No Burkina Faso, a batata é um dos principais vegetais cultivados, juntamente com o tomate. No âmbito da sua política de soberania alimentar, o governo incentiva investimentos destinados a estimular a produção agrícola de produtos estratégicos para a segurança alimentar.
No dia 27 de fevereiro, o Ministério da Indústria deu início às obras de construção da unidade de transformação da Sociedade de Comercialização e Transformação de Produtos Agrícolas (SOCOTRA SA), num terreno de 3 hectares em Ouahigouya, na região de Yaadga.
Num comunicado publicado no seu site, o ministério indicou que esta nova infraestrutura será principalmente dedicada à transformação de batatas.
Segundo informações veiculadas pelos meios de comunicação locais, este projeto industrial envolve um investimento estimado em 3,5 mil milhões de francos CFA (6,3 milhões de dólares) e é uma iniciativa da Câmara de Comércio e Indústria (CCI-BF). Uma vez operacional, prevê-se que a unidade tenha uma capacidade inicial de produção de 350 toneladas por ano de batatas fritas e chips congeladas.
O projeto inclui também a construção de uma câmara frigorífica com capacidade de armazenamento e conservação de produtos crus de 5.000 toneladas por ano, podendo ser expandida para 10.000 toneladas por ano numa segunda fase de desenvolvimento da fábrica. A duração prevista das obras é de 8 meses.
Segundo as autoridades, este investimento permitirá criar um novo mercado para os agricultores e estimular a produção. «Com a construção desta câmara frigorífica, que será a maior do país, teremos uma infraestrutura que contribuirá decisivamente para impulsionar o setor da batata e permitirá aos produtores envolvidos ter realmente mercados, uma vez que a transformação industrial também será contemplada», declarou Serge Gnaniodem Poda, ministro da Indústria.
O desafio é ainda mais estratégico, pois a produção burquinense estagna há vários anos, enquanto a procura crescente mantém uma forte dependência das importações de batata e de produtos derivados.
Segundo a FAO, o Burkina Faso produziu em média 33.285 toneladas por ano entre 2020 e 2024, sem jamais ultrapassar as 35.000 toneladas. Paralelamente, as importações de batatas congeladas dispararam, passando de 37 toneladas em 2020 para 1.225 toneladas em 2024, com um pico de 2.513 toneladas registado em 2023.
Por outro lado, as importações de batatas frescas recuaram 30%, passando de 15.162 toneladas em 2020 para 10.686 toneladas em 2024, mas continuam a pesar na fatura das importações alimentares do país.
Stéphanas Assocle
No Quénia, o setor agrícola contribui com 22,5% para o PIB e emprega cerca de 46% da população ativa. Numa altura em que a agricultura continua maioritariamente dependente das chuvas, o governo aposta na expansão da irrigação para melhorar a resiliência climática e a produtividade do setor.
O Governo do Quénia lançou, a 26 de fevereiro, as obras do projeto de irrigação de Kobong’o, no condado de Kisumu. Com um custo total de 650 milhões de xelins (5 milhões de dólares), financiados pela Hungria, o projeto prevê a modernização e a expansão do perímetro irrigado de Ahero, dedicado principalmente à rizicultura.
Segundo informações divulgadas pelo meio de comunicação local The Star, o projeto, implementado pela Autoridade Nacional de Irrigação (NIA), permitirá converter a estação de bombagem de Ahero num sistema híbrido alimentado por uma central solar de 500 quilowatts, que abrangerá mais 400 hectares. Com uma duração prevista de 26 meses, o projeto deverá estar concluído em fevereiro de 2027.
«Deverá criar 5 000 empregos diretos e 10 000 empregos indiretos e gerar cerca de 250 milhões de xelins [1,9 milhões de dólares] por ano quando estiver plenamente operacional. Estes impactos económicos enquadram-se na Bottom-Up Economic Transformation Agenda (BETA), a estratégia governamental destinada a reforçar a produtividade agrícola, reduzir as importações alimentares e apoiar os rendimentos rurais», declarou Eric Mugaa, ministro da Água, Saneamento e Irrigação.
Um impulso para reforçar a produção de arroz
No Quénia, o perímetro irrigado de Ahero é o segundo maior polo de produção de arroz depois de Mwea. Segundo dados compilados pelo Gabinete Nacional de Estatística (KNBS), este local produziu 32 768 toneladas de arroz paddy em 2023/2024, o que representa cerca de 11% da produção nacional, estimada em 293 627 toneladas nessa campanha.
Neste contexto, o novo projeto de expansão deverá, quando estiver operacional, contribuir para melhorar a oferta em Ahero e apoiar a dinâmica de crescimento da produção de arroz no país.
Importa salientar que a colheita de paddy no Quénia aumentou 51% em cinco anos, passando de 192 473 toneladas em 2020 para 290 447 toneladas em 2024, segundo estimativas oficiais do KNBS. Contudo, este nível de produção continua a ser largamente insuficiente face à procura no mercado interno.
De acordo com dados compilados na plataforma Trade Map, o Quénia importou 897 977 toneladas de arroz branqueado, num valor estimado em cerca de 504,8 milhões de dólares, o que faz do país o maior importador desta cereal na África Oriental.
De forma mais ampla, este novo investimento com o apoio da Hungria confirma a vontade do governo de desenvolver a agricultura irrigada para além da rizicultura. No seu discurso sobre o Estado da Nação, proferido a 20 de novembro de 2025, o presidente William Ruto manifestou a ambição de aumentar para cerca de 1 milhão de hectares as áreas agrícolas irrigadas entre 2030 e 2032.
Em comparação, a FAO estimava em apenas 288 000 hectares a área agrícola total equipada para irrigação no país em 2023. Segundo o Ministério da Água e da Irrigação, foram identificados locais prioritários para acolher novos projetos de irrigação nos próximos anos nos condados de Mandera, Machakos, Kisumu, Laikipia e Turkana.
Stéphanas Assocle
Na África Ocidental, o Senegal é um dos principais mercados para produtos lácteos, ao lado de países como Mauritânia, Nigéria, Gana e Togo. O país, que visa a autossuficiência, conta com o apoio de parceiros estrangeiros com expertise reconhecida no setor.
No Senegal, o Ministro da Agricultura, Mabouba Diagne, anunciou recentemente a assinatura de um protocolo de acordo com seu homólogo brasileiro. A informação foi divulgada na quinta-feira, 26 de fevereiro, pela mídia local, e foi anunciada durante a segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20), que ocorreu de 24 a 28 de fevereiro em Cartagena, na Colômbia.
Segundo as autoridades, essa nova parceria tem como objetivo acelerar a conquista da autossuficiência em produtos lácteos no Senegal. As intervenções previstas focarão no fortalecimento da cooperação científica entre a Sociedade Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Senegalês de Pesquisas Agrícolas (ISRA), além da implementação de um programa de transferência de embriões de gado Gir, com alto potencial de produção leiteira.
Também está prevista a estruturação sustentável do setor através de parcerias público-privadas, o desenvolvimento de culturas forrageiras e rações alimentares eficientes, assim como a profissionalização do setor por meio de treinamento na gestão de fazendas de laticínios modernas, além do fortalecimento da mecanização agrícola e pastoril.
Aprofundar os esforços em melhoramento genético
Essa aproximação com Brasília na área de pesquisa é ainda mais estratégica, pois o Brasil possui uma excelente reputação no potencial genético de suas raças bovinas adaptadas à pecuária em regiões tropicais, além de ser uma potência no mercado mundial de laticínios. Dados compilados pela FAO mostram, por exemplo, que o Brasil se consolidou como o 5º maior produtor mundial de produtos lácteos, atrás da Índia, EUA, Paquistão e China, com uma oferta média de 36,6 milhões de toneladas por ano entre 2021 e 2023.
É importante ressaltar que, no âmbito do seu programa de melhoramento genético do rebanho bovino, o governo senegalês subvenciona, desde 2017, a importação de gado de alto potencial de produtividade de várias origens, incluindo o Brasil. A última iniciativa foi no dia 10 de janeiro de 2026, quando o Ministério da Agricultura anunciou a chegada de 1.050 cabeças de gado das raças Guzera e Girolando, originárias do Brasil, como parte de uma parceria entre o ministério e o Grupo para o Melhoramento Genético e Pecuária Pastoral e Extensiva no Senegal (GEPES).
Apesar desses esforços, as importações de produtos lácteos aumentaram, refletindo a incapacidade da indústria local em acompanhar o ritmo de crescimento das necessidades do mercado interno. Dados compilados pela Agência Nacional de Estatísticas e Demografia (Ansd) mostram que as importações de produtos lácteos no Senegal aumentaram nos últimos cinco anos, passando de 28.973 toneladas em 2020 para 33.745 toneladas em 2024. Simultaneamente, o valor dessas importações cresceu 34,3% no mesmo período, alcançando 65,73 bilhões de francos CFA (118,2 milhões de dólares).
Stéphanas Assocle
Na África Ocidental, a transformação local do karité é cada vez mais impulsionada pelos países produtores, como a Nigéria, o maior fornecedor mundial dessa matéria-prima.
Na Nigéria, o presidente Bola Tinubu prorrogou por mais um ano a proibição da exportação de nozes de karité cruas, anunciou na quarta-feira, 25 de fevereiro, o porta-voz da presidência, Bayo Onanuga. A medida entrou em vigor no dia 26 de fevereiro e irá durar até o final de fevereiro de 2027, estendendo um período de restrição de 6 meses iniciado em agosto de 2025.
"A proibição tem como objetivo aumentar as capacidades de transformação na Nigéria, melhorar os meios de subsistência nas comunidades produtoras de karité e promover o crescimento das exportações nigerianas baseadas em produtos com maior valor agregado […]. O governo federal incentiva a transformação local das nozes de karité em manteiga, que é vendida de 10 a 20 vezes mais cara do que as nozes cruas", explicou Onanuga.
Ele também indicou que, no contexto dessa prorrogação, foi adotado um quadro de exportação estabelecido pela Bolsa de Commodities da Nigéria (NCX), e as isenções que permitiam a exportação direta das nozes de karité cruas foram retiradas.
"O presidente ordenou que qualquer excedente de nozes de karité cruas seja exportado exclusivamente através do quadro da NCX, conforme as diretrizes aprovadas. Além disso, ele pediu ao Ministério das Finanças que permita o acesso a um balcão de apoio NESS dedicado, a fim de permitir que o Ministério da Indústria, Comércio e Investimentos implemente um mecanismo de financiamento para melhorar a capacidade de produção e transformação", completou o porta-voz.
Segmento de transformação quer se destacar na cadeia de valor
Por enquanto, a medida ainda não gerou reação da Associação Nacional dos Produtos de Karité da Nigéria (NASPAN). Após a primeira restrição, a associação havia solicitado um período de graça de 90 dias ao governo antes da implementação, argumentando que a medida súbita estava dificultando o trabalho dos coletores. No entanto, não obteve sucesso, já que as autoridades querem acelerar a industrialização do setor.
A Nigéria, que é o maior produtor mundial de karité, com uma produção de 350.000 a 500.000 toneladas por ano, ainda enfrenta dificuldades para capturar uma parte significativa do valor agregado gerado pela cadeia de valor. "A Nigéria produz cerca de 40% dos produtos mundiais de karité, mas representamos apenas 1% da participação de mercado, avaliada em 6,5 bilhões de dólares. Isso é inaceitável. Nosso objetivo é gerar cerca de 300 milhões de dólares por ano no curto prazo e, até 2027, esse número será multiplicado por 10", informou o vice-presidente Kashim Shettima em agosto de 2025, logo após o anúncio da suspensão anterior.
Embora o impacto dessa nova decisão sobre os preços seja aguardado nos próximos dias, ela se insere em uma dinâmica que já está em andamento na África Ocidental, onde vários países produtores optaram, desde 2024, por suspender ou limitar fortemente as exportações de nozes de karité cruas.
Após o Burkina Faso em setembro de 2024 e o Mali em outubro, a Costa do Marfim e o Togo também interromperam o envio de amêndoas de karité, respectivamente, em janeiro e abril de 2025. O Gana adotou uma abordagem mais gradual, anunciando em julho de 2025 um bloqueio progressivo das exportações da matéria-prima até 2026, ao invés de um embargo imediato.
Espoir Olodo
O Quênia é o número um da África no setor de flores cortadas, principalmente graças ao clima de suas altas terras, ideal para o cultivo de rosas. O país da África Oriental possui um status dominante no mercado europeu.
A indústria de flores cortadas do Quênia pode ainda evoluir nos próximos anos, para maximizar a criação de valor a longo prazo, beneficiando todos os elos da cadeia. Isso foi o que afirmou à Agência Ecofin, Lamber van Horen, especialista sênior da divisão de Produtos Frescos do grupo bancário neerlandês Rabobank.
Embora a indústria tenha conseguido lidar com vários ventos contrários nos últimos anos, como a Covid-19, que dificultou o transporte aéreo e causou um aumento nos custos do frete, o responsável destaca que os atores do setor devem ir além dos ajustes atuais para captar novas oportunidades de crescimento. “A indústria de flores é resiliente, mas pode gerar um valor agregado maior”, sublinha ele.
Desenvolvimento de Unidades Locais de Montagem de Buquês
Van Horen acredita que o Quênia pode gradualmente desenvolver unidades locais para montar buquês mistos prontos para venda no mercado europeu, em vez de exportar apenas hastes soltas. “Na Europa, 50% das flores são vendidas na forma de buquês mistos. Ao montar os buquês localmente, o Quênia pode capturar parte da margem que hoje é absorvida pelas floriculturas nos Países Baixos, em Miami ou em Tóquio. Poderíamos pensar em uma atividade como essa mais próxima das zonas de produção, na região de Naivasha, ou em Nairóbi e Mombaça”.
Esse desenvolvimento implicaria que os compradores europeus, especialmente os do setor de grandes redes de distribuição, pagassem por esse serviço (seleção, montagem, embalagem, rotulagem) para receber os buquês já prontos, embalados e etiquetados.
Perspectivas Estáveis para 2026
Em relação ao futuro, Van Horen estima que a indústria de flores cortadas do Quênia deverá operar em um ambiente relativamente estável este ano na Europa. Ele afirma que a demanda europeia, que deve se manter apesar dos riscos geopolíticos, continuará a fornecer um terreno fértil para a indústria do país da África Oriental. Com várias companhias aéreas, incluindo a Kenya Airways, o Quênia atualmente fornece 40% da demanda europeia e responde por mais de 15% do comércio internacional de flores cortadas.
Outro desafio será ver como a indústria gerenciará os desafios da confiabilidade logística para os países do Golfo. Além do seu mercado tradicional, a União Europeia, o Quênia tem procurado diversificar seus destinos, visando o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, Bahrein e a Arábia Saudita. Segundo o Rabobank, as exportações de flores cortadas para esses países da região sul do Golfo Pérsico já alcançam 100 milhões de dólares anuais.
Desafios Logísticos e Competitividade no Mercado do Golfo
A crise no Mar Vermelho, com os desvio das rotas marítimas pelo Cabo da Boa Esperança e o aumento do tempo de trânsito, elevou o custo do frete marítimo e fez com que muitos atores recorressem ao transporte aéreo. Nesse contexto, a capacidade de Nairóbi em garantir conexões aéreas regulares e competitivas para essa região será observada de perto, especialmente porque esses destinos também oferecem preços de venda competitivos para os exportadores quenianos, devido ao alto poder aquisitivo da população local.
Dados do Setor e Impacto Econômico
De acordo com dados do Rabobank, cerca de 100.000 pessoas trabalham diretamente nas fazendas de flores no Quênia, e cerca de 60.000 outras estão empregadas no transporte das flores e em outras atividades de apoio. O país, que é o 4º maior exportador mundial de flores cortadas, atrás dos Países Baixos, Colômbia e Equador, gera entre 450 e 520 milhões de dólares anualmente com as vendas de rosas cortadas no mercado internacional.
Espoir Olodo
Desde o início do ano, o setor de cacau tem enfrentado grandes dificuldades na região da África Ocidental. Na Costa do Marfim, o maior produtor mundial, no entanto, a situação parece estar a melhorar.
Na Costa do Marfim, a situação está a melhorar para o segmento de comercialização do cacau. De acordo com a Bloomberg, em uma publicação de 25 de fevereiro, os negociantes retomaram suas compras de grãos, impulsionados pela queda no custo da matéria-prima.
Até agora, o cálculo do preço final de aquisição do "ouro marrom" levava em consideração, além do preço de mercado, o diferencial de origem, um bônus associado à qualidade do produto, e o diferencial de rendimento decente de 400 $ (344 €) por tonelada, implementado desde a safra 2020/2021 para melhorar as condições dos produtores. No entanto, de acordo com o meio de comunicação econômico, o Conselho do Café e Cacau (CCC) decidiu agora eliminar esses dois últimos elementos.
A decisão põe fim ao impasse que durava várias semanas entre o regulador e os compradores, que destacavam o custo elevado dos grãos da Costa do Marfim. Este episódio lembra uma situação semelhante em 2020/2021, quando a queda na demanda de cacau devido à má conjuntura econômica levou o regulador a negociar descontos sobre os grãos da Costa do Marfim, o que resultou na eliminação dos ganhos do DRD.
Enquanto essa medida deve relançar as vendas a prazo para a safra que começará em abril, os analistas estimam que os compradores possam ainda beneficiar de um apoio adicional com o anúncio, até o final do mês, de uma redução no preço pago ao produtor para a temporada em questão. Atualmente fixado em 2.800 Fcfa/kg (cerca de 5.000 $ por tonelada) para a campanha principal de outubro a março, esse preço continua superior aos preços globais, que desde fevereiro flutuam entre 3.000 e 4.000 $.
Espoir Olodo
Na Tunísia, a carne bovina é uma das principais fontes de proteínas animais importadas, juntamente com o peixe e o leite. O governo tunisiano está ampliando sua lista de fornecedores internacionais para melhorar o abastecimento deste produto.
O Ministério da Agricultura da República da Sérvia anunciou no dia 21 de fevereiro que harmonizou com sucesso os certificados veterinários para a exportação de carne de boi e carneiro para a Tunísia. Este anúncio marca uma abertura regulatória do mercado tunisiano para essas duas categorias de carnes vermelhas provenientes da Sérvia, um país europeu.
« A harmonização dos certificados é o resultado de uma cooperação intensa entre as instituições competentes de ambos os países e confirma que o sistema de controle veterinário da Sérvia atende a elevados padrões de segurança alimentar, saúde animal e rastreabilidade », pode-se ler em um comunicado publicado no site do ministério sérvio.
Para a Tunísia, essa aprovação permite ampliar a lista de fornecedores de carne no mercado internacional, especialmente considerando que as importações de carne bovina têm crescido nos últimos anos. Dados compilados na plataforma Trade Map mostram que o país norte-africano dobrou suas importações de carne bovina congelada, passando de 816 toneladas em 2020 para 1.618 toneladas em 2024.
Simultaneamente, a fatura associada a essas compras mais que triplicou no mesmo período, subindo de 3,2 milhões de dólares para 10,7 milhões de dólares. Em 2024, sete países estavam responsáveis pelas exportações para o mercado tunisiano: Brasil, Paraguai, Índia, Argentina, Austrália, Polônia e Irlanda.
A necessidade expressa pela Tunísia de expandir sua lista de fornecedores sugere uma estratégia para garantir o abastecimento de carnes vermelhas, que são produtos alimentares amplamente consumidos durante o mês do Ramadã, que ocorrerá de 19 de fevereiro a 19 de março.
Stéphanas Assocle
As florestas da bacia do Congo constituem o maior sumidouro de carbono líquido do mundo. Este serviço ecológico continua amplamente subaproveitado pelos países responsáveis pela gestão deste ecossistema florestal.
Na África, seis países da bacia do Congo lançaram recentemente planos estratégicos para o mercado de carbono e o financiamento climático no setor florestal, com o apoio do Banco Mundial. O anúncio foi feito em um comunicado publicado na segunda-feira, 23 de fevereiro, no site da instituição financeira.
Os países são: Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo. Esses planos estratégicos são apresentados como instrumentos específicos destinados a ajudar cada um desses países a se comprometer de maneira credível e eficaz nos mercados globais de carbono, a fim de obter financiamentos em troca da capacidade de suas florestas de absorver dióxido de carbono (CO₂).
De acordo com as autoridades, as intervenções se concentrarão principalmente no alinhamento dos quadros nacionais com as exigências do Acordo de Paris para acessar o mercado de carbono, no fortalecimento das capacidades digitais e institucionais para a implementação do sistema MRV (Medição, Relato e Verificação), um dispositivo central na governança climática internacional. Também está prevista a clarificação do quadro jurídico e fiscal dos créditos de carbono, o engajamento do setor privado e das comunidades locais, além da atração de investimentos climáticos de longo prazo e parcerias técnicas.
« Os mercados de carbono podem ser um divisor de águas para os países da bacia do Congo, mas apenas se as condições favoráveis forem estabelecidas. Estes planos estratégicos oferecem um guia prático completo para que os governos implementem o financiamento do carbono, com foco na boa governança, no envolvimento do setor privado e nos benefícios para as comunidades locais », afirmou Cheick Fantamady Kanté, diretor de divisão do Banco Mundial para os Camarões, República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo.
Oportunidades a serem aproveitadas
Os países da bacia do Congo recebem apenas uma fração marginal do valor total dos serviços ecossistêmicos florestais que oferecem ao mundo. Em um relatório publicado em agosto de 2025, o Banco Mundial avaliou em 1.152 bilhões de dólares o valor monetário total dos serviços prestados pelas florestas da bacia do Congo em 2020, incluindo a retenção de carbono, a regulação hidrológica, a biodiversidade, a extração de madeira e os alimentos silvestres (produtos comestíveis obtidos por coleta, caça ou pesca não doméstica).
O relatório destaca, no entanto, que o valor efetivamente integrado nas economias dos seis países centrais (Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo) foi de apenas 7,8 bilhões de dólares naquele ano.
Embora a retenção de carbono represente por si só quase 99% do valor monetário estimado dos serviços florestais, sua contribuição para a economia nacional dos países da bacia do Congo é apenas de 9%. Este paradoxo sugere uma baixa monetização do capital de carbono da bacia do Congo, bem como um acesso limitado aos mecanismos econômicos de compensação ou financiamento climático.
O desafio de valorizar melhor o serviço de retenção de carbono torna-se ainda mais estratégico, considerando que as florestas da bacia do Congo armazenaram 90,9 bilhões de toneladas de carbono em 2020, o que equivale a 10 vezes as emissões globais anuais de CO₂ do setor energético, de acordo com os dados do Banco Mundial.
Neste contexto, a adoção desses planos estratégicos aparece como uma etapa decisiva para permitir que os países da bacia do Congo valorizem melhor seus recursos florestais e capturem uma parte maior dos financiamentos relacionados aos mercados de carbono.
Stéphanas Assocle
Em 2024, as superfícies certificadas como orgânicas no continente africano diminuíram 17,6%. Uma contração inédita, em parte devido ao endurecimento das normas europeias, mas que não freia a dinâmica comercial do setor.
Em 2024, a África registrou uma contração significativa em suas áreas dedicadas à agricultura orgânica, passando de cerca de 3,4 milhões de hectares para pouco mais de 2,8 milhões de hectares. Essa informação foi divulgada na última edição do relatório The World of Organic Agriculture, publicado no dia 14 de fevereiro pelo Instituto de Pesquisa em Agricultura Orgânica (FiBL).
A queda de 600.000 hectares representa uma redução de 17,6% em relação ao ano anterior e marca, além disso, a primeira contração das áreas destinadas à agricultura orgânica no continente em mais de uma década, desde 2011.
De acordo com o relatório, a contração das superfícies orgânicas declaradas na África coincide com a transição para o novo regulamento de agricultura orgânica da União Europeia (UE), que exige, a partir de 2024, que as importações provenientes de países terceiros sigam os mesmos padrões exigidos aos operadores europeus. Esse quadro regulatório marca o fim progressivo do sistema de equivalência, que permitia que alguns países terceiros exportassem para a UE de acordo com suas próprias normas, consideradas comparáveis.
Nesse contexto, a redução observada nas áreas declaradas pode ser explicada pela necessidade, por parte dos organismos de certificação, de revisar seus dados e considerar apenas as terras totalmente em conformidade com os novos requisitos europeus.
A África representa agora 2,8% das terras agrícolas orgânicas no mundo, mas apenas 0,2% de sua própria área agrícola. A distribuição das superfícies dedicadas à agricultura orgânica no continente ainda é muito concentrada, com quatro países respondendo por quase metade das terras certificadas.
Liderando o ranking, Uganda mantém sua posição como o país africano com maior área certificada, com 505.308 hectares em 2024, seguido por Burkina Faso (251.000 hectares), Etiópia (227.000 hectares) e Togo, que ocupa o quarto lugar com mais de 225.000 hectares.
Exportações em alta, impulsionadas pela demanda americana
Apesar da redução das áreas de cultivo, as exportações africanas de produtos agrícolas orgânicos continuam a se consolidar. De acordo com o FiBL, o continente exportou 687.395 toneladas dessa categoria de produtos para o mercado internacional em 2024, registrando um crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior.
O principal destino, a UE, absorveu 62,38% das exportações africanas, mas as compras do bloco econômico caíram ligeiramente em 0,4%, somando 428.845 toneladas. O segundo destino preferido para os produtos agrícolas orgânicos exportados da África, os Estados Unidos, registraram um aumento de 24,4% nas compras do continente, atingindo 258.550 toneladas.
Com mais de 340.000 toneladas e cerca de 50% das exportações orgânicas africanas, a soja e seus derivados foram o principal grupo de produtos agrícolas orgânicos exportados, seguidos pelos óleos vegetais (63.000 toneladas, principalmente óleo de oliva) e bananas (48.000 toneladas). O maior exportador africano continua sendo o Togo, que exporta principalmente soja e seus derivados, seguido pela Tunísia, conhecida por seu óleo de oliva, e Gana, que se destaca pelas exportações de bananas.
Perspectivas favoráveis para os próximos anos?
Para os exportadores africanos, o novo regulamento da União Europeia sobre agricultura orgânica representa tanto um desafio de adaptação regulatória quanto uma porta de entrada para um mercado em expansão, mas também um dos mais exigentes do mundo. Embora essa transição implique custos adicionais de conformidade e uma melhor estruturação das cadeias produtivas, alguns sinais indicam que um movimento de transformação já está em andamento no continente.
Embora ainda não haja dados consolidados sobre as superfícies certificadas, volumes produzidos ou exportações de 2025, o FiBL observa uma progressão tangível na adoção de práticas agrícolas orgânicas e agroecológicas.
Em seu relatório, a instituição menciona que, até o final de 2025, 14 países africanos haviam implementado políticas ou leis em favor da agroecologia, enquanto 42 universidades ofereciam programas acadêmicos dedicados, revelando uma transformação institucional gradual. Em comparação, apenas 5 países do continente tinham legislações sobre agricultura orgânica em 2022.
Além disso, há a expansão dos Sistemas de Garantia Participativa (PGS), uma forma de certificação alternativa desenvolvida pela iniciativa continental plurianual sobre agricultura orgânica ecológica (EOA-I) e pelo Centro de Conhecimento para Agricultura Orgânica e Agroecologia na África (KCOA). Em 2025, 1.326 agricultores foram certificados via PGS, com 18 grupos adicionais em processo de certificação, segundo o relatório.
Stéphanas Assocle
Brasil suspende as compras de cacau da Costa do Marfim por motivos fitossanitário.A Costa do Marfim é o maior exportador mundial de cacau, e o Brasil está entre seus principais mercados, ao lado dos países europeus. No entanto, uma nova medida pode perturbar essa relação comercial.
Na segunda-feira, 23 de fevereiro, o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil anunciou a suspensão das compras de grãos e produtos à base de cacau provenientes da Costa do Marfim até novo aviso. A decisão foi publicada no Diário Oficial devido a preocupações relacionadas ao risco fitossanitário.
As autoridades brasileiras explicaram que o grande fluxo de grãos provenientes de países vizinhos para a Costa do Marfim permitia a presença de amêndoas misturadas nas remessas destinadas ao Brasil. Assim, o Ministério destacou que a suspensão permanecerá em vigor "até que a República da Costa do Marfim forneça uma declaração formal sobre a situação e apresente garantias de que as remessas originárias desse país não contenham grãos produzidos em países vizinhos, cujo status fitossanitário proíbe a entrada de cacau e coprodutos no Brasil."
O Secretariado de Comércio e Relações Internacionais, assim como o Secretariado de Defesa Agroalimentar, também foram encarregados de verificar possíveis casos de triangulação de amêndoas de cacau fermentadas e secas provenientes da Costa do Marfim, devido às potenciais implicações fitossanitárias.
Esta decisão não é a primeira do tipo. De fato, o Brasil já havia suspendido temporariamente suas compras de cacau da Costa do Marfim no passado. No entanto, essa nova proibição pode ter repercussões negativas nas relações de cooperação emergentes entre os dois países no setor de cacau.
Em fevereiro de 2025, o Conselho do Café e Cacau da Costa do Marfim recebeu uma delegação da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil (ApexBrasil), com discussões focadas em pesquisa agronômica, transformação e produção sustentável de cacau.
A proibição ocorre em um contexto em que as vendas de cacau da Costa do Marfim para o Brasil alcançaram um nível recorde de 177 milhões de dólares em 2024. O Brasil se tornou o 10º maior mercado de exportação para a Costa do Marfim, segundo os dados mais recentes da plataforma TradeMap.
Essa medida se soma a uma situação já difícil para o setor de cacau da Costa do Marfim, que enfrenta a queda nos preços globais e a pressão dos comerciantes para reduzir o preço garantido aos produtores, atualmente fixado em 2.800 Fcfa/kg (aproximadamente 5 $/kg).
Espoir Olodo