Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin
Equipe Publication

Equipe Publication

Enquanto a Zâmbia multiplica projetos solares para reduzir a vulnerabilidade do seu sistema baseado na hidroeletricidade, um grande grupo mineiro opta por recorrer a uma nova capacidade hidroelétrica para as suas necessidades industriais.

O Anzana Electric Group e a mineradora FQM anunciaram, na quinta-feira, 12 de fevereiro, uma parceria para desenvolver até 50 MW de energia hidroelétrica no norte da Zâmbia até 2030. A eletricidade deverá abastecer as minas da FQM na Província do Noroeste através de um mecanismo de wheeling, com o apoio da companhia pública de eletricidade Zesco.

O grupo mineiro procura assegurar uma capacidade de base (baseload), capaz de garantir produção contínua para as suas operações. O projeto será implementado no norte do país, uma região considerada menos sujeita às variações hidrológicas sazonais.

Esta decisão surge num momento em que a Zâmbia e os atores industriais procuram reduzir a dependência da hidroeletricidade, que domina largamente a matriz elétrica e a produção da rede nacional. O país continua a ser majoritariamente abastecido por barragens, cuja produção está sujeita a eventos climáticos, como evidenciado pela severa seca de 2024. Desde então, as autoridades têm multiplicado projetos solares para diversificar a matriz e limitar a exposição do sistema elétrico.

Neste contexto, ao optar por uma nova capacidade hidroelétrica localizada numa zona considerada mais estável, a FQM adota uma abordagem focada, em vez de mudar de tecnologia. O projeto poderá também contribuir para a estabilidade da rede e facilitar a integração de novas capacidades variáveis na região.

Abdoullah Diop

Com esta captação de fundos, a empresa procura obter os recursos necessários para dar continuidade aos seus projetos de desenvolvimento, num contexto marcado pela volatilidade dos preços e por necessidades de investimento particularmente elevadas.

O grupo energético nigeriano Oando iniciou oficialmente um processo de aumento de capital destinado a levantar cerca de 220 mil milhões de nairas (162,5 milhões de USD). A operação, sujeita à aprovação da Bolsa da Nigéria — Nigerian Exchange Limited (NGX) — envolve a emissão de mais de 4,4 mil milhões de novas ações ordinárias de 50 kobos cada, oferecidas ao preço de 50 nairas por ação.

A captação será realizada através de uma emissão de direitos preferenciais, à razão de uma ação nova por cada duas ações existentes detidas pelos acionistas em 13 de fevereiro de 2026. A emissão é conduzida por vários intermediários financeiros: Vetiva Securities Limited, Anchoria Securities Limited, Coronation Securities Limited e Meristem Stockbrokers Limited, atuando como corretores da empresa.

Reestruturação do capital

Esta operação visa reforçar a estrutura financeira do grupo e apoiar as suas ambições de crescimento, num contexto marcado por elevados requisitos de investimento no setor energético nigeriano. Insere-se num plano amplo de reestruturação de capital, incluindo conversões de dívida que serão apresentadas numa próxima reunião dos órgãos diretivos. O objetivo é sanear o balanço e melhorar a flexibilidade financeira deste grupo cotado tanto na Bolsa da Nigéria como na Bolsa de Joanesburgo.

Estas operações ocorrem num momento em que a empresa demonstra alguma solidez operacional. A produção líquida aumentou 32 %, atingindo em média 32 482 barris equivalentes de petróleo por dia em 2025, segundo os resultados não auditados do exercício encerrado a 31 de dezembro de 2025. Os investimentos seguiram a mesma tendência, com despesas de capital que saltaram para 101,9 mil milhões de nairas em 2025, contra 18,5 mil milhões no ano anterior.

Sandrine Gaingne

No Gana, o cacau continua a ser a principal força motriz das exportações agrícolas. Contudo, o país dispõe também de vantagens significativas em outras culturas arbóreas, que ocupam um lugar crescente no comércio externo, mas cujo potencial permanece largamente subexplorado.

No Gana, a Autoridade para o Desenvolvimento das Culturas Arbóreas (TCDA – Tree Crops Development Authority) organiza de 17 a 20 de fevereiro o 1.º Cimeira Ganesa sobre Investimento em Culturas Perenes (GTCIS). A instituição pretende, através desta iniciativa, mobilizar 100 milhões de USD em compromissos de investimento para cada uma das seis cadeias estratégicas de culturas arbóreas que regula, perfazendo um total de 600 milhões de USD. As cadeias abrangidas são: caju, palma de óleo, seringueira, coco, karité e manga.

Sob o tema «Crescimento sustentável através de investimentos em culturas perenes: reiniciar e construir a economia verde do Gana», o GTCIS espera atrair mais de 6 000 participantes, incluindo investidores institucionais, instituições de financiamento do desenvolvimento, operadores agroindustriais, decisores políticos e parceiros comerciais vindos de África e de outras regiões.

A TCDA aposta nesta afluência para estabelecer parcerias e garantir os compromissos financeiros necessários ao desenvolvimento das cadeias. Segundo informações veiculadas pelos meios de comunicação locais, estes financiamentos, se obtidos, deverão apoiar a expansão da transformação local, melhorar os rendimentos dos produtores e reduzir a dependência das exportações de matérias-primas.

«O setor das culturas perenes do Gana representa uma das nossas oportunidades mais promissoras para um crescimento económico inclusivo e uma transformação industrial. O GTCIS 2026 não é apenas uma conferência: é uma plataforma para demonstrar a nossa prontidão para o investimento, criar parcerias duradouras e construir uma cadeia de valor competitiva a nível global», afirmou Andy Osei Okrah, diretor-geral da TCDA, citado pelo meio local Graphic Online.

Entre ambições e desafios

Esta necessidade de novos investimentos reflete a vontade de acompanhar as ambições de crescimento do governo para cada uma das cadeias agrícolas-alvo e de explorar melhor o seu potencial.

Em agosto de 2025, a TCDA estimava que cada uma destas cadeias poderia gerar até 2 mil milhões de USD em receitas de exportação anuais até 2030, com a mobilização de investimentos adequados, capacidade de transformação suficiente e sistemas de mercado estruturados. Em comparação, as exportações de caju, que se posicionam como o segundo produto agrícola mais exportado após o cacau, renderam apenas 237 milhões de USD em 2024, segundo dados do Serviço Estatístico do Gana (Ghana Statistical Service).

Desde o anúncio desta projeção ambiciosa pela TCDA, multiplicam-se iniciativas e programas de desenvolvimento em várias cadeias arbóreas. Por exemplo, Accra anunciou, a 6 de fevereiro, a intenção de duplicar a área dedicada ao cultivo de coco para 180 000 hectares até 2028, com a implementação de um programa de distribuição de sementes de alto desempenho. Este programa de expansão visa aumentar em 60 % as receitas provenientes das exportações de coco e produtos derivados, para 18,1 milhões de USD por ano, consolidando a cadeia ganesa como líder em África.

Mais cedo, em janeiro, o presidente John Dramani Mahama lançou a construção de um polo industrial dedicado ao karité em Wa, na região do Alto Gana Ocidental. O objetivo é atrair investimentos destinados a valorizar esta matéria-prima na indústria cosmética, agroalimentar, nutracêutica e farmacêutica, seguindo a nova orientação de criar mais valor na cadeia.

Quanto à cadeia da palma de óleo, também tem registado renovado interesse nas políticas públicas, que reafirmaram o objetivo da autossuficiência já em 2025. No âmbito da sua Política Nacional de Desenvolvimento Integrado da Palma de Óleo para 2026‑2032, Accra decidiu, por exemplo, criar uma linha de financiamento de 500 milhões de USD para apoiar os investimentos do setor privado na cadeia da palma de óleo.

Embora ainda não tenham sido anunciados planos de desenvolvimento de grande escala para as cadeias de caju ou seringueira, sabe-se que os atores destes setores solicitam o apoio do governo para desenvolver a transformação industrial. Em setembro passado, a Associação dos Transformadores de Borracha (Rubber Processors Association – RPA) lamentou uma perda potencial de mais de 100 milhões de USD por ano na cadeia da seringueira, destacando o baixo nível de transformação e a fraca regulação, que não incentiva a indústria.

Stéphanas Assocle

Manteve-se relativamente estável em relação a 2024. As incertezas geopolíticas globais, o aumento das taxas de juro e as tensões comerciais foram os principais fatores que explicam esta diminuição.

Bens de consumo no topo da lista

Em termos de investimentos estrangeiros, a Suíça foi o maior comprador em valor em 2025, com 3,4 mil milhões de USD investidos em 6 transações, seguida do Japão, que destinou 3 mil milhões de USD repartidos por 8 transações. O Reino Unido ocupa o terceiro lugar, com 2,7 mil milhões de USD distribuídos por 35 transações. Os Estados Unidos foram os mais ativos em número de transações, com 50 operações, à frente de França, cujas empresas realizaram 25 transações em África, num valor total de 300,61 milhões de USD.

A análise setorial das fusões e aquisições mostra que o setor de bens de consumo domina tanto em volume como em valor das transações, graças a operações significativas como a aquisição da Coca-Cola Beverages Africa (CCBA), principal engarrafadora africana do fabricante americano de bebidas The Coca-Cola Company, pela Coca-Cola Hellenic Bottling Company (HBC) por 2,6 mil milhões de USD. Este setor registou mais de 180 transações, confirmando a sua liderança nos últimos anos.

As transações no setor energético mantiveram um nível elevado de atividade, classificando-se em 2.º lugar em termos de valor. Entre as principais operações destacam-se a aquisição pelo comerciante suíço Vitol de 30 % dos interesses da petrolífera italiana Eni no projeto petrolífero Baleine na Costa do Marfim por 1,65 mil milhões de USD, a venda pela Tullow dos seus ativos quenianos à empresa dos Emirados Gulf Energy, e a compra pela Shell Nigeria Exploration and Production Company (SNEPCo) da participação de 12,5 % da TotalEnergies EP Nigeria (TEPNG) no campo nigeriano de Bonga.

O setor de serviços financeiros também registou um aumento significativo no número de transações em 2025, em comparação com 2024. No total, foram contabilizadas 5 fusões e aquisições entrantes com valor superior a 1 mil milhões de USD no continente ao longo do ano. Para 2026, a HSF Kramer prevê que a atividade se mantenha elevada, apesar da persistência das incertezas geopolíticas globais.

Esta perspetiva baseia-se na confiança dos investidores no mercado africano e na perceção de África como uma zona «relativamente neutra» para a exportação de minérios críticos e produtos energéticos para os EUA, Europa e Ásia, como demonstra o empréstimo recente de 553 milhões de USD concedido pela U.S. International Development Finance Corporation ao consórcio responsável pelo desenvolvimento do corredor de Lobito.

Walid Kéfi

 

O Quénia revelou, em Adis Abeba, duas plataformas digitais destinadas a transformar as embaixadas africanas em centros operacionais de comércio. A iniciativa visa acelerar a implementação da Zona de Livre-Comércio Continental Africana (ZLECAf), facilitando a concretização de acordos de investimento e de trocas intra-africanas.

O Quénia anunciou, na semana passada, o lançamento do BiasharaLink e do Deal House, duas plataformas digitais destinadas a reforçar a diplomacia económica e a estimular o comércio intra-africano.

Apresentada à margem da 39.ª Cimeira da União Africana (UA), a iniciativa pretende colmatar o défice de execução dos acordos comerciais no continente, numa altura em que os chefes de Estado multiplicam os apelos a soluções concretas para tornar operacional a Zona de Livre-Comércio Continental Africana (ZLECAf).

As ferramentas foram desenvolvidas pela Real Sources Africa (RSA), uma instituição panafricana especializada em infraestruturas comerciais e reconhecida pelo Quénia como sociedade nacional de comércio no âmbito da ZLECAf. O objetivo é explorar o potencial de mais de 1 000 missões diplomáticas africanas, transformando-as em facilitadoras ativas de transações.

O BiasharaLink permitirá às embaixadas, exportadores e investidores identificar e estruturar oportunidades comerciais alinhadas com as prioridades da Zona de Livre-Comércio. O Deal House assegurará o acompanhamento operacional: validação das oportunidades, ligação a parceiros credíveis, acesso ao financiamento e apoio até à assinatura dos contratos.

«Trata-se de um novo modelo de diplomacia económica, orientado para resultados», declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Musalia Mudavadi.

Segundo a RSA, as missões diplomáticas africanas recebem cerca de 3 500 pedidos comerciais por mês, mas menos de 1 % resultam em acordos formais, o que evidencia a necessidade de um mecanismo mais eficaz de acompanhamento e execução.

O secretário-geral da ZLECAf, Wamkele Mene, sublinhou que África deve reforçar o seu mercado interno face às crescentes tensões nas cadeias de abastecimento globais.

A iniciativa coloca igualmente a tónica na integração das PME e das empresas lideradas por mulheres nas cadeias de valor regionais, com o objetivo declarado de transformar as ambições de integração continental em transações concretas geradoras de emprego e crescimento.

 

Com a abertura de um escritório em Abidjan, a Invictus Capital & Finance ambiciona posicionar-se numa parte significativa das operações do mercado de capitais da UEMOA. Esta iniciativa insere-se num contexto marfinense concorrencial, marcado pela presença de atores bem implantados como a NSIA Finance e a Phoenix Capital Management.

A Invictus Capital & Finance (ICF) anunciou, na segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, a abertura de um escritório de representação em Abidjan, na Costa do Marfim. Esta sociedade de gestão e intermediação (SGI), sediada em Dakar, no Senegal, e dirigida por Isaac Mbaye, reforça assim a sua presença na União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA).

O objetivo é aproximar a sociedade dos emitentes e investidores ativos na praça marfinense e no mercado regional organizado em torno da Bourse régionale des valeurs mobilières (BRVM). A direção do escritório marfinense foi confiada a Edna Anasse-Zohou. A sua missão consiste em desenvolver relações com empresas locais, investidores institucionais e entidades públicas que recorrem ao mercado de capitais para financiar os seus projetos.

Um mercado estruturado, mas concorrencial

Até à data, a UEMOA conta com 38 sociedades de gestão e intermediação autorizadas. A Costa do Marfim concentra, por si só, 18 dessas estruturas, o que a torna o principal polo de atividade da zona. A presença da BRVM em Abidjan, bem como o peso da economia marfinense na União, explicam esta concentração.

A ICF entra, assim, num mercado onde já estão implantados operadores como a Bridges Securities, além das já referidas NSIA Finance e Phoenix Capital Management. Estes atores dispõem de uma base de clientes consolidada e de um conhecimento aprofundado do mercado local. O desafio para a ICF será diferenciar-se pela qualidade do seu acompanhamento e pela capacidade de estruturar operações adaptadas às necessidades dos emitentes.

Estratégia de expansão

A capacidade de acompanhar empresas na estruturação de emissões obrigacionistas, introduções em bolsa ou operações de angariação de capital será determinante. O aumento da concorrência exige domínio das exigências regulamentares e uma compreensão fina das expectativas dos investidores.

Mais do que uma simples abertura de escritório, esta implantação traduz uma leitura estratégica do mercado regional. Confirma que a praça de Abidjan continua a ser um centro de decisão para os mercados de capitais na África Ocidental e que a competição entre intermediários financeiros se intensifica na UEMOA.

Segundo estatísticas publicadas em janeiro de 2026 pela BRVM, a capitalização do mercado acionista situava-se em cerca de 14 070 mil milhões de FCFA (25,4 mil milhões de dólares) em 30 de janeiro de 2026, face a 13 331 mil milhões de FCFA em 31 de dezembro de 2025. Esta evolução corresponde a um aumento de 5,54%, ou seja, um ganho de 738,95 mil milhões de FCFA num mês.

Chamberline Moko

 

O produto interno bruto (PIB) per capita do Togo ultrapassa os 1300 dólares em 2025, impulsionado por um crescimento económico estimado em mais de 6% e pela revisão em baixa dos dados demográficos realizada pelas Nações Unidas. Segundo as novas estimativas resultantes do recenseamento de 2022, o ajustamento da população contribuiu mecanicamente para a melhoria deste indicador fundamental.

O PIB per capita do Togo ultrapassa, em 2025, a fasquia dos 1300 dólares. Esta evolução explica-se tanto pelo aumento da atividade económica como pela recente revisão dos dados demográficos efetuada pelas Nações Unidas.

Em janeiro de 2026, a Divisão da População da ONU publicou uma atualização intermédia das estimativas demográficas do Togo, baseada nos resultados detalhados do recenseamento geral de 2022. Esta revisão corrigiu um desvio de cerca de 12% face às estimativas anteriores, ajustando a população para um nível ligeiramente inferior nos anos de 2022 e 2023.

Ora, a população entra diretamente no cálculo do PIB per capita. Este rácio é obtido dividindo a riqueza nacional produzida num ano pelo número total de habitantes. Quando a base demográfica é revista em baixa, mantendo-se constante a produção, o indicador aumenta mecanicamente.

Com base nas novas estimativas, o PIB per capita situava-se em 1206,93 dólares em 2023, passando para 1281,04 dólares em 2024. Em 2025, a continuação do crescimento económico, estimado em mais de 6%, combinada com um abrandamento progressivo do crescimento demográfico — com a taxa de crescimento natural a passar de 2,36% em 2024 para 2,34% em 2025 — permite que o rácio ultrapasse o limiar dos 1300 dólares.

Um indicador de referência

O PIB per capita é um dos indicadores mais utilizados para medir o nível médio de riqueza e comparar o desempenho económico entre países. É tido em conta pelas instituições financeiras internacionais, pelas agências de notação e pelos parceiros técnicos nas suas análises.

A ultrapassagem deste limiar reflete, assim, uma dupla dinâmica: por um lado, a melhoria da produção nacional; por outro, o aperfeiçoamento das bases estatísticas que servem de suporte ao cálculo dos indicadores macroeconómicos.

 

Relançado em Monróvia, o projeto do Eco continua a apontar para 2027. Mas a primeira vaga evocada por Abuja poderá avançar sem a UEMOA, embora esta já esteja unificada monetariamente. Por detrás da exibição política, as divergências económicas fazem pairar o risco de uma integração a várias velocidades, entre ambições soberanistas e fragilidades macroeconómicas.

Reunidos na semana passada em Monróvia, capital da Libéria, os governadores dos bancos centrais de doze países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) relançaram o processo, mil vezes adiado, da moeda única da África Ocidental. Objetivo declarado: 2027. As discussões técnicas prosseguem, na sequência das decisões tomadas na cimeira de dezembro de 2025 em Abuja, onde os chefes de Estado reafirmaram o seu compromisso de acelerar a convergência orçamental e monetária.

Mas, por detrás do discurso voluntarista, uma pequena frase do comunicado da presidência nigeriana altera o cenário. A primeira fase do projeto poderá avançar sem os países da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA). Ou seja, sem os oito Estados que já partilham uma moeda comum e um banco central integrado.

«A primeira fase de implementação deverá abranger a Libéria, a Nigéria, o Gana, a Serra Leoa, a Guiné e a Gâmbia, sob reserva do cumprimento dos critérios de convergência macroeconómica acordados e da finalização das estruturas de governação institucional», pode ler-se no comunicado.

Uma união monetária a duas velocidades?

O Eco versão 2027 poderá, assim, nascer sem a zona CFA. Uma hipótese que altera o equilíbrio histórico do projeto e relança o espectro de uma união monetária a várias velocidades. Os oito países da UEMOA – Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo – partilham já o franco CFA, emitido pelo Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) e indexado ao euro.

Em 2019-2020, estes Estados aprovaram uma reforma simbólica: a transformação do franco CFA em «Eco» para a zona UEMOA, com o fim da obrigação de centralização de parte das reservas cambiais no Tesouro francês e a retirada dos representantes franceses dos órgãos de governação. Esta reforma visava modernizar o quadro institucional, reforçar a soberania percecionada da zona e preparar, a prazo, o alargamento ao conjunto da CEDEAO. Mas não resultou na moeda única da África Ocidental tal como prevista para quinze países.

Neste contexto, a ausência dos países da UEMOA na primeira vaga evocada por Abuja levanta a questão de uma integração monetária de geometria variável. Há vários anos que o projeto Eco enfrenta divergências macroeconómicas persistentes entre economias anglófonas e francófonas: níveis de inflação heterogéneos, défices orçamentais elevados, dívidas públicas em crescimento e forte volatilidade cambial em vários países. Os recentes choques económicos, marcados por pressões inflacionistas e tensões sobre as moedas, complicaram ainda mais o percurso.

Para as autoridades regionais, o momento seria agora de pragmatismo. Em vez de esperar por uma convergência perfeita entre os quinze Estados-membros, a opção passaria por avançar com um núcleo de países considerados politicamente prontos para mutualizar a sua soberania monetária e harmonizar as suas políticas orçamentais.

Um núcleo duro… longe dos critérios de convergência

Surge, porém, um paradoxo. O núcleo de países destacado por Abuja é também aquele que, atualmente, menos cumpre os critérios de convergência. Por outras palavras, os países menos convergentes poderão ser os primeiros a partilhar uma moeda. A Nigéria, peso pesado da região, é o exemplo mais evidente. Inflação persistentemente a dois dígitos, naira sob pressão, revisões sucessivas do regime cambial: a principal economia da CEDEAO continua marcada por desequilíbrios estruturais. Ora, representando mais de metade do PIB do bloco, a sua estabilidade condiciona inevitavelmente a de qualquer futura união monetária.

O Gana, outro pilar apontado, não está muito mais avançado. É certo que a economia recupera gradualmente após a crise da dívida e o recurso ao FMI. Mas a inflação permanece elevada, a dívida pública é pesada e a moeda vulnerável a choques externos. Nestas condições, é difícil considerar que a base macroeconómica seja já suficientemente sólida para sustentar uma moeda comum credível.

Assim, a questão central deixa de ser apenas o calendário, passando a ser a credibilidade macroeconómica do futuro conjunto. Uma união monetária lançada sem a UEMOA, mas sustentada por economias ainda frágeis, colocaria um desafio inédito: construir disciplina monetária não a partir de um núcleo já estabilizado, mas em torno de Estados envolvidos em trajetórias de ajustamento ainda incertas.

O desafio é ainda maior porque países como a Costa do Marfim — que representa, por si só, cerca de 40 % do PIB da UEMOA — não dão, nesta fase, qualquer sinal claro de quererem transitar para uma nova zona monetária alargada. Abidjan hesita em diluir o seu papel motor na união atual, onde detém influência determinante, e em expor-se às turbulências de economias mais dependentes, nomeadamente a da Nigéria, ainda fortemente ligada às flutuações dos preços do petróleo.

O Eco, arma de rutura para o Sahel?

O que parece uma complicação institucional poderá, na realidade, transformar-se numa oportunidade política para os países da Aliança dos Estados do Sahel (AES) — Mali, Burkina Faso e Níger. Estes Estados fizeram da denúncia do franco CFA um ato fundador da sua nova doutrina soberanista. A sua crítica dirige-se menos à ideia de uma moeda comum do que à sua histórica ligação à França e ao euro.

Neste contexto, um Eco lançado sem a UEMOA, portanto sem a base CFA, poderá surgir como uma espécie de revanche simbólica. Uma moeda regional liberta da herança colonial seria politicamente mais fácil de defender do que uma simples reforma cosmética do sistema existente. Por outras palavras, o Eco versão «núcleo anglófono» poderia ser percecionado como uma alternativa ao CFA, e não como a sua mera transformação. O cenário economicamente mais frágil poderia, assim, revelar-se o mais poderoso politicamente. Porque, nestas capitais sahelianas, a questão monetária é прежде de tudo narrativa: trata-se de encarnar a rutura.

No Senegal, o primeiro-ministro Ousmane Sonko reavivou o debate sobre a soberania monetária, denunciando o franco CFA como instrumento de controlo em vez de estabilidade e apelando a uma reforma profunda, e não a simples retoques simbólicos.

Resta saber se estas posições políticas poderão articular-se com as exigências técnicas e macroeconómicas inerentes à criação de uma união monetária credível e duradoura — como, aliás, recorda o comunicado oficial, que insiste numa arquitetura inspirada no modelo da União Europeia.

Fiacre E. Kakpo

 

Enquanto Angola continua confrontada com um elevado desemprego e com forte pressão demográfica no mercado de trabalho, as autoridades destacam dados oficiais considerados “encorajadores” para ilustrar os efeitos das suas políticas de empregabilidade e formação.

Segundo estatísticas publicadas em outubro passado pelo Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social de Angola, foram criados mais de 1,1 milhões de empregos entre 2018 e 2025. Para a ministra Teresa Rodrigues Dias (foto), estes resultados refletem políticas públicas coerentes e articuladas, com vista a estimular a inserção profissional, formalizar a atividade económica e reforçar a proteção social.

Este dado inclui os empregos registados no setor formal através dos mecanismos administrativos de declaração e acompanhamento. Ele traduz uma dinâmica sustentada ao longo de vários anos, marcada pela retoma pós-crise petrolífera, pelos ajustes macroeconómicos, bem como pelos esforços de diversificação da economia. Ilustra também a modernização das ferramentas estatísticas do ministério e a melhoria da recolha e do tratamento da informação sobre emprego, função pública e formação profissional.

Para além do volume de empregos, o ministério sublinha os progressos na formação. Em 2024, mais de 150.000 pessoas beneficiaram de formações profissionais através do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional, elevando para várias centenas de milhares o número de beneficiários no período recente. O objetivo é alinhar melhor as competências com as necessidades do mercado e melhorar a empregabilidade dos jovens, particularmente expostos ao desemprego.

Um mercado de trabalho ainda sob tensão

Os dados mais recentes mostram que o desemprego continua elevado. No segundo trimestre de 2025, a taxa de desemprego da população com 15 anos ou mais situava-se em torno de 28,8%, segundo a Inquérito ao Emprego em Angola 2025, publicado em agosto de 2025 pelo Instituto Nacional de Estatística. Apesar da tendência de queda em relação aos anos anteriores, quase um trabalhador ativo em cada três continua sem emprego.

A situação dos jovens continua preocupante. Os jovens entre 15 e 24 anos concentram uma parte significativa das pessoas sem emprego, aumentando os riscos sociais e económicos num país com população predominantemente jovem. O inquérito indica ainda que a população ativa com 15 anos ou mais aumentou 0,2% face ao trimestre anterior, refletindo a chegada regular de novos diplomados ao mercado de trabalho e acentuando a pressão sobre a capacidade da economia formal em absorvê-los.

A dimensão do setor informal constitui outro grande desafio. Mais de 78% dos trabalhadores exercem ainda atividades não declaradas, muitas vezes precárias e pouco produtivas. Isto limita o acesso à proteção social, reduz a receita fiscal e dificulta a medição precisa da evolução real do emprego. Neste contexto, o aumento dos empregos formais registados constitui um sinal positivo, mas reflete apenas uma parte do mercado de trabalho.

Num país cuja economia continua largamente dependente dos hidrocarbonetos, apesar dos esforços de diversificação, o Fundo Monetário Internacional salienta que criar empregos sustentáveis e qualificados continua a ser um grande desafio. Os setores do comércio, serviços, construção e agricultura absorvem uma parte significativa da mão-de-obra, mas desenvolver empregos de elevado valor acrescentado é essencial para apoiar o crescimento e a inserção profissional.

O número avançado pelo governo deve ser interpretado à luz destas restrições estruturais. Ele reflete uma dinâmica real de criação e formalização de empregos ao longo de cinco anos, mas o seu impacto depende da evolução do desemprego, da qualidade dos postos criados e da capacidade do sistema de formação para responder às necessidades de uma economia em mudança.

Félicien Houindo Lokossou

 

O Forte Jesus é uma fortaleza situada em Mombaça, na costa do Quénia, à entrada do porto natural que durante muito tempo fez da cidade um ponto de ligação do comércio no oceano Índico. A construção foi realizada entre 1593 e 1596 por ordem do rei Filipe II de Espanha, que então também governava Portugal, com o objetivo de proteger os interesses portugueses na costa suaíli. O projeto foi confiado ao arquiteto italiano Giovanni Battista Cairati, envolvido em várias obras militares do império português.

1 00h0054n8452F C 1200 800 Q70

A fortaleza foi erguida sobre um promontório de coral com vista para o mar. A sua planta segue os princípios da arquitetura militar do Renascimento, adaptados ao uso de armas de fogo. Vista do alto, a forma do forte foi muitas vezes descrita como semelhante a uma figura humana, com baluartes colocados de modo a cobrir os principais ângulos de ataque. As muralhas, construídas com pedra coralina ligada por argamassa de cal, ultrapassam quinze metros de altura em alguns pontos. O conjunto incluía baluartes, muralhas, posições de artilharia, armazéns e cisternas de água concebidas para garantir autonomia durante cercos.

2 HJ3d12000h003tpgD9BD C 1200 800 Q70

O Forte Jesus esteve no centro das disputas pelo controlo da costa da África Oriental. Ao longo do século XVII, foi alvo de vários cercos. O episódio mais marcante ocorreu entre 1696 e 1698, quando forças do Sultanato de Omã cercaram a fortaleza durante quase três anos antes de a conquistarem aos portugueses. Nos anos seguintes, o controlo alternou entre Omã e Portugal até ao início do século XVIII, quando a presença omani se consolidou de forma mais duradoura. No século XIX, o forte foi utilizado por autoridades locais e, mais tarde, pelos britânicos, que o transformaram em prisão após a criação do protetorado na costa queniana no final desse período.

3 Hww4712000cr6nbbzFC46 C 1200 800 Q70

Com o tempo, a função militar do forte foi perdendo importância. Em meados do século XX, quando o Quénia ainda se encontrava sob administração colonial britânica, foram iniciadas obras de restauro para preservar a estrutura. Após a independência em 1963, o Forte Jesus foi integrado no património nacional queniano. Atualmente, abriga um museu gerido pelos Museus Nacionais do Quénia, com coleções de objetos provenientes de escavações arqueológicas, incluindo cerâmicas, armas e artefactos ligados às rotas marítimas entre a África Oriental, a Península Arábica, a Índia e a Europa.

4 HJ3j12000h003z1o9E67 C 1200 800 Q70

Em 2011, o Forte Jesus foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO. A organização reconheceu o seu valor como testemunho material dos intercâmbios culturais e das redes comerciais do oceano Índico, bem como das mudanças políticas que marcaram a costa suaíli entre os séculos XVI e XIX. Hoje, o local continua a ser uma referência histórica em Mombaça e um ponto de estudo para compreender a longa história de contactos entre a África Oriental e outras regiões do mundo.

5 pt106631.1315261.w1000

 

Page 72 sur 240

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.