Emprego no Senegal: demografia, competências e participação em destaque
Uma análise da dinâmica do emprego no Senegal revela a importância da demografia, das competências e da participação na inserção profissional, evidenciando desafios de integração e equidade no mercado de trabalho.
Em 2025, a estrutura do emprego no Senegal reflete uma participação económica ainda limitada, apesar do crescimento da população ativa. Segundo a Agência Nacional de Estatística e Demografia (ANSD), 55,4% das pessoas com 15 anos ou mais estavam ativas no mercado de trabalho no terceiro trimestre de 2025, ou seja, estavam empregadas ou à procura de emprego.
Este valor global esconde, no entanto, contrastes significativos por idade e género. Entre os jovens de 15 a 24 anos, a taxa de atividade é consideravelmente mais baixa, estimando-se em cerca de 47%, explicada em parte pela elevada proporção de jovens que prosseguem estudos ou enfrentam dificuldades de acesso a empregos estáveis. Pelo contrário, entre os adultos de 25 a 54 anos, a taxa de atividade frequentemente ultrapassa os 65%, indicando uma maior integração no mercado de trabalho, mas também uma pressão sobre os segmentos de emprego formal e informal.
As desigualdades de género são também marcantes no país. Os homens apresentam uma taxa de atividade superior à das mulheres, com diferenças que muitas vezes variam entre 10 e 15 pontos percentuais, dependendo das zonas urbanas ou rurais. Nas zonas rurais, por exemplo, a ANSD aponta para uma menor participação feminina, fenómeno ligado às responsabilidades domésticas, aos níveis de educação e ao acesso diferenciado às oportunidades económicas.
Numa análise divulgada em janeiro de 2025 pelo diário Enquête +, Alioune Ndiaye, especialista em desenvolvimento internacional, sublinha que a correspondência entre a formação profissional e as necessidades reais do mercado de trabalho continua a ser um desafio importante no Senegal. Sem uma orientação mais firme dos cursos para as competências demandadas, sobretudo nas profissões técnicas e digitais, a participação ativa dos jovens poderá, segundo ele, continuar limitada.
Félicien Houindo Lokossou
No momento em que a agricultura enfrenta a pressão climática, a volatilidade dos mercados e a necessidade de alimentar a população de forma sustentável, os dados surgem como um fator central. Sensores, satélites e ferramentas digitais estão a redefinir as práticas agrícolas e a criar novas profissões.
O analista de dados AgriTech é um profissional responsável por transformar informações do setor agrícola em ferramentas de apoio à decisão. Ele utiliza dados climáticos, agronómicos, geoespaciais ou comerciais, recolhidos através de sensores, drones, imagens de satélite ou plataformas digitais. O seu trabalho consiste em analisar estes fluxos de informação para melhorar a produtividade, otimizar o uso da água e insumos, antecipar riscos climáticos ou sanitários e reforçar a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Esta função está no coração da agricultura de precisão e da transição digital do setor.
O rápido desenvolvimento da AgriTech explica o crescimento deste perfil profissional. Segundo a BIS Research, o mercado global de soluções de gestão e análise de dados agrícolas tem registado um crescimento sustentado, impulsionado pela adoção da inteligência artificial (IA), da Internet das Coisas (IoT) e de sistemas de apoio à decisão na agricultura.
Esta dinâmica é reforçada pelo crescimento global da agricultura digital. De acordo com a Global Growth Insights, o setor continua a expandir-se mundialmente, impulsionado pelas necessidades de otimização dos rendimentos e de adaptação às alterações climáticas.
Neste contexto, o analista de dados AgriTech ocupa uma função estratégica. Ele permite que agricultores, empresas agroindustriais e decisores públicos passem de uma agricultura baseada na intuição para uma agricultura guiada por dados. O seu trabalho contribui para reduzir perdas, proteger rendimentos agrícolas e aumentar a resiliência das cadeias de produção perante choques climáticos. Esta dimensão estratégica explica a crescente atratividade da profissão.
Em termos salariais, as diferenças continuam significativas entre regiões. Na Europa e na América do Norte, os analistas de dados especializados em AgriTech estão entre os perfis mais valorizados do setor agrícola digital. Ofertas publicadas nos últimos anos na plataforma Data Recrutement mostram níveis de remuneração comparáveis aos de data analysts em outras indústrias tecnológicas.
Em África, os salários são mais modestos, mas estão a aumentar rapidamente com o crescimento das start-ups AgriTech. No Quénia, os perfis equiparados a data scientists agrícolas beneficiam de reconhecimento crescente, impulsionado pela expansão das tecnologias digitais nas cadeias agrícolas.
Na Nigéria, dados disponíveis na Talenbrium revelam que várias empresas AgriTech oferecem agora remunerações acima da média nacional para atrair talentos capazes de explorar dados agrícolas, sinal de um mercado de trabalho em forte crescimento para estas competências.
Como aceder a esta profissão em África
O acesso a esta profissão em África passa por uma dinâmica de formação ainda em construção, mas em rápida evolução. A digitalização da agricultura acelera no continente, apoiada por políticas públicas, financiadores internacionais e um ecossistema de start-ups cada vez mais estruturado. O Banco Mundial destaca o papel crescente das plataformas digitais agrícolas na melhoria do acesso à informação, aos mercados e aos serviços financeiros para os produtores.
Os percursos dos analistas de dados AgriTech africanos refletem uma diversidade de formações que combinam competências digitais com compreensão dos desafios agrícolas. São oferecidos cursos especializados em big data e plataformas digitais agrícolas, como um programa de formação na Somália que explora como IoT, IA e análise de grandes volumes de dados otimizam a gestão das explorações agrícolas e a tomada de decisão em toda a cadeia de valor.
Formações focadas na aplicação da IA à agricultura também estão disponíveis online ou presencialmente em África, incluindo módulos sobre otimização de processos agrícolas, decisão baseada em dados e integração de tecnologias digitais. No Benim, cursos práticos em análise de dados para agricultura e gestão agrícola ensinam a transformar dados brutos em informação útil para a gestão agrícola e tomada de decisão.
Na mesma linha, módulos na África Ocidental, como DigiGreen & Agri, introduzem estudantes às ferramentas No‑Code e aos fundamentos da IA aplicada à agricultura, primeira etapa para competências em AgriTech. No Senegal, a Universidade Gaston Berger promove sessões de formação AgriTech para reforçar capacidades locais na integração de tecnologias digitais na produção agrícola.
Esta diversidade de ofertas contribui para formar uma nova geração de profissionais capazes de usar dados para modernizar a agricultura africana e reforçar a segurança alimentar, num setor onde a AgriTech é cada vez mais reconhecida como um motor de transformação.
Félicien Houindo Lokossou
A transformação digital em curso no Gabão abrange todos os setores da economia. O empreendedorismo não é exceção.
O governo gabonês está a preparar a implementação de uma plataforma digital destinada a apoiar e acompanhar os jovens empreendedores. O projeto foi o foco de uma reunião de trabalho realizada no início da semana entre a ministra do Comércio, PME-PMI e Empreendedorismo Juvenil, Gninga Chaning Zenaba (foto), e representantes de grandes empresas nacionais.
Segundo o ministério, “as discussões permitiram definir os contornos desta plataforma digital, chamada a tornar-se numa ferramenta estruturante de ligação entre os jovens empreendedores e as grandes empresas”. Acrescenta ainda: “Ela oferecerá, nomeadamente, oportunidades de acompanhamento técnico, mentoria, transferência de competências, bem como perspetivas de parcerias e integração nas cadeias de valor.”
Esta iniciativa sucede ao lançamento, em novembro de 2025, da Kimba, uma plataforma destinada a acelerar a modernização digital das empresas e a reforçar a inovação local. Insere-se na estratégia nacional Digital Gabon, cujo objetivo é fazer do digital um instrumento de desenvolvimento económico e social.
A médio prazo, as autoridades esperam que este mecanismo promova o surgimento de uma nova geração de empreendedores, destinada a desempenhar um papel motor no desenvolvimento económico e social do Gabão. O objetivo é estimular o crescimento, fomentar a criação de empregos e contribuir para a diversificação da economia gabonesa.
Adoni Conrad Quenum
À medida que o digital transforma trajectórias profissionais, o trabalho independente afirma-se como uma alternativa crescente ao emprego formal em África, revelando novas oportunidades económicas, mas também fragilidades estruturais duradouras.
Durante muito tempo marginal, o freelance tornou-se gradualmente uma componente integral do mercado de trabalho africano. Dados recentes confirmam a dimensão deste fenómeno. O número de trabalhadores africanos ativos em plataformas de serviços digitais aumentou significativamente nos últimos cinco anos, com trajectórias contrastantes entre países.
O Quénia figura entre os mercados mais dinâmicos do continente, com um crescimento de mais de 200 % no número de freelancers online em cinco anos, impulsionado por um ecossistema digital ativo e uma forte procura por profissões digitais. A Nigéria segue uma trajectória sustentada, com um aumento estimado em cerca de 130 %, ligado ao seu vasto reservatório de talentos e à ascensão dos serviços digitais. Em contrapartida, a África do Sul apresenta um crescimento mais moderado, inferior a 10 % no mesmo período, num mercado de trabalho mais estruturado e menos dependente das plataformas internacionais. Estas diferenças refletem uma recomposição progressiva das formas de emprego, em que flexibilidade e acesso aos mercados globais se tornam alavancas centrais.
O crescimento do freelance está intimamente ligado à evolução do ambiente técnico e financeiro. O desenvolvimento rápido dos serviços de mobile money transformou profundamente o acesso a pagamentos para os trabalhadores independentes. Em 2025, África contava com mais de um mil milhões de contas de mobile money, segundo a GSMA, tornando-se o principal polo mundial destas soluções. Para os freelancers, estas ferramentas permitem receber pagamentos transfronteiriços em segundos, enquanto os circuitos bancários tradicionais permanecem lentos e caros. Segundo vários estudos setoriais, cerca de 45 % dos pagamentos ligados ao trabalho independente transfronteiriço passam agora por estas soluções, reforçando a integração dos freelancers africanos na economia digital global.
Crescimento rápido, sem proteção social adequada
No plano social e económico, a maioria dos freelancers africanos ainda opera fora dos quadros clássicos de proteção do trabalho. Estimativas do Banco Mundial e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que mais de 80 % dos trabalhadores independentes e de plataforma na África subsaariana exercem sem cobertura social formal, seja em saúde, reforma ou mecanismos de proteção contra perda de rendimento. Na Nigéria, cerca de 75 % dos trabalhadores da economia de plataformas não contribuem para qualquer regime de pensão.
Esta ausência de rede de segurança social vem acompanhada de forte instabilidade nos rendimentos. Inquéritos indicam que mais de 60 % dos freelancers africanos têm rendimentos irregulares de mês para mês, dependentes da procura internacional, dos algoritmos das plataformas e da flutuação das moedas. Mesmo quando os rendimentos atingem níveis comparáveis aos do setor formal local, a sua continuidade permanece incerta, limitando a capacidade de planeamento, investimento ou de garantir uma carreira sustentável.
Micro-tarefas, conectividade e precariedade digital
Outra limitação estrutural reside na natureza das tarefas disponíveis online. Segundo o World Bank Online Labour Index, mais de 40 % das tarefas atribuídas a trabalhadores africanos em grandes plataformas digitais são micro-tarefas de baixo valor, como introdução de dados, moderação de conteúdos ou serviços digitais básicos. Estas atividades oferecem acesso rápido a rendimentos, mas frequentemente com remunerações horárias inferiores a 3 dólares e poucas perspetivas de progressão ou aquisição de competências.
A estas limitações somam-se obstáculos técnicos persistentes. Em 2025, apenas 37 a 40 % da população africana utilizava regularmente a Internet, apesar da ampla cobertura móvel. O custo de dados móveis permanece elevado, representando em média mais de 5 % do rendimento mensal por 1 GB, muito acima do limite recomendado pelas Nações Unidas. O acesso a um computador pessoal continua limitado para grande parte da população ativa, restringindo o acesso a tarefas mais qualificadas e melhor remuneradas. Esta combinação de baixos rendimentos, custos digitais elevados e acesso desigual a infraestruturas alimenta uma precariedade digital persistente, apesar da expansão do mercado.
Assim, o freelance em África representa um paradoxo crescente. Oferece oportunidades inéditas de autonomia, inserção profissional e acesso a mercados globais, ao mesmo tempo que evidencia os limites de um modelo ainda pouco regulado e socialmente vulnerável. À medida que esta nova classe de trabalhadores conectados cresce, a questão da regulação, proteção social e desenvolvimento de competências torna-se central para transformar uma dinâmica quantitativa em um verdadeiro motor de desenvolvimento sustentável.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto muitas famílias nigerianas têm dificuldade em financiar a escolaridade dos seus filhos devido à inflação, a Nigéria lança uma reforma do material escolar para aliviar as despesas das famílias e promover o acesso à escola de milhões de crianças ainda fora do sistema educativo.
O governo federal da Nigéria apresentou, na semana passada, uma nova política educativa destinada a reduzir o custo da escolaridade. De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, as escolas deverão adotar manuais duráveis e reutilizáveis, concebidos para durar vários anos, estando agora proibida a utilização de cadernos descartáveis vendidos sistematicamente em conjunto com os livros. A reforma impõe igualmente um calendário escolar uniforme e limita o número de manuais por disciplina, de modo a simplificar as escolhas e reduzir despesas desnecessárias.
Apresentada pelo ministro da Educação, Maruf Tunji Alausa (foto), e pela ministra de Estado da Educação, Suwaiba Sa’id Ahmad, esta medida insere-se num conjunto de reformas destinadas a reposicionar o setor educativo e a aliviar o encargo financeiro suportado pelos pais. Os manuais aprovados pelo Nigerian Educational Research and Development Council (NERDC) serão padronizados, duráveis e partilháveis entre irmãos. Estão previstos ciclos de revisão significativos, a fim de evitar alterações superficiais que anteriormente obrigavam à compra de novos livros todos os anos.
As autoridades explicam que estes manuais permitem a utilização dos materiais pedagógicos ao longo de vários anos, reduzem as despesas recorrentes das famílias e diminuem os resíduos associados a cadernos de uso único. A reforma contribui igualmente para reforçar a coerência do ensino com o currículo nacional e para melhorar a sustentabilidade ambiental do sistema educativo.
Esta iniciativa surge num contexto educativo ainda difícil. Segundo a UNICEF, cerca de 18,3 milhões de crianças estavam fora do sistema escolar em 2024-2025, o que corresponde a quase uma em cada três crianças em idade de frequentar o ensino primário ou o primeiro ciclo do ensino secundário.
Apesar da gratuitidade teórica do ensino básico, muitas famílias continuam a suportar custos adicionais elevados com manuais, cadernos, uniformes e transporte. Inquéritos do International Centre for Investigative Reporting (ICIR), publicados em 2023, mostram que estas despesas permanecem frequentemente incomportáveis para os agregados familiares de baixos rendimentos. Em algumas regiões, o custo dos livros e do material escolar registou aumentos de dois dígitos, e a subida acentuada dos preços dos combustíveis agravou ainda mais os custos do transporte escolar, limitando o acesso regular à escola para muitas crianças.
Félicien Houindo Lokossou
Apesar de uma economia relativamente diversificada e de reformas no mercado de trabalho, o emprego em Marrocos continua amplamente dominado por atividades informais. Estas absorvem grande parte da força de trabalho, ao mesmo tempo que colocam desafios duradouros em termos de produtividade e proteção social.
A Comissão Económica para a África das Nações Unidas (CEA) estima que entre 60% e 80% da população ativa marroquina atua no setor informal. Publicada em novembro de 2025 no relatório regional sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, esta estimativa evidencia o caráter estrutural da informalidade, presente tanto em áreas urbanas quanto rurais. Ela abrange realidades diversas, desde trabalhadores independentes até pequenas unidades não registradas, incluindo uma parte significativa do emprego agrícola.
Os dados nacionais reforçam esta constatação. O Alto Comissariado para o Plano (HCP) indica que Marrocos contava com mais de 2 milhões de unidades de produção informais em 2023, principalmente concentradas no comércio, nos serviços e no artesanato. A instituição ressalta que o setor informal continua sendo um canal importante de inserção no mercado de trabalho, especialmente para trabalhadores pouco qualificados e jovens, em um contexto em que a criação de empregos formais permanece insuficiente para absorver o crescimento da população ativa.
Em nível internacional, o Banco Mundial lembra que este setor atua como um amortecedor social, oferecendo oportunidades de renda para uma ampla parcela da população. Contudo, ressalta também que a predominância do informal limita os ganhos de produtividade, restringe a mobilização de recursos fiscais e retarda a expansão da proteção social. A longo prazo, essa situação contribui para manter a segmentação do mercado de trabalho e frear a evolução da economia marroquina para atividades de maior valor agregado.
A médio prazo, a redução gradual da informalidade depende de uma abordagem progressiva. A CEA destaca a necessidade de combinar políticas direcionadas, incluindo a simplificação dos procedimentos de formalização, a ampliação da cobertura social e o apoio às microempresas. O objetivo não é eliminar o setor informal, mas facilitar sua integração progressiva na economia formal, melhorando simultaneamente a qualidade e a estabilidade dos empregos.
Félicien Houindo Lokossou
Diante da escassez persistente de professores e da precariedade de milhares de contratados, as autoridades nigerinas iniciam uma reforma do recrutamento público com o objetivo de estabilizar o emprego na educação e fortalecer de forma duradoura um sistema escolar sob forte pressão demográfica.
Em um comunicado publicado na sexta-feira, 9 de janeiro, na página do Facebook do Ministério da Educação Nacional do Níger, o governo anunciou a integração sem concurso de 11.015 professores contratados na Função Pública. Esta medida responde às tensões sociais recorrentes no setor educacional e à fragilidade do status dos professores contratados.
A decisão resulta de um processo de consulta envolvendo vários ministérios e os parceiros sociais do setor educacional, apoiado pelos trabalhos de duas instâncias técnicas criadas a iniciativa do Primeiro-Ministro Ali Mahamane Lamine Zeine, sob a liderança do chefe de Estado Abdourahamane Tiani. Segundo as autoridades, essas consultas “permitiram identificar soluções concretas, especialmente no que diz respeito ao recrutamento e à regularização de salários atrasados e promoções”.
A coordenação da implementação foi confiada ao Ministério da Função Pública, Trabalho e Emprego. Conforme informado, os professores integrados serão progressivamente alocados em vários departamentos ministeriais, incluindo educação, formação técnica e profissional, juventude e esportes, bem como cultura e promoção de valores sociais.
De acordo com o comunicado oficial, esta integração visa proteger carreiras profissionais por muito tempo marcadas pela instabilidade contratual. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lembra que a precariedade do emprego público na educação é um fator importante de desmotivação e queda da qualidade do ensino em vários países de baixa renda. Ao estabilizar o emprego na educação, as autoridades nigerinas esperam responder a uma urgência social e, ao mesmo tempo, estabelecer bases para um fortalecimento duradouro do sistema educacional e do mercado de trabalho público.
A medida ocorre em um contexto de déficit estrutural de professores no Níger, com turmas frequentemente superlotadas. Segundo o Instituto de Estatística da UNESCO (UIS), a relação aluno-professor no ensino secundário é de cerca de 30 alunos por professor, um nível acima das recomendações internacionais, limitando a qualidade do acompanhamento pedagógico. Em algumas áreas rurais, essa proporção pode ultrapassar 50 alunos por professor.
Enquanto a inserção profissional dos jovens diplomados continua a ser um desafio na Argélia, o Estado explora vias diretas entre formação de excelência e emprego público, num contexto de desemprego ainda elevado entre perfis qualificados.
Na quarta-feira, 7 de janeiro, o governo argelino organizou um dia de informação dedicado às ofertas de emprego do Ministério da Defesa Nacional, destinado aos diplomados da Escola Nacional Superior de Inteligência Artificial (ENSIA) e da Escola Nacional Superior de Matemática (ENSM). O encontro realizou-se no polo científico e tecnológico Chahid Abdelhafid Ihaddaden, em Sidi Abdellah, Argel, com o objetivo de apresentar as oportunidades de recrutamento nas diferentes direções e serviços do Exército Nacional Popular (ANP).
Na abertura da sessão, o ministro do Ensino Superior e da Investigação Científica, Kamel Baddari, saudou “o entusiasmo dos estudantes das escolas nacionais superiores pertencentes ao polo científico e tecnológico por este encontro”.
As trocas permitiram esclarecer os perfis procurados, os procedimentos de recrutamento e as missões propostas, numa lógica de aproximação entre as formações científicas de alto nível e as necessidades operacionais do Estado. Segundo o comunicado oficial, esta parceria insere-se “na visão de desenvolvimento definida pelo Presidente da República, Sr. Abdelmadjid Tebboune, que dá prioridade às ciências, tecnologias e conhecimentos ligados à economia inovadora”.
O coronel Belloula Ammar, representante do Ministro da Defesa Nacional, especificou que esta iniciativa visa reforçar o acompanhamento dos jovens talentos e valorizar as realizações científicas dos estudantes. Ela ocorre a poucos meses da saída da primeira turma da ENSIA e da ENSM, duas escolas consideradas como alavancas da economia inovadora.
A questão é também social. Em 2025, a taxa de desemprego na Argélia é estimada em 12,7%, com maior pressão sobre os jovens diplomados, segundo o Escritório Nacional de Estatística (ONS), citado pela imprensa local.
Félicien Houindo Lokossou
A África apresenta uma juventude dinâmica e mercados de trabalho em transformação, mas as pessoas com deficiência continuam largamente excluídas de formações adaptadas e de empregos dignos, apesar do surgimento de iniciativas públicas e associativas. Esta situação coloca a inserção profissional das pessoas com deficiência no centro dos debates sobre o desenvolvimento inclusivo do continente.
Em vários países africanos, começam a surgir programas colaborativos e quadros de ação sobre o tema, promovidos por alianças entre governos, organizações internacionais e atores locais. Estas dinâmicas refletem uma crescente conscientização, embora o seu alcance ainda seja limitado.
No Benim, em novembro de 2025, a Universidade de Abomey-Calavi dedicou uma sessão específica à empregabilidade dos diplomados com deficiência durante o Salão do Emprego, demonstrando a vontade de integrar esta questão nos mecanismos de inserção existentes. Alguns meses antes, a Agência Nacional de Emprego (AnpE) tinha organizado uma formação destinada a reforçar as capacidades dos responsáveis pela promoção do emprego, no acompanhamento de candidatos com deficiência.
Na África Oriental, a Tanzânia ilustra outro aspeto desta mobilização. A parceria estabelecida em março de 2025 entre o National Business and Disability Network, a Associação de Empregadores e a ONG Sightsavers evidencia o envolvimento crescente do setor privado na promoção da inclusão. Apoiada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), esta iniciativa insere-se num diálogo estruturado com as empresas para promover a evolução das práticas internas.
A OIT sublinha que o objetivo é ir além dos compromissos simbólicos, integrando progressivamente políticas de emprego inclusivas nos processos de recrutamento, gestão de carreiras e adaptação das condições de trabalho. No Norte de África, Marrocos também reforçou a cooperação entre instituições públicas e atores económicos. Os acordos celebrados em 2022 com algumas cadeias de distribuição para favorecer a inserção profissional de pessoas com deficiência intelectual ilustram esta orientação.
Estes exemplos mostram que a construção de percursos de emprego duradouros depende de uma ação concertada entre poderes públicos, sociedade civil e setor privado.
Obstáculos persistentes e desafios a superar em África
Apesar destes sinais encorajadores, os obstáculos estruturais continuam significativos em todo o continente. O acesso a formações realmente adaptadas permanece insuficiente, e muitas instituições educativas e ambientes profissionais continuam a ser pouco acessíveis. A estas limitações materiais somam-se estereótipos persistentes que dificultam o acesso ao emprego formal e limitam as perspetivas de progressão, mesmo para pessoas qualificadas com deficiência.
Os dados disponíveis confirmam a dimensão do desafio. Segundo as Nações Unidas, cerca de 16% da população mundial vive com uma deficiência significativa, sendo quase 80% em países em desenvolvimento. Em África, a situação no mercado de trabalho é particularmente crítica. Um estudo citado pelo Social Business Impact indica que menos de 20% das pessoas com deficiência possuem um emprego remunerado.
Perante esta realidade, a questão vai além do simples reconhecimento de direitos. Trata-se de promover uma transformação profunda dos sistemas de formação, das práticas de recrutamento e das políticas públicas, de modo a eliminar de forma sustentável as barreiras à inclusão. Sem investimentos direcionados e sem uma mobilização contínua dos Estados, empresas e sociedade civil, a integração profissional das pessoas com deficiência continuará a progredir demasiado lentamente, limitando o potencial humano e económico de África.
Félicien Houindo Lokossou
À medida que milhões de jovens africanos entram todos os anos num mercado de trabalho que não gera empregos formais suficientes, a lacuna entre as competências de que dispõem e aquelas exigidas pelas empresas dificulta fortemente a sua inserção profissional.
O reskilling refere-se à aprendizagem de novas competências que permitem abraçar outra profissão ou adaptar-se a um ambiente profissional em transformação. Não se trata de retomar matérias gerais, mas de uma formação direcionada para as competências demandadas pelo mercado.
Num mundo do trabalho profundamente transformado pela automação, digitalização e transições económicas, o reskilling surge como uma resposta concreta para reduzir a lacuna entre as competências disponíveis e as exigidas pelos empregadores. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) salienta que estas formações facilitam transições profissionais mais fluidas e contribuem para corrigir os desequilíbrios persistentes entre oferta e procura de competências.
No terreno, esta inadequação é particularmente visível em África. Diversos estudos mostram que uma parte significativa dos jovens trabalhadores considera que as suas competências não correspondem ao seu emprego, quer estejam subqualificados, quer sobrequalificados. Esta situação evidencia uma desconexão estrutural entre os sistemas de formação e as realidades económicas.
Por que o reskilling é crucial para a juventude africana
A juventude africana enfrenta um desafio demográfico e profissional. Segundo a OIT, mais de 70,9 milhões de jovens africanos eram NEET (nem em emprego, nem em educação, nem em formação) em 2025, representando cerca de 23% da população jovem total.
Este problema soma-se ao acesso limitado a formações técnicas e profissionais qualificantes. De acordo com dados oficiais, apenas cerca de 9% dos jovens africanos completaram uma formação técnica ou profissional, significativamente abaixo da média mundial, o que restringe a sua capacidade de adquirir competências práticas procuradas pelos empregadores.
Em muitos países, a maioria dos diplomados trabalha em empregos que não correspondem às suas qualificações, criando outro aspecto do desfasamento entre competências e emprego. Por exemplo, um estudo recente na Costa do Marfim mostra que cerca de 76% dos jovens diplomados ocupam cargos que não correspondem às suas qualificações, ilustrando a profunda inadequação entre formação e necessidades económicas.
Estas realidades sublinham a urgência de investir em programas de reskilling orientados para competências práticas e profissões em crescimento, de modo a transformar o potencial demográfico africano num trunfo para o emprego sustentável e inclusivo.
Félicien Houindo Lokossou