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Equipe Publication

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No âmbito dos esforços globais de descarbonização, a energia nuclear tem-se imposto nos últimos anos como uma opção estratégica para as grandes potências. A China é um exemplo desta dinâmica, com a aceleração da construção de novos reatores nucleares no seu território.

Na quinta-feira, 12 de fevereiro, a australiana Bannerman Energy anunciou a assinatura de um acordo com uma filial do grupo público China National Nuclear Corporation (CNNC) para criar uma joint venture destinada a desenvolver o projeto de urânio Etango, na Namíbia. Esta operação, que permitirá à entidade chinesa adquirir 42,75 % do capital deste ativo com um investimento de até 321,5 milhões USD, ilustra a expansão crescente dos interesses chineses na indústria do urânio em África.

Antes desta operação, a CNNC já estava ativa em vários projetos de urânio na Namíbia e no Níger, os dois principais produtores africanos deste combustível nuclear. Na Namíbia, o grupo detém a maioria da mina Rössing e 25 % das ações de Langer Heinrich, explorada pela Paladin Energy. No Níger, a presença concentra-se no depósito Azelik, onde possui 37,2 % da joint venture, ao lado da ZXJoy Invest, outro investidor chinês detendo 24,8 %.

Paralelamente, a China General Nuclear Power Group (CGN), outro ator importante do setor nuclear chinês, é proprietária desde 2012 da mina Husab, também na Namíbia. O projeto em Etango vem assim complementar esta série de investimentos. Segundo as informações divulgadas, o acordo permitirá à CNNC participar proporcionalmente nos custos de investimento da futura mina, enquanto a Bannerman manterá 52,25 % do capital, o restante pertencendo à organização namibiana One Economy Foundation.

Mais ainda, o acordo inclui uma cláusula que permite à CNNC comprar 60 % da produção de Etango durante toda a sua vida útil — uma disposição estratégica face às ambições chinesas de abastecimento de urânio para os seus reatores nucleares.

Urânio africano para reatores chineses

No contexto da sua transição energética, a China conduz há vários anos um programa ambicioso de desenvolvimento da energia nuclear, considerada uma fonte de energia mais limpa e de menor emissão de carbono. Pequim pretende aumentar a sua capacidade nuclear de 60 GWe atualmente para 150 GWe até 2035. Segundo a World Nuclear Association (WNA), mais de 30 reatores, totalizando 35 GWe, já estão em construção para contribuir para este objetivo.

Para garantir o abastecimento futuro de urânio para os seus reatores, a China segue uma estratégia em três frentes:

1. Produzir um terço do urânio em território nacional;

2. Obter um terço através de participações e joint ventures no estrangeiro;

3. Comprar o terceiro restante no mercado livre.

Comentando o caráter estratégico da parceria com a Bannerman, Feng Li, representante da CNNC, sublinhou o contexto chinês:

Num contexto de renovado interesse global pela energia nuclear e de rápido desenvolvimento do setor nuclear chinês, o grupo CNNC, principal fornecedor de urânio natural, trará a esta joint venture o seu prestigiado legado e expertise técnica.

Próximos passos

Para já, nada está ainda garantido para a China em Etango. A finalização da transação depende de várias autorizações regulatórias, incluindo a da Comissão de Concorrência da Namíbia. As partes esperam concluir a operação até meados de 2026, antes de avançar para a decisão final de investimento (FID). Com Etango, a Bannerman pretende desenvolver uma mina capaz de produzir 52,6 milhões de libras de urânio ao longo de mais de 15 anos.

Entretanto, a produção continua nas minas Rössing e Husab, enquanto Azelik permanece parada desde 2015 por razões de rentabilidade. Embora um memorando de entendimento tenha sido assinado em 2023 entre o Estado nigerino e a China Nuclear International Uranium Corporation (SinoU), filial da CNNC, para uma retoma, nenhum progresso concreto foi ainda anunciado.

Apesar da forte presença chinesa, outras potências seguem de perto as dinâmicas do setor em África.

  • A Rússia, com a empresa pública Rosatom, assinou com o Níger um memorando de entendimento sobre energia nuclear civil e exploração de urânio em julho de 2025.

  • Os Estados Unidos adotam trajetória semelhante, procurando relançar o setor nuclear civil. A empresa NANO Nuclear Energy assinou em junho de 2025 um memorando com a Namíbia, apresentado como marco para “alimentar o futuro da energia nuclear nos EUA”.

Face a estas várias interesses internacionais, a capacidade dos Estados africanos em proteger os seus interesses nacionais permanece em observação.

Além da Namíbia e do Níger, Malawi retomou a produção de combustível nuclear através da reabertura da mina Kayelekera pela australiana Lotus Resources, enquanto a Mauritânia pretende entrar neste círculo com o projeto Tiris, atualmente em desenvolvimento pela Aura Energy.

Aurel Sèdjro Houenou

Impulsionado especialmente por reformas no segmento de mineração artesanal e de pequena escala (ASM), o setor aurífero do Gana registou mais um ano positivo em 2025. As receitas de exportação da indústria até duplicaram, atingindo 20,9 mil milhões de USD.

Segundo dados provisórios da Chamber of Mines, citados pela Reuters na quinta-feira, 12 de fevereiro, a produção total de ouro do Gana atingiu um nível recorde de 6 milhões de onças em 2025, o que representa um aumento de 25 % em relação às 4,8 milhões de onças em 2024. Para 2026, o país pretende melhorar ainda mais este desempenho, com uma meta nacional de 6,5 milhões de onças anunciada.

Produção recorde impulsionada pelo ASM

No detalhe, a produção recorde foi principalmente sustentada pelo crescimento do rendimento do segmento artesanal e de pequena escala (ASM), que passou por profundas reformas durante o exercício. A contribuição deste segmento atingiu 3,1 milhões de onças (contra 1,9 milhão em 2024), enquanto a produção das minas industriais manteve-se relativamente estável, em 2,9 milhões de onças.

Poucos elementos foram ainda apresentados para fundamentar as previsões para 2026. No entanto, vários novos projetos estão em curso no setor aurífero ganês, incluindo Ahafo North, desenvolvido pela americana Newmont. Entrando em produção em setembro de 2025, esta mina, com uma capacidade anual de 275.000 onças, deverá registar em 2026 o seu primeiro ano completo de operação.

Melhorias e desafios no setor

Paralelamente, empresas como Perseus Mining (Edikan) e Asante Gold (Bibiani e Chirano) estão a trabalhar na melhoria do desempenho das suas operações. O segmento de mineração artesanal (ASM) continua também dinâmico, com o GoldBod, regulador do setor, a procurar consolidar os avanços alcançados em 2025. Contudo, segundo Kenneth Ashigbey, CEO da Chamber of Mines do Gana, as reformas fiscais previstas pelo Estado em 2026 poderão já impactar a produção industrial.

Com o objetivo de aproveitar ainda mais a subida prolongada dos preços do ouro, Accra planeia introduzir uma nova tabela de royalties que pode atingir 12 %, comparativamente à faixa atual de 3 a 5 %. Esta medida, que poderá entrar em vigor ainda este mês, poderá, segundo o dirigente, afetar a rentabilidade e o desenvolvimento de novos projetos.

A nossa produção manteve-se praticamente estável em 2025, mas o ano de 2026 é preocupante. O aumento dos royalties impactará imediatamente os novos projetos, aqueles que deveriam impulsionar a produção do próximo ano”, declarou, conforme relatado pela Reuters.

Aurel Sèdjro Houenou

Perante um mercado de trabalho jovem saturado e uma economia digital em forte expansão, as autoridades nigerianas apostam na formação em competências digitais para transformar o emprego e a inovação.

O governo federal da Nigéria, em colaboração com a empresa sueca de telecomunicações Ericsson, lançou o Connect NextGen Innovation Hackathon, um programa intensivo de formação digital de quatro meses destinado a 50.000 jovens, com o objetivo de colmatar lacunas em competências digitais e promover o emprego no setor tecnológico. Segundo a imprensa local, a apresentação oficial decorreu na quarta-feira, 11 de fevereiro, em Abuja, onde o vice-presidente Kashim Shettima classificou a iniciativa como um “plano estratégico para o ecossistema tecnológico nigeriano”.

Concretamente, este hackathon nacional é apresentado como um “canal de inovação”, com candidaturas abertas a estudantes, jovens empreendedores, start-ups e hubs tecnológicos do país. Segundo o representante do vice-presidente durante o evento, Ibrahim Hassan Hadejia, a iniciativa prevê selecionar 50 equipas de alto potencial para um acompanhamento técnico intensivo, após uma fase de mentoria em larga escala. Cerca de dez finalistas serão escolhidos para uma fase de incubação e aceleração, com perspetivas de implementação de soluções digitais comercializáveis.

Os responsáveis explicam que o programa prepara os participantes para tecnologias emergentes como inteligência artificial, computação em nuvem, Internet das Coisas e tecnologias sustentáveis, incentivando também a criação de soluções em setores estratégicos como inclusão digital, cidades inteligentes e agritech. Para Peter Olusoji Ogundele, diretor da Ericsson Nigéria, esta parceria reflete o compromisso da empresa com a transformação digital do país e a transferência de competências, permitindo que a Nigéria “exporte talentos digitais a nível global”.

Esta iniciativa insere-se num contexto em que o desemprego juvenil continua a ser um desafio significativo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, a taxa de desemprego dos jovens entre 15 e 24 anos atingiu 6,5% em 2025, bem acima da média nacional. Para responder a este desafio, o Estado multiplicou programas destinados a reforçar competências técnicas e digitais, muitas vezes em parceria com o setor privado. Em 2025, apoios financeiros do setor privado permitiram fortalecer o programa de competências técnicas 3MTT (3 Million Technical Talent), que já formou mais de 135.000 jovens em dois anos e gerou oportunidades de emprego bem remuneradas em empresas tecnológicas locais e no estrangeiro, segundo as autoridades.

Paralelamente, uma nova Comissão Nacional de Literacia Digital foi inaugurada no início de 2026, com o objetivo de planear a formação e certificação de um milhão de nigerianos até 2030, no âmbito de um plano nacional que visa atingir 95% de literacia digital até ao final da década.

Félicien Houindo Lokossou

Face às pressões sobre o modelo econômico da Air Sénégal, as autoridades apostam num plano de reestruturação acompanhado de exigências rigorosas para restaurar a viabilidade financeira da companhia nacional e preservar a sua posição num mercado regional cada vez mais competitivo.

Durante o Conselho de Ministros de quarta-feira, 11 de fevereiro, o Primeiro-Ministro senegalês, Ousmane Sonko, deu ao Ministro dos Transportes Terrestres e Aéreos um prazo de 30 dias para «a implementação das medidas-chave do Conselho Interministerial dedicado ao setor», nomeadamente no que se refere à companhia aérea Air Sénégal. Trata-se, concretamente, de finalizar e acelerar a execução do plano de reestruturação completo da companhia nacional, com «o lançamento efetivo da operação de refinanciamento, a apresentação de uma proposta detalhada de recapitalização definitiva e a realização da auditoria de racionalização, acompanhada da adoção do plano corretivo».

Para garantir a continuidade dos serviços do transportador público, o Primeiro-Ministro instruiu ainda o Ministro das Finanças a «trabalhar na mobilização urgente dos recursos necessários à Air Sénégal para a liquidação, através de um realojamento orçamental excecional e justificado, dos compromissos exigíveis e indispensáveis junto de fornecedores essenciais ao seu funcionamento».

Estas instruções surgem num contexto em que a Air Sénégal enfrenta, há alguns anos, desafios operacionais e de governança. A companhia, que estruturou o seu modelo na locação de aeronaves, chegou a dispor de uma frota limitada devido a pagamentos em atraso aos arrendadores. Esta situação obrigou-a a cancelar ou reduzir voos em rotas consideradas não lucrativas, enquanto acumulava prejuízos operacionais nos últimos anos.

Por ocasião de um Conselho Interministerial realizado em abril de 2025, o governo indicou que mais de 100 mil milhões de FCFA (aproximadamente 181 milhões de USD) tinham sido gastos em alugueres de aeronaves. A transportadora recebeu um apoio público de 181 mil milhões de FCFA desde 2018, sem que isso tenha permitido restaurar a sua trajetória financeira. Naquela data, registava uma dívida superior a 118 mil milhões de FCFA, após acumular perdas de 89 mil milhões de FCFA em 2022 e de 57 mil milhões de FCFA em 2023.

Para além das medidas acima mencionadas, o Estado prevê a criação da Air Sénégal Express, uma subsidiária focada em ligações domésticas e regionais, nomeadamente para países vizinhos. O objetivo é racionalizar as operações e melhorar a rentabilidade nos mercados locais. Outras reformas incluem a introdução de contratos de desempenho para reforçar a governança, a abertura do capital da subsidiária a investidores privados, bem como parcerias estratégicas visando expandir a presença regional da companhia.

Henoc Dossa

A economia do Sudão do Sul depende quase inteiramente da exploração de hidrocarbonetos. O Banco Mundial sublinha que esta dependência expõe as finanças públicas às variações de produção e às flutuações dos preços internacionais.

Deficiências na aplicação das leis fiscais reduzem as receitas provenientes do setor petrolífero. É o que revelou Benjamin Ayali Koyongwa, subsecretário de Planeamento do Ministério das Finanças do Sudão do Sul, em declarações à imprensa na sexta-feira, 6 de fevereiro.

O responsável afirmou que a aplicação seletiva e inconsistente das leis fiscais custa ao país “milhões de dólares” todos os anos, com algumas disposições não sendo aplicadas de forma uniforme. No entanto, não forneceu detalhes quantitativos sobre a dimensão destas perdas nem especificou quais disposições fiscais estão em causa.

Koyongwa destacou ainda lacunas nos procedimentos aduaneiros. Segundo ele, alguns importadores pagam os direitos em moeda local a taxas de câmbio que não correspondem às vigentes, reduzindo assim os montantes efetivamente arrecadados pelo Estado. O responsável mencionou também a fraca mobilização fiscal fora do setor petrolífero, apontando que o IVA representa atualmente menos de 1 % das receitas públicas totais.

Finanças públicas sob pressão

Esta situação ocorre enquanto o governo planeia introduzir um regime ampliado de IVA até julho de 2026. O contexto orçamental permanece marcado pela forte dependência do petróleo e por questionamentos recorrentes sobre a gestão das receitas extractivas no Sudão do Sul.

O petróleo constitui a espinha dorsal das finanças públicas sudanesas, representando quase 95 % das exportações e 90 % das receitas públicas, segundo o Tesouro francês. Esta concentração de recursos públicos num único setor expõe o orçamento nacional às variações de produção, às flutuações de preços internacionais e às vulnerabilidades internas do sistema de gestão.

Vários relatórios internacionais também destacaram fragilidades na governança das receitas petrolíferas. Em setembro de 2025, a Agência Ecofin relatou que, segundo a Comissão de Direitos Humanos da ONU, mais de 2,2 mil milhões de dólares foram desviados entre 2021 e 2024 no âmbito do programa “Oil for Roads”, destinado a financiar estradas. Esta situação, entre outras constatações, alimentou críticas sobre a transparência e a eficácia na utilização das receitas petrolíferas.

Dependência da receita petrolífera e necessidade de diversificação

Ao mesmo tempo, a mobilização de receitas não petrolíferas permanece limitada. As autoridades reconhecem que a contribuição da fiscalidade fora do petróleo continua marginal na estrutura orçamental, reforçando a dependência da renda extractiva. A diversificação das fontes fiscais surge, assim, como um desafio central para as finanças públicas.

O Banco Mundial alertou para o risco de pobreza quase universal no país, onde, segundo estimativas de 2022, 76 % da população vivia abaixo do limiar nacional de pobreza. A economia do Sudão do Sul contraiu-se pelo quinto ano consecutivo, com um PIB reduzido em 30 % em 2025, segundo o relatório da International Rescue Committee publicado em 6 de fevereiro de 2026. De acordo com o mesmo documento, as exportações petrolíferas, afetadas pelo conflito no vizinho Sudão, provocam perdas diárias estimadas em 7 milhões de dólares.

Abdel-Latif Boureima

 

Lançada há um ano e meio, a refinaria deveria atingir a sua capacidade total no início de 2025. Contudo, as restrições no fornecimento de crude foram o principal obstáculo para alcançar esta meta.

Num comunicado de quarta-feira, 11 de fevereiro, a refinaria Dangote anunciou ter atingido um marco histórico, alcançando a sua capacidade nominal total de 650.000 barris por dia, tornando-se na primeira refinaria do mundo a atingir tal nível de produção numa única unidade. Este desempenho resulta da otimização da unidade de destilação de crude e do bloco de produção de gasolina, consolidando a estabilidade operacional da maior instalação de refinação de África.

O grupo lançou, de facto, uma série intensiva de testes de desempenho de 72 horas com o seu parceiro tecnológico UOP, para verificar a eficácia operacional e a conformidade de todos os parâmetros com os padrões mundiais. Segundo David Bird, diretor-geral da refinaria, a integração fluida e o desempenho das unidades de produção demonstram a resiliência e a engenharia avançada da instalação.

“As nossas equipas demonstraram uma precisão excecional para estabilizar a unidade de destilação de crude e a unidade de produção de gasolina. Esta fase de testes permite validar toda a refinaria em condições reais […] Este sucesso ressalta a qualidade técnica e a fiabilidade da operação, ao mesmo tempo que confirma o compromisso da refinaria em fornecer produtos refinados de alta qualidade, transformando o setor energético nigeriano e reduzindo a dependência das importações”, declarou o responsável.

Operação a 100 % da capacidade

As unidades de destilação e produção de gasolina, bem como as de tratamento de nafta, isomerização e reformador, funcionam agora a 100 % da sua capacidade nominal. As outras unidades de processamento da refinaria iniciarão os seus testes de desempenho na Fase 2 na próxima semana.

Produção otimizada que transformará o mercado e a economia

A refinaria forneceu entre 45 e 50 milhões de litros de gasolina por dia durante o período festivo recente. Estima-se que, com as atividades de destilação e produção de gasolina a operar plenamente, a refinaria possa agora fornecer até 75 milhões de litros por dia no mercado doméstico.

Os analistas consideram o projeto de 650.000 barris por dia como transformador para a Nigéria, capaz de gerar até 10 mil milhões de dólares em poupanças anuais em divisas, criar milhares de empregos, fortalecer o naira e melhorar a segurança energética regional. A redução das importações, que superavam 80 % dos produtos refinados, deverá estabilizar o fornecimento de combustíveis, limitar a volatilidade dos preços, acabar com escassez recorrente e dinamizar as indústrias a jusante, nomeadamente petroquímica e fertilizantes.

Em outubro do ano passado, Aliko Dangote, proprietário da refinaria, anunciou o projeto de expansão da capacidade para 1,4 milhões de barris por dia. Esta expansão apoiará novos investimentos petroquímicos, incluindo a produção de alquilbencenos lineares e óleos base, e aumentará a produção anual de polipropileno de 1 para 1,5 milhões de toneladas métricas.

A refinaria Dangote, agora a plena capacidade, abre caminho para um fornecimento nacional de combustíveis mais estável, ao mesmo tempo que apoia o desenvolvimento industrial e energético sustentável da Nigéria. Também reforça a posição do país nos mercados regionais e internacionais, oferecendo novas oportunidades para exportação de produtos refinados e crescimento económico.

Olivier de Souza

 

Na RDC, onde o setor mineiro ocupa um papel central na economia, mas onde o acesso à eletricidade continua limitado, o recurso a soluções renováveis com armazenamento torna-se estratégico.

A Autoridade Reguladora do Setor Elétrico (ARE) da RDC anunciou na quarta-feira, 11 de fevereiro, que em início de janeiro emitiu dois pareceres favoráveis à CrossBoundary Energy para um projeto solar destinado a fornecer energia à mina de Kamoa, na província de Lualaba. Os pareceres referem-se, nomeadamente, à produção e comercialização da eletricidade gerada pela central.

Detalhes do projeto

Em abril de 2025, a Kamoa Copper S.A. e a CrossBoundary Energy assinaram um contrato de compra de eletricidade relativo a este projeto, que incluirá:

  • Uma central solar de 222 MWp, associada a um sistema de armazenamento por baterias de 123 MVA para 526 MWh.
  • O sistema deverá fornecer 30 MW de energia renovável controlável de forma contínua e produzir cerca de 000 MWh por ano.
  • A redução estimada de emissões é de 750 toneladas de CO₂ por ano.

A CrossBoundary Energy será proprietária e operadora da central, enquanto a Kamoa Copper pagará pela eletricidade consumida. O complexo mineiro, uma joint venture entre Ivanhoe Mines, Zijin Mining Group e o Estado congolês (que detém 20 %), apresenta uma capacidade de produção de cerca de 600.000 toneladas de cobre por ano.

Contexto energético

Segundo o Banco Mundial, a taxa de acesso à eletricidade na RDC era de 22 % em 2023, uma das mais baixas do continente, afetando tanto a população como setores económicos, como a indústria.

Neste contexto, o desenvolvimento de produção solar com armazenamento permite ao sítio de Kamoa-Kakula garantir um fornecimento elétrico contínuo, normalmente assegurado por energia fóssil, ao mesmo tempo que limita a dependência de uma rede nacional instável e limitada.

Além da segurança do fornecimento de eletricidade, o projeto contribui para a sustentabilidade ambiental do empreendimento cuprífero.

Abdoullah Diop

 

O cacau é uma das principais fontes de receita externa do Gana, juntamente com o ouro e o petróleo. Nos últimos meses, o setor tem enfrentado dificuldades significativas devido à queda dos preços internacionais.

É uma decisão que tem sabor de vitória para alguns e de amargura para outros. No Gana, o preço da tonelada de amêndoas de cacau será reduzido em 28,6 %, para 41.392 cedis (3.764 dólares) para o restante da temporada 2025/2026, anunciou na quinta-feira, 12 de fevereiro, Cassiel Ato Forson, ministro das Finanças.

Este cenário, já mencionado desde final de janeiro por várias fontes próximas do processo, foi finalmente confirmado com a crise dos preços globais, que afetou o sistema de comercialização.

Com a escassez de liquidez entre os comerciantes, que devem pagar as amêndoas a preços mais altos do que o previsto devido à queda de quase 70 % nos preços internacionais do cacau desde o recorde do final de 2024, 50.000 toneladas de cacau acumularam-se nos portos, segundo o Conselho do Cacau do Gana (Cocobod).

Estimativas elevam o volume para 300.000 toneladas, segundo várias empresas citadas pela Reuters, considerando os volumes de amêndoas não pagos e ainda armazenados dentro do país, os estoques mantidos pelos produtores, bem como as quantidades adicionais esperadas da safra intermédia de março a agosto.

“A situação atual deve-se principalmente à relutância dos compradores em adquirir o cacau ganês, que se tornou não competitivo e muito caro, afirmou o dirigente ao meio de comunicação econômico.

Contexto de mercado

Tal como na Costa do Marfim, os comerciantes consideram que os preços pagos pelas amêndoas são demasiado altos num contexto internacional fraco, que reduziu as suas margens.

O preço inclui, além do preço do mercado internacional fixado em Londres, o diferencial de origem, que é um prémio associado à qualidade do produto, e o diferencial de rendimento digno de 400 dólares (344 €) por tonelada, estabelecido desde 2020/2021 para melhorar a situação dos produtores.

Enquanto na Costa do Marfim o Conselho Café-Cacau (CCC) optou por manter os níveis de preço, segundo a Bloomberg, as autoridades ganesas decidiram ajustar os preços para mitigar a crise. Esta medida, embora polémica entre as organizações de produtores, é acompanhada de outras decisões importantes para o setor.

Novos mecanismos de financiamento

As autoridades também anunciaram um novo modelo de financiamento, baseado na emissão de obrigações domésticas lastreadas em cacau. O reembolso do capital e dos juros estará diretamente ligado às receitas geradas pelas vendas da mesma colheita.

Segundo Cassiel Ato Forson, um novo projeto de lei deverá ser submetido ao Parlamento ainda este ano, para indexar os preços ao produtor aos preços internacionais, garantindo ao mesmo tempo 70 % do preço FOB (franco a bordo).

Espoir Olodo

 

Ao assumir o controlo da Saham Assurances Níger, o Vista Group Holding continua a construção do seu pólo de seguros na África Ocidental. A operação marca a sua entrada num mercado ainda pouco desenvolvido em termos de volume de prémios.

O Vista Group Holding, grupo pan-africano de serviços financeiros fundado pelo burquinense Simon Tiemtoré (foto), anunciou na quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, ter finalizado a aquisição de 99,99 % do capital da Saham Assurances Níger, por um montante não divulgado. Após a operação, a empresa passou a denominar-se Vista Assurances Níger.

Esta transação marca a entrada oficial do Vista Group no setor segurador do Níger, ocorrendo alguns meses após o anúncio de um projeto de venda da filial nigerina da SanlamAllianz. O Vista Group tinha sido identificado desde setembro de 2025 como potencial comprador. A finalização confirma a estratégia de expansão regional implementada por Simon Tiemtoré.

Através da Vista Assurances Níger, a nossa ambição é democratizar o acesso à proteção, reforçar a confiança no setor segurador e acompanhar famílias e empresas perante os riscos do quotidiano. Esta aquisição reflete a nossa vontade de oferecer soluções úteis, concretas e adaptadas às realidades locais, declarou o fundador.

Expansão na África Ocidental

O Vista Group já estava presente no setor segurador através da Vista Assurances Guiné e da Vista Assurances Burquina Faso. Com a aquisição, o grupo passa a contar com três filiais de seguros na África Ocidental, um progresso que acompanha o desenvolvimento das suas atividades bancárias na sub-região, através do Vista Bank, refletindo uma estratégia de integração entre banca e seguros.

Níger, um mercado de pequena dimensão

Segundo o relatório “O mercado de seguros em África, dados 2019-2023”, publicado pela Federação das Sociedades de Seguros de Direito Nacional Africanas (FANAF) em 2023, as seguradoras operando no Níger arrecadaram 44 mil milhões de francos CFA em prémios de seguros de vida e não-vida, um crescimento de 1,5 % em relação a 2022.

Apesar desta evolução, o Níger figura entre os três últimos mercados da FANAF em volume de prémios.

Para efeito de comparação:

  • A Costa do Marfim registou 595 mil milhões de francos CFA em 2023, representando 32,1 % do mercado FANAF.
  • Camarões, Senegal e Burquina Faso também concentram uma parte significativa das emissões de prémios na região. Estes quatro países totalizam mais de dois terços do mercado da FANAF.

O mercado nigerino conta com várias seguradoras, incluindo Sunu Assurances, Mutual Benefits Assurance Níger e NIA SA Níger. O nível de penetração de seguros continua baixo em comparação com padrões internacionais, limitando o volume global do mercado.

Para o Vista Group, os desafios passam por aumentar o volume de prémios, expandir a base de clientes e dominar o risco técnico.

Chamberline Moko

 

 

Aruwa Capital Fund II visa PMEs na Nigéria e no Gana. A operação deverá ser apoiada por um mecanismo concessional destinado a atrair mais investidores privados.

A Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Grupo Banco Mundial dedicado ao setor privado, planeia investir até 8 milhões de dólares no Aruwa Capital Fund II (ACF II), um veículo de capital de risco focado em pequenas e médias empresas (PMEs) na Nigéria e no Gana, segundo informações divulgadas pela instituição. O fundo deverá investir principalmente na Nigéria, alocando até 20 % dos seus compromissos ao Gana.

Atualmente à espera de aprovação, o projeto deverá ser submetido ao conselho de administração em 11 de março de 2026. O fundo, gerido pela AR Capital, empresa registada em Maurícia, tem como objetivo atingir um tamanho-alvo de 50 milhões de dólares, com um teto fixado em 60 milhões. O investimento previsto pela IFC estará limitado a 20 % dos compromissos totais.

Estratégia de investimento

O Aruwa Capital Fund II planeia investir entre 1 e 3 milhões de dólares por projeto inicial em PMEs em fase de crescimento. Adota uma abordagem que privilegia empresas com forte impacto na inclusão das mulheres, particularmente nos setores de bens de consumo, energia limpa, serviços financeiros e saúde.

Segundo a IFC, o projeto poderá beneficiar do guiché de capital concessional IDA21 – “Concessional Capital Window”, no montante de 3 milhões de dólares sob a forma de co-investimento subordinado. Este mecanismo de blended finance” (finança mista) visa mobilizar capitais privados para segmentos considerados de risco ou insuficientemente atendidos.

Contexto de mercado

O mercado de capital de risco para PMEs em fase inicial continua limitado na África Ocidental, sublinha a instituição. A Aruwa Capital, gestora baseada na Nigéria e liderada por uma equipa feminina, foca-se em empresas com elevado potencial, frequentemente negligenciadas por investidores tradicionais.

O nível de concessionalidade associado ao co-investimento é estimado em 0,9 % do custo total do projeto, avaliado em 60 milhões de dólares.

Fiacre E. Kakpo

 

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