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No Quénia, o setor agrícola contribui com cerca de 22% do PIB e emprega aproximadamente 46% da população ativa do país. Tal como na maioria dos países da África Subsaariana, a subvenção dos insumos agrícolas ocupa um lugar importante no apoio público destinado à agricultura.

O governo queniano prevê lançar, a partir do exercício orçamental 2026/2027, um programa nacional de subvenção de sementes. O anúncio foi feito pelo presidente William Ruto no domingo, 17 de maio, segundo informações divulgadas pelo meio de comunicação local Citizen Digital.

Esta iniciativa insere-se numa estratégia destinada a aumentar a produção agrícola e reduzir os custos de produção, sobretudo porque a política pública de apoio ao setor agrícola no país estava principalmente centrada na melhoria do acesso a fertilizantes a preços reduzidos. Além disso, demonstra a vontade das autoridades em enfrentar um dos principais entraves à melhoria da produtividade agrícola: o acesso limitado dos pequenos produtores a sementes certificadas.

Segundo um relatório publicado em 2025 sobre o mercado de sementes queniano pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o elevado custo das sementes de qualidade torna-as inacessíveis para os pequenos agricultores, que constituem a maioria dos produtores.

A proliferação no mercado de sementes de má qualidade agrava ainda mais o problema, conduzindo a baixos rendimentos e desencorajando o investimento em variedades melhoradas”, sublinha igualmente o relatório.

Neste contexto, a decisão de Nairobi de alargar a intervenção pública às sementes representa uma nova orientação que poderá acelerar a estruturação do mercado nacional de sementes e favorecer uma maior disseminação de sementes certificadas. Embora os detalhes sobre as modalidades de implementação deste novo programa de subvenção ainda não sejam conhecidos, sabe-se que a procura de sementes no Quénia é bastante diversificada.

Segundo o USDA, o mercado de sementes queniano é dominado por culturas de campo aberto como a batata, o milho, o feijão, o sorgo, o algodão, o feijão-frade e sementes hortícolas, que representam cerca de 80% das vendas anuais totais de sementes.

Em 2025, o organismo americano estimava a procura de material de sementeira em mais de 216 000 toneladas, das quais cerca de 70% ainda são fornecidas pelo setor informal de sementes. Esta forte dependência do setor informal ilustra as dificuldades persistentes de acesso a sementes certificadas para uma grande parte dos pequenos agricultores.

Stéphanas Assocle

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Principal cereal cultivado em África, o milho é vital para a segurança alimentar, sobretudo na África Subsaariana, onde constitui um produto básico. A Zâmbia ambiciona tornar-se um ator importante desta fileira, que alimenta fortemente o comércio intra-regional.

O governo zambiano pretende elevar a produção nacional de milho para 10 milhões de toneladas até 2031, ou seja, cerca do triplo da colheita de 3,6 milhões de toneladas registada em 2025. Esta ambição foi reiterada em abril pelo presidente Hakainde Hichilema, durante um encontro com parceiros vietnamitas, segundo informou o Ministério da Agricultura.

A concretização deste objetivo permitiria ao país integrar o Top 5 dos produtores africanos do cereal. Na última década, apenas quatro países do continente conseguiram atingir uma produção de milho igual ou superior ao limiar de 10 milhões de toneladas.

Líder histórico do continente, a África do Sul ocupa o topo desta classificação, apresentando, por exemplo, uma produção de quase 13 milhões de toneladas em 2024, segundo dados compilados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Seguem-se a Etiópia (11,7 milhões de toneladas), a Nigéria (11,1 milhões de toneladas) e a Tanzânia (10,08 milhões de toneladas).

Um plano de investimento de 760 milhões de dólares estruturado em vários eixos

No âmbito das suas ambições para o setor, Lusaka aposta no “Zambian HandinHand Investment Plan”, um quadro estratégico de desenvolvimento agrícola elaborado com o apoio da FAO e oficialmente lançado em outubro de 2025 durante o Fórum Mundial da Alimentação organizado em Roma. Este roteiro, que cobre o período 2025-2030, prevê a mobilização de 760 milhões de dólares para aumentar a produção nacional de milho, através de investimentos direcionados para a mecanização, irrigação e gestão pós-colheita.

Segundo uma nota informativa da FAO, os investimentos na mecanização agrícola incluirão a criação de 838 polos integrados de mecanização no país, destinados a fornecer serviços de aluguer de equipamentos para a fileira do milho, mas também para outras culturas.

Os investimentos na irrigação incidirão sobre a expansão das infraestruturas, com um plano destinado a fornecer a 50 000 agricultores kits de irrigação compostos por furos de água, bombas solares e sistemas de rega gota-a-gota, através de programas de crédito com taxas preferenciais.

Os investimentos na seleção de sementes, diversidade nutricional e redução das perdas pós-colheita concentrar-se-ão na construção de 200 armazéns, cada um com capacidade para 5 000 toneladas, de forma a facilitar a agregação e comercialização. Estes armazéns serão disponibilizados aos comerciantes de cereais através de contratos de arrendamento, melhorando o acesso a instalações de armazenamento de qualidade e reduzindo as perdas”, acrescenta a nota informativa.

Para além deste roteiro, o encontro do presidente Hichilema com os vietnamitas traduz igualmente a vontade de Lusaka de se abrir à experiência internacional e à troca de competências e tecnologias com parceiros estrangeiros, a fim de acelerar o crescimento do setor agrícola zambiano.

Um interesse pelas exportações?

Na Zâmbia, as necessidades de consumo de milho são avaliadas em cerca de 3 milhões de toneladas por ano, colocando o país numa situação de autossuficiência há vários anos. Neste contexto, uma parte do excedente de produção será destinada à constituição de reservas de segurança, enquanto a outra será orientada para a exportação, como acontece na maioria dos países com oferta excedentária.

No seu mais recente relatório sobre o mercado cerealífero do país, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica, por exemplo, que as exportações de milho zambiano para o Malawi, país vizinho da África Austral, poderão atingir até 400 000 toneladas através de circuitos formais e informais durante a campanha de comercialização de 2025/2026.

Enquanto o país visa uma produção de 10 milhões de toneladas até 2030, a fileira zambiana tem a oportunidade de reforçar o seu peso no comércio intra-regional para além do Malawi. Os dados compilados na plataforma Trade Map mostram, por exemplo, que os países membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), excluindo a Zâmbia, importaram cerca de 3,56 milhões de toneladas de milho, num valor de 1,13 mil milhões de dólares, no mercado internacional em 2025.

Stéphanas Assocle

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A baunilha é uma das especiarias mais comercializadas no mercado mundial. Principal produtor e exportador da matéria-prima, Madagáscar suscita cada vez mais o interesse dos grandes grupos internacionais que operam no segmento da transformação.

A multinacional norte-americana IFF (International Flavors & Fragrances), ativa na formulação de perfumes, bem como de aromas e ingredientes alimentares, anunciou a 11 de maio a abertura de um Centro de Inovação dedicado à baunilha na cidade portuária de Toamasina, em Madagáscar.

Esta nova infraestrutura, instalada num espaço de 650 m² próximo das principais zonas de cultivo e dos locais de transformação pós-colheita, reúne capacidades de análise laboratorial, extração, criação de aromas e desenvolvimento de aplicações destinadas às indústrias de lacticínios, panificação e confeitaria.

Através deste investimento, cujo custo não foi divulgado, a IFF dá mais um passo na sua integração na cadeia da baunilha, reforçando a sua presença nos segmentos de maior valor acrescentado. O grupo afirma assim a sua vontade de diversificar as suas atividades no país, para além do simples fornecimento de baunilha em bruto.

Este centro foi concebido para passar do nível de insights para ações concretas […] Ao reunir a ciência, a criação de aromas e o desenvolvimento de aplicações na origem, podemos colaborar mais estreitamente com os nossos clientes, ganhar em rapidez e consistência, e oferecer soluções prontas a comercializar que permanecem ancoradas nas realidades da produção de baunilha”, declarou Marcus Pesch, vice-presidente de investigação e desenvolvimento da divisão “Taste” (Sabor) da IFF. Está também previsto que esta instalação sirva como centro de formação e de partilha de competências em benefício dos atores locais da fileira.

Um impulso para reforçar a cadeia de valor?

Com este novo investimento, a IFF poderá contribuir para o reforço da criação de valor acrescentado local através das atividades de transformação e inovação. Este desafio é ainda mais estratégico num contexto marcado por uma crise mundial no mercado da baunilha, caracterizada pela queda dos preços no mercado internacional ao longo dos últimos cinco anos, situação que afeta a competitividade dos atores do setor.

Segundo dados compilados pelo Centro de Comércio Internacional (ITC), os preços por quilograma de baunilha no mercado internacional caíram mais de 80%, passando de 650 dólares em 2019 para menos de 100 dólares FOB em 2023, principalmente devido a uma saturação do mercado cujos efeitos ainda persistem.

Na sua mais recente nota de conjuntura económica, publicada a 11 de maio, o Banco Central de Madagáscar (BFM) indica que o preço médio de venda da baunilha no mercado internacional recuou 40,2% no 4.º trimestre de 2025, fixando-se em 38 dólares/kg, contra 63,6 dólares/kg um ano antes. Consequentemente, as receitas de exportação do setor diminuíram 34,7%, situando-se em 13,6 milhões de dólares no mesmo período, apesar de um aumento de 9,2% nos volumes exportados, que atingiram 357,3 toneladas.

“A situação de excesso de oferta no mercado, associada ao aumento histórico do volume das exportações em 2024, que permitiu aos grandes importadores constituírem stocks a baixo custo, continuou a exercer pressão descendente sobre o preço da baunilha”, explica a instituição financeira.

Para recordar, Madagáscar concentra cerca de 80% da produção mundial de baunilha. Esta dominância na oferta explica o crescente interesse dos grupos internacionais por uma presença mais integrada na fileira local, apesar da atual degradação das condições de mercado.

Stéphanas Assocle

 

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No mercado mundial do açúcar, a política comercial da Índia constitui um dos principais fatores de influência sobre os preços. O país é o segundo maior produtor mundial e o maior consumidor do planeta.

Na Índia, as autoridades anunciaram, a 13 de maio, a suspensão imediata das exportações de açúcar bruto e branco até ao final de setembro. A medida visa garantir um abastecimento interno suficiente, num contexto de previsões de quebra da produção, sendo o país o maior consumidor mundial deste produto (mais de 30 milhões de toneladas por ano).

Segundo informações divulgadas pela Reuters, a oferta de açúcar deverá registar défice em relação ao consumo pelo segundo ano consecutivo em 2026/2027, devido aos rendimentos da cana-de-açúcar que serão afetados pelo fenómeno El Niño.

Este episódio meteorológico, que se traduz por um aumento da temperatura da superfície do oceano nas zonas leste e central do Pacífico, poderá provocar precipitações de monção abaixo da média no país mais populoso do mundo.

Apesar das restrições anunciadas, o governo indica que os compromissos já assumidos poderão ser cumpridos se as operações de carregamento tiverem começado antes da publicação da notificação no Jornal Oficial, ou se a declaração de exportação já tiver sido submetida e o navio de importação tiver atracado, fundeado ou lançado âncora num porto indiano.

Para vários analistas, esta decisão representa um novo desafio para os exportadores, que tinham sido previamente autorizados a exportar 1,59 milhões de toneladas. Desse volume, a Reuters refere que contratos já foram assinados para 800 mil toneladas, das quais mais de 600 mil já foram expedidas.

A medida deverá também contribuir para o aumento dos preços globais do açúcar, num contexto em que a subida dos preços do petróleo, na sequência do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, tem impulsionado o interesse pelos biocombustíveis no Brasil, o maior produtor mundial de açúcar.

Na maior economia da América do Sul, o governo pretende aumentar a mistura de etanol de 30% para 32% até ao final de junho. Tal objetivo deverá levar as unidades de processamento de cana-de-açúcar a desviar mais matéria-prima para a produção de combustível, em detrimento do açúcar.

Segundo dados da agência nacional de culturas (Conab), a produção brasileira de açúcar deverá situar-se em 43,95 milhões de toneladas nesta campanha, contra 44,18 milhões de toneladas no ano anterior, devido a esta nova tendência. Este anúncio da Índia surge também num contexto em que se antecipa um défice global de 4,3 milhões de toneladas de açúcar em 2026/2027, segundo a consultora australiana Green Pool.

Espoir Olodo

 

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O consumo de refrigerantes no Quénia não mostra sinais de abrandamento. Com o crescimento demográfico e a urbanização, o mercado é um dos maiores a sul do Saara.

O mercado queniano de refrigerantes caminha para uma nova guerra? Embora, nas últimas décadas, vários operadores tenham tentado sem sucesso quebrar a hegemonia do gigante norte-americano Coca-Cola, a indústria poderá voltar a ser agitada. É pelo menos essa a intenção declarada pelo bilionário tanzaniano Mohammed “Mo” Dewji (foto). À margem da cimeira Africa Forward, realizada em Nairobi nos dias 11 e 12 de maio, a maior fortuna da África Oriental anunciou um investimento de 6,5 mil milhões de xelins (50 milhões de dólares) numa fábrica de produção de bebidas gaseificadas na cidade portuária de Mombaça.

O low-cost, a arma decisiva?

Esta operação será conduzida através do seu conglomerado MeTL Group, que dispõe de uma rede de mais de 30 fábricas na África Oriental, produzindo vários bens de consumo, como óleo alimentar, detergentes e farinha de trigo. Para se afirmar no mercado queniano, o empresário aposta numa estratégia já testada no seu país de origem: o low-cost.

Segundo o Business Daily Africa, a Mo Cola, uma das suas principais marcas que será distribuída no Quénia, poderá ser vendida a 15 xelins (0,11 dólares) por garrafa de 300 ml, contra uma média atual de 40 xelins (0,3 dólares) no país. Segundo Dewji, o projeto encontra-se na fase de planeamento, prevendo-se a construção de uma fábrica no prazo de 12 meses ou a aquisição de instalações já existentes.

Um mercado competitivo e dinâmico

Enquanto se aguardam mais detalhes, a iniciativa já gera reações no mercado. “O que é necessário é um produto de bebida que vise os consumidores de baixos rendimentos. A maioria das marcas disponíveis não responde a este grupo de consumidores”, considera Stephen Mutoro, secretário-geral da Federação dos Consumidores do Quénia.

Se as ambições da MeTL são claras, a tarefa não será fácil. A Coca-Cola e a Pepsi estão fortemente implantadas e em expansão. A Coca-Cola Beverages Africa (CCBA), principal engarrafadora da empresa de Atlanta, anunciou em 2024 um investimento de 175 milhões de dólares ao longo de cinco anos para expandir a sua rede de produção, que já inclui seis fábricas no Quénia. A PepsiCo, através da sua engarrafadora Seven Up Bottling Kenya, obteve 15 milhões de dólares em empréstimos do Stanbic Bank para reforçar a produção e as cadeias de abastecimento. Entretanto, os produtores locais como Kevian Kenya (4,8% de quota de mercado) ou Excel Chemicals enfrentam dificuldades.

Importa referir que o mercado queniano de bebidas gaseificadas nunca foi tão atrativo. O consumo de refrigerantes está a crescer rapidamente, impulsionado pela urbanização, pela expansão da classe média e pelo desenvolvimento das redes de distribuição. Segundo dados do Bureau de Estatísticas do Quénia (KNBS), a produção de bebidas gaseificadas no país atingiu 703 milhões de litros em 2025, um novo recorde e mais 27% do que em 2015 (551,4 milhões de litros). Um crescimento que evidencia a dinâmica do mercado e cria condições favoráveis tanto para os operadores existentes como para novos entrantes.

Espoir Olodo

 

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Os citrinos constituem a segunda categoria de frutas mais comercializada no mundo, depois da banana. Enquanto a Espanha é o líder histórico no segmento das exportações, a África do Sul alterou a hierarquia no final da campanha de 2025, que lhe foi mais favorável.

A África do Sul tornou-se, em 2025, o primeiro exportador mundial de citrinos em volume, segundo declarações da Associação Sul-Africana de Produtores de Citrinos (CGA), divulgadas esta semana por vários meios de comunicação locais. Os dados comerciais compilados pela plataforma Trade Map, desenvolvida pelo Centro de Comércio Internacional (ITC), que incluem citrinos frescos e secos, confirmam esta informação.

Esses dados mostram, de facto, que a África do Sul exportou 3,23 milhões de toneladas de citrinos em 2025, registando uma subida de cerca de 28% em termos homólogos, o que ilustra a dinâmica de crescimento observada no setor ao longo dos últimos anos. Nas duas últimas décadas, as exportações sul-africanas de citrinos mais do que duplicaram, passando de 1,43 milhões de toneladas em 2006 para o nível recorde registado em 2025.

A Espanha ultrapassada

Esta evolução permite à “nação arco-íris” ultrapassar pela primeira vez a Espanha, líder histórico das exportações mundiais de citrinos, agora em segundo lugar. Segundo os dados do Trade Map, o país europeu exportou 2,98 milhões de toneladas de citrinos em 2025. É apenas a segunda vez em vinte anos, depois de 2023, que as exportações espanholas ficam abaixo da marca dos 3 milhões de toneladas.

Embora a plataforma não apresente explicações para este recuo, vários fatores podem ser considerados. No seu mais recente relatório sobre o mercado europeu dos citrinos, publicado em janeiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicava uma má colheita em Espanha durante a campanha 2025/2026, devido à combinação de seca persistente e envelhecimento das plantações. Segundo a entidade norte-americana, a produção espanhola de laranjas (principal citrino cultivado no país) caiu cerca de 6% no período, atingindo o nível mais baixo em 16 anos.

“Esta situação deve-se principalmente a condições meteorológicas desfavoráveis, como chuvas na primavera, temperaturas elevadas durante as fases de desenvolvimento dos frutos e tempestades de granizo intensas, que afetaram toda a produção de citrinos, apesar de algum otimismo inicial de recuperação após um período de seca. Na região de Valência, para além das condições climáticas desfavoráveis, desafios estruturais de longo prazo, como o envelhecimento das plantações, a falta de uma cartografia varietal adequada e o abandono das explorações, também contribuem para a tendência de queda da produção”, pode ler-se no relatório.

Em contrapartida, a África do Sul beneficiou de condições meteorológicas favoráveis nas principais zonas de produção, bem como da entrada em produção de novos pomares plantados nos últimos anos, o que permitiu aumentar a colheita e os volumes exportáveis em 2025. Segundo a CGA, o setor sul-africano também beneficiou de uma procura internacional acrescida, nomeadamente por laranjas e limões destinados à transformação, bem como de um fim mais precoce da campanha no hemisfério norte, o que prolongou a janela de comercialização.

Perspetivas para 2026

O desafio será manter esta liderança nas próximas campanhas. Uma missão que já se antecipa difícil em 2026, num contexto de instabilidade geopolítica que perturba o comércio internacional. A escalada militar entre os EUA, Israel e o Irão, iniciada no final de fevereiro, está a fragilizar o transporte marítimo e o acesso aos mercados do Médio Oriente, um destino estratégico para os citrinos sul-africanos. Neste contexto, os operadores sul-africanos receiam uma redução das exportações para esta região.

O Médio Oriente tem sido, há muito, um mercado importante para os nossos citrinos. As perturbações tanto ao nível da procura como do transporte – bem como o efeito dominó internacional dos atrasos nas expedições – são riscos de que todos devem ter consciência. As tarifas de transporte também aumentaram significativamente. Ao mesmo tempo, alguns mercados do Golfo mantêm limites de preços no retalho de citrinos, o que reduz a capacidade dos exportadores de compensar estes custos logísticos mais elevados”, sublinhava a CGA numa nota informativa publicada a 27 de março.

Os dados do Trade Map mostram, por exemplo, que os países do Médio Oriente importaram cerca de 619 270 toneladas de citrinos provenientes da África do Sul em 2025, o que representa 19,12% do volume total exportado pelo setor nesse ano. Resta ver em que medida este conseguirá adaptar-se às novas realidades do mercado.

Stéphanas Assocle

 

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O consumo marroquino de trigo é o terceiro mais elevado de África, depois do Egito e da Argélia. O país figura também entre os principais importadores do continente.

Em Marrocos, as compras de trigo mole serão proibidas de 1 de junho a 31 de julho do próximo ano. O anúncio foi feito na quarta-feira, 13 de maio, por Moulay Abdelkader Alaoui, presidente da Federação Nacional dos Moleiros (FNM).

Esta medida deverá permitir evitar a concorrência direta entre o trigo importado e o trigo local, que poderia pressionar os preços pagos aos produtores e a comercialização da colheita interna.

A decisão de suspensão surge após o término, no final de abril, do tradicional mecanismo de apoio público às importações de trigo mole. Até 30 de abril de 2026, o governo atribuía uma subvenção fixa aos importadores, de forma a manter o preço do pão num nível baixo e a favorecer a constituição de reservas estratégicas.

Uma boa colheita após sete anos de seca

A medida insere-se num contexto meteorológico mais favorável. Após sete anos de seca, chuvas abundantes e melhor distribuídas puseram fim a um longo período de défice hídrico, oferecendo condições muito mais favoráveis às culturas cerealíferas.

Segundo dados oficiais, o Reino de Marrocos recebeu cerca de 462 mm de precipitação acumulada entre 1 de setembro de 2025 e 11 de março de 2026, um volume 56% superior à média dos últimos trinta anos e 134% acima do registado no mesmo período do ano anterior. Esta pluviosidade excecional melhorou significativamente o estado das culturas e dos pastos em todo o território.

O país espera uma colheita de cerca de 9 milhões de toneladas de cereais em 2025/2026, mais do dobro das 4,4 milhões de toneladas registadas na campanha anterior, graças à melhoria dos rendimentos e à expansão das áreas cultivadas, que deverão atingir cerca de 3,9 milhões de hectares, contra menos de 3 milhões no ano anterior.

Para o governo, esta melhoria representa uma oportunidade para reduzir a fatura de importação de cereais, que oscila entre 1,5 e 2,5 mil milhões de dólares por ano. Marrocos tornou-se, aliás, o principal cliente da União Europeia para o trigo mole na campanha 2025/2026, com a compra de cerca de 2,85 milhões de toneladas, contra 2,49 milhões de toneladas no ano anterior.

Segundo as últimas previsões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país deverá perder a posição de terceiro maior importador africano de trigo para a Nigéria em 2026/2027, com 4 milhões de toneladas importadas, contra 6,5 milhões para o gigante da África Ocidental.

Espoir Olodo

 

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No Benim, o setor agrícola contribui com 24% do PIB e emprega cerca de 40% da população ativa. Tal como na maioria dos países da África Subsaariana, o apoio público desempenha um papel estratégico na competitividade do setor.

No Benim, o governo mobilizou 31,87 mil milhões de francos CFA (56,9 milhões de dólares) para subsidiar a compra de fertilizantes destinados aos agricultores no âmbito da campanha agrícola 2026/2027. É o que resulta do Conselho de Ministros realizado na quarta-feira, 13 de maio. O montante anunciado representa um aumento de 22,5% em relação ao orçamento destinado à campanha 2025/2026 (46,4 milhões de dólares).

Segundo as autoridades, este reforço orçamental permitirá manter os preços de venda dos fertilizantes (ureia, NPK, KCl, SSP) ao mesmo nível dos praticados na campanha anterior, num contexto em que o mercado mundial de fertilizantes já atravessa um período de fortes tensões. «Constata-se que a aplicação dos preços reais do mercado seria prejudicial para a produção agrícola e constituiria um risco para a autossuficiência alimentar no nosso país», pode ler-se no comunicado do Conselho de Ministros.

No seu mais recente relatório «Commodity Markets Outlook», publicado a 28 de abril, o Banco Mundial alertou que os preços globais dos fertilizantes poderão aumentar mais de 30% em 2026 devido ao conflito no Médio Oriente e às perturbações no transporte marítimo no estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um terço do comércio marítimo mundial de fertilizantes, equivalente a aproximadamente 16 milhões de toneladas por ano. A ureia, principal fertilizante azotado utilizado no mundo, está particularmente exposta a estas tensões. Segundo a instituição financeira, o seu preço poderá atingir uma média de 675 dólares por tonelada este ano, ou seja, quase 60% acima do registado em 2025.

Neste contexto, o aumento do orçamento destinado à subvenção dos fertilizantes revela-se ainda mais estratégico, tendo em conta que a utilização de fertilizantes por hectare de terra arável no Benim é uma das mais elevadas de África. Dados compilados pela FAO mostram, por exemplo, que em 2023 o país registou uma taxa de utilização de 28,2 kg por hectare, acima da média continental (22,6 kg), sendo também o país da África Ocidental com a utilização mais intensiva.

Para a campanha agrícola 2026/2027, oficialmente iniciada a 23 de abril, o Benim pretende alcançar um crescimento de 8% na produção de algodão, principal fileira agrícola de exportação do país e também uma das maiores consumidoras de fertilizantes. Para além do algodão, as culturas cerealíferas como o milho e o arroz, estratégicas para a segurança alimentar, apresentam igualmente uma forte procura de fertilizantes.

Stéphanas Assocle

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Segunda maior região importadora de trigo do mundo depois do Sudeste Asiático, o Norte de África viu as suas compras deste cereal aumentarem regularmente ao longo das últimas campanhas de comercialização. No entanto, as previsões de colheitas abundantes poderão alterar esta dinâmica em 2026/2027.

Os países do Norte de África deverão importar um volume total de 29 milhões de toneladas de trigo durante a próxima campanha de comercialização 2026/2027. É o que prevê o United States Department of Agriculture (USDA) no seu mais recente relatório sobre o mercado mundial de cereais, publicado na terça-feira, 12 de maio.

Caso esta previsão se confirme, representará uma diminuição de 12,9% em relação à campanha anterior (33,3 milhões de toneladas) e marcará, além disso, a primeira vez nos últimos cinco anos em que as importações da região registam uma contração.

Em detalhe, Marrocos deverá apresentar a maior redução nas suas compras de trigo em 2026/2027. Segundo o United States Department of Agriculture, o reino marroquino irá adquirir 4 milhões de toneladas do cereal, o que representa uma queda de quase 43% em relação ao ano anterior. Seguem-se a Argélia (-10%) e o Egito (-5%).

Para explicar esta nova dinâmica, o USDA destaca as perspetivas favoráveis de colheitas esperadas em alguns países. Sabe-se, por exemplo, que Marrocos prevê duplicar a sua produção cerealífera no final da campanha 2025/2026, enquanto a Tunísia projeta um crescimento de 20% das suas colheitas na mesma campanha, graças a condições climáticas favoráveis.

Apesar da redução esperada das importações, o Norte de África continuará a ser uma das regiões mais dependentes do mercado internacional de trigo. O Egito deverá, aliás, manter o seu estatuto de principal importador mundial de trigo. De acordo com o United States Department of Agriculture, o país dos faraós irá adquirir 12,5 milhões de toneladas do cereal no mercado internacional em 2026/2027, colocando-se ao mesmo nível da Indonésia.

Ainda assim, uma diminuição das importações poderá contribuir para aliviar a fatura alimentar dos países norte-africanos, num contexto mundial marcado pela persistente volatilidade dos preços das matérias-primas agrícolas.

Stéphanas Assocle

 

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Enquanto o seu sistema educativo continua a ter dificuldades em formar uma mão de obra alinhada com as necessidades do mercado, Adis-Abeba volta-se para Nicósia para construir uma ponte académica em direção à Europa.

Durante um encontro em Adis-Abeba, a Etiópia e Chipre iniciaram consultas políticas bilaterais formais para reforçar a cooperação no domínio da educação. Segundo informações divulgadas na terça-feira, 12 de maio, pela Ethiopian News Agency, o evento marca uma nova etapa nas relações entre os dois países. O embaixador Mulie Tarekegn, diretor-geral adjunto para os assuntos europeus e americanos no Ministério dos Negócios Estrangeiros etíope, afirmou que estas conversações refletem “um compromisso comum para reforçar laços baseados no respeito mútuo”.

O acesso ao espaço académico europeu em foco

O novo mecanismo de diálogo não começa do zero. Stelios Makriyiannis, chefe do departamento África no Ministério dos Negócios Estrangeiros cipriota, afirmou, segundo a Ethiopian News Agency, que este quadro “irá concentrar-se na implementação dos acordos existentes, em particular nos domínios da educação e do ensino superior”. Estão previstos intercâmbios universitários e culturais, e ambas as partes pretendem também explorar novas oportunidades de investimento ligadas à formação.

Chipre, Estado-membro da União Europeia, tem apoiado esforços para aliviar as restrições de vistos impostas à Etiópia, incluindo durante a sua presidência do Conselho da UE em 2012. Para Adis-Abeba, esta alavanca é estratégica, pois abre caminho a uma maior mobilidade de estudantes e investigadores etíopes no espaço europeu. Makriyiannis sublinhou “a importância estratégica das relações entre a Etiópia e a União Europeia”.

Um sistema sob pressão, uma reforma em curso

Este acordo surge num contexto de fortes tensões estruturais. A taxa de participação no ensino superior etíope não ultrapassa os 12% em 2025, segundo a Revue internationale d'éducation de Sèvres, longe da meta governamental de 22%. O país conta com 46 universidades públicas e 275 instituições privadas, acolhendo mais de um milhão de estudantes, contra 210 mil em 2006–2007. No entanto, o crescimento quantitativo esconde défices de qualidade.

O Tesouro francês indica que “as competências adquiridas pelos alunos no ensino secundário e superior não parecem responder plenamente às necessidades do mercado de trabalho”. A taxa de desemprego jovem atingia 27,2% em 2022, segundo a Trading Economics. No mesmo ano, o Parceria Global para a Educação revelou que cerca de 90% das crianças de 10 anos não possuíam competências básicas de leitura.

Perante esta urgência, a Etiópia lançou em 2024 uma reforma universitária ambiciosa. Oito universidades-piloto estão envolvidas num processo de autonomização com o apoio da France Éducation international. O novo acordo com Chipre insere-se nesta dinâmica e reflete a vontade de diversificar parceiros académicos para transformar o capital humano num verdadeiro motor de desenvolvimento económico. Resta agora traduzir estas ambições em resultados concretos.

Félicien Houindo Lokossou

 

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