Diante de um mercado de trabalho rígido e de cadeias produtivas ainda pouco desenvolvidas, as autoridades congolesas apostam na formação prática para melhorar a inserção profissional dos jovens e estimular atividades geradoras de renda.
Durante uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira, 30 de dezembro, em Brazzaville, na República do Congo, o Fundo Nacional de Apoio à Empregabilidade e à Aprendizagem (FONEA) anunciou o lançamento de um programa nacional de formação gratuita em trabalho com miçangas (perlagem), destinado a reforçar a empregabilidade e o autoempreendedorismo dos jovens. Apoiado pela Sociedade Africana de Recuperação (SAR), o programa prevê a formação de 3.000 beneficiários em uma cadeia artesanal ainda pouco estruturada, mas percebida como portadora de oportunidades econômicas.
Segundo os detalhes disponíveis, o programa é voltado a jovens de 16 a 35 anos e está organizado em torno do aprendizado do ofício, seguido por uma fase de produção e, posteriormente, de comercialização dos produtos. Essa abordagem integrada busca estruturar uma atividade artesanal ainda amplamente informal, transformando-a em um verdadeiro projeto empreendedor inserido em uma lógica de mercado.
Totalmente gratuita, a formação prevê a entrega de kits de instalação aos participantes, bem como um acompanhamento pós-formação destinado a avaliar seu impacto na inserção profissional. Em sua mensagem, Ghislain Louboya, diretor do FONEA, explica que o programa começa com uma fase piloto em Brazzaville e Pointe-Noire, antes de uma expansão progressiva em nível nacional.
Oficialmente, o projeto visa “fazer do trabalho com miçangas um instrumento de autoemprego e de inserção sustentável”, segundo o responsável pelo Fundo, convencido de que não se trata apenas de formar para um ofício, mas de “forjar verdadeiros empreendedores” capazes de gerar rendas duradouras. A escolha do trabalho com miçangas baseia-se em seu potencial econômico, considerado apto a criar oportunidades no artesanato e nos mercados locais, ao mesmo tempo em que valoriza o “Made in Congo”.
Essa iniciativa surge em um contexto de crescentes preocupações em torno do emprego juvenil. Segundo dados do Banco Mundial citados pela Global Economy, a taxa de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos na República do Congo permanece elevada, em torno de 39,99% em 2024, bem acima da média mundial.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto o Senegal busca melhorar a qualidade do seu ensino superior para atender melhor às demandas do mercado de trabalho, o recrutamento em massa de professores universitários pela Guiné evidencia as tensões entre mobilidade profissional, quadro legal e atratividade do sistema acadêmico.
Em comunicado divulgado pela imprensa local na segunda-feira, 5 de janeiro, as autoridades senegalesas de ensino superior se pronunciaram sobre o recrutamento de 59 docentes-pesquisadores em universidades guineenses. Esse movimento, considerado “controverso” por alguns veículos, foi examinado pelo Ministério do Ensino Superior, Pesquisa e Inovação (MESRI).
Segundo o ministro Daouda Ngom, essa mobilização levanta questões sobre o cumprimento da regulamentação nacional, em particular a proibição de um funcionário público trabalhar na função pública de outro país sem mecanismos de cooperação previamente ratificados. Longe de ser um fenômeno marginal, esse fluxo de professores é visto como indicativo de problemas estruturais relacionados à gestão de carreiras e à atratividade das universidades senegalesas.
Regular a mobilidade sem reduzir a atratividade
Em comunicado oficial, o MESRI lembrou as disposições legais que regem a mobilidade de docentes-pesquisadores. A lei nº 61‑33 de 15 de junho de 1961 consagra a exclusividade do emprego na função pública, enquanto o artigo 11 da lei nº 81‑59 de 9 de novembro de 1981 regulamenta o uso do pessoal universitário fora do quadro.
Com base nisso, os reitores das universidades públicas foram encarregados de verificar se qualquer compromisso no exterior respeita essas normas e evita acúmulo irregular de empregos. O ministério ressalta, contudo, que a mobilidade internacional não é proibida e pode ocorrer dentro de mecanismos de cooperação formalizados e missões autorizadas por lei.
Esse posicionamento reflete a tensão entre a liberdade profissional dos docentes e a necessidade de preservar as capacidades institucionais nacionais. Segundo o MESRI, as universidades senegalesas continuam atraentes na sub-região devido ao seu ambiente acadêmico sólido e remuneração competitiva, mas a mobilidade deve ser regulada.
Essa declaração surge enquanto o ensino superior senegalês enfrenta vários desafios, incluindo a adequação entre formação e emprego, a qualidade da pesquisa e o fortalecimento das capacidades acadêmicas por meio do plano estratégico 2025‑2026, que prevê a contratação de centenas de docentes-pesquisadores. Além disso, Dacar e Conacri assinaram em maio de 2025 um protocolo de cooperação universitária e científica, prevendo a mobilidade de professores e estudantes, cuja implementação é confiada a um comitê de acompanhamento.
Nesse contexto, o Senegal tenta conciliar abertura regional, atratividade acadêmica e respeito ao quadro jurídico nacional, enquanto o debate sobre a mobilidade de talentos e a competitividade das universidades africanas continua se intensificando.
Félicien Houindo Lokossou
Dar à juventude guineense os meios para se tornar uma mão de obra qualificada reconhecida internacionalmente faz parte das ambições do programa Simandou 2040. Diversas medidas importantes estão previstas para isso, com o apoio das tecnologias digitais.
Sob a presidência da ministra das Postas, Telecomunicações e Economia Digital, Rose Pola Pricemou, a Guiné lançou oficialmente, no final de dezembro de 2025, o projeto “Univ Connect”. Este projeto de interconexão por fibra ótica das instituições de ensino superior (IES), conduzido pela Agência Nacional do Serviço Universal de Telecomunicações e do Digital (ANSUTEN), visa fornecer aos campi do país uma infraestrutura de internet mais rápida, estável e segura.
“Esta iniciativa representa um passo decisivo no apoio à evolução digital do setor educacional na Guiné e permitirá que nossas instituições ofereçam serviços acadêmicos de acordo com os padrões internacionais”, declarou a ANSUTEN.
Do ponto de vista operacional, 13 sites já estão conectados à fibra nacional. Nove estão totalmente funcionais, e quatro estão em fase de ativação. Além disso, quatro sites adicionais estão em fase de implementação. Ao final do programa, a conectividade e interconexão de 17 instituições de ensino superior permitirá criar uma rede universitária de alta velocidade e segura em todo o país.
Segundo a ANSUTEN, o projeto se insere na dinâmica de transformação digital impulsionada pelo governo no âmbito do programa socioeconômico sustentável Simandou 2040. O objetivo é fortalecer o acesso a uma infraestrutura digital moderna e confiável para universidades públicas e privadas em toda a Guiné.
Além do acesso à internet, a meta é criar uma verdadeira “rede acadêmica”, permitindo que as instituições compartilhem recursos e modernizem seus serviços. Univ Connect facilitará o acesso a bibliotecas digitais, plataformas de aprendizado online e ferramentas de pesquisa, além de melhorar a qualidade da interação entre quase 80.000 professores, pesquisadores e estudantes.
A interconexão abre caminho para usos mais intensivos: videoconferências, cursos híbridos, colaboração entre universidades, acesso a bases de dados científicas e hospedagem de aplicações pedagógicas. A médio prazo, essa base poderá apoiar plataformas nacionais de pesquisa e inovação.
Resta o desafio da sustentabilidade. O impacto de longo prazo dessa rede universitária dependerá da manutenção dos equipamentos, da robustez das redes internas nos campi, da disponibilidade de energia e da implementação de padrões de cibersegurança. Em outras palavras, a fibra ótica é apenas uma base: para alcançar os padrões internacionais desejados, será necessária também uma governança durável.
Muriel EDJO
A Argélia busca reduzir o desemprego estrutural e integrar de forma sustentável as populações mais vulneráveis em seu mercado de trabalho. As autoridades públicas apostam especialmente no digital para melhorar o acesso ao emprego para pessoas com deficiência.
O Ministério da Solidariedade Nacional, da Família e da Condição da Mulher lançou um guia eletrônico dedicado à inserção econômica de pessoas com necessidades específicas. Pensada como uma plataforma digital de orientação, esta iniciativa visa, segundo a imprensa local, aproximar formação, acompanhamento e emprego para pessoas com deficiência.
Supervisionado pela ministra Soraya Mouloudji, o lançamento marca uma etapa-chave na “estratégia nacional para fortalecer a autonomia econômica, a justiça social e a igualdade de oportunidades”. Apresentado como uma ferramenta de referência acessível, o guia destina-se a um amplo leque de atores, desde as pessoas beneficiárias até instituições públicas, associações especializadas e empregadores, em uma lógica multisectorial e coordenada.
O dispositivo é estruturado em vários eixos que cobrem todo o percurso de inclusão, desde a reabilitação e a formação profissional até a inserção no emprego e o apoio a atividades geradoras de renda. A formação profissional ocupa um papel central, com programas adaptados aos diferentes tipos de deficiência, incluindo formação presencial, alternância e ensino à distância via plataformas digitais.
O guia também lembra o quadro regulamentar vigente, incluindo a obrigação de os empregadores reservarem pelo menos 1% das vagas para pessoas com deficiência, conforme o Decreto Executivo n° 25-01 de 20 de fevereiro de 2025, citado pelo Le Jeune Indépendant.
Essa iniciativa surge em um contexto marcado por desequilíbrios persistentes no mercado de trabalho argelino. Segundo o Office National des Statistiques, a taxa de desemprego era de 12,7% em outubro de 2024, com grandes disparidades por idade e gênero.
Para pessoas com deficiência, o acesso ao emprego continua muito mais complexo. Um relatório de 2023 destacou que, apesar da existência de leis protetoras e quotas de contratação, estes raramente são respeitados, e a integração profissional ainda enfrenta obstáculos estruturais, discriminações persistentes e apoio insuficiente.
Félicien Houindo Lokossou
Após um ano de 2025 marcado por uma série de recordes históricos, o mercado do ouro continua a alimentar expectativas de alta entre as grandes instituições financeiras, num contexto de antecipação de cortes nas taxas de juros, especialmente nos Estados Unidos, e de uma procura sustentada por ativos considerados como refúgios seguros.
O banco americano **Morgan Stanley antecipa um preço do ouro a US$ 4.800 por onça no quarto trimestre de 2026, segundo uma nota publicada na segunda‑feira, 5 de janeiro. Esta projeção, se concretizada, ultrapassaria os máximos alcançados no final de 2025 pelo metal precioso.
Na sua análise, o Morgan Stanley salienta vários fatores que podem sustentar o preço do ouro. O banco cita nomeadamente a perspetiva de novas quedas nas taxas de juros, uma possível mudança de liderança na Reserva Federal dos EUA e a continuação das compras de ouro por parte dos bancos centrais e de alguns fundos de investimento.
Taxas de juros mais baixas reduzem, de facto, o rendimento dos investimentos em obrigações, o que tende historicamente a reforçar o apelo do ouro — um ativo que não gera rendimento, mas é visto como uma reserva de valor. A nota menciona também eventos recentes na Venezuela como fator que pode reforçar a posição do ouro como porto‑seguro, embora esse elemento não tenha sido incorporado explicitamente na construção da previsão numérica.
Tendência de alta e perspetivas
A projeção do Morgan Stanley insere‑se na continuação de um ciclo de alta iniciado bem mais cedo do que o previsto. Já em outubro de 2025, o ouro ultrapassou pela primeira vez o simbólico limiar dos US$ 4.000 por onça, superando as previsões de várias instituições financeiras. O metal precioso atingiu um recorde histórico de US$ 4.549,71 por onça em 26 de dezembro de 2025 e terminou o ano com uma progressão anual de 64 %, a sua melhor performance desde 1979.
Se o Morgan Stanley prevê que a tendência de alta continue em 2026, outros analistas são ainda mais optimistas. Instituições como JP Morgan, Bank of America e o gabinete Metals Focus já referiram a possibilidade de o preço do ouro ultrapassar o limiar dos US$ 5.000 por onça este ano.
O mercado tem sido acompanhado de perto por muitos países produtores, nomeadamente em África, onde o ouro constitui uma fonte importante de receitas de exportação e receitas públicas. Economias como Gana, Mali, Burkina Faso, Tanzânia e Zimbábue dependem significativamente do rendimento gerado pela exploração do metal amarelo.
As chegadas de turistas ao Reino de Marrocos em 2025 superaram amplamente as metas do governo, que previa 18 milhões de visitantes para o ano.
O Marrocos registrou um número recorde de 19,8 milhões de turistas em 2025, um aumento de 14% em relação a 2024, anunciou o Ministério do Turismo em comunicado publicado na segunda-feira, 5 de janeiro. Esse desempenho histórico deve-se principalmente à diversificação da oferta turística, à melhoria dos serviços e ao reforço das ligações aéreas internacionais.
“Receber cerca de 20 milhões de turistas em 2025 reflete a transformação profunda do turismo marroquino, impulsionada pela visão esclarecida de Sua Majestade o Rei Mohammed VI. Um turismo mais eficiente, sustentável e gerador de valor para os territórios”, declarou a ministra do Turismo, Artesanato e Economia Social e Solidária, Fatim-Zahra Ammor.
O reino continua sendo a principal destino turístico da África em termos de visitantes, à frente do Egito, onde as chegadas de turistas somaram 19 milhões em 2025. O aumento das chegadas também se traduziu em maiores receitas do setor turístico, que alcançaram 124 bilhões de dirhams (aproximadamente 13,5 bilhões de dólares) nos primeiros onze meses de 2025, um crescimento de 19% em relação ao mesmo período de 2024.
O governo havia estabelecido uma meta de 18 milhões de turistas para 2025, segundo o relatório sobre estabelecimentos e empresas públicas (EEP) que acompanha o projeto de Lei de Finanças 2026 (PLF). Em 2024, o Marrocos recebeu 17,5 milhões de turistas, contra 14,5 milhões em 2023, superando pela primeira vez o Egito, que até então liderava como destino mais procurado na África.
O plano de desenvolvimento do turismo elaborado pelas autoridades prevê 26 milhões de turistas em 2030, ano em que o Marrocos co-organizará a Copa do Mundo de Futebol com Espanha e Portugal. O turismo, que representou 12,3% do PIB do país em 2024, segundo estudo do World Travel & Tourism Council (WTTC), continua sendo uma fonte essencial de divisas estrangeiras.
Walid Kéfi
Em Marrocos, a sardinha representa 85% dos pequenos pelágicos. No país, esse recurso vem sofrendo pressão nos últimos anos, entre o esgotamento dos estoques, a sobrepesca e o aumento das necessidades de consumo.
Marrocos proibirá a exportação de sardinhas congeladas a partir de 1º de fevereiro próximo. O anúncio foi feito na segunda-feira, 5 de janeiro, por Zakia Driouich, secretária de Estado responsável pela pesca marítima, que, no entanto, não especificou a duração da medida. Segundo ela, essa restrição comercial tem como objetivo melhorar o abastecimento do mercado interno e limitar a alta dos preços para os consumidores locais, especialmente durante o período do Ramadã, quando esse produto é particularmente apreciado.
1 peixe
No Reino Cherifiano, os desembarques de sardinha caíram 46% entre 2022 e 2024, passando de 965 mil para 525 mil toneladas, de acordo com dados do Office National des Pêches (ONP). Essa situação provocou uma forte concorrência pelo recurso e levou a vários episódios de aumento de preços em 2025, em diversas regiões do país.
Segundo vários observadores, a proibição anunciada ilustra a delicada equação enfrentada pelas autoridades marroquinas, divididas entre a necessidade de satisfazer a demanda interna e a de responder às exigências de um segmento voltado para a exportação. O Reino continua, de facto, a ser o maior produtor e exportador mundial de conservas de sardinha, com cerca de 15 mil toneladas enviadas para mercados da Europa, da Ásia e do Médio Oriente.
Diante da escassez dos recursos haliêuticos, a União Nacional das Indústrias de Conservas de Peixe (UNICOP) havia, por sua vez, apelado em junho de 2025 ao reforço dos controlos portuários e do combate à pesca ilegal, à proibição da captura de juvenis e ao respeito por períodos de defeso biológico, a fim de garantir a sustentabilidade dos estoques.
Espoir Olodo
Enquanto o Gabão prevê tornar operacional, em janeiro de 2026, a sua central nacional de compras, três países sahelianos, reunidos no âmbito da Aliança dos Estados do Sahel, também preparam a criação de uma central de compras comum, com o apoio dos seus organismos nacionais.
Os países membros da Aliança dos Estados do Sahel (AES) estão a trabalhar na criação de uma central de compras confederal. O anúncio foi feito na terça-feira, 23 de dezembro de 2025, por Assimi Goïta, presidente do Mali, durante a apresentação do seu balanço após um ano à frente da Confederação dos Estados do Sahel.
Essa central de compras diz respeito aos três países membros da AES, a saber, Mali, Burkina Faso e Níger. Ela deverá contribuir para uma melhor regulação dos mercados de cereais, para a constituição de uma reserva cerealífera confederal e para o reforço da segurança alimentar no espaço da AES.
A criação dessa estrutura permitirá estabelecer um quadro comum para uma melhor coordenação das políticas públicas de compras, uma planificação mais eficiente das importações e uma gestão conjunta das necessidades, especialmente em períodos de tensão nos mercados.
Um acordo entre os organismos cerealíferos como primeira etapa
O projeto da central de compras da AES ainda se encontra em fase de estruturação. Nesta etapa, colocam-se questões relativas à sua forma jurídica, à estrutura do seu capital, ao papel exato dos Estados membros na sua governação, à lista dos produtos que serão geridos ou ainda à existência ou não de monopólios de importação sobre determinados produtos.
Enquanto se aguarda a criação formal da central, um primeiro passo foi dado em 17 de dezembro de 2025, em Niamey. O Office des Produits Agricoles du Mali (OPAM) assinou um acordo de parceria com o Office des Produits Vivriers du Niger (OPVN) e com a Société Nationale de Gestion du Stock de Sécurité Alimentaire do Burkina Faso (SONAGESS).
Essas estruturas públicas são responsáveis, nos respetivos países, pela gestão das compras de cereais e dos estoques de segurança. Esse acordo lança as bases de um instrumento económico e logístico comum, chamado a transformar de forma duradoura a gestão dos produtos estratégicos no espaço saheliano.
A criação de uma central de compras não é um ato isolado no continente. O Gabão anunciou, ao final do conselho de ministros de 12 de agosto de 2025, a criação de uma central nacional de compras. Essa estrutura terá a forma de uma sociedade anónima, detida em 37% pelo Estado e em 63% por operadores nacionais de distribuição, e ficará sob a tutela técnica do Ministério da Economia e das Finanças.
A central gabonesa terá como missão comprar, armazenar, transportar e distribuir produtos considerados essenciais, que vão desde gêneros alimentícios até materiais de construção. Ela disporá de monopólios de importação sobre cerca de cinquenta produtos e visa estabilizar os preços, garantir o abastecimento e importar diretamente junto aos produtores internacionais.
Segundo a Agência Gabonesa de Imprensa, essa central deverá tornar-se operacional a partir de janeiro de 2026, com a chegada das primeiras cargas. O exemplo gabonês oferece um ponto de comparação para a AES, à medida que a Confederação do Sahel avança na definição do seu próprio modelo de central de compras.
Chamberline MOKO
A África afirma-se progressivamente como um novo polo de criação de riqueza. Há cerca de uma década, o patrimônio dos bilionários não para de crescer, apesar das pressões inflacionárias, bem como das incertezas macroeconômicas e políticas.
Ao longo do último ano, os bilionários africanos registraram um ganho líquido de US$ 21,9 bilhões em suas fortunas. É o que revela o mais recente ranking Bloomberg Billionaires Index das 500 maiores fortunas do mundo, publicado no fim de dezembro.
De acordo com esse ranking, o bilionário nigeriano Abdul Samad Rabiu foi quem mais aumentou sua riqueza no continente, com um ganho de US$ 6,2 bilhões, alcançando US$ 9,35 bilhões. Isso o torna a 7ª maior fortuna africana e a 383ª em escala global.
Natural de Kano, Rabiu tira a maior parte de sua fortuna de sua participação nos conglomerados industriais BUA Foods (92,6%) e BUA Cement (95,2%). Em agosto passado, ele se tornou o investidor mais rico da Nigerian Exchange (NGX), segundo dados de mercado no fechamento das negociações da sexta-feira, 8 de agosto de 2025, graças a uma melhor valorização dessas duas empresas.
No restante do ranking, Aliko Dangote continua sendo o homem mais rico da África e ocupa a 76ª posição mundial. A fortuna do fundador do grupo Dangote é estimada pela Bloomberg em US$ 29,9 bilhões, um aumento de US$ 1,87 bilhão em relação ao ano anterior.
Ao seu lado, o empresário sul-africano Johann Rupert, fundador e principal acionista do gigante do luxo Richemont (proprietário, entre outras, das marcas Cartier, Montblanc e Ralph Lauren), sediado na Suíça, e detentor de uma fortuna familiar de US$ 19,3 bilhões, ocupa a 135ª posição.
Na 3ª colocação africana encontra-se o bilionário sul-africano Nicky Oppenheimer, presidente da empresa diamantífera De Beers e da Anglo American, companhia mineradora criada por seu avô. Ele ocupa a 226ª posição, com uma fortuna de US$ 13,8 bilhões.
Logo atrás aparece o egípcio Naguib Sawiris, à frente da Orascom Construction Industries, na 312ª posição, com US$ 10,7 bilhões. Em seguida vêm Nathan Kirsh, magnata dos negócios e figura emblemática de Eswatini (US$ 9,66 bilhões), e Nassef Sawiris (US$ 9,52 bilhões).
Em escala global, o ranking indica que os ricos do planeta ficaram ainda mais ricos.
Segundo os dados mais recentes, a fortuna das 500 pessoas mais ricas aumentou em US$ 2,2 trilhões, atingindo um nível recorde de US$ 11,9 trilhões, impulsionada pela disparada dos mercados de ações, das criptomoedas e dos metais preciosos como ouro e prata.
O homem mais rico do mundo é Elon Musk, com uma fortuna líquida total de US$ 645 bilhões — mais do que a soma da riqueza de seus dois principais perseguidores, Larry Page (US$ 270 bilhões) e Jeff Bezos (US$ 254 bilhões).
O francês Bernard Arnault, com uma fortuna estimada em US$ 204 bilhões, e o espanhol Amancio Ortega, com US$ 136 bilhões, são os dois únicos europeus presentes em um top 15 amplamente dominado pelos Estados Unidos.
Espoir Olodo
Com um valor global das transações em ações atingindo 274,4 bilhões de FCFA, o mercado financeiro da UEMOA confirma uma mudança de dimensão. Esse desempenho, em alta de 56,4% em relação a 2024, supera os volumes acumulados registrados em vários exercícios da década anterior (2014 a 2019), confirmando que a praça de Abidjan deixa o status de mercado de rendimento para se tornar um verdadeiro polo de intercâmbio de produtos financeiros.
O fato mais marcante desta safra de 2025 reside na desconcentração dos fluxos. Embora a Sonatel, peso pesado da região, mantenha sua liderança, sua dominação relativa se reduz em favor de uma animação mais difusa do mercado. Em 2024, a subsidiária senegalesa do grupo Orange ainda concentrava 35,5% do valor total das transações; em 2025, essa participação caiu para 21,7%. Essa mutação beneficia novas locomotivas.
Baixe aqui nossa análise completa do mercado e as fichas detalhadas por ativo.
A grande surpresa vem da Filtisac CI: impulsionada por movimentos estratégicos, a empresa do portfólio do IPS (Aga Khan) alcançou a segunda posição entre os valores mais negociados, com 17,6 bilhões de FCFA em títulos trocando de mãos, contra apenas 1,2 bilhão no ano anterior.
Essa dinâmica coletiva é sinal da resiliência dos investidores diante dos ventos contrários. Apesar das incertezas ligadas à Aliança dos Estados do Sahel (AES) e de um poder de compra das famílias sob pressão, a BRVM se impôs como um santuário de valor. Essa confiança se baseia em fundamentos sólidos: em 2024, as empresas listadas geraram um faturamento acumulado de 9.404 bilhões de FCFA e um lucro líquido de 1.374 bilhões de FCFA. Em contrapartida, recompensaram seus acionistas com uma chuva de dividendos que alcançou 632 bilhões de FCFA, um nível nunca atingido desde a criação da bolsa.
A estabilidade do franco CFA
Ao comparar os desempenhos, o retorno bruto do índice BRVM Composite pode parecer inferior à explosão do índice nigeriano (+56%). No entanto, a análise muda de perspectiva quando convertida em moedas fortes.
Impulsionada pela estabilidade do franco CFA em relação ao euro, a BRVM oferece um retorno ajustado ao risco cambial que supera a maioria das praças emergentes, transformando a “serenidade” de Abidjan em uma rentabilidade real superior para os gestores de fundos internacionais.
O horizonte de 2026 anuncia-se sob os mesmos auspícios, com indicadores de rentabilidade claramente melhorados. Ao final do terceiro trimestre de 2025, as empresas já exibiam um lucro líquido acumulado de 1.219 bilhões de FCFA. Mais significativo ainda, a margem líquida média passou de 14,5% para 16% em apenas um ano.
Se essa eficiência operacional se mantiver e as políticas de distribuição continuarem generosas, os investidores poderão esperar uma nova colheita recorde de dividendos, reforçando ainda mais a atratividade de um mercado que parece instalado de forma duradoura em seus níveis mais altos.
Idriss Linge