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Equipe Publication

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Se a revelação de uma dívida oculta de dimensão inédita preocupou logicamente os mercados e o FMI, uma análise detalhada dos fundamentos mostra que o Senegal não caminha para um incumprimento da dívida. O país atravessa uma grave crise de governação, mas dispõe de ativos reais e de alavancas financeiras sólidas para transformar este impasse contabilístico numa retoma económica.

Foi um verdadeiro choque para os observadores económicos em Dacar e em Washington nos últimos meses. A revelação pelo FMI de uma dívida pública real que poderá atingir 132% do PIB, impulsionada por uma dívida oculta estimada em 16% do PIB, fez temer o pior.

 O chefe de missão do Fundo chegou mesmo a afirmar que nunca tinha “visto uma dívida oculta desta magnitude” em África. No entanto, olhando mais de perto, o pânico não se justifica. Se os números são vertiginosos, a própria estrutura dessa dívida e a natureza dos credores contam uma história muito mais matizada: a de um país que investiu a um ritmo forçado, ao preço de uma opacidade censurável, mas que não se encontra em falência estrutural.

Milhares de milhões invisíveis… para infraestruturas bem reais

Ao contrário de outros escândalos financeiros africanos recentes, em que a dívida oculta financiava equipamentos militares fantasmas ou montagens offshore duvidosas, o caso senegalês parece resultar de uma febre de investimento mal contabilizada. A análise dos dados do Finance for Development Lab (FinDevLab) é clara: salvo no ano de 2023, a maior parte dessa dívida oculta não corresponde a “projetos secretos”, mas a desembolsos não declarados ligados a projetos de infraestruturas conhecidos e aprovados.

Estamos perante uma grande crise de transparência orçamental, uma falência dos mecanismos de controlo, mas não perante uma evaporação de capitais.

Em termos simples, o dinheiro foi gasto, mas os ativos existem. Estradas, projetos energéticos, infraestruturas de desenvolvimento: esta dívida tem uma contrapartida física potencialmente geradora de crescimento futuro. Trata-se de uma distinção fundamental para os investidores: o passivo do Estado senegalês aumentou, mas o seu ativo também se reforçou.

Maio de 2026: o “muro da dívida” é uma passagem estreita, mas transponível

Outra grande preocupação diz respeito ao calendário. Os analistas apontam para uma duplicação do serviço da dívida em 2026, passando de 1,1 mil milhões de dólares em 2025 para mais de 2,2 mil milhões de dólares. Dito assim, o choque parece intransponível. No entanto, os dados brutos do Banco Mundial (DSSI) revelam que esse risco está extremamente concentrado.

Não se trata de uma asfixia generalizada ao longo de todo o ano, mas de um pico único e bem definido: um vencimento maciço de cerca de 1,1 mil milhões de dólares em maio de 2026.

Esse montante está ligado sobretudo aos eurobonds. Em finanças, um risco identificado, datado e quantificado é gerível. Esta concentração permite às autoridades senegalesas evitar uma reestruturação global e dolorosa de toda a dívida. O objetivo é agora claro: preparar uma operação de engenharia financeira direcionada (recompra antecipada ou exercício de gestão de passivos) para suavizar essa maturidade específica. O “muro” de maio de 2026 pode ser contornado se as negociações começarem atempadamente.

A maturidade inesperada do mercado regional

Por fim, o receio de um contágio regional, nomeadamente no setor bancário marfinense, foi largamente exagerado. Uma nota recente da agência de notação S&P Global Ratings veio contrariar os rumores alarmistas. Embora os bancos da Costa do Marfim detenham efetivamente uma parte significativa da dívida senegalesa, atuam frequentemente como simples intermediários (“gateway”) para investidores internacionais.

Esta realidade demonstra uma maturidade inesperada do mercado da UEMOA. Longe de ser um espaço fechado e frágil, a praça financeira regional é capaz de intermediar fluxos globais e de desempenhar um papel sofisticado de amortecedor. O sistema bancário dispõe de fundos próprios suficientes para absorver turbulências, e os mecanismos de solidariedade do BCEAO continuam a ser um baluarte credível contra o risco sistémico.

A hora da responsabilidade política

O Senegal não está, portanto, encurralado. Beneficia ainda de uma base de credores diversificada, onde o apoio inabalável dos grandes financiadores multilaterais (FMI, Banco Mundial) convive com parceiros bilaterais variados (França, China, Kuwait). O país não se encontra isolado diplomaticamente.

O diagnóstico é claro: o paciente senegalês sofre de uma crise de crescimento mal controlada e de uma governação orçamental falhada. Mas os seus órgãos vitais — as infraestruturas, o seu lugar na finança regional e a confiança dos seus parceiros de longo prazo — permanecem intactos. A bola está agora do lado dos decisores políticos: se conseguirem restaurar a transparência e implementar as reformas técnicas necessárias, a “falência” anunciada permanecerá uma profecia não concretizada.

Idriss Linge

Argel é uma capital costeira com cerca de quatro milhões de habitantes, situada no centro-norte da Argélia. A sua organização urbana, o seu património e as suas práticas sociais fazem dela uma cidade complexa, cujo interesse reside menos em locais espetaculares isolados do que na combinação entre história, paisagem e vida quotidiana.

1 baie alger

O tecido urbano de Argel resulta de várias fases históricas distintas. A Casbah, núcleo antigo da cidade, desenvolveu-se principalmente durante o período otomano (séculos XVI–XVIII). Classificada como Património Mundial da UNESCO em 1992, é reconhecida pela sua organização urbana densa, adaptada à topografia, e pelo seu papel histórico na resistência anticolonial. Embora parte do edificado esteja degradada, a Casbah continua a ser um espaço habitado e vivo, o que a torna um património particular, simultaneamente frágil e ativo.

A partir do século XIX, a colonização francesa transformou profundamente Argel. O atual centro da cidade, situado abaixo da Casbah, é estruturado por amplas avenidas, praças abertas e uma arquitetura de inspiração europeia. Edifícios de estilo haussmanniano, art déco e neo-mourisco formam hoje um dos maiores conjuntos urbanos coloniais do Norte de África.

2 Casbah

Argel estende-se ao longo do Mediterrâneo por vários quilómetros. O porto, historicamente central no desenvolvimento da cidade, continua a ser uma infraestrutura estratégica, embora o seu acesso seja limitado por razões funcionais e de segurança. Ainda assim, a frente marítima desempenha um papel estruturante na paisagem urbana e é visível a partir de numerosos pontos elevados.

A cidade é construída em forma de anfiteatro, o que permite vistas amplas sobre a Baía de Argel, frequentemente mencionada pela sua configuração geográfica. Esta relação visual com o mar é um elemento importante da identidade da cidade, mesmo que o acesso direto às praias a partir do centro seja limitado pela urbanização.

3 Jardin dÔÇÖEssai du Hamma

Contrariamente à imagem de uma metrópole excessivamente mineral, Argel dispõe de vários espaços verdes significativos. O Jardim de Ensaios do Hamma, criado no século XIX, funciona simultaneamente como jardim botânico e parque público. Acolhe espécies vegetais locais e exóticas e é um local de passeio muito frequentado pelos habitantes.

As zonas altas da cidade, sobretudo nos bairros residenciais, oferecem também ambientes mais abertos e menos densos, com melhor ventilação. Estas condições influenciam fortemente os modos de habitar, que variam consideravelmente de um setor para outro.

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Argel concentra uma grande parte das instituições culturais nacionais: museus, bibliotecas, teatros e salas de espetáculo. A cidade desempenha um papel central na produção cultural argelina, especialmente na música, no cinema e na literatura.

O chaâbi, género musical urbano nascido na Casbah, permanece muito presente nas práticas populares. A gastronomia reflete sobretudo uma cozinha doméstica, mais do que uma cena gastronómica turística estruturada: pratos tradicionais, pastelaria artesanal e cafés de bairro ocupam um lugar importante na vida social.

5 Alger la nuit

O turismo em Argel continua a ser limitado em comparação com outras capitais mediterrânicas. Embora existam infraestruturas de acolhimento, a oferta turística ainda é pouco padronizada. Esta situação implica uma experiência de visita mais baseada na observação, na caminhada e nas interações locais do que em percursos balizados.

A cidade exige um certo tempo de adaptação: trânsito intenso, contrastes marcados entre bairros e ritmos urbanos variáveis. Em contrapartida, oferece uma leitura direta da sociedade argelina contemporânea, longe de uma encenação exclusivamente turística.

Apesar de uma urbanização crescente, a Costa do Marfim continua a ser uma sociedade profundamente agrícola. Mais pobres do que as cidades, as zonas rurais marfinenses também se modernizam mais lentamente. Para reduzir a insegurança económica no campo, o governo marfinense lançou vários projetos de grande envergadura: modernizar as práticas

agrícolas – sem comprometer a sustentabilidade –, reforçar as infraestruturas e transformar localmente mais produtos agrícolas. Estas questões desempenham um papel-chave no Plano Nacional de Desenvolvimento para 2026-2030, atualmente em fase de finalização.

Uma Bolsa de matérias-primas agrícolas para estabilizar os preços

Na Costa do Marfim, um produtor agrícola que deseja vender a sua colheita depende das avaliações subjetivas dos compradores para definir o preço. Inaugurada no verão de 2025 por iniciativa governamental, a “Bolsa de Matérias-Primas Agrícolas da Costa do Marfim” introduz um terceiro independente: o corretor, responsável por avaliar a qualidade do produto e garantir transações transparentes.

Em projeto desde 2016 e finalmente operacional, este mercado assenta numa rede de armazéns homologados onde os produtores podem depositar as suas colheitas. Ele pretende responder a três necessidades: garantir preços mais justos, estabilizar o mercado e dinamizar as cadeias de valor. Atualmente, três produtos – caju, noz de cola e milho – estão cotados nesta Bolsa. Cerca de vinte outros produtos deverão ser incluídos a médio prazo, incluindo o cacau, pilar histórico da economia marfinense.

A agricultura, coração frágil da Costa do Marfim

Esta iniciativa reflete a vontade das autoridades marfinenses de oferecer novos mercados aos agricultores, numa sociedade ainda amplamente rural. O setor agrícola emprega 60% da população ativa, contribui com 25% do PIB e 40% das exportações.

Nos últimos quinze anos, a economia marfinense estruturou-se, apoiada por uma forte vontade política, garantindo um crescimento anual médio superior a 6%. As zonas rurais beneficiaram desta dinâmica, mas em menor escala do que as áreas urbanas – principais motores da modernização e da criação de atividades.

A agricultura de subsistência continua a apresentar rendimentos insuficientes, enquanto as cadeias de exportação, embora prósperas, sofrem de uma baixa taxa de transformação local – principal fonte de valor acrescentado. Esta situação afeta diretamente o nível de vida no campo: em 2021, mais de metade da população rural (54,4%) vivia abaixo do limiar de pobreza, contra menos de um quarto dos urbanos (22,2%), segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Programas estruturantes e acesso ao financiamento

Consciente destas fragilidades, o governo marfinense lançou reformas estruturais de longo prazo, apoiadas por programas específicos, como o Projeto de Desenvolvimento das Cadeias de Valor Alimentar (PDC2V) ou o Programa de Apoio ao Desenvolvimento das Cadeias Agrícolas (PADFA).

Paralelamente, a Câmara Nacional da Agricultura da Costa do Marfim estabeleceu, desde o início de 2024, uma parceria estratégica com o Ecobank para facilitar o acesso ao crédito aos atores do setor. Apoiado pelo Estado, este dispositivo visa reforçar a formação dos profissionais, renovar infraestruturas e modernizar técnicas agrícolas – e, em última análise, elevar a agroindústria marfinense a padrões internacionais.

Infraestruturas: a chave para ligar as regiões produtoras

No verão de 2025, o Banco Africano de Desenvolvimento concedeu à Costa do Marfim um financiamento de 116 milhões de euros para “desenvolver infraestruturas agrícolas e a integração transfronteiriça”. O objetivo deste programa governamental é crucial: nas regiões fronteiriças do Este e Oeste, o estado degradado das estradas e a falta de infraestruturas de transporte obrigam muitas vezes os agricultores a vender a produção a preços baixos ou a perder uma parte significativa.

O projeto prevê a modernização de dois corredores rodoviários estratégicos e várias vias urbanas, melhorando o acesso dos produtores aos mercados e fortalecendo os intercâmbios com Gana e Libéria.

Modernização agrícola: um eixo estratégico para 2030

A Costa do Marfim definiu, igualmente, a luta contra a pobreza como prioridade: o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) para 2026-2030 (em fase de finalização) prevê reduzi-la para menos de 20% a nível nacional. Este desafio não poderá ser alcançado sem uma melhoria significativa do nível de vida nas zonas rurais.

A modernização da agricultura e o reforço das cadeias de valor agrícolas constituem, portanto, um eixo estratégico do PND, desdobrado em várias frentes, tanto para culturas de subsistência como para produtos de exportação:

  • melhorar a produtividade e os rendimentos, modernizando técnicas agrícolas sem comprometer a sustentabilidade – limitando assim os insumos químicos e o desmatamento;
  • garantir melhores mercados e preços para os produtores, através do reforço de infraestruturas, da modernização dos mercados locais e de iniciativas como a Bolsa Agrícola;
  • aumentar a transformação local, nomeadamente para as cadeias de exportação – cacau, algodão, café e caju.

Símbolo desta determinação: na cerimónia de encerramento do Salão Internacional da Agricultura e Recursos Animais, em junho de 2025, em Abidjan, o Primeiro-Ministro entregou aos produtores equipamento moderno – tratores, ceifeiras-debulhadoras, motocultores e outros equipamentos. Relembrou o roteiro definido pelo executivo: estar “à altura da produtividade e da transformação”, para transformar profundamente a agricultura da Costa do Marfim e avançar rumo a uma prosperidade mais equitativa.

 

Num contexto de mercado em alta para o ouro, os investimentos continuam a fluir para o setor aurífero africano em 2025. Na África do Sul, em particular, a Theta Gold já anunciava, em outubro passado, uma captação de fundos de 33,9 milhões de USD para o seu projeto aurífero TGME.

Na África do Sul, a Theta Gold Mines Limited assinou uma carta de intenções não vinculativa com a empresa norte-americana Nebari Partners LLC relativa a um empréstimo garantido de 80 milhões de USD. A iniciativa, anunciada numa nota publicada na terça-feira, 16 de dezembro, visa, a longo prazo, apoiar o desenvolvimento da futura mina TGME da empresa, com vista à sua entrada em operação no início de 2027.

Em detalhe, o financiamento proposto está dividido em duas tranches, a primeira no valor de 45 milhões de USD, que deverá estar disponível no início de 2026. A Theta Gold Mines terá depois a possibilidade de solicitar os 35 milhões de USD restantes nos três meses seguintes ao encerramento do acordo. O empréstimo é garantido pelos ativos da empresa e cobrirá, segundo se sabe, a totalidade dos fundos necessários para concluir a construção e colocar a TGME em produção, conforme o cronograma mencionado.

“Obter um financiamento não vinculativo junto da Nebari representa um novo passo importante em direção à nossa primeira produção de ouro no primeiro trimestre de 2027. Também demonstra uma grande confiança no projeto aurífero TGME e na equipa de gestão envolvida em todos os níveis. Consideramos a parceria com a Nebari e as opções de financiamento flexíveis, que permitem cenários de co-empréstimo, como excelentes oportunidades para a empresa”, declarou Bill Guy, presidente da Theta.

Este desenvolvimento é o mais recente nas iniciativas levadas a cabo nos últimos meses pela empresa para assegurar o financiamento da TGME. Em outubro passado, já anunciava ter recebido compromissos firmes de investidores para uma captação de fundos de 33,9 milhões de USD. Com base nestes esforços, a Theta pretende lançar uma mina de ouro capaz de produzir 1,14 milhões de onças ao longo de 14,5 anos, com uma produção máxima anual prevista de 160.000 onças a atingir até ao quinto ano de operação. O custo inicial está estimado em 79 milhões de USD, segundo um estudo de viabilidade otimizado.

O próximo passo no processo é a finalização do acordo em curso com a Nebari. Isso exigirá a realização de uma auditoria prévia, a aprovação do comité de investimento do credor e a obtenção das autorizações regulatórias necessárias para tornar o negócio juridicamente vinculativo. Não foi anunciada qualquer data limite para este efeito. Entretanto, nota-se que estes avanços se inserem num contexto de mercado ainda favorável ao ouro, cujos preços já aumentaram mais de 60% desde janeiro de 2025.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Na Nigéria, como em muitos países africanos, a qualidade das sementes continua a ser um dos principais gargalos para a produtividade de culturas alimentares como o arroz e o milho. Enquanto o país mais populoso de África procura aumentar a sua oferta para satisfazer a procura atual e futura, o fortalecimento e desenvolvimento de uma indústria de sementes sólida tornou-se uma prioridade para o governo.

No final de novembro, com o apoio da Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA), o governo lançou uma estratégia e um plano de investimento dedicados a este segmento. Em entrevista à Agência Ecofin, Esther Ibrahim, responsável de programa da AGRA na Nigéria desde 2017, fala sobre o envolvimento da organização na elaboração desta folha de rota, o seu lançamento, bem como outras iniciativas que visam a cadeia de valor das sementes no país.

Esther Ibrahim, responsável de programa da AGRA na Nigéria

Agência Ecofin (AE): O que faz concretamente a AGRA no setor agrícola na Nigéria, e mais especificamente no segmento das sementes?

Esther Ibrahim (EI): Começo por dizer que somos uma organização cuja visão é apoiar os agricultores, colocando-os no centro dos nossos programas. Trabalhamos com diversos parceiros ao longo da cadeia de valor — desde instituições públicas a investigadores e atores privados — para mudar a forma de cultivar, garantindo que a agricultura se torne uma atividade económica sustentável, e não apenas uma forma de produzir alimentos.

Na AGRA, acreditamos que um sistema de sementes sólido é fundamental, assim como práticas agrícolas sustentáveis, boas políticas públicas, um mercado inclusivo, comércio e financiamento. Para aumentar de forma sustentável a produtividade dos agricultores e conectá-los aos mercados globais, tudo começa com a semente. Costumamos dizer que 50% da produtividade depende da qualidade da semente. Se usar sementes de qualidade, resistentes ao clima e nutritivas, resolve pelo menos metade dos problemas. Sem boas sementes, perde-se tempo mesmo adquirindo outros insumos.

A AGRA desempenha, portanto, um papel importante no setor de sementes da Nigéria. Apoiamo vários atores, desde instituições a melhoradores, para fortalecer competências necessárias à melhoria varietal. Também trabalhamos para garantir políticas adequadas que apoiem o crescimento do sistema de sementes do país.

Falando em políticas públicas, no final de novembro a Nigéria lançou uma nova Estratégia e Plano de Investimento para o setor de sementes. Como contribuiu a AGRA para a elaboração deste quadro?

A AGRA teve um papel significativo. Desde 2016 apoiamos o Conselho Nacional de Sementes Agrícolas (NASC). Entre 2016 e 2020, por exemplo, colaborámos com eles na atualização da Lei Nacional de Sementes, adotada por decreto em 2019. Este trabalho envolveu modernizar o quadro legal para ensaios oficiais de sementes, certificação, controlo de qualidade, comercialização, comércio e utilização das sementes.
Também abrangeu a transposição do regulamento harmonizado de sementes da CEDEAO, estabelecimento de regras claras para a participação do setor privado na produção e certificação de sementes — incluindo gestão e licenças — e a reorganização do NASC para fortalecer o desenvolvimento do sistema de sementes.

Foi criado um comité de registo e aprovação de variedades para supervisionar a autorização nacional de novas variedades. A AGRA contribuiu para o desenvolvimento de um portal online para gerir procedimentos de aprovação e produção de sementes de primeira geração, resolvendo problemas de disponibilidade e acessibilidade para pequenos produtores. Também participámos na atualização do catálogo nacional de sementes, que deve ser revisto regularmente, conforme os regulamentos da CEDEAO.

Com este conjunto de ações, ajudámos a criar um quadro jurídico completo. A AGRA não faz todo o trabalho no terreno; parceiros chave agora participam ativamente. A estratégia e o plano de implementação fornecem uma folha de rota para trabalhar com diferentes atores e enfrentar os desafios persistentes do setor.

A Estratégia identifica várias intervenções prioritárias ao longo da cadeia de valor das sementes. Quais são as primeiras ações previstas?

O plano lançado em Abuja, no final de novembro, concentra-se primeiro em alcançar os objetivos de produção de sementes para as principais culturas, como milho, arroz, sorgo, feijão-fradinho, soja e amendoim, aumentando simultaneamente a proporção de sementes certificadas. Por exemplo, o objetivo é aumentar a utilização de sementes certificadas de milho de 50% para 70%, e a do arroz de 44% para 60%. Progressos semelhantes são esperados para outras culturas prioritárias, como o amendoim e o sorgo.

Uma das prioridades centra-se, portanto, no desenvolvimento de modelos de financiamento para empresas de sementes. A AGRA já colabora com a Sahel Consulting para apoiar a Seed Entrepreneurs and Development Association of Nigeria (SEEDAN), que reúne as empresas de sementes privadas na Nigéria. Juntos, ajudamos a implementar modelos sustentáveis e a fortalecer os sistemas de governança. Há poucos dias, o plano estratégico da SEEDAN foi validado, posicionando a associação para desempenhar um papel mais estruturante, defender melhor os interesses do setor e promover mecanismos de financiamento para as empresas de sementes.

Outra prioridade diz respeito ao fortalecimento das redes de distribuição e à profissionalização das empresas de sementes. Quanto ao custo, o investimento necessário para o plano é estimado em 2,48 mil milhões de nairas, cerca de 1,7 milhão de USD. A melhoria varietal e a homologação representam cerca de 34% do orçamento, refletindo a sua importância estratégica. O ciclo que vai da seleção até à comercialização tem sido tradicionalmente longo, entre 7 e 10 anos. Graças às intervenções direcionadas da AGRA e de outros parceiros, este prazo foi reduzido para cerca de 3 anos. Os esforços continuam para acelerar ainda mais o processo, especialmente para variedades de alto rendimento e elevado valor nutricional.

Também trabalhamos na garantia de qualidade, outro domínio de investimento importante, que representa cerca de 31% do orçamento, pois a qualidade das sementes é fundamental para o desempenho do sistema. A AGRA já colaborou com o NASC para fortalecer os mecanismos de controlo de qualidade, e esta parceria continua. Uma ferramenta chave é o sistema electrónico de rastreabilidade de sementes, SeedCodex, que permite o acompanhamento através de códigos únicos, semelhante aos sistemas utilizados no setor farmacêutico. Permite aos compradores e reguladores verificar qual empresa produziu um determinado lote, facilitando a resolução de problemas de qualidade.

No geral, o plano visa garantir tanto a disponibilidade de variedades melhoradas como a integridade da qualidade das sementes, de modo a lançar as bases para um setor de sementes nigeriano mais sólido.

A formação dos agricultores, a sensibilização e os serviços de extensão de proximidade desempenham frequentemente um papel decisivo na adopção de sementes certificadas. Que mecanismos ou abordagens prevê a Estratégia para reforçar a sensibilização dos produtores e incentivar o uso de sementes certificadas?

De facto, a tecnologia está disponível nos laboratórios. Mas as sementes não têm pernas para ir onde são necessárias. É necessário um mecanismo para as levar até aos pequenos produtores, que representam 80% dos agricultores nigerianos. Este é precisamente o papel da extensão agrícola, que permite que as inovações provenientes dos centros de investigação cheguem onde estão os agricultores.  

Neste sentido, existe uma sinergia com parceiros para promover o modelo de aconselhamento comunitário. Trata-se de uma parceria público-privada implementada com o governo federal e atores privados, para colmatar o défice de extensão.

Segundo o Serviço Nacional de Extensão Agrícola e Ligação à Investigação (NAERLS), a proporção de agente de extensão por família agrícola era de 1 para 6000 em 2021, o que continua largamente insuficiente. Através do modelo comunitário, tentamos reduzir esta lacuna e melhorar a situação nos estados onde atuamos, como Kaduna e Niger. Mais amplamente, trabalhamos com o governo nigeriano para que a extensão receba todo o apoio necessário, de modo a difundir as tecnologias diretamente junto dos agricultores. Guias de formação para diferentes culturas já foram digitalizados, sublinhando a importância da utilização de sementes melhoradas para milho, arroz, feijão-fradinho, soja, tomate ou mandioca, em colaboração com os nossos parceiros.

Também reforçámos as capacidades dos conselheiros comunitários em parceria com o NAERLS, a Associação Sasakawa para África (SAA), e várias empresas de sementes privadas, como a Premier Seed. Estes parceiros produzem agora sementes de qualidade e expandem gradualmente este modelo para outros estados da Nigéria. Continuaremos a trabalhar para construir um sistema robusto de distribuição de proximidade, que permanece uma prioridade.

Por exemplo, a Premier Seed mobiliza atualmente cerca de 70 jovens na produção e multiplicação de sementes, e mais de 80 como promotores rurais. Estes conselheiros, formados pelo NAERLS e integrados na rede de distribuição da Premier Seed, estão constantemente no terreno. Este modelo já não se limita a uma única empresa, e continuamos a colaboração com vários atores para fortalecer este quadro de parceria público-privada.

Os investimentos em laboratórios de ensaio, infraestruturas de garantia de qualidade e redes de distribuição têm sido determinantes para o fortalecimento da indústria de sementes em vários países africanos. Que melhorias ou investimentos específicos estão previstos na Nigéria para reforçar o controlo de qualidade, reduzir a contrafação e melhorar o acesso a sementes certificadas?

EI: Devo dizer que este é um aspeto importante do nosso envolvimento no terreno. Em termos de infraestruturas, a AGRA apoiou o NASC na modernização do seu laboratório de certificação e de dois laboratórios regionais satélite. Estes investimentos permitiram-lhe obter a acreditação da Associação Internacional de Testes de Sementes (ISTA). Com a chegada de novas tecnologias, serão necessárias atualizações regulares, mas até agora a acreditação foi mantida e o NASC continua os seus esforços em conformidade e garantia de qualidade.

A Nigéria também se tornou, em março de 2025, o 80.º membro da União Internacional para a Proteção das Obtenções Vegetais (UPOV), graças aos progressos realizados no fortalecimento do setor de sementes nacional, com o apoio da AGRA e de outros intervenientes em colaboração com o NASC. Estamos a melhorar a regulamentação das sementes com a publicação do quadro de proteção das variedades (PVP) e a elaboração de procedimentos mais claros para certificação, controlos de importação e exportação e homologação de variedades, em conformidade com as regulamentações da CEDEAO. As iniciativas em curso através da plataforma Seed Connect visam harmonizar os processos, reduzir os gargalos e acelerar o comércio de sementes na região.

No que diz respeito à contrafação, realizámos um estudo de viabilidade que confirmou a presença de sementes fraudulentas no mercado, mas várias medidas de mitigação já estão em vigor. O Seed Codex, um sistema eletrónico de marcação e rastreabilidade, é agora aplicado a todos os sacos de sementes certificadas. Diferentes tipos de etiquetas são utilizados para vegetais, cereais e embalagens de 2, 5 ou 10 quilos, facilitando a autenticação pelos agricultores. O NASC realiza também inspeções de mercado e levou a cabo operações em lojas de agro-fornecimentos que vendiam sementes mal etiquetadas ou não certificadas.

Graças ao sistema de informação de gestão (MIS), o NASC consegue comparar a produção anual declarada por uma empresa com os volumes realmente observados no mercado. Se uma empresa declara 10 toneladas, mas circulam 20 toneladas, é imediatamente aberta uma investigação. Creio que este sistema, aliado ao Seed Codex, limita consideravelmente os riscos de fraude.

Quais são os principais desafios operacionais que antecipam na implementação da Estratégia?

Em termos organizacionais, o NASC liderará o processo. Possui escritórios nas seis zonas agroecológicas do país e é a principal agência responsável por coordenar e acompanhar a implementação da Estratégia. Trabalhará em estreita colaboração com a SEEDAN, o Ministério Federal da Agricultura e Segurança Alimentar, os centros do Grupo Consultivo para a Investigação Agrícola Internacional (CGIAR) e outros intervenientes privados. É um esforço coletivo que exige plena colaboração de todo o ecossistema.

Estas modalidades de implementação da Estratégia foram apresentadas e discutidas durante a 8.ª edição da conferência SeedConnect Africa, em Abuja, onde foi oficialmente lançada. As partes interessadas propuseram também hospedar o plano de investimento no site do NASC, ou até no da AGRA, para facilitar o acesso. Creio que a advocacia desempenhará um papel essencial, nomeadamente para aumentar os orçamentos públicos destinados à agricultura, fortalecer a SEEDAN e a plataforma nacional do setor de sementes, de modo a melhor representar o setor privado, e promover a utilização de ferramentas de autenticação como o Seed Codex, o Seed Tracker desenvolvido pelo IITA (Instituto Internacional de Agricultura Tropical), bem como outros sistemas digitais que serão integrados num sistema unificado de gestão de sementes.

Se quisermos transformar de forma sustentável o sistema agroalimentar, devemos dispor de um setor de sementes eficaz na Nigéria.

O plano de investimento deve servir como instrumento estratégico para o NASC atrair financiamentos para o setor de sementes. A AGRA continuará a fornecer apoio técnico para garantir uma implementação eficaz. Devo acrescentar que o trabalho sobre o sistema de sementes não começa do zero. Já existem colaborações, ferramentas e várias iniciativas em curso que abordam diferentes aspetos do sistema. Reforçar a coordenação e evitar duplicações será essencial para construir um sistema de sementes coerente e eficiente.

Em resumo, se quisermos transformar de forma sustentável o sistema agroalimentar, devemos dispor de um setor de sementes eficaz na Nigéria. A semente é o fundamento da agricultura. Por isso, devemos garantir que este componente essencial do setor agrícola esteja plenamente operacional.

Entrevista conduzida por Espoir Olodo.

 

A taxa de inflação global da Nigéria desacelerou para 14,45% em novembro de 2025, contra 16,05% registados no mês anterior, continuando assim a sua tendência de queda. É o que indica o relatório do Escritório Nacional de Estatística (NBS), publicado na segunda-feira, 15 de dezembro de 2025.

Este recuo é favorecido pela diminuição nas categorias de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, de restaurantes e serviços de alojamento, bem como nos transportes.

 

No início de dezembro, na sequência do golpe de Estado na Guiné-Bissau, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) suspendeu o país das suas instâncias e retirou-lhe a presidência em exercício.

A Guiné-Bissau anunciou, na segunda-feira, 15 de dezembro de 2025, através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a suspensão imediata de todas as suas atividades no âmbito da CPLP. Esta decisão foi motivada por “violações repetidas dos estatutos da organização”, bem como pela não-reconhecimento da Guiné-Bissau como presidência em exercício da CPLP, lê-se no comunicado.

Bissau denuncia também a ausência de justificações claras, de transparência processual e de mecanismos de acompanhamento nas decisões tomadas, considerando que estas falhas prejudicam a credibilidade institucional da organização.

Esta suspensão insere-se na vontade expressa da Guiné-Bissau de defender a soberania nacional face ao que considera uma grave afronta à legitimidade institucional do Estado.

No seu comunicado, Bissau especifica ainda que manterá a suspensão da sua participação em todas as atividades da CPLP até que o respeito integral pelos estatutos e pela presidência em exercício seja plenamente restabelecido.

Até ao momento, não foi registada qualquer reação oficial por parte da organização.

Esta decisão poderá ter repercussões significativas nas relações entre a Guiné-Bissau e a comunidade lusófona, da qual o país é um membro influente. Ela ocorre num contexto político tenso, marcado pelo golpe de Estado ocorrido no país, na sequência do qual a CPLP suspendeu o país e transferiu provisoriamente a presidência para outro Estado-membro.

 

Ingrid Haffiny (estagiária)

 

À medida que o mercado de trabalho se transforma e as exigências de competências se intensificam, o upskilling impõe-se como uma resposta estruturante para reforçar a empregabilidade. Em África, ganha importância como uma ferramenta capaz de converter o dinamismo demográfico da juventude em oportunidades económicas sustentáveis.

Para a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o upskilling enquadra-se na lógica do desenvolvimento de competências e da aprendizagem ao longo da vida. O upskilling consiste em reforçar e atualizar os conhecimentos e capacidades dos trabalhadores, de modo a que possam adaptar-se às evoluções tecnológicas, organizacionais e económicas. O objetivo não é mudar de profissão, mas consolidar aquela que se exerce, integrando novas práticas, métodos ou tecnologias.

Num ambiente marcado pela rápida digitalização, automação e emergência de novos modelos económicos, a OIT identifica o upskilling como um pilar da aprendizagem contínua. Esta dinâmica permite antecipar as mudanças no mundo do trabalho, assegurar trajetórias profissionais e promover o acesso a empregos dignos e produtivos, em consonância com os objetivos do Programa de Desenvolvimento Sustentável para 2030.

O desafio é particularmente acentuado em África, onde a transição demográfica se acelera, enquanto milhões de jovens entram todos os anos no mercado de trabalho. Os dados da OIT mostram que uma parte significativa desta juventude permanece desempregada, sem formação ou limitada a atividades informais de baixa produtividade. Quase um quarto dos jovens africanos é, assim, classificado como NEET, segundo a OIT, ilustrando o desfasamento persistente entre as competências disponíveis e as necessidades do tecido económico.

Perante esta situação, o upskilling constitui uma resposta direta aos desequilíbrios observados. Ao desenvolver competências digitais, técnicas e comportamentais, melhora-se a adaptabilidade e a produtividade dos jovens já licenciados ou inseridos profissionalmente. A OCDE sublinha que o investimento em competências representa um alavanca decisiva para elevar a qualidade do emprego e reforçar o desempenho económico dos países africanos.

O Banco Africano de Desenvolvimento partilha esta análise e recorda que o desenvolvimento de competências se encontra entre os meios mais eficazes para transformar o crescimento demográfico em vantagem competitiva. Para a juventude africana, o upskilling afirma-se assim como um vetor estratégico de inclusão económica, desde que seja apoiado por políticas públicas coerentes e parcerias sólidas com o setor privado.

 

Félicien Houindo Lokossou

 

 

No Gana, a urbanização rápida e a evolução dos hábitos de consumo conferem ao mercado de retalho um forte potencial de crescimento, atraindo a atenção de novos operadores estrangeiros.

O grupo francês Carrefour prevê entrar no mercado ganense de distribuição em 2026, no âmbito de uma parceria de franchising estabelecida entre a sua filial dedicada ao desenvolvimento internacional, Carrefour Parceria Internacional, e o operador local Brands For All. O acordo foi anunciado na segunda-feira, 15 de dezembro, num comunicado conjunto de ambos os parceiros.

Segundo os termos desta nova parceria, a implantação do Carrefour no Gana começará com a aquisição e conversão, sob a sua marca, de toda a rede do distribuidor sul-africano Shoprite Gana. Este último tinha indicado desde junho de 2025 que tinha recebido uma proposta para a venda dos 7 hipermercados que opera no país.

A entrada em funcionamento destes pontos de venda sob a marca Carrefour deverá ocorrer a partir de abril de 2026, marcando o lançamento efetivo das atividades do grupo francês no território ganense.

Uma expansão já planeada

Para além da aquisição da rede existente da Shoprite, o acordo prevê um plano de desenvolvimento que inclui a abertura de cinco novos pontos de venda até 2028, elevando para 12 o número de lojas Carrefour no Gana. Esta estratégia visa reforçar a presença do grupo francês num mercado de cerca de 35 milhões de habitantes, dos quais quase 60% vivem em áreas urbanas, num contexto de transformação gradual dos hábitos de consumo.

Este projeto insere-se também no âmbito do “Plano Carrefour 2026”, que ambiciona a entrada do grupo em dez novos países através do franchising. “Esta expansão no Gana é mais um passo na implementação da nossa estratégia de crescimento internacional em franchising, cujo objetivo de 3 000 lojas em franchising foi ultrapassado em outubro de 2025”, declarou Patrick Lasfargues, diretor executivo da Carrefour Parceria Internacional.

Ao optar pelo desenvolvimento em franchising no Gana, o Carrefour adota um modelo de expansão sem investimento direto, capaz de limitar a sua exposição financeira, já que os investimentos são geralmente assumidos pelo parceiro local, enquanto o distribuidor se concentra na marca, no conceito e no abastecimento.

Um mercado em rápido crescimento disputado por vários operadores

O setor da distribuição no Gana registou um forte crescimento nos últimos anos. Num relatório publicado em novembro de 2025, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou que o tamanho deste mercado teria aumentado 36,06%, passando de 24,4 mil milhões de dólares em 2021 para 33,2 mil milhões em 2024.

Além disso, alguns fatores indicam a continuação desta tendência nos próximos anos. “O setor de distribuição alimentar ganense está geralmente concentrado na capital Accra (próxima do porto de Tema), bem como em Kumasi e Takoradi. No entanto, observa-se uma expansão dos centros comerciais e da distribuição alimentar nas capitais regionais do país. Embora uma parte significativa da população continue a preferir fazer as compras semanais nos mercados tradicionais, esta tendência está a mudar à medida que a classe média cresce”, destaca o relatório.

Segundo o USDA, a distribuição alimentar no Gana é dominada por pequenos mercearias locais ou lojas comunitárias, que representam 83% do mercado, enquanto a grande distribuição — que inclui supermercados, hipermercados e outros distribuidores modernos — representa apenas 17% do mercado.

Carrefour, que pretende entrar na grande distribuição, terá forte concorrência

O Carrefour, que pretende ganhar terreno na grande distribuição, terá de enfrentar a concorrência dominada pela marca Melcom, atualmente a maior cadeia de distribuição do Gana, com quase 75 hipermercados.

Segue-se a China Mall, com 12 supermercados, MaxMart Family Shopping Center com 7 supermercados, Palace Hypermarket com 5 hipermercados, e All Needs com 5 supermercados.

Outro desafio para o Carrefour será afirmar-se face ao crescimento do e-commerce, apoiado numa taxa de penetração de Internet de cerca de 70% e na forte utilização de dispositivos móveis no Gana. Operadores locais como a Jumia aproveitam esta tendência para expandir os seus serviços de entrega online.

De qualquer forma, ainda será necessário algum tempo para avaliar como o Carrefour poderá alterar as quotas de mercado no segmento da grande distribuição no Gana. Em 2024, o grupo francês declarou um crescimento de 9,9% no seu volume de negócios, atingindo 94,55 mil milhões de euros (111 mil milhões de dólares).

 

Stéphanas Assocle

 

 

De acordo com dados oficiais, as start-ups marroquinas levantaram cerca de 94,96 milhões de dólares em 2024, contra 33,26 milhões em 2023 e 26,2 milhões em 2022. As autoridades visam atingir aproximadamente 763,6 milhões de dólares em captações até 2030.

Na semana passada, o governo marroquino revelou a sua intenção de investir 1,3 mil milhões de dirhams (142 milhões USD) para apoiar start-ups nacionais. Esta iniciativa, inserida na estratégia nacional de transformação digital, surge no seguimento de uma série de ações intensificadas nos últimos meses para acelerar o desenvolvimento do ecossistema nacional.

O envelope financeiro foi anunciado durante a sessão de encerramento da conferência «Digital Now 2025», organizada pelo Clube de Líderes e realizada em Casablanca de 10 a 12 de dezembro, pela Ministra da Transição Digital e da Reforma Administrativa, Amal El Fallah-Seghrouchni. A ministra precisou que 750 milhões de dirhams serão dedicados a programas de criação de empresas, 450 milhões de dirhams a capital de risco, e 70 milhões de dirhams à rede Technopark, principal hub tecnológico e empreendedor do país.

A ministra confirmou que estes programas visam criar 1.000 start-ups até 2026 e 3.000 até 2030, com foco na integração da digitalização em zonas rurais e no lançamento dos institutos «Al-Jazri» para apoiar os sistemas de inovação a nível regional.

Redes, fundos e incubadoras no centro da estratégia

A 4 de dezembro, o Technopark e a Renew Capital, um dos investidores pan-africanos mais ativos no financiamento de start-ups, anunciaram uma parceria. A Renew Capital comprometeu-se a apoiar start-ups marroquinas e norte-africanas na sua expansão para os mercados da África subsariana, conectando simultaneamente as instituições marroquinas às oportunidades emergentes nos ecossistemas mais dinâmicos do continente.

O governo marroquino já tinha assinado, a 19 de novembro, um acordo de parceria com o Keiretsu Forum MENA, considerado uma das maiores redes globais de investidores privados da Silicon Valley. Esta iniciativa visa sobretudo atrair mais investidores internacionais para o ecossistema de start-ups do país.

Entretanto, no final de novembro, o governo anunciou o lançamento de um mecanismo dedicado ao apoio a fundos de investimento especializados em start-ups. Este instrumento pretende incentivar a criação e financiamento de fundos orientados para jovens empresas inovadoras, ao mesmo tempo que reduz os riscos assumidos pelos investidores privados.

Na sua estratégia «Digital Marrocos 2030», o país pretende criar um ambiente mais favorável às start-ups, combinando reformas regulatórias, reforço do financiamento e melhoria do acesso aos mercados. O plano prevê, entre outros pontos, a criação de um selo dedicado, mecanismos de financiamento para todas as fases de desenvolvimento, apoio reforçado através de incubadoras locais e internacionais, bem como maior abertura à contratação pública e aos mercados externos.

Ambições elevadas, apesar de desafios estruturais persistentes

O país pretende levantar 2 mil milhões de dirhams para start-ups até 2026 e 7 mil milhões de dirhams até 2030. O objetivo é ainda contar com 10 start-ups de elevado crescimento (“gazelas”) até 2026 e uma a duas “unicórnios” até 2030. Mais amplamente, Marrocos ambiciona tornar-se um produtor importante de soluções digitais, com uma contribuição estimada da economia digital de 100 mil milhões de dirhams para o PIB nacional em 2030.

No entanto, um relatório da Universidade Mohammed VI Politécnica (UM6P), publicado em junho de 2025, destacou vários desafios estruturais que persistem no ecossistema nacional. Entre eles, a falta de financiamento em fases avançadas (Series A/B), insuficientes vias de saída para investidores, bem como desequilíbrios regionais e de género.

Isaac K. Kassouwi

 

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