O Gana, maior produtor africano de ouro, lançou recentemente várias reformas para maximizar a receita proveniente do metal, que também constitui o principal produto de exportação do país. Entre estas medidas está a adoção de uma nova tabela de royalties, projetada para beneficiar mais do nível atual dos preços do ouro.
Com a alta prolongada dos preços do ouro, o governo ganense planeia introduzir ainda este ano um novo regime de royalties que poderá elevar as taxas até 12%, mais do que o dobro do nível atual de 5%. A proposta já gerou preocupações significativas, não apenas entre as empresas mineiras, mas também junto de vários governos estrangeiros, incluindo Estados Unidos, China e Reino Unido.
Beijing, Washington e Londres juntos
Anunciada inicialmente em meados de janeiro, a reforma dos royalties do ouro no Gana ainda está em processo de aprovação. Ao preço atual do ouro, próximo de 5.100 dólares por onça, a medida exigiria que as empresas mineradoras transferissem 12% das receitas de suas minas para o Estado ganense, contra os 5% atuais.
Segundo informações da Reuters, missões diplomáticas da China, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá expressaram recentemente preocupações quanto às implicações desta medida, buscando persuadir Accra a suspender a subida planejada das royalties. As missões, apoiadas por países como Austrália e África do Sul, teriam apresentado um documento conjunto destacando seus receios e solicitando a continuação do diálogo com o governo ganense.
Uma fonte próxima ao assunto declarou à Reuters: “É a primeira vez que vejo a comunidade diplomática envolver-se a este nível […]. Os chefes de missão manifestaram preocupação com as dificuldades que os mineradores enfrentarão nas condições de operação”.
Concessões insuficientes
O governo ganense respondeu parcialmente às preocupações do setor. Em fevereiro, foi relatado que as autoridades propuseram às empresas uma redução da taxa adicional ‘Growth and Sustainability Levy’, de 3% para 1%, como forma de facilitar a adoção do novo regime de royalties.
No entanto, a Chamber of Mines do Gana, que representa a indústria de ouro, considera a medida insuficiente e defende a eliminação total desta taxa, propondo uma tabela de royalties mais moderada, entre 4% e 8%. Até o momento, o andamento das negociações com o governo sobre estas propostas permanece incerto, assim como o impacto da crescente participação de governos estrangeiros no debate.
Maximizar a renda do ouro
O Gana busca, com esta reforma, maximizar os rendimentos do ouro, seu principal produto de exportação, em um contexto de preços elevados do metal. A iniciativa segue uma tendência observada em outros produtores africanos, como Mali e Burkina Faso, que recentemente revisaram seus regimes fiscais para capturar uma maior fatia da renda mineral.
Até agora, não há cronograma definido para a adoção ou entrada em vigor do novo regime de royalties.
Aurel Sèdjro Houenou
Prevista para entrar em produção em 2027, a Orom-Cross deverá tornar-se a primeira mina de grafite da Uganda. Embora o plano mineiro se baseie atualmente nos dois depósitos identificados no local, o operador Blencowe Resources continua a exploração para ampliar o potencial do projeto.
A empresa britânica anunciou na sexta-feira, 6 de março, a descoberta de um novo depósito no projeto Orom-Cross, denominado Iyan, que se torna o terceiro depósito integrado ao plano mineiro deste ativo.
Segundo a Blencowe, esta descoberta resulta de 87 sondagens exploratórias realizadas no perímetro de Iyan, que agora alberga uma recurso inferido inicial de 16,9 milhões de toneladas a 6% de teor. Estes recursos adicionais juntam-se aos depósitos Synclinal Norte e Camp Lode, aumentando em 66% o potencial mineiro global da Orom-Cross.
Na prática, Iyan representa um avanço importante para o projeto, fortalecendo a possibilidade de prolongar a vida útil estimada em 15 anos. Esta descoberta, porém, não altera, para já, o perfil de produção: os recursos identificados precisam ainda de ser convertidos em reservas exploráveis através de trabalhos adicionais. Apenas os dois outros depósitos do local cumprem esta condição e sustentam os planos de produção de curto prazo.
Prevista para iniciar produção em 2027, Orom-Cross deverá começar com uma produção anual de 20.000 toneladas de concentrado de grafite, com uma segunda fase prevista para aumentar o volume para 70.000 toneladas. Em paralelo, a Blencowe continua negociações com financiadores para levantar os 160 milhões de dólares necessários ao projeto e mantém esforços de exploração em Iyan e no prospecto Beehive.
Aurel Sèdjro Houenou
No final de dezembro de 2021, a Savannah Energy tinha obtido das autoridades nigerinas uma extensão de 10 anos dos seus direitos de exploração petrolífera sobre um perímetro de cerca de 13.000 km² na bacia de Agadem. O período inicial de quatro anos chegou agora ao fim.
As autoridades nigerinas decidiram não prorrogar a duração dos contratos de exploração petrolífera detidos pela Savannah Energy na bacia de Agadem, região chave do Níger onde se concentram a maioria das atividades de exploração e produção de hidrocarbonetos do país.
A decisão foi anunciada após o Conselho de Ministros, realizado a 3 de março, e diz respeito aos blocos de exploração R1, R2, R3 e R4 detidos pela companhia britânica no âmbito do contrato de partilha de produção (PSC) R1234, cobrindo mais de 13.000 km².
Esta medida surge na sequência de um pedido apresentado pela Savannah Energy Níger, filial local da empresa, junto dos serviços competentes do Ministério do Petróleo, em conformidade com a extensão de 10 anos dos direitos de exploração concedida em dezembro de 2021.
Na altura, a Autorização Exclusiva de Pesquisa concedida à companhia previa um período inicial de 4 anos, acrescido de duas possíveis extensões de 2 anos, sendo que uma destas durações poderia ainda ser prolongada por mais dois anos.
Após análise do pedido, ao fim do período inicial, concluiu-se que certas obrigações previstas no contrato de partilha de produção não tinham sido cumpridas pela Savannah Energy Níger.
As autoridades mencionam, nomeadamente, falhas “sob vários aspetos” relacionadas com as obrigações contratuais e regulamentares do Programa de Trabalho Mínimo associadas às licenças de exploração, sem especificar detalhadamente quais.
O que acontecerá a estes blocos?
O não prolongamento de um contrato de exploração normalmente resulta na perda dos direitos do operador sobre o bloco. Neste caso, as licenças retornam ao Estado, que poderá decidir reatribuí-las a outras empresas através de um novo concurso público.
Situações semelhantes já ocorreram em diversos países africanos produtores. No Nigéria, o governo federal anunciou em abril de 2021 a revogação de quatro licenças petrolíferas detidas pela Addax Petroleum por não desenvolvimento dos campos. As autoridades explicaram que a empresa não cumpriu as suas obrigações contratuais, segundo informações da Reuters.
No Gana, o Estado entrou em litígio com a empresa britânica Tullow Oil sobre obrigações fiscais relacionadas às operações petrolíferas. O caso foi levado à Câmara de Comércio Internacional, e em janeiro de 2025 o tribunal arbitral deu razão à Tullow Oil, isentando a companhia do pagamento de 320 milhões de dólares em impostos, segundo a Reuters.
Outros casos também deram origem a processos de arbitragem internacional. No Nigéria, a Interocean Oil Development Company contestou junto do CIRDI medidas das autoridades relativas a direitos sobre licenças petrolíferas, num litígio ligado à exploração de petróleo.
A Savannah Energy ainda não reagiu à decisão das autoridades nigerinas. Paralelamente, a companhia está envolvida em projetos de duas centrais solares fotovoltaicas com capacidade combinada máxima de 200 MW, em acordo assinado com o governo nigerino em maio de 2023.
Abdel-Latif Boureima
Na África do Sul, os contratos de eletricidade renovável celebrados diretamente entre produtores independentes e empresas estão a multiplicar-se. Este modelo contribui para o crescimento das energias renováveis e para a transição da indústria para um modelo de baixa emissão de carbono.
A crescente procura de eletricidade renovável por empresas sul-africanas continua a impulsionar o desenvolvimento de novas capacidades de produção no país. Num comunicado publicado na sexta-feira, 6 de março, o desenvolvedor norueguês Scatec confirmou esta tendência, anunciando que a sua plataforma conjunta Lyra Energy atingiu o fecho financeiro e iniciou a construção da central solar Thakadu, com uma capacidade de 255 MW.
O projeto, que será construído em duas fases, baseia-se em contratos de compra de eletricidade (PPA) celebrados com clientes comerciais e industriais. A construção da primeira fase já começou, enquanto a segunda deverá iniciar-se no segundo semestre de 2026. A entrada em operação comercial da primeira fase está prevista para o primeiro semestre de 2027.
O investimento total está estimado em cerca de 4 mil milhões de rands sul-africanos, equivalentes a aproximadamente 240 milhões de dólares. O financiamento combina dívida de projeto sem recurso e capital próprio aportado pelos acionistas. O Standard Bank of South Africa atua como credor principal. A Scatec será responsável também pelos serviços de engenharia, fornecimento e construção, bem como pela gestão de ativos e operação e manutenção do projeto.
«Trata-se de um passo importante para a Lyra Energy e o projeto Thakadu. Com a assinatura de contratos com o setor privado e o financiamento assegurado, o projeto está bem posicionado para a construção e entrega», afirmou Terje Pilskog, CEO da Scatec.
Esta dinâmica reflete-se em diversos setores económicos do país. No início de março, o desenvolvedor sul-africano Anthem anunciou o fecho financeiro do projeto solar Notsi, de 475 MW, destinado ao mercado comercial e industrial via wheeling (transporte de eletricidade pela rede pública). Empresas como Redefine Properties e o grupo mineiro Glencore também assinaram, nos últimos anos, contratos de fornecimento de eletricidade renovável a longo prazo, distribuída pela rede da Eskom.
Estes acordos ilustram a expansão de contratos diretos entre produtores independentes e grandes consumidores de eletricidade, especialmente nos setores mineiro e de serviços. Esta nova dinâmica acelera diretamente a transição energética do país, mesmo que a rede pública continue amplamente dependente de energias fósseis, sobretudo o carvão.
Abdoullah Diop
O Azerbaijão procura expandir a sua presença no continente africano, tendo a Costa do Marfim sido, até agora, o primeiro país onde esta estratégia se concretizou.
Costa do Marfim e Azerbaijão iniciaram discussões sobre possíveis projetos nos setores de petróleo e gás. Os encontros decorreram em Abidjan, entre responsáveis marfinenses e uma delegação oficial de Bacu, liderada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão, Yalchin Rafiyev, com a participação do presidente da companhia nacional de petróleo SOCAR, Rovshan Najaf.
Durante esta reunião, relatada na sexta-feira, 6 de março, por vários meios de comunicação internacionais, os representantes azerbaijaneses reuniram-se com membros do Ministério das Minas, Petróleo e Energia da Costa do Marfim e com responsáveis da empresa nacional PetroCI. As discussões focaram-se nas possibilidades de cooperação no setor energético, incluindo a implementação de projetos conjuntos de petróleo e gás.
Para além destes projetos, os encontros abordaram oportunidades de investimento no setor energético marfinense e questões relacionadas com a segurança energética do país.
O projeto petrolífero e gasífero Baleine também foi discutido. Este campo offshore é um dos principais projetos energéticos atualmente explorados na Costa do Marfim. No final de janeiro, a Eni assinou um acordo vinculativo com a SOCAR, que adquiriu 10% da participação detida pela multinacional italiana, tornando-se parceira da Vitol (30%) e da PetroCI (22,75%), enquanto os restantes 37,25% permanecem com a operadora Eni.
Uma série de acordos energéticos entre Bacu e países africanos
Estas discussões ocorrem no contexto de um reforço gradual das parcerias energéticas do Azerbaijão com vários países africanos. Nos últimos meses, Bacu tem multiplicado iniciativas para desenvolver cooperação em exploração, produção e infraestruturas petrolíferas e de gás.
Em abril de 2024, a SOCAR assinou um acordo com a companhia nacional de petróleo do Congo, visando cooperação em refinação e outras atividades do setor downstream, incluindo trocas de expertise técnica e avaliação de projetos industriais ligados à transformação de hidrocarbonetos.
Em março de 2025, Bacu iniciou discussões com a Somália sobre cooperação energética, abrangendo exploração e desenvolvimento de recursos de petróleo e gás, resultando num memorando de entendimento sobre partilha de expertise e desenvolvimento potencial de projetos no setor de hidrocarbonetos.
Segundo informações da Agência Ecofin, em abril de 2025, o Azerbaijão também discutiu com o Egito o reforço da cooperação em hidrocarbonetos, incluindo exploração, produção e investimentos no setor energético.
Abdel-Latif Boureima
Na África Ocidental, o Gana é o segundo maior mercado de trigo importado, depois da Nigéria. Com a crescente procura por produtos derivados nas dietas alimentares, surgem cada vez mais oportunidades de investimento no segmento de transformação.
No Gana, o presidente John Dramani Mahama inaugurou, a 5 de março, uma unidade de produção de massas alimentícias em Kpone, nas proximidades da cidade de Tema, na região do Grande Accra. Com um custo total de 40 milhões de dólares, esta nova instalação é da responsabilidade da Olam Agri, filial do grupo agroindustrial singapurense Olam.
Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, a unidade possui uma capacidade anual de produção de 60.000 toneladas de diferentes tipos de massas, incluindo espaguete, macarrão e outras massas curtas, destinadas exclusivamente ao mercado interno. Para o seu abastecimento em matéria-prima, a instalação deverá utilizar farinha de trigo moída localmente.
De acordo com Sunny George Verghese, diretor-geral do grupo Olam Agri, esta capacidade de produção, se totalmente utilizada, permitirá reduzir a dependência de importações em cerca de 40%.
Os dados compilados na plataforma Trademap mostram que o Gana importou, em média, 70.910 toneladas de massas alimentícias por ano entre 2021 e 2024. No mesmo período, a fatura associada a estas compras ascendia, em média, a 35,08 milhões de dólares por ano.
«Cada tonelada de massas produzida em Tema é uma substituição direta às importações, um dólar preservado nas nossas reservas cambiais e uma nova oportunidade de emprego», afirmou Elizabeth Ofosu-Adjare, ministra do Comércio, Agronegócio e Indústria.
Rumo ao reforço das atividades de transformação do trigo
Antes da entrada em funcionamento da unidade de massas alimentícias, a Olam Agri já operava no setor de moagem de trigo. Desde 2012, a empresa explorava um moinho com capacidade anual estimada em 375.000 toneladas de farinha de trigo, comercializada através de marcas como First Choice e Royal Gold.
Ao iniciar, em 2026, a produção de massas alimentícias, a Olam Agri aumenta não só a necessidade do Gana em farinha de trigo, mas também em trigo. Como a produção local desta cereal é praticamente inexistente, o recurso às importações deverá intensificar-se ainda mais.
Dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) mostram que as importações ganesas de trigo aumentaram 31,7%, passando de 721.000 toneladas em 2022/2023 para 950.000 toneladas em 2024/2025. No seu último relatório sobre o mercado de cereais na ex-Gold Coast, o organismo projeta que estas compras ultrapassem 1 milhão de toneladas ao final da campanha de comercialização 2025/2026.
No Gana, como na maioria dos países da sub-região da África Ocidental, a farinha de trigo é consumida principalmente sob a forma de pão pela maioria dos agregados familiares. Segundo o USDA, 70% da farinha de trigo produzida no país é utilizada na fabricação deste alimento básico, enquanto o restante é usado na confeção de bolos e outros produtos derivados.
Stéphanas Assocle
O mecanismo de garantia contribuirá, numa primeira fase, para mobilizar capitais destinados a reforçar as infraestruturas de transmissão de eletricidade, antes de apoiar projetos nos domínios dos transportes, da água e das infraestruturas sociais.
O Banco Mundial anunciou, a 5 de março, que o seu conselho de administração aprovou a criação de um novo mecanismo de garantia de crédito (Credit Guarantee Vehicle – CGV) destinado a ajudar a África do Sul a mobilizar 10 mil milhões de dólares em capitais privados ao longo de dez anos, com o objetivo de estimular os investimentos em infraestruturas.
O mecanismo de garantia de crédito, que faz parte do Programa de Financiamento Misto para Infraestruturas Resilientes na África do Sul (South Africa Blended Finance Platform for Resilient Infrastructure Program), inclui um primeiro compromisso de financiamento de 350 milhões de dólares do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD), uma instituição do Grupo Banco Mundial.
O CGV será alojado no Banco de Desenvolvimento da África Austral (Development Bank of Southern Africa – DBSA). Emitirá garantias de crédito baseadas no mercado, que ajudarão a reduzir os riscos associados aos investimentos em infraestruturas, a atrair capitais privados e a diminuir a dependência de garantias soberanas.
«Ao longo de dez anos, o CGV deverá mobilizar cerca de 10 mil milhões de dólares em capitais (aproximadamente 160 mil milhões de rands sul-africanos), provenientes sobretudo de investidores privados, credores comerciais e investidores institucionais, gerar cerca de 997 000 empregos diretos e indiretos e contribuir para a redução das emissões de gases com efeito de estufa», sublinhou o Banco Mundial num comunicado.
A África do Sul regista um crescimento económico inferior a 1% há cerca de uma década, enquanto a taxa de desemprego permanece acima dos 30%. Os persistentes estrangulamentos nos setores da eletricidade, da logística de transporte de mercadorias e do abastecimento de água continuam a aumentar os custos, a travar a produtividade e a criação de empregos, e a limitar as oportunidades para empresas e famílias.
A transmissão de eletricidade, área prioritária de intervenção
O país mais industrializado do continente dispõe de um mercado financeiro profundo e sofisticado, mas os capitais institucionais de longo prazo continuam subalocados às infraestruturas. Ao mesmo tempo, as necessidades de infraestruturas são enormes e não podem ser financiadas apenas pelo setor público.
O novo mecanismo de garantia deverá apoiar prioritariamente a mobilização de capitais para reforçar as infraestruturas de transmissão de eletricidade, essenciais para fortalecer a segurança energética do país e estimular a construção de centrais de energia verde nas regiões ensolaradas e ventosas.
«O CGV, que apoiará investimentos massivos nas infraestruturas de transporte de eletricidade, será constituído como sociedade nos próximos meses. Depois disso, esperamos que os parceiros de desenvolvimento confirmem a sua participação no capital», declarou o ministro sul-africano das Finanças, Enoch Godongwana, acrescentando que o dispositivo deverá estar operacional antes do final do ano.
O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa anunciou, em fevereiro passado, a criação de uma empresa de transmissão de eletricidade independente da companhia elétrica pública Eskom Holdings. Empresas energéticas globais, como Engie (França), Adani Power (Índia) e State Grid International Development (China), já manifestaram interesse em investir neste projeto, que prevê a instalação de 14 000 km de novas linhas de transmissão para um investimento estimado em cerca de 440 mil milhões de rands (26,3 mil milhões de dólares).
A DBSA indicou ainda, num comunicado separado, que o mecanismo de garantia, que visa uma capitalização inicial de 500 milhões de dólares, deverá também apoiar projetos nas áreas dos transportes, da água e das infraestruturas sociais. «O mecanismo foi concebido para ser sustentável e evolutivo, começando pelas infraestruturas de transmissão de eletricidade e expandindo-se para outros setores à medida que o modelo demonstrar resultados», precisou a instituição financeira regional.
Walid Kéfi
Esta decisão do governo guineense ocorre dois meses após a investidura do general Mamadi Doumbouya à frente da Guiné. Ela implica a perda imediata da personalidade jurídica e do estatuto legal das formações políticas em causa.
O governo guineense dissolveu 40 partidos políticos por «incumprimento das suas obrigações», segundo um despacho do Ministério da Administração do Território e da Descentralização, lido na televisão nacional na noite de sexta-feira, 6, para sábado, 7 de março.
Entre as formações políticas visadas encontram-se três dos principais partidos da oposição: a União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG), o Reagrupamento do Povo da Guiné – Arco-Íris (RPG Arco-Íris) e a União das Forças Republicanas (UFR).
Esta «dissolução implica a perda imediata da personalidade jurídica e do estatuto legal das formações em causa». Assim, o governo indica que «qualquer atividade política em nome destes partidos é proibida em todo o território nacional e nas missões diplomáticas». Além disso, «o património dos partidos dissolvidos é colocado sob sequestro».
Cellou Dalein Diallo, presidente da UFDG, reagiu a este anúncio declarando: «nas últimas horas, foi ultrapassado mais um patamar na desumanização da nossa sociedade e na execução programada da democracia e do Estado de direito». Acrescentou ainda: «já não existe outra alternativa senão envolver-se numa resistência frontal, numa luta corajosa para a libertação do nosso país».
Esta decisão ocorre dois meses após a investidura de Mamadi Doumbouya como Presidente da República, na sequência das eleições de 28 de dezembro.
No plano económico, persistem desafios. Segundo o Banco Mundial, apesar de um crescimento robusto estimado em 7,5% em 2025, a taxa de pobreza aumentou 7 pontos percentuais entre 2019 e 2024, empurrando mais 1,8 milhões de pessoas para a pobreza. A isto juntam-se uma forte dependência da exploração mineira e uma fragilidade financeira.
Note-se que o Ministério da Administração do Território e da Descentralização indicou que «a utilização das siglas, logótipos, emblemas e outros sinais distintivos [dos partidos dissolvidos, nota do editor] está agora proibida».
Lydie Mobio
As autoridades etíopes estão a investir na transformação digital do país. Estão também a tomar decisões estratégicas para envolver diretamente a população na revolução tecnológica em curso.
A Ethiopian Securities Exchange (ESX) anunciou, na quinta-feira, 5 de março, o lançamento de “Neway”, uma plataforma de negociação acessível tanto através da web como de uma aplicação móvel. Esta iniciativa visa facilitar o acesso dos investidores etíopes ao mercado de valores mobiliários, ao mesmo tempo que moderniza as infraestruturas da jovem bolsa de valores do país.
Desenvolvida em parceria com a empresa tecnológica Infotech Private Limited, a solução permite aos investidores realizar todas as operações básicas diretamente online. Os utilizadores podem abrir uma conta de negociação à distância, acompanhar a evolução do mercado, comprar ou vender títulos e consultar a sua carteira em tempo real. Importa salientar que a aplicação está disponível para iOS e Android, onde já foi descarregada mais de 500 vezes, segundo a Google Play Store.
«Com o lançamento do Neway, os investidores podem agora aceder ao mercado a qualquer momento e em qualquer lugar. [...] Ao colocar o mercado ao alcance de todos os etíopes, damos-lhes a oportunidade de participar diretamente no crescimento económico do país, tornando também a participação no mercado de capitais mais inclusiva», afirmou Tilahun Esmael Kassahun, diretor-geral da ESX.
O Neway está integrado nos sistemas internos da bolsa, nomeadamente no Broker Back Office (BBO) e no sistema de gestão de ordens disponibilizado aos corretores membros da ESX. Esta interligação visa simplificar as operações de corretagem, incluindo o registo de clientes, a gestão de ordens e a produção de relatórios.
O lançamento desta solução ocorre num contexto de transformação do setor financeiro etíope. Criada no âmbito das reformas introduzidas pela proclamação sobre os mercados de capitais adotada em 2021, a Ethiopian Securities Exchange pretende construir um mercado mais transparente, eficiente e capaz de apoiar o financiamento das empresas locais.
A longo prazo, estas iniciativas deverão contribuir para posicionar a Etiópia entre os mercados emergentes mais dinâmicos do continente.
Adoni Conrad Quenum
A Banco Central do Malawi explica esta decisão pela redução gradual da inflação observada nos últimos anos. Esta tendência deverá consolidar-se em 2026, apoiada pela melhoria das condições de abastecimento alimentar.
O comité de política monetária do Banco Central do Malawi (Reserve Bank of Malawi) decidiu reduzir a sua taxa diretora em 200 pontos base, fazendo-a passar de 26% para 24%. É o que indica o comunicado da instituição publicado na quinta-feira, 5 de março.
Esta decisão surge na sequência de uma queda progressiva da inflação. «As atuais perspetivas de inflação permitem uma redução prudente da taxa diretora, mantendo ao mesmo tempo uma política monetária suficientemente restritiva para continuar a orientar a inflação para o objetivo de médio prazo de 5%», sublinha o comunicado.
Uma inflação em recuo nos últimos meses
A inflação global registou uma melhoria significativa nos últimos meses, passando de 29,2% no quarto trimestre de 2024 para 27,7% no mesmo período de 2025. Continuou a diminuir, atingindo 24,9% em janeiro de 2026.
Esta evolução explica-se principalmente pela redução dos preços dos produtos alimentares, na sequência das intervenções do governo destinadas a estimular a oferta de milho no mercado. Em contrapartida, os preços dos produtos não alimentares, nomeadamente combustíveis e eletricidade, aumentaram, provocando uma subida da inflação não alimentar.
O Banco Central prevê, contudo, uma melhoria das perspetivas de inflação em 2026, impulsionada pelo reforço do abastecimento alimentar. Esta dinâmica deverá ser apoiada pelos resultados esperados da campanha agrícola 2025-2026, bem como pela continuação dos programas públicos de ajuda alimentar.
Uma situação macroeconómica ainda frágil
Apesar destes sinais encorajadores, a situação macroeconómica do Malawi continua frágil. O país enfrenta há vários anos múltiplas dificuldades, nomeadamente choques externos, um crescimento estruturalmente fraco, inflação persistente e uma trajetória orçamental e de endividamento considerada pouco sustentável. A estas limitações juntam-se uma seca que afetou a produção agrícola, bem como escassez de divisas e de combustível, que continuam a travar a atividade económica.
Segundo o Fundo Monetário Internacional, o crescimento do PIB real é estimado em 2,4% em 2025, contra 1,8% em 2024, um ritmo inferior ao crescimento demográfico. A mais longo prazo, o crescimento económico deverá aumentar modestamente para atingir 3,4% até 2029, enquanto a inflação deverá permanecer elevada, em torno de 15%, indicou a instituição.
Lydie Mobio