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Equipe Publication

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  • Cabo Verde pode receber 13,98 milhões de dólares do FMI conforme reformas em andamento
  • Disponibilização planejada está ligada à avaliação dos programas FEC e FRD

Segundo o FMI, todos os critérios de desempenho e referenciais estruturais estabelecidos nos programas FEC para Cabo Verde foram alcançados.

Cabo Verde poderá receber 13,98 milhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI), como parte dos programas de reformas em curso, afirmou Martin Schindler, chefe de missão da instituição.

Em um comunicado divulgado na terça-feira, 4 de novembro de 2025, o Fundo anunciou que concluiu um acordo com as autoridades cabo-verdianas, após uma revisão dos programas apoiados pelo Fundo de Crédito Ampliado (FEC) e a Iniciativa para Resiliência e Sustentabilidade (FRD). Os desembolsos previstos totalizam 3,23 milhões de dólares para o FEC e 10,75 milhões de dólares para o FRD.

Os resultados obtidos no âmbito do programa FEC foram considerados satisfatórios. “Todos os critérios de desempenho quantitativo (CP) e os CP contínuos do FEC até o fim de junho de 2025, além das metas indicativas, foram alcançados. Nenhum marco estrutural foi exigido para essa revisão.”

Em relação ao FRD, as reformas estão avançando. No entanto, três medidas de reforma devem ser concluídas antes do final da revisão em andamento, à espera da documentação final.

A economia do arquipélago continua apresentando bom desempenho, impulsionada pelo dinamismo do setor turístico, pela robustez das exportações e pelo crescimento do consumo privado. No entanto, o FMI alerta para vários riscos que pesam sobre as perspectivas econômicas, incluindo as incertezas relacionadas ao comércio mundial, a vulnerabilidade do país aos choques externos nos setores de energia, alimentação e turismo, bem como os efeitos de eventos climáticos extremos.

Para o ano corrente, o FMI prevê crescimento econômico de 5,2%, enquanto a inflação deve permanecer próxima a 2%.

Ingrid Haffiny (estagiária)

 

Nimba Mining Company S.A. (NMC) marca etapa decisiva com o primeiro carregamento de 200 mil toneladas de bauxita de alta qualidade
Este move representa o início de uma nova era para o desenvolvimento da mineração na Guiné, com o país assumindo toda a cadeia de valor


Menos de três meses após sua criação, a Nimba Mining Company S.A. (NMC) marca uma etapa decisiva na retomada do setor de bauxita nacional, com o primeiro carregamento de 200 mil toneladas de bauxita de alta qualidade, sob um contrato de venda de 1,5 milhão de toneladas assinado em 15 de outubro de 2025. Este sucesso marca o início de uma nova era para o desenvolvimento da mineração guineense, onde o país assume toda a cadeia de valor, desde a extração até o processamento e comercialização de seus recursos.

Criação em agosto de 2025, a NMC segue a aquisição de ativos estratégicos até então subutilizados - consistentes com as disposições do Código de Mineração da República da Guiné. A empresa representa uma nova era para o setor de mineração guineense: um modelo baseado na soberania, desempenho e transparência.

Como a primeira empresa 100% nacional de mineração, a NMC simboliza o desejo do Governo da República da Guiné em racionalizar e profissionalizar a gestão de seus recursos naturais, garantindo a valorização plena desses recursos no território. Com o apoio estratégico de Simandou e do Ministério de Minas e Geologia, um programa intensivo de retomada das atividades foi conduzido desde agosto: mobilização da equipe, renovação dos equipamentos, assinatura de contratos de subcontratação, testes operacionais.

O Diretor Geral da Nimba Mining Company, Patrice L'Huillier, declara que o primeiro carregamento é resultado de um compromisso coletivo que permitiu a retomada das exportações a partir das instalações portuárias de Kamsar.

Esse sucesso inicial, acolhido com entusiasmo pelas autoridades, sinaliza um forte impulso para o setor de mineração nacional guiado pela Guiné, uma demonstração concreta da capacidade do país em unir soberania e eficácia industrial.

Nos próximos anos, a NMC visa tornar-se uma referência no setor de mineração guineense, gerando valor além da extração por meio da implementação de ecossistemas industriais integrados. A estratégia da empresa se concentra em quatro áreas principais: bauxita, ouro, refino de metais e serviços de mineração.

Sobre a Nimba Mining Company

Fundada em 2025, a Nimba Mining Company S.A. é uma empresa guineense, 100% nacional, detida por uma holding dedicada à extração, processamento e valorização dos recursos naturais da Guiné. A empresa opera a mina de Tinguilinta, um dos maiores depósitos de bauxita do país, e as instalações portuárias de Kamsar. A NMC incorpora um modelo de governança soberana e sustentável, dedicada ao desenvolvimento econômico e social da República da Guiné.

 

  • O segundo Salão das Indústrias Musicais da África Francófona (SIMA) ocorrerá de 10 a 15 de novembro de 2025 em Cotonou (Benin), buscando promover a música africana francófona e resolver as disparidades econômicas do setor.
  • Apesar do imenso talento, a música francófona africana carece de estruturas econômicas fortes, financiamentos suficientes e circuitos de distribuição eficientes.

, por Mamby Diomandé, fundador e comissário geral do SIMA, e Lionel Talon, empresário cultural, promotor do festival WeLovEya e do Centro Comunitário EYA (Benin)

A música africana fascina, seduz, inspira. Agora ela ganha um lugar nas playlists globais, impulsionada pela vitalidade de seus ritmos e a criatividade de seus artistas. No entanto, uma parte do continente ainda permanece à margem dessa dinâmica global: os países da África francófona, onde o talento é abundante, mas as estruturas econômicas, o financiamento e os canais de distribuição são frágeis.

O Salão das Indústrias Musicais da África Francófona (SIMA) visa abordar esta lacuna. A segunda edição do evento acontecerá de 10 a 15 de novembro de 2025 em Cotonou (Benin). Concebido como um espaço de reflexão e cooperação entre atores culturais, investidores e autoridades públicas, o SIMA tem como objetivo ajudar a música africana francófona a avançar "do potencial às evidências" - de um indiscutível florescimento artístico a uma verdadeira indústria criadora de valor.

Uma indústria ainda em busca de um modelo

Os números confirmam o desequilíbrio: segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), as receitas da música gravada na África Subsaariana ultrapassaram 110 milhões de dólares em 2024, um aumento de 22,6%. Porém, quase três quartos dessas receitas vêm da Nigéria e da África do Sul. Os países francófonos continuam sendo prejudicados pela fragilidade de suas infraestruturas, a dificuldade em monetizar o streaming e a falta de mecanismos financeiros adequados. A falta de dados em nossos territórios também é sentida.

A era digital, que deveria trazer novas oportunidades, também revela profundas desigualdades. Na maioria dos mercados francófonos, as plataformas ainda operam no modelo freemium e as receitas do YouTube são marginais. Quando os operadores de telefonia móvel podem ser uma alternativa, a ambiguidade na gestão da propriedade intelectual prejudica os detentores dos direitos e os produtores. O streaming criou uma economia bifurcada: enriquece uma minoria de artistas estruturados, mas deixa a maioria sem meios de se beneficiar.

Nesse contexto, a cadeia de valor é dominada pelos distribuidores digitais, que se tornaram os verdadeiros protagonistas da indústria. Eles são os que permitem que uma obra exista, circule e seja vista. Dominar sua lógica, entender os algoritmos e profissionalizar a relação entre artistas e plataformas são agora condições essenciais para transformar a criação em valor.

O financiamento deve se tornar estruturante

Um dos principais obstáculos é o fraco investimento. As instituições financeiras ainda hesitam em financiar as indústrias culturais, que são vistas como arriscadas e intangíveis. No entanto, iniciativas recentes mostram que um modelo diferente é possível.

O Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank) abriu o caminho ao lançar o programa Creative Africa Nexus (CANEX), dotado de um bilhão de dólares para financiar a produção, distribuição e exportação de conteúdos culturais africanos. Ao apoiar festivais, plataformas digitais e selos independentes, o CANEX ilustra o surgimento de um modelo africano de financiamento cultural, misturando capital público, instituições regionais e parceiros privados.

Mas é preciso ir além: adaptar esses mecanismos ao contexto francófono, que é muitas vezes menos estruturado que seus equivalentes anglofônicos. Isso envolve a criação de fundos nacionais de garantia, incentivos fiscais e instrumentos de microfinanciamento voltados para empresários culturais. Os estados, os bancos regionais e os atores privados devem convergir para um objetivo comum: impulsionar o surgimento de uma rede de empresas musicais viáveis, capazes de se projetar nos mercados africanos e internacionais.

O desafio também é formalizar a renda de artistas, produtores e até instrumentistas, muitas vezes limitados a pagamentos pontuais. Ao documentar suas atividades e contratar seus rendimentos, eles poderiam obter crédito e investir em seu equipamento, comunicação ou turnês. Assim, a música deixará de ser vista como um setor informal para se tornar um ativo econômico reconhecido.

O Benin, um novo paradigma

O Benin, anfitrião do SIMA 2025, ilustra essa mudança de perspectiva. Há vários anos, o país tornou a cultura um eixo central de sua estratégia de desenvolvimento. Projetos de museus, valorização do patrimônio devolvido e o fortalecimento de iniciativas como o Fundo de Desenvolvimento das Artes e da Cultura e festivais como o Vodun Days e WeLovEya testemunham essa vontade de conectar memória, criação e economia. O governo beninense também apoia o surgimento de uma nova geração de atores culturais, por meio de chamadas para projetos, residências artísticas e a promoção do turismo criativo. Esta política ainda em construção mostra que a cultura pode ser pensada como um investimento estruturante, e não apenas como um gasto simbólico.

Agora, o objetivo é construir um mercado integrado, conectando Abidjan, Dakar, Cotonou, Lomé, Douala e Libreville, onde artistas, produtores e distribuidores possam colaborar, compartilhar padrões e juntar seus instrumentos de distribuição. Tal coordenação requer políticas públicas mais proativas: criação de conteúdo local em toda a cadeia de distribuição, apoio à bilheteria digital, desenvolvimento de infraestruturas cênicas, conscientização sobre propriedade intelectual e reconhecimento do setor musical como contribuinte para o crescimento e emprego.

Da cultura ao soft power

Além da economia, a música é um instrumento de soft power. Ela molda os imaginários, constrói identidades coletivas e traz uma diplomacia cultural que os estados poderiam valorizar melhor. Num mundo onde a influência também se exerce em palcos e plataformas, a África francófona não pode estar contente com um papel secundário.

Investir em música é investir no reconhecimento simbólico e econômico de um continente jovem, criativo e diverso. É também transformar uma ambição compartilhada em realidade: a de uma África francófona que produz, distribui e brilha por si mesma.

Para transformar esse potencial em evidências, é necessária uma abordagem concertada. Mecanismos como o CANEX, o Fundo de Desenvolvimento da Indústria Cultural na Costa do Marfim ou as iniciativas culturais beninenses mostram o caminho. Mas o desafio é transformar isso em um movimento regional estruturado, articulado em torno de dados, financiamentos e governança.

A música africana francófona não falta em voz, talento ou histórias para contar. O que ainda falta são instrumentos de medida e mecanismos financeiros sustentáveis. Para passar do potencial à prova, a cultura precisa se tornar uma política econômica e a música um investimento estratégico.

 

  • Egito lança nova rodada de licitações internacionais para exploração de petróleo e gás no Mar Vermelho;
  • O período de licitação, gerenciado pela empresa estatal Ganoub El Wadi Petroleum Holding Company (GANOPE), permanecerá aberto até 3 de maio de 2026.

O Cairo tem multiplicado as iniciativas para revitalizar a exploração offshore. Tendo em vista a diminuição da produção de gás nos últimos meses e o aumento das importações de gás natural liquefeito (GNL), as autoridades buscam fortalecer a segurança energética nacional.

O Egito lançou uma nova rodada de licitações internacionais para a exploração de petróleo e gás no Mar Vermelho. A operação, oficializada na terça-feira, 4 de novembro de 2025, pelo Ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Karim Badawy, durante a Abu Dhabi International Petroleum Exhibition and Conference (ADIPEC 2025), envolve os blocos offshore RS-1, RS-2, RS-3 e RS-4.

O processo, que ocorre por meio da plataforma digital Egypt Upstream Gateway (EUG) e é gerenciado pela empresa estatal Ganoub El Wadi Petroleum Holding Company (GANOPE), permanecerá aberto até domingo, 3 de maio de 2026. De acordo com as autoridades egípcias, o arranjo se baseia em um modelo de compartilhamento de produção visando tornar as condições mais atraentes para os investidores estrangeiros.

Conforme o Middle East Economic Survey (MEES), a produção de petróleo bruto do país atingiu cerca de 537 mil barris por dia em 2024. O país deseja estabilizar sua produção em torno de 600 mil barris por dia, segundo dados divulgados na exposição profissional EGYPS 2024. Em relação ao gás natural, o MEES reporta uma produção de 49,37 bilhões de m³ em 2024, reafirmando o papel central do gás no setor energético egípcio.

"A região do Mar Vermelho é uma das áreas petrolíferas emergentes mais importantes, rica em oportunidades promissoras para futuras descobertas que podem incrementar a capacidade de produção”, declarou Karim Badawy, Ministro do Petróleo e Recursos Minerais.

Embora a data limite para envio de propostas esteja prevista para maio de 2026, a assinatura de contratos relacionados a este ciclo de concessão para exploração de petróleo e gás no Mar Vermelho é esperada até 2027, segundo o calendário do Ministério do Petróleo.

Abdel-Latif Boureima

 

O Erg do Namibe, também conhecido como Mar de Areia do Namibe, é uma das paisagens desérticas mais antigas e impressionantes do planeta. Estendendo-se ao longo da costa atlântica da Namíbia, forma uma vasta extensão de dunas móveis, moldadas pelo vento e pela luz, criando um cenário ao mesmo tempo grandioso e austero. É um exemplo notável de ecossistema desértico, onde a beleza visual se une a um profundo interesse científico.

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O Erg do Namibe estende-se por centenas de quilômetros, desde o rio Kuiseb até o rio Orange, que marca a fronteira sul do país. Algumas dunas ultrapassam os 300 metros de altura, entre as mais altas do mundo. Suas cores, que variam do ocre claro ao vermelho intenso, resultam do óxido de ferro presente na areia, oxidado ao longo dos milênios pelo ar marinho e pelos ventos costeiros. Essa paisagem de pureza quase abstrata está em constante transformação: as dunas deslocam-se lentamente sob a ação dos ventos do sudoeste, formando cristas, vales e linhas de sombra que mudam conforme as estações e a luz.

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O clima do Erg do Namibe é extremamente árido, com precipitações anuais geralmente inferiores a 50 milímetros. Mesmo assim, a vida persiste graças a um fenômeno singular: a névoa costeira vinda do oceano Atlântico. Ao se condensar sobre a areia e a vegetação, essa névoa fornece uma fonte preciosa de umidade. Diversas espécies se adaptaram a esse recurso raro, como o besouro-do-Namibe, que coleta água nas costas, e a planta Welwitschia mirabilis, símbolo do deserto, capaz de viver mais de mil anos absorvendo a umidade do ar.

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Do ponto de vista geológico, a areia do Erg do Namibe provém em grande parte do rio Orange, que transporta sedimentos do interior do continente até o oceano. As correntes marinhas e os ventos depositam esses sedimentos ao longo da costa, onde se acumulam e são levados para o interior, formando o deserto ao longo de milhões de anos. Esse processo, iniciado há cerca de 55 milhões de anos, faz do Namibe um dos desertos mais antigos do mundo — um testemunho precioso da evolução dos climas terrestres.

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Hoje, o Erg do Namibe integra o Parque Nacional Namib-Naukluft, inscrito na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2013 sob o nome Namib Sand Sea. Sua preservação é essencial, pois representa um ecossistema frágil, onde o vento, a areia e a vida mantêm um equilíbrio de grande delicadeza. O local também atrai fotógrafos e viajantes de todo o mundo, fascinados pela perfeição geométrica de suas dunas — especialmente as de Sossusvlei e Deadvlei, cujas silhuetas petrificadas testemunham a passagem do tempo nesse mundo mineral.

 

 

 

  • A Caixa de Depósitos do Camarões (CDEC) exige que o Afriland First Bank transfira mais de 166 bilhões de FCFA (aproximadamente $292 milhões).
  • A disputa destaca tensões entre soberania e regulação regional na CEMAC (Comunidade Econômica e Monetária dos Estados da África Central).

Uma notificação formal enviada ao Afriland First Bank surge num contexto em que vários países da África Central tentam fortalecer o controle de seus fundos públicos. O conflito com a Caixa de Depósitos do Camarões evidencia as tensões entre soberania e regulação regional na CEMAC.

A Caixa de Depósitos do Camarões (CDEC) exige do Afriland First Bank a transferência de mais de 166 bilhões de FCFA (aproximadamente $292 milhões), correspondentes a depósitos públicos, cauções e sequestros judiciais. A demanda surge em meio a tensões contínuas entre o banco e a instituição pública responsável pela gestão de fundos estatais.

Em 16 de outubro, o diretor geral da CDEC, Richard Evina Obam, enviou uma notificação formal ao principal banco do país, acusando-o de não ter transferido a totalidade dos montantes devidos. De acordo com auditorias internas da CDEC, existe uma discrepância de 36,5 bilhões de FCFA entre os montantes declarados e aqueles efetivamente detidos pelo banco, a qual se somam 4,17 bilhões de penalidades calculadas à taxa de facilidade de empréstimo marginal do BEAC. A Caixa fixou meados de novembro como prazo final antes de iniciar um processo de cobrança forçada.

Uma fonte interna do Afriland First Bank, citada por Investir au Cameroun, mencionou uma "divergência de interpretação contábil" e assegurou que o banco "está trabalhando para esclarecer os montantes envolvidos". Ela também afirmou que "todas as obrigações regulatórias foram cumpridas em conformidade com as instruções da COBAC", a autoridade supervisora bancária na África Central.

O conflito também envolve o caso Bestinver. Além desses 40 bilhões de FCFA, a CDEC também reivindica 126 bilhões que foram sequestrados nas contas do Afriland First Bank devido ao litígio "Bestinver", que envolve o empresário Baba Danpullo e a MTN Camarões. A instituição entende que esses fundos, que estão sob sua jurisdição exclusiva em matéria de sequestros judiciais, deveriam ter sido depositados diretamente nela.

Em uma correspondência paralela enviada à COBAC, Richard Evina Obam se baseia na Lei nº 2008/003 de 14 de abril de 2008, bem como em uma carta do governador do BEAC datada de 2023, confirmando que "depósitos, cauções e sequestros judiciais só podem ser ordenados em favor da CDEC". De acordo com ele, a alocação desses montantes em um banco comercial viola a legislação nacional e infringe a competência da Caixa.

Com base nesse suporte, a CDEC exigiu do Afriland uma declaração completa dos fundos públicos ainda detidos, acompanhada de documentos justificativos. A Caixa ameaça iniciar um processo de recuperação e apreender certos ativos do banco se as transferências não forem realizadas dentro do prazo. Uma auditoria conjunta está sendo preparada para verificar a conformidade das contas da instituição.

A COBAC tem uma interpretação diferente. Para o regulador, esses montantes são depósitos de clientes sujeitos à supervisão comunitária, e nenhum Estado membro pode se eximir disso unilateralmente. Uma fonte anônima da Comissão enfatizou que "a CDEC não pode se desvincular do quadro comunitário" e lembrou que "nenhum Estado membro pode decidir unilateralmente a gestão de seus fundos públicos fora do escopo de precaução".

Entre Regulação Regional e Soberania Nacional

O conflito destaca uma tensão maior entre as obrigações de soberania financeira dos Estados membros e a unicidade da regulação na zona CEMAC. Yaoundé vê a CDEC como um instrumento do Tesouro Público e não como uma entidade bancária. Segundo um alto funcionário do Ministério da Fazenda, "o Camarões pretende administrar seus ativos públicos de acordo com sua lei nacional, sem questionar seus compromissos comunitários".

O braço prudencial do BEAC, a COBAC, por outro lado, considera que a unicidade da regulação bancária na zona CEMAC é um princípio não negociável. Permitir que uma instituição pública se coloque fora do quadro comum criaria, de acordo com ela, um risco sistêmico e um precedente jurídico para os outros Estados membros.

Uma Questão Regional

Além de Camarões, o caso ilustra fricções recorrentes entre o BEAC e alguns Estados membros. Por vários anos, discussões semelhantes opuseram o Banco Central a países como Gabão e Congo sobre a centralização de fundos públicos.

Em um contexto de aperto monetário e pressões internacionais para a transparência financeira, a disputa entre a CDEC, Afriland e COBAC se assemelha a um teste de governança para toda a zona. Por trás dos procedimentos administrativos, é o equilíbrio de poder entre o Estado e o regulador comunitário que está sendo redesenhado.

 

  • A Nigéria está intensificando esforços para oferecer treinamento de nível internacional como parte de sua estratégia para melhorar o acesso, a qualidade e a sustentabilidade do ensino superior.
  • O Ministro da Educação anunciou o lançamento do campus transnacional University of Lagos – University of Birmingham com o objetivo de reduzir o custo do estudo no exterior para estudantes nigerianos. 

No contexto de internacionalização do ensino superior, a Nigéria está intensificando os seus esforços para oferecer formações de nível internacional. O governo federal nigeriano reafirmou o seu compromisso em tornar a educação transnacional (TNE) uma estratégia central para melhorar o acesso, a qualidade e a sustentabilidade do ensino superior.

Na conferência Going Global 2025, que ocorreu em Londres de 28 a 30 de outubro, o Ministro da Educação, Morufu Olatunji Alausa, anunciou o lançamento do campus transnacional University of Lagos – University of Birmingham. Segundo ele, esta iniciativa visa a reduzir o custo do estudo no exterior ao permitir que estudantes nigerianos sigam programas britânicos sem sair do país.

Para Sir Steve Smith, embaixador britânico da educação, este modelo representa um "reforço institucional, em vez de uma empresa com fins lucrativos." O campus se baseia em colaborações pré-existentes entre universidades nigerianas e britânicas, como o programa conjunto de mestrado em direito UNILAG – Universidade de Dundee. Serão ofertados cursos nas áreas de inteligência artificial, robótica e codificação, apoiados por intercâmbios acadêmicos e de pesquisa.

Além da inovação pedagógica, essa iniciativa reflete o desejo da Nigéria de ancorar a formação em uma visão de desenvolvimento endógeno. Ela está alinhada com a agenda "Esperança Renovada" do presidente Bola Ahmed Tinubu, que coloca a educação no centro do desenvolvimento econômico e social. De acordo com o ministro nigeriano, o governo espera, por meio da TNE, atrair universidades de alto nível para fortalecer a competitividade de suas instituições, formar talentos capazes de atender às necessidades da economia digital e posicionar o país como um pólo regional de excelência acadêmica.

Este lançamento acontece em um momento em que a Nigéria está enfrentando um êxodo massivo de seus talentos. De acordo com o Escritório de Estatísticas do Reino Unido, mais de 76% dos estudantes nigerianos no Reino Unido mudaram de visto de estudo para visto não-estudo em menos de três anos, revelando uma fuga preocupante de talentos diretamente ligada à formação no exterior. Além disso, um estudo publicado pela African Leadership University em 2025 mostra que apenas 44% dos graduados africanos planejam permanecer no continente após seus estudos.

Félicien Houindo Lokossou

 

A mina mauritana Tasiast produziu 120.934 onças de ouro no terceiro trimestre de 2025, uma redução de 25% em relação ao mesmo período de 2024.
A empresa canadense Kinross Gold, operadora da mina, mantém sua meta de produzir 500.000 onças de ouro em Tasiast em 2025, um volume inferior às 622.394 onças produzidas em 2024.

Depois de um ano de 2024, durante o qual produziu 622.394 onças de ouro, a mina mauritana de Tasiast tem registrado até agora uma queda em 2025. No primeiro semestre, os volumes extraídos no local caíram 20% em relação ao ano anterior.

Tasiast, a maior mina de ouro da Mauritânia, produziu 120.934 onças de ouro no terceiro trimestre de 2025, de acordo com o relatório financeiro publicado por sua operadora canadense, Kinross Gold, na terça-feira, 4 de novembro. Este resultado, 25% menor do que as 162.155 onças reportadas no mesmo período de 2024, reflete de forma mais ampla a tendência de queda observada no local desde o início do ano.

Em agosto do ano passado, a Agence Ecofin já relatava uma queda de 20% na produção da mina ao final do primeiro semestre. Estes resultados negativos fazem parte de uma fase de transição na mineração, caracterizada pela disponibilidade de minérios de baixo teor no local. Apesar do bom desempenho operacional observado na mina de Tasiast durante o último trimestre, o impacto da baixa qualidade do minério tornou-se evidente novamente.

"Em Tasiast, a produção manteve-se estável em relação ao trimestre anterior, o aumento da taxa de produção foi compensado pelo baixo teor minério. A produção anual diminuiu devido ao baixo teor minério, parcialmente compensado por uma melhor recuperação devido às otimizações na mina", explica a empresa no documento.

Kinross mantém sua meta de produzir 500.000 onças de ouro em Tasiast em 2025, um volume inferior às 622.394 onças produzidas em 2024. Até agora, o impacto da queda na produção nos lucros da mina ainda precisa ser avaliado, em um contexto em que o preço do ouro já aumentou cerca de 50% desde o início do ano. Ao contrário de outras empresas de mineração ativas na África, a Kinross não detalha os lucros gerados pela venda de ouro de cada uma das suas minas.

Cabe ressaltar que Tasiast representa uma das principais fontes de receita da mineração na Mauritânia. Ela representou, em média, quase 27% da contribuição do setor extrativo para a economia do país nos últimos três anos, de acordo com o relatório de 2024 da ITIE-Mauritânia.

Aurel Sèdjro Houenou


 

A Companhia Nacional Líbia de Petróleo (NOC) anunciou nova descoberta de óleo e gás na prolífica bacia de Ghadamès.
Produção diária do poço é estimada em cerca de 4.675 barris de petróleo bruto e aproximadamente 2 milhões de pés cúbicos de gás.

A bacia de Ghadamès é considerada uma das zonas petrolíferas onshore mais produtivas do território líbio. Mesmo ainda sendo majoritariamente inexplorada, a companhia petrolífera estatal líbia e o grupo argelino Sonatrach descobriram vários campos de petróleo lá.

A Companhia Nacional Líbia de Petróleo (NOC) anunciou em um comunicado publicado na terça-feira, 4 de novembro, uma descoberta de petróleo e gás na bacia de Ghadamès, uma região localizada no noroeste do país, perto da fronteira com a Argélia e considerada pelos especialistas como uma das zonas petrolíferas onshore mais produtivas na Líbia.

Essa descoberta foi feita pela Arabian Gulf Oil Company (AGOCO), uma subsidiária da companhia estatal, no poço H1-NC4. "A produção diária do poço é estimada em cerca de 4675 barris de petróleo bruto por dia (b/j), além de cerca de 2 milhões de pés cúbicos de gás", revelou a NOC, observando que detém 100% do projeto.

A empresa também anunciou em 23 de outubro a retomada das perfurações de exploração de hidrocarbonetos na bacia de Ghadamès pelo grupo petrolífero argelino Sonatrach. As perfurações foram interrompidas em maio de 2014 devido à instabilidade da situação de segurança na época. Em fevereiro de 2013, o Ministério líbio do Petróleo e Gás relatou uma descoberta de hidrocarbonetos no campo operado pela Sonatrach na bacia, estudos iniciais revelaram que o campo poderia produzir 8200 barris de petróleo bruto e 1700 m3 de gás natural por dia.

Em maio de 2023, a NOC também anunciou a descoberta de um campo de petróleo no bloco 4/82, que detém 89,5%, contra 10,5% da companhia petrolífera russa Tatneft. A Líbia possui as maiores reservas de petróleo comprovadas na África (48 bilhões de barris), mas sua produção de petróleo bruto foi amplamente perturbada pela instabilidade política e de segurança após a queda do regime de Muammar Gaddafi em 2011.

Atualmente, este país do Norte da África tem duas autoridades rivais: o governo de unidade nacional (GUN) líbio baseado em Trípoli e reconhecido pela ONU, e um executivo paralelo baseado em Benghazi e leal ao líder de guerra Khalifa Haftar, que controla grande parte do território. O governo de Trípoli adotou no início de 2025 um plano de recuperação do setor de hidrocarbonetos, apoiado por investimentos avaliados entre 3 e 4 bilhões de USD. Nesse contexto, o país lançou seu primeiro edital para exploração de petróleo em 17 anos, uma iniciativa vista pelos analistas como um sinal de reabertura aos investimentos estrangeiros.

Walid Kéfi

 

A Kore Potash está buscando financiamento para o projeto da mina Kola, que visa produzir 2,2 milhões de toneladas de potássio por ano durante uma vida útil de 23 anos.
Apresentadas novas propostas de parceria para o desenvolvimento da mina, após um acordo anterior não vinculativo de financiamento com o fundo suíço de investimento OWI-RAMS.

Com o projeto Kola, a Kore Potash tem a ambição de construir uma mina capaz de produzir 2,2 milhões de toneladas de potássio por ano durante uma vida útil de 23 anos. Apesar da construção estar prevista para iniciar no início de 2026, a empresa ainda busca levantar os fundos necessários.

Em nota publicada na terça-feira, 4 de novembro, a Kore Potash anunciou o lançamento de um processo de venda formal, após ser solicitada por novos parceiros para o desenvolvimento de seu projeto de potássio Kola na República do Congo.

Este desenvolvimento ocorre alguns meses após assinarem um memorando de entendimento não vinculativo com o fundo de investimento suíço OWI-RAMS para o financiamento da mina. Concluído em junho passado, a previsão era que OWI-RAMS mobilizasse 2,2 bilhões de dólares para a construção de Kola.

Apesar de uma due diligence ter sido anunciada como parte da transação, a Kore afirma que sempre priorizou uma associação com um "parceiro estratégico com experiência relevante na extração e no tratamento de potássio". Isso levou ao interesse de dois novos parceiros, segundo a empresa.

Kore especificou que as partes interessadas são "atores do setor de potássio", embora não tenha revelado suas identidades. Eles teriam apresentado propostas de participação na Kore, ou talvez uma possível aquisição. Essas solicitações estão atualmente sendo avaliadas pelo conselho da empresa, no entanto, a conclusão de uma venda ou investimento ainda está incerta.

A Kore não deu atualizações a respeito do acordo com a OWI-RAMS, mas mencionou que poderia recorrer a financiamento por ações e por empréstimos para desenvolver Kola, caso as novas propostas não se concretizem. Ressaltando, Kola tem o potencial de produzir 2,2 milhões de toneladas de potássio por ano durante uma vida útil de 23 anos, com base num investimento inicial de 2,07 bilhões de dólares. O efetivo desenvolvimento criaria uma nova fonte de receita para o governo congolês.

De acordo com o acordo de mineração assinado com a Kore Potash em 2018, Brazzaville deveria obter uma participação de 10% no capital da mina, além de uma taxa de royalties de 3% sobre o valor de mercado de sua produção.

Aurel Sèdjro Houenou

 

 

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