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Equipe Publication

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Face ao aumento do tráfego aéreo, as autoridades aeroportuárias sul-africanas estão a modernizar as infraestruturas. O Aeroporto da Cidade do Cabo encontra-se entre as plataformas alvo destes investimentos nos próximos anos.

A Airports Company South Africa (ACSA) prevê investir cerca de 11,3 mil milhões de rands (aproximadamente 695,4 milhões USD) na modernização e ampliação do Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo (CTIA), segundo declarações atribuídas à imprensa local pelo porta-voz Ofentse Dijoe. O objetivo é reforçar a capacidade do aeroporto, modernizar as instalações antigas e acompanhar o crescimento esperado do tráfego aéreo e do fluxo turístico.

O projeto de investimento abrange várias infraestruturas, como terminais e instalações do aeródromo. A ACSA planeia, entre outras ações, expandir as áreas dedicadas ao aluguer de viaturas, para acolher mais fornecedores e aumentar a capacidade de estacionamento. Está também prevista a construção de um novo terminal para chegadas domésticas, a ampliação do terminal de partidas domésticas, que contará com três passarelas adicionais e salões ampliados, bem como melhorias no terminal internacional para otimizar a experiência dos passageiros e gerir melhor as limitações de capacidade.

A ACSA pretende ainda construir uma nova pista para receber aeronaves de grande porte, como o Airbus A380-800 ou o Boeing 747-8. O programa de investimento inclui também a instalação de uma nova cerca para reforçar a segurança das instalações aeroportuárias. O primeiro concurso público para os trabalhos de construção está previsto para junho, com adjudicação projetada para dezembro, sujeita à conclusão dos processos de aquisição.

Segundo projeções atuais, o tráfego nacional e internacional no CTIA deverá continuar a crescer nos próximos anos. Em 2025, registou-se um movimento de 11,1 milhões de passageiros. Este projeto também se alinha com o plano estratégico do governo, que prevê elevar as chegadas de turistas para 21 milhões. Para além dos impactos nacionais, o projeto responde à vontade da África do Sul de assumir um papel de destaque na aviação africana, posicionando-se como uma porta de entrada para o continente.

Um estatuto igualmente disputado pelos hubs de Adis Abeba, Casablanca, Nairobi, Kigali e Luanda, que também executam planos de investimento para expandir as suas infraestruturas.

Henoc Dossa

 

Face à uma escassez crónica de professores qualificados em ciências que prejudica os resultados escolares, a Costa do Marfim toma uma medida excecional para reforçar o seu corpo docente no ensino secundário geral.

Na Costa do Marfim, o Ministério da Educação Nacional, Alfabetização e Ensino Técnico (MENAET) anunciou, na segunda-feira, 9 de março, o lançamento de dois concursos de recrutamento excecionais destinados a preencher 2 000 postos de professores contratados de ciências no ensino secundário geral. O primeiro concurso destina-se a 1 364 postos para os colégios, incluindo 1 078 professores contratados de matemática bivalente e 286 professores contratados de física-química/biologia bivalente.

O segundo concurso destina-se a preencher 639 postos para os liceus, distribuídos entre 418 em matemática e 218 em física-química. Os candidatos têm até 15 de março de 2026 para se inscreverem online no site oficial do Instituto Pedagógico Nacional de Ensino Técnico e Profissional (IPNETP).

Para os postos de liceu, os candidatos devem ser de nacionalidade marfinense, nascidos entre 31 de dezembro de 1981 e 31 de dezembro de 2005, possuir um bacharelato científico (séries C, D, E ou F) e um diploma de nível Bac+2 em ciências puras ou em matemática-informática. Para os colégios, o recrutamento está aberto a candidatos nascidos a partir de 1984, com bacharelato científico e nota mínima de 10/20 na disciplina do concurso.

Após a admissibilidade, os candidatos deverão entregar um dossiê físico incluindo carta de motivação, diplomas legalizados, certidão de registo criminal com menos de três meses, certificado de nacionalidade e cópia do cartão CMU. Uma avaliação médica atestando a aptidão para o exercício da função docente será organizada aquando da entrega dos dossiês, indica o comunicado oficial do MENAET.

Um recrutamento massivo face a um défice estrutural

Este recrutamento de emergência surge num contexto educativo sob pressão. Entre os anos escolares 2017-2018 e 2023-2024, o número de estabelecimentos secundários mais do que duplicou, passando de 1 778 para 3 590, enquanto o número de alunos aumentou de 1 923 763 para 3 214 615, segundo o portal oficial da economia da Costa do Marfim.

Este aumento exponencial de alunos não foi acompanhado por um recrutamento suficiente de professores qualificados, o que pesa diretamente sobre a qualidade do ensino. Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), seriam necessários 11,1 milhões de professores adicionais no secundário na África subsaariana para atingir os objetivos da Agenda 2030, numa região onde 90% dos países enfrentam graves carências. Ao optar pelo estatuto contratual em vez de titular, Abidjan procura responder rapidamente à urgência, ao mesmo tempo que controla a massa salarial pública, uma equação delicada enfrentada pela maioria dos países da região.

Félicien Houindo Lokossou

 

As autoridades do Chade procuram inspirar-se nas melhores práticas internacionais para apoiar o desenvolvimento do setor digital nacional. O país aproximou-se, nomeadamente, de parceiros como o Azerbaijão, os Emirados Árabes Unidos, a Grécia, o Quénia, a Índia e o Canadá.

O governo chadiano está a explorar uma parceria com a operadora histórica etíope para o desenvolvimento das telecomunicações e da transformação digital. Esta iniciativa insere-se nos esforços das autoridades do Chade para reforçar as infraestruturas digitais do país e acelerar a adoção de serviços digitais.

A parceria foi discutida na semana passada à margem do Mobile World Congress 2026 em Barcelona, em Espanha, durante um encontro entre Frehiwot Tamru, diretora-executiva da Ethio telecom, e Boukar Michel, ministro das Telecomunicações, da Economia Digital e da Digitalização da Administração do Chade. O responsável visitou, com a sua delegação, o stand da operadora pública etíope, onde puderam conhecer as iniciativas de transformação digital da empresa e as suas soluções avançadas que vão além da simples conectividade.

Os potenciais domínios de cooperação discutidos incluem o desenvolvimento de infraestruturas de telecomunicações, a expansão da conectividade de banda larga através de redes 4G e 5G, infraestruturas cloud, serviços financeiros digitais e iniciativas destinadas a aumentar a acessibilidade a dispositivos compatíveis com a Internet.

Frehiwot Tamru reafirmou a vontade da Ethio telecom de partilhar a sua experiência e o seu know-how para acelerar a transformação digital em África. Como próximo passo, propôs o envio de uma delegação técnica ao Chade para avaliar de forma mais detalhada a situação atual das infraestruturas de telecomunicações do país e examinar como a empresa poderá apoiar o programa de digitalização do governo.

Desafios estruturais do digital no Chade

Os desafios enfrentados pelo setor das telecomunicações e do digital no Chade são múltiplos. Um dos principais está relacionado com o facto de o país ser encravado, o que limita o acesso às capacidades internacionais necessárias para a Internet. Atualmente, o Chade dispõe apenas de uma ligação com os Camarões. Esta fragilidade afeta a disponibilidade dos serviços prestados pelos operadores locais. Embora esteja em curso uma estratégia de abertura de novas ligações com países como a Argélia, a Nigéria, o Níger, a Líbia e o Egito, esta ainda não foi concretizada.

Os consumidores chadianos enfrentam igualmente uma deterioração constante da qualidade dos serviços prestados pelos operadores. A Autorité de Régulation des Communications Électroniques et des Postes (ARCEP) realizou entre setembro e outubro de 2025 a 15.ª auditoria de qualidade de serviço (QoS). O estudo revelou várias fragilidades, incluindo equipamentos defeituosos, operações de manutenção inadequadas, problemas de fornecimento de energia e até mesmo locais totalmente fora de serviço em algumas regiões. O vandalismo das infraestruturas é igualmente recorrente.

A cobertura da rede continua limitada, segundo as autoridades. Dados da International Telecommunication Union (UIT) mostram que a rede 2G cobria 86,9% da população chadiana em 2024, contra uma média de 94,1% em África e de 98,1% no mundo. A 3G apresentava uma taxa de cobertura de 84,5%, contra 60% para a 4G. Em termos de adoção, a taxa de penetração da Internet era de 12,6%, enquanto a da telefonia móvel era de 44,3%.

No domínio da transformação digital, o país prevê, por exemplo, investir 1,5 mil milhões de dólares através do programa “Tchad Connexion 2030”. A iniciativa visa expandir a cobertura das redes, ligar a maioria da população e digitalizar todos os serviços públicos, generalizando o acesso à administração eletrónica. Atualmente, o Chade ocupa a 189.ª posição entre 193 países no E-Government Development Index 2024 das United Nations, com uma pontuação de 0,1785 em 1, inferior às médias africana (0,4247) e mundial (0,6382).

Ethio telecom, líder no mercado africano

A Ethio telecom é o maior operador de telecomunicações africano em número de assinantes num único mercado, com 87,1 milhões de clientes no final de dezembro de 2025. Este número inclui 84 milhões de assinantes móveis, cerca de 50 milhões de utilizadores de Internet e 58,6 milhões de utilizadores do seu serviço de dinheiro móvel Telebirr.

Em termos de infraestruturas, a empresa está a acelerar a expansão da cobertura, sobretudo nas zonas rurais, com 10 288 sites de telecomunicações implantados. A 4G cobre atualmente 74% da população e 27,6% do território. A rede inclui também 23 026,7 km de fibra ótica, enquanto a capacidade da Internet Gateway internacional (IGW) atinge 3 Tbps.

Para melhorar a qualidade do serviço, a operadora aposta em geradores e em sites alimentados por energia solar para compensar as falhas da rede elétrica nacional. A empresa afirma dispor de uma capacidade total de produção solar de 30 MW até dezembro de 2025.

A empresa posiciona-se igualmente como parceira da visão nacional Digital Ethiopia 2030, que pretende colocar o digital ao serviço do desenvolvimento socioeconómico do país. Neste âmbito, desenvolveu soluções para várias instituições públicas, incluindo os ministérios da Saúde e dos Transportes, e continua a desenvolver soluções destinadas a apoiar a transformação digital das empresas locais.

“Para além das fronteiras nacionais, esforçamo-nos por acelerar a transição para uma ‘África digital’ e tornar-nos um modelo regional, criando novas oportunidades na economia digital global, prestando serviços transfronteiriços e reforçando a colaboração continental”, declarou a operadora histórica nos seus últimos resultados financeiros.

A empresa já foi também abordada pelos Camarões e pela operadora histórica Camtel, que pretende beneficiar da experiência etíope em vários domínios, incluindo os serviços financeiros móveis. O Ruanda aproximou-se igualmente da Ethio telecom para explorar as suas soluções digitais no setor da educação.

Isaac K. Kassouwi

 

No Zimbabwe, cerca de 2,6 milhões de pessoas, ou seja, 15,3% da população, utilizavam redes sociais em outubro de 2025. Perante os desafios associados a estas plataformas, as autoridades consideram adotar medidas para enquadrar melhor a sua utilização.

As autoridades zimbabueanas planeiam restringir o acesso de menores de 18 anos às redes sociais, nomeadamente Facebook, TikTok e Instagram, no âmbito de um plano nacional destinado a reforçar a proteção das crianças no ambiente digital. A iniciativa foi anunciada pela ministra das Tecnologias da Informação e da Comunicação, Tatenda Mavetera, no domingo, 8 de março, durante um discurso na cidade de Karoi.

A iniciativa insere-se numa reflexão mais ampla das autoridades sobre os riscos associados ao uso das plataformas online por menores. Segundo o governo, a medida visa, em particular, limitar a exposição das crianças a conteúdos considerados inadequados, bem como combater fenómenos como o ciberbullying, a exploração online ou a dependência das redes sociais.

Embora os detalhes da proposta ainda não tenham sido totalmente definidos, uma restrição deste tipo implicaria provavelmente a implementação de mecanismos de verificação de idade nas plataformas digitais. As empresas que operam redes sociais poderão, assim, ser chamadas a reforçar os seus sistemas de controlo para impedir o acesso de utilizadores menores de idade.

Estamos atualmente a trabalhar numa lei no domínio social, chamada Política de Proteção das Crianças Online, com o objetivo de proteger os mais jovens. […] Queremos proteger a nova geração proibindo o acesso às redes sociais às crianças que ainda não atingiram a maioridade, ou seja, 18 anos”, declarou a ministra.

O projeto surge num momento em que vários países em todo o mundo procuram enquadrar melhor o uso das redes sociais pelos jovens. As autoridades públicas manifestam preocupação, em particular, com o impacto dos conteúdos online na saúde mental dos adolescentes, bem como com os riscos de exposição a conteúdos violentos ou explícitos.

Recentemente, o Gabão proibiu o acesso às redes sociais “até nova ordem”, em parte por razões semelhantes. Segundo a Alta Autoridade da Comunicação do país, os casos de ciberassédio coordenado, a divulgação não autorizada de dados pessoais e práticas consideradas prejudiciais à ordem pública e à segurança nacional têm-se multiplicado no espaço digital gabonês. Além disso, a moderação de conteúdos ilícitos por parte destas plataformas é considerada insuficiente pelas autoridades.

No entanto, uma eventual proibição suscita debates. Alguns observadores consideram que as redes sociais também podem constituir ferramentas de aprendizagem, informação e expressão para os jovens. Destacam ainda que a aplicação de uma proibição total poderá revelar-se complexa, sobretudo devido às dificuldades relacionadas com a verificação da idade dos utilizadores.

Para já, as autoridades do Zimbabwe ainda não anunciaram um calendário preciso para a adoção de tal medida. O projeto deverá, contudo, alimentar o debate sobre a regulação das plataformas digitais e a proteção dos menores no espaço digital.

“Paralelamente à implementação da política de proteção das crianças online, também propomos programas sobre a forma como as crianças utilizam as redes sociais”, acrescentou Tatenda Mavetera.

Adoni Conrad Quenum

 

Com uma taxa de penetração da Internet já elevada, a Líbia procura agora melhorar a qualidade da sua conectividade e desenvolver os seus serviços digitais. Nesse sentido, o operador público Libya Telecom & Technology (LTT) multiplica parcerias tecnológicas para modernizar as suas infraestruturas.

O fabricante chinês de equipamentos de telecomunicações ZTE Corporation e o operador público líbio Libya Telecom & Technology anunciaram, num comunicado conjunto publicado na segunda-feira, 9 de março, a assinatura de um memorando de entendimento durante o Mobile World Congress de Barcelona, realizado na semana passada. O acordo visa modernizar as infraestruturas de telecomunicações do país, fragilizadas por mais de uma década de instabilidade, e apoiar o desenvolvimento de serviços digitais.

Melhorar a qualidade e a cobertura da rede

A cooperação incide, em primeiro lugar, na modernização da infraestrutura móvel, com o planeamento e a expansão das redes 4G e 5G, de modo a melhorar a cobertura e a qualidade do serviço em todo o território nacional. Segundo dados publicados pela DataReportal, a Líbia contava com cerca de 6,5 milhões de utilizadores de Internet no final de 2025, o que representa 88,5% da população. O país registava igualmente mais de 7,4 milhões de ligações móveis, um número superior ao total da população, refletindo o uso generalizado de vários cartões SIM por utilizador.

Apesar desta ampla difusão dos serviços móveis, a qualidade da conectividade continua desigual, especialmente fora dos principais centros urbanos. Neste contexto, a intervenção da ZTE prevê o fornecimento de equipamentos de acesso fixo sem fios (FWA) e de terminais MiFi, tecnologias que permitem expandir rapidamente o acesso à banda larga sem esperar pela implantação, mais longa e dispendiosa, da fibra ótica.

Estruturar o ecossistema de serviços digitais

Para além da modernização técnica da rede, a parceria pretende também incentivar o surgimento de novos usos digitais. As duas empresas consideram, nomeadamente, o desenvolvimento de plataformas de comércio eletrónico e de soluções de carteira eletrónica destinadas a facilitar os pagamentos digitais.

O desafio é significativo numa altura em que a inclusão financeira permanece limitada na Líbia. Segundo dados da base Global Findex do Banco Mundial, apenas 33,1% dos adultos possuíam uma conta numa instituição financeira ou através de um serviço móvel em 2024, enquanto 23,5% tinham efetuado um pagamento digital ao longo do ano. A maioria das transações continua, portanto, a ser realizada em numerário, o que ainda trava o crescimento do comércio online e dos serviços digitais.

A integração de infraestruturas de distribuição de conteúdos (CDN) na rede deverá também permitir melhorar a rapidez de acesso às plataformas digitais. Ao aproximar os conteúdos dos utilizadores finais, estas tecnologias reduzem a latência e melhoram a experiência dos internautas, um fator essencial para incentivar a adoção de novos serviços digitais.

Um setor estratégico para a reconstrução económica

Esta colaboração insere-se numa relação de longo prazo entre a LTT e a ZTE, já ativa em vários mercados emergentes em África e no Médio Oriente. Para as autoridades líbias, a modernização das infraestruturas de telecomunicações constitui um instrumento central para relançar a economia e atrair novos investimentos no setor das tecnologias digitais.

Ao consolidar a sua infraestrutura de conectividade e ao desenvolver serviços digitais, a Líbia procura criar as condições para uma economia mais diversificada. Num país ainda fortemente dependente das receitas petrolíferas, o crescimento do setor digital poderá contribuir para estimular a inovação, apoiar o empreendedorismo local e acelerar a transformação dos serviços públicos.

Samira Njoya

 

A Zâmbia está a acelerar a modernização da sua rede ferroviária para apoiar o crescimento do transporte de carga e consolidar o seu papel nos corredores logísticos regionais. Entre a renovação do material circulante e de infraestruturas estratégicas, as autoridades apostam no transporte ferroviário para reforçar a competitividade da economia e facilitar as trocas com os países vizinhos e os portos da África Austral.

A Zambia Railways Limited (ZRL) concluiu um acordo de financiamento de 20 milhões de dólares com a Worldwide Rail and Mining Solutions (WWRMS), com vista à reabilitação, reconstrução ou modernização de seis locomotivas GT de 3600 cavalos de potência. A operação insere-se no programa de revitalização da frota do operador público ferroviário, que enfrenta problemas de disponibilidade de material circulante num contexto de aumento da procura de transporte de carga nos corredores nacionais e regionais.

O projeto prevê concretamente uma revisão completa e uma atualização técnica das seis locomotivas, a fim de restaurar o seu nível de desempenho, melhorar a eficiência energética, aumentar a fiabilidade e prolongar a sua vida útil operacional. Os trabalhos serão realizados na oficina principal da ZRL em Kabwe, de forma progressiva: as duas primeiras locomotivas deverão voltar ao serviço entre maio e junho de 2026, outras duas em agosto, e as duas últimas entre novembro e dezembro. O programa inclui também um componente de transferência de competências e de reforço das capacidades técnicas.

Uma vez prontas, as locomotivas renovadas deverão melhorar a fiabilidade da frota nacional e apoiar o aumento dos fluxos de carga em vários setores económicos estratégicos, nomeadamente a mineração, a agricultura, a energia, a indústria transformadora e o comércio transfronteiriço. Esta iniciativa surge num momento em que a Zâmbia intensifica os investimentos no setor ferroviário, com o objetivo de reforçar a sua posição na competição pelos corredores logísticos na África Austral e na África Oriental.

A assinatura, em novembro de 2025, de um acordo de financiamento de 50 milhões de euros (cerca de 58,1 milhões de dólares) com a União Europeia para modernizar a linha ferroviária Livingstone – Ndola ilustra esta dinâmica. O projeto insere-se na estratégia das autoridades para aumentar o papel do transporte ferroviário na logística nacional. Está prevista, nomeadamente, a renovação e extensão de alguns troços da rede interna, bem como investimentos em corredores transnacionais.

Para além da modernização do eixo Livingstone – Ndola, a Zâmbia e a Tanzânia trabalham também na modernização da TAZARA, a sua rede ferroviária comum. Paralelamente, Lusaka explora o desenvolvimento de um corredor ferroviário tripartido que ligará a Zâmbia, o Zimbabwe e Moçambique, com o objetivo de melhorar o acesso aos portos de Beira e Maputo.

Henoc Dossa

 

Face à crescente congestão na sua capital, o Quénia acelera a modernização do seu sistema de transporte urbano. Com o apoio de parceiros internacionais, Nairobi aposta no desenvolvimento do comboio suburbano e do BRT (autocarros de alta capacidade) para estruturar uma oferta de mobilidade em massa e reduzir a pressão sobre uma rede rodoviária saturada.

O Banco Mundial está a analisar um pedido de empréstimo de 500 milhões de USD destinado ao projeto de modernização da rede ferroviária suburbana de Nairobi. O projeto pretende transformar a mobilidade na área metropolitana da capital queniana, modernizando o serviço de comboios e reformando o quadro institucional do transporte urbano.

Divididas em várias fases, as obras incluem, entre outros, a reconfiguração do eixo Nairobi – Thika de 57 km para um sistema urbano moderno e de grande capacidade, a modernização das estações, terminais e pontos de integração multimodais, bem como a implementação de sistemas de sinalização e telecomunicações. Também serão incluídos serviços públicos como bilhética, manutenção do metro, entre outros.

O projeto encontra-se atualmente em fase de estudo de conceito, sendo a sua aprovação pelo Conselho de Administração do Banco Mundial prevista para dezembro de 2026. Esta iniciativa surge num contexto em que o Quénia procura intensificar o serviço público de transporte coletivo para descongestionar as vias de Nairobi, uma cidade que acolhe cerca de 5,5 milhões de pessoas, segundo a World Population.

Para além do comboio, o serviço BRT também é considerado um pilar desta estratégia. Na semana passada, a Kenya Urban Roads Authority (KURA), responsável pelas vias urbanas do país, anunciou a assinatura de um acordo com a joint venture sul-coreana YOUNGJIN Joint Venture para a construção da linha 5 da rede BRT de Nairobi. Estes serviços, que deverão formar futuramente um sistema de transporte integrado, ajudarão a reduzir o número de veículos utilitários nas estradas e a dominância dos matatu, minibus operados por atores privados.

Henoc Dossa

 

À semelhança das experiências recentes do Mali, do Burkina Faso e da Costa do Marfim, o Gana prevê introduzir ainda este ano uma nova reforma sobre as royalties do ouro. Esta medida visa permitir que o Estado tire maior proveito da atual subida dos preços do ouro.

No Gana, o governo mantém a sua posição e planeia implementar esta semana a reforma que pretende mais do que duplicar as taxas aplicadas sobre as royalties auríferas, apesar de uma vaga de oposição observada nas últimas semanas. A informação foi divulgada na segunda-feira, 9 de março, pela Reuters, citando Isaac Tandoh, diretor-geral da Minerals Commission, a autoridade reguladora do setor mineiro.

Atualmente fixadas em 5%, as royalties sobre o ouro poderão em breve evoluir para um sistema progressivo, destinado a permitir que o Estado se beneficie melhor da valorização do metal. No nível atual do mercado, este mecanismo elevaria a taxa para 12%, uma perspetiva que preocupa as empresas mineiras, que receiam impactos negativos nos seus custos de exploração. Estas preocupações foram recentemente transmitidas por uma coligação de governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos, a China e o Reino Unido.

No entanto, para Isaac Tandoh, a modelação da reforma permitiria encontrar um equilíbrio justo, aumentando as receitas do Estado ao mesmo tempo que preserva as margens da indústria. Neste contexto, o projeto mantém-se e a sua implementação está anunciada para terça-feira, 10 de março. Quanto às preocupações expressas por alguns governos estrangeiros, o responsável indicou que se realizaram discussões, esclarecendo que estes não se opõem, em princípio, a uma revisão do quadro das royalties.

Num mercado mundial de ouro em que os preços se esperam em 6.000 USD por onça até ao final de 2026, contra cerca de 5.100 USD atualmente, o Gana procura assim maximizar os benefícios do seu principal produto de exportação. Esta iniciativa insere-se, aliás, numa tendência observada na África Ocidental, onde vários países implementaram reformas semelhantes nos últimos anos, incluindo o Burkina Faso, a Costa do Marfim e o Mali.

Embora a introdução do novo sistema de royalties seja iminente, o seu impacto concreto na indústria aurífera permanece por observar, sobretudo porque ocorre num momento em que outras mudanças estão também a ser consideradas no setor, nomeadamente a eliminação dos chamados acordos de estabilidade mineira, medida que poderá expor as empresas a novos impostos dos quais estavam até agora isentas. Primeiro produtor africano de ouro, o Gana acolhe vários grandes grupos mineiros, incluindo Newmont, AngloGold Ashanti, Gold Fields e Perseus Mining.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Em janeiro, a empresa de mineração canadense Toubani Resources havia anunciado a finalização de várias etapas decisivas para o desenvolvimento de seu projeto aurífero Kobada, no Mali. O objetivo declarado era iniciar os trabalhos de construção de uma mina de ouro no primeiro trimestre deste ano.

A empresa de mineração canadense Toubani Resources anunciou, na segunda-feira, 9 de março, a decisão final de investimento (FID) para seu projeto aurífero Kobada, no Mali. Esta etapa crucial marca oficialmente o início das obras de construção de uma nova mina de ouro no local, com um custo estimado de 216 milhões de dólares.

Este avanço ocorre algumas semanas depois de a empresa ter alcançado vários marcos decisivos para o projeto, incluindo a obtenção, em janeiro, da aprovação regulatória das autoridades locais para o início das obras. Além disso, foram asseguradas as licenças ambientais e estruturado o financiamento necessário para cobrir o investimento requerido. Até o momento, a Toubani indica já ter garantido 36% do financiamento, acrescentando que a conclusão da estrutura financeira global é iminente.

“É um momento histórico para a Toubani, pois estamos tomando a decisão final de investimento para a construção da mina de ouro Kobada […]. Ao iniciarmos a fase de construção, fazemos isso com confiança e um objetivo claro: criar uma grande mina de ouro e nos tornar um produtor de ouro africano de destaque”, declarou Phil Russo, diretor-geral da Toubani Resources.

Com Kobada, a Toubani planeja um ativo capaz de produzir, em média, 162.000 onças de ouro por ano ao longo de uma vida útil estimada em 9,2 anos. A entrada em produção é esperada para o terceiro trimestre de 2027. Ao concluir essa obra, a empresa poderá integrar ao seu portfólio sua primeira mina de ouro, contribuindo também para o fortalecimento da produção nacional do Mali. O contexto é ainda mais favorável com a valorização prolongada do preço do ouro em 2026, após um aumento de mais de 60% no ano passado.

Bamako aposta, aliás, em Kobada para aumentar suas receitas minerárias, em linha com as reformas implementadas pelo Código de Mineração de 2023. Este novo quadro se aplica ao projeto, permitindo que o Mali detenha 35% de participação (dos quais 5% são reservados aos investidores), além das royalties e outros tributos.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Num contexto de disparada dos preços, o ano de 2025 foi particularmente marcante para o crescimento da mineração artesanal de ouro na África, especialmente em Gana e Burkina Faso. Uma dinâmica que a RDC (República Democrática do Congo) poderá seguir em 2026, à luz das ambições anunciadas.

Na República Democrática do Congo, a empresa estatal DRC Gold Trading mantém seu objetivo de coletar 15 toneladas de ouro artesanal em 2026, muito acima dos volumes declarados nos três últimos anos. Essa meta, baseada na expansão dos circuitos comerciais oficiais, poderia permitir que o país da África Central se inserisse na dinâmica regional observada em 2025 em torno do crescimento da mineração artesanal de ouro, especialmente em Burkina Faso e Gana.

Passando para a próxima etapa

Desde sua criação em 2022 como comprador oficial de ouro artesanal na RDC, a DRC Gold Trading coletou cerca de 10 toneladas de ouro junto aos pequenos mineradores. Esse resultado ilustra as dificuldades enfrentadas por muitos países africanos para canalizar os fluxos de uma cadeia produtiva amplamente informal. Desde o início deste ano, contudo, a empresa parece acelerar, com a expansão de suas atividades para uma maior parte do território.

Reafirmando a meta de 15 toneladas de ouro para 2026, a DRC Gold Trading indicou à Reuters na segunda-feira, 9 de março, que pretende expandir suas operações para mais oito províncias. Essa expansão visa atender a uma demanda internacional crescente, enquanto mais de 45 compradores estrangeiros já teriam manifestado interesse em adquirir ouro congolês. Um primeiro marco foi estabelecido em fevereiro com a abertura de uma nova filial em Lubumbashi, na província de Haut-Katanga.

Nossos colegas da Bankable indicaram ainda que a empresa planeja abrir outros escritórios em Mbujimayi e Kinshasa até o final de março. Embora essas iniciativas demonstrem um desdobramento gradual, a estratégia de expansão que deve sustentar a meta comercial anunciada ainda precisa se provar, especialmente à luz do desempenho registrado até agora. Trajetórias semelhantes, porém, já deram frutos em outras partes da região.

No Burkina Faso, o desenvolvimento das atividades da Société Nationale des Substances Précieuses (SONASP) permitiu mais do que quadruplicar a produção artesanal de ouro, que atingiu 42 toneladas no ano passado. Um cenário comparável é observado em Gana, onde as reformas conduzidas pelo GoldBod contribuíram para um aumento de 60% nos volumes de ouro artesanal, alcançando 96,4 toneladas.

Garantir receitas em um mercado de ouro em alta

A concretização das ambições da DRC Gold Trading poderia ser determinante para a estruturação da cadeia do ouro artesanal na RDC. Ao direcionar mais volumes para os circuitos oficiais, a iniciativa ajudaria a limitar perdas relacionadas ao contrabando e a fortalecer as receitas minerárias, com uma receita prevista de mais de 2,6 bilhões de dólares em 2026. O contexto é ainda mais favorável com os preços do ouro em ciclo de alta, com níveis esperados nos picos até o final do ano.

Além das receitas orçamentárias, essa estratégia também se alinha aos objetivos de política monetária do país. O ouro artesanal coletado pela DRC Gold deve, de fato, contribuir para alimentar as reservas nacionais, uma orientação recentemente concretizada por meio de uma parceria com o Banco Central do Congo, agora comprador prioritário do ouro adquirido pela empresa estatal. Uma abordagem semelhante é observada em Gana, onde um mecanismo similar liga o GoldBod ao Bank of Ghana.

Enquanto a mineração artesanal de ouro ganha importância em vários países africanos, a trajetória dessas reformas ainda precisa ser confirmada. Enquanto Gana e Burkina Faso buscam acelerar os mecanismos já implementados, a RDC encontra-se em um momento crucial: canalizar melhor a produção dos pequenos mineradores para avançar em direção às ambições que motivaram a criação da DRC Gold Trading.

Aurel Sèdjro Houenou

 

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