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Equipe Publication

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Apesar de uma economia relativamente diversificada e de reformas no mercado de trabalho, o emprego em Marrocos continua amplamente dominado por atividades informais. Estas absorvem grande parte da força de trabalho, ao mesmo tempo que colocam desafios duradouros em termos de produtividade e proteção social.

A Comissão Económica para a África das Nações Unidas (CEA) estima que entre 60% e 80% da população ativa marroquina atua no setor informal. Publicada em novembro de 2025 no relatório regional sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, esta estimativa evidencia o caráter estrutural da informalidade, presente tanto em áreas urbanas quanto rurais. Ela abrange realidades diversas, desde trabalhadores independentes até pequenas unidades não registradas, incluindo uma parte significativa do emprego agrícola.

Os dados nacionais reforçam esta constatação. O Alto Comissariado para o Plano (HCP) indica que Marrocos contava com mais de 2 milhões de unidades de produção informais em 2023, principalmente concentradas no comércio, nos serviços e no artesanato. A instituição ressalta que o setor informal continua sendo um canal importante de inserção no mercado de trabalho, especialmente para trabalhadores pouco qualificados e jovens, em um contexto em que a criação de empregos formais permanece insuficiente para absorver o crescimento da população ativa.

Em nível internacional, o Banco Mundial lembra que este setor atua como um amortecedor social, oferecendo oportunidades de renda para uma ampla parcela da população. Contudo, ressalta também que a predominância do informal limita os ganhos de produtividade, restringe a mobilização de recursos fiscais e retarda a expansão da proteção social. A longo prazo, essa situação contribui para manter a segmentação do mercado de trabalho e frear a evolução da economia marroquina para atividades de maior valor agregado.

A médio prazo, a redução gradual da informalidade depende de uma abordagem progressiva. A CEA destaca a necessidade de combinar políticas direcionadas, incluindo a simplificação dos procedimentos de formalização, a ampliação da cobertura social e o apoio às microempresas. O objetivo não é eliminar o setor informal, mas facilitar sua integração progressiva na economia formal, melhorando simultaneamente a qualidade e a estabilidade dos empregos.

Félicien Houindo Lokossou

Diante da escassez persistente de professores e da precariedade de milhares de contratados, as autoridades nigerinas iniciam uma reforma do recrutamento público com o objetivo de estabilizar o emprego na educação e fortalecer de forma duradoura um sistema escolar sob forte pressão demográfica.

Em um comunicado publicado na sexta-feira, 9 de janeiro, na página do Facebook do Ministério da Educação Nacional do Níger, o governo anunciou a integração sem concurso de 11.015 professores contratados na Função Pública. Esta medida responde às tensões sociais recorrentes no setor educacional e à fragilidade do status dos professores contratados.

A decisão resulta de um processo de consulta envolvendo vários ministérios e os parceiros sociais do setor educacional, apoiado pelos trabalhos de duas instâncias técnicas criadas a iniciativa do Primeiro-Ministro Ali Mahamane Lamine Zeine, sob a liderança do chefe de Estado Abdourahamane Tiani. Segundo as autoridades, essas consultas “permitiram identificar soluções concretas, especialmente no que diz respeito ao recrutamento e à regularização de salários atrasados e promoções”.

A coordenação da implementação foi confiada ao Ministério da Função Pública, Trabalho e Emprego. Conforme informado, os professores integrados serão progressivamente alocados em vários departamentos ministeriais, incluindo educação, formação técnica e profissional, juventude e esportes, bem como cultura e promoção de valores sociais.

De acordo com o comunicado oficial, esta integração visa proteger carreiras profissionais por muito tempo marcadas pela instabilidade contratual. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lembra que a precariedade do emprego público na educação é um fator importante de desmotivação e queda da qualidade do ensino em vários países de baixa renda. Ao estabilizar o emprego na educação, as autoridades nigerinas esperam responder a uma urgência social e, ao mesmo tempo, estabelecer bases para um fortalecimento duradouro do sistema educacional e do mercado de trabalho público.

A medida ocorre em um contexto de déficit estrutural de professores no Níger, com turmas frequentemente superlotadas. Segundo o Instituto de Estatística da UNESCO (UIS), a relação aluno-professor no ensino secundário é de cerca de 30 alunos por professor, um nível acima das recomendações internacionais, limitando a qualidade do acompanhamento pedagógico. Em algumas áreas rurais, essa proporção pode ultrapassar 50 alunos por professor.

Enquanto a inserção profissional dos jovens diplomados continua a ser um desafio na Argélia, o Estado explora vias diretas entre formação de excelência e emprego público, num contexto de desemprego ainda elevado entre perfis qualificados.

Na quarta-feira, 7 de janeiro, o governo argelino organizou um dia de informação dedicado às ofertas de emprego do Ministério da Defesa Nacional, destinado aos diplomados da Escola Nacional Superior de Inteligência Artificial (ENSIA) e da Escola Nacional Superior de Matemática (ENSM). O encontro realizou-se no polo científico e tecnológico Chahid Abdelhafid Ihaddaden, em Sidi Abdellah, Argel, com o objetivo de apresentar as oportunidades de recrutamento nas diferentes direções e serviços do Exército Nacional Popular (ANP).

Na abertura da sessão, o ministro do Ensino Superior e da Investigação Científica, Kamel Baddari, saudou “o entusiasmo dos estudantes das escolas nacionais superiores pertencentes ao polo científico e tecnológico por este encontro”.

As trocas permitiram esclarecer os perfis procurados, os procedimentos de recrutamento e as missões propostas, numa lógica de aproximação entre as formações científicas de alto nível e as necessidades operacionais do Estado. Segundo o comunicado oficial, esta parceria insere-se “na visão de desenvolvimento definida pelo Presidente da República, Sr. Abdelmadjid Tebboune, que dá prioridade às ciências, tecnologias e conhecimentos ligados à economia inovadora”.

O coronel Belloula Ammar, representante do Ministro da Defesa Nacional, especificou que esta iniciativa visa reforçar o acompanhamento dos jovens talentos e valorizar as realizações científicas dos estudantes. Ela ocorre a poucos meses da saída da primeira turma da ENSIA e da ENSM, duas escolas consideradas como alavancas da economia inovadora.

A questão é também social. Em 2025, a taxa de desemprego na Argélia é estimada em 12,7%, com maior pressão sobre os jovens diplomados, segundo o Escritório Nacional de Estatística (ONS), citado pela imprensa local.

Félicien Houindo Lokossou

O mercado de telecomunicações da República Democrática do Congo (RDC) é principalmente movimentado pela Airtel, Orange, Vodacom e Africell. Segundo dados oficiais, o país contava com cerca de 73,3 milhões de assinaturas de telefonia móvel e aproximadamente 36,1 milhões de assinaturas de internet móvel no terceiro trimestre de 2025.

As empresas de telefonia móvel da RDC estão sujeitas a sanções em caso de não cumprimento dos requisitos de qualidade de serviço em vigor. Durante o Conselho de Ministros de sexta-feira, 9 de janeiro, o presidente da República, Félix Tshisekedi, instruiu as autoridades responsáveis pelo setor a tomar as medidas necessárias para conter as perturbações recorrentes que afetam as redes e sistemas de telecomunicações em todo o território nacional.

O chefe de Estado exigiu a aplicação, sem tolerância ou complacência, das sanções previstas pelas leis e regulamentos contra qualquer operador que não cumpra as obrigações de qualidade, continuidade, cobertura ou proteção dos usuários. Ele também solicitou o reforço dos mecanismos de regulação, controle e monitoramento permanente da qualidade das redes e serviços, assim como uma coordenação efetiva entre os ministérios setoriais, as autoridades reguladoras e os serviços técnicos especializados. Um relatório detalhado é esperado dentro de 30 dias.

As perturbações registradas dizem respeito, em particular, à telefonia móvel e fixa, à internet, à transmissão de dados, aos serviços digitais, à interconexão de redes, assim como à radiodifusão e à televisão digital. “Essas falhas persistentes afetam gravemente o dia a dia dos cidadãos, a continuidade da ação pública e o funcionamento da economia nacional, provocando interrupções de comunicação, perturbações nas transações bancárias e comerciais, assim como uma degradação significativa dos serviços de radiodifusão e televisão digital”, destaca o resumo do Conselho de Ministros.

No final de dezembro, o ministro das Correios e Telecomunicações, José Mpanda Kabangu, convocou os operadores Orange, Airtel e Vodacom, após reclamações de usuários denunciando redes instáveis, chamadas interrompidas e acesso limitado à internet na província de Sankuru. Já em setembro, pouco após sua nomeação, o ministro havia identificado várias falhas em nível nacional, incluindo cortes frequentes, saturação das redes, perda de crédito considerada injusta e transações de mobile money que falharam, mas foram cobradas. Nas redes sociais, os consumidores se queixam regularmente desses problemas.

A pressão sobre os operadores de telecomunicações ocorre em um contexto em que as autoridades congolesas consideram o digital um motor de desenvolvimento socioeconômico. Elas acreditam que é imperativo ter redes confiáveis, eficientes, resilientes e contínuas, operando em um ambiente de concorrência justa, cobertura territorial equitativa e proteção rigorosa dos consumidores. Estes, por sua vez, precisam das redes, por exemplo, para acessar os serviços públicos digitalizados oferecidos pelas autoridades.

As possíveis sanções contra os operadores infratores ainda não foram detalhadas. No entanto, a Lei de Telecomunicações e TIC de 2020 estipula que “qualquer violação de uma ou mais cláusulas da licença, autorização ou do caderno de encargos anexado, que não resulte na suspensão ou revogação do título, é punida com multa não superior a um quarto do valor do título”.

Isaac K. Kassouwi

Nigéria reforça proteção dos consumidores em serviços digitais

As autoridades nigerianas estão fortalecendo a proteção dos consumidores nos serviços digitais. Duas instituições se uniram para resolver um problema que os assinantes de telecomunicações enfrentam há vários anos.

A Comissão de Comunicações da Nigéria (NCC) e o Banco Central da Nigéria (CBN) anunciaram conjuntamente na semana passada uma nova medida que obriga os atores envolvidos a reembolsar qualquer transação de recarga de tempo de antena ou de dados móveis que falhe em menos de 30 segundos, quando o cliente foi debitado sem receber o serviço. A medida deverá entrar em vigor a partir de 1º de março de 2026.

Na prática, esta diretriz abrange transações realizadas por meio de canais bancários, plataformas de pagamento e operadoras de telecomunicações. Assim que uma falha for constatada após o débito, o reembolso deve ser automático e quase instantâneo. Uma exceção é prevista para transações “pendentes”, para as quais um prazo máximo de 24 horas é tolerado antes da regularização.

“Recargas falhadas estão entre as três principais reclamações dos consumidores e, de acordo com nosso compromisso de tratar essas questões prioritárias, estávamos determinados a resolvê-las o mais rápido possível”, afirmou Freda Bruce-Bennett, diretora de Assuntos do Consumidor da NCC.

Para garantir transparência, os reguladores também exigem o envio sistemático de um SMS de confirmação ao consumidor, independentemente de a transação ter sido concluída ou não. Além disso, será implementado um sistema centralizado de monitoramento para acompanhar as transações em tempo real, identificar responsabilidades em caso de falhas e avaliar o cumprimento dos prazos estabelecidos.

Essa decisão responde a um problema recorrente na Nigéria, onde os usuários frequentemente reclamam de recargas não creditadas, apesar de terem sido debitados, com procedimentos de reembolso geralmente longos e pouco claros. Em um país onde o celular é um instrumento central de comunicação, trabalho e serviços financeiros, esses problemas impactam diretamente o cotidiano dos consumidores.

A médio prazo, as autoridades esperam reduzir as reclamações, aumentar a confiança dos usuários e fortalecer a confiabilidade do ecossistema de pagamentos digitais e serviços de telecomunicações na Nigéria.

Chade adere oficialmente à União Internacional de Telecomunicações para acelerar a transformação digital

O Chade, já membro da União Internacional de Telecomunicações (UIT) ao lado de 193 países, reforçou sua integração ao setor digital ao anunciar oficialmente sua adesão através da Agência de Desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação do Chade (ADETIC).

Segundo a ADETIC, a adesão oferece acesso a expertise técnica de referência e a uma rede de parceiros internacionais, fundamentais para acelerar a transformação digital do país. A UIT reúne 194 Estados membros e mais de 1.000 entidades do setor privado, universidades e organizações internacionais. “Esta colaboração permitirá à ADETIC beneficiar-se de melhores práticas e recursos para enfrentar os principais desafios das TIC no Chade”, declarou a agência em comunicado.

O país pretende se inspirar nas melhores práticas globais para construir um setor digital soberano, eficiente e inclusivo. No âmbito do programa “Chade Conexão 2030”, estão previstos investimentos de 1,5 bilhão de dólares para ampliar a cobertura de redes, digitalizar e interconectar os serviços públicos e facilitar o acesso dos cidadãos ao e-gov.

Atualmente, o Chade ocupa o 189.º lugar entre 193 países no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrônico (EGDI) 2024 da ONU, com pontuação de 0,1785, abaixo das médias africana (0,4247) e global (0,6382). No Índice Global de Cibersegurança 2024 da UIT, encontra-se no penúltimo nível (Tier 4), com pontuação de 48,67/100. Em 2024, foi classificado em último lugar (47.º) entre os países africanos no Índice de Desenvolvimento das TIC da UIT, com cobertura de rede 2G, 3G e 4G de 86,9%, 84,5% e 60%, respectivamente, e taxa de penetração da internet de 13,2% em 2023.

Isaac K. Kassouwi

Gana aposta no transporte marítimo para desafogar o corredor Lagos-Abidjan e melhorar a mobilidade regional

Diante da saturação persistente da rodovia Lagos-Abidjan, Gana aposta na via marítima para agilizar o comércio e melhorar a mobilidade regional. O projeto de ferry costeiro faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação dos modos de transporte e fortalecimento da integração logística na África Ocidental.

Segundo declarações recentes atribuídas à imprensa local ao ministro ganês dos Transportes, Joseph Bukari Nikpe, uma consultoria marítima foi designada para acelerar o desenvolvimento do projeto de serviço de transporte costeiro por ferry no corredor Lagos-Abidjan. Esta iniciativa visa fortalecer a integração logística regional e oferecer alternativas viáveis à saturação crescente do transporte rodoviário, em um dos eixos mais estratégicos da África Ocidental.

Um serviço marítimo regional para passageiros, mercadorias e veículos

Revelado em novembro de 2025 pelo presidente John Dramani Mahama, o futuro serviço pretende transportar mercadorias, passageiros e veículos entre as principais cidades costeiras da região, incluindo Lagos, Cotonou, Lomé, Acra e Abidjan. A operação será realizada por navios RoPax de baixa emissão.

O projeto será acompanhado de investimentos na construção ou modernização de terminais portuários específicos, bem como na implementação de um sistema digital de gestão do tráfego marítimo. Segundo diversos meios de comunicação locais, as operações de teste devem começar em 2026.

Desafogar a estrada e reduzir atritos nas fronteiras

Executada com o apoio de parceiros privados, a iniciativa visa, segundo o chefe de Estado, promover uma mudança modal do tráfego rodoviário para a via marítima. O objetivo é reduzir as dificuldades nos deslocamentos terrestres, incluindo a burocracia nos postos de fronteira, atrasos crônicos e práticas de extorsão policial frequentemente denunciadas pelos usuários do corredor.

Ao oferecer uma alternativa mais ágil e potencialmente mais segura, este serviço marítimo pode contribuir para melhorar a competitividade logística regional e facilitar o comércio intra-comunitário, em um contexto em que os Estados buscam aproveitar as vantagens da ZLECAF (Zona de Livre Comércio Continental Africana).

Um corredor chave sob forte pressão

Atualmente, fora do fluxo de contrabando que passa por alguns cursos d’água transfronteiriços, a maior parte do comércio e dos deslocamentos entre os países da região ocorre por via rodoviária. Segundo vários estudos do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o corredor Lagos-Abidjan concentra cerca de 75% das atividades comerciais da sub-região e constitui a espinha dorsal da logística multimodal da África Ocidental.

De acordo com o Programa de Desenvolvimento de Infraestrutura na África (PIDA), ele processa mais de 50 milhões de toneladas de carga por ano, com crescimento anual estimado entre 8% e 10%. O tráfego de veículos de passageiros ultrapassa 5 milhões por ano, enquanto o tempo médio de travessia das fronteiras varia geralmente entre 24 e 48 horas.

O corredor atende ainda cerca de 200 milhões de pessoas nos cinco países vizinhos, incluindo aproximadamente 35 milhões que vivem nos grandes centros urbanos diretamente conectados. O volume de tráfego varia entre 10.000 e 30.000 veículos por dia, dependendo do segmento, com projeções de 25.000 a 60.000 veículos por dia até 2040.

Rumo à complementaridade estrada-mar-rio

Em um contexto de rápido crescimento populacional e urbanização acelerada, a intensificação das restrições atuais se torna ainda mais evidente. Essa situação explica, entre outras iniciativas, o projeto da rodovia transnacional Lagos-Abidjan (1.080 km), projetada para absorver até 60.000 veículos por dia nos horários de pico.

O serviço marítimo liderado por Gana deverá complementar a infraestrutura rodoviária existente, integrando-se a outras iniciativas em andamento em Abidjan, Lagos e Cotonou para desenvolver soluções de transporte flúvio-lagunar. A longo prazo, esses projetos podem contribuir para o surgimento de uma rede integrada de transporte por vias navegáveis, capaz de sustentar de forma durável a mobilidade e o comércio regional.

Henoc Dossa

Com o lançamento da obra do aeroporto internacional de Bishoftu, a Etiópia aposta em uma infraestrutura de grande capacidade para acompanhar os planos de crescimento de sua companhia aérea nacional e consolidar sua posição no panorama aéreo do continente.

O anúncio está à altura das ambições declaradas. A Etiópia lançou oficialmente a construção de um novo aeroporto que deve se tornar, segundo as autoridades, o maior da África, com conclusão prevista para 2030. O início das obras ocorreu no sábado em Bishoftu, uma localidade situada cerca de quarenta quilômetros a sudeste de Adis Abeba.

O projeto prevê a construção de um aeroporto com quatro pistas, projetado para receber até 270 aeronaves. A primeira fase permitirá atender 60 milhões de passageiros por ano, antes de uma expansão gradual até 110 milhões de passageiros anuais, um salto de escala em relação ao aeroporto internacional de Bole, atualmente o principal ponto de entrada aérea do país. As autoridades etíopes estimam que este último atingirá seus limites operacionais nos próximos dois a três anos, devido ao crescimento contínuo do tráfego regional e internacional.

O projeto deve fortalecer a competitividade global da Ethiopian Airlines, melhorar a conectividade do continente no âmbito da Área de Livre Comércio Continental Africana, ampliar os corredores comerciais e turísticos e posicionar a Etiópia como um hub intercontinental de destaque”, declarou o primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali em sua página no X.

Questão do financiamento

Segundo informações divulgadas no final da semana passada por vários meios internacionais, o projeto deve custar mais de 12,5 bilhões de dólares, dos quais 30% viriam da companhia nacional Ethiopian Airlines. O restante deverá vir de credores, cujos nomes não foram divulgados.

Em agosto do ano passado, vale lembrar, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) foi designado como arranjador principal encarregado de mobilizar o financiamento da infraestrutura. Na época, a instituição indicou que o projeto deveria custar ao todo 10 bilhões de dólares e que ela seria responsável por levantar um financiamento por empréstimo de 8 bilhões de dólares. O banco também declarou que pretendia financiar 500 milhões de dólares do projeto, sujeito à aprovação de seu conselho de administração.

Um novo aeroporto em um setor em crescimento

Se o projeto de Bishoftu se concretizar conforme o cronograma anunciado, a África terá um novo aeroporto de grande capacidade, juntando-se a um círculo ainda restrito de plataformas aeroportuárias importantes no continente. Hoje, a hierarquia é dominada por infraestruturas estabelecidas há muito tempo, como o aeroporto internacional do Cairo, o aeroporto OR Tambo de Joanesburgo, o aeroporto da Cidade do Cabo e o aeroporto Mohammed V de Casablanca. Essas plataformas concentram a maior parte do fluxo aéreo internacional e estruturam a conectividade do continente com o resto do mundo.

A multiplicação desse tipo de infraestrutura constitui potencialmente um trunfo para a África, já que o transporte aéreo deve desempenhar um papel crescente nas trocas econômicas, no turismo e na circulação de pessoas. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o tráfego aéreo africano deve crescer em média 4,1% ao ano nos próximos vinte anos. Essa projeção baseia-se principalmente na dinâmica demográfica do continente, na rápida urbanização e no desenvolvimento esperado do comércio intra-africano à medida que as ligações regionais se fortalecem.

A curto prazo, no entanto, esse potencial ainda é limitado pelas realidades econômicas do setor. Se a tendência global se mantiver estável em 2026, a África deve continuar sendo a região menos rentável para o transporte aéreo. A IATA estima que as companhias africanas obterão, em média, apenas 1,3 dólar de lucro líquido por passageiro em 2026, contra uma média de 7,9 dólares em nível mundial.

Entre um mercado em retração e os desafios ligados ao desenvolvimento de um projeto mineiro, a Ryzon Materials multiplica as iniciativas para concretizar o seu projeto de grafite Nachu na Tanzânia. Segundo o estudo de viabilidade de 2022, este ativo pode fornecer anualmente 236.000 toneladas de grafite durante 10 anos.

Na Tanzânia, a Ryzon Materials continua a tentar assegurar o financiamento necessário para o desenvolvimento do seu projeto de grafite Nachu. Numa nota publicada na sexta-feira, 9 de janeiro, a empresa mineira australiana afirma estar em negociações «com parceiros, principalmente baseados na China, para um financiamento de pelo menos 80% através de empréstimo».

Segundo um estudo de viabilidade atualizado publicado em 2022, o projeto Nachu pode produzir 236.000 toneladas de grafite por ano durante 10 anos, com um investimento inicial estimado em 364 milhões de dólares. A Ryzon procura mobilizar estes fundos há vários anos, estabelecendo parcerias com vários atores, incluindo a empresa americana Global Corporate Finance (GCF), anunciada em 2025 para a acompanhar nesta iniciativa.

Embora a identidade dos parceiros chineses não tenha sido especificada, o anúncio da Ryzon insere-se no contexto da assinatura de um protocolo de entendimento com a Yintai Xinhai Mining. Esta iniciativa visa estabelecer uma colaboração entre a empresa e o industrial chinês, que ficaria, a prazo, responsável pela elaboração do plano de construção do projeto Nachu. Os aspetos financeiros também estão contemplados, já que se sabe que a Xinhai «ajuda atualmente a Ryzon a encontrar soluções de financiamento através da sua rede».

Enquanto se aguardam novas informações, é importante sublinhar que estas iniciativas surgem num contexto de forte crescimento esperado da procura de grafite, impulsionado principalmente pelo desenvolvimento da indústria de veículos elétricos. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a procura deverá ultrapassar 10 milhões de toneladas até 2040, mais do dobro dos níveis de 2024. Por enquanto, a Ryzon e os seus potenciais parceiros têm, no entanto, de lidar com um mercado de grafite lento, marcado por uma oferta excedentária proveniente da China.

Esta dinâmica, que levou, por exemplo, a uma queda de 20% nos preços do grafite em 2024, segundo a AIE, afeta também outros projetos tanzanianos, como Epanko (EcoGraf) e Mahenge (Black Rock Mining), igualmente à procura de financiamento para a sua decisão final de investimento (FID).

Aurel Sèdjro Houenou

Face à sua dependência histórica das receitas provenientes da exploração de petróleo e gás, a Nigéria aposta há vários anos na diversificação económica. Neste percurso, o potencial mineiro nacional, estimado em 700 mil milhões de dólares, é chamado a desempenhar um papel-chave.

Numa nota publicada na quinta-feira, 8 de janeiro, a Chariot Resources, empresa mineira australiana, anunciou a assinatura de um protocolo de entendimento com o comerciante chinês Jinjianqiao New Energy Technology Co. A iniciativa visa estabelecer as bases para uma futura colaboração no desenvolvimento e exploração de ativos de lítio na Nigéria, onde a ambição de valorizar o potencial lítifero nacional tem-se concretizado nos últimos anos.

Em julho de 2025, a Chariot Resources celebrou um acordo com a empresa nigeriana Continental Lithium Limited, com vista à aquisição de 66,7% do seu portfólio de projetos de lítio. Este portfólio inclui, nomeadamente, Fonlo, Gbugbu, Iganna e Saki, apresentados como antigas explorações artesanais a céu aberto. Embora ambas as partes prevejam finalizar a transação no primeiro trimestre de 2026, a Chariot antecipa já o desenvolvimento destes ativos, como evidencia a parceria prevista com a Jinjianqiao.

Concretamente, o protocolo de entendimento prevê um eventual apoio financeiro da Jinjianqiao, sob a forma de dívida ou acordos de compra, destinado a apoiar «a exploração dos projetos e, a prazo, o desenvolvimento de um dos ativos nigerianos». Os montantes não foram especificados, mas é de sublinhar que esta é a segunda iniciativa deste tipo anunciada pela Chariot no início deste ano. A 2 de janeiro, a empresa tinha já anunciado um protocolo de entendimento semelhante com a Shanghai GreatPower Nickel & Cobalt Materials, outro grupo chinês.

Com estas iniciativas, a Chariot posiciona-se entre os poucos atores identificados que contemplam o desenvolvimento de explorações comerciais de lítio na Nigéria. Apesar de um potencial considerado largamente subexplorado e da vontade expressa das autoridades de valorizar recursos minerais nacionais estimados em mais de 700 mil milhões de dólares, poucos elementos surgiram até agora sobre o estado real da indústria do lítio nigeriana. Vários projetos foram, de facto, anunciados nos últimos meses, incluindo duas fábricas de tratamento e refinação de lítio com um custo acumulado estimado em 800 milhões de dólares, mas as informações sobre os promotores e a execução permanecem limitadas.

Quanto aos planos da Chariot, novas discussões deverão ser iniciadas com os parceiros interessados, a fim de definir os termos finais de uma eventual colaboração, visando um acordo juridicamente vinculativo. Esta etapa deverá ocorrer apenas após a finalização da aquisição junto da Continental Lithium Limited.

Para referência, estas iniciativas inserem-se num contexto de perspetivas favoráveis de longo prazo para o lítio. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), serão necessárias até 55 minas adicionais para satisfazer a procura mundial até 2035.

Aurel Sèdjro Houenou

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