O Quénia é o maior consumidor de açúcar da África Oriental. No entanto, a produção no país ainda não consegue acompanhar o ritmo de crescimento das necessidades.
No Quénia, a abertura anunciada do mercado de açúcar aos países da Comunidade do Mercado Comum da África Austral e Oriental (COMESA) ainda enfrenta dificuldades para se concretizar. Este é o diagnóstico sem rodeios feito pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no seu último relatório sobre a indústria na primeira economia da África Oriental, publicado no início do mês.
Uma transição difícil
Final de novembro de 2025: o Quénia põe fim ao regime especial de proteção que até então lhe permitia limitar as importações do produto proveniente dos países vizinhos. Este movimento marcava o fim de 24 anos de isenções negociadas e obtidas com base no artigo 61 do tratado que estabelece o COMESA.
Este artigo estipula que, "no caso de uma perturbação séria da economia de um país, o Estado membro em questão pode, após informar o Secretário-Geral e os outros Estados membros, tomar as medidas de salvaguarda necessárias". Embora esta decisão tenha sido saudada pelo Conselho do Açúcar (KSB), que a considera o "conclusão de um ciclo de reformas", o USDA aponta para uma realidade mais contrastada.
De fato, o governo queniano ainda mantém o controlo sobre os volumes importados através da emissão de licenças de importação, embora, em teoria, as compras não devam mais estar sujeitas a quotas.
Além disso, a agência americana sublinha que o governo continua a solicitar uma isenção no quadro do protocolo aduaneiro da Comunidade da África Oriental (CAE), que lhe permite importar açúcar fora da sub-região a uma tarifa inferior à taxa normal de 100%.
"Até 30 de junho de 2026, o Quénia aplica uma janela de isenção tarifária aprovada pela CAE para o açúcar destinado à indústria. Nesse contexto, dez empresas de bebidas e confeitaria foram autorizadas a importar um total de 208.600 toneladas com uma tarifa reduzida de 10%", explica o relatório.
Apesar dessas limitações, o Quénia continua a ser um mercado atrativo para os fornecedores regionais. A Maurícia é, assim, o maior exportador para o país, com 74.763 toneladas em 2024/2025, seguida pelo Uganda (62.760 toneladas), de acordo com os dados do TradeMap.
Na principal economia da África Oriental, o consumo de açúcar ultrapassa o milhão de toneladas anualmente, enquanto a produção ronda as 600.000 toneladas.
Esaïe Edoh
Face aos desafios crescentes da segurança alimentar na África Ocidental, a CEDEAO intensifica as suas intervenções agrícolas. O impacto real no terreno ainda precisa de ser avaliado.
Na capital togolesa, os comités regionais de acompanhamento dos projetos e programas da política agrícola da CEDEAO (ECOWAP) iniciaram, na segunda-feira, 20 de abril, um encontro de quatro dias dedicado à avaliação das suas intervenções para o ano de 2025. Esta reunião visa também definir as orientações estratégicas para o ano de 2026.
Concretamente, os participantes fazem uma revisão dos progressos alcançados, identificam os obstáculos encontrados e formulam recomendações com o objetivo de melhorar a eficácia da ação pública e da parceria no setor agrícola. Os trabalhos também se concentram na análise das causas e consequências das crises no Sahel, bem como nas políticas de soberania alimentar, num contexto marcado pela vontade de reduzir a dependência dos mercados extra-regionais.
No total, cerca de uma vintena de projetos e programas implementados nos países da Comunidade serão submetidos à avaliação. Estas iniciativas abrangem, nomeadamente, a melhoria da produção e da produtividade agrícola, o desenvolvimento dos recursos animais e pesqueiros, a promoção das cadeias de valor e do mercado regional, bem como o fortalecimento da competitividade dos produtos agroalimentares. Também se focam na resiliência, segurança e soberania alimentar e nutricional, sem esquecer os mecanismos de financiamento, a governação e a gestão do setor agrícola.
Segundo os primeiros balanços, vários desafios persistem, incluindo as crises de segurança e os choques económicos que agravam a insegurança alimentar na região, afetando cerca de 40 milhões de pessoas. Face a essa situação, a Comissão da CEDEAO anuncia para o ano de 2026 respostas mais coletivas, coordenadas e resolutamente regionais.
Por sua vez, o Togo destacará os esforços feitos pelo governo para modernizar o setor agrícola, com resultados considerados notáveis, como é o caso da produção de cereais.
Esaïe Edoh
A melhoria da gestão do risco é um dos principais motores do desempenho do Société Ivoirienne de Banque. O custo do risco recuou 30%, estabelecendo-se em 6,2 milhões de dólares, refletindo, segundo o banco, uma política de crédito mais rigorosa e um acompanhamento mais intensivo dos compromissos.
A Société Ivoirienne de Banque (SIB), subsidiária do grupo marroquino Attijariwafa Bank, registou em 2025 um lucro líquido de 56 mil milhões de FCFA (100 milhões de dólares), contra 50,5 mil milhões de FCFA no ano anterior, ou seja, um aumento de 11%, segundo o relatório anual da instituição.
Maior controlo do risco
Esta dinâmica baseia-se, em particular, numa melhoria da gestão do risco. De facto, o custo do risco caiu 30%, situando-se em 3,6 mil milhões de FCFA, o que, segundo o banco, reflete uma política de crédito mais prudente e um acompanhamento reforçado dos compromissos. Em outras palavras, a instituição constituiu menos provisões do que em 2024 para se proteger contra eventuais inadimplências nos créditos concedidos. Esta evolução ajudou a sustentar o resultado operacional, que subiu 10%, alcançando 63,1 mil milhões de FCFA.
Simultaneamente, o produto bancário líquido (PNB) cresceu 6%, atingindo 109 mil milhões de FCFA, impulsionado pela margem líquida de juros e pelo aumento das comissões e receitas de mercado.
Fundamentos financeiros sólidos
O total do balanço ascendia a 1.882 mil milhões de FCFA em 2025, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. No lado dos recursos, os depósitos dos clientes aumentaram 7%, totalizando 1.503 mil milhões de FCFA, enquanto os capitais próprios alcançaram 204,8 mil milhões de FCFA (+9%). O rácio de solvência manteve-se superior a 14%, acima dos requisitos regulamentares. Os saldos de empréstimos aumentaram 11%, alcançando 1.227 mil milhões de FCFA.
Com estes resultados, a administração prevê propor à próxima assembleia-geral ordinária a distribuição de um dividendo bruto de 425 FCFA por ação, correspondente a um rendimento de 7,39% com base no preço de fecho a 31 de dezembro de 2025. Este valor representa um aumento em relação aos 375 FCFA propostos no ano anterior.
Perspectivas para 2026
Para 2026, o banco planeia beneficiar de uma taxa de crescimento económico da Costa do Marfim estimada em 6,3% para continuar a modernizar os seus serviços e reforçar a sua governação. Esta ambição faz parte do plano estratégico "Impulsion 2028", que visa criar valor sustentável face às mudanças do setor.
Sandrine Gaingne
Após dez anos de reformas, a agricultura beninense apresenta-se como um pilar da transformação económica. A eleição de Romuald Wadagni abre uma nova fase, com ambições industriais, num contexto mundial de tensões sobre os insumos e as cadeias de abastecimento.
Sob a governação de Patrice Talon, a agricultura beninense passou por uma transformação estrutural profunda. Impulsionada pelo Programa de Ação do Governo (PAG 2016-2021 e PAG 2021-2026) e pelo Plano Estratégico de Desenvolvimento do Setor Agrícola (PSDSA), esta política colocou a modernização do setor no centro das prioridades públicas.
Os investimentos foram particularmente marcados na mecanização e na irrigação. As áreas irrigadas foram multiplicadas por mais de quatro, passando de 6200 hectares em 2016 para mais de 26 000 hectares em 2025, enquanto a difusão de equipamentos agrícolas subsidiados ocorreu em grande escala, de acordo com os dados oficiais.
Simultaneamente, o Estado estruturou as cadeias agrícolas em torno de treze cadeias de valor prioritárias e reforçou as interprofissões. Instituições dedicadas, como a Sociedade Nacional de Mecanização Agrícola (SoNaMa) ou a Sociedade Beninense de Arranjos Agrícolas (SoBAA), foram criadas para apoiar esta transformação.
Desempenhos reconhecidos a nível regional
Os resultados destas reformas traduzem-se num aumento significativo dos indicadores agrícolas. O setor representa cerca de 26,3% do PIB, com um nível de investimento público superior a 10% das despesas do Estado, conforme os compromissos da União Africana (UA).
A nível continental, o Benim destacou-se no âmbito do Programa Detalhado de Desenvolvimento da Agricultura em África, classificando-se em primeiro lugar na CEDEAO e em quinto lugar em África, com uma pontuação de 7,15 na avaliação da Declaração de Malabo.
Os desempenhos produtivos refletem este fortalecimento. A produção de arroz passou de cerca de 200 000 toneladas antes de 2016 para mais de 600 000 toneladas, contribuindo para reduzir a dependência das importações. A soja teve uma rápida expansão, com uma produção atingindo 650 000 toneladas em 2024, contra cerca de 140 000 toneladas em 2015. O algodão, pilar histórico da economia nacional, continua a ser a principal cultura de exportação. O país tornou-se o maior produtor africano de algodão em caroço, com mais de 637 000 toneladas na campanha de 2024-2025. A cadeia do caju também continua a sua progressão, com uma produção estimada em 225 000 toneladas e um desenvolvimento crescente da transformação local, especialmente na Zona Industrial de Glo-Djigbé (GDIZ).
Além das culturas vegetais, as produções animais também progrediram, com um aumento estimado de 86% para a carne, 63% para os ovos e 77% para a produção pesqueira.
Impacto socioeconómico tangível, mas contrastado
A dinâmica agrícola gerou mais de 300 000 empregos desde 2016 e contribuiu para o aumento da renda agrícola, com ganhos diferenciados de acordo com o tamanho das explorações. O desenvolvimento dos mecanismos de financiamento, nomeadamente através do Fundo Nacional de Desenvolvimento Agrícola, facilitou o acesso aos insumos e aos equipamentos.
"O Benim poderia gerar até 6 mil milhões de dólares em receita por valor acrescentado, com um valor de mercado total estimado entre 12 e 16 mil milhões de dólares para a cadeia do algodão, para mais de 250 000 empregos apenas no setor têxtil", segundo as estimativas governamentais.
No entanto, esses avanços são acompanhados de limitações estruturais. Segundo o Banco Mundial, o setor enfrenta várias restrições estruturais: falta de insumos agrícolas, fracos sistemas de irrigação, rendimentos limitados e forte dependência de algumas culturas de exportação como o algodão, o ananás, a soja ou a noz de caju.
Essa vulnerabilidade foi acentuada pelos imprevistos climáticos, nomeadamente as inundações de 2010, que afetaram 55 dos 77 municípios do país e destruíram cerca de 40% das colheitas, colocando muitas famílias agrícolas numa situação crítica.
O acesso ao financiamento também continua limitado para parte dos pequenos produtores, apesar dos mecanismos implementados. Além disso, a transformação local ainda é insuficiente, uma vez que uma grande parte dos produtos agrícolas é exportada em estado bruto.
"A maior parte da colheita era vendida não transformada, limitando assim, para as comunidades locais, as possibilidades de rendimentos adicionais e de empregos relacionados com a transformação e valorização dos seus produtos", sublinhou a instituição.
Apesar de uma melhoria global, persistem focos de insegurança alimentar. Segundo a FAO, cerca de 398 000 pessoas no Benim estarão em situação de insegurança alimentar aguda entre março e maio de 2025, de acordo com a última análise do Quadro Harmonizado. Este número está em aumento em relação ao mesmo período de 2024, quando cerca de 364 000 pessoas necessitavam de ajuda humanitária. No entanto, esse agravamento aparente é atribuído a "problemas metodológicos", mais do que a uma deterioração real da situação.
Uma nova fase num contexto internacional tenso
A eleição de Romuald Wadagni para a liderança do país insere-se numa lógica de continuidade, ao mesmo tempo que marca uma inflexão para uma maior industrialização do setor agrícola. O seu programa foca-se na mecanização, na irrigação e na soberania alimentar, visando também a transformação local dos produtos agrícolas provenientes de cadeias estratégicas como o algodão, o caju e o ananás.
Nesta perspetiva, o novo presidente pretende melhorar o acesso ao financiamento para os produtores, reforçar as capacidades do Fundo Nacional de Desenvolvimento Agrícola e introduzir inovações como a agricultura de precisão, a rastreabilidade dos produtos e novas ferramentas de monitorização das culturas. O programa inclui também a implementação de um sistema de proteção social para os agricultores e o desenvolvimento da pesquisa, nomeadamente através de um centro dedicado à melhoria genética e à produção animal.
Desafios amplificados pelo contexto internacional
O novo presidente terá, no entanto, que lidar com um ambiente económico e geopolítico mais exigente. As tensões internacionais pesam sobre as cadeias de abastecimento, especialmente para os fertilizantes, cujos preços aumentaram consideravelmente.
Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o preço da ureia subiu mais de 35% entre fevereiro e março de 2026, refletindo as perturbações causadas pelos conflitos e pelas restrições logísticas globais. A dependência do Benim das importações de insumos expõe assim o setor agrícola a riscos de aumento dos custos de produção e de pressão sobre os preços alimentares.
No final da década Talon, o Benim dispõe de um setor agrícola modernizado e melhor estruturado, tornando-se um fator central de crescimento económico. O desafio de Romuald Wadagni será agora duplo: consolidar os progressos feitos e adaptar o modelo agrícola às novas restrições climáticas e geopolíticas.
Num contexto de volatilidade dos mercados e de pressões sobre a segurança alimentar, a capacidade do país para desenvolver uma agricultura mais resiliente, mais inclusiva e mais orientada para a transformação local será determinante para apoiar de forma sustentável a sua trajetória de crescimento.
Charlène N’dimon
Em um ambiente marcado por uma base fiscal limitada e grandes necessidades de financiamento das políticas públicas, o Togo ainda enfrenta dificuldades para aumentar suas receitas fiscais.
No Togo, a pressão fiscal (a parte da riqueza produzida que é arrecadada pelo Estado sob a forma de impostos e taxas) está estimada em 13,1% do PIB em 2025, um nível bem abaixo da norma comunitária fixada em 20%. Esta informação foi compartilhada enquanto o país iniciou os trabalhos de estruturação orçamental a médio prazo (CBMT) para o período de 2027-2029. O exercício visa reforçar o planejamento das finanças públicas, projetando a evolução das receitas, despesas, déficit e dívida para os próximos três anos.
"Ao contrário do orçamento anual, que fixa as alocações para um único exercício, o CBMT oferece uma visão estratégica e garante uma coerência intertemporal entre nossas políticas públicas e os recursos financeiros disponíveis para enfrentá-las", afirmou Akou Mawussé Afidenyigba, Diretora do Gabinete do Ministério das Finanças e do Orçamento, e representante do Ministro das Finanças e do Orçamento. "Concretamente, ele constitui uma ferramenta de apoio à decisão, permitindo simular as trajetórias da dívida e do déficit sob diversas hipóteses, determinar os níveis de investimento público compatíveis com a sustentabilidade orçamental e identificar as áreas estratégicas necessárias para a implementação de nossas prioridades de desenvolvimento, incluindo aquelas inscritas no roteiro 2026-2031."
Aumentar os recursos
Embora o país conte com uma previsão de crescimento económico de 6,2% em 2025 e uma inflação controlada em 0,4%, as margens orçamentárias permanecem limitadas, principalmente devido ao serviço da dívida, que representa um desafio para a capacidade de investimento público.
Nesse contexto, as autoridades identificam vários meios para aumentar os recursos. Em primeiro lugar, a ampliação da base fiscal, mobilizando novas fontes de receita sem aumentar os impostos, e a digitalização das administrações devem permitir melhorar a arrecadação. Paralelamente, o controle das despesas, especialmente as de pessoal (cerca de 7% do PIB), é visto como outro desafio para evitar uma rigidez orçamentária.
No país da África Ocidental, os investimentos públicos permanecem em torno de 6,6% do PIB, ou cerca de 458 bilhões de francos CFA. O desafio consiste em direcionar esses recursos para projetos de grande impacto económico, capazes de sustentar o crescimento e o emprego.
Frente a um ambiente internacional marcado por tensões e uma contração da ajuda externa, o Togo busca preservar sua credibilidade macroeconômica, o que passa, entre outras coisas, pela melhoria da arrecadação fiscal, dando continuidade aos esforços já em curso. No país, a mobilização de receitas fiscais registrou um crescimento contínuo nos últimos anos, impulsionada pelos resultados do Escritório Togolês de Arrecadação (OTR).
Em 2023, as receitas fiscais e aduaneiras atingiram 990,1 bilhões de CFA, um aumento de 14,5% em relação ao ano anterior e superando as previsões. A dinâmica se confirmou em 2024, com 1.098 bilhões de CFA mobilizados, superando pela primeira vez o limite de 1.000 bilhões.
Estruturar a ação pública
Globalmente, a estruturação orçamental para o horizonte de 2029 repousa em três prioridades: primeiro, a segurança e a estabilidade, com o fortalecimento das capacidades de defesa e das redes de proteção social. Em seguida, a coesão nacional, através da descentralização e redução das desigualdades. Por fim, a transformação económica, com investimentos direcionados para infraestruturas, agricultura, logística e digitalização.
As autoridades também planejam impor uma seleção "rígida" dos projetos, com investimentos que deverão ser incluídos no programa de 2027-2029, desde que acompanhados por estudos técnicos sólidos e com financiamento identificado, segundo o Ministério responsável pelo orçamento.
R.E.D.
A Dangote Sugar Refinery, o maior refinador de açúcar da Nigéria, prevê angariar 485,8 mil milhões de nairas (aproximadamente 360 milhões de dólares) através de uma emissão de direitos, destinada a reforçar o seu capital e apoiar os seus investimentos, anunciou a empresa do empresário Aliko Dangote (foto) na terça-feira, 21 de abril.
A operação, sujeita à aprovação da Nigerian Exchange Limited, envolverá 8.097.918.827 novas ações ordinárias ao preço de 60 nairas por ação. O grupo especifica que os acionistas registados até 20 de abril de 2026 terão direito a duas novas ações para cada lote de três ações detidas.
A operação está a ser conduzida por vários intermediários financeiros, incluindo Meristem Stockbrokers Limited, Stanbic IBTC Stockbrokers Limited e Vetiva Securities Limited.
Através desta angariação de fundos, o grupo pretende reforçar os seus fundos próprios, reduzir o seu nível de endividamento e financiar os seus investimentos, nomeadamente no âmbito do seu plano de expansão agrícola e de transformação local do açúcar na Nigéria.
A longo prazo, o objetivo é atingir 1,5 milhões de toneladas de açúcar refinado por ano, com um aumento das suas capacidades de produção e moagem. De acordo com um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, publicado em 2024, a Nigéria possui mais de 800.000 hectares potencialmente adequados para o cultivo de cana-de-açúcar, mas atualmente apenas cerca de 16% estão a ser explorados.
Ao desenvolver a produção local, a Dangote Sugar procura reduzir a dependência do país das importações de açúcar bruto e a sua exposição à necessidade de divisas estrangeiras, que são responsáveis por uma parte das perdas recentes registadas.
Neste momento, o país continua altamente dependente das importações para satisfazer a procura interna. Segundo o National Bureau of Statistics, as importações de açúcar atingiram cerca de 915 mil milhões de nairas em 2024.
Esta operação, aprovada pelos acionistas durante a 20ª assembleia-geral anual, ocorre numa altura em que o grupo mostra sinais de estabilização. Em 2025, a perda líquida foi reduzida para 64,1 mil milhões de nairas, contra 192,6 mil milhões em 2024. O volume de negócios, por sua vez, cresceu 24,5%, alcançando 829,2 mil milhões de nairas, com uma atividade ainda dominada pelas vendas de açúcar em sacos de 50 kg, que geram mais de 97% das receitas.
Sandrine Gaingne
Graças a este financiamento concedido por 5 anos, a Africa Finance Corporation continua a sua estratégia de mobilização de capitais, apoiando-se em parceiros asiáticos para apoiar as suas intervenções nas infraestruturas em África.
A Africa Finance Corporation (AFC) anunciou, na segunda-feira, 20 de abril, a finalização de um empréstimo de 100 milhões de dólares, com uma duração de cinco anos, junto do Export-Import Bank of India.
Este financiamento visa apoiar as atividades da instituição no desenvolvimento de infraestruturas e ativos industriais no continente africano. O Export-Import Bank of India, criado em 1982 por uma lei do Parlamento indiano, intervém na coordenação das operações relacionadas com o financiamento do comércio exterior.
Este novo financiamento insere-se numa relação estabelecida entre as duas instituições. Em 2021, o banco tinha concedido 100 milhões de dólares à AFC, com um prazo de dez anos. Esta operação visava apoiar os projetos de infraestruturas num contexto marcado pelos efeitos económicos da pandemia de covid-19. A continuidade destes compromissos reflete a vontade de manter um apoio financeiro aos projetos estruturantes em África.
Esta operação também faz parte de uma estratégia de acesso a financiamentos provenientes dos mercados asiáticos. No final de novembro de 2019, os investimentos de países como a China, Hong Kong, Singapura, Malásia e Taiwan representavam cerca de 1,2 mil milhões de dólares na AFC.
Em setembro de 2023, a AFC obteve um financiamento de 300 milhões de dólares junto do Export-Import Bank of China. Em 2022, havia mobilizado 389 milhões de dólares no mercado japonês através de uma emissão obrigacionista.
Criada em 2007, a AFC reúne 48 países membros. Afirma ter investido mais de 18,5 mil milhões de dólares em 36 países africanos. A sua intervenção baseia-se no financiamento e na estruturação de projetos relacionados com infraestruturas e indústria, num contexto de grandes necessidades de investimento no continente.
Chamberline Moko
Entre os países beneficiários encontram-se a República Centro-Africana, o Chade, a Mauritânia e a Nigéria. Este financiamento dará prioridade à proteção das populações, à ajuda alimentar, aos serviços de saúde e nutrição, assim como à educação em emergências.
A União Europeia (UE) anunciou um financiamento de 235 milhões de euros (275 milhões de dólares) em ajuda humanitária para as populações mais vulneráveis de vários países da África Central e Ocidental, segundo um comunicado publicado na quarta-feira, 22 de abril.
Este financiamento ajudará as pessoas afetadas pelos conflitos e pelas crises alimentares atuais, os deslocados forçados, as comunidades anfitriãs, bem como as populações de difícil acesso.
Distribuição direcionada por país
A região central do Sahel receberá a maior parte do financiamento, estimada em 75 milhões de euros, destinada a fornecer uma resposta de emergência vital às áreas afetadas pelos conflitos e de difícil acesso.
72 milhões de euros serão atribuídos ao Chade para garantir os serviços essenciais para responder às necessidades das pessoas deslocadas nas províncias de leste, do Lago e de Hadjer-Lamis, e apoiar tanto as populações recém-deslocadas como as comunidades anfitriãs.
A Nigéria receberá 33 milhões de euros, dedicados a ações que visam as regiões do nordeste e do noroeste do país. A República Centro-Africana, por sua vez, receberá uma verba de 22 milhões de euros, e o Camarões 16,6 milhões.
A Mauritânia receberá 4,8 milhões de euros, para manter a resposta de emergência, destinada principalmente aos refugiados malianos, aos repatriados mauritanos e às comunidades anfitriãs vulneráveis, particularmente através de ajuda alimentar.
Além disso, «nos países costeiros, mais de 6 milhões de euros serão alocados para a ajuda de emergência, assistência alimentar, serviços de saúde, proteção e coordenação nas áreas mais afetadas pela insegurança e pelos deslocamentos populacionais», destaca o comunicado. É também indicado que um montante adicional de 6,4 milhões de euros apoiará projetos com alcance regional.
Necessidades humanitárias em forte aumento
As necessidades humanitárias estão a aumentar em vários países da África Central e Ocidental, que enfrentam crises complexas relacionadas com os conflitos, a instabilidade política e os efeitos nefastos das mudanças climáticas.
Em 2025, o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) estima que 14 milhões de pessoas estejam deslocadas à força nas duas sub-regiões, principalmente devido aos movimentos internos de população no Sahel Central - epicentro das crises, juntamente com a região do Lago Tchad, segundo a UE - e ao conflito em curso no Sudão, que provocou um fluxo maciço de deslocados para o Chade.
Para 2026, a ONU solicita 5,1 mil milhões de dólares para ajudar 24 milhões de pessoas entre as mais vulneráveis na África Central e Ocidental.
Lydie Mobio
Burkina Faso validou uma estratégia nacional de governança das fronteiras para o período de 2026 a 2030, conforme informado em um comunicado do Ministério da Administração Territorial publicado na terça-feira, 21 de abril. Este plano visa restabelecer o controle do Estado sobre as áreas fronteiriças, fortalecer a segurança das populações locais e promover um desenvolvimento mais equilibrado nas zonas afetadas pela crise de segurança e humanitária persistente.
Integração das Fronteiras Aéreas e Cooperação Regional
A nova estratégia incorpora as fronteiras aéreas ao dispositivo nacional, alinhando-se com a dinâmica da Aliança dos Estados do Sahel (AES), que reforça a coordenação de segurança na região. A estratégia adota uma abordagem combinada, unindo segurança e desenvolvimento, com foco especial nas populações das áreas fronteiriças.
O plano também leva em consideração a dimensão geopolítica regional, promovendo a mutualização de recursos e o fortalecimento da coordenação entre as forças de defesa e segurança, com o objetivo de melhorar a interoperabilidade e a vigilância, incluindo no espaço aéreo.
Quatro Eixos Estruturantes
A implementação dessa estratégia está baseada em quatro eixos principais:
Controle e segurança das fronteiras territoriais: Garantir o controle efetivo das fronteiras e fortalecer a vigilância para prevenir ameaças externas.
Desenvolvimento socioeconômico das zonas fronteiriças: Melhorar as condições de vida e promover o crescimento econômico nas regiões fronteiriças.
Gestão sustentável dos recursos naturais e coesão social: Proteger os recursos naturais enquanto fortalece a solidariedade e a paz social nas zonas afetadas.
Fortalecimento da governança e da cooperação: Melhorar a governança local e promover a colaboração com os países vizinhos para uma abordagem integrada de segurança.
Impactos Esperados
Segundo Fidèle GOUEM, secretário permanente da Comissão Nacional das Fronteiras, os principais impactos esperados dessa estratégia são uma melhora significativa da segurança nas áreas fronteiriças e uma redução da vulnerabilidade das populações locais. A implementação dessa estratégia visa uma maior proteção das comunidades e diminuição da ameaça terrorista nas regiões limítrofes.
Contexto de Crise
Esta estratégia se insere em um contexto de segurança particularmente desafiador, com o país enfrentando uma crescente onda de ataques terroristas. De acordo com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), cerca de 4,5 milhões de pessoas precisarão de assistência humanitária em 2026 no Burkina Faso, evidenciando a magnitude dos desafios que o país está enfrentando.
Essa iniciativa segue as reformas iniciadas em 2024 para reestruturar a gestão das fronteiras e visa melhorar a segurança e a governança no país, além de promover um desenvolvimento mais equilibrado nas áreas mais afetadas pela instabilidade.
Ingrid Haffiny
Privados de certidão de nascimento, muitos malgaxes não têm acesso a direitos essenciais como o cartão de identidade ou aos serviços públicos, em um contexto de preparação para as próximas eleições.
A Assembleia Nacional de Madagascar aprovou na terça-feira, 21 de abril, um projeto de lei sobre o registro especial de nascimentos, integrado ao programa de recenseamento biométrico em massa. Esta reforma tem como objetivo fortalecer o sistema de registro civil e melhorar a identificação dos cidadãos.
O texto prevê a criação de um mecanismo específico para as pessoas com 18 anos ou mais que não possuam certidão de nascimento. Sem limitação de prazo até o encerramento do programa biométrico nacional, este dispositivo combina a coleta de dados biométricos e a regularização de nascimentos não registrados dentro dos prazos legais, com o intuito de emitir certidões de nascimento juridicamente reconhecidas.
Deputados
Do ponto de vista operacional, o dispositivo prevê a participação das autoridades locais, especialmente os chefes de fokontany (unidades administrativas locais), na verificação das informações fornecidas, bem como o uso de testemunhas para apoiar as declarações. O texto também prevê sanções em caso de falsas declarações, enquanto o sistema digital será fortalecido para reduzir duplicações e melhorar a confiabilidade do registro.
Este projeto de lei surge em um contexto marcado pela preparação para as próximas eleições e pela necessidade de ter registros civis confiáveis, a fim de garantir uma melhor segurança na identificação dos cidadãos e melhorar a qualidade dos dados administrativos para uma gestão pública mais eficiente.
De acordo com as autoridades, este registro especial não implica na atribuição automática da nacionalidade, mas sim numa medida de regularização da identidade legal dentro do programa biométrico nacional.
Ingrid Haffiny