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Equipe Publication

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Após o embargo às exportações de cobalto imposto em fevereiro, a RDC anunciou a retomada dos embarques em outubro de 2025, com a implementação de cotas para os produtores. No entanto, estes não conseguiram enviar o metal antes do final do ano, sob risco de perder os volumes atribuídos.

Na RDC, as cotas de exportação concedidas aos produtores de cobalto para o último trimestre de 2025 poderão ser utilizadas até 31 de março de 2026. Foi o que declarou o regulador congolês em comunicado datado de domingo, 28 de dezembro, e divulgado na quarta-feira, 31 de dezembro, pela Reuters.

O anúncio vem dissipar incertezas geradas pelos gargalos no novo processo de exportação do cobalto congolês. Após ter imposto um embargo sobre os embarques do metal estratégico para a indústria de baterias de veículos elétricos, Kinshasa substituiu-o em outubro por cotas de exportação. Segundo este sistema, estavam previstas 18.125 toneladas de cobalto para exportação entre outubro e dezembro de 2025.

Como reportou a Agência Ecofin, várias empresas não conseguiram utilizar suas cotas, já que o quadro regulatório não permite, em princípio, transferir ou postergar essas exportações. Vale notar que o ministro das Finanças, Doudou Fwamba, declarou há alguns dias que as exportações de cobalto “retomaram-se”, sem detalhar os volumes exportados ou as empresas envolvidas.

A CMOC, um dos principais produtores de cobalto na RDC, com uma cota de exportação de 6.650 toneladas para o quarto trimestre de 2025, estimou que os primeiros embarques não deixariam o país antes de janeiro. O processo administrativo continuou durante as últimas semanas de 2025, com a coleta de amostras para os primeiros embarques de cobalto sob o novo regime de cotas e os pagamentos aduaneiros.

Embora a incerteza em torno das cotas não utilizadas em 2025 tenha sido dissipadа, outros desafios permanecem para o governo congolês, que precisa demonstrar sua capacidade de aplicar de forma sustentável este novo quadro. O embargo imposto em fevereiro, em um contexto de mercado excedentário que pressionava os preços, coincidiu com a valorização do metal em 2025.

Se o objetivo de melhorar os preços for alcançado, Kinshasa também terá de lidar com os riscos de substituição do cobalto por outros metais. Alguns analistas alertam que as restrições à oferta congolesa poderiam levar os industriais a acelerar esforços para reduzir o uso de cobalto na fabricação de baterias elétricas.

 

Em outubro de 2025, o International Nickel Study Group (INSG) anunciou um excedente de 209 000 toneladas de níquel em 2025, seguido de 261 000 toneladas em 2026. Enquanto a Indonésia tem produzido níquel em excesso nos últimos anos, o banco Macquarie estima que o mercado deverá permanecer superavitário até 2026.

Maior produtor mundial de níquel, a Indonésia pretende reduzir os volumes extraídos em 2026, a fim de alinhar melhor a oferta à demanda. A informação foi confirmada pelo ministro da Energia e dos Recursos Minerais, Bahlil Lahadalia (foto), em um contexto no qual os estoques do metal aumentaram rapidamente este ano na Bolsa de Metais de Londres (LME). Após vários meses de queda, o níquel atingiu seu nível mais alto desde março, impulsionado por esse anúncio.

O preço à vista do níquel passou de 15 800 dólares por tonelada na segunda-feira, 29 de dezembro, para 16 500 dólares no dia seguinte na LME, enquanto o contrato para entrega em três meses registrou uma alta diária de 6,4% no fechamento das negociações de 30 de dezembro.

Em entrevista concedida poucas horas antes a um canal de televisão local, o ministro Bahlil Lahadalia afirmou que o governo atuará sobre os quotas de produção concedidos às empresas mineradoras.

O país do Sudeste Asiático, cuja participação no mercado mundial passou de 31,5% em 2020 para 60,2% em 2024, segundo dados da S&P Global Market Intelligence, aumentou significativamente a produção desse metal, utilizado na fabricação de aço inoxidável e nas baterias de veículos elétricos. Ao reduzir a oferta, o país espera diminuir o excedente que ajudou a criar e, assim, estimular a alta dos preços.

A situação lembra a da República Democrática do Congo (RDC), que responde por cerca de 70% da produção mundial de cobalto, outro metal estratégico para a indústria de veículos elétricos. Após dobrar sua produção nos últimos anos, o país suspendeu as exportações em fevereiro de 2025 e, a partir de outubro, implementou quotas para os produtores.

O objetivo das autoridades congolesas também é reduzir o excedente no mercado e fazer os preços subirem. Embora os preços do cobalto tenham mais do que dobrado desde o início do ano, será necessário aguardar alguns meses para avaliar o impacto real da medida indonésia sobre o mercado.

 

Emiliano Tossou

 

Enquanto a oposição exige a anulação do pleito, a Comissão Eleitoral Independente proclamou resultados provisórios considerados praticamente definitivos, cujo desfecho não parece deixar dúvidas.

A Autoridade Nacional de Eleições (ANE) da República Centro-Africana anunciou, na noite de segunda-feira, 5, para terça-feira, 6 de janeiro, a proclamação oficial dos resultados provisórios da eleição presidencial, segundo a imprensa local. Os primeiros números indicam uma ampla vitória do presidente em exercício, Faustin-Archange Touadéra (foto), declarado vencedor já no primeiro turno, com 76,15% dos votos.

Mais de 2,3 milhões de eleitores foram convocados às urnas no domingo, 28 de dezembro, por ocasião do primeiro turno da eleição presidencial. De acordo com a ANE, a taxa oficial de participação foi de 52,42%. A oposição, incluindo Henri-Marie Dondra, que ficou em terceiro lugar com 3,19% dos votos, denunciou uma “farsa” e apelou por uma “anulação pura e simples do pleito”, questionando a “incapacidade” da Autoridade Nacional de Eleições de organizar a votação. A oposição também acusa a ANE e o Tribunal Constitucional de estarem sob controle do poder vigente.

Essas eleições ocorreram em um contexto de fragilidade política e de segurança, em um país que atravessou mais de duas décadas de crises recorrentes, marcadas, em especial, pela tomada do poder pela coalizão Séléka em 2013 e pela escalada de violência provocada pela Coalizão dos Patriotas para a Mudança (CPC) em dezembro de 2020.

No plano econômico, contudo, o país apresenta sinais de recuperação. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta um crescimento de 3% em 2025, contra 1,9% em 2024, impulsionado pela retomada do setor mineiro, por projetos de infraestrutura e por uma melhoria gradual da situação de segurança.

O próximo governo terá, portanto, de enfrentar importantes desafios sociais e econômicos, incluindo o reforço da segurança e da coesão social, a melhoria do acesso à educação e aos serviços de saúde, a redução da pobreza extrema, bem como a valorização do potencial agrícola, florestal e mineiro do país. Os resultados definitivos da eleição presidencial são aguardados para meados de janeiro de 2025.

 

Ingrid Haffiny (estagiária)

 

 

A oferta pública inicial (IPO), destinada a investidores locais e estrangeiros, insere-se em um plano mais amplo de privatização de empresas estatais. O objetivo é aprofundar os mercados de capitais domésticos e mobilizar recursos internos para reduzir a dívida externa.

A Kenya Pipeline Company (KPC), empresa pública especializada em infraestruturas de transporte e armazenamento de produtos petrolíferos no Quênia e em outros países da África Oriental, será listada na Bolsa de Valores de Nairóbi até o final de janeiro de 2026, no âmbito de um vasto plano de privatização de empresas estatais. O anúncio foi feito pelo presidente William Ruto na segunda-feira, 5 de janeiro.

Dissemos que as ações serão vendidas a todos. Mesmo que você tenha apenas 200 ou 300 xelins, venha comprar, para que, quando os lucros forem anunciados, você possa se beneficiar”, declarou ele durante um evento realizado no condado de West Pokot (noroeste), indicando que a abertura de capital da KPC permitirá que cidadãos comuns detenham uma participação em uma das empresas públicas mais lucrativas do país.

O chefe de Estado também afirmou que a operação faz parte de uma estratégia mais ampla de sua administração, que visa “liberar o valor dos ativos públicos, aprofundar os mercados financeiros e garantir que os cidadãos comuns se beneficiem dos frutos do crescimento econômico”.

Embora o Estado queniano mantenha uma participação significativa no capital da KPC para “proteger os interesses nacionais”, a listagem da empresa na Nairobi Securities Exchange (NSE) deverá igualmente permitir que investidores estrangeiros, incluindo parceiros de outros países da África Oriental, como Uganda, tornem-se acionistas da companhia. Isso deverá “reforçar a cooperação regional no domínio das infraestruturas energéticas estratégicas”.

Em julho de 2025, o presidente queniano havia anunciado que sua administração considerava privatizar empresas estatais por meio de ofertas públicas iniciais, com o objetivo de atrair mais investimentos do setor privado, melhorar o funcionamento dos mercados de capitais nacionais e reduzir a dependência da dívida externa. Eleito em agosto de 2022, William Ruto tem se empenhado em reduzir os níveis da dívida externa do país, recorrendo mais aos mercados de capitais domésticos e a empréstimos concessionais concedidos por financiadores multilaterais.

Essa abordagem contrasta com a adotada por seu antecessor, Uhuru Kenyatta, período em que Nairóbi contraiu empréstimos em grande escala nos mercados internacionais e junto à China para financiar projetos de infraestrutura de alto custo. A alienação de algumas empresas públicas representa, assim, um dos pilares da nova estratégia de mobilização de recursos domésticos.

Walid Kéfi

 

 

Confrontado com pressões sobre o abastecimento de gás, o Egito busca garantir os volumes necessários para cobrir a demanda, especialmente durante os próximos períodos de pico de consumo.

O Egito e o Catar rubricaram um memorando de entendimento (MoU) destinado a enquadrar a cooperação entre os dois países no segmento do gás natural liquefeito (GNL). Segundo informações divulgadas no domingo, 4 de janeiro de 2026, o acordo prevê o fornecimento de cargas de GNL catariano ao Egito, com um volume que pode chegar a até 24 carregamentos. Esses volumes visam atender às necessidades egípcias durante o período de verão, marcado por um aumento da demanda por eletricidade.

A assinatura desse memorando ocorre, de forma mais ampla, em um contexto de crescimento sustentado da demanda interna por gás, especialmente para a geração de energia elétrica, ao mesmo tempo em que a produção nacional de gás registra queda. Em outubro de 2025, a produção situava-se em cerca de 3,64 bilhões de metros cúbicos por mês, contra mais de 6 bilhões de metros cúbicos mensais em 2021, segundo dados da Joint Organisations Data Initiative (JODI).

Essa dinâmica obrigou o Cairo a recorrer novamente às importações. Nos dez primeiros meses de 2025, as compras de GNL alcançaram cerca de 7,2 bilhões de dólares, o que representa um aumento de 87% em relação ao mesmo período de 2024, ilustrando a intensificação das importações para compensar o recuo da produção nacional. O recurso a um quadro de cooperação com o Catar, um dos principais exportadores mundiais de GNL, insere-se, assim, em uma série de iniciativas lançadas em 2025 para diversificar as fontes de abastecimento.

Essa orientação, que inclui também um esforço direcionado à busca de novos campos, traduziu-se, em particular, na assinatura de acordos de importação de GNL com a Shell e a TotalEnergies, envolvendo cerca de 60 carregamentos para 2025, bem como em compromissos adicionais de compra que podem alcançar entre 150 e 160 carregamentos distribuídos ao longo de 2026.

No caso do protocolo firmado com Doha, as informações tornadas públicas até o momento não especificam o calendário das remessas. A implementação das entregas permanece condicionada à conclusão de acordos comerciais posteriores, bem como às condições de mercado e às capacidades logísticas disponíveis.

Abdel-Latif Boureima

 

A Flutterwave concluiu a aquisição da Mono, uma start-up atuante em open banking na Nigéria, em Gana e na África do Sul. A fintech busca ampliar sua oferta de serviços, reunindo em uma única plataforma soluções de pagamento, verificação bancária e acesso a dados financeiros.

A Flutterwave, empresa de tecnologia de pagamentos ativa na África, anunciou em 5 de janeiro de 2026 a compra da start-up nigeriana Mono, especializada em open banking. Segundo diversos meios de comunicação nigerianos que citam fontes próximas ao processo, a operação foi realizada integralmente por meio de ações, e o valor da transação está estimado entre 25 e 40 milhões de dólares. O acordo havia sido finalizado em dezembro de 2025, quando Abdulhamid Hassan, fundador e CEO da Mono, indicou que a maioria dos acionistas e o Conselho de Administração da start-up haviam aprovado o projeto de aquisição pela Flutterwave.

A Mono mantém seu funcionamento atual, continuando a operar de forma independente. Sua gestão, suas equipes e suas atividades cotidianas também não sofrem alterações. A Flutterwave não assume o controle operacional, sendo o objetivo declarado um alinhamento estratégico. Esse modelo permite que a Mono continue a desenvolver suas soluções, ao mesmo tempo em que coloca sua infraestrutura a serviço do ecossistema de pagamentos da Flutterwave.

Essa aquisição consolida uma colaboração iniciada em 2021, materializada por diversas parcerias comerciais e técnicas entre as duas entidades.

O open banking no centro da estratégia da Flutterwave

A Mono desenvolve interfaces de programação de aplicações (APIs) que permitem às empresas acessar os dados bancários de seus clientes, iniciar pagamentos e verificar identidades. Essas ferramentas são utilizadas por fintechs, empresas comerciais e desenvolvedores para criar serviços financeiros. Ao integrar as APIs da Mono, a Flutterwave amplia seu campo de atuação. Até então, a fintech concentrava-se principalmente em pagamentos locais e transfronteiriços em mais de 30 países africanos. A partir de agora, sua plataforma também passa a abranger a integração de clientes, a verificação de identidade, a confirmação de contas bancárias, a análise de riscos baseada em dados e os pagamentos bancários diretos, sejam eles pontuais ou recorrentes.

Na prática, essa integração possibilita vários avanços: as empresas conseguem integrar serviços de pagamento com maior rapidez, os controles de identidade tornam-se mais sistemáticos e os riscos de fraude são melhor detectados. Os pagamentos de conta a conta são facilitados, sem a necessidade de múltiplos intermediários. Para a Flutterwave, essa evolução reforça a integração vertical e permite cobrir uma cadeia mais ampla, desde o acesso aos dados bancários até a execução dos pagamentos, passando pelos controles regulatórios.

Qual o impacto sobre o ecossistema fintech?

No médio prazo, essa colaboração abre caminho para novos usos. A Flutterwave menciona o desenvolvimento de métodos de pagamento alternativos, fluxos de pagamento autenticados e, no futuro, casos de uso de stablecoins compatíveis com os princípios do open banking. Para a fintech, o desafio também é econômico: ao controlar uma parte maior da cadeia de valor, a empresa busca melhorar suas fontes de receita, fortalecer a fidelidade de seus clientes e construir uma infraestrutura difícil de replicar.

Por sua vez, a Mono passa a ter acesso a uma rede presente em vários mercados africanos e a um volume maior de transações. Fundada em 2020, a start-up atua atualmente na Nigéria, na África do Sul e em Gana. Ao integrar-se à Flutterwave, ela se insere em uma plataforma utilizada por empresas de diferentes portes em todo o continente, com o objetivo comum de construir uma base financeira de uso em larga escala.

 

Chamberline Moko

 

 

Embora tenha sido superado pelo Marrocos em 2024 no posto de principal destino turístico da África, o país dos faraós continua sendo uma referência no continente graças à sua rica história, aos seus famosos monumentos culturais e à boa conectividade aérea.

As chegadas de turistas ao Egito atingiram a marca de 19 milhões em 2025, registrando um aumento de 21% em relação a 2024, anunciou no sábado, 3 de janeiro, o Ministro do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy. “Esse crescimento, superior à média mundial — estimada em 5% pela Organização Mundial do Turismo — reflete a competitividade do Egito como destino seguro, assim como o sucesso de nossa estratégia de oferecer produtos turísticos diversificados e melhorar a qualidade dos serviços”, declarou.

O ministro também revelou que o tráfego de voos charter no país aumentou 32% no ano anterior, destacando que os voos turísticos provinham de 193 cidades ao redor do mundo. Esses números refletem a consolidação da recuperação do setor após a pandemia de Covid-19, que fez as chegadas de turistas ao Egito caírem de 13 milhões para cerca de 3,7 milhões entre 2019 e 2020. Em 2024, o país do Norte da África recebeu 15,7 milhões de visitantes.

O governo egípcio estabeleceu como meta alcançar 30 milhões de turistas estrangeiros por ano a partir de 2028, graças principalmente à modernização e expansão dos aeroportos, à implementação de um sistema integrado de vistos eletrônicos (e-Visa) para agilizar os procedimentos de entrada e melhorar a eficiência nos pontos de fronteira, à construção de portos de cruzeiro e ao desenvolvimento de novas capacidades hoteleiras.

A indústria do turismo é uma das principais fontes de receita e emprego no Egito. Em 2024, gerou cerca de 15,3 bilhões de dólares para o país, segundo dados oficiais.

Walid Kéfi

 

 

A queda de Nicolás Maduro abre um novo ciclo para o petróleo venezuelano. Apesar de uma transição incerta, os mercados antecipam uma recuperação gradual da produção. Segundo diversos bancos, essa retomada poderia pressionar os preços do petróleo até 2030, dependendo dos investimentos.

A captura do presidente venezuelano pelas forças americanas e o anúncio de Donald Trump sobre um controle político do país representam um ponto de virada para um produtor há muito marginalizado pelas sanções internacionais e pelo subinvestimento crônico. Membro fundador da OPEP, a Venezuela detém cerca de 17% das reservas provadas de petróleo do mundo, ou quase 303 bilhões de barris. No entanto, esse potencial permaneceu amplamente inexplorado por mais de uma década.

Nos anos 1970, a produção venezuelana atingia cerca de 3,5 milhões de barris por dia (b/d), ou mais de 7% da oferta mundial. Caiu para menos de 2 milhões b/d na década de 2010, antes de se estabilizar em torno de 1,1 milhão b/d no ano passado, ou apenas 1% da produção mundial. Algumas estimativas apontam até um nível próximo de 800 mil b/d nos últimos meses, refletindo o estado degradado das infraestruturas e as persistentes restrições operacionais.

Segundo o JPMorgan, uma mudança de regime poderia desencadear um aumento gradual, porém significativo, da produção. Os analistas do banco estimam que a Venezuela poderia elevar sua oferta para 1,3–1,4 milhão b/d em dois anos, chegando a até 2,5 milhões b/d na próxima década, à medida que as capacidades existentes fossem reabilitadas e novos investimentos realizados. “Essas dinâmicas atualmente não estão incorporadas na parte de longo prazo da curva de preços do petróleo”, destacam.

O Goldman Sachs adota uma abordagem mais cautelosa, mas converge sobre o impacto potencial de médio e longo prazo. Em nota de 4 de janeiro, o banco avalia que a recuperação da produção venezuelana exigiria investimentos pesados e estabilidade política duradoura. Em um cenário em que a produção atinja 2 milhões b/d, o Goldman projeta um efeito de baixa de cerca de 4 dólares por barril nos preços do petróleo até 2030.

No curto prazo, entretanto, o impacto permaneceria “ambíguo, mas modesto”, dependendo amplamente da evolução da política americana de sanções. Por enquanto, o Goldman mantém inalteradas suas previsões para 2026, com o Brent médio a 56 dólares por barril e o WTI a 52 dólares, antecipando uma produção venezuelana ainda estável em torno de 900 mil b/d nesse horizonte.

A perspectiva de recuperação da produção depende em grande parte do papel que as empresas americanas poderiam desempenhar, algumas das quais nunca se retiraram totalmente do país, apesar das sanções e nacionalizações passadas. A Chevron é o caso mais emblemático. O grupo permaneceu no país por meio de joint ventures com a empresa estatal PDVSA, mesmo quando a maioria das grandes petrolíferas internacionais deixou a Venezuela nos anos 2000. Essa continuidade permitiu à Chevron manter conhecimento operacional sobre os ativos existentes, embora suas atividades tenham sido duramente limitadas pelo regime de sanções americanas. Em um cenário de normalização política, o grupo aparece como um dos atores melhor posicionados para contribuir na reabilitação gradual das infraestruturas.

Em contrapartida, ExxonMobil e ConocoPhillips saíram do país após as ondas de nacionalizações conduzidas sob a presidência de Hugo Chávez. Ambos os grupos iniciaram processos de arbitragem internacional para obter compensações. A ConocoPhillips busca há vários anos recuperar cerca de 12 bilhões de dólares referentes à expropriação de seus ativos, enquanto a ExxonMobil reivindicou cerca de 1,65 bilhão de dólares. Esses litígios permanecem centrais na avaliação de um possível retorno.

Segundo fontes citadas pela Reuters, a administração americana informou recentemente às líderes das grandes petrolíferas que qualquer perspectiva de compensação dependeria de um retorno à Venezuela e de investimentos significativos, financiados previamente pelas próprias empresas. Em outras palavras, os grupos petrolíferos deveriam primeiro investir capital para reconstruir um setor amplamente degradado antes de esperar recuperar parte ou a totalidade das dívidas provenientes das expropriações passadas. Essa condição aumenta o custo e o risco de retorno, especialmente porque as empresas também precisam lidar com um quadro contratual incerto, infraestruturas envelhecidas, questões de segurança e a possibilidade de instabilidade política prolongada.

Essas restrições explicam por que os analistas não preveem uma recuperação rápida da produção. A longo prazo, porém, a Venezuela poderia voltar a ser um fator estrutural no mercado global de petróleo.

Olivier de Souza

 

 

Enquanto a África enfrenta um elevado desemprego juvenil e um déficit de startups viáveis, iniciativas de financiamento e de fortalecimento de capacidades se multiplicam para estimular o empreendedorismo e o emprego, oferecendo novas oportunidades de crescimento econômico.

A Tony Elumelu Foundation (TEF) abriu oficialmente as candidaturas para o seu Programa de Empreendedorismo 2026 (TEEP), uma iniciativa destinada a apoiar jovens empreendedores. O programa oferece capital semente não reembolsável de até 5.000 dólares, treinamento profissional intensivo de 12 semanas, acompanhamento individual por mentores e oportunidades de networking internacional para empreendedores de todos os setores.

O TEEP ocorre em várias etapas, incluindo candidatura e seleção, verificação, treinamento em gestão empresarial, desenvolvimento do plano de negócios, competição de pitch e concessão do capital. Segundo informações oficiais, os beneficiários recebem os fundos por transferência eletrônica em suas contas profissionais, enquanto aqueles não selecionados podem continuar a participar do treinamento e se candidatar nos ciclos seguintes. O programa é voltado para empreendedores africanos, sejam eles donos de uma empresa ou apenas com uma ideia de projeto, e é oferecido em inglês, francês, português e árabe, a fim de abranger todo o continente.

O empreendedorismo continua sendo um vetor-chave para o emprego na África, onde cerca de 3 em cada 4 jovens adultos ocupam empregos precários, segundo o Banco Mundial. Ao fornecer capital, habilidades e rede de contatos, o TEEP busca preencher o déficit de startups viáveis e de empreendedores capacitados, contribuindo para a emergência de empresas capazes de criar empregos duradouros e dinamizar a economia local.

Este anúncio ocorre enquanto a África Subsaariana continua enfrentando um desemprego juvenil estruturalmente alto, estimado em 11,3% em 2025, e um descompasso entre formação e necessidades do mercado, de acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento.

Félicien Houindo Lokossou

 

 

Com o lançamento de sua estratégia de desenvolvimento “Visão 2030” em 2016, o Egito fez do digital um pilar essencial de seu crescimento. O desenvolvimento das infraestruturas de TIC e a promoção da inclusão digital são seus principais vetores.

Na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, o chefe de Estado egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, ressaltou a importância de abrir novas perspectivas para a indústria de telecomunicações e digital. Ele solicitou o estudo de possibilidades de desenvolvimento de centros de dados e serviços de computação em nuvem, a expansão da produção local de equipamentos de telecomunicações e a implementação de mecanismos eficazes de apoio e promoção dos produtos nacionais.

Essas questões foram abordadas em reunião com vários colaboradores, incluindo o Primeiro-Ministro Moustafa Madbouly, o Ministro das Comunicações e Tecnologias da Informação, Amr Talaat, e o Presidente Executivo da Autoridade Nacional de Regulação das Telecomunicações (NTRA), Mohamed Shamroukh.

Amr Talaat afirmou que as telecomunicações representam atualmente cerca de 6% do PIB e que o setor registra um crescimento anual entre 14% e 16% pelo sétimo ano consecutivo. O ministro também mencionou um aumento das exportações de serviços digitais, projetadas em 7,4 bilhões de dólares, contra 3,3 bilhões sete anos antes.

Ao investir no desenvolvimento de centros de dados, o Egito ganha em segurança para os dados estratégicos do Estado e de diversos setores do mercado nacional. O país também atrai empresas internacionais graças a uma credibilidade de infraestrutura que contribuirá para posicioná-lo como um polo regional de serviços digitais de alto desempenho.

As telecomunicações são atualmente um dos pilares da economia digital na África, especialmente no Egito. Reforçar a produção local de equipamentos apoiará investimentos mais acessíveis dos operadores de telecomunicações na modernização das redes. No caso dos telefones móveis produzidos localmente, devido a preços mais sustentáveis, eles devem ser mais acessíveis e contribuir para um maior uso de serviços digitais de valor agregado por uma parcela maior da população.

Segundo Amr Talaat, a capacidade de produção de celulares passou de 3,3 milhões de unidades em 2018 para 10 milhões em 2025, com valor agregado local de cerca de 40%. A meta declarada é elevar a capacidade anual para 15 milhões de unidades. Graças aos esforços de localização da indústria iniciados em 2016, incluindo vários incentivos, o país já atraiu 15 marcas internacionais, entre elas Samsung, Xiaomi, Oppo, Vivo e Nokia, além de cerca de 200 milhões de dólares em investimentos.

Muriel EDJO

 

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