Contudo, ainda são necessários esforços para reforçar o quadro regulamentar e as medidas técnicas.
Isaac K. Kassouwi
Em dezembro de 2025, a Sound Energy oficializou a introdução, no sistema de recolha instalado na concessão, dos primeiros volumes provenientes do seu projeto de Tendrara, um avanço ocorrido com cerca de seis meses de atraso em relação ao calendário comunicado em 2024.
O projeto gasífero de Tendrara, desenvolvido pela empresa britânica Sound Energy no leste de Marrocos, deu mais um passo rumo à sua entrada em produção comercial, ao iniciar uma fase de produção inicial de natureza técnica e pré-comercial. Numa atualização operacional publicada a 26 de janeiro, a empresa indica que os principais poços do projeto, TE-6 e TE-7, foram integrados com sucesso no sistema de recolha de gás, após a realização de testes conclusivos.
Estas operações inserem-se no processo de preparação do local para a produção, permitindo o encaminhamento do gás para as instalações de tratamento previstas no âmbito da Fase 1 do desenvolvimento, conforme definido pelo operador. Esta fase tem como objetivo uma primeira produção de gás destinada principalmente ao mercado marroquino, de acordo com as metas comunicadas pela Sound Energy.
A empresa esclarece ainda que as infraestruturas necessárias à exploração do gás continuam a avançar, nomeadamente os equipamentos destinados à utilização do gás produzido para a geração de eletricidade no local. Esta produção elétrica interna deverá permitir alimentar as operações do campo, substituindo os geradores a gasóleo utilizados até agora.
Por outro lado, a companhia britânica refere que está a trabalhar na finalização das condições técnicas e financeiras necessárias para alcançar o chamado first gas, ou seja, a primeira produção comercial efetiva do projeto.
Em dezembro, a Agência Ecofin noticiou, em particular, a injeção dos primeiros volumes de gás provenientes do poço TE-6 no sistema de recolha da concessão. A Sound Energy indicou que as primeiras entregas provenientes desta instalação são esperadas entre o final do primeiro trimestre e o segundo trimestre de 2026.
Esta fase é apresentada como um pré-requisito para a execução do acordo celebrado com a empresa local Afriquia Gaz, que prevê a compra contratual de 100 milhões de metros cúbicos normais por ano de GNL, no âmbito de um compromisso de dez anos a partir da data do primeiro gás comercial.
A Sound Energy detém 20 % da concessão de Tendrara, em parceria com o Office National des Hydrocarbures et des Mines (25 %) e a empresa Mana Energy Limited, maioritariamente controlada pelo grupo Attijariwafa Bank (55 %).
Abdel-Latif Boureima
Primeiro país exportador de bauxita do mundo desde 2023, a Guiné procura agora avançar na transformação local do minério. Esta ambição, impulsionada pelo desenvolvimento de novas refinarias de alumina, é também fonte de tensões dentro da fileira.
Em 2025, as exportações de bauxita da Guiné atingiram 182,8 milhões de toneladas, um aumento de 25 % em relação às 145 milhões de toneladas registadas em 2024. Segundo notícia da agência Reuters na segunda-feira, 26 de janeiro, citando um documento oficial do Ministério das Minas, este resultado surge num contexto de crescentes tensões e reformas em curso na fileira.
No âmbito de uma vaga de revogação de licenças mineiras, o Estado guineense cessou, entre outros, os direitos mineiros da empresa emiradense Axis Minerals, acusando-a de incumprimento dos seus compromissos. Esta decisão, atualmente contestada no âmbito de um processo de arbitragem internacional, gera incerteza sobre as operações do grupo, que havia exportado 16 milhões de toneladas de bauxita entre janeiro e 14 de maio de 2025, data do anúncio da revogação da licença. Paralelamente, outra empresa emiradense, a Emirates Global Aluminium (EGA), encontra-se também no centro de uma disputa na Guiné.
Privada dos seus direitos mineiros devido a atrasos nos projetos de construção de uma refinaria destinada à transformação da bauxita em alumina, a empresa também ameaçou recorrer aos tribunais. Desde agosto de 2025, os direitos de exploração da sua mina foram, no entanto, transferidos para a Nimba Mining Company (NMC), uma nova empresa pública criada pelas autoridades guineenses ao longo do ano.
É neste contexto que a fileira guineense de bauxita evoluiu ao longo do exercício passado. Segundo informações disponíveis, mais de duas dezenas de empresas continuaram as suas exportações, incluindo a chinesa Chalco, a Compagnie des Bauxites de Guinée (joint venture envolvendo, entre outros, a Rio Tinto e a Alcoa) e a Société Minière de Boké (SMB). Até ao momento, nenhuma estimativa oficial das receitas geradas foi divulgada.
Com a abertura do exercício de 2026, os próximos meses serão determinantes para avaliar a evolução das exportações de bauxita do país, nomeadamente com a contribuição esperada da Nimba Mining Company. Paralelamente, a Guiné prossegue a sua estratégia de transformação local através do desenvolvimento de novas refinarias de alumina, com o objetivo de maximizar a médio prazo estas receitas mineiras. Recorde-se que, desde 2023, o país é o maior exportador mundial de bauxita.
Aurel Sèdjro Houenou
O cravinho-da-índia figura entre as principais especiarias comercializadas em todo o mundo, a par do gengibre, da pimenta e da canela. Já líder em África na fileira do gengibre, a Nigéria ambiciona agora tornar-se um ator dominante no cravinho-da-índia no continente.
Na Nigéria, a primeira campanha oficial de cultivo de cravinho-da-índia à escala nacional está prevista para ser lançada durante a época das chuvas de 2026, que tradicionalmente começa em abril. A informação foi revelada por Abdullahi Shuaibu, coordenador nacional da Associação dos Produtores, Transformadores e Distribuidores de Cravinho-da-Índia do país, no domingo, 25 de janeiro, em Zaria, no Estado de Kaduna.
Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, esta nova campanha agrícola mobilizará um total de 74 000 agricultores distribuídos pelos 36 Estados e pelo Território da Capital Federal (FCT). Está previsto que cada agricultor receba sementes melhoradas e insumos para cultivar 0,5 hectare.
Embora, por enquanto, as previsões de colheita ainda não sejam conhecidas, as ambições apresentadas pela associação de produtores através de um cultivo em larga escala são claras. Trata-se de responder à procura interna, substituindo as importações, e posicionar-se na exportação com o eventual excedente de produção. «A iniciativa foi concebida para fazer da Nigéria o segundo país africano, depois da Tanzânia, a produzir cravinho-da-índia à escala comercial», declarou o senhor Shuaibu.
Os dados compilados na plataforma Trade Map mostram, por exemplo, que a Nigéria importou, em média, 1 184 toneladas de cravinho-da-índia por ano entre 2020 e 2024, com um pico de 3 886 toneladas registado em 2021. Paralelamente, a fatura das suas importações ascendeu, em média, a 1 milhão de dólares por ano no mesmo período, com um pico de 2,4 milhões de dólares, igualmente em 2021.
Além disso, a ambição de se posicionar nas exportações sugere também a vontade da fileira nigeriana de conquistar quotas num mercado internacional cuja procura está em forte crescimento, impulsionada pelo setor do tabaco kretek da Indonésia e por uma adoção mais ampla na conservação alimentar, nos cuidados pessoais e na descoberta de medicamentos.
Segundo a consultora indiana Mordor Intelligence, o tamanho deste mercado é estimado em 5,7 mil milhões de dólares em 2025 e deverá crescer a uma taxa média anual de 5,3 %, atingindo 7,2 mil milhões de dólares até 2030. Os próximos desenvolvimentos dirão se a Nigéria conseguirá, à semelhança do gengibre, estruturar uma fileira de cravinho-da-índia robusta e competitiva.
Stéphanas Assocle
O Gabão dota-se de uma plataforma nacional de ligação entre empreendedores e financiadores, bem como de captação de financiamentos nacionais e internacionais. A iniciativa visa responder ao défice de financiamento das PME e start-up, reforçar a visibilidade dos projetos locais e abrir novas perspetivas de mobilização de capitais a nível internacional.
O Ministério do Comércio do Gabão lançou, na semana passada, a Proxigab, uma plataforma digital nacional destinada a colocar em contacto PME-PMI, jovens empreendedores e promotores de projetos com fontes de financiamento, tanto nacionais como internacionais.
A Proxigab tem como objetivo melhorar a visibilidade de projetos com elevado potencial, facilitar o acesso a financiamentos nacionais e internacionais, incentivar o mentorado, o acompanhamento e o desenvolvimento das PME-PMI gabonesas. Posiciona-se como uma ferramenta estratégica para estruturar o ecossistema empreendedor nacional, aumentar a visibilidade dos projetos e instaurar um clima de confiança duradouro entre investidores e empreendedores.
Uma resposta às limitações do financiamento das start-up gabonesas
A ministra do Comércio e das PME-PMI, Gninga Chaning Zenaba, apresentou a Proxigab como um instrumento destinado a estabelecer um quadro estruturado entre investidores e empreendedores. Segundo a governante, a plataforma permite aos promotores de projetos apresentar iniciativas devidamente documentadas, oferecendo simultaneamente aos financiadores uma melhor leitura das oportunidades disponíveis. «Trata-se de criar um espaço credível onde os promotores de projetos possam apresentar iniciativas sólidas, ao mesmo tempo que se oferece aos financiadores uma maior clareza sobre as oportunidades existentes», afirmou.
Do ponto de vista operacional, a Proxigab integra várias funcionalidades, nomeadamente mecanismos de seleção e acompanhamento de projetos, ferramentas de mentorado envolvendo grandes empresas, bem como instrumentos de mobilização de financiamentos adaptados às necessidades específicas das PME-PMI. Os responsáveis pelo projeto indicaram que a plataforma foi concebida como uma ferramenta evolutiva, cuja melhoria dependerá do feedback dos utilizadores e dos atores do ecossistema.
Desta forma, o Gabão reafirma a sua vontade de fazer do digital um instrumento ao serviço do desenvolvimento das PME-PMI. A iniciativa inscreve-se na estratégia nacional de promoção do empreendedorismo e de desenvolvimento das empresas tecnológicas. Para os poderes públicos, o desafio é duplo: assegurar a adoção efetiva da plataforma pelas empresas locais e reforçar o envolvimento das instituições financeiras. Neste sentido, a Proxigab poderá tornar-se um canal de deteção de projetos estruturados, num mercado ainda pouco visível para a tecnologia gabonesa.
As start-up do país ocupavam a 22.ª posição em África em termos de captação de fundos em capital próprio e dívida, com um montante total de 1 milhão de dólares, segundo o relatório anual de 2025 da Partech Partners. O Gabão mantém-se, contudo, na liderança dentro da zona CEMAC, à frente dos Camarões, classificados em 25.º lugar, com 0,4 milhões de dólares angariados.
Chamberline Moko
O Khomani Cultural Landscape é um sítio cultural localizado no norte da África do Sul, na província do Cabo Setentrional, próximo ao Parque Transfronteiriço de Kgalagadi. Ele corresponde a uma porção do deserto do Kalahari historicamente associada ao povo ǂKhomani San, um dos grupos indígenas da África Austral. A paisagem foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 2017, em reconhecimento à sua importância cultural e histórica.

O sítio não é definido por construções monumentais, mas por um território moldado por usos, deslocamentos e saberes transmitidos ao longo de várias gerações. Ele inclui áreas de caça e coleta, pontos de água, lugares associados a narrativas orais, assim como rotas sazonais. Esses elementos revelam um modo de vida baseado em um conhecimento detalhado do ambiente árido do Kalahari e em práticas adaptadas às suas restrições ecológicas.

Durante muito tempo, os ǂKhomani San foram marginalizados e deslocados de suas terras, especialmente durante o período colonial e sob o apartheid. No final da década de 1990, um processo de restituição fundiária permitiu que algumas comunidades ǂKhomani recuperassem direitos sobre partes de seus territórios ancestrais. O Khomani Cultural Landscape reflete tanto essa história de desapropriação quanto os esforços contemporâneos de reconhecimento jurídico, cultural e político dos povos indígenas na África do Sul.

A paisagem cultural também carrega dimensões imateriais. Línguas, histórias, práticas espirituais e conhecimentos relacionados à fauna e à flora fazem parte integrante do sítio, mesmo quando não deixam vestígios materiais visíveis. A gestão do território exige, portanto, a consideração das comunidades locais e de seu papel na preservação e transmissão desses saberes.

Atualmente, o Khomani Cultural Landscape é ao mesmo tempo um espaço de memória, um território de vida para algumas famílias ǂKhomani e uma área regulada por políticas de conservação. Ele ilustra os desafios envolvidos na proteção de paisagens culturais vivas, nas quais a preservação ambiental está intimamente ligada ao reconhecimento dos direitos, da história e das práticas das populações a elas associadas.
A Líbia multiplica os investimentos para modernizar e reforçar a sua infraestrutura digital nacional. Por exemplo, as autoridades anunciaram, no final de dezembro, a desativação das centrais telefónicas tradicionais utilizadas para a telefonia fixa, em favor de tecnologias mais recentes.
A Líbia prepara-se para o lançamento da tecnologia móvel de quinta geração (5G) "num futuro próximo". Na semana passada, a empresa pública Libyan Post, Telecommunications and Information Technology Holding Company (LPTIC) fez o anúncio.
Num comunicado publicado na quinta-feira, 22 de janeiro, a LPTIC indicou que esta etapa ocorre após a conclusão dos últimos preparativos técnicos e organizacionais da primeira fase do projeto 5G. O serviço será operado e lançado pela operadora Al‑Madar Al‑Jadeed, como primeiro operador nacional líbio responsável por fornecer a 5G, em conformidade com as normas técnicas em vigor e com plena disponibilidade operacional.
Na sexta-feira, 23 de janeiro, a LPTIC anunciou ainda a assinatura de um protocolo de entendimento com a empresa americana KBR, apresentada como um ator de destaque nas áreas de consultoria de engenharia, soluções tecnológicas e infraestruturas. O reforço das redes 5G na Líbia é um dos principais eixos da colaboração prevista entre as duas partes.
Um impulso para a transformação digital
Segundo a LPTIC, a implementação da 5G enquadra-se "na orientação nacional de desenvolvimento da infraestrutura do setor das telecomunicações, apoio à transição digital e melhoria da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos".
As autoridades líbias apostam nas TIC para acelerar a reconstrução e o desenvolvimento socioeconómico do país. Desde 2021, a LPTIC, como braço operacional desta estratégia, tem multiplicado iniciativas e parcerias para transformar a Líbia num "país inteligente", onde cidadãos, empresas e cidades beneficiam de tecnologias avançadas ao serviço de um desenvolvimento integrado e sustentável. Em 2024, o país classificou-se em 124.º lugar entre 193 Estados no Índice de Desenvolvimento de Governo Eletrónico das Nações Unidas, com uma pontuação de 0,5466, abaixo da média mundial.
Neste contexto, os investimentos na infraestrutura digital nacional intensificaram-se. No final de dezembro, as autoridades lançaram um programa de desativação progressiva das centrais telefónicas tradicionais, em favor de tecnologias mais modernas. Outras prioridades da holding incluem a implementação e generalização da banda larga, a adoção de uma orientação clara em termos de infraestrutura de TI e cloud, a aceleração de projetos de fibra ótica e a expansão das redes de telecomunicações.
A 5G surge, assim, como um vetor tecnológico estruturante. Numa estudo publicado em 2021 pela Dell Technologies, salientou-se que a 5G permite velocidades de transmissão até 100 vezes superiores às da 4G, com latência significativamente reduzida e capacidades de rede inéditas. Esta tecnologia abre, portanto, caminho a aplicações avançadas e inovadoras, favorecendo uma conectividade em tempo real e facilitando a transformação digital de setores-chave.
Desafios financeiros e de adoção
O lançamento da 5G continua, contudo, a ser um empreendimento dispendioso. Segundo um estudo da Ericsson de 2022, o custo base para implementar a 5G num país situa-se entre 3 e 8 mil milhões de USD, acrescido de 20 a 35 % para expandir a cobertura nacional.
Em termos de cobertura, as redes móveis 2G e 3G cobrem atualmente 98 % da população, estimada em 7 milhões de habitantes, de acordo com o Mobile Connectivity Index 2025 da GSMA. A cobertura 4G atinge 83,7 %.
No uso, dados da DataReportal, citando a GSMA Intelligence, indicam que o número de subscrições móveis na Líbia era de 14,9 milhões no final de dezembro de 2025, correspondendo a uma taxa de penetração de 199 %. O número de utilizadores únicos é estimado em 6,62 milhões, ou seja, 88,5 % da população. Estes números devem, contudo, ser relativizados, já que alguns subscritores possuem múltiplos cartões SIM contabilizados separadamente.
Para além da infraestrutura, a adoção da 5G pela população líbia poderá enfrentar obstáculos já observados noutros mercados: o custo dos smartphones compatíveis, o acesso a pacotes de dados 5G, o nível de competências digitais, a perceção da relevância dos serviços disponíveis ou a qualidade da experiência do cliente.
Isaac K. Kassouwi