A capital de Ruanda impressiona desde o primeiro momento pela sua limpeza exemplar e pela organização urbana que a distingue no continente. Construída sobre colinas verdejantes, Kigali oferece panoramas amplos a cada subida, especialmente do Monte Kigali ou das alturas de Rebero, onde o pôr do sol ilumina a cidade com tons dourados.

Compacta e fácil de percorrer, Kigali pode ser explorada com tranquilidade em poucos dias. O centro combina arquitetura moderna com uma atmosfera serena e bem organizada. Torres elegantes, hotéis contemporâneos, cafés sofisticados e mercados animados convivem num ambiente que transmite dinamismo sem perder a calma. A sensação é a de uma capital confiante, voltada para o futuro, mas fiel às suas raízes.

Uma visita ao Memorial do Genocídio de Kigali é fundamental para compreender a história recente do país e a extraordinária resiliência do seu povo. O espaço proporciona uma experiência profunda e reflexiva, acrescentando densidade humana à descoberta da cidade. Em Kigali, o turismo também é um exercício de memória e aprendizado.

A cena cultural é igualmente vibrante. Locais como o Inema Arts Center revelam a força da arte contemporânea ruandesa, enquanto mercados como o de Kimironko oferecem uma imersão autêntica no cotidiano, entre tecidos coloridos, artesanato local e produtos frescos.

Kigali também se afirma como destino gastronômico, com sabores tradicionais reinterpretados ao lado de restaurantes africanos e internacionais, além de cafés especializados que conquistam os apreciadores.

Perante o aumento das infrações digitais, a Polícia Nacional do Senegal intensifica a sua colaboração com as grandes plataformas tecnológicas.
O subdiretor-geral da Polícia Nacional do Senegal, o controlador-geral Abdoul Wahabou Sall, recebeu na semana passada uma delegação da Meta Platforms, a empresa-mãe das plataformas de redes sociais Facebook, WhatsApp e Instagram. O objetivo do encontro foi explorar novas formas de cooperação em matéria de segurança online.
As discussões focaram-se, nomeadamente, na proteção de jovens e menores nas redes sociais, bem como no reforço dos mecanismos de colaboração operacional entre as forças de segurança e a empresa norte-americana. «A este respeito, os representantes da Meta reafirmaram a sua disponibilidade para apoiar a Polícia Nacional através de ações de reforço de capacidades», indicou a Polícia senegalesa.
Esta parceria deverá concretizar-se através de ações de formação direcionadas às unidades especializadas, em particular à divisão especial de combate à cibercriminalidade. Estão previstas sessões de formação técnica sobre as ferramentas e o portal dedicado às forças de segurança da Meta, com o objetivo de melhorar a gestão de solicitações judiciais e o tratamento de conteúdos sinalizados.
Esta iniciativa insere-se numa tendência mais ampla observada em África, onde os Estados multiplicam os parcerias com atores digitais para enfrentar a rápida expansão dos usos online. Num contexto de aumento de ciberfraudes, assédio online e disseminação de conteúdos ilícitos, as autoridades senegalesas esforçam-se por adaptar os seus métodos de investigação a um ambiente digital que se tornou central nas infrações.
Nos últimos meses, também as instituições públicas foram alvo de ataques. Em outubro, a plataforma fiscal foi hackeada, seguida no início de fevereiro por um ciberataque ao departamento de automatização de arquivos (DAF), uma agência responsável pela emissão de cartões de identidade, passaportes e dados biométricos. O ataque provocou a suspensão temporária da produção de cartões nacionais de identidade.
A cooperação com plataformas digitais constitui, entre outros, um instrumento essencial para identificar os autores de atos criminosos e acelerar o tratamento das denúncias. Para além de uma mera troca institucional, traduz a evolução do papel das forças de segurança, agora chamadas a intervir tanto no ciberespaço como no terreno.
O Senegal tem capacidade para fazer face a estes desafios?
No seu relatório «Global Cybersecurity Index 2024», a União Internacional das Telecomunicações (UIT) atribuiu ao Senegal uma pontuação de 67,17 em 100 no índice global de cibersegurança. Esta pontuação posiciona o país na categoria Tier 3, que agrupa os países «que obtiveram pelo menos 55/100 e apresentam um compromisso inicial em matéria de cibersegurança. Esta categoria corresponde a Estados que iniciaram ações — avaliação, adoção ou implementação de medidas reconhecidas — em um número moderado de áreas ou indicadores».
Desde esta avaliação da UIT, as autoridades senegalesas anunciaram o New Deal Tecnológico, um programa de 1,7 mil milhões de dólares para transformar o país num hub tecnológico até 2034. No lançamento, em fevereiro de 2025, o presidente Bassirou Diomaye Faye afirmou: «comprometemo-nos a construir um espaço digital soberano, reforçando a nossa ciberresiliência, garantindo a segurança das infraestruturas, protegendo os nossos dados críticos e reduzindo progressivamente a dependência de soluções estrangeiras».
Adoni Conrad Quenum
Segundo o Electricity Regulatory Index 2024, a Libéria regista uma das progressões mais notáveis na governança do setor energético em África. Uma evolução que, contudo, esconde as fragilidades do setor energético nacional.
O governo da Libéria deu início a uma nova etapa na reorganização do seu setor elétrico. Segundo informações divulgadas na sexta-feira, 27 de fevereiro, pelo jornal The New Dawn, as autoridades lançaram um workshop de análise dedicado às causas estruturais das disfunções do sistema energético nacional.
A iniciativa é realizada em parceria com a Millennium Challenge Corporation (MCC), agência americana de cooperação para o desenvolvimento. O objetivo dos trabalhos é identificar as principais restrições que dificultam o desempenho do setor, nomeadamente os custos elevados da eletricidade, as fragilidades das infraestruturas e os desafios de governança.
As conclusões deste workshop deverão servir para preparar um eventual segundo programa de cooperação, denominado Compact II, entre Monróvia e a MCC, após o primeiro programa ter sido concluído em 2021.
As discussões reúnem representantes do governo, da companhia nacional de eletricidade e parceiros técnicos e financeiros. Os resultados destes encontros servirão de base para futuras decisões estratégicas.
Esta iniciativa ocorre num setor em transformação, mas sob pressão. Em novembro de 2025, a agência Ecofin reportou que a Libéria aumentou significativamente a participação das energias renováveis, que representam 33% do mix elétrico nacional. Estas contribuíram com 70% do crescimento da capacidade instalada desde 2015.
Contudo, a produção disponível continua limitada. Segundo dados divulgados pelo mesmo meio em setembro de 2025, a capacidade elétrica instalada do país atinge cerca de 126 MW. O país enfrenta défices de abastecimento que compensa com importações de eletricidade através da interconexão regional Costa do Marfim–Libéria–Serra Leoa–Guiné, um projeto regional de troca de eletricidade na África Ocidental.
Além disso, o quadro regulatório do setor melhorou. A Libéria ocupa a 9.ª posição entre 43 países africanos no Electricity Regulatory Index 2024 do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), com uma pontuação de 0,803, contra 0,628 em 2022.
Abdel-Latif Boureima
No Burkina Faso, a batata é um dos principais vegetais cultivados, juntamente com o tomate. No âmbito da sua política de soberania alimentar, o governo incentiva investimentos destinados a estimular a produção agrícola de produtos estratégicos para a segurança alimentar.
No dia 27 de fevereiro, o Ministério da Indústria deu início às obras de construção da unidade de transformação da Sociedade de Comercialização e Transformação de Produtos Agrícolas (SOCOTRA SA), num terreno de 3 hectares em Ouahigouya, na região de Yaadga.
Num comunicado publicado no seu site, o ministério indicou que esta nova infraestrutura será principalmente dedicada à transformação de batatas.
Segundo informações veiculadas pelos meios de comunicação locais, este projeto industrial envolve um investimento estimado em 3,5 mil milhões de francos CFA (6,3 milhões de dólares) e é uma iniciativa da Câmara de Comércio e Indústria (CCI-BF). Uma vez operacional, prevê-se que a unidade tenha uma capacidade inicial de produção de 350 toneladas por ano de batatas fritas e chips congeladas.
O projeto inclui também a construção de uma câmara frigorífica com capacidade de armazenamento e conservação de produtos crus de 5.000 toneladas por ano, podendo ser expandida para 10.000 toneladas por ano numa segunda fase de desenvolvimento da fábrica. A duração prevista das obras é de 8 meses.
Segundo as autoridades, este investimento permitirá criar um novo mercado para os agricultores e estimular a produção. «Com a construção desta câmara frigorífica, que será a maior do país, teremos uma infraestrutura que contribuirá decisivamente para impulsionar o setor da batata e permitirá aos produtores envolvidos ter realmente mercados, uma vez que a transformação industrial também será contemplada», declarou Serge Gnaniodem Poda, ministro da Indústria.
O desafio é ainda mais estratégico, pois a produção burquinense estagna há vários anos, enquanto a procura crescente mantém uma forte dependência das importações de batata e de produtos derivados.
Segundo a FAO, o Burkina Faso produziu em média 33.285 toneladas por ano entre 2020 e 2024, sem jamais ultrapassar as 35.000 toneladas. Paralelamente, as importações de batatas congeladas dispararam, passando de 37 toneladas em 2020 para 1.225 toneladas em 2024, com um pico de 2.513 toneladas registado em 2023.
Por outro lado, as importações de batatas frescas recuaram 30%, passando de 15.162 toneladas em 2020 para 10.686 toneladas em 2024, mas continuam a pesar na fatura das importações alimentares do país.
Stéphanas Assocle
O Tesouro senegalês conseguiu, na sexta-feira, 27 de fevereiro, levantar mais dinheiro do que o previsto no mercado regional de dívida. Mas as taxas às quais Dakar se financia continuam a subir, e um dado em particular chama a atenção: o Senegal passa agora a pagar os seus empréstimos mais caro do que o Burkina Faso, um país em dificuldades de segurança.
Na sexta-feira, 27 de fevereiro, o Senegal levantou 108,79 mil milhões de francos CFA (195 milhões de dólares) no mercado regional de dívida, ultrapassando o objetivo de 100 mil milhões, mas o custo dos seus empréstimos de curto prazo continuou a aumentar num contexto de crise da dívida soberana.
O Tesouro senegalês registou uma taxa de cobertura de 161%, segundo comunicado da UMOA-Titres, a agência regional responsável pelas emissões de obrigações dos Estados-membros da União Económica e Monetária do Oeste Africano (UEMOA). Mas o rendimento médio dos títulos a 364 dias atingiu 6,79%, um aumento de 17 pontos base em relação à sessão anterior, de 20 de fevereiro.
Dakar empresta mais caro do que Ouagadougou a curto prazo
Este nível coloca o Senegal numa posição paradoxal: empresta a curto prazo 63 pontos base acima do Burkina Faso, parte do território do qual está sob controlo de grupos armados jihadistas. Dois dias antes, a 25 de fevereiro, Ouagadougou tinha levantado os seus próprios títulos a 364 dias com um rendimento médio de 6,16%.
Esta diferença reflete a desconfiança dos mercados relativamente a Dakar desde a revelação, em 2024, de compromissos não declarados pela administração anterior, avaliados em cerca de 7 mil milhões de dólares, segundo analistas.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a dívida pública senegalesa tenha atingido 132% do PIB no final de 2024, contra os 74% oficialmente anunciados sob o presidente Macky Sall. A agência de notação Moody’s degradou desde então a classificação soberana do país para Caa1, com perspetiva negativa.
Forte dependência da Costa do Marfim
A distribuição geográfica das subscrições ilustra a vulnerabilidade do mecanismo: a Costa do Marfim e o próprio Senegal concentraram mais de 91% dos montantes retidos na sessão de sexta-feira.
Os bancos ivoirianos submeteram 55,61 mil milhões de francos CFA nos títulos a 364 dias, dos quais 39 mil milhões foram retidos.
O Senegal, através das suas instituições financeiras públicas e paraestatais, absorveu 82% das obrigações a 3 anos retidas, ou seja, 42,5 mil milhões dos 51,5 mil milhões alocados para este prazo.
Um vencimento crítico a duas semanas
A adjudicação ocorre a duas semanas de um vencimento obrigacionista importante: o Senegal deve liquidar, a 13 de março, um eurobonds emitido em 2018, no valor total de 485 milhões de dólares, incluindo principal e juros.
Segundo fontes citadas pela Reuters e Bloomberg a 17 de fevereiro, o Tesouro dispõe dos fundos necessários para honrar este pagamento. Para os reunir, o país dirigido pelo tandem Faye-Sonko mobilizou desde 1 de janeiro cerca de 700 mil milhões de francos CFA no mercado regional, através das adjudicações semanais da UMOA-Titres e, de forma mais discreta, via “total return swaps” (TRS).
Estes instrumentos derivados, negociados over-the-counter com bancos internacionais, permitem ao Tesouro senegalês obter liquidez imediata em divisas, colocando como colateral títulos da dívida doméstica.
Segundo estimativas citadas em dezembro de 2025 pelo Bank of America, o Senegal terá contratado TRS no valor de 750 milhões a 1 mil milhões de dólares em 2025, lastreados em 1,3 a 1,5 vezes o seu valor em dívida local. No início de 2026, várias fontes confirmam que o Estado senegalês já utilizou estes instrumentos, enquanto a Banque Ouest-Africaine de Développement (BOAD), que detém parte da sua liquidez em dólares, teve na semana passada de informar que investia em títulos públicos regionais, um exercício raro para o banco de desenvolvimento que até então comunicava pouco sobre a gestão da sua tesouraria.
O esforço de financiamento não se fica por aqui. Dakar lançou também a emissão de mais 200 mil milhões de francos CFA através do outro compartimento do mercado regional, reservado à sindicância. Estas obrigações, uma vez emitidas, são cotadas na Bolsa Regional de Valores Mobiliários (BRVM) de Abidjan. Trata-se do primeiro apelo público à poupança (APE) do ano para o Senegal, que planeia realizar quatro no total em 2026, como já fez em 2025.
Programa do FMI continua suspenso
A principal fonte de preocupação a médio prazo é o programa de empréstimo do FMI de 1,8 mil milhões de dólares, suspenso desde novembro de 2025, após o fracasso de um acordo que desencadeou de imediato um colapso dos eurobonds senegaleses nos mercados secundários internacionais, com alguns títulos a negociar-se com desvalorizações de até 49%.
Um novo chefe de missão da instituição de Bretton Woods chegou a Dakar em janeiro para relançar as negociações. Nenhum acordo foi anunciado até ao momento. O governo do presidente reafirmou a recusa de qualquer reestruturação da dívida que envolva um “haircut” para os credores. O Primeiro-Ministro, Ousmane Sonko, indicou que o executivo privilegia um “reagendamento dos prazos” em vez de uma redução do principal devido.
As necessidades de financiamento do Senegal para 2026 são estimadas em 6.075 mil milhões de francos CFA, segundo o projeto de Lei de Finanças, dos quais 4.307 mil milhões correspondem apenas a amortizações.
Fiacre E. Kakpo
Vários países africanos estão a adotar medidas de regulação das redes sociais. No Gabão, o regulador anunciou, a 17 de fevereiro, a suspensão imediata do acesso às redes sociais em todo o território.
O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, instruiu o governo a reforçar o enquadramento das redes sociais para prevenir abusos. A diretiva foi dada durante a 80.ª reunião ordinária do Conselho de Ministros, realizada na sexta-feira, 27 de fevereiro, em Kinshasa.
O Chefe de Estado incumbiu o Ministro de Estado, Ministro da Justiça e Guardião dos Selos, bem como o Ministro da Economia Digital, de propor e implementar, em coordenação com os serviços competentes, medidas destinadas a promover um uso responsável, ético e racional das redes sociais. Estas medidas poderão incluir, se necessário, “medidas restritivas proporcionadas e conformes à lei, respeitando sempre as liberdades fundamentais”, segundo o relatório apresentado por Augustin Kibassa Maliba, Ministro da Economia Digital.
Esta decisão surge num contexto de crescente adoção das redes sociais, paralelamente à expansão dos serviços de telecomunicações, nomeadamente da Internet. De acordo com a plataforma de dados DataReportal, o número de utilizadores de Internet passou de 21,14 milhões em 2021 para 34,7 milhões no início de 2026, um aumento de 64,1 %, com uma taxa de penetração estimada em 30,5 %. No mesmo período, o número de utilizadores de redes sociais subiu de 4 milhões para 10,4 milhões.
As autoridades congolesas consideram que “longe de servir exclusivamente fins positivos, as redes sociais constituem cada vez mais vetores de desinformação, distúrbios à ordem pública, discursos de ódio, manipulação da opinião e incitamento à divisão entre os congoleses, afetando assim a coesão nacional, a ordem pública e a estabilidade social”.
Além disso, esta decisão ocorre num contexto marcado por desafios de segurança persistentes em várias províncias do país, sendo a questão da segurança um dos temas mais debatidos nas redes sociais.
Divulgar e aplicar o Código do Digital
No centro da comunicação presidencial está a necessidade de divulgar e aplicar o Código do Digital, adotado para regulamentar o uso das plataformas digitais na RDC. Segundo o Chefe de Estado, este instrumento jurídico prevê mecanismos de prevenção, regulação e repressão de abusos online, mas permanece pouco conhecido e aplicado, tanto pelo público quanto por alguns atores institucionais.
A divulgação do Código do Digital não se dirigirá apenas aos cidadãos. O Ministro da Comunicação e dos Media foi incumbido, em colaboração com operadores públicos e privados, de garantir uma sensibilização contínua do público através de campanhas educativas. Os magistrados também deverão ser alvo destas ações, sob coordenação do Conselho Superior da Magistratura, para assegurar uma aplicação coerente e dissuasiva das disposições previstas.
Para além das medidas regulatórias, o executivo aposta na educação. Os Ministérios da Educação Nacional e do Ensino Superior foram chamados a integrar progressivamente módulos de formação e sensibilização sobre o uso responsável do digital nos programas escolares. As questões relacionadas com redes sociais e inteligência artificial deverão ser incluídas na formação dos jovens.
Um relatório detalhado sobre a execução de todas estas instruções, indicando as ações realizadas, os resultados obtidos e eventuais dificuldades encontradas, deverá ser apresentado pelos ministros competentes a cada quinze dias, permitindo o acompanhamento e avaliação. Contudo, importa sublinhar que as disposições precisas de implementação permanecem, até ao momento, desconhecidas.
Isaac K. Kassouwi
Após ter obtido luz verde regulatória na Nigéria para os seus serviços por satélite, a Amazon acelera o seu desenvolvimento em África. O grupo visa agora as zonas rurais menos servidas, com uma oferta destinada a alargar o acesso à Internet e a apoiar a inclusão digital.
A iniciativa satelital da Amazon continua a expandir-se em África. O grupo norte-americano oficializou, na quinta-feira, 26 de fevereiro, uma parceria com a Vanu para alargar a conectividade à Internet nas zonas rurais através da sua rede de satélites em órbita baixa Amazon Leo, um acordo já anunciado em novembro de 2025 pela Vanu. O dispositivo visa prioritariamente as regiões onde as infraestruturas terrestres permanecem insuficientes ou economicamente inviáveis.
O acordo prevê a utilização da constelação de satélites da Amazon como solução de backhaul para as redes móveis implementadas pela Vanu. Concretamente, o operador tecnológico poderá instalar estações de telecomunicações em zonas isoladas sem depender de ligações terrestres dispendiosas. O lançamento do serviço deverá começar na África do Sul, antes de uma expansão gradual para outros mercados africanos.
Esta iniciativa surge num contexto de défice estrutural de conectividade no continente. Segundo dados do setor, várias centenas de milhões de africanos continuam sem acesso fiável à Internet, um atraso particularmente acentuado nas zonas rurais. No espaço da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), quase um quarto do território permanece fora de cobertura de rede, embora estas áreas acolham cerca de 40% da população regional.
Os sistemas satelitais em órbita baixa surgem assim como uma solução complementar às redes terrestres. Um estudo da consultora Access Partnership estima que a integração de constelações NGSO no ecossistema de conectividade da SADC poderá gerar até 16,9 mil milhões de dólares de benefícios económicos anuais, ao mesmo tempo que reduziria os custos de infraestrutura para os operadores em pelo menos 10,3 mil milhões de dólares.
Para além do acesso à Internet, a expansão da conectividade por satélite poderá apoiar vários setores económicos. Os usos relacionados com a Internet das Coisas, especialmente na logística e no transporte, poderão gerar cerca de 5,4 mil milhões de dólares em poupanças até 2030, segundo a consultora Ken Research, enquanto os sistemas de alerta precoce para a gestão de catástrofes naturais ofereceriam ganhos económicos estimados em mais de mil milhões de dólares.
O anúncio insere-se na crescente importância das soluções satelitais em África, um segmento estratégico na corrida à conectividade universal. Já autorizada a operar em alguns mercados do continente, nomeadamente na Nigéria, a Amazon junta-se a um ecossistema em que a conectividade via satélite é cada vez mais considerada como um motor de inclusão digital e desenvolvimento económico, sobretudo em territórios com baixa densidade populacional.
Samira Njoya
À medida que as empresas procuram automatizar as suas operações para aumentar a produtividade, reduzir erros e melhorar a segurança, o engenheiro de robótica torna-se central: é ele quem concebe e otimiza os sistemas que tornam esses processos fiáveis e eficientes.
O engenheiro de robótica concebe, desenvolve e gere sistemas automatizados capazes de realizar tarefas complexas, repetitivas ou perigosas para o ser humano. Analisa as necessidades técnicas, escolhe os componentes mecânicos, eletrónicos e de software, programa o comportamento das máquinas e assegura a sua fiabilidade e segurança. A sua função assenta numa combinação de competências em mecânica, eletrónica, informática e processamento de dados, para criar sistemas capazes de perceber, analisar e reagir ao ambiente, seja em linhas de produção industriais, robôs colaborativos ou drones autónomos.
A procura por este perfil está em forte crescimento. O crescimento da automação industrial, da logística inteligente e da saúde conectada gera uma necessidade constante de especialistas capazes de conceber e integrar sistemas robotizados de alto desempenho. As empresas procuram aumentar a produtividade, reduzir erros e garantir a segurança das suas operações, colocando o engenheiro de robótica no centro das transformações tecnológicas em curso.
As perspetivas salariais refletem esta dinâmica. Nos Estados Unidos, segundo a Indeed, o salário anual médio ronda os 119 000 $, podendo ultrapassar os 140 000 $ para perfis experientes em setores de ponta. Em França, um engenheiro iniciante recebe geralmente entre 36 000 e 50 000 € (aproximadamente 42 500 a 59 000 $) por ano, enquanto os cargos especializados podem ultrapassar os 95 000 €, de acordo com a Glassdoor. Em África, as remunerações variam consoante o país e a experiência. Segundo o Economic Research Institute (ERI), um engenheiro de robótica pode ganhar cerca de 804 000 rands por ano na África do Sul (aproximadamente 50 000 $).
O engenheiro de robótica beneficia de um amplo leque de missões estimulantes e competências transferíveis, abrindo caminho para carreiras em inteligência artificial, sistemas embutidos ou cibersegurança industrial, confirmando o caráter estratégico e atrativo desta profissão num mercado tecnológico em constante evolução.
Como aceder a esta profissão em África
Em África, tornar-se engenheiro de robótica é uma ambição alcançável, desde que se adote uma estratégia clara e progressiva. As formações em engenharia elétrica, mecânica, automação ou informática, oferecidas por várias universidades e escolas de engenharia, fornecem uma base sólida. Permitem adquirir os fundamentos dos sistemas automatizados, dos sensores, da programação e do software embarcado.
Para aprofundar conhecimentos, algumas instituições oferecem mestrados especializados em automação industrial ou mecatrónica. Quando estes cursos não estão disponíveis localmente, plataformas internacionais como Coursera, edX ou Udacity constituem alternativas credíveis para aprofundar programação avançada, controlo de movimentos ou inteligência artificial aplicada à robótica.
A experiência prática continua, contudo, a ser determinante. Participar em projetos estudantis, integrar um clube de robótica ou concorrer a competições tecnológicas permite transformar conhecimentos teóricos em competências operacionais e construir um portfólio convincente. Segundo o African Tech Startups Funding Report 2025, publicado pela Disrupt Africa, os ecossistemas tecnológicos africanos continuam a estruturar-se, nomeadamente em hubs como Nairobi, Lagos ou Cidade do Cabo. Os estágios nestes ambientes inovadores facilitam a aplicação de conhecimentos em problemas reais. Muitas start-ups desenvolvem soluções de automação agrícola, otimização logística ou manutenção industrial, oferecendo oportunidades de aprendizagem com forte impacto local.
Por fim, programas de intercâmbio, estágios internacionais e trabalho remoto expandem o acesso a projetos de alcance global, sem necessidade de expatriar-se. Combinando formação académica rigorosa, prática em campo e abertura às dinâmicas globais, torna-se possível construir progressivamente uma carreira sólida em robótica desde o continente africano.
Félicien Houindo Lokossou
Com a implementação progressiva da ZLECAf, a competitividade do comércio intra-africano depende cada vez mais do desempenho dos postos fronteiriços, frequentemente identificados como gargalos logísticos. Ao dotar-se de uma infraestrutura de padrões modernos, Angola estabelece as bases de um instrumento estratégico para captar maior valor nas cadeias logísticas regionais.
Angola inaugurou as novas instalações do posto fronteiriço e aduaneiro de Luvo, na província do Zaire, junto à República Democrática do Congo. A infraestrutura, que envolveu um investimento de 58,3 mil milhões de kwanzas (cerca de 63,6 milhões de dólares), é posicionada por Luanda como um ponto de passagem estratégico para o comércio sub-regional, em linha com a Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZLECAf).
Composta por 38 edifícios interligados, ao contrário do modelo anterior em que cada administração possuía as suas próprias instalações, a infraestrutura integra num único espaço todos os serviços fronteiriços, incluindo alfândega, polícia, imigração e serviços fitossanitários sob a tutela do Ministério da Saúde.
Para além dos objetivos administrativos, o investimento tem também uma finalidade económica: assegurar e agilizar os fluxos comerciais com a RDC, por onde transitam em média 50 camiões de mercadorias por dia. Para as autoridades, o desafio consiste em reforçar o controlo e a rastreabilidade das trocas, otimizando as receitas aduaneiras e reduzindo os circuitos informais. Pretende igualmente criar condições para o surgimento de uma plataforma logística fronteiriça capaz de atrair operadores privados para armazenamento, transformação ligeira e serviços conexos.
Esta infraestrutura complementa vários investimentos destinados a fortalecer os corredores que ligam o interior da RDC às infraestruturas portuárias angolanas, alinhando-se com o plano de posicionar Luanda como um hub logístico na sub-região. Embora o volume atual de fluxos seja modesto, as autoridades apostam num aumento gradual do tráfego, apoiado pela integração comercial continental e pela melhoria do ambiente de negócios transfronteiriço.
Segundo o Observatório da Complexidade Económica (OEC), as exportações angolanas para a RDC foram avaliadas em 173 milhões de dólares em 2024, compostas, entre outros, por barras de ferro bruto, rebocadores e lingotes de ferro. Os fluxos congoleses para Angola atingiram 5,42 milhões de dólares, constituídos principalmente por máquinas, produtos de beleza e equipamentos de topografia.
Henoc Dossa
Em África, a transformação local das matérias-primas impõe-se cada vez mais como uma ambição estratégica, especialmente no setor mineiro. Da República Democrática do Congo ao Malawi, passando pelo Zimbabué, as iniciativas multiplicam-se no continente.
No Zimbabué, o grupo industrial chinês Sichuan Yahua anunciou, no final da semana passada, o início das obras de construção de uma fábrica de produção de sulfato de lítio na sua mina de Kamativi. Este anúncio foi feito apenas algumas horas depois de Harare ter decretado um embargo às exportações de minérios brutos, incluindo o concentrado de lítio até então enviado a partir dos locais de produção do país.
A empresa não divulgou nem a capacidade de produção prevista nem o montante do investimento necessário para esta infraestrutura. Este projeto insere-se, no entanto, na continuidade das fábricas de sulfato de lítio anunciadas nos últimos anos pelos seus compatriotas Zhejiang Huayou Cobalt e Sinomine, operadores respetivos das minas Arcadia e Bikita.
É importante notar que o sulfato de lítio é um produto de maior valor acrescentado, resultante do refinamento do concentrado. Constitui um intermediário chave na produção de derivados de qualidade para baterias, como o carbonato e o hidróxido de lítio.
O anúncio da Sichuan Yahua representa um avanço nas ambições do Zimbabué, que procura acelerar a transformação local do concentrado de lítio em sulfato de lítio. Esta orientação foi aliás reiterada pelo ministro das Minas, Polite Kambamura, no comunicado que oficializou a entrada em vigor do embargo às exportações de concentrado.
Segundo a imprensa internacional, a empresa considera, no entanto, que esta medida será temporária, visando principalmente as exportações ilegais. Espera assim poder retomar os envios dentro de aproximadamente duas semanas.
As autoridades ainda não precisaram a duração da suspensão, enquanto já está marcada uma reunião com os industriais para esclarecer as novas exigências regulamentares. Resta saber como estas medidas irão afetar o progresso dos projetos de transformação local em curso no país. Com 571 milhões de dólares de receitas de exportação geradas em 2025, o lítio figura entre os principais produtos mineiros do país, ao lado dos metais do grupo da platina (PGMs), do ouro e dos diamantes.
Aurel Sèdjro Houenou