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Equipe Publication

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 BNP Paribas condenado a pagar $20,5 milhões a três refugiados sudaneses por facilitar a finança de atrocidades no Sudão pelo regime de Omar el-Béchir.
 Decisão marca um possível precedente para milhares de ações semelhantes de exilados sudaneses.

Um júri federal dos Estados Unidos condenou o BNP Paribas a pagar 20,5 milhões de dólares a três refugiados sudaneses. O tribunal acredita que o banco francês ajudou o regime de Omar el-Béchir a financiar atrocidades no Sudão.

Um corpo de jurados federal em Manhattan decidiu na sexta-feira, 17 de outubro de 2025, que o BNP Paribas auxiliou o governo sudanês a cometer atrocidades durante o regime de Omar el-Béchir, fornecendo serviços bancários em violação às sanções americanas.

O banco francês foi condenado a pagar 20,5 milhões de dólares a três refugiados sudaneses agora residentes nos Estados Unidos, que testemunharam sobre a violência sofrida durante as campanhas de limpeza étnica em Darfur, no Sudão do Sul e nas Montanhas Nuba. Este veredicto, considerado histórico, pode abrir caminho para milhares de outras ações semelhantes por parte de exilados sudaneses.

"Nossos clientes perderam tudo em uma campanha de destruição alimentada por dólares americanos, que o BNP Paribas ajudou a circular", afirmou seu advogado Bobby DiCello, comemorando uma vitória simbólica, após vários anos de processo.

O BNP Paribas imediatamente anunciou sua intenção de recorrer, afirmando que a decisão baseou-se em uma "interpretação errada da lei suíça" e que o banco não pôde apresentar todos os elementos em sua defesa.

O julgamento, conduzido pelo juiz Alvin Hellerstein, concentrou-se em saber se os serviços financeiros do banco haviam sido uma causa direta dos crimes cometidos pelo regime sudanês. Em uma decisão anterior, o juiz considerou que havia evidências que mostravam uma ligação entre as operações do banco e os abusos cometidos contra a população civil.

Em 2014, o BNP Paribas já havia se declarado culpado e pagou uma multa recorde de 8,97 bilhões de dólares por transferir fundos para entidades sudanesas, iranianas e cubanas sob sanções americanas. Esta penalidade foi considerada humilhante em Paris, especialmente porque outros bancos americanos envolvidos em escândalos semelhantes (crise das subprime, lavagem de dinheiro, paraísos fiscais) foram poupados ou condenados a montantes menores. Alguns diplomatas franceses viram isto como um ato político em vez de uma simples ação judicial.

O novo veredicto de Manhattan (outubro de 2025) acontece num contexto de relações transatlânticas tensas em assuntos econômicos e regulatórios.

Uma em cada cinco infecções na África é resistente a antibióticos, segundo a OMS
O fenômeno tem grande prevalência entre as bactérias Gram-negativas como E. coli e Klebsiella pneumoniae

A África enfrenta uma crescente ameaça à saúde: uma em cada cinco infecções agora é resistente a antibióticos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse índice é superior à média mundial, revelando a urgência em fortalecer a vigilância e o uso apropriado de tratamentos.

Na África, uma em cada cinco infecções é agora resistente a antibióticos. O índice é superior à média mundial, onde uma em cada seis infecções bacterianas confirmadas em laboratório tornou-se insensível aos tratamentos convencionais, de acordo com o relatório de 2025 sobre a vigilância global da resistência a antimicrobianos da OMS.

Assim, a resistência a antibióticos torna-se uma ameaça crescente globalmente, especialmente na África. As bactérias Gram-negativas, como E. coli e Klebsiella pneumoniae, representam a principal ameaça. Mais de 70% das cepas africanas são resistentes a cefalosporinas de terceira geração, uma das famílias de antibióticos mais poderosas, usadas como tratamento de referência contra infecções sanguíneas.

Essa tendência limita as opções de tratamento, especialmente nos países de baixa ou média renda, onde os antibióticos de última geração permanecem inacessíveis. A situação já preocupa os especialistas africanos. A agência das Nações Unidas convoca o fortalecimento dos sistemas de laboratório, a promoção do uso apropriado de antibióticos e o encorajamento da cooperação entre setores para evitar uma crise global de saúde.

Ayi Renaud Dossavi

A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) está sob controle, com apenas um paciente ainda em tratamento, de acordo com Médicos Sem Fronteiras (MSF).
A União Europeia e a Organização Mundial da Saúde (OMS) assinaram um acordo de 8 milhões de euros para modernizar os sistemas de saúde na África subsaariana.

Em um resumo semanal de saúde, a Agence Ecofin relata que a epidemia de Ebola na RDC parece estar finalmente sob controle, enquanto Uganda registra progresso significativo contra o HIV e o Senegal fortalece a proteção financeira na saúde. Além disso, o Japão está apoiando a reconstrução do sistema de saúde na Etiópia, e consultas gratuitas estão melhorando o acesso aos cuidados de saúde no Togo.

Na RDC, a epidemia de Ebola na região de Kasai parece estar perto de um controle total. Segundo os últimos dados, 64 casos e 45 mortes foram registrados até 12 de outubro. A MSF relata que agora há apenas um paciente em tratamento em Bulape, uma das áreas mais afetadas.

Jean-Paul Mbantshi, chefe médico da região, diz que a mobilização nacional e o apoio internacional ajudaram a estabilizar a situação. A chegada de vacinas e suprimentos médicos acelerou a resposta após um início difícil devido à falta de financiamento. As autoridades esperam encerrar o acompanhamento dos últimos casos nos próximos dias.

A União Europeia e a OMS assinaram um acordo de 8 milhões de euros para modernizar os sistemas de saúde na África subsaariana. O projeto de três anos (2025-2028) apoia a implementação de soluções digitais interoperáveis, incluindo a Rede Global de Certificação de Saúde Digital (GDHCN), legado do certificado COVID da UE. Atualmente, apenas Benim, Cabo Verde, Seychelles e Togo participam. O objetivo é ampliar a cooperação, fortalecer a governança de dados e treinar equipes públicas.

Outros destaques incluem um declínio de 64% nas mortes relacionadas à AIDS em Uganda, refletindo significativo progresso na luta contra o HIV, e o lançamento de uma estratégia de saúde reprodutiva, materna e infantil na Namíbia, com o objetivo reduzir a mortalidade materna para 60 mortes por 100.000 nascimentos e mortalidade neonatal para 10 por 1.000 até 2030.

FMI revisa para baixo a projeção de crescimento da União Econômica e Monetária do Oeste Africano (UEMOA), de 6,3% para 5,9% em 2025.
Bênin deve ter o crescimento mais robusto do bloco, com previsão de 7%, enquanto estimativas para o Senegal foram cortadas de 8,4% para 6%.

Em abril passado, o FMI havia projetado o crescimento em 6,3% na UEMOA. Na sua atualização, contudo, reviu suas estimativas para baixo, apesar de a região ter apresentado uma boa dinâmica de crescimento nos últimos meses.


Em seu relatório sobre as perspectivas econômicas e regionais, publicado na quinta-feira, 16 de outubro de 2025, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu para baixo suas previsões de crescimento para a União Econômica e Monetária do Oeste Africano (UEMOA) a 5,9% contra 6,3% inicialmente previsto. Enquanto isso, o Banco Mundial manteve sua estimativa em 6,1%.

Segundo o relatório, o Bênin registrará o maior crescimento a 7% contra 6,5% anteriormente. As previsões do Senegal foram revisadas para baixo, passando de 8,4% para 6%. Níger e Costa do Marfim terão taxas de 6,6% e 6,4% respectivamente. O Togo, por sua vez, viu seu crescimento diminuir para 5,2% ante 5,3%, seguido de perto pela Guiné-Bissau, cuja taxa permaneceu inalterada em 5,1%. Mali e Burkina Faso terão taxas estimadas de 5% e 4%.

Essas revisões ocorrem em um contexto em que a atividade econômica dentro da zona tem sido robusta nos últimos meses, impulsionada pela demanda interna dinâmica e pelos avanços observados em vários setores essenciais, incluindo serviços comerciais, financeiros, construção e obras públicas (BTP), bem como o crescimento de vários setores primários.

O Bénin, cujo crescimento no segundo trimestre de 2025 atingiu 7,6% contra 6,7% no mesmo período do ano anterior, e o Senegal, que registrou um crescimento de 12,1% em termos anuais no primeiro trimestre de 2025, são bons exemplos desta dinâmica.

Além disso, a taxa de inflação na área está em uma tendência de queda, registrando até mesmo uma deflação antecipada de -0,1% em outubro de 2025, de acordo com o Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO).

Para 2025, o crescimento econômico deve ser de 6,3%, segundo estimativas da União, uma previsão acima daquelas das duas instituições de Bretton Woods.

Lydie Mobio

Cerca de 600 milhões de africanos subsaarianos permanecerão sem acesso à eletricidade até 2024, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
A produção de energia renovável está aumentando na África, mas o fortalecimento das redes de transporte e distribuição permanece crucial para reduzir o déficit energético do continente.

Cerca de 600 milhões de africanos subsaarianos permanecerão sem acesso à eletricidade até 2024, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). Esta situação torna o reforço das redes de transporte e distribuição crucial para reduzir o déficit energético do continente.

"A África não poderá realizar sua transição energética sem primeiro fortalecer suas redes de transporte de eletricidade", alertou Keith Katyora, responsável pelos sistemas elétricos no Conselho de Energia da África do Sul, numa entrevista divulgada pela imprensa ganesa na quinta-feira, 16 de outubro de 2025.

Segundo ele, os projetos de energia renovável estão se desenvolvendo mais rápido do que as infraestruturas supostamente ligadas a consumidores. Uma constatação que ecoa o relatório World Energy Investment 2024 da AIE. O investimento nas redes de eletricidade africanas são menos de 15% do total do investimento elétrico do continente, contra mais de 40% a nível mundial, segundo o relatório.

Paralelamente, a produção de energia renovável está progredindo, com muitos projetos solares e eólicos sendo preparados em todo o continente. Na África do Sul, a empresa pública Eskom estima que até 2035, serão necessários 14.200 km de novas linhas para conectar a crescente capacidade renovável.

Para reverter esse atraso, o Ministério da Energia da África do Sul lançou em 2024 o Programa de Transmissão Independente (ITP), que permite aos stakeholders privados a construção e a operação de algumas seções da rede nacional.

Em nível continental, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) estima que as necessidades de investimento no setor elétrico fiquem em torno de US$ 454 bilhões até 2030, com uma parte significativa destinada à transmissão e distribuição. Em março de 2024, o BAD e o Banco Mundial anunciaram a criação de um fundo regional de US$ 1,3 bilhão para fortalecer as interconexões na África do Sul e no Oriente.

O BAD e o Fundo Monetário Internacional (FMI) notam também que mais de 60% das empresas públicas africanas de eletricidade estão deficitárias, limitando sua capacidade de contrair empréstimos para modernizar sua infraestrutura. Essa restrição financeira, por sua vez, contribui para atrasar os programas de transporte de eletricidade e aumentar a lacuna com a produção, com o risco de subutilização das novas capacidades verdes.

Nesse contexto, a AIE alerta que, sem uma rápida recuperação das redes, uma parte crescente da eletricidade produzida não poderá ser evacuada, reduzindo a rentabilidade dos investimentos e inibindo o acesso à energia.

Abdel-Latif Boureima

A agência S&P Global Ratings atualiza a classificação de crédito de Madagascar para "B-/B", sinalizando uma crescente incerteza política e econômica.
A agência de classificação cortou as previsões de crescimento do PIB para 3% em 2025-2026, em comparação com a previsão anterior de 4,1%, e prevê um déficit orçamentário médio de 5,3% do PIB.

De acordo com a agência S&P Global Ratings, a atual instabilidade política de Madagascar ameaça o crescimento, a consolidação fiscal e o acesso a financiamento externo, em um contexto econômico já frágil.

A S&P Global Ratings, agência americana, anunciou na sexta-feira, 17 de outubro de 2025, que colocou a classificação de crédito soberano de Madagascar ("B-/B") sob vigilância com implicações negativas (Credit Watch Negative), indicando um aumento nas incertezas políticas e econômicas.

"A vigilância reflete nossa opinião de que a persistente instabilidade política e a incerteza em torno da governança de Madagascar e o ritmo da transição política pesarão sobre as perspectivas econômicas e os resultados fiscais do país no futuro próximo", declara a nota informativa. E acrescenta: "Também acreditamos que uma transição pode apresentar riscos à continuidade administrativa, afetando a capacidade do novo governo de cumprir suas obrigações comerciais existentes".

Esta revisão é justificada pela grande crise política que se instalou no país desde o final de setembro. O movimento de protesto "Gen Z", iniciado pela juventude contra os cortes de eletricidade e água, bem como a deterioração das condições sociais, rapidamente ganhou um viés político. Após a dissolução do governo e do parlamento pelo presidente da República, Andry Rajoelina, ele mesmo foi afastado do poder por uma transição militar. Essa transição é liderada pelo coronel Michael Randrianirina, chefe do elite corps CAPSAT, que tomou posse na sexta-feira, 17 de outubro. O exército prometeu eleições dentro de dois anos.

Dessa forma, a agência de classificação reduziu suas previsões de crescimento do PIB real para 3% em 2025-2026 contra 4,1% anteriormente, ao mesmo tempo em que prevê um déficit orçamentário médio de 5,3% do PIB. No entanto, ela ressalta que a dívida pública da Grande Ilha permanece moderada e amplamente concessional, o que limita os riscos imediatos de default. Por outro lado, a dependência de Madagascar em relação aos doadores internacionais, como o FMI, o Banco Mundial e a União Europeia, constitui um ponto de vulnerabilidade. Uma retirada ou congelamento do apoio financeiro comprometeria ainda mais os equilíbrios macroeconômicos.

A S&P aponta que reavaliará a classificação do país dentro de três meses, dependendo da estabilidade política, da continuidade administrativa e do cumprimento do serviço da dívida.

Charlène N’dimon

Um orçamento de 15 bilhões de dólares foi anunciado para os setores de saúde e educação no Marrocos para o ano de 2026, um aumento de 18% em relação ao ano anterior.
 A ministra da Economia e Finanças, Nadia Fettah Alaoui, informou que várias ações estarão em andamento na saúde para melhorar a infraestrutura existente.
Desde o final de setembro, o Marrocos tem sido abalado por manifestações lideradas pela juventude em algumas regiões do reino. No centro das reivindicações estão a melhoria do sistema educacional e do sistema de saúde.

 
Para o exercício de 2026, os setores de saúde e educação receberão um orçamento de 140 bilhões de dirhams (15 bilhões de dólares), que é 18% a mais que no ano anterior. Nadia Fettah Alaoui, ministra da Economia e Finanças, fez o anúncio no domingo, 19 de outubro.

Em detalhes, a ministra, que apresentava o projeto da Lei de Finanças 2026 durante um Conselho de ministros presidido pelo rei Mohammed VI, disse que na saúde, várias ações seriam tomadas para melhorar a oferta de infraestruturas.

Estas incluem a conclusão da construção e do equipamento do Hospital Universitário Ibn Sina de Rabat e a entrada em operação de dois Hospitais Universitários em Agadir e Laâyoune.

Na educação, será dada ênfase na "aceleração da universalização da educação pré-escolar, o reforço dos serviços de apoio ao ensino e a melhoria da qualidade da educação". Além disso, o governo pretende expandir a proteção social e implementar o programa de assistência social para benefício de 4 milhões de famílias.

Esse anúncio de um aumento no orçamento para saúde e educação confirma as declarações anteriores de Mme Alaoui, que havia indicado que o governo ajustaria o orçamento a favor desses dois setores, em resposta às demandas dos manifestantes.

Desde o final de setembro, de fato, o Reino tem enfrentado uma mobilização de parte da juventude marroquina, que denuncia a disparidade entre os investimentos feitos pelo governo para a organização de eventos esportivos (CAN 2025 e a Copa do Mundo de futebol 2030, em parceria com a Espanha e Portugal) e as necessidades básicas da população.

"O que ouvimos dos protestos dos jovens é que eles querem uma melhor educação e saúde", declarou ela nas margens das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Washington, que ocorreram de 13 a 18 de outubro de 2025.

De acordo com os dados oficiais, cerca de 9% do PIB são mobilizados anualmente para financiar a educação e a saúde.

 

Banco Central da Nigéria cria grupo de trabalho para avaliar a adoção de stablecoins, buscando inovação financeira mas com cautela face aos riscos monetários.
Entre julho de 2023 e junho de 2024, cerca de 59 bilhões de dólares em transações com criptomoedas foram processados na Nigéria, tornando o país um dos líderes globais na adoção de cripto.


Após estabelecer um quadro para os criptoativos, a Nigéria planeja agora a regulamentação dos stablecoins, tokens digitais indexados a moedas reais, vistos como uma alternativa mais estável às criptomoedas comuns. O governador do Banco Central (CBN), Olayemi Cardoso, anunciou a criação de um grupo de trabalho para estudar a possibilidade de adoção desses tokens durante as Assembleias Anuais do FMI e do Banco Mundial em Washington.

De acordo com Cardoso, este grupo reunirá a CBN, o Ministério das Finanças e outras instituições públicas para "aprofundar a análise das implicações econômicas, regulatórias e tecnológicas" de um quadro nacional para as stablecoins. Esses ativos digitais, lastreados em moedas ou matérias-primas, despertam crescente interesse nas economias emergentes em busca de inclusão financeira e estabilidade monetária. "O objetivo é acompanhar o desenvolvimento das tecnologias financeiras sem as dificultar, mantendo a confiança e a estabilidade", declarou.

Um assunto de soberania monetária


Para o CBN, a reflexão sobre os stablecoins é uma extensão da estratégia focada na modernização do sistema de pagamento nigeriano, já marcado pelo surgimento de fintechs e plataformas digitais. Pioneira no lançamento de uma moeda digital de banco central (a eNaira em 2021), a Nigéria agora busca ajustar seu quadro regulamentar ao avanço dos criptoativos privados.

Esta iniciativa poderia ajudar a definir as condições de emissão, conversão e supervisão dos stablecoins no mercado nigeriano, fortalecendo a capacidade do Banco Central de monitorar estes fluxos de capitais digitais.

A penetração das criptomoedas na Nigéria é significativa: o país está entre as economias mais avançadas do mundo em adoção de cripto. Entre julho de 2023 e junho de 2024, cerca de 59 bilhões de dólares em transações com criptomoedas foram processados na Nigéria, colocando o gigante africano em segundo lugar no mundo, atrás apenas da Índia.

Especificamente, os stablecoins desempenham um papel importante: em 2024 representavam cerca de 40% do mercado de criptomoedas nigeriano, ou cerca de 43% das transações do público em geral inferiores a 1 milhão de dólares. Um relatório indica que quase 22 milhões de nigerianos, ou cerca de 10,3% da população, possuíam ou usavam criptomoedas em 2025.

O setor fintech e o movimento para um modelo híbrido


O setor de fintech da Nigéria, um dos mais dinâmicos da África, tem advogado por anos por uma suavização do quadro regulamentar e um reconhecimento dos stablecoins como instrumentos de pagamento legítimos. Plataformas locais de transferência e financiamento participativo já começaram a explorar seu uso para facilitar os pagamentos transfronteiriços e reduzir a dependência do dólar.

No entanto, as autoridades monetárias permanecem cautelosas. Para o CBN, a questão é evitar os riscos de volatilidade, fraude e evasão de controle de capitais.

Segundo vários especialistas, a Nigéria poderia seguir modelos híbridos já testados em Singapura ou Dubai, onde os stablecoins são regulamentados por licenças específicas e suportados por instituições bancárias credenciadas.

Se o projeto for bem-sucedido, o país poderia se tornar o primeiro grande mercado africano a definir um quadro formal para esses instrumentos.


Fiacre E. Kakpo

Malauí impulsiona a digitalização do país através do "Projeto de Desenvolvimento de Torres de Redes Móveis" em distritos rurais.
Iniciativa é parte do "Projeto de Aceleração Digital do Malauí (DMAP 2024–2030)", financiado em $150 milhões pela Banco Mundial.

O Malauí lançou na semana passada o "Projeto de Desenvolvimento de Torres de Redes Móveis" nos distritos de Mzimba, Nkhata Bay e Mangochi através do Fundo de Serviço Universal (USF). O projeto visa melhorar a cobertura de telefonia móvel, promovendo a inclusão digital e permitindo que mais malauianos participem da economia digital.

Segundo o USF, a primeira fase do projeto inclui pesquisas técnicas em 21 distritos para identificar os locais ideais para a construção de torres de telefonia móvel que irão melhorar a cobertura de rede nas áreas rurais pouco ou nada cobertas.

O projeto faz parte do "Projeto de Aceleração Digital do Malauí (DMAP 2024–2030)", financiado pela Banco Mundial (150 milhões de dólares). Coordenado pelo Ministério das Informações e da Digitalização, o DMAP se baseia no sucesso do antecessor "Projeto de Fundações Digitais" e está alinhado com a visão de desenvolvimento de longo prazo do país, "Malauí 2063".

A iniciativa surge quando, em 2024, o país registrava uma taxa de assinatura de internet fixa de banda larga de 0,0864 por 100 habitantes, de acordo com os dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT). A mesma fonte indica que 90% da população é coberta pelo menos pela 2G, 89,4% pela 3G e 88,9% pela 4G. Apesar desta ampla cobertura, apenas 44% da população usa ativamente a banda larga móvel. As assinaturas de celular móvel alcançam 69,3%.

O "Projeto de Desenvolvimento de Torres de Redes Móveis" visa transformar a paisagem digital do Malauí. Ao melhorar a força e a confiabilidade do sinal em áreas de difícil acesso, o projeto busca converter a cobertura teórica em conectividade real, possibilitando que um número maior de malauianos participe da economia digital.


Hikmatu Bilali

  • O Presidente da República de Angola, João Lourenço, anunciou a criação da Agência Espacial Angolana.
  • A iniciativa visa transformar Angola em um produtor de tecnologia espacial, garantindo assim sua independência tecnológica.
  • O país já iniciou a implementação do seu programa espacial, nomeadamente com o lançamento de um satélite de telecomunicações. Essa função é atualmente desempenhada pelo Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional.

O presidente da República de Angola, João Lourenço (foto), anunciou nesta quarta-feira, 15 de outubro, em seu discurso sobre o estado da nação, a criação da Agência Espacial Angolana. Essa entidade será responsável pelo gerenciamento das questões espaciais no país.

A iniciativa faz parte da implementação do Programa Espacial Nacional, através do qual as autoridades esperam "transformar a República de Angola de um simples usuário de serviços, produtos e tecnologias espaciais, em um operador e produtor dessas mesmas tecnologias, assegurando sua independência tecnológica espacial".

O chefe de Estado lembrou que o país já possui um satélite de telecomunicações, Angosat-2, que entrou em operação em janeiro de 2023. Ele permite a implementação do projeto "Conecta Angola", destinado a levar as comunicações às áreas mais remotas do país, já atendendo a várias localidades de 13 províncias.

Em uma entrevista concedida ao Jornal de Angola em abril de 2025, o ministro das TIC, Mário Oliveira, indicou que além do satélite Angosat-2, um programa de observação da Terra também está previsto. Este tem como objetivo a vigilância ambiental, a agricultura de precisão, a gestão dos recursos naturais e a prevenção de catástrofes. O executivo atribuiu a Airbus a construção de seu primeiro satélite de observação, Angeo-1, com um custo estimado em 225 milhões de euros (aproximadamente 263,6 milhões de dólares).

O Sr. Oliveira também mencionou a criação de um centro de estudos espaciais, a elaboração de um quadro legislativo para a futura Agência Espacial, a formação de especialistas nacionais, bem como o desenvolvimento de infraestruturas de comunicação, navegação e meteorologia. Essas iniciativas estão inscritas no "Livro Branco das TIC 2023–2027".

Os esforços do governo angolano fazem parte de uma tendência continental marcada por um interesse crescente no setor espacial. De acordo com o Space in Africa, 465,34 milhões de dólares foram atribuídos ao setor em 2024. O mercado espacial africano, avaliado em 22,6 bilhões de dólares no mesmo ano, deverá crescer substancialmente até 2026, impulsionado por iniciativas na fabricação de satélites, desenvolvimento de infraestruturas e o crescimento das empresas NewSpace.

Cabe ressaltar, no entanto, que o cronograma de lançamento das atividades da Agência Espacial Angolana não foi especificado. O Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) afirmou, em comunicado divulgado em 15 de outubro, que está conduzindo intercâmbios de experiências nas áreas jurídicas com as principais agências espaciais, a fim de definir as estratégias jurídicas e operacionais necessárias para a criação da Agência Espacial Angolana.

Isaac K. Kassouwi

 

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