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Equipe Publication

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A Tanzânia é um dos três principais parceiros comerciais do Ruanda, com intercâmbios comerciais estimados em 247 milhões de dólares em 2025.

O Ruanda e a Tanzânia concordaram em fortalecer sua cooperação nas áreas de comércio e investimento, transportes e infraestruturas, energia, defesa e segurança, migração, bem como na coordenação em questões regionais e internacionais.

Essa decisão foi tomada após uma reunião entre a presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, e o seu homólogo ruandês, Paul Kagame, durante a visita de trabalho deste último a Dar es Salaam, no domingo, 3 de maio, com o objetivo de consolidar as relações bilaterais.

Segundo o comunicado da presidência, Samia Suluhu Hassan afirmou que as duas partes também concordaram em "acelerar os esforços para remover obstáculos ao comércio, incluindo barreiras não tarifárias, com o objetivo de desenvolver os intercâmbios comerciais, os investimentos e aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas pelo mercado comum da Comunidade da África Oriental e pela ZLECAf".

Desenvolvimento das Infraestruturas Ferroviárias e Rodoviárias

Os intercâmbios também abordaram o desenvolvimento das infraestruturas ferroviárias e rodoviárias, incluindo o projeto ferroviário Isaka-Kigali, que visa acelerar o transporte de mercadorias e melhorar a eficiência dos intercâmbios comerciais entre os dois países.

Energia e Projetos Hidrelétricos

Em termos de energia, os líderes discutiram o projeto hidrelétrico das cataratas de Rusumo, implementado pela Tanzânia, Ruanda e Burundi, bem como os acordos de fornecimento de eletricidade entre a Tanzania Electric Supply Company (TANESCO) e o Ruanda Energy Group (REG).

Parceria Estratégica

Por sua vez, Paul Kagame afirmou que "a Tanzânia continua a ser um parceiro estratégico para o Ruanda". Ele acrescentou que os dois países "devem continuar a consolidar as bases sólidas das suas relações existentes, fortalecendo a cooperação em áreas estratégicas, desenvolvendo o comércio, implementando projetos conjuntos e promovendo a agenda de desenvolvimento dos dois países".

Relações Econômicas Dinâmicas

As relações entre a Tanzânia e o Ruanda são marcadas por uma cooperação diplomática estreita e por intercâmbios comerciais dinâmicos. Os dois países continuam a reforçar a sua cooperação em vários setores, ao mesmo tempo que apoiam os esforços de desenvolvimento regional e integração econômica dentro da Comunidade da África Oriental.

Do ponto de vista diplomático, colaboram regularmente através de visitas de alto nível e acordos bilaterais.

Do ponto de vista econômico e comercial, a Tanzânia desempenha um papel estratégico para o Ruanda graças aos seus portos de Dar es Salaam e Tanga, pelos quais transita cerca de 70% da carga do Ruanda. Os intercâmbios comerciais atingiram 644 bilhões de shillings tanzanianos (cerca de 246,76 milhões de dólares) em 2025, segundo Samia Suluhu Hassan, enquanto os investimentos cruzados estimulam a criação de empregos e o crescimento econômico.

Investimentos e Criação de Empregos

"O Centro de Investimentos da Tanzânia registou 42 projetos de investimento provenientes do Ruanda, no valor de 325,5 milhões de dólares, criando 2225 empregos para os tanzanianos", acrescentou a chefe de Estado.

Lydie Mobio

A Iniciativa Visa Melhorar a Governança no Gabão com a Digitalização do Parlamento

A iniciativa visa responder a um desafio de governança. Ao digitalizar os seus processos, o Parlamento gabonês pretende melhorar a eficiência, reduzir os prazos de processamento e aumentar a transparência das decisões públicas.

Na semana passada, a Assembleia Nacional do Gabão apresentou uma nova plataforma de gestão dos trabalhos legislativos, chamada GTLAN (Gestão dos Trabalhos Legislativos da Assembleia Nacional), além de um site institucional modernizado. Desenvolvidos pela Agência Nacional de Infraestruturas Digitais e de Frequências (ANINF), esses instrumentos representam um passo significativo na digitalização do funcionamento parlamentar.

« O GTLAN responde a uma necessidade concreta: estruturar, garantir a segurança e agilizar todo o processo legislativo. Estamos a passar de um sistema manual para um sistema digital integrado, mais rápido e mais fiável », afirmou Alberto Wenceslas Mounguengui Moudoki (foto), diretor-geral da ANINF.

Objetivos da Plataforma

Na prática, a plataforma permite centralizar e acompanhar em tempo real os projetos de lei, garantir a rastreabilidade das ações e facilitar a colaboração entre os atores do Parlamento. Ela marca uma ruptura com processos ainda em grande parte manuais, ao automatizar várias etapas do processo legislativo. O novo site institucional visa melhorar o acesso à informação para os cidadãos e fortalecer a comunicação institucional.

Impacto na Governança

Para além do aspeto tecnológico, a iniciativa responde a um desafio de governança. Com a digitalização dos seus processos, o Parlamento visa melhorar a eficiência, reduzir os prazos de processamento e reforçar a transparência das decisões públicas. A rastreadibilidade dos trabalhos e a divulgação de informações devem contribuir para uma maior clareza da ação legislativa, num contexto de crescente exigência de responsabilização por parte dos cidadãos.

Estratégia de Transformação Digital

Esta iniciativa segue as decisões estratégicas adotadas durante o 5º Comitê de Coordenação dos Programas eGabon e Gabon Digital, realizado em fevereiro último. O Gabon Digital dispõe de um orçamento de 44 bilhões de FCFA (cerca de 78,6 milhões de dólares), financiado pelo Banco Mundial, para levar a cabo os seus diversos projetos.

Digitalização em Outros Parlamentos Africanos

Vários parlamentos no continente africano já integraram as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no seu funcionamento. Países como África do Sul, Zimbábue, Marrocos e Maurícias figuram entre os mais avançados neste campo.

Adoni Conrad Quenum

O Senegal está intensificando seus esforços para promover a industrialização e reforçar sua competitividade econômica, com o lançamento de um projeto ambicioso de 11 zonas de investimento (ZAI) a serem implementadas até 2029. A estratégia é fortalecer a atração de investimentos, especialmente em setores com alto potencial de crescimento regional.

Durante o Forum para a Promoção dos Investimentos e Competitividade Econômica (PRICE) 2026, realizado em Paris, o diretor-geral da APIX-S.A., Bakary Séga Bathily, anunciou que essas zonas serão criadas em parceria com a Agência Nacional de Ordenamento do Território (ANAT).

Primeiras Zonas de Investimento em Fase Operacional a partir de 2026

Os primeiros centros de desenvolvimento serão situados em áreas estratégicas, como Médina Yoro Foulah, Bambali e Touba, com o objetivo de impulsionar setores com grande potencial, como amendoim, manga, anacárdio, madeira e couros. Estas zonas fazem parte da "política industrial localizada" do governo senegalês, projetada para transformar as riquezas regionais em motores de crescimento.

Essas zonas de investimento são planejadas para serem equipadas com infraestrutura moderna, serviços administrativos e facilidades logísticas, garantindo um ambiente adequado para a rápida instalação de empresas industriais, comerciais e de serviços. A criação dessas zonas visa acelerar a industrialização local, melhorar a competitividade e gerar empregos em várias regiões do país.

Reforma Fundiária e Novo Código de Investimentos

A reforma do setor fundiário também é central para o sucesso desta iniciativa. O GUIFI (Guichet Único para o Fomento do Investimento Fundiário), lançado em dezembro de 2025, visa simplificar e garantir o acesso à terra para investidores, tanto nacionais quanto estrangeiros, em todo o território senegalês.

Essa reforma integra o novo Código de Investimentos, aprovado em setembro de 2025, que expande os setores elegíveis para investimentos, reduz os requisitos mínimos de investimento de 100 milhões de FCFA para 15 milhões de FCFA (cerca de 26.800 dólares) e cria novos regimes para investimentos estratégicos e socialmente responsáveis.

Objetivo: Transformar o Senegal em um Hub Econômico Regional

Com um histórico de 23 bilhões de dólares em compromissos de investimento no forum Investir no Senegal (FII Senegal 2025), o Senegal visa atrair capitais internacionais para transformar a economia do país, promovendo a transferência de tecnologias e a valorização do conteúdo local.

Bakary Séga Bathily afirmou que "o Senegal não oferece apenas um mercado, mas uma parceria para transformação", destacando a ambição do país em consolidar-se como um hub econômico regional.

Avanços na Indústria e Lançamento das Obras de Médina Yoro Foulah

O lançamento das obras da primeira ZAI de Médina Yoro Foulah, em 24 de abril de 2026, reforça ainda mais essa estratégia. A zona ocupará 30 hectares e terá um custo total de 3,605 bilhões de FCFA. A primeira fase do projeto prevê a atribuição de 15 hectares à SONACOS (Sociedade Nacional de Comercialização de Óleos do Senegal), para o desenvolvimento de uma unidade de transformação de amendoim.

Crescimento Industrial e Expectativas de Futuro

De acordo com a Agência Nacional de Estatísticas e Demografia (ANSD), o índice de produção industrial do Senegal cresceu 9,9% em janeiro de 2026, em comparação com o mesmo mês de 2025, com destaque para os setores de energia, indústrias extrativas e manufatura.

O governo senegalês, ao criar estas zonas de investimento e modernizar o acesso à terra e os incentivos fiscais, está não só fortalecendo a competitividade do país, mas também moldando o futuro da industrialização nacional e regional.

Charlène N’dimon

No extremo norte dos Camarões, perto da fronteira com a Nigéria, encontra-se Rhumsiki, um destino que parece fora do tempo. Situada nas montanhas Mandara, esta aldeia remota é conhecida pelas suas paisagens impressionantes e por uma atmosfera tranquila e quase mística. Atrai viajantes que procuram não apenas cenários marcantes, mas também um contacto autêntico com culturas locais.

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A primeira impressão é inesquecível. Imponentes formações rochosas de origem vulcânica erguem-se abruptamente do solo, moldadas ao longo dos séculos em picos irregulares que dominam o horizonte. Muitas vezes comparado a uma paisagem lunar, o cenário ganha ainda mais intensidade ao nascer e ao pôr do sol, quando tons quentes iluminam as rochas e criam um espetáculo natural fascinante.

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Para além da sua geografia singular, Rhumsiki é habitada pelo povo Kapsiki, cujo modo de vida permanece profundamente ligado ao ambiente. As habitações tradicionais em pedra integram-se perfeitamente na paisagem acidentada, enquanto o quotidiano gira em torno da agricultura, da criação de animais e da vida comunitária. O ritmo é calmo, oferecendo uma sensação de simplicidade rara nos dias de hoje.

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Uma das práticas culturais mais marcantes da região é a adivinhação com caranguejos sagrados. Guias espirituais locais interpretam os movimentos desses animais para aconselhar sobre decisões importantes. Este ritual, ao mesmo tempo intrigante e simbólico, revela uma visão do mundo onde natureza, espiritualidade e vida prática estão intimamente ligadas.

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Para os visitantes, Rhumsiki oferece mais do que belas vistas. Caminhadas pelas montanhas Mandara permitem descobrir campos em socalcos, vegetação adaptada ao clima árido e panoramas amplos sobre a região. O contacto com os habitantes locais, conhecidos pela sua hospitalidade, acrescenta uma dimensão humana que enriquece profundamente a experiência.

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O acesso a Rhumsiki é geralmente feito a partir de Mokolo, e a viagem pode ser exigente devido às condições das estradas. No entanto, esse esforço faz parte da aventura e contribui para preservar o carácter autêntico do local, longe do turismo de massa.

Côte d'Ivoire: Em face de uma explosão nos números de estudantes e uma escassez persistente de pessoal qualificado, o país intensifica seus esforços para fornecer educadores capacitados nas escolas

O governo da Côte d'Ivoire continua sua política de reforço da educação nacional. O Ministério da Educação Nacional e da Alfabetização anunciou oficialmente a realização do concurso de ingresso direto para a Escola Normal Superior (ENS) para a sessão de 2026, conforme uma publicação em suas redes sociais no domingo, 3 de maio.

No total, 24.185 candidaturas foram validadas para 3.225 vagas abertas na função pública. A relação é reveladora: sete candidatos disputam a mesma vaga. Esse interesse reflete, ao mesmo tempo, a atratividade do status de servidor público e a pressão crescente de uma juventude qualificada que busca uma inserção estável no mercado de trabalho.

Três perfis, três provas

Segundo o comunicado oficial do Ministério, as provas escritas estão organizadas em três sequências distintas:

  1. Candidatos ao cargo de professores de ensino médio: 998 candidatos para 1.275 vagas.
  2. Candidatos ao cargo de professores de ensino fundamental: 830 candidatos para 1.800 vagas.
  3. Candidatos ao cargo de educadores: 357 candidatos para apenas 150 vagas, o que representa uma taxa de seleção extremamente rigorosa, com quase 89 candidatos por vaga.

O governo destaca que "esse interesse confirma a importância estratégica da profissão de educador e o papel central da escola no desenvolvimento de nosso país". Os resultados das admissões são esperados para o final de junho. As provas orais ocorrerão em julho, com a divulgação dos resultados definitivos prevista para meados de julho de 2026.

Uma iniciativa para suprir uma carência persistente

A questão vai além da seleção acadêmica. Os aprovados no concurso passarão por dois anos de formação na ENS antes de assumirem suas funções. A partir do próximo ano letivo, 2.337 professores e 3.435 estagiários irão reforçar os efetivos nas escolas do país, conforme o Ministério da Educação. Esse reforço de recursos humanos é uma resposta urgente a uma necessidade bem documentada.

Em fevereiro de 2025, a Ministra Mariatou Koné anunciou um recrutamento excepcional de 2.855 professores contratados, com o objetivo de reduzir as carências e as disparidades regionais. O Programa Social do Governo também previa o recrutamento de 23.901 professores para a educação infantil e ensino fundamental entre 2022 e 2024, além de 11.508 vagas para o primeiro ciclo do ensino secundário no mesmo período.

A sessão 2026 do concurso da ENS ocorre sob grande pressão no sistema educacional da Costa do Marfim

A sessão de 2026 do concurso ocorre enquanto o sistema educacional da Costa do Marfim continua sob uma pressão considerável. No ensino secundário geral, o número de alunos aumentou de 1,9 milhões para 3,2 milhões entre 2017-2018 e 2024-2025, um aumento de 67,1%. A demanda supera amplamente as capacidades disponíveis. No mesmo período, o número de escolas secundárias mais que dobrou, passando de 1.778 para 3.901, embora 76,6% dessas escolas sejam privadas e concentradas em áreas urbanas.

A escassez persiste nas zonas rurais

Nas zonas rurais, a escassez de professores ainda persiste. A taxa de conclusão do primeiro ciclo do ensino secundário era de 68,9% em 2022, contra 34,5% em 2012, um progresso real, mas ainda insuficiente diante do crescimento demográfico. As taxas de aprovação nos exames também permanecem preocupantes. Em 2024, a taxa de aprovação no BEPC foi de 40,18% e no bac de 34,17%, revelando uma tensão constante entre a quantidade de alunos e a qualidade do ensino.

Félicien Houindo Lokossou

Enquanto a educação pré-escolar se afirma como o principal alavancador contra as desigualdades educacionais, o Marrocos registra uma década de progresso notável no acesso à educação infantil. No entanto, a qualidade da aprendizagem e a governança do setor permanecem em aberto.

O Marrocos melhorou significativamente sua cobertura na educação pré-escolar, atingindo 70,4% de cobertura em 2025 para crianças de 4 a 5 anos, contra 50,2% dez anos antes. Este é um dos principais resultados apresentados no relatório de avaliação da educação pré-escolar 2024-2025, publicado pela Instância Nacional de Avaliação do Conselho Superior de Educação, Formação e Pesquisa Científica (CSEFRS), em parceria com a UNICEF. A avaliação abrange todas as estruturas do país, desde estabelecimentos públicos até unidades informais, como as escolas corânicas e os centros de acolhimento informais, que há muito tempo eram a única opção em áreas mais remotas.

O Impacto nas Áreas Rurais

O maior avanço foi registrado no meio rural, onde a taxa de cobertura da educação infantil saltou de 36,3% para 75,6% em apenas dez anos, superando agora as áreas urbanas. Esse crescimento expressivo deve-se, em grande parte, ao programa nacional de universalização da educação pré-escolar 2018-2028, desenvolvido para reduzir as disparidades regionais e expandir a oferta pública onde ela era inexistente.

O CSEFRS documenta uma expansão sem precedentes do setor público, com unidades passando de 6.185 em 2018-2019 para 23.182 em 2024-2025. As estruturas informais diminuíram de 18.882 para 4.946, refletindo uma normalização gradual. No mesmo período, o orçamento destinado ao setor mais que dobrou, subindo de 1,13 bilhões de dirhams em 2019 para quase 3 bilhões em 2025, e o número de educadores aumentou de 39.535 para 49.885. A paridade de gênero também segue essa tendência, com o índice de pré-escolarização das meninas subindo de 44,7% para 71,1% entre 2014-2015 e 2024-2025.

Desafios no Sistema Educacional Marroquino

Embora o acesso ao pré-escolar tenha avançado, os números de acesso não refletem o que acontece dentro das salas de aula. O relatório do CSEFRS coloca uma ênfase especial na qualidade do ensino e na necessidade de melhoria no quadro educacional.

A primeira questão levantada é sobre o pessoal docente. O relatório destaca a grande heterogeneidade nas condições de trabalho, principalmente no setor público e nas unidades informais. Essa precariedade afeta a regularidade das práticas pedagógicas, o que compromete o desenvolvimento das crianças. O CSEFRS defende uma valorização da profissão docente, uma melhor formação e maior estabilidade profissional para os educadores.

Outro ponto importante abordado é a inclusão. O atendimento a crianças com deficiência ainda é insuficiente, apesar dos compromissos estabelecidos na Lei-Quadro 51.17. Além disso, o relatório aponta que a falta de continuidade entre a educação pré-escolar e o ensino primário representa um risco real para a aprendizagem. Sem uma transição pedagógica suave entre esses dois ciclos, muitos dos aprendizados adquiridos na educação infantil são perdidos assim que a criança entra no ensino fundamental.

Governança Fragmentada

Por fim, o relatório chama atenção para a fragmentação da governança no setor educacional. Ministérios, autoridades locais, fundações e operadores privados coexistem sem uma coordenação centralizada, o que dificulta a implementação de normas de qualidade uniformes em todo o país. O CSEFRS recomenda que as responsabilidades de cada entidade sejam melhor delimitadas e que mais poderes sejam concedidos às autoridades locais, dentro do contexto da regionalização avançada.

Félicien Houindo Lokossou

Nos últimos anos, os países africanos intensificaram os investimentos em infraestrutura para reduzir a lacuna digital no continente. Isso resultou em uma diminuição significativa da população sem cobertura, mas a adoção real dos serviços ainda enfrenta dificuldades.

Na Serra Leoa, 60% da população não utiliza serviços de telecomunicações, segundo as autoridades locais. Essa defasagem no uso persiste, apesar de um investimento global de 400 milhões de dólares, que possibilitou a expansão da rede nacional de fibra óptica para 14 dos 16 distritos do país.

Salima Monorma Bah, Ministra da Comunicação, Tecnologia e Inovação, destacou essa situação na semana passada, durante uma consulta setorial organizada pela Comissão Parlamentar de Informação e Comunicações. O encontro contou com a participação de parlamentares, autoridades da Autoridade Nacional de Telecomunicações (NatCA), diretores das empresas Sierratel, SALPOST, do projeto Felei Tech City, além de representantes das operadoras móveis e da sociedade civil.

A Lacuna Digital Persistente

A lacuna digital ainda é uma realidade evidente na Serra Leoa. De acordo com o Índice de Desenvolvimento das TIC 2024 da União Internacional de Telecomunicações (UIT), o país ocupa a 38ª posição no ranking africano, entre os 47 países analisados, com uma pontuação de 34,3 em 100. Esse resultado é fruto de dez indicadores, que incluem o percentual de indivíduos utilizando Internet, a penetração da telefonia móvel de banda larga, o tráfego de dados móveis, o preço dos dados móveis e serviços de voz, além da taxa de posse de telefones móveis.

De acordo com os dados da UIT, em 2024, a Serra Leoa apresentou uma cobertura de 2G de 96% e 3G de 97,2%, enquanto a 4G cobria 81,6% da população. Apesar dessa cobertura relativamente ampla, a utilização efetiva desses serviços ainda é limitada. O Índice de Penetração da Telefonia Móvel não ultrapassou 50,3%, e a penetração da Internet ficou estagnada em apenas 25,1%.

A Mutualização das Infraestruturas: Um Caminho para a Conectividade Universal

Para reduzir essa lacuna, a Ministra Bah pediu que a indústria assuma mais responsabilidades e aposte na mutualização das infraestruturas. Esse processo visa a redução dos custos operacionais, que são um dos principais impedimentos à acessibilidade dos serviços. Segundo a ministra, ganhos de eficiência são essenciais para alcançar a conectividade universal.

No continente africano, a mutualização tem ganhado força. Ela envolve o compartilhamento de equipamentos físicos e tecnológicos entre as operadoras, ao invés de cada uma delas implementar redes paralelas de maneira individual.

O relatório da Ecofin Pro, publicado em dezembro de 2024, distingue dois modelos de compartilhamento: o compartilhamento passivo, que envolve apenas elementos não eletrônicos, como torres, postes e instalações, onde cada operador mantém sua rede ativa de forma exclusiva; e o compartilhamento ativo, que inclui também equipamentos eletrônicos, como switches e nós de acesso rádio.

A UIT também destaca que o compartilhamento ativo pode incluir a itinerância móvel, o que permite que um operador utilize a rede de um concorrente em áreas onde não possui infraestrutura própria. Isso reduz consideravelmente os custos de implantação, especialmente em áreas rurais ou mercados marginais.

Segundo a UIT, essa estratégia pode incentivar a migração para novas tecnologias e o desdobramento da internet móvel de alta velocidade, além de aumentar a concorrência entre os operadores, quando forem adotadas medidas de salvaguarda para evitar comportamentos anticompetitivos.

Além da Infraestrutura

Embora a mutualização das infraestruturas seja uma estratégia relevante, ela não é suficiente por si só para resolver os desafios de inclusão digital. A redução efetiva dos custos dependerá também de outros fatores, como a fiscalidade do setor, o nível de concorrência entre os operadores e os custos com energia e manutenção das redes.

Além disso, a acessibilidade financeira não garante automaticamente um aumento no uso dos serviços. A inclusão digital deve ser acompanhada de esforços na disponibilização de dispositivos adequados, no desenvolvimento de competências digitais, na melhoria da qualidade dos serviços, e na oferta de conteúdos e serviços relevantes.

Por exemplo, a adoção de smartphones, que são essenciais para o acesso à Internet, ainda é marginal na Serra Leoa. De acordo com o Banco Mundial, apenas 28,53% da população maior de 15 anos possuía um smartphone em 2024. Esse fenômeno é comum em várias regiões da África, sendo atribuído ao alto custo desses dispositivos.

Isaac K. Kassouwi

A falta de fornecedores de peças automotivas fabricadas localmente para os montadores de veículos instalados na Argélia foi o principal obstáculo para o desenvolvimento de uma indústria automotiva nacional. As autoridades argelinas estão se esforçando para preencher essa lacuna, firmando parcerias com empresas estrangeiras e criando empresas estatais.

O Primeiro-Ministro da Argélia, Sifi Ghrieb, colocou na semana passada a primeira pedra da General Plastic Injection (GPI), uma futura fábrica especializada na produção de componentes e acessórios plásticos destinados à indústria automotiva. O objetivo é apoiar o desenvolvimento local desse setor e reduzir os custos das importações.

A unidade industrial, que ocupará uma área de 107.000 m² na província de Tissemsilt (Centro-Oeste do país), produzirá, entre outras coisas, peças de carroceria, elementos de interior e acessórios técnicos, a partir de setembro do próximo ano. Este projeto faz parte de uma estratégia para aumentar os níveis de integração local dos atores envolvidos na montagem de veículos.

« A fábrica trará uma nova dinâmica para a indústria automotiva na Argélia, utilizando as técnicas e tecnologias mais avançadas », declarou Ghrieb, indicando que o projeto está dentro da estratégia de recuperação e reintegração de bens confiscados por decisões judiciais definitivas.

A fábrica irá utilizar ativos da Plastic Algeria Components (PAC)

A futura fábrica irá, de fato, explorar os ativos da empresa Plastic Algeria Components (PAC), que foi confiscada a um empresário condenado por corrupção. Esses ativos foram transferidos, em janeiro deste ano, para a holding pública Algeria Chemical Specialities (ACS), com o objetivo de lançar uma fábrica de componentes plásticos dedicados à indústria automotiva.

Exigências de integração local até 40%

Diversos montadores internacionais, incluindo a Stellantis (modelos Fiat) e os grupos chineses BAIC e JAC Motors, já possuem fábricas de montagem de veículos na Argélia. Outros projetos de fábricas, liderados por montadoras como o chinês Chery, o italiano Iveco e o sul-coreano Hyundai, também estão em fase de finalização.

O governo argelino oferece várias vantagens fiscais aos montadores de veículos, como isenções fiscais sobre as importações de insumos e a disponibilização de terrenos a preços reduzidos, com o intuito de desenvolver a indústria automotiva local. Em contrapartida, exige-se uma taxa de integração local, que deve atingir no mínimo 10% ao final do segundo ano após o início da produção da fábrica, e de 40% ao final do quinto ano.

O fechamento de fábricas e os desafios da integração local

Nos últimos anos, o fechamento de várias fábricas de montagem de veículos na Argélia, incluindo as da Volkswagen (Alemanha), Renault (França) e Kia Motors (Sul-Coreia), foi explicado principalmente pelo não cumprimento das metas de integração local. Isso ocorre em um contexto de falta de um mercado de subcontratação capaz de fornecer peças fabricadas localmente, o que dificultou o crescimento do setor, que foi elevado a uma prioridade pelo Estado, com o objetivo de reduzir as importações de veículos e diversificar a economia.

A criação de um ecossistema de subcontratados

Para corrigir essa situação, as autoridades estão agora focadas em criar um ecossistema de subcontratados, que seja diretamente controlado pelo Estado ou por meio de joint-ventures com empresas estrangeiras. Em março de 2025, a Entreprise Nationale Algérienne de Tubes et Transformation de Produits Plats (Anabib) assinou um acordo com o fornecedor chinês Auto Lumiar para criar uma joint-venture especializada na fabricação de diversos equipamentos automotivos, como faróis e para-choques.

Walid Kéfi

Impulsionada pela entrada em operação de uma nova planta de processamento, a mina Zgounder deu um grande salto em 2025, com um aumento de 193% na sua produção de prata. Este resultado permitiu-lhe, ao mesmo tempo, reformular a hierarquia entre as grandes minas africanas do metal precioso.

Zgounder ultrapassa Imiter

Após vários anos à frente do ranking, o complexo mineiro marroquino Imiter, operado pelo grupo Managem, perdeu em 2025 o título de maior mina de prata da África. Esse posto passa agora para a mina Zgounder, também localizada no Marrocos e operada pela canadense Aya Gold & Silver.

No relatório financeiro publicado em abril de 2026, a Managem indicou que produziu 127 toneladas de prata em Imiter durante o ano fiscal passado, contra 127,7 toneladas em 2024. Ao mesmo tempo, a mina Zgounder registrou um aumento anual de 193%, com uma produção de 4,82 milhões de onças de prata (aproximadamente 149 toneladas). Esse aumento significativo foi principalmente impulsionado pelas melhorias operacionais obtidas com a expansão da sua planta de processamento no final de 2024.

Uma rivalidade crescente entre Imiter e Zgounder

Esse desenvolvimento ocorre no contexto de uma rivalidade crescente entre os dois principais projetos de prata do Marrocos. Por um lado, Imiter, um ativo maduro cuja exploração remonta a 1969, continua a consolidar uma produção estável mesmo décadas após seu início. Por outro lado, Zgounder, que confirma a aceleração dos investimentos realizados desde 2019 pela sua proprietária, Aya Gold & Silver. O grupo prevê agora uma produção anual média de cerca de 6 milhões de onças, com uma vida útil estimada em 11 anos, ou seja, até 2036.

Essa projeção baseia-se em cerca de 73 milhões de onças de reservas minerais, um pouco menos que as 76 milhões de onças estimadas para Imiter. No entanto, Imiter ainda possui uma vida útil restante de cerca de 13 anos. Esses parâmetros deverão influenciar a evolução das dinâmicas operacionais das duas minas nos próximos anos, especialmente considerando que ambos os operadores continuam a ver potencial de crescimento em seus respectivos ativos.

Marrocos, líder africano da prata

Enquanto isso, essas evoluções confirmam a posição do Marrocos como o principal produtor de prata no continente. Embora outros países africanos, como o Zimbábue, a Namíbia e a África do Sul, também contribuam para a oferta do metal precioso, é no Marrocos que se concentra atualmente uma parte significativa da produção de prata africana.

Essas mudanças no setor não só afetam a posição das minas marroquinas, mas também reforçam o Marrocos como um ponto central na produção de prata no continente africano, com perspectivas de crescimento tanto para Zgounder quanto para Imiter nos próximos anos.

Aurel Sèdjro Houenou

 

 

O governo egípcio tem grandes ambições para as energias renováveis e a transformação do seu mix energético, dominado por mais de 60% por gás natural, de acordo com o primeiro-ministro Mostafa Madbouly. Este novo acordo visa reforçar a capacidade eólica do país.

O Egito deu mais um passo no desenvolvimento de suas capacidades renováveis. No domingo, 3 de maio, o governo anunciou, em um comunicado, a assinatura de um protocolo de cooperação destinado a financiar um portfólio de projetos, incluindo 4.750 MW de energia eólica e 4.000 MWh de armazenamento por baterias.

Assinado entre a empresa pública Tahya Misr Holding Company, o Ministério da Eletricidade e o Ministério das Finanças, o acordo prevê o desenvolvimento de parques eólicos nas regiões do Golfo de Suez, Ras Shukeir, Galala e Zafarana. O comunicado também indica a instalação de sistemas de armazenamento por baterias em várias regiões, incluindo no sul do Cairo, Damanhur e Wadi El Natrun.

De acordo com o ministro da Eletricidade, Mahmoud Esmat, a Tahya Misr garantirá o financiamento e a implementação dos projetos, com a tarifação da eletricidade em libras egípcias. As instalações devem ser colocadas em operação dentro de dois anos, em coordenação com a empresa pública de transporte de eletricidade.

"A integração dos sistemas de armazenamento por baterias permitirá maximizar a eficiência das energias renováveis, ao mesmo tempo em que garante a estabilidade da rede durante os períodos de alta demanda", acrescentou Mahmoud Esmat.

Acelerar a transição energética no Egito

Este anúncio é acompanhado de um ajuste significativo nas metas nacionais. Em seu comunicado, o governo agora indica que a meta é alcançar uma participação de 45% de energias renováveis no mix elétrico até 2028, em comparação com a meta anterior de 42% até 2030, regularmente mencionada em comunicados anteriores.

A parceria faz parte de uma dinâmica mais ampla de transformação do setor elétrico egípcio. De acordo com a GlobalData, a capacidade solar do país deve passar de cerca de 2,9 GW em 2025 para 34,3 GW em 2035, enquanto a energia eólica pode alcançar 15,1 GW, contra cerca de 3 GW em 2025.

Abdoullah Diop

 

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