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O governo da Costa do Marfim anunciou a construção de três mercados grossistas em Abengourou, Abidjan e Daloa.

Esta iniciativa, apresentada por Bernard Kini Comoé, insere-se na reforma que enquadra os mercados grossistas e integra o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2026-2030.

O objetivo é modernizar a comercialização dos produtos alimentares, melhorar o abastecimento, o armazenamento, o transporte e a distribuição, reduzir as perdas pós-colheita, estabilizar os preços e reforçar a soberania alimentar do país.

As reformas incluem ainda uma gestão profissionalizada dos mercados, a criação de comissões especializadas (higiene, disciplina e rastreabilidade) e a integração de mercados de ligação para tornar mais eficiente a cadeia de abastecimento.

Uma reforma estrutural do sistema alimentar

O setor alimentar representa cerca de 5,7% do PIB da Costa do Marfim e baseia-se em produções estratégicas como o inhame, a mandioca, a banana-pão, o arroz e as culturas hortícolas. Apesar disso, persistem dificuldades ligadas ao armazenamento, transporte e comercialização.

Para responder a estes desafios, o governo aposta na criação de mercados de interesse nacional para organizar melhor os circuitos de distribuição, reduzir intermediários e melhorar a qualidade dos produtos.

Vários programas já foram lançados, incluindo as fases do Programa Nacional de Investimento Agrícola (PNIA), os agro-pólos regionais e mecanismos de apoio financeiro como o PURGA e o Fundo de Custos Partilhados, destinados a apoiar as pequenas e médias empresas agrícolas.

Charlène N’dimon

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Desde o início do conflito no Médio Oriente, em fevereiro de 2026, o mercado mundial dos fertilizantes encontra-se sob pressão. À medida que as preocupações com a oferta global se intensificam, o Egito, um dos principais atores do comércio internacional, está a endurecer as condições de exportação dos seus fertilizantes azotados.

O Egito instituiu uma taxa temporária de exportação sobre os fertilizantes azotados por um período de três meses. A medida, anunciada no Jornal Oficial do país, entrou em vigor a partir de 5 de maio de 2026.

Esta taxa, fixada pelo Ministério do Investimento e do Comércio egípcio, será aplicada no valor de 90 dólares por tonelada de fertilizante exportado, ou o equivalente em libras egípcias. Segundo informações divulgadas pelo meio local Arab Finance, esta iniciativa visa encontrar um equilíbrio entre o abastecimento da procura interna de fertilizantes e a estabilidade dos preços. Sugere ainda uma vontade do Cairo de garantir o abastecimento do mercado interno de fertilizantes azotados, evitando uma forte orientação dos volumes para a exportação, num momento em que o mercado mundial dos fertilizantes já atravessa um período de forte tensão.

No seu mais recente relatório “Commodity Markets Outlook”, publicado a 28 de abril, o Banco Mundial indicava que os preços globais dos fertilizantes poderiam subir mais de 30% em 2026, devido ao conflito no Médio Oriente e às perturbações no transporte marítimo no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do comércio marítimo mundial de fertilizantes, ou cerca de 16 milhões de toneladas por ano.

A instituição sublinhava ainda que os receios relacionados com o abastecimento interno poderão levar alguns grandes exportadores a impor restrições comerciais para proteger os seus mercados locais. A taxa imposta pelo Egito surge assim como uma das primeiras manifestações concretas desse risco no mercado internacional.

A ureia, principal fertilizante azotado utilizado no mundo, está particularmente exposta a estas tensões. Segundo o Banco Mundial, o seu preço poderá atingir em média 675 dólares por tonelada este ano, cerca de 60% acima do nível de 2025.

Um equilíbrio entre mercado interno e receitas públicas

Embora a taxa aplicada pelo Cairo vise sobretudo reduzir as exportações de fertilizantes azotados, poderá também resultar num aumento das receitas públicas.

O Egito desempenha um papel importante no comércio desta categoria de fertilizantes. Segundo dados da Trade Map, o país exportou cerca de 3,54 milhões de toneladas de fertilizantes azotados em 2024, ocupando o 7.º lugar entre os maiores exportadores mundiais, atrás da China, Rússia, Omã, Países Baixos, Bélgica e Estados Unidos.

Num contexto de preços internacionais elevados, os operadores poderão ser incentivados a manter os volumes de exportação para beneficiar das condições de mercado, apesar da nova taxa. Esta poderá assim tornar-se uma fonte adicional de receitas para o Estado, dependendo dos volumes exportados. No entanto, o efeito final dependerá do impacto da medida na competitividade dos fertilizantes egípcios face aos restantes fornecedores globais.

Num mercado mundial já sob forte pressão, qualquer medida que limite ou encareça as exportações de um grande fornecedor como o Egito pode agravar as perturbações na oferta e aumentar a volatilidade dos preços internacionais. O país dos faraós não é, aliás, o único exportador a adotar uma postura defensiva: em abril, a Rússia também anunciou a intenção de limitar as suas exportações de fertilizantes, incluindo os azotados, entre junho e novembro de 2026.

Stéphan Assocle

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Gabon depende das importações para quase todas as suas necessidades em carne de frango. Enquanto o governo planeia proibir as importações de frango de corte a partir de 2027, os projetos de investimento e apoio à produção avícola multiplicam-se no país.

O Gabão procura reforçar a sua capacidade de produção no setor avícola. Foi nesse contexto que o governo assinou, a 4 de maio, acordos de investimento no valor global superior a 775 mil milhões de FCFA (1,38 mil milhões de dólares) com cinco parceiros privados locais e estrangeiros.

Segundo informações da Agência Gabonesa de Imprensa (AGP), esta iniciativa insere-se no Plano Operacional de Emergência para a Fileira Avícola (POUFA), que visa reduzir a dependência do país das importações de frango e reforçar a soberania alimentar.

Uma série de projetos industriais

Os investimentos anunciados baseiam-se em vários projetos destinados a estruturar uma cadeia de valor integrada, desde a alimentação animal até à transformação, reforçando as infraestruturas de produção.

O grupo turco Hakan Kiran Holding prevê a construção de uma exploração avícola integrada em Ntoum, com capacidade de 60 000 toneladas por ano, avaliada em 67 mil milhões de FCFA.

O grupo NJS/Avi Gabon vai investir 10 mil milhões de FCFA numa exploração na província de Woleu-Ntem, incluindo também uma fábrica de alimentos para aves com capacidade de 24 000 toneladas anuais.

Outros acordos incluem parcerias com a Associação Agrícola Chinesa para a construção de infraestruturas agroindustriais nas regiões de Estuaire e Ogooué-Maritime, bem como um investimento de Hong Kong Grove Metal Limited para um parque agrícola.

A empresa Qingdao Intelligent Poultry Investment Development Co. Ltd comprometeu-se igualmente com uma exploração integrada com capacidade de 45 000 toneladas por ano.

Um setor em transformação

Estes novos investimentos juntam-se a iniciativas já em curso, como o lançamento de um fundo de crédito agrícola pela BCEG, a formação de 40 000 profissionais da fileira avícola e acordos com o grupo Graine International para o desenvolvimento de explorações e infraestruturas industriais.

O objetivo do governo é claro: preparar a proibição das importações de frango de corte prevista para 2027 e acelerar a substituição pelas produções locais.

Stéphan Assocle

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Na RDC, o setor agrícola contribui com cerca de 10% para o PIB e emprega aproximadamente 59% da população ativa. No país, onde as exportações continuam amplamente dominadas pelo setor mineiro e pelos hidrocarbonetos, a agricultura representa uma importante alavanca de diversificação económica.

A RDC pretende impulsionar as exportações de várias fileiras agrícolas prioritárias através de um mecanismo de financiamento apoiado pelo Reino Unido no valor de 25 milhões de dólares. A iniciativa foi o centro de uma reunião técnica realizada na segunda-feira, 4 de maio, em Kinshasa, entre Julien Paluku, ministro do Comércio Externo, e responsáveis da Rawbank, o principal banco comercial do país.

Segundo o comunicado oficial, este financiamento britânico visa “reduzir o risco” dos créditos concedidos aos produtores locais através da Rawbank. O objetivo é facilitar o acesso ao financiamento para os atores das fileiras de cacau, café, arroz, mandioca, milho e óleo de palma em várias províncias, incluindo Kivu do Norte, Tshopo, Congo Central, Mai-Ndombe, Kwilu e Equador, no âmbito de uma fase-piloto.

Na RDC, como na maioria dos países da África subsaariana, a agricultura continua a ser o “parente pobre” do financiamento bancário, sobretudo devido aos riscos associados, como a vulnerabilidade às condições climáticas, a falta de garantias, a informalidade das explorações e a fraca estruturação das cadeias de valor.

Segundo o Banco Central do Congo (BCC), os empréstimos bancários atribuídos aos setores da agricultura, pecuária, pesca e silvicultura atingiram apenas 187,8 mil milhões de francos (81 milhões de dólares) em 2024, o que representa apenas 0,8% do total dos créditos bancários, fixado em 23 346 mil milhões de francos (10 mil milhões de dólares) nesse ano.

Para Kinshasa, o desafio será transformar o mecanismo de financiamento anunciado com o Reino Unido em investimentos efetivos nas cadeias de valor agrícolas, num contexto marcado por constrangimentos logísticos e desafios de segurança.

Mercados a conquistar

Para além do financiamento, Kinshasa procura também reforçar a presença dos produtos agrícolas congoleses em vários mercados internacionais no âmbito da sua parceria com o Reino Unido. “O diretor comercial da Rawbank garantiu o apoio da instituição para ajudar a RDC a conquistar os mercados chinês, emiradense, britânico e norte-americano com a AGOA assegurada pelo Ministério do Comércio Externo”, refere o comunicado.

Esta abordagem deverá também contribuir para consolidar o desempenho recente do setor agrícola congolês nas exportações. No seu último relatório anual, a BCC indica que as exportações agrícolas da RDC geraram 519 milhões de dólares em 2024, quatro vezes mais do que em 2023 (119,8 milhões de dólares).

Este crescimento representa o nível mais elevado da última década, embora ainda corresponda apenas a 0,4% do total das receitas de exportação do país em 2024.

Na RDC, as fileiras do cacau e da madeira foram os principais motores das exportações agrícolas em 2024. “As exportações de madeira aumentaram 264,1%, impulsionadas pela forte procura do Quénia. Além disso, a melhoria do acesso da madeira congolesa ao mercado europeu, graças à implementação de sistemas de rastreabilidade e certificação florestal, facilitou as exportações. O cacau beneficiou igualmente da subida acentuada dos preços em 2024”, explica a BCC. Entre os outros produtos agrícolas de exportação destacam-se o café e a borracha natural.

Stéphan Assocle

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A produção de algodão em África insere-se num contexto em que as questões de rendimento e competitividade ocupam um lugar central. Em paralelo, as condições climáticas e as evoluções do mercado moldam o desempenho do setor.

A capital togolesa acolhe, a partir de terça-feira, 5 de maio, as 22.ªs Jornadas anuais da Associação Algodoeira Africana (ACA), um encontro importante que reúne os principais intervenientes da fileira do algodão no continente. Os trabalhos, organizados pela Nova Sociedade Algodoeira do Togo (NSCT), foram abertos pelo secretário-geral do ministério responsável pela agricultura, Tekize Madadozi, em representação do ministro.

Durante quatro dias, os participantes irão debater os desafios que a fileira enfrenta, partilhar experiências e propor soluções para melhorar a produtividade e a competitividade do algodão africano. As discussões incidirão sobretudo sobre a adaptação aos efeitos das alterações climáticas, a melhoria da qualidade e da rastreabilidade, bem como a otimização dos sistemas de produção.

«Estas jornadas oferecem um quadro privilegiado para a partilha de experiências e para a definição de respostas concretas aos desafios comuns do setor», declarou o diretor-geral da NSCT, Martin Drevon.

Reuniões regionais num contexto de fortes mudanças no setor

Este encontro, organizado em conjunto com a 18.ª reunião de balanço do Programa Regional de Produção Integrada do Algodão em África (PR-PICA), decorre num contexto económico internacional instável, marcado pela volatilidade dos preços do algodão nos mercados mundiais e pela subida contínua dos custos dos fatores de produção agrícola. A fileira algodoeira africana enfrenta exigências crescentes em termos de qualidade e rastreabilidade, bem como efeitos cada vez mais evidentes das alterações climáticas sobre os rendimentos, os calendários agrícolas e a sustentabilidade dos sistemas de produção.

Segundo o presidente da Associação Algodoeira Africana, Kassoum Koné, estas mudanças exigem uma rápida adaptação dos sistemas de produção, através da inovação, do reforço das capacidades dos produtores, da mecanização das operações agrícolas e de uma melhor coordenação entre os atores da cadeia de valor. Ele sublinhou ainda a necessidade de reforçar as parcerias para acompanhar a transformação estrutural do setor.

No Togo, nos últimos anos, a produção de algodão tem conhecido uma recuperação impulsionada pelas reformas no setor e pelos esforços de organização dos atores. As iniciativas implementadas visam melhorar os rendimentos, reforçar o acompanhamento dos produtores e promover práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis. Esta dinâmica insere-se também nas orientações mais amplas definidas a nível africano, nomeadamente no seio da Associação Algodoeira Africana, em favor de um algodão mais competitivo e melhor integrado.

Criada em 2002, a Associação Algodoeira Africana tem como missão promover a concertação entre os atores da fileira do algodão, fomentar o desenvolvimento sustentável do setor e reforçar a competitividade do algodão africano nos mercados internacionais.

Gautier Agbekodovi

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Em 4 de maio, a Comissão Europeia publicou o seu novo texto revisto sobre a desflorestação (EUDR). Esta lei visa proibir a importação de produtos como gado, cacau, café, soja, borracha, óleo de palma e madeira, identificados como principais motores da conversão de florestas em terras agrícolas.

Inicialmente adotado em junho de 2023, o texto foi revisto duas vezes, no final de 2024 e novamente no final de 2025, com o objetivo de introduzir simplificações direcionadas. Aguardada com grande expectativa pelas organizações ambientais contrárias à própria ideia de revisão, esta alteração pretende oferecer maior clareza aos operadores económicos, aos Estados-membros, aos países terceiros e a todas as partes interessadas, garantindo ao mesmo tempo um quadro jurídico estável e previsível. Eis os principais pontos a reter.

O que muda

Segundo a Comissão Europeia (CE), o regulamento revisto inclui um conjunto de medidas destinadas a facilitar a sua implementação, reduzindo significativamente a carga administrativa para as empresas.

O objetivo é reduzir cerca de 75% dos custos anuais de conformidade em relação ao regulamento inicial, passando de aproximadamente 8,1 mil milhões de euros para 2 mil milhões de euros para as empresas sujeitas às obrigações do EUDR.

Concretamente, a simplificação mais relevante consiste em transferir a principal responsabilidade de diligência devida para o primeiro operador que coloca os produtos no mercado europeu ou os exporta, enquanto os operadores a jusante e os comerciantes passam a concentrar-se sobretudo na recolha e conservação de informações de referência, sem necessidade de apresentar as suas próprias declarações de diligência.

A revisão também introduz um regime simplificado para micro e pequenos operadores primários, especialmente em países de baixo risco, que passam a poder limitar-se a uma única declaração simplificada, em vez de declarações repetidas para cada operação.

O sistema de informação do EUDR é igualmente ajustado, com formulários simplificados, especificações de API atualizadas, um plano de contingência em caso de indisponibilidade e uma funcionalidade de agregação voluntária das declarações de diligência, de forma a responder melhor às necessidades das empresas.

Por fim, a Comissão propõe ajustes específicos ao âmbito dos produtos através de um projeto de ato delegado, incorporando contributos das partes interessadas. O texto prevê a inclusão de alguns produtos transformados, como o café solúvel e derivados do óleo de palma, bem como a exclusão de certos artigos, como couro, pneus recauchutados, amostras de produtos e alguns materiais de embalagem. O projeto está aberto a consulta pública até 1 de junho de 2026.

O que não muda

Apesar destas alterações, a arquitetura fundamental do EUDR mantém-se inalterada: o regulamento continua a garantir que os produtos colocados no mercado da UE não contribuem para a desflorestação nem para a degradação das florestas.

As obrigações essenciais não foram flexibilizadas. Qualquer operador ou comerciante que coloque estes produtos no mercado europeu ou os exporte deve demonstrar que os bens não provêm de terras recentemente desflorestadas, que não contribuíram para a degradação das florestas e que foram produzidos legalmente de acordo com a legislação do país de origem.

Os requisitos de rastreabilidade e geolocalização das parcelas de produção continuam no centro do sistema, embora com algumas simplificações para pequenas empresas.

A revisão também não altera o calendário de aplicação: após o adiamento decidido em 2025, as obrigações entram em vigor a 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas e a 30 de junho de 2027 para micro e pequenas empresas.

Perspetivas para os países africanos

No continente africano, um dos principais fornecedores de produtos tropicais para a UE, esta revisão deverá ser recebida de forma positiva, sobretudo pelos países classificados como de baixo risco.

Vários países já estão a adaptar-se a esta mudança regulatória, investindo em sistemas de rastreabilidade, reforçando a transparência e promovendo práticas de produção mais sustentáveis e competitivas.

Na Etiópia, por exemplo, um sistema digital de rastreabilidade do café acompanha a cadeia de abastecimento desde a parcela até à exportação. No Quénia, são utilizadas tecnologias de deteção remota para preparação da aplicação do EUDR. Na Costa do Marfim, mapas nacionais de uso do solo de alta resolução foram desenvolvidos em cooperação com o Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia.

Para referência, na classificação da UE, vários países africanos como Gana, Gabão, Congo, África do Sul, Tunísia e Madagáscar estão na categoria de “baixo risco”, enquanto países como Camarões, RDC ou Costa do Marfim permanecem classificados como de “risco padrão”.

Espoir Olodo

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O arroz é o principal cereal importado na África Ocidental. Na região, vários países procuram proteger mais a sua cadeia produtiva face às importações a baixo preço provenientes da Ásia.

No passado dia 29 de abril, o Burkina Faso anunciou a interrupção imediata das suas importações de arroz.

Esta decisão foi acompanhada pela suspensão da emissão das Autorizações Especiais de Importação (ASI) e por um período transitório de dois meses durante o qual os operadores com esta autorização podem ainda exercer atividade, findo o qual as suas licenças serão anuladas. Se, para as autoridades, a medida visa favorecer o escoamento da produção local, ela também tem implicações no comércio intra-regional.

Nuvens que se acumulam

Ao anunciar a suspensão das importações, o governo burquinabê cria um novo desafio para os exportadores indianos de arroz para a África Ocidental, principal polo de consumo.

De facto, estes já estavam a recuperar da recente mudança na política aduaneira do Bénim relativa ao cereal. Segundo informações divulgadas pela empresa de análise Platts, que cita um documento oficial datado de 22 de abril, para obter uma licença, os importadores devem comprovar implantação no Benim há pelo menos três anos, situação fiscal e aduaneira regular, bem como meios técnicos e logísticos considerados suficientes.

A isto junta-se a obrigação de depositar uma garantia de 1 mil milhão de FCFA (1,7 milhões de dólares) numa conta dedicada do Tesouro público e o compromisso de encaminhar mensalmente entre 50 000 e 100 000 toneladas de arroz.

Com este endurecimento, a Platts refere que as cargas inicialmente destinadas a Cotonou estavam a ser redirecionadas para Lomé, de onde são habitualmente reexpedidas para o Burkina Faso, mas a nova restrição deste país faz agora recear uma acumulação de stocks nos portos e uma queda dos preços.

O Nigéria, novo destino de referência?

Enquanto alguns observadores consideram que os fluxos poderão ser redirecionados para outros mercados, como o Gana ou mesmo fora da sub-região, outros acreditam que o Nigéria poderá tornar-se nos próximos meses uma solução de recurso para os operadores.

Segundo a Platts, a Índia expediu cerca de 1,57 milhões de toneladas de arroz não basmati para o Benim em 2025, uma queda de 15% num ano. Cerca de 90% desse volume seria depois reencaminhado para o mercado nigeriano, segundo estimativas.

Embora os importadores nigerianos usem o porto de Cotonou como ponto intermédio antes do transporte por fronteiras terrestres para evitar tarifas elevadas, a decisão do governo nigeriano de reduzir as suas tarifas a partir de 1 de julho poderá alterar estes fluxos transfronteiriços.

Em detalhe, o direito de importação sobre o arroz a granel ou em quantidades superiores a 5 kg é reduzido de 70% para 47,5%, enquanto a tarifa sobre o arroz partido passa de 70% para 30%. Neste contexto, os operadores nigerianos poderão optar cada vez mais por importações diretas para o país, em vez de recorrer a rotas indiretas, o que beneficiaria os exportadores indianos.

Espoir Olodo

 

 

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Na Argélia, a aquacultura ainda ocupa um lugar modesto no abastecimento de peixe. Perante o aumento da procura de produtos halieúticos e os limites da pesca tradicional, as autoridades estão a apostar no desenvolvimento desta atividade para melhorar a oferta local de peixe.

A Argélia está a reforçar as suas capacidades em aquacultura. É nesse sentido que o Ministério da Agricultura prevê duplicar a produção aquícola para atingir 20 000 toneladas em 2026. Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, o anúncio foi feito a 23 de abril, por ocasião de uma reunião nacional organizada pelo ministério com os atores do setor.

Esta perspetiva de crescimento é sustentada pela sementeira de 80 milhões de alevins de dourada e robalo durante a presente época, contra 50 milhões de alevins introduzidos em gaiolas flutuantes em 2025. As autoridades indicam ainda que existem atualmente 28 explorações marinhas em atividade no país, com uma dinâmica de expansão das capacidades de produção através do aumento do número de gaiolas de cultivo e da abertura de novas zonas de exploração.

Para além do aumento da oferta de alevins, Argel aposta também na melhoria do acesso aos alimentos para peixes, que representam uma parte importante dos custos de produção.

Neste sentido, vários projetos industriais foram lançados ou relançados. As autoridades anunciaram, por exemplo, a reativação da unidade de produção de alimentos para peixes e camarões de Ouargla, no âmbito de uma parceria com a Coreia do Sul. “Colocada sob a tutela do Gabinete Nacional de Alimentos para Gado (ONAB), esta unidade encontra-se atualmente em fase de testes e deverá produzir alimentos específicos, nomeadamente destinados à criação de camarões”, explicou Miloud Triaa, diretor-geral da pesca e aquacultura no Ministério da Agricultura, em declarações citadas pela Algérie Presse Service a 29 de abril.

Segundo o responsável, o setor privado também participa nesta dinâmica com a entrada em funcionamento da AviFish, uma unidade especializada na produção de alimentos aquaculturais instalada na província de Bouira.

Num relatório publicado em janeiro de 2026, o Fórum Económico Mundial (WEF) sublinha que, em África, as dificuldades de abastecimento de alimentos para peixes tornam os custos de produção aquícola 10% a 20% mais elevados do que a média mundial. “Estes custos elevados explicam-se por uma forte dependência de alimentos para peixes convencionais, frequentemente importados devido à falta de capacidade local de produção […]”, explica a organização.

Um ambiente favorável ao investimento no setor

Para apoiar a expansão do setor aquícola, o governo argelino também reforçou as medidas de incentivo destinadas a investidores e fabricantes de insumos aquaculturais.

Desde janeiro de 2026, a lei orçamental prevê, por exemplo, a isenção de direitos aduaneiros e a aplicação de taxa reduzida de IVA às importações de matérias-primas utilizadas na fabricação de alimentos para a aquacultura. Prevê igualmente que os produtos locais resultantes desta produção sejam sujeitos à taxa reduzida de IVA, de forma a reforçar a competitividade nacional.

As autoridades esperam assim reduzir os custos de produção, atrair mais investimento e garantir a sustentabilidade das explorações aquícolas. “Esta medida constitui uma prioridade para assegurar a disponibilidade de alimentos de qualidade para os aquacultores e ajudará a reduzir os custos de gestão, diminuindo a carga fiscal na importação, o que favorecerá inevitavelmente a continuidade das atividades aquícolas”, refere o documento de apresentação do Projeto de Lei Orçamental para 2026.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a produção halieútica da Argélia foi de 82 366 toneladas em 2023, das quais 93% provenientes da pesca. Com um consumo aparente estimado em cerca de 127 000 toneladas nesse ano, o país registava então um défice de produção de cerca de 45 000 toneladas.

Stéphanas Assocle

 

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Em 2025, a borracha natural foi uma das poucas matérias-primas agrícolas a registar uma subida de preços nos principais mercados. As últimas projeções sugerem que esta tendência poderá continuar em 2026.

Os preços da borracha natural deverão manter a sua dinâmica de alta em 2026, segundo as mais recentes projeções do Banco Mundial, divulgadas no seu relatório “Commodity Outlook” publicado em abril. O preço médio do quilo de borracha natural de grau TSR20, a categoria mais utilizada na indústria automóvel, deverá assim aumentar 7,34% ao longo do ano, atingindo 1,90 dólares, contra uma média de 1,77 dólares registada em 2025.

Segundo a instituição financeira, a subida projetada em 2026 depende da continuidade do crescimento regular da procura nos países emergentes e em desenvolvimento, onde a indústria automóvel está em plena expansão. No período de 12 meses terminado em janeiro de 2026, o Banco Mundial indica que a procura mundial da matéria-prima aumentou ligeiramente, liderada pela China e pela Índia (cerca de 2% cada).

A fabricação de pneus, que representa quase dois terços da utilização da borracha natural, manteve-se globalmente estável para veículos ligeiros, mas reforçou-se para veículos pesados, sustentando assim o consumo global”, sublinha o relatório. Já em fevereiro, a Associação dos Países Produtores de Borracha Natural (ANRPC) antecipava um crescimento moderado da procura mundial para 15,6 milhões de toneladas em 2026, mais 1,7% em relação ao ano anterior.

Um mercado mundial sob tensão há vários anos

De forma geral, a subida esperada da procura insere-se num contexto mundial marcado por um desequilíbrio persistente entre oferta e procura há vários anos. Segundo a ANRPC, o mercado mundial deverá registar um défice de cerca de 400 mil toneladas em 2026, marcando o sexto ano consecutivo de escassez desta matéria-prima. Uma situação que confirma que a procura cresce mais rapidamente do que a oferta, por várias razões.

Entre condições meteorológicas desfavoráveis e a replantação insuficiente de plantações de seringueiras envelhecidas, os países produtores enfrentam desafios estruturais que limitam o seu potencial.

Independentemente das realidades do lado da produção, a subida prevista dos preços representa uma oportunidade para gerar mais receitas de exportação nos países africanos produtores, onde a maior parte da oferta é exportada em bruto.

Dados compilados na plataforma Trademap mostram que os países africanos exportaram cerca de 3 mil milhões de dólares em borracha natural em 2024, representando 18,5% das exportações mundiais, que totalizaram 16 mil milhões de dólares. A Costa do Marfim lidera amplamente, concentrando 82% das exportações continentais em valor, ou seja, 2,45 mil milhões de dólares.

Entre os outros grandes exportadores de borracha natural encontram-se, entre outros, a Libéria, o Gana, o Camarões e a Nigéria. No total, 21 países africanos exportaram borracha natural em diferentes formas em 2024, segundo o Trademap.

Stéphanas Assocle

 

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Na Nigéria, o setor de pecuária contribui com 35% para o PIB agrícola e ocupa um papel estratégico na economia rural. Em um contexto marcado pela persistência de doenças animais, as autoridades desejam modernizar os serviços veterinários e limitar os riscos sanitários.

Na Nigéria, um plano nacional de 10 anos para fortalecer a gestão da saúde animal e modernizar os serviços veterinários no período de 2026 a 2036 foi aprovado durante um workshop organizado pelo Ministério do Desenvolvimento da Pecuária, realizado de 28 a 30 de abril em Abuja.

De acordo com um comunicado publicado no site do ministério, este plano visa melhorar a vigilância das doenças animais, fortalecer as capacidades dos laboratórios veterinários, desenvolver sistemas de vacinação e modernizar os mecanismos de identificação e rastreabilidade do gado.

Como parte dessa estratégia, as partes interessadas adotaram várias resoluções sobre o fortalecimento das capacidades institucionais, a criação de mecanismos de financiamento sustentáveis e a melhoria dos sistemas de notificação de doenças. Também está prevista a elaboração de uma estratégia nacional coordenada de vacinação entre os estados, a expansão das parcerias público-privadas na cadeia de valor da pecuária, além da transformação digital e uma abordagem integrada das questões de saúde animal, humana e ambiental.

"Este plano fornece uma visão clara e prospectiva para construir um sistema veterinário moderno, resiliente e conforme com as normas internacionais, que apoia a produtividade da pecuária, protege a saúde pública e facilita o comércio seguro", afirmou Idi Mukhtar Maiha, Ministro do Desenvolvimento da Pecuária.

Esta medida ocorre em um momento em que a Nigéria enfrenta um aumento dos casos de febre carbúnculo (também conhecida como antraz) após mais de um ano sem grandes surtos. Trata-se de uma infecção bacteriana que afeta principalmente o gado (bovinos, ovelhas, cabras, cavalos).

Em 2 de abril, as autoridades nigerianas informaram à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) sobre o aparecimento de um novo surto da doença em uma criação doméstica no estado de Zamfara. Antes disso, a Nigéria não havia reportado um surto significativo de antraz desde janeiro de 2025.

Uma situação zoossanitária mais preocupante?

Além do antraz, que está atualmente no centro das atenções sanitárias no setor de pecuária na Nigéria, outras doenças animais continuam a representar uma ameaça significativa para o desenvolvimento do setor, com distribuição variada conforme as regiões e os sistemas de produção.

Em seu último relatório sobre o desempenho do setor agrícola, o Serviço Nacional de Extensão Agrícola e Ligação para Pesquisa (NAERLS) já traçava um quadro preocupante da situação sanitária do rebanho nacional em 2024. Segundo o documento, os bovinos continuam particularmente expostos à pneumonia contagiosa bovina (CBPP), febre aftosa (FMD) e tuberculose bovina, que foram relatadas em várias regiões do país.

Os pequenos ruminantes, como cabras e ovelhas, são fortemente afetados pela peste dos pequenos ruminantes (PPR), com surtos registrados nas regiões Centro-Norte, Nordeste e Noroeste.

Na avicultura, a doença de Newcastle (NCD) aparece como a patologia mais comum, relatada em praticamente todas as regiões do país em 2024. Os produtores também enfrentam episódios recorrentes de gripe aviária altamente patogênica (HPAI), cólera aviária, doença de Gumboro (IBD), tifo aviário e doenças respiratórias crônicas (CRD), dependendo da região.

A suinocultura também não está imune. O relatório do NAERLS mencionou também casos de peste suína africana (ASF), principalmente no Centro-Norte, enquanto diversas doenças parasitárias continuam a afetar os rebanhos no Nordeste.

Resta saber em que medida o novo plano anunciado será capaz de reduzir de forma sustentável a vulnerabilidade sanitária do rebanho nigeriano nos próximos anos.

Stéphanas Assocle

 

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