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Equipe Publication

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A Flutterwave concluiu a aquisição da Mono, uma start-up atuante em open banking na Nigéria, em Gana e na África do Sul. A fintech busca ampliar sua oferta de serviços, reunindo em uma única plataforma soluções de pagamento, verificação bancária e acesso a dados financeiros.

A Flutterwave, empresa de tecnologia de pagamentos ativa na África, anunciou em 5 de janeiro de 2026 a compra da start-up nigeriana Mono, especializada em open banking. Segundo diversos meios de comunicação nigerianos que citam fontes próximas ao processo, a operação foi realizada integralmente por meio de ações, e o valor da transação está estimado entre 25 e 40 milhões de dólares. O acordo havia sido finalizado em dezembro de 2025, quando Abdulhamid Hassan, fundador e CEO da Mono, indicou que a maioria dos acionistas e o Conselho de Administração da start-up haviam aprovado o projeto de aquisição pela Flutterwave.

A Mono mantém seu funcionamento atual, continuando a operar de forma independente. Sua gestão, suas equipes e suas atividades cotidianas também não sofrem alterações. A Flutterwave não assume o controle operacional, sendo o objetivo declarado um alinhamento estratégico. Esse modelo permite que a Mono continue a desenvolver suas soluções, ao mesmo tempo em que coloca sua infraestrutura a serviço do ecossistema de pagamentos da Flutterwave.

Essa aquisição consolida uma colaboração iniciada em 2021, materializada por diversas parcerias comerciais e técnicas entre as duas entidades.

O open banking no centro da estratégia da Flutterwave

A Mono desenvolve interfaces de programação de aplicações (APIs) que permitem às empresas acessar os dados bancários de seus clientes, iniciar pagamentos e verificar identidades. Essas ferramentas são utilizadas por fintechs, empresas comerciais e desenvolvedores para criar serviços financeiros. Ao integrar as APIs da Mono, a Flutterwave amplia seu campo de atuação. Até então, a fintech concentrava-se principalmente em pagamentos locais e transfronteiriços em mais de 30 países africanos. A partir de agora, sua plataforma também passa a abranger a integração de clientes, a verificação de identidade, a confirmação de contas bancárias, a análise de riscos baseada em dados e os pagamentos bancários diretos, sejam eles pontuais ou recorrentes.

Na prática, essa integração possibilita vários avanços: as empresas conseguem integrar serviços de pagamento com maior rapidez, os controles de identidade tornam-se mais sistemáticos e os riscos de fraude são melhor detectados. Os pagamentos de conta a conta são facilitados, sem a necessidade de múltiplos intermediários. Para a Flutterwave, essa evolução reforça a integração vertical e permite cobrir uma cadeia mais ampla, desde o acesso aos dados bancários até a execução dos pagamentos, passando pelos controles regulatórios.

Qual o impacto sobre o ecossistema fintech?

No médio prazo, essa colaboração abre caminho para novos usos. A Flutterwave menciona o desenvolvimento de métodos de pagamento alternativos, fluxos de pagamento autenticados e, no futuro, casos de uso de stablecoins compatíveis com os princípios do open banking. Para a fintech, o desafio também é econômico: ao controlar uma parte maior da cadeia de valor, a empresa busca melhorar suas fontes de receita, fortalecer a fidelidade de seus clientes e construir uma infraestrutura difícil de replicar.

Por sua vez, a Mono passa a ter acesso a uma rede presente em vários mercados africanos e a um volume maior de transações. Fundada em 2020, a start-up atua atualmente na Nigéria, na África do Sul e em Gana. Ao integrar-se à Flutterwave, ela se insere em uma plataforma utilizada por empresas de diferentes portes em todo o continente, com o objetivo comum de construir uma base financeira de uso em larga escala.

 

Chamberline Moko

 

 

Embora tenha sido superado pelo Marrocos em 2024 no posto de principal destino turístico da África, o país dos faraós continua sendo uma referência no continente graças à sua rica história, aos seus famosos monumentos culturais e à boa conectividade aérea.

As chegadas de turistas ao Egito atingiram a marca de 19 milhões em 2025, registrando um aumento de 21% em relação a 2024, anunciou no sábado, 3 de janeiro, o Ministro do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy. “Esse crescimento, superior à média mundial — estimada em 5% pela Organização Mundial do Turismo — reflete a competitividade do Egito como destino seguro, assim como o sucesso de nossa estratégia de oferecer produtos turísticos diversificados e melhorar a qualidade dos serviços”, declarou.

O ministro também revelou que o tráfego de voos charter no país aumentou 32% no ano anterior, destacando que os voos turísticos provinham de 193 cidades ao redor do mundo. Esses números refletem a consolidação da recuperação do setor após a pandemia de Covid-19, que fez as chegadas de turistas ao Egito caírem de 13 milhões para cerca de 3,7 milhões entre 2019 e 2020. Em 2024, o país do Norte da África recebeu 15,7 milhões de visitantes.

O governo egípcio estabeleceu como meta alcançar 30 milhões de turistas estrangeiros por ano a partir de 2028, graças principalmente à modernização e expansão dos aeroportos, à implementação de um sistema integrado de vistos eletrônicos (e-Visa) para agilizar os procedimentos de entrada e melhorar a eficiência nos pontos de fronteira, à construção de portos de cruzeiro e ao desenvolvimento de novas capacidades hoteleiras.

A indústria do turismo é uma das principais fontes de receita e emprego no Egito. Em 2024, gerou cerca de 15,3 bilhões de dólares para o país, segundo dados oficiais.

Walid Kéfi

 

 

A queda de Nicolás Maduro abre um novo ciclo para o petróleo venezuelano. Apesar de uma transição incerta, os mercados antecipam uma recuperação gradual da produção. Segundo diversos bancos, essa retomada poderia pressionar os preços do petróleo até 2030, dependendo dos investimentos.

A captura do presidente venezuelano pelas forças americanas e o anúncio de Donald Trump sobre um controle político do país representam um ponto de virada para um produtor há muito marginalizado pelas sanções internacionais e pelo subinvestimento crônico. Membro fundador da OPEP, a Venezuela detém cerca de 17% das reservas provadas de petróleo do mundo, ou quase 303 bilhões de barris. No entanto, esse potencial permaneceu amplamente inexplorado por mais de uma década.

Nos anos 1970, a produção venezuelana atingia cerca de 3,5 milhões de barris por dia (b/d), ou mais de 7% da oferta mundial. Caiu para menos de 2 milhões b/d na década de 2010, antes de se estabilizar em torno de 1,1 milhão b/d no ano passado, ou apenas 1% da produção mundial. Algumas estimativas apontam até um nível próximo de 800 mil b/d nos últimos meses, refletindo o estado degradado das infraestruturas e as persistentes restrições operacionais.

Segundo o JPMorgan, uma mudança de regime poderia desencadear um aumento gradual, porém significativo, da produção. Os analistas do banco estimam que a Venezuela poderia elevar sua oferta para 1,3–1,4 milhão b/d em dois anos, chegando a até 2,5 milhões b/d na próxima década, à medida que as capacidades existentes fossem reabilitadas e novos investimentos realizados. “Essas dinâmicas atualmente não estão incorporadas na parte de longo prazo da curva de preços do petróleo”, destacam.

O Goldman Sachs adota uma abordagem mais cautelosa, mas converge sobre o impacto potencial de médio e longo prazo. Em nota de 4 de janeiro, o banco avalia que a recuperação da produção venezuelana exigiria investimentos pesados e estabilidade política duradoura. Em um cenário em que a produção atinja 2 milhões b/d, o Goldman projeta um efeito de baixa de cerca de 4 dólares por barril nos preços do petróleo até 2030.

No curto prazo, entretanto, o impacto permaneceria “ambíguo, mas modesto”, dependendo amplamente da evolução da política americana de sanções. Por enquanto, o Goldman mantém inalteradas suas previsões para 2026, com o Brent médio a 56 dólares por barril e o WTI a 52 dólares, antecipando uma produção venezuelana ainda estável em torno de 900 mil b/d nesse horizonte.

A perspectiva de recuperação da produção depende em grande parte do papel que as empresas americanas poderiam desempenhar, algumas das quais nunca se retiraram totalmente do país, apesar das sanções e nacionalizações passadas. A Chevron é o caso mais emblemático. O grupo permaneceu no país por meio de joint ventures com a empresa estatal PDVSA, mesmo quando a maioria das grandes petrolíferas internacionais deixou a Venezuela nos anos 2000. Essa continuidade permitiu à Chevron manter conhecimento operacional sobre os ativos existentes, embora suas atividades tenham sido duramente limitadas pelo regime de sanções americanas. Em um cenário de normalização política, o grupo aparece como um dos atores melhor posicionados para contribuir na reabilitação gradual das infraestruturas.

Em contrapartida, ExxonMobil e ConocoPhillips saíram do país após as ondas de nacionalizações conduzidas sob a presidência de Hugo Chávez. Ambos os grupos iniciaram processos de arbitragem internacional para obter compensações. A ConocoPhillips busca há vários anos recuperar cerca de 12 bilhões de dólares referentes à expropriação de seus ativos, enquanto a ExxonMobil reivindicou cerca de 1,65 bilhão de dólares. Esses litígios permanecem centrais na avaliação de um possível retorno.

Segundo fontes citadas pela Reuters, a administração americana informou recentemente às líderes das grandes petrolíferas que qualquer perspectiva de compensação dependeria de um retorno à Venezuela e de investimentos significativos, financiados previamente pelas próprias empresas. Em outras palavras, os grupos petrolíferos deveriam primeiro investir capital para reconstruir um setor amplamente degradado antes de esperar recuperar parte ou a totalidade das dívidas provenientes das expropriações passadas. Essa condição aumenta o custo e o risco de retorno, especialmente porque as empresas também precisam lidar com um quadro contratual incerto, infraestruturas envelhecidas, questões de segurança e a possibilidade de instabilidade política prolongada.

Essas restrições explicam por que os analistas não preveem uma recuperação rápida da produção. A longo prazo, porém, a Venezuela poderia voltar a ser um fator estrutural no mercado global de petróleo.

Olivier de Souza

 

 

Enquanto a África enfrenta um elevado desemprego juvenil e um déficit de startups viáveis, iniciativas de financiamento e de fortalecimento de capacidades se multiplicam para estimular o empreendedorismo e o emprego, oferecendo novas oportunidades de crescimento econômico.

A Tony Elumelu Foundation (TEF) abriu oficialmente as candidaturas para o seu Programa de Empreendedorismo 2026 (TEEP), uma iniciativa destinada a apoiar jovens empreendedores. O programa oferece capital semente não reembolsável de até 5.000 dólares, treinamento profissional intensivo de 12 semanas, acompanhamento individual por mentores e oportunidades de networking internacional para empreendedores de todos os setores.

O TEEP ocorre em várias etapas, incluindo candidatura e seleção, verificação, treinamento em gestão empresarial, desenvolvimento do plano de negócios, competição de pitch e concessão do capital. Segundo informações oficiais, os beneficiários recebem os fundos por transferência eletrônica em suas contas profissionais, enquanto aqueles não selecionados podem continuar a participar do treinamento e se candidatar nos ciclos seguintes. O programa é voltado para empreendedores africanos, sejam eles donos de uma empresa ou apenas com uma ideia de projeto, e é oferecido em inglês, francês, português e árabe, a fim de abranger todo o continente.

O empreendedorismo continua sendo um vetor-chave para o emprego na África, onde cerca de 3 em cada 4 jovens adultos ocupam empregos precários, segundo o Banco Mundial. Ao fornecer capital, habilidades e rede de contatos, o TEEP busca preencher o déficit de startups viáveis e de empreendedores capacitados, contribuindo para a emergência de empresas capazes de criar empregos duradouros e dinamizar a economia local.

Este anúncio ocorre enquanto a África Subsaariana continua enfrentando um desemprego juvenil estruturalmente alto, estimado em 11,3% em 2025, e um descompasso entre formação e necessidades do mercado, de acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento.

Félicien Houindo Lokossou

 

 

Com o lançamento de sua estratégia de desenvolvimento “Visão 2030” em 2016, o Egito fez do digital um pilar essencial de seu crescimento. O desenvolvimento das infraestruturas de TIC e a promoção da inclusão digital são seus principais vetores.

Na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, o chefe de Estado egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, ressaltou a importância de abrir novas perspectivas para a indústria de telecomunicações e digital. Ele solicitou o estudo de possibilidades de desenvolvimento de centros de dados e serviços de computação em nuvem, a expansão da produção local de equipamentos de telecomunicações e a implementação de mecanismos eficazes de apoio e promoção dos produtos nacionais.

Essas questões foram abordadas em reunião com vários colaboradores, incluindo o Primeiro-Ministro Moustafa Madbouly, o Ministro das Comunicações e Tecnologias da Informação, Amr Talaat, e o Presidente Executivo da Autoridade Nacional de Regulação das Telecomunicações (NTRA), Mohamed Shamroukh.

Amr Talaat afirmou que as telecomunicações representam atualmente cerca de 6% do PIB e que o setor registra um crescimento anual entre 14% e 16% pelo sétimo ano consecutivo. O ministro também mencionou um aumento das exportações de serviços digitais, projetadas em 7,4 bilhões de dólares, contra 3,3 bilhões sete anos antes.

Ao investir no desenvolvimento de centros de dados, o Egito ganha em segurança para os dados estratégicos do Estado e de diversos setores do mercado nacional. O país também atrai empresas internacionais graças a uma credibilidade de infraestrutura que contribuirá para posicioná-lo como um polo regional de serviços digitais de alto desempenho.

As telecomunicações são atualmente um dos pilares da economia digital na África, especialmente no Egito. Reforçar a produção local de equipamentos apoiará investimentos mais acessíveis dos operadores de telecomunicações na modernização das redes. No caso dos telefones móveis produzidos localmente, devido a preços mais sustentáveis, eles devem ser mais acessíveis e contribuir para um maior uso de serviços digitais de valor agregado por uma parcela maior da população.

Segundo Amr Talaat, a capacidade de produção de celulares passou de 3,3 milhões de unidades em 2018 para 10 milhões em 2025, com valor agregado local de cerca de 40%. A meta declarada é elevar a capacidade anual para 15 milhões de unidades. Graças aos esforços de localização da indústria iniciados em 2016, incluindo vários incentivos, o país já atraiu 15 marcas internacionais, entre elas Samsung, Xiaomi, Oppo, Vivo e Nokia, além de cerca de 200 milhões de dólares em investimentos.

Muriel EDJO

 

Esse desenvolvimento ocorre em um contexto de fortalecimento das ligações marítimas entre a Ásia e a África. Iroko é uma linha de transporte lançada pela MSC para conectar diretamente os portos asiáticos a várias fronteiras portuárias da África Ocidental e da África Central.

A armadora MSC (Mediterranean Shipping Company) informou que, a partir do final de janeiro de 2026, seu serviço marítimo Iroko oferecerá uma conexão direta entre a China, Singapura e o porto sul-africano de Cidade do Cabo. Essa modificação amplia a cobertura geográfica da linha para a África Austral, mantendo o atendimento aos portos da África Central e Ocidental.

Segundo a empresa, a nova configuração do serviço baseia-se em uma rotação que liga vários portos asiáticos, incluindo Ningbo, Nansha e Singapura, a portos africanos localizados nas regiões austral, central e ocidental do continente africano. O novo itinerário completo é: Ningbo – Nansha – Singapura – Cidade do Cabo – Pointe-Noire – Cotonou – Apapa – Tincan/Lagos – Onne – Lobito – Cidade do Cabo – Singapura – Xiamen – Ningbo. O primeiro navio a operar nesta nova rotação será a viagem FN604A, com escala prevista em Ningbo em 23 de janeiro de 2026.

Como particularidade de sua oferta, a armadora informa operar este serviço de forma autônoma, permitindo oferecer uma capacidade superior à da concorrência. “Este serviço reforçado se destaca no mercado por sua configuração autônoma e ilustra o compromisso da MSC em fortalecer a conectividade da África com seus principais parceiros comerciais, incluindo a China”, indica a empresa, ressaltando que a oferta atenderá a diversos setores, incluindo distribuição, embarque de painéis solares e outras indústrias de bens destinados aos consumidores finais.

O serviço Iroko foi lançado pela MSC em setembro de 2025 como ligação marítima direta entre a China, Singapura e vários portos da África Ocidental e Central, incluindo Pointe-Noire, Cotonou, Lagos, Onne e Lobito. Na ocasião, a empresa destacou ligações semanais adicionais, destinadas a complementar os fluxos que transitam por hubs regionais como Lomé ou Tema, bem como a reduzir as interrupções de carga relacionadas às operações de feeder.

O lançamento do serviço fazia parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da capacidade da MSC nas rotas africanas, materializada, em particular, pela introdução de porta-contêineres de grande capacidade em vários corredores do continente.

 

Ao produzir seus primeiros ânodos de cobre puro, a fundição de Kamoa-Kakula marca uma etapa importante para o setor de mineração congolesa em sua integração industrial. Em um contexto de tensões na oferta global de cobre e aumento dos preços, essa infraestrutura concretiza uma estratégia de valorização local anunciada desde 2021.

A Ivanhoe Mines anunciou no início de 2026 que sua nova fundição, construída no sítio de sua mina de Kamoa-Kakula, na República Democrática do Congo, produziu seus primeiros ânodos de cobre puro a 99,7% em 29 de dezembro de 2025. Trata-se de um avanço industrial notável para esse complexo mineiro, cujo crescimento está sendo acompanhado de perto pelos observadores do mercado de metais.

Com um custo anunciado de 700 milhões de dólares, a fundição visa uma capacidade nominal de processamento de 500.000 toneladas de concentrado por ano, o que a torna, segundo a Ivanhoe, a maior instalação desse tipo na África. A infraestrutura permitirá, a longo prazo, processar localmente o concentrado proveniente das três unidades de tratamento do sítio minerário. Até a plena capacidade, prevista para o final de 2026, a empresa estima que suas vendas de cobre excederão a produção anual, devido à comercialização gradual de estoques anteriores, formados antes da entrada em operação da fundição.

O sítio também produzirá até 700.000 toneladas por ano de ácido sulfúrico, subproduto utilizado na indústria de mineração regional, cuja demanda aumentou após a proibição de exportação imposta pela Zâmbia em setembro de 2025. As primeiras vendas já foram realizadas, segundo a empresa.

Processar localmente em vez de exportar bruto

Além dos números, essa entrada em produção simboliza uma mudança de paradigma industrial para Kamoa-Kakula. Desde o início das operações em 2021, a mina exportava a maior parte de seu concentrado de cobre para fundições fora do território congolês. Uma parte (cerca de 35%, segundo várias fontes) também era processada localmente, na planta de Lualaba.

“Esta instalação fornecerá ânodos de cobre congoleses da mais alta qualidade para os mercados internacionais, estabelecendo um novo padrão mundial em termos de escala, eficiência e sustentabilidade”, comentou o empresário canadense-americano Robert Friedland, um dos líderes da Ivanhoe Mines.

A construção de uma fundição no próprio sítio segue a lógica de valorização local formulada pela empresa desde 2021, com o objetivo de reduzir custos logísticos (o volume de cobre por carregamento é maior uma vez transformado), garantir mercados e diversificar fontes de receita. Segundo os últimos dados disponíveis, toda a produção de ânodos da fundição já está coberta por contratos de longo prazo, firmados com os grupos chineses CITIC Metal e Zijin Mining, bem como com o negociador suíço Trafigura.

Um anúncio em um mercado sob pressão

A entrada em operação dessa infraestrutura ocorre em um contexto de tensões persistentes na oferta global de cobre e expectativas de alta nos preços. O preço do metal vermelho apresentou tendência de alta em dezembro, chegando próximo de 13.000 dólares por tonelada no London Metal Exchange (LME) no final do mês, impulsionado pela expectativa de tarifas alfandegárias dos EUA sobre importações de cobre refinado e por preocupações com o abastecimento.

Entre os fatores de preocupação estão vários incidentes ocorridos em 2025, incluindo um terremoto que afetou Kamoa-Kakula em maio. Esse evento levou a Ivanhoe a revisar para baixo suas previsões de produção, agora estimada em cerca de 420.000 toneladas em 2025 e 2026, contra mais de 500.000 toneladas inicialmente previstas.

Nesse cenário, vários analistas esperam que os preços continuem subindo nos próximos meses. O grupo Citigroup estima que o cobre poderá ultrapassar 13.000 dólares por tonelada até o segundo trimestre de 2026, prevendo aumento de 2,5% no consumo mundial final ao longo do ano. Gregory Shearer, estrategista de metais do J.P. Morgan, considera que a combinação entre “estoques fragmentados” e “perturbações agudas na oferta mineira” cria condições para um mercado altista sustentável.

Essa dinâmica dá à entrada em produção da fundição de Kamoa-Kakula um significado particular, tanto para os acionistas quanto para o país anfitrião, oferecendo uma alavanca econômica adicional. Vale lembrar que o complexo mineiro é detido em 39,6% pela Ivanhoe Mines, 39,6% pelo grupo chinês Zijin Mining, 20% pelo Estado congolês e 0,8% pela Crystal River Global Limited.

Louis-Nino Kansoun

 

O banco central do Gana prepara vendas de divisas aos bancos e às empresas no mercado cambial durante este primeiro mês de 2026. A operação faz parte de uma estratégia destinada a reduzir as flutuações da taxa de câmbio e a gerir as reservas do país.

O Banco do Gana (BoG) anunciou, em 5 de janeiro de 2026, a sua intenção de vender até 1 bilhão de dólares no mercado cambial ao longo do mês. Esses dólares serão oferecidos aos bancos comerciais e às empresas que necessitam de divisas para as suas atividades, em particular para o pagamento de importações.

A operação insere-se no programa de intermediação cambial implementado pelo banco central. Nesse âmbito, o BoG atua como intermediário para injetar dólares no mercado de forma organizada. As vendas serão realizadas por meio de leilões, de acordo com regras definidas em um novo quadro de operações cambiais, recentemente aprovado pelo seu conselho de administração. Os volumes vendidos podem variar em função das condições do mercado, do nível da demanda por divisas e da disponibilidade das reservas.

Os objetivos perseguidos pelo banco central

O BoG explica que a venda de dólares visa, преждеiramente, limitar as fortes variações da taxa de câmbio. Quando as empresas não encontram divisas suficientes no mercado, a pressão sobre o cedi aumenta. Essa situação pode levar a uma rápida desvalorização da moeda nacional. Ao injetar dólares no mercado, o banco central procura atender parte da demanda e evitar movimentos bruscos no curto prazo. No entanto, esclarece que não busca fixar um nível específico da taxa de câmbio nem orientar o mercado em uma direção determinada.

Além disso, esse programa também serve para gerir as reservas cambiais do país. O Banco do Gana persegue um objetivo de acumulação de reservas, ao mesmo tempo em que utiliza parte desses recursos quando o mercado necessita. Uma parte dos dólares colocados à venda provém do programa nacional de compra de ouro. Nesse mecanismo, o banco central compra ouro produzido localmente, que é posteriormente convertido em divisas estrangeiras. Os dólares obtidos são então injetados no mercado cambial de forma gradual e controlada. Essa abordagem permite canalizar os fluxos de divisas de maneira ordenada, sem perturbar o funcionamento normal do mercado.

Os resultados observados em 2025 e os desafios para 2026

Em dezembro de 2025, o Banco do Gana havia previsto vender até 800 milhões de dólares. O montante efetivamente vendido atingiu 721 milhões de dólares. Essas vendas foram realizadas por meio de leilões abertos, acessíveis a todos os bancos autorizados. Desde o lançamento do programa revisto, em setembro de 2025, os montantes injetados no mercado distribuíram-se da seguinte forma: 1,1 bilhão de dólares em setembro, 1,3 bilhão em outubro, 1 bilhão em novembro e 721 milhões em dezembro. Segundo os participantes do mercado, essas operações contribuíram para a estabilidade do mercado cambial e do cedi em 2025.

O Banco do Gana indica que o cedi se valorizou 40,67% em relação ao dólar ao longo de todo o ano de 2025, atingindo cerca de 10,45 cedis por dólar. De acordo com dados compilados pela Bloomberg, a moeda ganense registou em 2025 a sua primeira valorização anual desde pelo menos 1994. Entre as 144 moedas acompanhadas pela agência financeira, o cedi ocupa a segunda posição em termos de valorização frente ao dólar, atrás apenas do rublo russo.

Para 2026, a atenção concentra-se no primeiro trimestre. Esse período é frequentemente marcado por um aumento da demanda por divisas. As empresas ampliam as suas importações e as companhias listadas distribuem dividendos a acionistas estrangeiros. Esses fatores podem exercer pressão sobre o mercado cambial. A estratégia do Banco do Gana será, portanto, acompanhada de perto para avaliar a sua capacidade de responder a essa demanda mantendo, ao mesmo tempo, um funcionamento ordenado do mercado.

Chamberline MOKO

 

Diante da forte dependência do seu sistema elétrico da energia hidrelétrica, a Zâmbia multiplica os projetos solares de grande escala, uma dinâmica fortemente impulsionada em 2025 e que deverá se prolongar em 2026.

Em 17 de dezembro de 2025, as autoridades zambianas lançaram as obras de construção do projeto solar fotovoltaico de Siavonga, com capacidade de 100 MW, para um investimento anunciado de 80 milhões de dólares americanos.

O projeto é desenvolvido pela companhia nacional ZESCO Limited por meio de sua joint venture JIGSCO Energy Corporation Limited, em parceria com a Jigsaw Investments e a Power China como contratante EPC. A entrada em operação comercial está prevista para dezembro de 2026. O projeto é apresentado como um instrumento para o reforço da segurança energética e da resiliência da rede elétrica diante das restrições climáticas que afetam a produção hidrelétrica.

Dois dias depois, em 19 de dezembro, o governo deu início às obras de construção de outro projeto solar de 100 MW, o Chisamba Fase II. Segundo o Ministério da Energia, esse projeto também se insere na estratégia nacional de diversificação da matriz elétrica, com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade do sistema elétrico.

Essa sequência prosseguiu já no início de 2026 com um avanço operacional, em particular em Mansa, na província de Luapula, onde os testes de pré-comissionamento de uma usina solar de 50 MW permitiram a injeção de cerca de 14 MW na rede. Essa capacidade supera a demanda de pico local, estimada em 9 MW, contribuindo para o fim do racionamento de energia durante o dia em Mansa e parcialmente em Kasama. A entrada em operação completa da usina está prevista para abril de 2026.

Paralelamente, essa orientação em direção à energia solar estende-se à província sul do país, região que historicamente concentra as principais infraestruturas hidrelétricas. Nos dias 4 e 8 de dezembro de 2025, as autoridades e a ZESCO lançaram as obras de uma usina solar de 100 MW em Chirundu, de outra de 35 MW em Choma, bem como de uma linha de transmissão de 330 kV.

As usinas de Chirundu e de Choma estão localizadas na mesma zona que as barragens hidrelétricas de Kafue Gorge Upper, Kafue Gorge Lower e Kariba North Bank, pilares históricos da produção elétrica nacional.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a hidreletricidade representava cerca de 90% da eletricidade produzida na Zâmbia em 2023. No entanto, com projetos solares já operacionais e outros em construção em várias províncias, o país lança as bases para a ascensão gradual de uma alternativa e caminha para um sistema elétrico mais confiável.

Abdoullah Diop

 

Essa escolha ocorre em um contexto de volatilidade do mercado petrolífero. O preço do petróleo bruto caiu em 2025, em meio a crescentes temores de excesso de oferta.

Durante uma breve reunião virtual realizada no domingo, os oito principais membros da OPEP+ decidiram não alterar suas metas de produção para os meses de janeiro, fevereiro e março. Essa orientação confirma uma decisão tomada em novembro passado, quando o grupo optou por suspender temporariamente os aumentos de produção durante o trimestre, devido a uma demanda sazonalmente mais fraca durante o inverno no hemisfério norte.

Os países envolvidos são Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã. Juntos, eles representam mais da metade da produção mundial de petróleo. Em 2025, esses oito produtores haviam elevado suas metas de produção em cerca de 2,9 milhões de barris por dia, o equivalente a quase 3% da demanda mundial, em uma estratégia destinada a recuperar participação de mercado após vários anos de cortes voluntários voltados a sustentar os preços. Segundo a Reuters, nenhum novo ajuste foi discutido durante a primeira reunião do ano.

Essa decisão de estabilidade no curto prazo ocorre enquanto o mercado petrolífero sai de um ano difícil. Em 2025, os preços do petróleo bruto recuaram mais de 18%, registrando a maior queda anual desde 2020. Esse recuo se explica, em grande parte, por preocupações persistentes com o excesso de oferta.

Um mercado sob pressão diante do risco de excedente

A prudência demonstrada pela OPEP+ ganha um significado especial à luz do atual contexto geopolítico, marcado por tensões persistentes entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos em torno do conflito no Iêmen, bem como pelas incertezas que cercam o futuro da Venezuela, país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

Enquanto aumentam as dúvidas sobre as perspectivas da produção petrolífera para o novo ano, a Agência Internacional de Energia apresentou algumas chaves de análise em um relatório publicado em outubro passado. A agência explicou, em especial, que o futuro do mercado permanece ligado à reintrodução gradual no mercado de volumes anteriormente retirados pela OPEP+, combinada com o crescimento da oferta fora do cartel, especialmente nos Estados Unidos, Brasil, Canadá, Guiana e Argentina.

Em uma atualização publicada em dezembro, a organização prevê para 2026 um excedente de cerca de 3,8 milhões de barris por dia, ligeiramente inferior às estimativas anteriores. Essa revisão se deve a perspectivas de oferta revistas para baixo, relacionadas, em especial, às sanções que afetam a Rússia e a Venezuela, bem como a um crescimento da demanda ligeiramente mais forte do que o previsto.

 

 

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