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Equipe Publication

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No início deste ano, o Malawi implementou a gratuidade do ensino secundário no âmbito da sua Visão 2063. Para garantir a eficácia dessa medida, as autoridades procuram resolver um grande obstáculo à escolarização: a distância das escolas, que é especialmente difícil para os alunos das zonas rurais.

O governo do Malawi assinou, na quarta-feira, 25 de fevereiro, em Lilongwe, um protocolo de acordo oficial com a ONG World Bicycle Relief para facilitar o acesso ao ensino secundário, através da distribuição de bicicletas para os alunos. De acordo com o comunicado do Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia, essa parceria visa reduzir os obstáculos logísticos que prejudicam a assiduidade escolar, particularmente para as meninas que enfrentam longos trajetos diários.

O Ministro Bright Msaka explicou que o governo valoriza as parcerias na implementação desta política, acrescentando que as bicicletas ajudarão os alunos, especialmente as meninas, a superar as longas distâncias, o que afeta frequentemente a sua presença nas aulas. Ele destacou que esta é uma forma concreta de melhorar o acesso, a pontualidade, a motivação e de preservar a dignidade dos estudantes.

A World Bicycle Relief, que está ativa no Malawi há nove anos, afirma já ter distribuído mais de 100.000 bicicletas no país, das quais 35.000 em colaboração com o Ministério da Educação. O diretor-geral da organização, Dave Neiswander, sublinha que a ONG está a direcionar as suas acções para zonas onde a distância geográfica é um obstáculo significativo à frequência escolar.

Para o secretário de Educação, Ken Ndala, as primeiras fases da gratuidade já provocaram um aumento nas inscrições e ajudaram a reduzir a pressão financeira sobre as famílias. O desafio agora é garantir que esse crescimento seja traduzido em presença regular e manutenção no sistema escolar.

Crescimento das inscrições e obstáculos estruturais persistentes

As últimas estatísticas oficiais mostram a grandeza do desafio que o setor da educação enfrenta. De acordo com o Relatório de Estatísticas de Educação do Malawi 2023/24, as inscrições no ensino secundário chegaram a 538.800 alunos em 2024, contra 485.650 em 2023, ou seja, um aumento de 10,9% em um ano. No entanto, o mesmo relatório aponta que as principais causas de abandono escolar para o ano académico 2023-2024 continuam a ser a pobreza, as responsabilidades familiares e o absentismo repetido.

A geografia do sistema educativo acentua essas limitações. Segundo o relatório EMIS 2023-2024, 79% dos estabelecimentos de ensino secundário estão localizados em zonas rurais, contra 15% em zonas urbanas e 6% em zonas semi-urbanas.

Do ponto de vista das famílias, a distância é um obstáculo claro. Uma análise publicada pela UNICEF no Malawi em 2020 estima que a distância média entre a casa e a escola secundária é de 6,4 km quando a escola está localizada no mesmo distrito, mas pode atingir 36,8 km se estiver fora do distrito. O mesmo documento indica que o tempo de deslocamento a pé varia em média entre 70 e 80 minutos.

Finalmente, uma análise setorial do Banco Mundial, publicada em maio de 2023, confirma que a distância geográfica e a falta de meios de transporte adequados estão entre os principais fatores que impedem o conclusão do ciclo secundário em zonas rurais, juntamente com as limitações económicas. Estes dados justificam a relevância de uma intervenção focada na mobilidade dos alunos.

Félicien Houindo Lokossou

 

Na África, o desdobramento da 5G está a avançar rapidamente, sendo visto como um catalisador para a transformação digital. Em meados de 2025, 48 operadores em 21 países já estavam a oferecer a tecnologia, de acordo com dados da Agência Ecofin.

O governo do Gana tem como meta expandir a cobertura da 5G para 70% da população até março de 2027. Este objetivo foi revelado esta semana, apesar de a tecnologia móvel de quinta geração ainda não ter sido comercializada no país.

A declaração foi feita na quarta-feira por Sam Nartey George, ministro das Comunicações, Tecnologias Digitais e Inovação, durante as celebrações do 30º aniversário da National Communications Authority (NCA), o regulador de telecomunicações nacional. Esta meta simboliza uma fase preparatória para o 70º aniversário da independência do Gana, a ser comemorado em 6 de março de 2027.

Desafios e Investimentos Necessários

George reconheceu que a meta é desafiadora, pois o prazo para alcançar os 70% de cobertura em apenas um ano é apertado. No entanto, expressou confiança na capacidade do regulador para alcançar essa meta. "É uma ambição exigente, mas tenho plena confiança na resiliência e nas competências das equipes que lideram a NCA", afirmou. Para atingir este objetivo, será necessário um desdobramento rápido das redes, expansão das infraestruturas e investimentos significativos em capital.

Segundo uma pesquisa de 2022 realizada pela Ericsson, o custo básico de desdobramento da 5G em um país varia entre 3 e 8 bilhões de dólares. Além disso, a empresa sueca estima que um investimento adicional de 20 a 35% seja necessário para expandir a cobertura da rede.

Abordagem Híbrida para o Desdobramento da 5G

O governo do Gana optou por uma abordagem híbrida para o desdobramento e a exploração da 5G. George afirmou que "a decisão foi tomada para retirar o mandato de exclusividade dado ao único detentor da licença e colocar as frequências disponíveis no mercado através de um processo nacional de licitação concorrencial, permitindo que os operadores de redes liderem o desdobramento da tecnologia 5G."

Essa decisão não anula o modelo atacado em vigor até então, mas oferece várias opções aos operadores do mercado. Agora, os operadores de telecomunicações ganeses poderão adquirir licenças e espectro para desenvolver sua própria rede 5G.

Modelos de Desdobramento e Enfrentando Atrasos

Inicialmente, o Gana optou por uma rede neutra compartilhada, em vez de realizar leilões tradicionais. O objetivo era garantir a disponibilidade rápida e nacional da 5G, incluindo em áreas rurais. Segundo as autoridades, o modelo tradicional de leilões traria o risco de o desdobramento da rede ficar concentrado nas grandes cidades e na capital.

Em maio de 2024, a Next-Gen InfraCo (NGIC), uma empresa de infraestruturas compartilhadas e neutras, foi criada para fornecer as capacidades 5G aos operadores de telecomunicações. Esta empresa recebeu uma licença exclusiva de dez anos.

No entanto, a disponibilidade comercial da 5G foi adiada várias vezes: inicialmente prevista para setembro, depois para dezembro de 2024, e depois para janeiro, maio e finalmente junho de 2025. Embora um evento de lançamento tenha ocorrido em novembro de 2024, a comercialização da 5G para assinantes ainda não foi ativada.

Diante desses atrasos, a NGIC recebeu um ultimato até o final de 2025. A empresa deve desdobrar pelo menos 50 sites 5G em Accra e Kumasi até o final do ano, em comparação com apenas 16 sites em julho, segundo as autoridades. Se o compromisso não for cumprido, o ministério realizará uma revisão imediata e poderá renegociar os termos da licença.

Quando a 5G Comercial Estará Disponível no Gana?

Atualmente, o calendário de disponibilidade comercial da 5G para os cidadãos ganeses permanece incerto. Em uma entrevista à rádio Joy FM, o diretor-geral da NCA, Edmund Yirenkyi Fianko, indicou que a tecnologia será acessível até o final de 2026.

Fianko disse que, segundo as últimas verificações, a NGIC já concluiu o desdobramento da rede na cidade de Accra e está pronta para conectar os operadores de telecomunicações, permitindo que eles forneçam os serviços aos consumidores. Esta etapa é considerada como um pré-requisito essencial para a abertura comercial da 5G no país.

Isaac K. Kassouwi

 

Para reduzir as desigualdades no acesso à internet, a África aposta cada vez mais em redes Wi‑Fi comunitárias. Implantadas a baixo custo em áreas urbanas e rurais, essas redes locais ampliam o acesso ao digital, mas trazem consigo novos desafios econômicos, técnicos e regulatórios.

Na África, o acesso à internet tem avançado, mas permanece profundamente desigual. Segundo a União Internacional de Telecomunicações, cerca de 36% da população africana estava conectada à internet em 2025, contra quase 74% no nível global. Ao mesmo tempo, cerca de 900 milhões de pessoas permanecem offline, principalmente nas zonas rurais. Frente às limitações estruturais das infraestruturas terrestres, um modelo tem se tornado mais relevante: o Wi‑Fi comunitário via satélite. Mais flexível para implantação e menos dependente de redes físicas, ele se apresenta como uma solução capaz de expandir rapidamente a conectividade nas áreas mal atendidas, além de transformar a economia das redes locais.

Um Modelo Comunitário Amplificado pelo Satélite

O Wi‑Fi comunitário baseia-se em uma arquitetura descentralizada, onde uma conexão principal alimenta uma rede local de pontos de acesso compartilhados instalados em um determinado perímetro. Quando ele utiliza uma ligação via satélite, esse modelo ganha uma nova escala. Um único terminal pode cobrir até 200 metros e atender até 40 usuários simultaneamente.

Ao contrário do que é amplamente percebido, o acesso não é normalmente gratuito. Os usuários compram pacotes adaptados às suas necessidades (volume de dados, duração ou nível de serviço) por meio de plataformas locais ou revendedores comunitários. Esse mecanismo permite a cobrança compartilhada da banda larga, ao mesmo tempo em que garante uma base de receitas para a operação da rede.

No plano técnico, uma ligação via satélite compartilhada fornece entre 50 e 100 Mbps de capacidade, com uma latência entre 20 e 50 milissegundos para as constelações em órbita baixa, comparado com mais de 600 milissegundos para satélites geostacionários tradicionais. Uma estação de usuário via satélite custa entre 300 e 600 dólares, sem contar com a assinatura mensal, que pode variar entre 20 e 100 dólares, dependendo do desempenho e dos mercados.

Uma Solução Adaptada às Limitações de Infraestrutura

O principal atrativo do satélite reside em sua capacidade de contornar as limitações das redes terrestres. Em muitas regiões africanas, a expansão da fibra ótica continua sendo cara e complexa: o custo de implantação em áreas rurais pode variar entre 5.000 e 15.000 dólares por quilômetro, dependendo do relevo e das condições de segurança. Nesse contexto, a conectividade via satélite permite uma implantação rápida, independente do relevo, da densidade populacional ou da continuidade das infraestruturas físicas.

Essa dinâmica é fortalecida pela chegada de novos operadores de satélite e pela diversificação dos modelos de distribuição. Fornecedores como Starlink, Eutelsat Group, OneWeb, YahClick, Viasat ou Avanti Communications fornecem atualmente capacidade de satélite utilizada como a espinha dorsal da conectividade local por operadores africanos, ONGs ou integradores técnicos. Atores regionais como Liquid Intelligent Technologies e Paratus Group também estão desenvolvendo modelos híbridos que combinam fibra e satélite para alimentar redes comunitárias.

Nessa configuração, o satélite não substitui as infraestruturas terrestres, mas transforma a economia dessas infraestruturas ao reduzir o custo marginal da expansão da conectividade.

Um Impulsionador da Inclusão Econômica Territorial

A principal vantagem do Wi‑Fi comunitário via satélite é sua capacidade de reduzir o custo real de acesso em áreas onde as alternativas são limitadas. No continente, 1 GB de dados móveis representa em média 2,4% da renda mensal, um nível acima do limite de acessibilidade de 2%. Ao compartilhar a banda larga entre múltiplos usuários, as redes comunitárias podem reduzir esse custo efetivo para menos de 1% da renda mensal em alguns contextos rurais.

Além do acesso individual, essas redes favorecem o surgimento de atividades econômicas digitais locais, sustentam a desmaterialização dos serviços públicos e contribuem para a integração das regiões periféricas na economia digital. A expansão da internet móvel pode gerar até 795 bilhões de dólares de contribuição econômica na África até 2030, caso o acesso continue se expandindo, segundo a GSMA.

Desafios Persistentes de Viabilidade e Regulação

Apesar de seu grande potencial, as redes comunitárias via satélite ainda enfrentam várias limitações estruturais. O custo da capacidade de satélite geralmente é mais alto do que o das infraestruturas terrestres quando estas existem, o que impõe a necessidade de modelos econômicos híbridos, que combinam tarifação local, parcerias institucionais e financiamentos complementares.

Os quadros regulatórios são outro fator determinante: a atribuição de licenças, a gestão do espectro, as exigências de soberania digital e a regulação dos serviços de satélite afetam diretamente a velocidade de expansão dessas soluções. Além disso, a gestão técnica e a manutenção exigem competências especializadas, que ainda são limitadas em várias regiões alvo.

Rumo a um Modelo de Conectividade Mais Adaptável

Durante muito tempo visto como uma solução local frágil, o Wi‑Fi comunitário tem evoluído com a integração do satélite. Ao proporcionar mais flexibilidade na implantação, capacidade e tarifação, a conectividade via satélite permite que as redes comunitárias se tornem infraestruturas digitais adaptáveis às realidades territoriais africanas.

Mais do que uma simples ferramenta de acesso, o satélite agora aparece como um impulsionador da otimização do modelo de conectividade local, capaz de aproximar de forma sustentável a internet das populações e das atividades econômicas ainda afastadas dela.

Samira Njoya

 

Impulsionada pelo dinamismo da sua indústria de ouro, a Costa do Marfim colhe os frutos de uma política mineira considerada favorável aos investimentos. No entanto, o líder da África Ocidental ainda tem de enfrentar o desafio da concorrência continental, onde Botswana e Marrocos mantêm uma vantagem.

Após tê-la cedido ao Gana em 2024, a Costa do Marfim recuperou em 2025 o seu lugar como a jurisdição mineira mais atraente da África Ocidental, segundo o ranking anual do Fraser Institute, publicado na quinta-feira, 26 de fevereiro. O país deve este retorno ao topo a uma pontuação de 60,92/100 no índice de atratividade, um aumento significativo em relação aos 55,70/100 obtidos em 2023, ano em que havia liderado a região.

O ranking do Fraser Institute baseia-se nos resultados de inquéritos realizados, sob a forma de questionários, junto de líderes de empresas mineiras. A pontuação final atribuída a cada jurisdição (68 no total em 2025) considera dois critérios principais: a percepção das políticas mineiras (PPI) e a do potencial mineral nacional. Nestes dois aspectos, a Costa do Marfim obteve melhores resultados do que em 2024, refletindo uma melhoria no seu desempenho global.

Na África Ocidental

O Gana (55,21) e a Guiné (52,16) ocupam, respetivamente, os 2º e 3º lugares. O Mali (46,58) e o Burkina Faso (35,29) completam a lista dos países da África Ocidental incluídos no ranking.

A progressão da Costa do Marfim não é um fenómeno isolado. Ela prolonga uma tendência observada nos últimos anos, num contexto em que o país é frequentemente destacado pela qualidade do seu ambiente de negócios, considerado propício aos investimentos mineiros, especialmente no setor de ouro.

Durante a edição de 2025 do Africa Down Under, Justin Tremain, diretor-geral da Turaco Gold, afirmou que "não há lugar melhor no mundo" do que a Costa do Marfim para desenvolver uma mina de ouro. Uma opinião partilhada por Adam Oehlman, à frente da African Gold, que destacou a rapidez das descobertas no país. Vale ressaltar que ambas as empresas estão ativas no país, nos projetos auríferos Afema e Didievi.

A liderança continental ainda distante…

Embora esses sinais positivos fortaleçam a posição da Costa do Marfim na África Ocidental, o país ainda não é o líder em termos de atratividade mineira na África. A Costa do Marfim ocupa apenas a 5ª posição continental e a 47ª posição mundial. Esta situação segue a tendência dos rankings anteriores, geralmente marcados pela dominação do Botswana e do Marrocos, que ocupam, respetivamente, a 1ª e a 2ª posição em África em 2025. Eles são seguidos pela Zâmbia e pela Tanzânia, que completam o top 5 continental.

Além da sua posição continental, esta edição também permitiu ao Botswana regressar ao top 10 mundial, subindo para a 7ª posição, após estar ausente deste círculo em 2024. De forma mais geral, o panorama continua contrastado para a África, que continua a ser a região com o maior número de jurisdições entre as dez últimas do ranking, com quatro países no total.

A nível mundial, a jurisdição considerada a mais atraente é o estado americano de Nevada.

Embora o ranking anual do Fraser Institute seja amplamente considerado um indicador de referência no setor mineiro, os seus resultados devem ser interpretados com cautela. Eles baseiam-se, de facto, nas perceções de uma amostra limitada de atores do setor e tendem a valorizar políticas favoráveis aos investidores, as quais podem responder a contextos e prioridades específicas de cada jurisdição.

Classificação das jurisdições mineiras mais atrativas em África em 2025

  1. Botswana
  2. Marrocos
  3. Zâmbia
  4. Tanzânia
  5. Costa do Marfim
  6. República Democrática do Congo
  7. Namíbia
  8. Gana
  9. Angola
  10. África do Sul
  11. Guiné
  12. Mali
  13. Egito
  14. Burkina Faso

 

Em 2021, a Société de Ciment du Cameroun assinou um acordo com a Agência de Promoção dos Investimentos. Recentemente, as duas partes concordaram em revisar esse acordo.

A Société de Ciment du Cameroun, filial do Atlantic Group, controlado pelo empresário marfinense Kone Dossongui, assinou no dia 19 de fevereiro de 2026, em Yaoundé, um aditivo ao seu acordo com a Agência de Promoção dos Investimentos (API). O acordo refere-se ao projeto de uma fábrica de cimento em Kribi (região do Sul). Trata-se não de um novo acordo, mas de uma modificação do acordo assinado em 4 de agosto de 2021.

De acordo com Georges Wilson, vice-presidente do Atlantic Group, esse aditivo resulta de uma melhoria nas tecnologias de produção previstas para a fábrica. Essa evolução leva a uma revisão para cima do custo inicial, estimado em mais de 39 bilhões FCFA (aproximadamente 70,1 milhões de USD). Em resumo, o investimento ultrapassará o valor inicialmente anunciado em 2021 para a futura unidade localizada na zona industrial e portuária de Kribi.

O acordo modificado garante isenções fiscais e aduaneiras por períodos que variam de 5 a 10 anos, durante as fases de construção e operação, de acordo com a lei de abril de 2013 sobre incentivos ao investimento privado, revisada em 2017 e 2025.

Cerca de 1.600 empregos diretos e indiretos previstos

Os trabalhos de preparação do terreno de 10 hectares, disponibilizado pelo Porto Autônomo de Kribi (PAK), começaram em 3 de agosto de 2021. Segundo fontes próximas ao processo, a construção da fábrica deverá começar em 2026, com uma duração estimada de 24 meses. Quando concluída, a fábrica terá uma capacidade anual de 1 milhão de toneladas e poderá gerar cerca de 1.600 empregos diretos e indiretos.

Consolidação da presença do Atlantic Group no Camarões

Este projeto fortalece a presença do Atlantic Group no Camarões. O conglomerado já está ativo no setor financeiro por meio do AFG Bank e AFG Assurances (anteriormente Banque Atlantique e Atlantique Assurances), bem como no setor industrial com Atlantic Cocoa.

A entrada em operação dessa unidade elevaria para dez o número de produtores de cimento ativos no país, pouco mais de dez anos após o fim do monopólio da Cimencam (filial do Lafarge Holcim Maroc Afrique – LHMA). Após 48 anos de domínio do mercado, a Cimencam viu sua posição ser desafiada com a chegada da Dangote Cement Cameroun em 2015.

Capacidade de produção em aumento, mas preços ainda elevados

Desde então, vários outros atores investiram no mercado: Cimaf, Medcem, Mira Company, Cimpor, Central Africa Cement, Sinafcam Sarl, Yousheng Cement, além da Société de Ciment du Cameroun. A capacidade de produção nacional agora se aproxima de 12 milhões de toneladas, enquanto a demanda estimada era de 8 milhões de toneladas há alguns anos.

Apesar dessa sobrecapacidade aparente, o preço do saco de cimento de 50 kg permanece elevado, variando entre 5.100 FCFA e 5.300 FCFA em Douala e Yaoundé. Os produtores e o governo justificam esses preços pelos custos de importação do clinker, um componente essencial na fabricação do cimento. O ministro do Comércio, Luc Magloire Mbarga Atangana, menciona regularmente suspeitas de "entente ilícita" entre os produtores sobre os preços.

Brice R. Mbodiam (Investir no Camarões)

 

No seu confronto com o Estado maliano, a Barrick Mining não incluiu a mina de ouro Loulo-Gounkoto nas suas previsões anuais para 2025. Esta situação afetou as suas performances operacionais, com uma queda na produção global.

Durante muito tempo considerada o segundo maior produtor mundial de ouro, atrás da americana Newmont Corp, a Barrick Mining perdeu finalmente essa posição em 2025. Com 3,26 milhões de onças produzidas no exercício, o grupo canadiano não conseguiu manter a sua posição, sendo ultrapassado pela sua congénere Agnico Eagle, que declarou uma produção quase estável de 3,45 milhões de onças.

Embora algumas operações tenham registado uma queda na produção, nomeadamente nas minas da Tanzânia North Mara e Bulyanhulu, esse recuo explica-se principalmente pela inatividade prolongada da mina maliana de Loulo-Gounkoto durante grande parte do ano. Este local, afetado por um litígio com o Estado do Mali, viu a sua produção cair para 36.200 onças, contra 723.000 onças no ano anterior.

Esse déficit teve um impacto significativo nos resultados da Barrick, que ainda em 2024 registava uma produção global de 3,91 milhões de onças, superior aos 3,49 milhões de onças declarados na altura pela Agnico Eagle.

Embora as operações tenham finalmente sido retomadas este ano em Loulo-Gounkoto, após um acordo com Bamako, as perspetivas de recuperação da Barrick no ranking permanecem incertas. O grupo prevê, de facto, uma produção máxima de 3,25 milhões de onças este ano, enquanto a Agnico Eagle espera uma produção de cerca de 3,5 milhões de onças por ano até 2028.

Além disso, outros atores estão a reforçar as suas ambições, como o chinês Zijin, quarto maior produtor mundial em 2025, que visa uma produção de 105 toneladas este ano, cerca de 3,38 milhões de onças.

A Newmont, que mantém a liderança mundial, prevê uma produção global de 5,3 milhões de onças de ouro. As dinâmicas do exercício em curso ainda estão por observar, num contexto marcado pela reestruturação em curso na Barrick. O grupo planeia, de facto, dividir parte dos seus ativos auríferos localizados na América do Norte em uma nova entidade, cuja introdução em bolsa já foi anunciada.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Bankable, meio de comunicação online especializado em notícias econômicas da República Democrática do Congo, publicará amanhã, 27 de fevereiro de 2026, uma entrevista exclusiva com Olivier Binyingo, presidente do conselho de administração da Kamoa Copper, joint venture que explora o complexo cuprífero Kamoa-Kakula, o maior do país.

Embora a empresa tenha entre seus acionistas o grupo chinês Zijin Mining (39,6%), o jurista exibe serenidade em relação à parceria estratégica entre a RDC e os Estados Unidos, que visa, entre outros objetivos, favorecer o investimento americano no setor de mineração congolesa.

"Independentemente de onde estejamos, a necessidade de minerais críticos estará presente. E, se quisermos alcançar os objetivos que estabelecemos como comunidade global, essa dinâmica é irreversível. (...) As necessidades de cobre e de minerais críticos superam as divisões geopolíticas", explica ele.

"Estamos caminhando para uma escassez estrutural de cobre. Portanto, a tendência de alta dos preços deve se confirmar e acelerar", afirma otimista aquele que, além de presidente da Kamoa Copper, é também vice-presidente responsável por assuntos públicos na Ivanhoe Mines, operadora do Kamoa-Kakula.

Na entrevista, Olivier Binyingo também aborda as consequências de dois eventos significativos que marcaram o projeto Kamoa-Kakula em 2025: o incidente sísmico e a entrada em operação da nova fundição.

Em maio de 2025, a Kamoa Copper relatou uma atividade sísmica subterrânea na mina de Kakula, o que levou a uma reorganização das operações. A empresa anunciou então a retomada da exploração subterrânea na parte oeste de Kakula em 7 de junho de 2025, ao mesmo tempo em que revisava suas perspectivas de produção para 2025, entre 370.000 e 420.000 toneladas de cobre. No final do ano, a nova fundição da empresa, com capacidade nominal de 500.000 toneladas de concentrado por ano, entrou em operação.

Para relembrar, o complexo mineiro de Kamoa-Kakula é detido em 39,6% pela Ivanhoe Mines, 39,6% pelo grupo chinês Zijin Mining, 20% pelo Estado congolês e 0,8% pela Crystal River Global Limited.

Pierre Mukoko

 

A introdução em Bolsa da Sonangol tem sido discutida há anos pelas autoridades angolanas, mas o projeto não avançou devido a atrasos relacionados com a reestruturação necessária da empresa e com as reformas econômicas em andamento, entre outros fatores.

Na Angola, a empresa pública de petróleo Sonangol mantém o rumo para sua entrada nos mercados financeiros. Em Luanda, durante uma coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, 25 de fevereiro, a direção do grupo confirmou a continuidade dos preparativos para a sua introdução em Bolsa.

Diante dos jornalistas, Baltazar Miguel, membro do conselho de administração, afirmou que os trabalhos técnicos relacionados com a oferta pública inicial continuam. "Há muito trabalho em andamento para a introdução em Bolsa", disse o responsável.

Os líderes da empresa esclareceram que as equipes internas continuam a trabalhar nas exigências prévias para uma possível cotação. Em 2023, a introdução em Bolsa estava prevista para 2027. Simultaneamente, a companhia segue com a reestruturação iniciada nos últimos anos, com foco em suas atividades petrolíferas e ajustes estruturais já anunciados pelas autoridades.

Além disso, a direção confirmou a continuidade das operações de reestruturação financeira. De acordo com o relatório financeiro consolidado de 2024 da Sonangol, as dívidas financeiras do grupo, incluindo empréstimos de curto e longo prazo, somavam cerca de 4,12 bilhões de dólares em 31 de dezembro de 2024, contra cerca de 3,87 bilhões de dólares no ano anterior. O total de passivos consolidados atingia, por sua vez, cerca de 16,6 bilhões de dólares na mesma data.

A nova configuração do programa de privatização

O projeto de introdução em Bolsa da Sonangol faz parte de um plano mais amplo de privatização das empresas estatais (PROPRIV). Esse programa foi lançado pelo governo angolano em 2019 com o objetivo de reduzir sua presença na economia, atrair investimentos privados, gerar empregos e aumentar as receitas fiscais. Ele prevê a venda de participações ou ativos por meio de diversos mecanismos, incluindo ofertas públicas iniciais de ações (IPOs), leilões em bolsa e licitações públicas.

Inicialmente projetado para se estender até 2023, o PROPRIV foi prorrogado até 2026 por um decreto presidencial. Em 24 de fevereiro, a Comissão Interministerial do programa anunciou uma redução no número de ativos visados, de 49 para 10 empresas até o final do ano. A revisão concentra os esforços em setores estratégicos, como telecomunicações, bancos, mineração, aviação e mídia. Essa revisão marca uma nova etapa na implementação do programa.

A revisão da lista de ativos ocorreu enquanto alguns grandes grupos, incluindo a Sonangol, tiveram seus processos de privatização ajustados, sem um calendário definido anunciado.

Desde o lançamento do programa em 2019, o Estado angolano já iniciou a venda de 103 ativos públicos, por vendas diretas ou introduções em Bolsa. Durante o período de 2019 a 2024, essas operações representam cerca de um trilhão de kwanzas contratados (aproximadamente 1,04 bilhão de dólares), dos quais mais de 640 bilhões de kwanzas foram efetivamente recebidos, ou cerca de 664 milhões de dólares.

Abdel-Latif Boureima

 

no Gabão, enquanto o país busca estabilizar seus volumes em um contexto de maturação crescente de vários campos.

Um novo poço de petróleo começou a produção em alto-mar, no Gabão. Na terça-feira, 24 de fevereiro, a empresa americana Vaalco Energy divulgou informações sobre o início da produção do poço de desenvolvimento chamado Etame 15H-ST, localizado no campo offshore de Étame.

No início, este poço, perfurado em uma área já em exploração, produz cerca de 2.000 barris de petróleo por dia, segundo a empresa. A proporção de água extraída junto com o petróleo é estimada em 38%. A Vaalco esclarece que a parte do subsolo atravessada pela perfuração contém cerca de 250 metros de rochas impregnadas de petróleo.

A operação faz parte de um programa maior no campo de Étame, que visa apoiar a produção deste site offshore. Em 2025, a Vaalco Energy registrou uma produção média de cerca de 14.300 barris equivalentes de petróleo por dia em seus ativos no Gabão, de acordo com a atualização operacional divulgada em janeiro de 2026. Em 2024, a produção da concessão Etame Marin estava em torno de 19.000 barris de petróleo por dia, conforme os dados fornecidos pela empresa em seus relatórios anuais.

Paralelamente, um segundo poço está sendo perfurado em outra parte do campo chamada West Etame. De acordo com a empresa, os estudos realizados antes da perfuração indicam uma probabilidade de sucesso estimada em 57%. A Vaalco Energy detém 63,6% de participação operadora na concessão Etame Marin.

Esse desenvolvimento ocorre em um contexto em que o Gabão explora principalmente campos descobertos há várias décadas. A concessão Etame Marin produz petróleo desde o início dos anos 2000.

De acordo com o Boletim Estatístico Anual 2024 da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a produção média de petróleo bruto do Gabão foi de cerca de 216.000 barris por dia em janeiro de 2026. Os dados históricos divulgados pela OPEP indicam que a produção do Gabão ultrapassava 350.000 barris por dia no meio dos anos 1990.

Como reportado pela Agence Ecofin em março de 2025, a Vaalco visa uma produção de petróleo de 30.000 b/d até o final deste ano. De acordo com as hipóteses econômicas da Global Data, cerca de 90% das reservas totais do campo de petróleo Etame já foram recuperadas. A produção deve continuar até que o campo atinja seu limite de rentabilidade em 2029.

Abdel-Latif Boureima

 

Este dossier ilustra como um ativo energético importante se tornou uma ferramenta estratégica na interseção entre finanças, sanções e diplomacia internacional.

O Office of Foreign Assets Control (OFAC), o órgão americano responsável pela aplicação de sanções, prorrogou o prazo para finalizar a venda do portfólio internacional da Lukoil, estimado em cerca de 22 bilhões de dólares, de 28 de fevereiro para 1º de abril.

Essa decisão ocorre enquanto as discussões entre os Estados Unidos, a Rússia e a Ucrânia ainda não resultaram em um avanço diplomático, apesar de vários ciclos de encontros realizados recentemente em Genebra, Abu Dhabi e Miami.

Desde a imposição de sanções americanas em outubro contra os principais produtores de petróleo russos, a venda dos ativos estrangeiros da Lukoil tem sido rigorosamente supervisionada pelas autoridades americanas. Segundo várias fontes, Washington intencionalmente desacelerou o processo para manter uma alavanca nas negociações sobre a Ucrânia.

As condições impostas pelo Tesouro são rigorosas: a Lukoil não pode receber nenhum pagamento imediato, e todos os fundos provenientes da venda devem ser depositados em uma conta congelada sob jurisdição americana, para evitar que esses recursos possam ser usados para financiar o esforço militar russo.

O portfólio em questão inclui campos de petróleo, refinarias e redes de postos de combustíveis na Europa, África, Oriente Médio e América Latina. O processo atraiu o interesse de vários atores, tanto da indústria do petróleo quanto de capital privado. Ao final, o fundo americano Carlyle Group foi selecionado para adquirir esses ativos, à frente de gigantes como ExxonMobil e Chevron, apoiados por investidores privados e soberanos do Golfo.

A venda forçada dos ativos internacionais da Lukoil adquiriu uma dimensão política. Ela agora faz parte de um contexto mais amplo de discussões sobre uma possível resolução do conflito na Ucrânia, onde as sanções ao setor energético russo estão entre os temas abordados.

O dossier é acompanhado de perto pela Casa Branca, pelo Departamento de Estado e pelo Tesouro dos Estados Unidos, com uma maior implicação dos mais altos responsáveis. Para a administração americana, o objetivo é manter uma pressão financeira sobre Moscou, enquanto conserva uma ferramenta de negociação adaptável à evolução das discussões diplomáticas.

A venda dos ativos internacionais da Lukoil poderia, em teoria, ser concluída independentemente de um acordo de paz. No entanto, os adiamentos sucessivos mostram que o seu cronograma depende tanto dos equilíbrios políticos quanto das negociações comerciais. Um novo prazo foi estabelecido para 1º de abril, enquanto um próximo ciclo de negociações é aguardado para março. Portanto, a finalização da operação dependerá menos da capacidade do Carlyle de fechar o negócio com a Lukoil e mais da evolução do equilíbrio de forças entre Washington, Moscou e Kiev.

Olivier de Souza

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