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Noticias Agricultura

Noticias Agricultura (249)

 

 
 

No Nigéria, a avicultura é a atividade mais importante do setor pecuário em termos de efetivo. Embora a capacidade de produção e transformação ainda seja baixa face às necessidades do mercado, o governo procura mobilizar mais investimentos neste domínio.

O governo do Estado de Ogun anunciou, a 15 de janeiro, a inauguração de uma unidade de transformação avícola com capacidade para processar 5.000 aves por dia, ou cerca de 1,3 milhão de cabeças por ano, de acordo com informações divulgadas pelos meios de comunicação locais. Instalado no complexo agrícola de Ajegunle, na área do governo local de Odeda, este projeto faz parte do Projeto de Transformação Económica do Estado (OGSTEP), apoiado pelo Banco Mundial.

Bolu Owotomo, Comissário da Agricultura e Segurança Alimentar, explicou que esta unidade se insere numa estratégia mais ampla, incluindo o Programa de Desenvolvimento das Cadeias de Valor e as Zonas Especiais de Transformação Agroindustrial, consolidando Ogun como um polo avícola de referência no Nigéria.

Paralelamente, o governo do Estado de Kaduna anunciou também a 15 de janeiro o lançamento iminente de um mega-projeto avícola de 200 milhões de dólares, considerado um dos maiores do país. Segundo o governador Uba Sani, este projeto poderá gerar mais de 450 milhões de dólares de receitas anuais e criar cerca de 350.000 empregos diretos e indiretos.

O objetivo vai além da produção: pretende posicionar Kaduna como um hub de agronegócios moderno, através de parcerias tecnológicas com empresas chinesas especializadas na produção industrial de ovos e aves.

Um quadro nacional para atrair investidores

Estes dois projetos regionais surgem num momento em que Abuja procura criar um ambiente favorável ao investimento e ao desenvolvimento da indústria avícola. Em setembro de 2025, o Ministério do Desenvolvimento Pecuário divulgou o Plano Diretor Nacional de Pecuária (NLMP), elaborado com o apoio do Instituto Internacional de Investigação Pecuária (ILRI), organização científica internacional especializada no desenvolvimento pecuário em países em desenvolvimento.

Segundo as autoridades, este plano quinquenal visa transformar o setor pecuário num motor de segurança alimentar, prosperidade rural e crescimento económico nacional. O NLMP identifica a avicultura como uma cadeia de valor prioritária, ao lado da pecuária bovina, pequenos ruminantes, suínos e sistemas de alimentação animal.

O plano também propõe estratégias para melhoria genética, saúde animal, desenvolvimento de rações e pastagens, acesso a mercados e coordenação da investigação. Segundo o ILRI, o NLMP “não se limita a insumos técnicos; visa criar um ambiente onde políticas públicas, investimento e inovação convergem para gerar mudanças sustentáveis”.

O objetivo final é reduzir a dependência das importações de proteínas animais, num país onde a procura por carne e ovos cresce rapidamente devido à urbanização e crescimento demográfico.

Desafios estruturais persistentes

Apesar da proibição da importação de carne de frango desde 2003, o comércio ilegal continua a alimentar o mercado, evidenciando que a produção local ainda é insuficiente para suprir a procura. A empresa agroalimentar singapurense Olam Agri estima que entre 150 e 200 milhões de dólares de carne de aves são ilegalmente importadas anualmente no país.

A indústria local enfrenta desafios de longa data: o custo e a disponibilidade de alimentos para aves, dependentes sobretudo de milho e soja, é um obstáculo à rentabilidade; questões de biossegurança, doenças animais e acesso a financiamento continuam a afetar os pequenos produtores.

O NLMP procura responder a estas limitações. Segundo o plano, investimentos em sistemas de alimentação e pastagens poderiam aumentar a produtividade em 40%, enquanto uma melhor cobertura vacinal reduziria a mortalidade animal em 65%. O sucesso depende da coordenação eficaz entre autoridades, investidores privados e produtores.

Rumo a uma nova fase de desenvolvimento da avicultura nigeriana

Os projetos anunciados desde o início de 2026 sugerem um aumento de escala na indústria avícola do Nigéria. Entre a emergência de projetos industriais de grande dimensão e a existência de um quadro de desenvolvimento mais estruturado, o setor parece entrar numa fase de consolidação.

Resta saber se o NLMP conseguirá gerar uma nova vaga de investimentos em outros estados produtores de aves nos próximos meses ou anos. A questão chave não é apenas anunciar investimentos, mas garantir a execução, sustentabilidade e integração dos pequenos produtores nas cadeias de valor industrializadas.

Em 2024, o efetivo total de frangos no Nigéria era de cerca de 809,8 milhões de aves, tornando-o, segundo o Serviço Nacional de Extensão Agrícola e Ligação à Investigação (NAERLS), o maior rebanho do país, mais de sete vezes superior ao das cabras, que constituem o segundo tipo de gado mais comum.

Stéphanas Assocle

Posted On jeudi, 22 janvier 2026 17:28 Written by

Em África, a utilização de fertilizantes é identificada há vários anos como um imperativo para aumentar a produtividade dos solos. Embora a Costa do Marfim apresente um dos níveis de consumo mais elevados da África Ocidental, continua ainda longe dos padrões internacionais.

Na Costa do Marfim, os insumos utilizados na fabricação de fertilizantes, bem como as embalagens destinadas ao seu acondicionamento, passaram a estar sujeitos a uma taxa de imposto sobre o valor acrescentado (IVA) de 9%. A medida, anunciada num comunicado publicado pela Direção-Geral dos Impostos, entrou em vigor a 17 de janeiro último, no âmbito da reforma fiscal prevista na lei de finanças para o exercício de 2026.

Com efeito, até 2025, estes produtos beneficiavam de isenção de IVA, mas o anexo fiscal à lei de finanças de 2026 suprimiu essas isenções, integrando-os no âmbito de aplicação do imposto. Embora o texto previsse inicialmente a aplicação da taxa normal de 18%, as autoridades optaram, por fim, por uma taxa reduzida de 9%, com o objetivo de atenuar o impacto desta nova tributação sobre os intervenientes da fileira.

Ainda assim, a introdução deste imposto é suscetível de aumentar a fatura das compras de fertilizantes para os importadores. No país, não existe produção primária de fertilizantes minerais, sendo os insumos importados a granel e posteriormente transformados em fertilizantes compostos NPK por empresas especializadas na mistura de fertilizantes, como a SOLEVO e a ETG.

Dados compilados pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento de Fertilizantes (IFDC) mostram, por exemplo, que a Costa do Marfim importou 573 123 toneladas de fertilizantes em 2024, das quais 32% de ureia, 24% de cloreto de potássio (KCL), 14% de NPK, 13% de superfosfato triplo (TSP), 5% de fosfato diamónico (DAP) e 2% de sulfato de amónio. Esta repartição ilustra a predominância dos fertilizantes simples importados, utilizados como insumos na formulação local de fertilizantes compostos.

Uma fiscalidade à prova dos objetivos de produtividade agrícola

Por outro lado, o IVA pode ter um efeito dissuasor na utilização de fertilizantes por parte dos produtores, devido ao aumento dos custos de produção e dos preços de aquisição que poderá provocar.

Segundo dados compilados pela FAO, a Costa do Marfim apresentava, em 2023, um nível de utilização de fertilizantes estimado em 43,8 kg por hectare de terra arável. Embora este nível seja superior à média da África Subsariana, continua ainda distante do objetivo de 50 kg por hectare fixado na Declaração de Abuja de 2006.

Além disso, a Costa do Marfim comprometeu-se igualmente, em 2024, durante a Cimeira Africana sobre Fertilizantes e Saúde dos Solos, realizada em Nairobi (Quénia), a triplicar a produção e a distribuição nacionais de fertilizantes orgânicos e inorgânicos de qualidade certificada até 2034, com o objetivo de melhorar o acesso e a acessibilidade financeira para os pequenos agricultores.

Neste contexto, o desafio para as autoridades marfinenses será conciliar a mobilização de receitas fiscais, a competitividade industrial e o controlo dos preços dos insumos, de modo a não comprometer os objetivos de aumento da utilização de fertilizantes na agricultura.

Stéphanas Assocle

 

Posted On mercredi, 21 janvier 2026 10:17 Written by

No Marrocos, a pecuária é um dos setores agrícolas mais afetados pela seca registada no país nos últimos anos. Num contexto de reconstrução do efetivo pecuário, o país privilegia a importação de produtos de origem animal para gerir a urgência de estabilizar o mercado.

Marrocos e Polónia assinaram, no passado dia 16 de janeiro, um memorando de entendimento destinado a reforçar a cooperação bilateral nos domínios da saúde animal e da segurança sanitária dos produtos de origem animal, segundo informações divulgadas pela imprensa local. O documento foi assinado por Ahmed El Bouari, ministro marroquino da Agricultura, e pelo seu homólogo polaco, à margem da edição de 2026 da Semana Verde Internacional de Berlim, uma feira mundial dedicada à agricultura e à alimentação, que decorre de 16 a 25 de janeiro.

Esta iniciativa reflete a vontade comum de ambas as partes de reforçar e facilitar as trocas de produtos pecuários. «A parceria entre Marrocos e a Polónia não se limita às trocas comerciais, mas abrange igualmente o intercâmbio de informações e de saber-fazer, bem como a cooperação em matéria de formação e investigação», declarou Stefan Krajewski, ministro polaco da Agricultura, citado pelo semanário Maroc Hebdo.

Um contexto marroquino favorável às importações de gado

Este novo desenvolvimento surge numa altura em que Marrocos enfrenta uma redução significativa do seu efetivo pecuário, consequência de várias campanhas agrícolas marcadas pela seca e pelo aumento dos custos da alimentação animal. Os últimos recenseamentos realizados pelo Ministério da Agricultura em 2025 revelaram que o país já perdeu 38% do seu efetivo de bovinos e ovinos desde 2016.

Para conter a pressão sobre o mercado da carne vermelha e estabilizar os preços, as autoridades multiplicaram, desde então, as medidas destinadas a facilitar as importações de gado vivo e de carne, nomeadamente através de reduções tarifárias e de ajustamentos regulamentares. A título de exemplo, a Lei das Finanças de 2026 prevê uma isenção temporária do IVA na importação de animais vivos das espécies bovina e camélida. Esta medida aplica-se no período de 1 de janeiro a 31 de dezembro de 2026, dentro do limite de 300 000 bovinos e 10 000 camélidos.

Neste contexto, uma aproximação à Polónia oferece a possibilidade de identificar um novo fornecedor, permitindo diversificar as importações de gado que provêm principalmente de Espanha e do Brasil.

Importa igualmente referir que a Polónia é um dos principais exportadores mundiais de carnes e miudezas comestíveis, a par do Brasil, dos Estados Unidos, da Austrália, dos Países Baixos e de Espanha, embora tenha ainda uma presença marginal no mercado marroquino. De acordo com dados compilados na plataforma Trade Map, Marrocos importou cerca de 47,4 milhões de dólares em carne e miudezas no mercado internacional em 2024, dos quais apenas 114 mil dólares tiveram origem na Polónia.

Embora o memorando de entendimento assinado em Berlim não estabeleça volumes de troca nem compromissos comerciais quantificados entre Rabat e Varsóvia, sabe-se que esta iniciativa visa levantar certos entraves técnicos relacionados com o reconhecimento das normas sanitárias e veterinárias, preparando assim o terreno para facilitar as trocas entre os dois países.

Nesta fase, o reforço do comércio de produtos de origem animal entre Marrocos e a Polónia permanece uma perspetiva. A sua concretização dependerá da evolução das necessidades do mercado marroquino, da competitividade das ofertas polacas face a outros fornecedores internacionais e da capacidade dos atores privados de se integrarem neste novo quadro de cooperação.

Stéphanas Assocle

Posted On mardi, 20 janvier 2026 14:59 Written by

Costa do Marfim, a pecuária e a pesca desempenham um papel estratégico na segurança alimentar e nutricional, constituindo um pilar fundamental no fornecimento de proteínas de origem animal. No início do novo ano, a questão da alimentação animal está no centro das políticas públicas.

Na Costa do Marfim, os alimentos para animais, os insumos para a sua produção e as embalagens utilizadas no acondicionamento passam agora a estar sujeitos a um imposto sobre o valor acrescentado (IVA) de 9%. A medida, anunciada num comunicado da Direção-Geral dos Impostos (DGI), entrou em vigor no sábado, 17 de janeiro, no âmbito da reforma fiscal prevista na lei orçamental para 2026.

Até 2025, os alimentos para gado e animais de quintal, bem como os insumos de produção, estavam isentos de IVA. A anexação fiscal à lei orçamental de 2026 suprimiu estas isenções, incluindo estes produtos no âmbito do IVA.

Embora o texto previsse inicialmente a aplicação da taxa normal de 18%, as autoridades optaram por uma taxa reduzida de 9%, de forma a atenuar o impacto desta nova tributação sobre os intervenientes da cadeia de valor do setor.

Tendo em conta que os custos com insumos representam mais de 60% das despesas do setor pecuário, a introdução do IVA poderá aumentar a pressão sobre os diferentes elos da cadeia de valor, desde os fabricantes de alimentos para animais, passando pelos criadores, até à transformação de produtos de origem animal.

Um desafio para o desenvolvimento da indústria de alimentos para animais?

 

Antes deste anúncio, o Ministério dos Recursos Animais e da Pesca havia apresentado, em abril de 2025, uma série de medidas governamentais para apoiar o setor pecuário e otimizar os custos de produção relacionados com a alimentação animal. Uma das principais medidas incluía a criação de isenções parciais de direitos e impostos aduaneiros, de 7 a 15%, sobre produtos destinados à alimentação animal. Este alívio fiscal revelava a intenção do governo de criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da indústria local, que importa grande parte das suas matérias-primas (milho, soja, trigo…), garantindo a disponibilidade de alimentos para animais em quantidade e qualidade.

Paralelamente, o setor privado tem intensificado os investimentos na cadeia, com vista a aumentar a capacidade de produção.

Por exemplo, a empresa holandesa De Heus anunciou, em setembro último, a construção de uma nova unidade de produção de alimentos para animais em Korhogo, no norte do país. Embora detalhes sobre a localização exata, capacidade de produção ou custo do projeto ainda não sejam conhecidos, o anúncio confirma a intenção da empresa de reforçar a sua presença no mercado marfinense.

No mesmo mês, a Sociedade Marfinense de Produções Animais (SIPRA), líder no setor avícola na Costa do Marfim, anunciou um investimento de 23,5 milhões de dólares do fundo norueguês Norfund no seu capital. A operação visa aumentar a capacidade de produção nos três principais segmentos: fabricação de alimentos para animais, pecuária e transformação de produtos de origem animal, ao mesmo tempo que apoia a inovação em nutrição animal e a melhoria da eficiência operacional.

Com a introdução do IVA de 9% sobre alimentos para animais em 2026, o desafio para as autoridades marfinenses será conciliar a mobilização de receitas fiscais, a competitividade industrial e o controlo dos preços dos insumos, de modo a não travar o desenvolvimento do setor.

Recorde-se que, no âmbito da sua estratégia nacional de desenvolvimento da produção avícola, a Costa do Marfim pretende quase duplicar a produção anual de carne de frango, atingindo 200 000 toneladas até 2030, contra 114 000 toneladas em 2024, segundo a IPRAVI, a interprofissional avícola do país. Esta ambição deverá impulsionar ainda mais a procura de alimentos para animais no período em questão.

Stéphanas Assocle

 

 

Posted On lundi, 19 janvier 2026 10:45 Written by

No Quénia, o setor da pecuária contribui com 42% do PIB agrícola. O governo está a repensar a gestão da alimentação animal para reforçar a resiliência dos intervenientes da cadeia face à seca.

O governo queniano pretende criar em breve reservas nacionais de alimentos para gado. Foi o que anunciou o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Pecuário na quinta-feira, 15 de janeiro. Segundo as autoridades, estas reservas destinam-se a armazenar feno, silagem e outros forragens para períodos de seca. Serão constituídas durante períodos de excedente e distribuídas assim que surgirem os primeiros sinais de seca, através de sistemas de alerta precoce.

«Os condados irão liderar o planeamento e a distribuição dos alimentos, apoiados pelo governo nacional, enquanto as cooperativas assegurarão a entrega final para garantir que os alimentos cheguem aos pecuaristas a tempo, evitando assim mortes e vendas forçadas de animais», lê-se no comunicado do ministério. Por agora, os detalhes sobre o número e a localização dos locais destinados a estas novas instalações, bem como o calendário de implementação do projeto, ainda não estão disponíveis.

Reforçar a resiliência do setor pecuário face à seca

Segundo Mutahi Kagwe, o ministro da Agricultura, esta iniciativa permitirá proteger o gado e os meios de subsistência dos pastores contra as secas recorrentes. Vale notar que no Quénia, o subsector da pecuária é um dos mais vulneráveis a este fenómeno climático, especialmente nas zonas áridas e semiáridas (ASAL), que abrigam a maior parte do rebanho bovino e ovino.

De acordo com um relatório publicado pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) na quarta-feira, 7 de janeiro, a época das chuvas nas ASAL foi deficitária em 2025, atingindo apenas 30 a 60% da média sazonal. «Isto intensificou o esgotamento dos pastos, a escassez de água e a perda de gado, provocando um colapso generalizado dos meios de subsistência nas comunidades pastorais. A produtividade do gado continua a diminuir devido à má condição corporal, à regeneração limitada dos forragens e ao acesso restrito à água», destaca o relatório.

Entre 2020 e 2022, o Quénia já havia registado a morte de 2,5 milhões de cabeças de gado em todo o território, referindo o pior episódio de seca dos últimos 40 anos, bem como a dificuldade de acesso a alimentos de qualidade para animais a preços razoáveis para os pecuaristas durante esse período.

Mais amplamente, o projeto de reservas nacionais para alimentação animal reforça os esforços já implementados pelo governo para estimular a produção local e garantir a disponibilidade de alimentos a longo prazo. Em 2023, Nairobi anunciou a intenção de mobilizar 460 mil milhões de shillings (cerca de 3,56 mil milhões de dólares) para implementar uma estratégia nacional de 10 anos destinada a desenvolver a indústria de alimentação animal.

Segundo dados oficiais, o setor pecuário queniano enfrenta atualmente um défice de produção de 33 milhões de toneladas de alimentos para animais por ano. O país da África Oriental contava com 22,4 milhões de bovinos e 38,4 milhões de ovinos e caprinos em 2024, segundo estimativas do gabinete nacional de estatísticas (KNBS).

Stéphanas Assocle

 

Posted On lundi, 19 janvier 2026 10:43 Written by

No Ruanda, a pecuária contribui com cerca de 4% do PIB. Embora o setor do couro seja menos destacado do que outros segmentos como o leite e a carne, o seu potencial ainda largamente subexplorado, aliado a políticas públicas direcionadas, atrai novos investidores estrangeiros.

No Ruanda, o setor do couro poderá atrair um novo investidor estrangeiro. Segundo informações divulgadas pelo media local The New Times no domingo, 18 de janeiro, a empresa egípcia Leather and More Company, especializada na produção de calçado em couro e derivados como gelatina, colagénio e produtos farmacêuticos, está a estudar um projeto de instalação industrial no país.

«O meu objetivo é estabelecer parcerias com atores locais para implantar aqui uma fábrica de couro. Dentro de uma a quatro semanas, espero apresentar um roteiro claro para esta cooperação», declarou Hesham Gazar, diretor-geral da empresa.

Por enquanto, o custo previsto do investimento ainda não é conhecido. Seja como for, este projeto, caso se concretize, permitirá reforçar as capacidades de uma indústria local ruandesa ainda embrionária.

Segundo dados oficiais, o Ruanda dispõe atualmente de apenas uma curtume operacional em Huye, que processa menos de 5% das peles animais produzidas localmente. O reforço das capacidades de transformação é particularmente estratégico, já que o governo pretende aumentar a produção de peles de animais para 48.000 toneladas até 2030, contra um stock atual de 6.000 toneladas, oferecendo mercados seguros para os pecuaristas.

Além disso, o interesse da Leather and More Company em investir no país pode ser explicado pela vontade de Kigali em criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de no

vos projetos industriais no setor.

Desde 2023, foi anunciado um projeto de construção de um parque industrial dedicado à produção de couro num terreno de 20 hectares no distrito de Bugesera, com um custo total de 15 milhões de dólares. Em maio do ano passado, o Ministério da Indústria e Comércio anunciou a decisão do governo de alocar 8,47 mil milhões de francos ruandeses (5,8 milhões de dólares) no orçamento do exercício fiscal 2025/2026 para a construção de infraestruturas essenciais, com o objetivo de atrair investidores privados para o local.

Resta saber em que medida a chegada da Leather and More Company favorecerá o desenvolvimento industrial do setor do couro no Ruanda e a sua inserção nos mercados regionais e internacionais.

Stéphanas Assocle

 

 

Posted On lundi, 19 janvier 2026 10:34 Written by

Na África Ocidental, o Gana apresenta um dos níveis mais elevados de consumo de peixe per capita. No país, as autoridades multiplicam iniciativas para acelerar o desenvolvimento da aquicultura, cuja contribuição para a oferta ainda é limitada em comparação com a pesca.

Em 14 de janeiro de 2026, a Comissão das Pescas do Gana anunciou ter recebido em visita uma delegação da Universidade da Boémia do Sul, situada na República Checa. Num comunicado publicado no seu site, a agência nacional responsável pela implementação das políticas do Ministério das Pescas e da Aquicultura indicou que o encontro visou lançar as bases de uma nova cooperação no sector da aquicultura.

As trocas entre as duas partes centraram-se no reforço de parcerias tanto a nível universitário como sectorial, nomeadamente nos domínios da investigação, do reforço de capacidades, da inovação e das práticas aquícolas sustentáveis.

Esta iniciativa insere-se num contexto em que o Gana procura transformar a aquicultura num eixo estratégico de segurança alimentar e de criação de emprego. Apesar dos progressos significativos registados no sector nos últimos anos, a sua contribuição para a oferta local de peixe continua relativamente modesta.

Segundo dados oficiais, a produção aquícola no Gana quase duplicou, passando de 52 360 toneladas em 2019 para 100 000 toneladas em 2023. Com este aumento expressivo, a aquicultura representa actualmente cerca de 20% das capturas totais de peixe, estimadas em 484 412 toneladas em 2023.

Para sustentar esta dinâmica de crescimento, as autoridades ganesas anunciaram, por exemplo, em novembro passado, a intenção de criar um fundo de desenvolvimento dedicado à aquicultura, com o objectivo de melhorar o acesso ao financiamento, reforçar as infra-estruturas e acelerar a investigação e a transferência de tecnologias.

Neste contexto, a aproximação à República Checa para uma cooperação no domínio da aquicultura não é fortuita. O país é reconhecido na Europa pela sua longa tradição de piscicultura em águas doces, nomeadamente na criação de carpas em viveiros, bem como pela sua competência académica em aquicultura sustentável. Importa igualmente salientar que a Faculdade de Pescas e Protecção das Águas da Universidade da Boémia do Sul é considerada uma referência europeia em investigação aplicada sobre a gestão de sistemas aquícolas, a reprodução de peixes e a adaptação das práticas de produção às restrições ambientais.

Resta saber se esta cooperação com as autoridades ganesas conduzirá à implementação de iniciativas concretas em benefício da indústria aquícola da antiga Gold Coast. No Gana, a produção aquícola concentra-se principalmente na tilápia do Nilo e no peixe-gato.

Stéphanas Assocle

Posted On vendredi, 16 janvier 2026 14:47 Written by

Na África Ocidental, o Burquina Faso afirma-se como um dos principais produtores de algodão, ao lado do Mali, Benim e Costa do Marfim. Depois de vários anos de retração, o setor parece iniciar uma inversão de tendência com as perspetivas anunciadas para a campanha 2025/2026.

No Burquina Faso, a produção de algodão-semente está prevista em 336.812 toneladas em 2025/2026, o que representa um aumento de 15% em relação à campanha anterior. É o que indicam as últimas estimativas da interprofissão, reportadas pelo Programa Regional de Produção Integrada de Algodão em África (PR-PICA) no seu último boletim informativo sobre o setor, publicado em 9 de janeiro.

Esta melhoria pode ser atribuída ao aumento das áreas de cultivo. Os dados compilados pelo PR-PICA mostram, de facto, que a superfície dedicada ao algodão cresceu 13%, ou seja, cerca de 44.629 hectares a mais do que na campanha anterior, perfazendo um total de 391.407 hectares.

Paralelamente, o rendimento é estimado em alta de 2%, atingindo 861 kg por hectare em 2025/2026, sugerindo uma melhor implementação das práticas agronómicas, nomeadamente no que diz respeito à utilização de fertilizantes e tratamentos fitossanitários.

De forma geral, a previsão de colheita para a campanha 2025/2026, se confirmada, marcaria também uma recuperação para o setor burquinense, cuja produção tinha registado três anos consecutivos de queda antes desta campanha. No país, a colheita de algodão-semente passou de cerca de 519.000 toneladas em 2021/2022 para 292.660 toneladas em 2024/2025, ou seja, uma diminuição de quase 44% no período considerado, segundo os dados compilados pelo PR-PICA.

Um regresso ao top 3 da zona CFA?

As perspetivas da campanha 2025/2026 no Burquina Faso podem redistribuir a posição dos países produtores de algodão da zona CFA, núcleo da produção cotonnière em África.

Enquanto o Benim e o Mali são apontados para terminar, respetivamente, como 1.º e 2.º maiores produtores da região ao fim desta campanha, o Burquina Faso está bem posicionado para disputar o terceiro lugar à Costa do Marfim. Neste último país, as previsões de colheita reportadas pelo PR-PICA indicam uma produção de 317.000 toneladas para 2025/2026, representando uma queda de 11% face à campanha anterior (357.267 toneladas).

As principais razões que podem explicar a diminuição da oferta marfinense são comuns a todos os países da zona CFA e prendem-se, nomeadamente, com a irregularidade das chuvas durante os meses de setembro e outubro, que correspondem à fase de maturação das cápsulas do algodão, uma fase determinante para a produtividade.

Pluviometria – evolução por país no mês de outubro

Na maioria dos países, foi registada escassez de chuvas, especialmente nas zonas secas e medianas, indicando o fim da estação chuvosa. Esta situação pode ter um impacto negativo no desenvolvimento de semeaduras tardias, resultando em baixa produtividade”, salientou o PR-PICA no seu boletim informativo publicado em novembro passado.

Segundo a organização, a Costa do Marfim registou, por exemplo, uma diminuição de 89 milímetros de água durante o mês de outubro de 2025 em comparação com a pluviometria de outubro da campanha anterior. O desenrolar da campanha mostrará se o Burquina Faso conseguirá consolidar a sua posição regional na produção de algodão.

Stéphanas Assocle

Posted On vendredi, 16 janvier 2026 10:35 Written by

No momento em que a agricultura enfrenta a pressão climática, a volatilidade dos mercados e a necessidade de alimentar a população de forma sustentável, os dados surgem como um fator central. Sensores, satélites e ferramentas digitais estão a redefinir as práticas agrícolas e a criar novas profissões.

O analista de dados AgriTech é um profissional responsável por transformar informações do setor agrícola em ferramentas de apoio à decisão. Ele utiliza dados climáticos, agronómicos, geoespaciais ou comerciais, recolhidos através de sensores, drones, imagens de satélite ou plataformas digitais. O seu trabalho consiste em analisar estes fluxos de informação para melhorar a produtividade, otimizar o uso da água e insumos, antecipar riscos climáticos ou sanitários e reforçar a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Esta função está no coração da agricultura de precisão e da transição digital do setor.

O rápido desenvolvimento da AgriTech explica o crescimento deste perfil profissional. Segundo a BIS Research, o mercado global de soluções de gestão e análise de dados agrícolas tem registado um crescimento sustentado, impulsionado pela adoção da inteligência artificial (IA), da Internet das Coisas (IoT) e de sistemas de apoio à decisão na agricultura.

Esta dinâmica é reforçada pelo crescimento global da agricultura digital. De acordo com a Global Growth Insights, o setor continua a expandir-se mundialmente, impulsionado pelas necessidades de otimização dos rendimentos e de adaptação às alterações climáticas.

Neste contexto, o analista de dados AgriTech ocupa uma função estratégica. Ele permite que agricultores, empresas agroindustriais e decisores públicos passem de uma agricultura baseada na intuição para uma agricultura guiada por dados. O seu trabalho contribui para reduzir perdas, proteger rendimentos agrícolas e aumentar a resiliência das cadeias de produção perante choques climáticos. Esta dimensão estratégica explica a crescente atratividade da profissão.

Em termos salariais, as diferenças continuam significativas entre regiões. Na Europa e na América do Norte, os analistas de dados especializados em AgriTech estão entre os perfis mais valorizados do setor agrícola digital. Ofertas publicadas nos últimos anos na plataforma Data Recrutement mostram níveis de remuneração comparáveis aos de data analysts em outras indústrias tecnológicas.

Em África, os salários são mais modestos, mas estão a aumentar rapidamente com o crescimento das start-ups AgriTech. No Quénia, os perfis equiparados a data scientists agrícolas beneficiam de reconhecimento crescente, impulsionado pela expansão das tecnologias digitais nas cadeias agrícolas.

Na Nigéria, dados disponíveis na Talenbrium revelam que várias empresas AgriTech oferecem agora remunerações acima da média nacional para atrair talentos capazes de explorar dados agrícolas, sinal de um mercado de trabalho em forte crescimento para estas competências.

Como aceder a esta profissão em África

O acesso a esta profissão em África passa por uma dinâmica de formação ainda em construção, mas em rápida evolução. A digitalização da agricultura acelera no continente, apoiada por políticas públicas, financiadores internacionais e um ecossistema de start-ups cada vez mais estruturado. O Banco Mundial destaca o papel crescente das plataformas digitais agrícolas na melhoria do acesso à informação, aos mercados e aos serviços financeiros para os produtores.

Os percursos dos analistas de dados AgriTech africanos refletem uma diversidade de formações que combinam competências digitais com compreensão dos desafios agrícolas. São oferecidos cursos especializados em big data e plataformas digitais agrícolas, como um programa de formação na Somália que explora como IoT, IA e análise de grandes volumes de dados otimizam a gestão das explorações agrícolas e a tomada de decisão em toda a cadeia de valor.

Formações focadas na aplicação da IA à agricultura também estão disponíveis online ou presencialmente em África, incluindo módulos sobre otimização de processos agrícolas, decisão baseada em dados e integração de tecnologias digitais. No Benim, cursos práticos em análise de dados para agricultura e gestão agrícola ensinam a transformar dados brutos em informação útil para a gestão agrícola e tomada de decisão.

Na mesma linha, módulos na África Ocidental, como DigiGreen & Agri, introduzem estudantes às ferramentas No‑Code e aos fundamentos da IA aplicada à agricultura, primeira etapa para competências em AgriTech. No Senegal, a Universidade Gaston Berger promove sessões de formação AgriTech para reforçar capacidades locais na integração de tecnologias digitais na produção agrícola.

Esta diversidade de ofertas contribui para formar uma nova geração de profissionais capazes de usar dados para modernizar a agricultura africana e reforçar a segurança alimentar, num setor onde a AgriTech é cada vez mais reconhecida como um motor de transformação.

Félicien Houindo Lokossou

Posted On vendredi, 16 janvier 2026 10:30 Written by

No Ruanda, o setor agrícola contribui com cerca de 24% para o PIB e emprega aproximadamente 55% da população ativa. No final do exercício fiscal 2024/2025, o setor consolida o seu desempenho nas exportações, mas ainda está longe de atingir os objetivos estabelecidos.

No Ruanda, as exportações de produtos agrícolas geraram 893,16 milhões de dólares em receitas no final do ano fiscal 2024/2025. É o que revela o relatório anual publicado pelo Ministério da Agricultura e Recursos Animais em 31 de dezembro passado.

Este montante representa um aumento de 6,4% em relação às receitas registadas no ano anterior (839,2 milhões de dólares). Motor das exportações, o setor do café é também aquele que apresentou o maior crescimento anual.

De facto, as receitas geradas pelo grão aumentaram 47%, atingindo 116,18 milhões de dólares. “O aumento das receitas do café deve-se ao crescimento dos volumes exportados, aliado à subida do preço do café, que passou de 4,78 para 5,66 dólares por quilograma”, destaca o relatório.

O documento sublinha ainda que a diversificação das culturas de exportação e dos produtos de origem animal permitiu compensar quedas pontuais de receitas de outros produtos de exportação tradicionais, como o chá ou o piretro. No conjunto, o café representou 13% das receitas de exportação agrícola do Ruanda, seguido pelo chá (12%) e pelos produtos hortícolas (10%).

Mais amplamente, o crescimento das receitas de exportações agrícolas em 2024/2025 coloca o Ruanda no bom caminho para atingir as suas ambições futuras. No âmbito da 5.ª fase do seu Plano Estratégico para a Transformação da Agricultura (PSTA 5), Kigali define como meta gerar mais de 1,5 mil milhões de dólares em receitas através das exportações de produtos agrícolas até 2028/2029.

Stéphanas Assocle

Posted On vendredi, 16 janvier 2026 10:24 Written by
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