Estratégicos para aplicações industriais, nomeadamente ligas, o zinco e o chumbo estão no centro do projeto Tala Hamza, uma das obras mineiras de referência em desenvolvimento na Argélia. A sua concretização deverá apoiar a diversificação de uma economia ainda dominada pelos hidrocarbonetos.
A mineradora australiana Terramin anunciou, na terça-feira, 24 de março, o início dos trabalhos preparatórios da sua futura mina de zinco e chumbo Tala Hamza, na Argélia. Este avanço ocorre após a resolução, pelo Estado, de restrições de acesso ao local, que retardavam o bom andamento das operações nos últimos meses.
30 milhões USD para superar barreiras fundiárias
Numa análise de viabilidade definitiva (DFS) publicada em 2018, a Terramin apresentava a sua ambição de desenvolver em Tala Hamza uma exploração significativa de zinco e chumbo, capaz de figurar entre as dez maiores minas de zinco do mundo. Vários anos depois, a fase de construção do projeto ainda não tinha começado. Em relatórios anteriores, a empresa mencionava até mesmo uma «suspensão das primeiras atividades de construção», condicionada à segurança do acesso ao local.
Esta etapa foi agora ultrapassada, com a finalização do realojamento das comunidades vizinhas, graças à intervenção das agências governamentais argelinas. Segundo a Terramin, estas agências despenderam cerca de 30 milhões USD para adquirir o terreno destinado às operações mineiras, reservado «para uso exclusivo do projeto». Com este obstáculo removido, a empresa iniciou os trabalhos de pré-desenvolvimento, incluindo a limpeza do local e a preparação das áreas de exploração.
«O início dos trabalhos de preparação do sítio de Tala Hamza constitui uma etapa importante. A resolução dos problemas de acesso ao terreno, que atrasaram os progressos nos últimos trimestres, permite-nos agora prosseguir com as atividades. Com o acesso ao local assegurado, podemos concentrar-nos na execução e avançar com o projeto rumo à sua implementação», declarou Bruce Sheng, presidente executivo da Terramin.
Este envolvimento do poder público não é, porém, indiferente, pois Tala Hamza é maioritariamente controlado pelo Estado através de instituições públicas (51%), contra 49% da Terramin. O lançamento da fase operacional tinha sido anunciado, aliás, na semana passada pelo Primeiro-Ministro argelino, Sifi Ghrieb, durante uma visita ao local. O objetivo declarado é transformar esta futura mina num motor para o desenvolvimento da indústria mineira, que representa apenas cerca de 1% do PIB, e apoiar a diversificação gradual de uma economia largamente dominada pelos hidrocarbonetos.
Outras etapas ainda por percorrer
Apesar dos progressos recentes, a Terramin e as autoridades argelinas ainda têm de colaborar para superar várias outras etapas cruciais. A mobilização de financiamento continua a ser prioritária. Segundo os últimos relatórios, serão necessários cerca de 471 milhões USD para construir uma mina capaz de produzir, a longo prazo, cerca de 170 000 toneladas de zinco e 30 000 toneladas de chumbo por ano, com uma vida útil estimada de 20 anos.
Para já, poucos detalhes foram revelados sobre as modalidades de financiamento. A Terramin pretende, no entanto, continuar a planificação do desenvolvimento e manter o diálogo com as autoridades governamentais. O calendário preciso de implementação ainda não foi confirmado, sendo contudo esperado que o início oficial da construção ocorra em 2026.
Para além de Tala Hamza, a Argélia continua a desenvolver outros projetos mineiros de grande escala. A mina de ferro Gara Djebilet entrou em fase de exploração mais cedo este ano, enquanto o projeto de fosfato Bled El Hadba avança na cidade de Tébessa.
Aurel Sèdjro Houenou
Através desta parceria, os dois países reforçam a sua cooperação económica e social bilateral. Os projetos previstos visam a educação, a segurança e as tecnologias.
A Tanzânia e a Áustria acordaram implementar projetos estratégicos no valor de 30 milhões de euros (34,8 milhões de dólares), com o objetivo de reforçar a sua cooperação em matéria de desenvolvimento.
O anúncio foi feito pelo vice-ministro das Finanças da Tanzânia, Mshamu Munde, na segunda-feira, 23 de março, após uma reunião com uma delegação austríaca liderada pela vice-ministra dos Assuntos Europeus e Internacionais, Hannah Liko.
Os projetos distribuem-se principalmente pelos setores da educação, da segurança e da tecnologia. O ministro explicou que a Áustria financia projetos-chave através de empréstimos em condições favoráveis, que contribuem diretamente para melhorar o bem-estar dos cidadãos, nomeadamente a renovação e instalação de sistemas modernos no Instituto de Ciência e Tecnologia de Karume (KIST), bem como o reforço do sistema educativo em Zanzibar.
Durante os encontros, ambas as partes abordaram a implementação da Estratégia Austríaca para África (2026–2029), que prevê o reforço da paz e da segurança, a promoção de uma economia verde, uma melhor gestão das migrações irregulares, ao mesmo tempo que desenvolve sistemas de migração legal e eficaz, e o incentivo aos avanços nos domínios da ciência e da educação.
A Tanzânia convidou igualmente a Áustria a aumentar os seus investimentos no âmbito da Visão 2050, que pretende transformar a Tanzânia numa economia industrial de elevado rendimento, com um PIB estimado em cerca de 1000 mil milhões de dólares americanos. A agricultura, o turismo, a indústria, a exploração mineira e a economia azul são identificados como motores essenciais desta transformação económica.
Um crescimento que atrai investidores
Nos últimos anos, a Tanzânia conseguiu manter a estabilidade macroeconómica apesar de choques externos severos. A sua economia manteve-se robusta, com um crescimento estimado em 6% em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), finanças públicas bem controladas e uma inflação moderada, inferior à meta de 5% estabelecida pelo Banco da Tanzânia.
De acordo com o Banco Mundial, graças aos seus vastos recursos naturais e a uma dinâmica demográfica favorável, o país conseguiu sustentar um elevado nível de investimento, um motor essencial do seu crescimento. Beneficiou também de uma melhoria significativa do seu ambiente de negócios, o que impulsionou a entrada de investimentos, em particular de investimento direto estrangeiro (IDE) no desenvolvimento das capacidades de produção.
A Tanzânia e a Áustria mantêm uma parceria sólida e em plena expansão, centrada na diplomacia económica.
Lydie Mobio
Segundo Noumory Sidibé, diretor-geral da CI-Énergies, a Costa do Marfim não enfrenta um défice de produção elétrica. As perturbações observadas derivam antes das limitações da rede de distribuição, pressionada pelo rápido aumento da procura e por episódios de calor excecional.
O diretor-geral da CI-Énergies, Noumory Sidibé (foto), anunciou na segunda-feira, 23 de março, o lançamento de um plano de investimento de 700 mil milhões de FCFA (cerca de 1,2 mil milhões de dólares) destinado a reforçar a rede elétrica na Costa do Marfim.
Em declarações à Nouvelle Chaîne Ivoirienne (NCI), explicou que este programa visa prioritariamente a melhoria da qualidade da eletricidade, através da modernização e do reforço da rede de distribuição.
«Estes projetos já começaram a ser implementados e vocês irão constatar, no mais tardar na próxima semana, obras de grande envergadura a serem realizadas no distrito de Abidjan e também em várias localidades», afirmou Sidibé. Salienta, no entanto, que os efeitos não serão imediatos, devido aos prazos técnicos necessários à execução.
Uma rede sob pressão, apesar da produção suficiente
Nas últimas semanas, os cortes de eletricidade observados em vários bairros do Grande Abidjan suscitaram preocupações. Segundo o dirigente, a situação não se deve a um défice de produção. «A capacidade instalada é suficiente para cobrir a procura nacional», assegura, apontando antes para os limites da rede de distribuição.
A rede sofre, de facto, sobrecargas pontuais, agravadas por picos de calor incomuns que provocam um aumento significativo do consumo elétrico. Em fevereiro de 2026, a procura cresceu 14% em relação ao ano anterior, correspondendo a um excesso estimado de 300 MW.
«Exploramos a rede ao limite das suas capacidades», reconheceu o diretor-geral, acrescentando que esta situação torna o sistema particularmente vulnerável ao menor incidente técnico. Para ele, esta tensão deve-se em parte às escolhas estratégicas feitas nos últimos anos, nas quais o Estado marfinense privilegiou uma política de acesso alargado à eletricidade.
Graças, nomeadamente, ao Programa Eletricidade Para Todos (PEPT), lançado em 2014, quase 500 000 novos assinantes foram ligados à rede, permitindo elevar a taxa de eletrificação de 34% em 2011 para 98% em 2025, com mais de 6 600 localidades recentemente servidas em 15 anos, contra 2 800 em 50 anos.
Esta expansão rápida aumentou mecanicamente a pressão sobre infraestruturas por vezes dimensionadas ao limite, expondo a rede a riscos elevados de saturação, acrescentou.
Um setor em mutação, desafios persistentes
Desde a liberalização do setor em 2014, o sistema elétrico marfinense baseia-se num modelo que envolve múltiplos atores, da produção à distribuição. O país impõe-se hoje como um dos mercados energéticos mais dinâmicos da África Ocidental, com a ambição de se tornar um hub regional até 2030.
Apesar destes avanços, persistem disparidades, nomeadamente em algumas zonas rurais ainda insuficientemente servidas. O crescimento sustentado da procura continua a pressionar as infraestruturas existentes, tornando indispensáveis novos investimentos.
Importa referir que o Projeto de Desenvolvimento e Reabilitação da Rede Elétrica da Costa do Marfim (PRODERCI) permitiu melhorar o desempenho do sistema, com a eficiência a passar de 78,78% em 2015 para 83,7% em 2024, segundo dados governamentais. O tempo médio de corte também foi reduzido, de 44 horas e 38 minutos em 2015 para 17 horas e 54 minutos em 2021, antes de subir para 26 horas e 13 minutos em 2024 devido às recentes perturbações.
Charlène N’dimon
Num contexto de tensões persistentes no Médio Oriente, o conflito envolvendo o Irão está a reconfigurar os equilíbrios energéticos globais e a reavivar as preocupações quanto à estabilidade dos abastecimentos, bem como aos efeitos macroeconómicos associados.
Reunidos em Houston, durante a conferência CERAWeek, na segunda-feira, 23 de março, vários dirigentes de grandes companhias petrolíferas expressaram preocupações quanto aos efeitos duradouros do conflito nos mercados energéticos e na economia mundial. Referem perturbações prolongadas da oferta, enquanto a administração norte-americana, pela voz do secretário da Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, mantém uma leitura mais moderada dos riscos nesta fase.
O encerramento do estreito de Ormuz constitui o principal ponto crítico. Esta via marítima estratégica assegura habitualmente o trânsito de cerca de 20% dos fluxos mundiais de petróleo e gás. A sua perturbação, combinada com os danos sofridos por algumas infraestruturas energéticas regionais, limita a oferta disponível nos mercados internacionais. Neste contexto, o Brent mantinha-se em torno dos 99 dólares por barril na segunda-feira, apesar de uma correção associada a sinais de distensão diplomática.
Para Patrick Pouyanné, diretor executivo da TotalEnergies, as consequências ultrapassam o mercado petrolífero. O responsável sublinha que as perturbações afetam também outras cadeias de abastecimento, nomeadamente as ligadas ao hélio, indispensável à fabricação de semicondutores e a determinados usos médicos. Esta análise alarga o impacto do conflito ao conjunto da economia industrial.
No mesmo sentido, Sultan Al Jaber, à frente da companhia petrolífera nacional de Abu Dhabi (ADNOC), considera que o aumento dos preços da energia abranda o crescimento mundial e eleva o custo de vida. Refere efeitos visíveis tanto nos agregados familiares como nos setores produtivos, das indústrias às explorações agrícolas. Por seu lado, Mike Wirth, dirigente da Chevron, considera que as atuais tensões ainda não estão totalmente refletidas nos preços futuros, o que sugere um ajustamento progressivo dos mercados.
Mas Washington modera
Perante estes sinais, as autoridades norte-americanas adotam uma posição mais prudente. O secretário da Energia, Chris Wright, considera que os preços do petróleo ainda não atingiram um nível suscetível de afetar significativamente a procura, apesar de uma subida acentuada dos preços dos combustíveis.
O responsável destaca as medidas adotadas por Washington para conter as tensões, nomeadamente o recurso às reservas estratégicas e a reorientação de certos fluxos petrolíferos para mercados específicos.
Segundo analistas do JPMorgan, as perturbações observadas já se traduzem em escassez de petróleo bruto e de produtos refinados na Ásia. Por outro lado, o BNP Paribas reviu em alta as suas previsões de inflação para 2026, incorporando os efeitos do aumento dos custos energéticos na economia.
Por fim, os esforços coordenados da Agência Internacional de Energia (AIE) para mobilizar reservas estratégicas não conseguiram estabilizar de forma duradoura os mercados. A evolução do conflito, bem como eventuais progressos diplomáticos, continuarão a ser determinantes nesta fase, enquanto a capacidade de restaurar infraestruturas e garantir a segurança dos fluxos energéticos influenciará diretamente a trajetória dos mercados globais.
Olivier de Souza
Num contexto de concorrência crescente no mercado mundial dos isótopos médicos e de envelhecimento das infraestruturas nucleares, Pretória procura assegurar a sua posição num nicho estratégico de elevado valor acrescentado, ligado à saúde.
A África do Sul planeia a construção de um novo reator nuclear de investigação, segundo uma declaração de Loyiso Tyabashe, diretor executivo da Nuclear Energy Corporation of South Africa (NECSA), numa entrevista concedida à Reuters e divulgada na terça-feira, 24 de março. O projeto deverá ser objeto de um concurso público previsto entre abril e junho de 2026.
De acordo com os detalhes fornecidos pelo responsável desta empresa pública encarregue de gerir as atividades nucleares civis do país, o reator previsto terá uma capacidade entre 20 e 30 megawatts (MW) e deverá entrar em funcionamento entre 2032 e 2033. O orçamento do projeto não foi divulgado.
A instalação será concebida como um reator de investigação multifuncional, destinado a usos não associados à produção de eletricidade. Será utilizada para a produção de isótopos médicos, nomeadamente o molibdénio-99 (Mo-99), um elemento utilizado no diagnóstico de determinadas doenças, como o cancro.
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) cita regularmente a África do Sul entre os principais produtores mundiais de Mo-99, graças sobretudo ao reator Safari-1. Colocado em funcionamento em 1965, este reator situado em Pelindaba, na província de North West, constitui uma das principais infraestruturas de produção de isótopos do país.
«Queremos operar em paralelo para consolidar a nossa presença no mercado dos isótopos e evitar qualquer interrupção, pois, uma vez que os clientes se vão embora, perdem-se», declarou Tyabashe. Para o efeito, a NECSA pondera um contrato do tipo chave na mão ou engineering, procurement and construction (EPC), confiando a um único prestador a conceção e a execução do projeto.
Esta abordagem visa controlar os custos e os prazos, sendo que países como a Rússia, a China, a Coreia do Sul, os Estados Unidos ou a Argentina são apontados como potenciais candidatos ao concurso.
Este projeto insere-se num programa mais amplo de relançamento do nuclear na África do Sul, que inclui também o desenvolvimento de pequenos reatores modulares (SMR). Vários países africanos manifestam interesse por esta tecnologia, como o Ruanda e o Egito. A África do Sul continua a ser o único país africano a dispor de uma central nuclear comercial em funcionamento.
Abdel-Latif Boureima
Á semelhança dos Estados Unidos, o Japão está a implementar gradualmente a sua estratégia de aprovisionamento em metais estratégicos em África. Da Namíbia a Madagascar, passando pela África do Sul, multiplicam-se as iniciativas para garantir o acesso nipónico a novos recursos.
Na segunda-feira, 23 de março, o grupo japonês de comércio ITOCHU Corporation anunciou que pretende realizar um novo investimento de capital na mina polimetálica Platreef, explorada pelo canadiano Ivanhoe Mines na África do Sul. Esta operação insere-se numa lógica de segurança do abastecimento japonês em metais críticos, nomeadamente o níquel e o cobre produzidos neste ativo.
A participação da ITOCHU no capital da Platreef realiza-se através da ITC Platinum (IPTD), um consórcio que reúne também outros intervenientes japoneses, incluindo a empresa pública JOGMEC. Já detentora de 10% da mina, será este veículo de investimento a beneficiar do novo aporte de capital anunciado. A ITOCHU não especificou, contudo, o montante da operação nem o seu eventual impacto na estrutura atual do capital. Este poderá traduzir-se tanto por um reforço da participação da ITOCHU na IPTD, como por um aumento da quota detida pelo consórcio na mina.
O grupo recorda, no entanto, que os seus investimentos lhe conferem o direito de comprar os produtos da Platreef proporcionalmente à sua participação, de forma a «contribuir para a estabilidade do abastecimento do Japão em metais críticos». Inaugurada em novembro de 2025, a mina sul-africana encontra-se atualmente na sua primeira fase de exploração. A Ivanhoe Mines, que detém 64% das ações, prevê, neste quadro, uma produção anual de 100.000 onças de platina, paládio, ródio e ouro (3PE+Au), bem como 2.000 toneladas de níquel e 1.000 toneladas de cobre como subprodutos.
Num contexto de corrida global aos metais essenciais, a capacidade da Platreef de produzir simultaneamente estes diferentes minerais reforça o seu caráter estratégico. Isto é particularmente relevante para o Japão e o seu setor industrial, dominado pelas indústrias automóvel e eletrónica. A platina e o paládio, por exemplo, são utilizados nos catalisadores automóveis, enquanto o níquel desempenha um papel chave nas ligas industriais, nomeadamente para baterias de veículos elétricos. O cobre, por seu lado, afirma-se como um metal central nos processos de eletrificação.
Antecipar a expansão da Platreef
O novo investimento anunciado surge num momento em que a Ivanhoe Mines já prepara a próxima fase de crescimento da Platreef. Trata-se concretamente de trabalhos de expansão destinados a melhorar significativamente o perfil da mina. A longo prazo, este projeto deverá permitir atingir uma produção anual de 450.000 onças de 3PE+Au, bem como cerca de 9.000 toneladas de níquel e 5.600 toneladas de cobre.
Neste contexto, investir desde já no projeto pode refletir a intenção da ITOCHU de acompanhar esta expansão, consolidando simultaneamente a sua posição na mina. Em janeiro, a Ivanhoe Mines anunciou ter celebrado um acordo para mobilizar cerca de 600 milhões de USD para financiar este plano de expansão. O objetivo é iniciar os trabalhos logo que os fundos estejam efetivamente disponíveis, prevendo-se a entrada em operação em 2027.
À espera de detalhes sobre o investimento japonês e a evolução da fase 2, a Platreef continua a aumentar gradualmente a sua produção, sendo ainda aguardadas as previsões anuais. Para além desta mina, Tóquio está também envolvida no projeto Waterberg, outro empreendimento sul-africano de metais do grupo de platina no qual a JOGMEC detém interesses. Esta entidade está igualmente ativa noutros países do continente, particularmente na Namíbia, onde consolida a sua posição na futura mina de terras raras Lofdal.
Aurel Sèdjro Houenou
Além das novas minas de ouro em desenvolvimento, a Costa do Marfim tem-se destacado nos últimos meses pelo forte aumento das atividades de exploração mineira. Num contexto de preços em alta, as empresas júnior multiplicam os investimentos na esperança de novas descobertas.
Na segunda-feira, 23 de março, a júnior canadiana Kobo Resources anunciou a intenção de levantar até 5,52 milhões de dólares canadenses (cerca de 4 milhões de USD) através de uma colocação privada. O financiamento será usado para acelerar os trabalhos de exploração no país, em particular no projeto Kossou, onde se espera descobrir um primeiro depósito ainda este ano.
Edward Gosselin, CEO da Kobo, afirmou: «A finalização deste financiamento permitirá prosseguir o desenvolvimento do projeto aurífero de Kossou com perfurações contínuas, visando uma primeira estimativa de recursos. Paralelamente, estamos a preparar perfurações no projeto Kotobi, onde já identificámos várias metas auríferas prioritárias, abrindo caminho a novas perspetivas de crescimento».
O principal ativo da Kobo, Kossou, já beneficiou de cerca de 41.000 metros de perfuração, permitindo identificar várias áreas promissoras. A empresa planeia publicar a primeira estimativa de recursos minerais até meados de 2026, etapa crucial que confirmará tecnicamente a descoberta de depósitos no local. A concretização deste financiamento depende ainda das aprovações necessárias, com o encerramento previsto para cerca de 31 de março.
O sucesso dos planos da Kobo em Kossou será determinante para o seu desenvolvimento futuro na Costa do Marfim, estabelecendo as bases para uma eventual mina futura. O outro projeto do portfólio, Kotobi, integra esta dinâmica, embora esteja ainda menos avançado. A subida dos preços do ouro também apoia a estratégia da Kobo, com previsões positivas até ao final de 2026.
Enquanto se aguarda uma possível descoberta em Kossou, a Costa do Marfim já conta com vários projetos de exploração mais avançados, totalizando vários milhões de onças de recursos minerais, entre os quais o projeto Boundiali da Aurum Resources e Afema da Turaco Gold.
Aurel Sèdjro Houenou
BP e XRG (ADNOC) estão ativas no Egito através da joint venture Arcius Energy Energy, que reúne a BP e a sua parceira XRG, prepara-se para lançar uma campanha de exploração de gás ao largo do Egito. Segundo informações publicadas sexta-feira, 20 de março, pelo Upstream Online, a joint venture planeia perfurar dois poços de exploração.
As operações deverão ser conduzidas com uma plataforma de perfuração dedicada, mobilizada para atuar em blocos situados no Mediterrâneo oriental, com o objetivo de identificar novas reservas de gás natural numa área já em produção. O calendário operacional não foi detalhado.
Criada em 2024, a Arcius Energy integra os ativos de gás da BP no Egito e os da XRG, veículo internacional de investimento da ADNOC. A empresa concentra-se no gás natural egípcio, combinando desenvolvimento de campos existentes e exploração offshore.
O portfólio da Arcius inclui participações não operadas em duas concessões principais: Shorouk Block (10 %), que abriga o campo Zohr Field, e North Damietta Block (100 %), que inclui o campo Atoll Field. Vários outros blocos de exploração completam o conjunto, incluindo North El Tabya (operado pela Arcius), Bellatrix-Seti East e North El Fayrouz.
Em novembro de 2025, a joint venture assinou um acordo vinculativo para adquirir o campo de gás e condensados Harmattan Field, sujeito à aprovação regulatória final. O desenvolvimento prevê a perfuração de três poços de produção e a instalação de uma plataforma offshore fixa, com um gasoduto submarino de cerca de 50 km a ligar o campo às instalações de tratamento em terra, perto de Port Said, com a primeira produção prevista para 2028.
Abdel-Latif Boureima
No âmbito de uma transação avaliada em cerca de 1 mil milhões de USD, o grupo chinês Zijin adquiriu em 2025 a mina ganesa Akyem à americana Newmont. O objetivo declarado é tornar este ativo um dos principais do seu portfólio de ouro fora da China.
No Gana, a companhia mineira chinesa Zijin Gold International prevê produzir 8,5 toneladas de ouro em 2026 na mina de Akyem, contra 5,1 toneladas no ano anterior. Este objetivo reflete um aumento significativo das operações neste local, adquirido há cerca de um ano à Newmont Corp.
Concluída em abril de 2025 por cerca de 1 mil milhões de USD, a aquisição de Akyem permitiu à Zijin integrar uma mina africana no seu portfólio de ativos auríferos, já composto por projetos internacionais, nomeadamente na Colômbia, no Suriname e na Austrália. Este ano marca, assim, o primeiro exercício de exploração completa do local, acompanhado de trabalhos de otimização destinados a aumentar os níveis de produção.
Concretamente, a Zijin Gold indica ter iniciado iniciativas para modernizar as infraestruturas existentes, expandir a capacidade de extração e, sobretudo, elevar a capacidade de processamento da fábrica para mais de 13 milhões de toneladas de minério por ano, contra 8 milhões atualmente. O custo destas obras não foi divulgado, mas a sua execução deverá impulsionar significativamente a produção esperada este ano.
Aliada à dinâmica ascendente dos preços do ouro, esta progressão poderá constituir uma operação comercial vantajosa para a empresa. A destacar que Akyem já tinha gerado 609,1 milhões de USD em receitas no exercício anterior. A implementação dos planos da Zijin poderá também beneficiar o Gana, que recebe uma parte das receitas da mina através das royalties previstas, bem como outros impostos, como o imposto sobre sociedades.
Em paralelo, a Zijin procura já expandir a sua presença em África com a aquisição da Allied Gold. Esta explora três minas de ouro na Costa do Marfim e no Mali, e prevê este ano o lançamento de uma quarta mina na Etiópia.
Aurel Sèdjro Houenou
Fragilizada pelos ataques repetidos às suas infraestruturas energéticas, a Ucrânia está a redefinir a sua estratégia de gás para se adaptar a um contexto duradouramente constrangido.
Após conversações realizadas segunda-feira, 23 de março, entre o presidente Volodymyr Zelensky e o seu homólogo Daniel Chapo, a Ucrânia estuda a possibilidade de importar gás natural liquefeito (GNL) de Moçambique. O projeto seria baseado numa lógica de benefício mútuo: Kiev procura garantir novos fornecimentos energéticos, enquanto Maputo poderia receber apoio ucraniano nas áreas de segurança e tecnologia.
Esta iniciativa ocorre num contexto em que o norte de Moçambique, que concentra a maior parte dos recursos gasíferos do país, continua afetado por uma insurgência islâmica.
Sistema gasífero ucraniano debilitado
O plano surge também num ambiente de grande degradação do sistema gasífero ucraniano. Segundo a Naftogaz, as infraestruturas da empresa pública sofreram mais de 1.700 ataques russos desde 2022, afetando diretamente a produção nacional, que caiu para cerca de metade da capacidade.
Antes do conflito, a Ucrânia supria a maior parte do consumo com produção interna. A redução destas capacidades obrigou o país a aumentar as importações, sobretudo durante os picos de procura no inverno. Nesse sentido, a Ucrânia já diversificou as fontes, desenvolvendo importações de GNL, principalmente provenientes dos United States.
Diversificação energética com Moçambique
Moçambique surge como uma opção complementar, dispondo de importantes recursos gasíferos explorados pelo projeto Mozambique LNG, com capacidade prevista de 13 milhões de toneladas de GNL por ano, reforçando o papel do país no mercado global de gás.
No entanto, a opção enfrenta riscos de segurança. A província de Cabo Delgado, onde se situa o projeto, permanece frágil apesar da melhoria associada ao envio de forças ruandesas. A retirada destas tropas, devido à falta de financiamento sustentável da European Union, gera incerteza quanto à estabilidade da região.
Obstáculos jurídicos e financeiros também pesam sobre o projeto. A TotalEnergies enfrenta processos em França relacionados com operações de segurança em 2021, o que limita alguns financiamentos. O custo do projeto aumentou para 24,5 bilhões de dólares, frente aos 20 bilhões iniciais, embora a TotalEnergies mantenha a meta de produção para 2029.
Apesar destes desafios, grande parte do financiamento está assegurada e quase todo o volume futuro já está contratualizado, principalmente para a Ásia e a Europa. As discussões entre Kiev e Maputo permanecem preliminares, sem volumes nem calendário definidos, mas refletem um interesse mútuo entre segurança energética para a Ucrânia e valorização dos recursos para Moçambique.
Olivier de Souza
No Ruanda, apesar da taxa de acesso à eletricidade ter atingido 85,4% no final de 2025, segundo o Rwanda Energy Group, o fornecimento continua insuficiente, e várias iniciativas estão em curso para reforçar a distribuição.
O país lançou um programa de reforço da rede elétrica para reduzir os cortes de energia que afetam regularmente a qualidade do abastecimento. A iniciativa prevê a aquisição e instalação de 290 transformadores em todo o território, de acordo com informações divulgadas pela imprensa local em 18 de março.
Estes equipamentos, que ajustam a tensão da eletricidade entre as linhas de transporte e os consumidores finais, serão instalados prioritariamente em zonas urbanas de elevada procura. Segundo o governo, citado pela imprensa, a implementação faz parte de um programa de modernização da rede elétrica previsto para 18 meses.
O projeto inclui trabalhos nas infraestruturas de distribuição: cerca de 357 km de linhas de média tensão serão reabilitados ou construídos, e quase 1.600 km de redes de baixa tensão serão reforçados para melhorar a cobertura local.
Kigali atribui os cortes recorrentes à pressão crescente sobre a rede, devido ao aumento do número de lares ligados e à maior demanda nos centros urbanos, além de infraestruturas envelhecidas.
O projeto integra programas apoiados por parceiros internacionais, como o World Bank e o Asian Infrastructure Investment Bank, sem divulgação do custo total até o momento.
Segundo os responsáveis, estes investimentos visam estabilizar a distribuição elétrica até a entrada em operação de novas capacidades de produção previstas para 2027. «As carências de eletricidade continuam a ser uma preocupação», afirmou Jimmy Gasore.
300 milhões de dólares mobilizados e programa nuclear em preparação
O Ruanda mobiliza vários financiamentos internacionais para desenvolver o setor elétrico e expandir o acesso à energia. Em fevereiro de 2026, a African Development Bank e a Asian Infrastructure Investment Bank comprometeram 300 milhões de dólares em projetos de energia limpa no país.
O financiamento inclui um mecanismo de desembolso condicionado a resultados mensuráveis em eletrificação.
Paralelamente, o Ruanda prossegue a diversificação da sua matriz energética. Segundo uma missão de revisão integrada de infraestrutura nuclear (INIR) conduzida pela International Atomic Energy Agency em meados de março, o país avançou na preparação de um programa nuclear civil. A missão avaliou 19 áreas, incluindo quadro regulatório, segurança nuclear e desenvolvimento de competências, para apoiar países interessados em incluir o nuclear na sua matriz energética.
As autoridades planeiam desenvolver capacidade nuclear, visando a primeira instalação no início da década de 2030.
Abdel-Latif Boureima
O Mali declara anualmente uma produção artesanal de ouro de 6 toneladas, enquanto o setor poderia gerar pelo menos cinco vezes mais. Tal como noutros países da sub-região, Bamako procura soluções para aumentar a contribuição económica de um setor aurífero dominado pelas minas industriais.
Durante o Conselho de Ministros de 18 de março, o governo maliano decidiu criar o Escritório de Substâncias Preciosas. Esta nova estrutura tem como objetivo uma melhor gestão dos fluxos provenientes da exploração artesanal e de pequena escala do ouro (ASM), um segmento que produziria anualmente pelo menos 30 toneladas de ouro não declaradas às autoridades competentes.
Anualmente, o governo estima a produção artesanal em 6 toneladas, mas várias estimativas indicam que a realidade é bem diferente. Segundo a organização suíça SWISSAID, num relatório de 2024, a produção de ouro ASM não declarada entre 2012 e 2022 alcançou 300 toneladas, com um valor de 13,5 mil milhões de dólares. Estas discrepâncias evidenciam a importância de um setor ainda amplamente informal, caracterizado pela multiplicidade de locais de exploração e pela dificuldade do Estado em monitorizar eficazmente os volumes produzidos e comercializados.
Bamako reconhece mesmo “dificuldades no controlo dos fluxos provenientes da mineração artesanal e das pequenas minas, face às disparidades entre as estatísticas oficiais a nível nacional e as quantidades recebidas nos países de destino”. Dados da plataforma da ONU COMTRADE, citados no relatório, confirmam esta situação: entre 2013 e 2022, os Emirados Árabes Unidos declararam a importação de 672 toneladas de ouro, enquanto as exportações declaradas pelo Mali para este país somaram apenas 37,7 toneladas no mesmo período.
A criação do Escritório Maliano de Substâncias Preciosas surge assim como uma tentativa de retomar o controlo de um segmento chave da cadeia de valor aurífera. Embora os detalhes práticos do seu funcionamento ainda não estejam disponíveis, o governo garante que se tratará de um instrumento operativo para regular, centralizar e garantir a segurança da comercialização de substâncias preciosas, incluindo o ouro.
O exemplo do Burkina Faso
O Mali não é o primeiro país da sub-região a tentar controlar o ouro ASM. No Burkina Faso, as autoridades implementaram um mecanismo semelhante através da Société Nationale des Substances Précieuses (SONASP), com resultados visíveis nos volumes oficialmente registados. Em 2025, a produção nacional de ouro ultrapassou 94 toneladas, um aumento de mais de 30 toneladas face ao ano anterior. Este crescimento deve-se, em grande parte, à melhor integração do setor artesanal, que contribuiu com 42 toneladas, contra uma média anual inferior a 10 toneladas no passado.
Para tal, Ouagadougou confiou à SONASP a missão de comprar diretamente o ouro proveniente da exploração artesanal e semi-mecanizada. A estrutura foi expandindo gradualmente com postos de compra que permitiram captar produção que anteriormente escapava aos circuitos oficiais. Paralelamente, as autoridades incentivaram a formalização dos artesãos através da criação de cooperativas, facilitando a sua integração nos circuitos legais de comercialização.
Este mecanismo oferece uma visão da metodologia e dos potenciais ganhos para o Mali, cujo setor aurífero representa 9,2% do PIB e gerou 763 mil milhões de FCFA (1,34 mil milhões USD) em receitas para o orçamento nacional em 2022, segundo dados oficiais.
No entanto, o aumento desta contribuição económica dependerá da capacidade do Estado maliano em exercer controlo efetivo sobre os locais de mineração artesanal e sobre os circuitos de saída do metal. Em várias regiões, a exploração artesanal ocorre em ambientes marcados pela insegurança e pela presença de grupos armados, que por vezes se beneficiam desta atividade.
A intervenção do exército no local de mineração de Intahaka, em outubro de 2025, perto de Gao, para restaurar a autoridade do Estado, ilustra as dificuldades concretas da gestão dessas áreas. O controlo das fronteiras também é determinante para limitar as saídas informais de ouro para países vizinhos. Para além da rastreabilidade dos fluxos, melhorar as condições de trabalho constitui outro desafio num setor frequentemente marcado por acidentes, incluindo desmoronamentos que causam dezenas de mortes todos os anos.
Emiliano Tossou
Em apenas um ano, o projeto aurífero Boundiali da Aurum Resources praticamente duplicou o seu potencial, agora estimado em 3,03 milhões de onças. Um perfil que não deixa de atrair investidores, incluindo companhias mineiras, como foi o caso da Montage Gold em 2025.
A empresa mineira australiana Aurum Resources anunciou, na segunda-feira, 23 de março, a sua intenção de levantar 28,8 milhões de dólares australianos (aproximadamente 20 milhões de USD) através de uma colocação de ações na Bolsa. Esta operação destina-se principalmente a apoiar o desenvolvimento da futura mina de ouro Boundiali, que opera na Costa do Marfim.
A transação conta com o apoio da Perseus Mining, operadora das minas de ouro ivorianas Sissingué e Yaouré. Esta intervirá como principal contribuinte da colocação, com o objetivo de adquirir 9,9% do capital da Aurum. A empresa menciona ainda o apoio de alguns investidores existentes, com a liquidação da operação prevista até 31 de março. Graças a estes fundos, a Aurum prevê elevar a sua tesouraria para 60 milhões de dólares australianos e avançar com os trabalhos em curso no projeto Boundiali.
O início da fase de construção de uma mina está, de facto, previsto para este ano em Boundiali, um projeto que atualmente alberga 3,03 milhões de onças de recursos auríferos. Para tal, a Aurum planeia cumprir várias etapas-chave, incluindo a finalização de um estudo de pré-viabilidade (PFS), previsto para abril, bem como a obtenção das licenças mineiras. A PFS deverá fornecer os primeiros indicadores económicos do projeto antes da realização de um estudo de viabilidade definitivo (DFS).
Paralelamente, os trabalhos de exploração devem continuar no local, com um programa de perfuração de 100.000 metros. Num contexto de subida dos preços do ouro nos últimos meses, o desafio para a Aurum é otimizar de forma sustentável o potencial de Boundiali e acelerar a sua transição para produtor. Uma ambição reforçada pelo apoio de atores já estabelecidos como a Perseus Mining, que foi precedida neste esforço pela Montage Gold (Projeto Koné), já acionista da Aurum desde 2025.
Refira-se que o portefólio da empresa inclui também o projeto Napié, onde parte dos fundos levantados será destinada ao financiamento de um programa de exploração de 30.000 metros de perfuração.
Aurel Sèdjro Houenou
Há cerca de três anos, a empresa australiana Atlantic Lithium tem-se empenhado no Gana para obter a ratificação do contrato mineiro do seu projeto de lítio Ewoyaa. Esta etapa condicionava a passagem à decisão final de investimento, visando a construção da futura mina.
Na sexta-feira, 20 de março, a Atlantic Lithium anunciou que o Parlamento ganês ratificou oficialmente a licença do seu projeto Ewoyaa. Esta aprovação permite à empresa dispor agora de todas as autorizações necessárias para iniciar a construção do que se prevê ser a primeira mina de lítio do Gana.
Estabelecido no âmbito de um acordo celebrado com o Estado ganês em 2023, o contrato mineiro de Ewoyaa aguardava ratificação pelo poder legislativo para entrar em vigor. Esta etapa tinha sido atrasada devido à extensão do processo e a divergências sobre certos termos do contrato mineiro. Agora formalizada, esta licença, válida por um período inicial de 15 anos, abre caminho para a decisão final de investimento (FID) e para o lançamento da fase de construção do projeto.
«A ratificação constitui a aprovação formal pelo Parlamento do Gana do projeto da mina de lítio de Ewoyaa e da sua unidade de processamento, permitindo à empresa prosseguir com as discussões relativas ao financiamento do projeto e continuar a avançar para uma decisão final de investimento», pode ler-se na nota publicada na ocasião.
O plano atual da Atlantic Lithium é tornar Ewoyaa numa mina capaz de produzir, no total, 3,6 milhões de toneladas de concentrado de espoduménio ao longo de 12 anos. Para concretizar esta ambição, a empresa deverá mobilizar, juntamente com o seu parceiro de joint venture Elevra Lithium, um montante de 185 milhões de USD.
Antes disso, aguarda-se a finalização dos trabalhos técnicos relacionados com o projeto. Inicialmente lançados no ano passado, estes estudos visam «definir a orientação do desenvolvimento do projeto e esclarecer as medidas a tomar antes da decisão final de investimento», num contexto marcado pela persistente baixa dos preços do lítio. Contudo, não foi avançada qualquer data para a publicação dos resultados.
Com a ratificação do contrato mineiro, o Estado ganês deverá acompanhar de perto o progresso do projeto Ewoyaa. A sua concretização permitiria ao país juntar-se ao Zimbabué e ao Mali no grupo de produtores africanos de lítio, um metal estratégico para a transição energética. O projeto constituirá também uma nova fonte de receitas mineiras, através dos impostos e royalties previstos, bem como dos dividendos que o Estado receberá pela sua participação de 13% no capital da mina.
Aurel Sèdjro Houenou
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