A inteligência artificial (IA) está a ganhar terreno nos sistemas de saúde para melhorar o diagnóstico, otimizar os recursos e ampliar o acesso aos cuidados. A profissão de especialista em IA para a saúde afirma-se como uma carreira estratégica, com forte impacto social e económico.
À medida que a saúde entra na era dos dados e dos algoritmos, um novo perfil torna-se indispensável. O especialista em inteligência artificial aplicada à saúde concebe e implementa soluções de IA capazes de assistir os profissionais médicos no diagnóstico, na prevenção e na organização dos cuidados.
Esta profissão situa-se na interseção da informática, da ciência de dados e do mundo médico. Consiste em transformar dados clínicos, biológicos ou de imagiologia médica em ferramentas de apoio à decisão confiáveis, respeitando elevados padrões éticos e de proteção dos dados dos pacientes, segundo a plataforma de orientação PrePeers.
Nos países ocidentais, a ascensão da inteligência artificial médica fez do especialista em IA para a saúde um dos perfis tecnológicos mais procurados. Empresas e instituições de saúde oferecem salários elevados, condições de trabalho flexíveis e oportunidades internacionais, de acordo com BigDogJobs, site especializado em carreiras em inteligência artificial.
Em África, o interesse por esta profissão vai além da atratividade salarial. O continente enfrenta um défice estrutural de profissionais de saúde e sistemas frequentemente sobrecarregados. A inteligência artificial surge como uma alavanca para melhorar a prevenção, otimizar a alocação de recursos e ampliar o acesso aos cuidados, sobretudo através da saúde digital, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Um relatório colaborativo divulgado em abril passado pelo Africanewsquick indica que alguns países africanos investem atualmente em IA aplicada à saúde, através de estratégias nacionais, projetos-piloto e parcerias público-privadas, para desenvolver soluções adaptadas às realidades locais.
Figuras africanas já exemplificam esta dinâmica. O investigador sénior Moustapha Cissé, do Senegal, desenvolve projetos de IA aplicados à saúde no continente, demonstrando a capacidade de África produzir a sua própria expertise tecnológica, segundo We Are Tech Africa.
Como tornar-se especialista em IA para a saúde em África
Tornar-se especialista em IA para a saúde em África baseia-se em percursos variados e complementares. O caminho mais clássico passa pela universidade, com formação em informática, matemática aplicada, engenharia de software ou ciência de dados, seguida de especialização em inteligência artificial ou saúde digital, de acordo com PrePeers.
A estes percursos académicos juntam-se formações profissionais específicas. Na África Ocidental, o Certificado Executivo em Inteligência Artificial em Medicina e e-Saúde visa formar perfis capazes de compreender os usos clínicos da IA em contextos de recursos limitados, segundo EPI Mafrique.
As iniciativas privadas e comunitárias também desempenham um papel crescente. Hubs tecnológicos, associações e comunidades de inovação organizam bootcamps, hackathons e outros projetos colaborativos para formar talentos locais em IA aplicada à saúde, uma dinâmica sublinhada pela Agência Francesa de Desenvolvimento.
Por fim, os cursos online constituem um instrumento essencial para democratizar o acesso à profissão. Plataformas internacionais oferecem formações em inteligência artificial e análise de dados, amplamente utilizadas por aprendentes africanos para complementar a formação local ou para reconversão profissional, segundo BigDogJobs.
Os investigadores lembram, contudo, que a domínio das ferramentas técnicas deve ser acompanhado de experiência de campo, para integrar as restrições éticas, regulatórias e operacionais próprias dos dados de saúde africanos, como sublinha um estudo publicado no site ArXiv.
Neste contexto, a profissão de especialista em IA para a saúde impõe-se como uma via de futuro em África, combinando oportunidades profissionais, inovação tecnológica e contribuição direta para a transformação dos sistemas de cuidados de saúde.
Félicien Houindo Lokossou
Convencidos do potencial das tecnologias digitais para melhorar a eficiência económica e social (como salientam as Nações Unidas), muitos países africanos têm-se comprometido com a digitalização ao longo da última década.
O Marrocos acelera a transformação digital do seu setor pesqueiro. Segundo declarações feitas esta semana no Parlamento, 68 dos 76 mercados de peixe do país funcionam agora através de sistemas digitais.
Durante uma sessão de perguntas orais na Câmara dos Representantes, na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, Zakia Driouich, secretária de Estado responsável pelas Pescas Marinhas, indicou que o desdobramento destas ferramentas nos mercados de primeira venda permite ao Estado aceder a informações mais precisas e reforçar a supervisão das transações comerciais.
Concretamente, o registo digital facilita o acompanhamento das vendas e a produção de dados exploráveis, reduzindo assim a opacidade das trocas. Melhora também as capacidades de controlo e auditoria, um instrumento essencial para sanear as práticas e a governação do setor.
Esta transição não se limita aos mercados. A supervisão foi alargada às zonas de pesca: todos os navios que operam nas águas marroquinas são agora monitorizados por satélite, precisou a responsável. Paralelamente, a identificação por radiofrequência (RFID) é utilizada para rastrear os barcos autorizados, reforçando os controlos e combatendo a pesca ilegal.
O governo aplica igualmente estas ferramentas digitais à investigação científica, à gestão das pescas, aos métodos de produção e à comercialização. Esta abordagem visa melhorar a colheita de dados, o planeamento e uma gestão mais sustentável dos recursos.
Estas iniciativas inserem-se numa estratégia de longa data. A estratégia Halieutis, lançada em 2009, já tinha iniciado uma modernização progressiva, nomeadamente substituindo a documentação em papel pelo tratamento eletrónico dos dados de exportação.
Hoje, com a digitalização dos mercados de primeira venda e o reforço dos controlos no mar, o Marrocos dá um novo passo rumo a uma cadeia pesqueira mais rastreável, melhor regulada e mais orientada por dados.
Dar à juventude guineense os meios para se tornar uma mão de obra qualificada reconhecida internacionalmente faz parte das ambições do programa Simandou 2040. Diversas medidas importantes estão previstas para isso, com o apoio das tecnologias digitais.
Sob a presidência da ministra das Postas, Telecomunicações e Economia Digital, Rose Pola Pricemou, a Guiné lançou oficialmente, no final de dezembro de 2025, o projeto “Univ Connect”. Este projeto de interconexão por fibra ótica das instituições de ensino superior (IES), conduzido pela Agência Nacional do Serviço Universal de Telecomunicações e do Digital (ANSUTEN), visa fornecer aos campi do país uma infraestrutura de internet mais rápida, estável e segura.
“Esta iniciativa representa um passo decisivo no apoio à evolução digital do setor educacional na Guiné e permitirá que nossas instituições ofereçam serviços acadêmicos de acordo com os padrões internacionais”, declarou a ANSUTEN.
Do ponto de vista operacional, 13 sites já estão conectados à fibra nacional. Nove estão totalmente funcionais, e quatro estão em fase de ativação. Além disso, quatro sites adicionais estão em fase de implementação. Ao final do programa, a conectividade e interconexão de 17 instituições de ensino superior permitirá criar uma rede universitária de alta velocidade e segura em todo o país.
Segundo a ANSUTEN, o projeto se insere na dinâmica de transformação digital impulsionada pelo governo no âmbito do programa socioeconômico sustentável Simandou 2040. O objetivo é fortalecer o acesso a uma infraestrutura digital moderna e confiável para universidades públicas e privadas em toda a Guiné.
Além do acesso à internet, a meta é criar uma verdadeira “rede acadêmica”, permitindo que as instituições compartilhem recursos e modernizem seus serviços. Univ Connect facilitará o acesso a bibliotecas digitais, plataformas de aprendizado online e ferramentas de pesquisa, além de melhorar a qualidade da interação entre quase 80.000 professores, pesquisadores e estudantes.
A interconexão abre caminho para usos mais intensivos: videoconferências, cursos híbridos, colaboração entre universidades, acesso a bases de dados científicas e hospedagem de aplicações pedagógicas. A médio prazo, essa base poderá apoiar plataformas nacionais de pesquisa e inovação.
Resta o desafio da sustentabilidade. O impacto de longo prazo dessa rede universitária dependerá da manutenção dos equipamentos, da robustez das redes internas nos campi, da disponibilidade de energia e da implementação de padrões de cibersegurança. Em outras palavras, a fibra ótica é apenas uma base: para alcançar os padrões internacionais desejados, será necessária também uma governança durável.
Muriel EDJO
A Argélia busca reduzir o desemprego estrutural e integrar de forma sustentável as populações mais vulneráveis em seu mercado de trabalho. As autoridades públicas apostam especialmente no digital para melhorar o acesso ao emprego para pessoas com deficiência.
O Ministério da Solidariedade Nacional, da Família e da Condição da Mulher lançou um guia eletrônico dedicado à inserção econômica de pessoas com necessidades específicas. Pensada como uma plataforma digital de orientação, esta iniciativa visa, segundo a imprensa local, aproximar formação, acompanhamento e emprego para pessoas com deficiência.
Supervisionado pela ministra Soraya Mouloudji, o lançamento marca uma etapa-chave na “estratégia nacional para fortalecer a autonomia econômica, a justiça social e a igualdade de oportunidades”. Apresentado como uma ferramenta de referência acessível, o guia destina-se a um amplo leque de atores, desde as pessoas beneficiárias até instituições públicas, associações especializadas e empregadores, em uma lógica multisectorial e coordenada.
O dispositivo é estruturado em vários eixos que cobrem todo o percurso de inclusão, desde a reabilitação e a formação profissional até a inserção no emprego e o apoio a atividades geradoras de renda. A formação profissional ocupa um papel central, com programas adaptados aos diferentes tipos de deficiência, incluindo formação presencial, alternância e ensino à distância via plataformas digitais.
O guia também lembra o quadro regulamentar vigente, incluindo a obrigação de os empregadores reservarem pelo menos 1% das vagas para pessoas com deficiência, conforme o Decreto Executivo n° 25-01 de 20 de fevereiro de 2025, citado pelo Le Jeune Indépendant.
Essa iniciativa surge em um contexto marcado por desequilíbrios persistentes no mercado de trabalho argelino. Segundo o Office National des Statistiques, a taxa de desemprego era de 12,7% em outubro de 2024, com grandes disparidades por idade e gênero.
Para pessoas com deficiência, o acesso ao emprego continua muito mais complexo. Um relatório de 2023 destacou que, apesar da existência de leis protetoras e quotas de contratação, estes raramente são respeitados, e a integração profissional ainda enfrenta obstáculos estruturais, discriminações persistentes e apoio insuficiente.
Félicien Houindo Lokossou
Com o lançamento de sua estratégia de desenvolvimento “Visão 2030” em 2016, o Egito fez do digital um pilar essencial de seu crescimento. O desenvolvimento das infraestruturas de TIC e a promoção da inclusão digital são seus principais vetores.
Na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, o chefe de Estado egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, ressaltou a importância de abrir novas perspectivas para a indústria de telecomunicações e digital. Ele solicitou o estudo de possibilidades de desenvolvimento de centros de dados e serviços de computação em nuvem, a expansão da produção local de equipamentos de telecomunicações e a implementação de mecanismos eficazes de apoio e promoção dos produtos nacionais.
Essas questões foram abordadas em reunião com vários colaboradores, incluindo o Primeiro-Ministro Moustafa Madbouly, o Ministro das Comunicações e Tecnologias da Informação, Amr Talaat, e o Presidente Executivo da Autoridade Nacional de Regulação das Telecomunicações (NTRA), Mohamed Shamroukh.
Amr Talaat afirmou que as telecomunicações representam atualmente cerca de 6% do PIB e que o setor registra um crescimento anual entre 14% e 16% pelo sétimo ano consecutivo. O ministro também mencionou um aumento das exportações de serviços digitais, projetadas em 7,4 bilhões de dólares, contra 3,3 bilhões sete anos antes.
Ao investir no desenvolvimento de centros de dados, o Egito ganha em segurança para os dados estratégicos do Estado e de diversos setores do mercado nacional. O país também atrai empresas internacionais graças a uma credibilidade de infraestrutura que contribuirá para posicioná-lo como um polo regional de serviços digitais de alto desempenho.
As telecomunicações são atualmente um dos pilares da economia digital na África, especialmente no Egito. Reforçar a produção local de equipamentos apoiará investimentos mais acessíveis dos operadores de telecomunicações na modernização das redes. No caso dos telefones móveis produzidos localmente, devido a preços mais sustentáveis, eles devem ser mais acessíveis e contribuir para um maior uso de serviços digitais de valor agregado por uma parcela maior da população.
Segundo Amr Talaat, a capacidade de produção de celulares passou de 3,3 milhões de unidades em 2018 para 10 milhões em 2025, com valor agregado local de cerca de 40%. A meta declarada é elevar a capacidade anual para 15 milhões de unidades. Graças aos esforços de localização da indústria iniciados em 2016, incluindo vários incentivos, o país já atraiu 15 marcas internacionais, entre elas Samsung, Xiaomi, Oppo, Vivo e Nokia, além de cerca de 200 milhões de dólares em investimentos.
Muriel EDJO
O Egito aposta no setor das TIC para reforçar a sua economia e a sua presença nos mercados internacionais. As exportações digitais do país atingiram 7,4 mil milhões de dólares em 2025, contra 3,3 mil milhões em 2018, o que representa um aumento de 124% em sete anos.
O Egito prevê iniciar, a partir de 2026, a exportação de telemóveis produzidos localmente para os mercados internacionais. Para esse efeito, o país ambiciona fabricar 15 milhões de aparelhos, contra 10 milhões em 2025. Esta iniciativa insere-se na estratégia das autoridades para reforçar as exportações digitais e desenvolver uma base industrial local no setor das TIC.
Intervindo perante adidos militares designados no Instituto de Estudos das Ciências da Inteligência e da Segurança, o ministro das Comunicações e das Tecnologias da Informação, Amr Talaat, precisou que os 10 milhões de aparelhos produzidos este ano incorporam uma taxa de valor acrescentado local de 40%. Indicou igualmente que o Egito conseguiu atrair 15 marcas internacionais de telemóveis para a produção local, no âmbito de uma estratégia mais ampla destinada a transformar o setor das TIC numa potência estratégica orientada para a produção.
Esta dinâmica ocorre num contexto em que o mercado mundial de smartphones continua a crescer. Segundo a Research Nest, o seu valor deverá atingir 1 120 mil milhões de dólares em 2035, face a 609,2 mil milhões de dólares em 2025, impulsionado, em particular, pelo papel-chave das cadeias de abastecimento, das importações e dos fluxos de montagem. Esta progressão insere-se também no ressurgimento pós-Covid-19, após as perturbações das cadeias logísticas e a redução das despesas de consumo observadas em 2020.
A GSMA estima, por outro lado, que 250 milhões de pessoas adotaram um smartphone em 2024, elevando o número total de utilizadores para 4,4 mil milhões, o que corresponde a 54% da população mundial. Contudo, a organização sublinha que, entre as 3,1 mil milhões de pessoas cobertas por redes móveis de banda larga mas não subscritas à internet móvel, quase um terço possui um aparelho sem poder ou sem saber utilizá-lo para aceder à internet, enquanto os 2 mil milhões restantes não dispõem de qualquer terminal.
Embora estes indicadores apontem para oportunidades para os smartphones produzidos no Egito, o mercado internacional apresenta também desafios. A International Data Corporation (IDC) antecipa uma queda de 0,9% nas expedições mundiais de smartphones em 2026, devido a escassez de componentes e a ajustamentos dos ciclos de produtos. O instituto acrescenta que a persistente escassez mundial de memórias deverá restringir a oferta e pressionar os preços em alta, afetando de forma mais acentuada os smartphones Android de entrada e de gama média, mais sensíveis às variações de preço.
Isaac K. Kassouwi
Em novembro de 2021, a WIOCC anunciou ter angariado 200 milhões de dólares para lançar um novo rede pan-africana de centros de dados, denominada Open Access Data Centres (OADC). Para além da África do Sul, a empresa está presente na Nigéria e na República Democrática do Congo (RDC).
O operador de centros de dados Open Access Data Centres (OADC) está prestes a adquirir novas instalações na África do Sul, depois de ter recebido, na semana passada, o aval da Comissão da Concorrência. Esta filial do grupo WIOCC reforça assim a sua presença num mercado avaliado em 580 milhões de dólares, segundo a Mordor Intelligence.
Os ativos a adquirir incluem sete centros de dados atualmente explorados pela NTT Data na África do Sul, localizados em Bloemfontein, Cidade do Cabo, East London, Bryanston e Parklands (Joanesburgo), Gqeberha e Umhlanga. A transação abrange as infraestruturas e equipamentos associados, os contratos com fornecedores e de arrendamento, bem como o terreno onde se encontra o centro de dados de Parklands. Estas instalações oferecem uma gama completa de serviços, incluindo colocação (racks e fornecimento elétrico), serviços de rede e conectividade, bem como a implementação e gestão de centros de dados.
De acordo com o seu website, a OADC dispõe atualmente de quatro centros de dados hyperscale na África do Sul, localizados na Cidade do Cabo, Joanesburgo e Durban, aos quais se juntam cerca de trinta centros de dados Edge, de menor dimensão.
A aprovação da aquisição surge poucos dias após a WIOCC ter obtido um novo financiamento de 65 milhões de dólares junto da IFC, Proparco, Emerging Africa Infrastructure, Asia Infrastructure Fund (EAAIF) e da Ninety One. Este financiamento insere-se no compromisso assumido pela OADC pouco depois do seu lançamento, em novembro de 2021, de investir 500 milhões de dólares ao longo de cinco anos para expandir a sua presença no continente. A WIOCC tinha já contraído um empréstimo inicial de 200 milhões de dólares para lançar a OADC.
Primeiro em África, o mercado sul-africano de centros de dados continua em forte crescimento, impulsionado por uma transformação digital acelerada. A Mordor Intelligence estima que este mercado poderá atingir 1,25 mil milhões de dólares até 2030, enquanto a Arizton Advisory & Intelligence projeta um valor de 3,4 mil milhões de dólares no mesmo horizonte. Esta última sublinha que «o vasto mercado de consumo, um ambiente regulatório favorável ao armazenamento local de dados e o dinamismo do setor tecnológico são os principais fatores que impulsionam o crescimento do mercado de centros de dados na África do Sul, tornando o país um destino-chave para investimentos no continente africano».
Isaac K. Kassouwi
Tal como em muitos países africanos, as autoridades burquinabês apostam numa integração generalizada do digital para apoiar o desenvolvimento socioeconómico. Esta estratégia abrange todos os setores, incluindo o da justiça.
O governo do Burkina Faso prevê acelerar a digitalização do setor da justiça a partir de 2026, com o objetivo de reforçar a inclusão da população. O anúncio foi feito pelo Presidente da República, Ibrahim Traoré, durante o seu discurso à Nação, na quarta-feira, 31 de dezembro.
«Os esforços vão prosseguir também ao nível da justiça, com a digitalização de todos os atos, de modo a que os utentes não tenham necessariamente de se deslocar aos tribunais, que geralmente se encontram nos centros urbanos; e para que possam permanecer onde estão e ter acesso a uma justiça equitativa e a todos os documentos que a justiça pode emitir», declarou.
Este anúncio surge cerca de duas semanas após o lançamento de três novas plataformas digitais destinadas a aproximar a justiça dos cidadãos. Estas permitem a submissão e o acompanhamento de queixas online, o pedido desmaterializado de autorizações de visita às prisões e centros de correção, bem como a obtenção online de atos derivados do RCCM (Registo do Comércio e do Crédito Mobiliário), nomeadamente certidões, comprovativos de inscrição e certificados de não falência.
O Burkina Faso já tinha iniciado a digitalização de vários serviços judiciais e administrativos, incluindo o pedido de certificado de nacionalidade e de registo criminal. Em dois anos, estas duas plataformas registaram 467 000 pedidos tratados, gerando receitas de 337 milhões de francos CFA (cerca de 603 700 dólares).
Esta iniciativa insere-se numa visão mais ampla de transformação digital promovida pelas autoridades, que colocam as TIC no centro do desenvolvimento socioeconómico. Segundo o Presidente Traoré, o país deve sair de uma situação precária para se tornar um modelo. No entanto, nesta fase, o Burkina Faso ocupa o 175.º lugar entre 193 países no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) das Nações Unidas, com uma pontuação de 0,2895 em 1, inferior às médias regionais e mundiais.
De acordo com dados oficiais de 2024, a taxa de cobertura da telefonia móvel (2G) atinge 85%, contra 64% para a Internet 3G e 46% para a 4G. Por sua vez, a União Internacional das Telecomunicações (UIT) estima que a taxa de penetração da Internet era de 17% em 2023, face a 55,9% para a telefonia móvel.
Cientes desta fratura digital, as autoridades preveem a construção, já a partir deste ano, de «Casas do Cidadão» em todo o país.
«Estas casas serão instaladas em muitos chefes de província, mas iremos até aos departamentos, para que qualquer pessoa que não domine as ferramentas informáticas possa lá dirigir-se e encontrar burquinabês que a ajudarão a aceder a todos os serviços através das plataformas que serão instaladas», explicou I. Traoré.
Isaac K. Kassouwi
Apesar dos investimentos nas redes de telecomunicações, cerca de 9,9 milhões de pessoas utilizam serviços móveis no Senegal, o que representa aproximadamente 52 % de uma população de cerca de 18 milhões de habitantes. Apenas 8,16 milhões utilizam internet móvel de banda larga.
O Senegal acelera o seu caminho rumo à conectividade universal. Na sua mensagem à nação, na quarta-feira, 31 de dezembro de 2025, o Presidente da República do Senegal, Bassirou Diomaye Faye (foto), anunciou um programa de implantação de antenas satelitais ao longo do ano de 2026. Este investimento contribuirá para o acesso gratuito à internet para cerca de um milhão de pessoas, declarou. A medida deverá beneficiar prioritariamente as zonas rurais e os bairros periféricos com fraca cobertura das redes de telecomunicações.
No seu estudo intitulado «Impulsionar a transformação digital da economia no Senegal: oportunidades, recomendações de políticas e o papel do móvel», divulgado em 5 de dezembro de 2025, a Associação Mundial de Operadores Móveis (GSMA) indica que o Senegal dispõe de uma cobertura 4G quase generalizada, atingindo 97 % da população, e de uma cobertura 5G de cerca de 39 %, concentrada sobretudo nas grandes áreas urbanas. Numa população de aproximadamente 18 milhões de habitantes, cerca de 9,9 milhões de pessoas utilizam serviços móveis, ou seja, perto de 52 % da população total. Apenas 8,16 milhões de senegaleses utilizam internet móvel de banda larga, o que corresponde a cerca de 42 % da população.
A opção por antenas satelitais responde a uma limitação evidente: ligar todo o território por fibra ótica é um processo demorado e dispendioso. As soluções recentes, baseadas em constelações em órbita baixa, prometem uma entrada em funcionamento mais rápida, inclusive em zonas de difícil acesso. Para já, não foram fornecidos detalhes sobre o modelo de utilização destas antenas, mas o impacto potencial do serviço de internet que oferecem abre várias perspetivas.
Vários benefícios em perspetiva
Na educação, o desafio é significativo. Um acesso regular pode disponibilizar aos professores recursos atualizados, facilitar o ensino à distância e oferecer aos alunos bibliotecas digitais e exercícios interativos. Para os estudantes afastados dos campus, a ligação à internet torna-se um fator de sucesso académico e também uma poupança financeira, ao reduzir a dependência de cibercafés e de pacotes de dados pagos.
No setor da saúde, a telemedicina poderá ganhar terreno: teleconsultas entre postos de saúde e hospitais, transmissão mais rápida de processos clínicos, acompanhamento de doentes crónicos e formação contínua do pessoal de saúde. Nas zonas isoladas, a internet torna-se igualmente uma ferramenta de alerta e coordenação, útil em situações de epidemia ou de emergência.
O impacto é também económico. Para os microempreendedores, o acesso gratuito abre portas ao comércio eletrónico, aos pagamentos digitais, ao marketing através das redes sociais e ao acesso à informação sobre preços agrícolas ou oportunidades de mercado. As administrações públicas veem nesta iniciativa um acelerador da desmaterialização dos serviços: registo civil, procedimentos sociais, informação fiscal, sistemas de alerta e comunicação de proximidade.
A divisão digital continua acentuada na República Centro-Africana. Cerca de 85% da população não utilizava a Internet no início de 2025, segundo dados da DataReportal.
Na quinta-feira, 18 de dezembro, o governo centro-africano assinou um acordo com o fornecedor norte-americano de serviços de Internet via satélite Starlink. Subsidiária da SpaceX, empresa aeroespacial fundada por Elon Musk, a Starlink está assim autorizada a iniciar as suas atividades comerciais na República Centro-Africana numa data ainda não divulgada. As autoridades consideram esta iniciativa um avanço importante na luta contra a divisão digital, sobretudo nas zonas rurais e isoladas, onde o acesso à Internet continua limitado ou mesmo inexistente.
«Com base em soluções satelitais de alta velocidade, a Starlink pretende expandir a cobertura nacional e reforçar a resiliência das comunicações num país com desafios significativos em termos de infraestruturas terrestres», indicou o Ministério da Economia Digital, dos Correios e das Telecomunicações, num comunicado publicado nas redes sociais.
Dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT) mostram que, em 2023, as redes 2G e 3G cobriam apenas 59,6% da população centro-africana, enquanto a 4G alcançava apenas 0,3%. Quanto ao uso, a plataforma DataReportal registava 839.000 utilizadores de Internet no início de 2025, correspondendo a uma taxa de penetração de 15,5%.
Presente na cerimónia de assinatura, o Presidente da República, Faustin-Archange Touadéra, afirmou que a chegada da tecnologia satelital abre perspetivas concretas para a melhoria dos serviços públicos, o desenvolvimento do ensino online, a implementação da telemedicina e um melhor acesso à informação. Todos estes fatores podem acelerar a inclusão digital e apoiar a retoma socioeconómica.
As autoridades reconhecem, no entanto, que várias condições deverão ser reunidas para garantir um impacto real. A acessibilidade financeira dos serviços é um desafio central num contexto de baixo poder de compra. As tarifas da Starlink na República Centro-Africana ainda não são conhecidas. Para referência, no vizinho Chade, a assinatura mensal varia entre 18.000 FCFA (cerca de 32 dólares) e 32.000 FCFA, acrescendo o custo do equipamento, que oscila entre 117.000 e 228.000 FCFA, consoante o modelo.
O Ministério das Telecomunicações salientou ainda a necessidade de reforçar as infraestruturas energéticas, consideradas indispensáveis ao funcionamento sustentável dos equipamentos digitais. Foi igualmente destacada a importância de criar um quadro regulamentar estável, transparente e inclusivo, garantindo concorrência justa entre operadores e proteção dos consumidores, assim como a formação dos jovens para as profissões digitais.
Isaac K. Kassouwi
A pontuação média da África subsaariana registou a maior progressão mundial em relação à edição de 2021 do ranking VIGS dos ecossistemas de empreendedorismo digital mais performantes, sobretudo devido aos avanços nas áreas de infraestruturas e cidadania digital.
A África do Sul, a República da Maurícia e o Marrocos apresentam os ecossistemas de empreendedorismo digital mais desenvolvidos em África, segundo um ranking publicado na terça-feira, 16 de dezembro de 2025, pelo The Vienna Institute for Global Studies (VIGS). Esta edição 2025 do The Digital Entrepreneurship Ecosystem Index baseia-se em dados relativos a 2022, comparando-os com os de 2017, ano de referência para a primeira edição do índice publicada em 2021.
O índice avalia o desempenho dos ecossistemas em 170 países com base em mais de 50 indicadores, incluindo a qualidade da regulamentação no domínio das TIC, capacidades de combate ao cibercrime, número de servidores de Internet seguros por milhão de habitantes, nível de competências digitais da população, liberdades na Internet, direitos de propriedade intelectual, número de empresas especializadas em tecnologia financeira, número de aplicações digitais desenvolvidas localmente, acesso a capital de risco, número de incubadoras e aceleradoras de start-ups e acesso à eletricidade.
Estes indicadores estão agrupados em quatro grandes subíndices: infraestruturas digitais, cidadania digital, plataformas digitais multi-faces e empreendedorismo em tecnologias digitais. Cada país é avaliado numa escala de 0 a 100 pontos, tanto para cada subíndice como para o score global. A África do Sul, 59.ª no ranking mundial, lidera em África com um score global de 43,4 pontos. A República da Maurícia (60.ª no mundo) ocupa o segundo lugar africano, seguida do Marrocos (83.º), Tunísia (87.º), Egito (92.º), Cabo Verde (93.º), Botsuana (101.º), Quénia (104.º) e Gana (105.º). A Argélia (111.º) fecha o Top 10 africano.
A nível mundial, os Estados Unidos mantêm-se como o país com o ecossistema de empreendedorismo digital mais desenvolvido, com 87,9 pontos. Este país, sede do maior centro mundial de indústrias de alta tecnologia e inovação (Silicon Valley), é seguido pelo Dinamarca, Reino Unido, Países Baixos e Singapura. A análise do desempenho das várias regiões entre 2017 e 2022 mostra que a Europa registou a maior progressão média, passando de 50,9 para 62,4 pontos (+11,5).
A América do Norte também teve um forte crescimento, com o score médio a subir 9,4 pontos, atingindo 83. A região Médio Oriente & Norte de África registou a terceira maior progressão (+8,5 pontos, para 36,4). A Ásia teve igualmente um progresso significativo, com a pontuação a subir de 32,2 para 40,6 pontos. Ao mesmo tempo, a África subsaariana, que tinha o score inicial mais baixo, registou a menor subida nominal, com apenas +4,1 pontos na média (de 9,7 para 13,8).
Esta tendência sugere que as regiões com scores iniciais mais elevados tendem a desenvolver os seus ecossistemas mais rapidamente em termos absolutos. No entanto, esta evolução longitudinal não reflete totalmente o desenvolvimento relativo: o aumento de 4,1 pontos da África subsaariana corresponde a um crescimento de 42,27% entre 2017 e 2022, enquanto os +11,5 pontos da Europa representam apenas 22,58% no mesmo período. Isto indica que, apesar de ganhos absolutos menores, as regiões inicialmente atrasadas progridem proporcionalmente mais rápido.
O forte crescimento da África subsaariana entre 2017 e 2022 reflete sobretudo avanços nos subíndices infraestruturas digitais e cidadania digital.
Walid Kéfi
As autoridades malgaxes pretendem integrar o digital em todos os sectores da economia, incluindo a educação. O Executivo lançou, em junho passado, a transformação do Centro Nacional de Tele-Ensino (CNTMAD) numa universidade pública digital.
O governo malgaxe assinou, na quarta-feira, 17 de dezembro, um acordo de parceria com a operadora de telecomunicações Yas para a instalação de pontos de acesso Wi-Fi (hotspots de Internet) destinados aos estudantes nas universidades. Esta iniciativa insere-se no quadro mais amplo dos esforços de digitalização do ensino superior no país.
Segundo a Yas, a iniciativa terá início em Antananarivo e Tuléar, antes de se estender a Fianarantsoa, Diego e Majunga, e posteriormente, de forma potencial, às restantes universidades do país. A operadora de telecomunicações considera que «a conectividade é hoje uma ferramenta essencial para a aprendizagem e a investigação».
A integração das tecnologias de informação e comunicação (TIC) em todos os níveis do ensino figura entre as prioridades do Plano Estratégico do Digital (PSN 2023–2028). O governo pretende assim reforçar uma educação inclusiva, adaptada às normas e necessidades atuais, através da generalização do uso das TIC no ensino. Esta estratégia inclui, entre outros aspetos, a digitalização dos materiais pedagógicos, a adaptação dos métodos de aprendizagem e a digitalização do percurso académico dos estudantes, ao mesmo tempo que valoriza e protege as competências e estabelece um referencial formação-emprego para melhorar a orientação dos estudantes.
Em julho, uma conferência-debate organizada pelo PNUD e pelo Banco Mundial abordou a digitalização do ensino superior e o seu impacto. Rivoarison Randrianasolo, presidente da Universidade de Antananarivo, sublinhou que o digital constitui «uma alavanca fundamental de transformação, capaz de melhorar a qualidade do ensino, facilitar o acesso ao conhecimento e preparar os estudantes para os desafios de um mundo em constante mudança».
Por sua vez, Miarintsoa Neilla Andrianasolo, membro do Comité de Digitalização da Universidade, recordou que o digital permite não só um acesso alargado aos recursos pedagógicos e científicos, mas também a valorização da investigação, a modernização dos serviços administrativos e o reforço das competências dos estudantes para a sua inserção profissional.
No entanto, os participantes insistiram nas limitações estruturais que persistem: fraca conectividade, equipamentos limitados, fragmentação institucional e desigualdades de acesso. Destacaram igualmente a necessidade de estratégias claras, planos de implementação, mecanismos rigorosos de acompanhamento e avaliação, bem como de uma vontade real a todos os níveis, de colaboração entre os diferentes intervenientes e de uma inclusão efetiva.
Isaac K. Kassouwi
A transformação digital abre novas oportunidades de emprego. Para delas tirar pleno proveito, é, no entanto, necessário adquirir competências adequadas.
O governo da Serra Leoa lançou, na quarta-feira, 17 de dezembro, o programa «Learn2Earn», uma iniciativa destinada a melhorar a empregabilidade dos jovens através do freelancing digital. Implementado em parceria com o UNICEF, o programa pretende preparar os jovens para gerar rendimentos online, num contexto marcado pela escassez de empregos tradicionais.
A coorte piloto reúne 30 participantes envolvidos num programa de um mês, que combina sessões presenciais de orientação, mentoria virtual e candidaturas a projetos reais de freelance. «O programa foi concebido para acompanhar os participantes desde a aprendizagem até à geração de rendimentos, através de mentoria, prática concreta e responsabilização, com o apoio de freelancers experientes a operar em plataformas como Upwork e Bounty», explicou Jesse Kamara, responsável pela inovação no Ministério da Comunicação, Tecnologia e Inovação (MoCTI).
Segundo o ministério, o «Learn2Earn» oferece uma via alternativa de inserção profissional na economia global dos trabalhos pontuais (gig economy). Visa responder ao fosso crescente entre o número de jovens a entrar no mercado de trabalho e a disponibilidade limitada de empregos clássicos. O programa integra-se também no objetivo do MoCTI de contribuir para a criação de 65 000 empregos nos setores da tecnologia e inovação, enquanto o Banco Mundial estima que 230 milhões de empregos na África subsaariana exigirão competências digitais até 2030.
Esta iniciativa surge num contexto socioeconómico delicado. O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) estima que a taxa de desemprego jovem na Serra Leoa era de 10 % em 2022, enquanto o subemprego continua significativamente mais elevado. Além disso, um inquérito da Afrobarometer publicado em setembro revela que 57 % dos serra-leoneses já consideraram sair do país, dos quais 55 % em busca de melhores oportunidades de emprego.
Para além das competências exigidas, o desenvolvimento do freelancing levanta várias questões estruturais. Coloca, nomeadamente, a questão do acesso efetivo dos jovens a equipamentos digitais, como computadores, smartphones adequados ou software. Soma-se a isto a necessidade de uma conectividade à Internet fiável, de qualidade e financeiramente acessível. Por exemplo, segundo a DataReportal, a Serra Leoa contava com 1,8 milhões de utilizadores de Internet no início de 2025, correspondendo a uma taxa de penetração de apenas 20,7 %.
Isaac K. Kassouwi
A fractura digital continua a ser acentuada em Angola. Segundo os dados da DataReportal, mais de metade da população ainda não utiliza a Internet.
O governo angolano pretende facilitar a exploração comercial do satélite de telecomunicações nacional Angosat‑2 para melhorar o acesso à Internet no país. Um hub dedicado foi inaugurado na terça-feira, 16 de dezembro, permitindo que startups, fornecedores de serviços de Internet (ISPs) e operadores de telecomunicações se conectem diretamente às capacidades do satélite.
Esta infraestrutura, instalada no Centro de Controlo e Missão de Satélites (MCC) em Funda, foi apresentada pelo Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN). Está associada ao portal «Conecta Angola Comercial», uma plataforma digital que centraliza o processo de solicitação de kits, serviços e capacidade do satélite Angosat‑2.
Segundo responsáveis do GGPEN, o novo hub permitirá reduzir barreiras técnicas e comerciais, oferecendo às pequenas empresas a possibilidade de integrar serviços satelitais nas suas ofertas, acelerar a implementação de projetos e alcançar localidades onde a cobertura terrestre ainda é limitada.
«Estamos a criar as condições para que pequenas e médias empresas, assim como startups, possam também fornecer serviços de conectividade e inovação diretamente às comunidades», afirmou Mário Oliveira, ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.
Esta iniciativa ocorre num contexto em que o governo angolano aposta na tecnologia espacial para acelerar o desenvolvimento do país, nomeadamente através da melhoria da qualidade e da cobertura dos serviços de telecomunicações. Um foco particular é dado às comunidades remotas e mal servidas, visando reduzir rapidamente a fractura digital. O país colocou o seu satélite em órbita em outubro de 2022, em parceria com a Rússia, e o presidente João Lourenço autorizou a exploração comercial da infraestrutura em janeiro de 2023.
Uma das principais utilizações do satélite é o projeto «Conecta Angola», lançado em 2023. Liderado pelo operador público Angola Telecom, o projeto visa fornecer conectividade gratuita à Internet em áreas remotas de Angola onde nenhum operador móvel está ativo, recorrendo às capacidades do satélite Angosat‑2. O projeto destina-se sobretudo a instituições públicas, como escolas, hospitais e administrações municipais. O GGPEN indica que já foram criados dezenas de pontos de acesso à Internet, beneficiando centenas de milhares de cidadãos.
Para referência, Angola contava com 17,2 milhões de utilizadores de Internet, correspondendo a uma quota de mercado de 44,8 % no início de 2025, segundo dados da DataReportal. No início de 2023, quando começou a comercialização do satélite, o país tinha 11,78 milhões de assinantes de Internet, com uma taxa de penetração de 32,6 %.
Isaac K. Kassouwi
No Nigéria, grande parte da população continua sem acesso à Internet. As autoridades implementaram um plano estratégico para melhorar esta situação. O...
O crescimento da inteligência artificial (IA) apresenta desafios ambivalentes. Os países procuram regulamentar o uso desta tecnologia para proteger, entre...
A lacuna digital continua particularmente acentuada na República Democrática do Congo (RDC). De acordo com dados da União Internacional de...
Na maioria dos países africanos, a modernização da administração pública está no centro das políticas nacionais de transformação digital. As autoridades...
Marrakech. Maroc