O mercado marroquino de bebidas gaseificadas regista um forte crescimento, impulsionado pela urbanização, pela evolução dos hábitos de consumo e pelo aumento demográfico. Esta dinâmica abre oportunidades de investimento em segmentos conexos, como os gases alimentares.
A Compagnie Sucrière du Maroc (Cosumar) inicia uma nova fase de diversificação industrial, investindo num projeto de produção de dióxido de carbono alimentar líquido (LCO₂), um insumo estratégico amplamente utilizado na indústria de bebidas gaseificadas.
Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais na segunda-feira, 6 de abril, o projeto baseia-se num processo inovador que consiste em recuperar e valorizar o dióxido de carbono proveniente das atividades industriais existentes da Cosumar, purificando-o e transformando-o em CO₂ líquido conforme os padrões internacionais da International Society of Beverage Technologists (ISBT) e da European Industrial Gases Association (EIGA).
Um plano de investimento de mais de 53 milhões de dólares
De acordo com os responsáveis do grupo, o projeto mobiliza um investimento superior a 500 milhões de dirhams (53 milhões de dólares). Está prevista a instalação de uma primeira unidade de produção de LCO₂ no site de Casablanca que abriga a refinaria da Cosumar, com uma capacidade inicial de 20.000 toneladas por ano, com entrada em funcionamento prevista até ao final de 2026.
A longo prazo, a Cosumar planeia expandir o programa para outros sites industriais açucareiros, aumentando a oferta de LCO₂. Vale lembrar que o fabricante histórico de açúcar em Marrocos opera oito unidades industriais e obtém matéria-prima (beterraba e cana-de-açúcar) junto de uma rede de mais de 40.000 agricultores parceiros.
Enquanto o Marrocos depende inteiramente das importações para o fornecimento de CO₂ alimentar, a Cosumar vê nesta iniciativa a oportunidade de substituir gradualmente estas importações e conquistar uma fatia de um mercado impulsionado pela indústria de bebidas gaseificadas.
No país, o mercado de bebidas gaseificadas, incluindo refrigerantes, águas minerais com gás e bebidas energéticas gaseificadas, está em plena expansão. Segundo projeções da Strategy Helix, empresa internacional de consultoria e estudos de mercado baseada na Índia, este mercado deverá crescer em média 3,6% ao ano entre 2025 e 2030, atingindo 810,2 milhões de dólares. A indústria local é dominada por multinacionais como Coca-Cola e Pepsi, cujos sites industriais representam potenciais clientes para o LCO₂.
Além das bebidas gaseificadas, o LCO₂ também tem aplicações na indústria farmacêutica, criogenia, agricultura e dessalinização da água do mar, ampliando os potenciais mercados para a Cosumar.
Uma estratégia de integração industrial
Para além da substituição das importações, a produção de LCO₂ reflete a vontade do único operador açucareiro de Marrocos em reforçar a integração industrial. Ao valorizar um subproduto das suas atividades, a Cosumar transforma um fluxo pouco explorado numa fonte adicional de receita.
O objetivo é também aumentar os rendimentos gerados por atividades que até agora se concentravam principalmente no açúcar e na valorização de subprodutos como melaço e pellets (polpa desidratada de beterraba enriquecida com melaço), utilizados na produção de leveduras alimentares, álcool e alimentação animal. Em 2025, a Cosumar registou um crescimento de 2,4% na faturação anual, atingindo 10,48 mil milhões de dirhams (1,1 mil milhões de dólares).
Stéphanas Assocle
Uma nova entidade inicia atividades em Casablanca num mercado em expansão, caracterizado pelo aumento das operações de fusões e aquisições, captação de capitais e pelo papel crescente dos bancos de investimento independentes.
Um novo banco de investimento independente, não afiliado a grandes grupos bancários, entrou no mercado marroquino. A Almar Capital, fundada por Amine Alami, iniciou as suas atividades na segunda-feira, 6 de abril, em Casablanca. A nova estrutura foca-se em operações de fusões e aquisições, captação de capital, reestruturações e consultoria estratégica, dirigidas a grandes empresas e Estados.
«O lançamento da Almar Capital ocorre num contexto em que o mercado marroquino apresenta uma dinâmica de investimento sustentada, apoiada por fundamentos sólidos e pelo crescimento do capital privado. O Marrocos torna-se um ponto de referência natural entre capitais internacionais, empreendedores e projetos de longo prazo», indicou o banco.
Neste contexto, a instituição pretende apoiar dirigentes, acionistas e investidores institucionais na condução das suas operações. A sua atuação concentra-se em consultoria para decisões estratégicas e transações estruturantes. Segundo o seu fundador, esta iniciativa responde à transformação do mercado, caracterizada pela complexidade crescente das operações e pela exigência maior em termos de execução.
Um posicionamento apoiado em experiência em consultoria financeira
A Almar Capital baseia-se na trajetória do seu fundador, que dirigiu o banco de investimento independente marroquino Red Med Capital entre 2016 e 2025. Amine Alami possui experiência em consultoria financeira e acompanhamento de operações envolvendo grupos marroquinos e internacionais.
A empresa conta também com Inasse Aljami, especializada em transações. A Almar Capital não atua como banco de depósitos nem como instituição de crédito, concentrando-se em operações de grande escala.
Um mercado competitivo
A Almar Capital opera num ambiente estruturado com vários bancos de investimento independentes estabelecidos, como a CDG Capital, filial da Caisse de Dépôt et de Gestion, e a Attijari Finances Corp, banco de investimento do grupo Attijariwafa Bank, fundado há mais de 25 anos. Outras instituições, como Upline Group, especializada em M&A, consultoria estratégica, gestão de ativos e intermediação financeira, bem como BMCE Capital, banco de investimento do grupo Bank of Africa, atuam igualmente neste segmento, ao lado de novas iniciativas como a Fineopolis Capital, lançada em janeiro de 2026 como o primeiro banco de investimento focado em finanças éticas e participativas no Marrocos.
Segundo o Conselho da Concorrência de Marrocos, citado pelo Challenge.ma, o setor de bancos de investimento independentes no país tem crescido de forma consistente desde 2010, representando cerca de 15-20% das transações totais (estimadas em 25 mil milhões de dirhams, ou 2,6 mil milhões de dólares em 2024), num mercado bancário dominado por grandes grupos como Attijariwafa Bank (35% de quota de mercado) e BMCE Capital.
Esta evolução reflete o desenvolvimento de estruturas especializadas em consultoria financeira e a diversificação de atores no mercado. A entrada da Almar Capital no Marrocos integra-se nesta dinâmica e evidencia a evolução das necessidades de acompanhamento em operações financeiras.
Chamberline Moko
Inspirando-se no Nigerian Exchange Group, a BRVM inicia uma fase de preparação para o lançamento de ETFs e produtos derivados, com o objetivo de adaptar a sua oferta às evoluções dos mercados financeiros.
A BRVM prepara-se, pela primeira vez, para introduzir no mercado financeiro regional da UEMOA os ETFs (Exchange-Traded Funds) e produtos derivados.
Nesse sentido, uma delegação liderada pelo diretor-geral da BRVM, Dr. Edoh Kossi Amenounve, realizou na quinta-feira, 2 de abril, uma visita de trabalho ao Nigerian Exchange Group (NGX Group) para aproveitar a sua experiência.
«Esta visita teve como principal objetivo enriquecer-se com a experiência da Bolsa da Nigéria em produtos derivados e ETFs, em vista do lançamento próximo destes produtos no Mercado Financeiro Regional da UEMOA», indicou a BRVM no Facebook.
Um ETF é um fundo de investimento cotado em bolsa que replica o desempenho de um índice. Ao comprar um único ETF, é possível investir em várias empresas cotadas simultaneamente. Os ETFs permitem diversificação fácil, redução de riscos, investimento simples e custos inferiores aos fundos tradicionais. Um produto derivado, por sua vez, é um instrumento financeiro cujo valor depende de outro ativo chamado ativo subjacente, que pode ser uma ação, uma matéria-prima (petróleo, ouro), uma moeda ou um índice bursátil. Os produtos derivados permitem especular sobre a subida ou descida de preços, proteger-se contra riscos e investir com menos capital inicial.
Retorno de experiência
As trocas com o NGX focaram-se nos parâmetros necessários para o lançamento de ETFs e produtos derivados na BRVM. O NGX partilhou a sua experiência quanto às escolhas tecnológicas, seleção de produtos a cotar (futuros ou opções sobre índices, ações individuais ou matérias-primas como o ouro) e organização das infraestruturas de mercado. As discussões abordaram também a criação de uma câmara de compensação e o papel dos intervenientes que asseguram a liquidez.
A experiência nigeriana baseia-se num mercado com 12 ETFs cotados, incluindo um sobre ouro, e 4 produtos derivados: dois sobre o índice NGX 30, que reúne as 30 empresas mais capitalizadas e líquidas da bolsa, e dois sobre o índice NGX Pension, que lista ações elegíveis para investimento pelos gestores de fundos de pensão. O NGX é a terceira bolsa africana, com 156 empresas cotadas e uma capitalização de cerca de 99 mil milhões de dólares.
Uma evolução esperada do mercado financeiro regional
A introdução próxima de ETFs e produtos derivados na BRVM marcará uma evolução importante do mercado financeiro regional, devendo ampliar a base de investidores e reforçar os volumes de negociação. Esta iniciativa aproxima a BRVM das práticas observadas em outras praças financeiras, como o NGX, onde estes instrumentos já são utilizados.
Esta dinâmica fomentará o surgimento de novas atividades ligadas à gestão de ativos e operações de mercado, reforçando o posicionamento da BRVM no ambiente financeiro regional e acompanhando os esforços de integração na UEMOA. O sucesso deste projeto exigirá, contudo, um enquadramento operacional e regulamentar adequado, para assegurar o bom funcionamento do mercado e a participação efetiva de todos os atores.
Chamberline Moko
As tensões em torno do estreito de Ormuz estão a perturbar os fluxos petrolíferos mundiais, levando os importadores a tentar assegurar os seus abastecimentos e a diversificar as suas fontes para países mais estáveis.
A guerra no Irão perturbou profundamente os mercados energéticos globais. O encerramento efetivo do estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e gás, provocou uma forte volatilidade dos preços e evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento. Neste contexto, as grandes economias importadoras procuram reduzir a sua exposição a esta zona sob tensão.
A Coreia do Sul, fortemente dependente das importações de hidrocarbonetos, insere-se nesta dinâmica. Na segunda-feira, 6 de abril, as autoridades de Seul anunciaram o envio de emissários especiais para vários países, incluindo a Argélia, a Arábia Saudita e Omã, com o objetivo de garantir novas fontes de abastecimento de petróleo bruto. A informação, avançada pelo deputado Ahn Do-geol, do Partido Democrático da Coreia no poder, foi amplamente divulgada pela imprensa local.
Esta iniciativa traduz a vontade de diversificar os fornecedores e, sobretudo, de contornar as rotas marítimas mais expostas a perturbações geopolíticas. Neste contexto, a Argélia desperta um interesse crescente. Já parceira energética da Coreia do Sul, afirma-se progressivamente como uma alternativa credível por várias razões. Por um lado, a sua capacidade de produção e exportações regulares fazem dela um fornecedor fiável num cenário de tensões nos mercados. Por outro, as suas infraestruturas e rotas de exportação, menos dependentes do estreito de Ormuz, oferecem uma resiliência particularmente valorizada pelos importadores.
Esta atratividade insere-se numa tendência mais ampla. A Argélia está também no centro da estratégia energética de vários países europeus, nomeadamente Itália, que procura compensar as perturbações no abastecimento de gás natural liquefeito proveniente do Qatar. O aumento dos fluxos argelinos para a Europa ilustra este reposicionamento, com uma procura crescente por fornecimentos via gasoduto, considerados mais estáveis do que os fluxos marítimos.
Para a Coreia do Sul, a segurança destas novas rotas não passa apenas pela via diplomática. As autoridades estudam igualmente soluções logísticas, como o recurso a portos situados fora do Golfo Pérsico, nomeadamente no mar Vermelho. O objetivo é reduzir os riscos associados à passagem por zonas de conflito, mantendo ao mesmo tempo um nível de abastecimento suficiente para a economia nacional.
Paralelamente, Seul ativa os seus mecanismos internos de gestão de crise. O recurso às reservas estratégicas de petróleo e o reforço do acompanhamento das cadeias de abastecimento industrial permitem limitar os impactos imediatos da perturbação dos fluxos. Estas medidas demonstram a necessidade de uma resposta simultaneamente diplomática e operacional face a um choque energético de grande magnitude.
A mais longo prazo, a situação atual confirma uma recomposição dos equilíbrios energéticos mundiais. A Coreia do Sul, tal como outros países importadores, procura afastar-se das zonas mais instáveis e reforçar os seus laços com fornecedores considerados mais previsíveis. Neste contexto, a Argélia surge como um ator cada vez mais central, chamado a desempenhar um papel estruturante nas novas rotas de abastecimento energético.
Olivier de Souza
Este voo inaugural Bom Jesus–Abidjan oficializa um acordo assinado em 2025 entre a Costa do Marfim e Angola, estabelecendo uma ligação direta entre os dois países. O objetivo é dinamizar a mobilidade, o comércio e a cooperação bilateral.
A companhia aérea angolana TAAG realizou, na segunda-feira, 6 de abril, o lançamento do voo inaugural entre a Costa do Marfim e Angola, ligando a comuna de Bom Jesus, na província de Icolo e Bengo (a 51 km da capital angolana, Luanda), à cidade de Abidjan. A informação foi divulgada pelo meio estatal Agência Angola Press (Angop).
A abertura desta nova ligação visa reforçar a mobilidade, o comércio e a cooperação entre os dois países, ao mesmo tempo que amplia a oferta de destinos da companhia.
Segundo a Angop, esta ligação, que melhora a conectividade regional, será assegurada três vezes por semana (segundas, quartas e sextas-feiras), com um voo direto de cerca de quatro horas. Será operada principalmente por um Airbus A220-300, com capacidade para 137 passageiros, dos quais 12 em classe executiva e 125 em classe económica.
Esta ligação permitirá igualmente aos passageiros marfinenses aceder, via Luanda, a destinos como Lisboa, Joanesburgo, Cidade do Cabo e São Paulo.
«Com esta ligação, a TAAG reafirma o seu plano de expansão no continente e consolida o posicionamento de Angola como um ponto de ligação regional estratégico», declarou Clóvis Rosa, presidente do Conselho de Administração da companhia, citado pela Angop.
Em junho de 2025, a Costa do Marfim e Angola tinham manifestado a vontade de serem ligados por um voo direto. A assinatura de um acordo entre o ministro marfinense do Comércio e da Indústria, Souleymane Diarrassouba, e o ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas D’Abreu, concretizou essa intenção, com vista a reforçar a cooperação entre os dois países.
Os dois países reforçaram os seus laços diplomáticos e económicos. Em junho de 2024, assinaram catorze acordos de cooperação abrangendo setores estratégicos como a agricultura, as minas, os hidrocarbonetos, as TIC e a saúde. Este quadro institucional visa diversificar as suas economias e reforçar o comércio intra-africano, nomeadamente no contexto da Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZLECAf).
Lydie Mobio
O governo congolês assegura que o acolhimento será financiado por Washington e que a permanência será estritamente controlada e limitada no tempo.
O governo da República Democrática do Congo (RDC) anunciou a implementação, a partir de abril de 2026, de um dispositivo de acolhimento temporário destinado a determinados cidadãos de países terceiros abrangidos por mecanismos migratórios dos Estados Unidos.
Segundo o comunicado do Ministério da Comunicação e dos Media, esta iniciativa «é estabelecida no respeito pela soberania da RDC em matéria de gestão do acesso e da permanência de estrangeiros no seu território, e insere-se no quadro dos seus compromissos internacionais e regionais em matéria de proteção dos migrantes». O objetivo é acolher estas pessoas por um período limitado, num enquadramento administrativo e de segurança rigoroso.
O governo precisa, no entanto, que «o apoio logístico e técnico será assegurado pelo governo americano através de estruturas especializadas na mobilidade de pessoas a nível mundial. Nenhum encargo financeiro será suportado pelo Tesouro Público da RDC».
Os locais de acolhimento foram estabelecidos na cidade-província de Kinshasa, a fim de facilitar o acompanhamento administrativo, de segurança e humanitário das pessoas envolvidas. As autoridades sublinham ainda que este dispositivo não constitui nem uma instalação permanente nem um mecanismo de reinstalação duradoura.
Cada situação será objeto de uma análise individual em conformidade com as leis congolesas e com os imperativos de segurança nacional, e o Estado congolês manterá o controlo total das decisões relativas à admissão, às condições de permanência ou ao regresso das pessoas em causa.
Esta decisão surge num contexto de cooperação reforçada entre Kinshasa e Washington. A RDC assinou recentemente um acordo na área da saúde no valor de cerca de 1,2 mil milhões de dólares, destinado a financiar de forma sustentável o seu sistema de saúde. Os dois países estão também envolvidos numa parceria estratégica em torno dos recursos minerais, tendo os Estados Unidos assumido o compromisso de apoiar os esforços de estabilização no leste do país em troca de um acesso preferencial a determinados contratos mineiros.
Vários países africanos já aceitaram, nos últimos meses, acolher migrantes expulsos por Washington no âmbito de acordos designados de «país terceiro», incluindo o Ruanda, o Uganda, Eswatini e o Sudão do Sul. Estes acordos são frequentemente acompanhados de apoio financeiro ou logístico americano. Diversas organizações de defesa dos direitos humanos denunciam, no entanto, que tais acordos podem levar a violações do direito internacional, na medida em que envolvem migrantes sem qualquer ligação aos países de acolhimento.
A RDC enfrenta já uma das maiores crises de deslocação interna do mundo. Segundo as Nações Unidas, mais de sete milhões de pessoas estão deslocadas dentro do país, principalmente devido aos conflitos armados persistentes no leste do território, enquanto centenas de milhares de refugiados estrangeiros vivem igualmente em solo congolês.
Charlène N’dimon
Sungbo Eredo, localizado no sudoeste da Nigéria, perto da cidade iorubá de Ijebu-Ode, é um dos monumentos mais impressionantes e ao mesmo tempo menos conhecidos da África pré-colonial. Trata-se de um vasto sistema de muralhas de terra e fossos que formam uma enorme cerca, estendendo-se por mais de 160 quilômetros e envolvendo uma área correspondente ao antigo reino de Ijebu.

Interpretação por IA do muro Eredo
Este sítio extraordinário revela o elevado nível de organização social e política alcançado pelas sociedades iorubás muito antes do contato com os europeus. Provavelmente construído entre o primeiro e o início do segundo milénio, num contexto de rivalidades regionais e formação de Estados, Sungbo Eredo tinha sobretudo uma função defensiva. O seu fosso profundo, escavado em solo laterítico, podia atingir dimensões impressionantes, criando uma barreira difícil de transpor. Para além do papel militar, também servia para delimitar e unificar um território composto por várias comunidades, reforçando o surgimento de uma entidade política estruturada na região florestal do sul da Nigéria.

A dimensão de Sungbo Eredo é verdadeiramente notável. Frequentemente considerado o maior monumento de terra em África, rivaliza ou até supera construções mais conhecidas em termos de extensão e volume. No entanto, ao contrário de locais icónicos como as pirâmides do Egito, permaneceu durante séculos oculto sob uma vegetação densa e praticamente ausente das narrativas históricas globais, o que ajuda a explicar a sua relativa obscuridade até hoje.
O local é também envolto por fortes tradições orais que reforçam o seu caráter enigmático.

Segundo a memória dos povos ijebu, Sungbo Eredo foi construído em honra de uma mulher poderosa e rica, Bilikisu Sungbo, descrita como uma viúva sem filhos que mobilizou uma enorme força de trabalho para erguer a estrutura. Algumas interpretações chegam a associá-la à lendária Rainha de Sabá, embora essa hipótese continue a ser debatida pelos investigadores. Um local considerado como sendo a sua tumba continua a atrair peregrinos de diferentes religiões, evidenciando a persistência do seu significado simbólico.

As pesquisas arqueológicas realizadas desde o final do século XX têm revelado progressivamente a importância histórica de Sungbo Eredo. Esses estudos apontam para a existência de um centro político e económico bem organizado na região muito antes do desenvolvimento do comércio transatlântico. Projetos mais recentes, incluindo o uso de tecnologias como o LiDAR, estão a permitir mapear o sítio com maior precisão e aprofundar o conhecimento sobre a sua estrutura, contribuindo também para a sua preservação.
Perante a chegada à maturidade de vários dos seus campos, a Guiné Equatorial procura relançar a exploração de hidrocarbonetos. O projeto gasífero Aseng insere-se nas iniciativas lançadas com esse objetivo.
A Chevron Corporation deu um novo passo no desenvolvimento dos seus ativos de gás na Guiné Equatorial. Na quarta-feira, 1 de abril, a multinacional americana indicou que foi tomada uma decisão final de investimento (FID) para o projeto Aseng Gas Monetisation, segundo vários meios de comunicação que citaram uma comunicação da empresa.
Com esta decisão, o projeto abre caminho ao arranque das obras de desenvolvimento das infraestruturas de gás. Como já noticiado anteriormente, a Chevron Corporation tinha celebrado um acordo com a Guiné Equatorial para o desenvolvimento do projeto gasífero Aseng no bloco I, envolvendo um investimento inicial estimado em cerca de 690 milhões de dólares.
Estes fundos destinam-se a desenvolver e valorizar cerca de 550 mil milhões de pés cúbicos de gás natural identificados neste perímetro offshore. O campo, descoberto em 2007, alberga igualmente recursos líquidos de petróleo bruto estimados em 40 milhões de barris.
As partes envolvidas planeiam encaminhar o gás extraído para as instalações de liquefação do campo de Alen. Após o tratamento e transformação, deverá abastecer Punta Europa, o terminal de gás natural liquefeito (GNL) do país.
Um contrato de 150 a 300 milhões de dólares já atribuído
Paralelamente à decisão de investimento, começam a ser atribuídos os primeiros contratos. Num comunicado também publicado a 1 de abril, a Subsea 7 anunciou ter obtido um contrato avaliado entre 150 e 300 milhões de dólares, junto da Noble Energy EG Ltd, filial da Chevron Corporation, no âmbito do projeto Aseng.
Este contrato inclui a ligação do campo Aseng às infraestruturas existentes do campo de Alen. Prevê o transporte e a instalação de cerca de 19 quilómetros de condutas rígidas de produção, bem como 20 quilómetros de cabos submarinos. Estas infraestruturas serão instaladas a uma profundidade de aproximadamente 800 metros, incluindo também a construção das estruturas submarinas associadas.
Antes das operações no mar, as atividades de engenharia e gestão de projeto serão lançadas de imediato. Segundo a Subsea 7, estas serão coordenadas a partir do seu escritório em Paris, com o apoio de equipas em Lisboa e na Guiné Equatorial.
Um projeto inserido numa estratégia mais ampla de relançamento
Para além do desenvolvimento do campo Aseng, as autoridades da Guiné Equatorial têm lançado várias iniciativas para apoiar o setor petrolífero e gasífero. Esta dinâmica passa, nomeadamente, pelo reforço do papel dos atores públicos nos projetos em curso.
Neste contexto, a companhia nacional GEPetrol aumentou a sua participação no projeto, passando de 5% para 32,55%, segundo informações divulgadas pelo governo em fevereiro de 2026.
Paralelamente, as autoridades procuram mobilizar financiamentos para sustentar a produção. Em janeiro de 2026, o governo indicou estar a explorar mecanismos para atrair capitais destinados à manutenção e desenvolvimento das atividades petrolíferas e gasíferas.
Esta orientação integra-se numa estratégia mais ampla de relançamento do setor. Segundo anúncios do Ministério dos Hidrocarbonetos publicados em setembro de 2025, a Guiné Equatorial prevê lançar um novo ciclo de atribuição de licenças petrolíferas em abril de 2026, num contexto marcado pela maturidade de vários campos produtores.
Abdel-Latif Boureima
Em África, a transformação da castanha de caju tem registado progressos notáveis. Embora, há cerca de 10 anos, este segmento venha ganhando cada vez mais relevância, persistem ainda vários desafios.
Na África Ocidental, o crescimento das exportações de amêndoas de caju não descascadas (amêndoas borma) para o Vietname representa uma ameaça à viabilidade do setor. Foi o que afirmou à Agência Ecofin Jim Fitzpatrick, especialista da fileira.
Este subproduto resulta das operações de cozedura a vapor e corte, ou seja, a primeira etapa da cadeia de transformação. As fases seguintes incluem o descasque propriamente dito (as nozes são primeiro colocadas num forno para sofrer um choque térmico, sendo depois retiradas as películas de forma mecânica e manual), a classificação (segundo a cor, forma e tamanho) e, por fim, o acondicionamento.
Se inicialmente a transformação da castanha de caju em amêndoas borma parecia uma opção ideal para pequenas unidades, que podiam concentrar-se na parte menos complexa do processo, o analista sublinha que esta prática está a ganhar cada vez mais dimensão.
«Se tomarmos o exemplo da Côte d’Ivoire, no ano passado, segundo o regulador, o país transformou cerca de 550.000 toneladas de castanha bruta, o que representa perto de 120.000 toneladas de amêndoas. No entanto, apenas 34.000 toneladas foram vendidas à União Europeia e cerca de 5.000 toneladas aos Estados Unidos. Restam, portanto, mais de 100.000 toneladas de amêndoas cuja destinação é difícil de rastrear. Uma parte foi para o Médio Oriente, outra para o Norte de África, mas a maior parte foi exportada para o Vietname sob a forma de amêndoas borma. Trata-se de uma tendência geral na região. A crescente importância das amêndoas de caju não descascadas é problemática para a indústria da África Ocidental», denuncia o analista.
O fundo de maneio, o verdadeiro desafio
Apesar do volume limitado enviado para a UE, a Côte d’Ivoire continua a ser o principal fornecedor africano do bloco. Segundo Fitzpatrick, das 44.000 toneladas de amêndoas de caju exportadas por África para a UE em 2025, mais de 75% foram fornecidas pelo país.
«Para além da Côte d’Ivoire, os outros países exportadores africanos registaram uma queda de 40% nos envios para a UE em benefício do Vietname. As amêndoas borma são uma opção fácil para os transformadores e uma forma rápida de fazer circular o dinheiro. O verdadeiro problema é simplesmente a falta de fundo de maneio», explica.
De facto, as fábricas asiáticas precisam de comprar matéria-prima apenas para dois a três meses de atividade antes de transformar, vender e reabastecer-se ao longo do ano com castanha bruta proveniente da África Ocidental e Oriental. O seu ciclo operacional é curto, o capital imobilizado é reduzido e a necessidade de fundo de maneio é relativamente limitada.
Por outro lado, nos países da África Ocidental, os transformadores têm de garantir a maior parte das suas necessidades de matéria-prima durante uma campanha curta de três a quatro meses, para manter as fábricas em funcionamento durante o resto do ano. Esta exigência implica compras em grande volume de uma só vez, armazenamento prolongado e, consequentemente, custos financeiros elevados e riscos de qualidade.
Como o acesso a linhas de crédito bancário continua difícil, a venda de amêndoas borma para o Vietname torna-se uma alternativa que permite obter liquidez rapidamente e reduzir a exposição bancária.
«Este comércio deixa também no local as cascas e o líquido da casca (CNSL). Exportar 100.000 toneladas de amêndoas borma significa que cerca de 300.000 toneladas de cascas ricas em óleo permanecem em África. Estes resíduos devem ser geridos ou valorizados para não se tornarem uma ameaça ambiental. No entanto, os transformadores especializados em amêndoas borma não dispõem de margens, capital ou incentivos suficientes para investir na valorização destes subprodutos, o que cria um risco ambiental a longo prazo», acrescenta o especialista.
Neste contexto, considera que a criação de instrumentos de financiamento e de mecanismos de garantia bancária adaptados ao ciclo da castanha de caju em África deixou de ser uma opção, se a região quiser captar mais valor acrescentado da sua própria produção.
«Sem soluções de fundo de maneio mais adequadas, os transformadores da África Ocidental continuarão limitados ao semi-processamento, e a promessa de uma fileira do caju de alto valor e geradora de emprego permanecerá, em grande parte, por concretizar», alerta.
Espoir Olodo
O bioetanol é visto como uma alternativa parcial aos combustíveis fósseis, principalmente no transporte rodoviário. Na África do Sul, o governo tem vindo, há vários anos, a criar um ambiente favorável para atrair investidores e desenvolver esta fileira.
O grupo agroindustrial indiano UPL Limited, especializado no fornecimento de soluções e serviços agrícolas sustentáveis, comprometeu-se a implementar um projeto de produção de bioetanol na África do Sul. O anúncio foi feito a 1 de abril, durante a edição de 2026 da Conferência Sul-Africana sobre o Investimento, realizada em Sandton.
Segundo um comunicado publicado no site do governo sul-africano, este novo projeto mobilizará um investimento de 17 mil milhões de rands (1 mil milhão de dólares). Prevê a instalação de uma unidade com capacidade de produção de 1,3 mil milhões de litros de bioetanol por ano, a partir de cana-de-açúcar e milho.
Para o abastecimento de matérias-primas, a empresa contará com produtores locais. «O projeto utilizará cana-de-açúcar e milho como matérias-primas e apoiará o desenvolvimento de uma cadeia de valor integrada entre agricultura e energia […] Deverá também permitir a injeção de rendimentos significativos diretamente junto dos agricultores, sejam eles pequenos ou grandes», refere o comunicado.
De forma mais ampla, este investimento, se for concretizado, permitirá criar novas oportunidades para os agricultores das fileiras envolvidas, além de melhorar o abastecimento do mercado sul-africano em biocombustíveis. Para já, os detalhes sobre o local de produção e o calendário de execução ainda não foram divulgados.
Um contexto favorável ao investimento
Na África do Sul, a produção e comercialização de bioetanol enquadram-se num quadro regulamentar relativamente estruturado, que combina política energética, normas de combustíveis e objetivos de transição energética.
O país dispõe, desde 2007, de uma estratégia industrial para os biocombustíveis integrada na sua política energética, mas foi em 2020 que o quadro regulamentar para a sua implementação (Biofuels Regulatory Framework) foi oficialmente adotado.
Mais recentemente, em agosto de 2025, o Ministério dos Recursos Minerais e Petrolíferos anunciou a adoção da primeira fase deste quadro regulamentar, que estabelece um objetivo de incorporação de 2% de biocombustíveis no fornecimento total de combustíveis de transporte, com base em biocombustíveis de primeira geração provenientes de culturas agrícolas.
A segunda fase, que prevê uma penetração de 4,5% de biocombustíveis, será lançada após o cumprimento dos objetivos da primeira fase e acompanhará a evolução da estrutura tarifária da indústria local, chamada a expandir-se nos próximos anos.
Para além dos esforços do governo para criar um ambiente favorável ao setor, o contexto internacional, marcado por uma maior volatilidade dos preços do petróleo, pode reforçar a atratividade de combustíveis alternativos como o bioetanol.
Desde o início da escalada militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, no final de fevereiro de 2026, os preços do Brent (referência mundial para o petróleo bruto) dispararam. Esta subida está ligada a perturbações no tráfego marítimo no estreito de Ormuz, responsável por cerca de 25% do comércio marítimo mundial de petróleo bruto. Dados da plataforma Trading Economics indicam que o preço do barril de Brent subiu 39,5% num mês, atingindo 108,44 dólares a 2 de abril, contra 77,73 dólares a 2 de março.
Neste contexto de aumento generalizado dos preços dos combustíveis, o governo sul-africano decidiu introduzir uma redução temporária do imposto geral sobre os combustíveis de 3 rands por litro (0,16 dólares), válida de 1 de abril a 5 de maio, com o objetivo de aliviar os custos de transporte no mercado interno.
Com este projeto de investimento em bioetanol, a UPL Limited poderá desempenhar um papel determinante na estruturação desta fileira, cujo mercado deverá crescer nos próximos anos, contribuindo para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
Stéphanas Assocle