Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin
Equipe Publication

Equipe Publication

Esta exposição inédita, que combina uma seleção de pinturas e esculturas de África com as criações artísticas do brasileiro Gonçalo Ivo, forma um conjunto que se inscreve no imaginário de Édouard Glissant.

Durante mais de três meses, a exposição « Gonçalo Ivo — Janela para a África » será realizada em Paris, na La Maison Gacha. Este espaço cultural híbrido dedica-se à preservação e valorização dos saberes e ofícios manuais de África e de outras partes do mundo.

De sexta-feira, 20 de março, a quinta-feira, 9 de julho, o evento ecoará como o legado e a memória de Édouard Glissant (1928-2011), escritor e filósofo martinicano, laureado com o prêmio Renaudot em 1958 pelo seu romance La Lézarde. No mesmo ano, nasceu o pintor Gonçalo Ivo, criador de obras de artes plásticas como uma ponte entre dois universos, oferecendo uma « Janela para a África ». Uma arte que, voluntariamente, se liberta das restrições convencionais.

« A exposição se inscreve no pensamento de Édouard Glissant […], para quem o museu do amanhã não deve "recapitular" uma narrativa fechada, mas inventar continuamente novos arranjos e novas relações. Ela se torna um espaço de circulação das formas… », comenta a plataforma do instituto.

ARTinside

Uma exposição da Fundação Gacha, nos Camarões

A cultura africana em destaque

A exposição explora uma dupla dimensão, física e abstrata, onde fragmentos de peças desmembradas se unem para, finalmente, se absorver, criando novas obras.

As tradições têxteis e artesanais de África — do Congo, da Costa do Marfim, do Togo e dos Camarões — dialogam com a arte contemporânea abstrata, esculturas totêmicas e composições geométricas. Entre os tecidos kasaí, baoulé e kenté, as cabaças bamiléké e as obras plásticas não figurativas, instaura-se uma troca rica onde heranças e modernidade se encontram.

Esta iniciativa artística converge para os princípios de interculturalidade e disseminação do saber da La Maison Gacha. Para relembrar, a instituição tem suas origens na Fundação Jean-Félicien Gacha, localizada em Bangoulap, na região Oeste dos Camarões. Seus objetivos estão centrados numa programação cultural, desenvolvida tanto no local quanto fora dele, através de exposições, conferências, residências artísticas e oficinas.

Ubrick F. Quenum

 

 

Quando utilizada corretamente, a tecnologia pode reforçar consideravelmente a eficácia do Estado nas suas funções essenciais. O Quénia percebeu isso e está a acelerar a transformação digital de vários serviços públicos, fazendo da e-governação um instrumento estratégico de desenvolvimento.

O Quénia acaba de alcançar um novo marco na digitalização do controlo rodoviário. A Autoridade Nacional de Transportes e Segurança (NTSA) anunciou na segunda-feira, 9 de março, a entrada em funcionamento de um sistema automatizado de gestão do tráfego rodoviário com coimas instantâneas. Graças a câmaras inteligentes, o sistema deteta infrações rodoviárias e notifica os infratores por SMS. Acabou-se a intervenção humana direta. A autoridade apresenta esta reforma como um meio de reforçar a eficácia e a transparência no controlo rodoviário e na segurança nas estradas.

Na terça-feira, 10 de março, a NTSA publicou, para efeitos informativos, uma lista de 35 infrações rodoviárias com as respetivas coimas imediatas. As penalizações vão desde uma simples advertência por excesso ligeiro de velocidade até sanções de 10.000 xelins quenianos (77,37 USD) para infrações mais graves, como excesso de velocidade, estacionamento que cause obstrução, não instalação de limitadores de velocidade regulamentares em veículos de transporte público e comerciais, ou condução sem certificado de inspeção técnica válido. Outras infrações incluem: desrespeito pelos semáforos, condução em passeios ou passadeiras e não utilização do cinto de segurança. Os infratores têm sete dias para pagar a coima, sob pena de aplicação de juros e bloqueio do acesso aos serviços da NTSA.

Investimentos técnicos

Esta automatização do controlo rodoviário é possível graças a várias inovações introduzidas pelo governo desde 2020. O quadro legal do país prevê agora uma carta de condução em formato de cartão inteligente com chip eletrónico. O chip contém não só os dados de identidade do condutor, mas também impressões digitais, fotografia, assinatura e informações biométricas. Em 2022, foram introduzidas as matrículas de segunda geração, frequentemente chamadas no Quénia de matrículas “digitais” ou seguras, incorporando elementos avançados de segurança, incluindo funções de rastreabilidade digital dos proprietários dos veículos. Em 2024, o governo tornou oficialmente as câmaras de velocidade e de videovigilância um pilar da nova estratégia de segurança rodoviária. Implantadas em fase piloto em 2024, estas câmaras serão reforçadas em 2026 com novas unidades previstas para as seis maiores cidades do país, por solicitação do Presidente William Ruto.

Na prática, a conjugação entre carta de condução biométrica, matrículas seguras e câmaras permite às autoridades identificar rapidamente o veículo infrator, associar a infração a um condutor ou proprietário e alimentar um histórico de condução utilizável pela administração.

Persistem reservas

Contudo, o sistema automatizado de gestão do tráfego com coimas instantâneas já levanta questões. A Associação de Automobilistas do Quénia (Motorists Association of Kenya, MAK) solicitou publicamente esclarecimentos urgentes à NTSA. O grupo considera que o novo sistema deixa várias questões por resolver: qual é o procedimento para contestar a coima? Que salvaguardas existem para evitar que um sistema automatizado se torne simultaneamente investigador, juiz e executor? Quem certifica e verifica regularmente a qualidade das câmaras e equipamentos de deteção? E em que conta pública serão depositadas as coimas arrecadadas? A MAK quer ainda saber qual foi a consulta pública antes da implementação do sistema.

A associação recorda também que a credibilidade de um controlo totalmente digital depende da disponibilidade de documentos de identificação dos veículos. Desde fevereiro de 2026, denuncia um atraso na produção de mais de 70.000 matrículas, questionando a utilização dos fundos já cobrados aos automobilistas para essa produção. Para a MAK, não basta digitalizar o controlo rodoviário e a sanção; toda a cadeia administrativa — matrículas, licenças, rastreabilidade e recursos — deve funcionar sem atrasos nem opacidade.

Ao colocar as estradas sob o olhar das câmaras inteligentes e fazer do SMS o novo auto de infração, o Quénia demonstra uma ambição clara: reduzir infrações, limitar contactos propícios à corrupção e modernizar a segurança rodoviária para diminuir o número de acidentes, que atingiu 5.009 em 2025 contra 4.748 em 2024, segundo o Conselho Nacional de Administração da Justiça (NCAJ).

Muriel EDJO

 

 

Apesar de um crescimento anual de 8 %, a Zâmbia não conseguiu atingir a meta de um milhão de toneladas de cobre em 2025. Este resultado revela algum atraso nos planos de médio prazo do país, que pretende mais do que triplicar a sua produção de cobre na próxima década.

Segundo maior produtor de cobre em África, a Zâmbia está atualmente em negociações com parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos, para atrair novos investimentos no setor. Estes esforços, relatados pela imprensa internacional na terça-feira, 10 de março, citando o ministro das Minas Paul Kabuswe, visam apoiar a meta de aumentar a produção nacional de cobre para 3 milhões de toneladas até 2031, face a 890.300 toneladas em 2025.

Parcerias “ganha-ganha” em perspetiva

Em detalhe, Kabuswe explica que as negociações visam estabelecer parcerias equilibradas entre a Zâmbia e os investidores estrangeiros. Segundo o ministro, estes devem participar ativamente no desenvolvimento do setor, garantindo uma “situação ganha-ganha” para todas as partes. A iniciativa abrangeria vários países, mas o estado de progresso das conversações ainda não foi especificado.

A referência explícita aos Estados Unidos não é inocente, num contexto em que Washington intensifica as suas iniciativas para assegurar o acesso a minerais estratégicos em África. Esta estratégia já abrange o cobre, como demonstrado pelo acordo concluído em fevereiro pelo consórcio financiado pelos EUA, Orion Resource Partners, para adquirir 40 % de participações em duas minas de cobre-cobalto do grupo Glencore na República Democrática do Congo.

Enquanto aguardam-se mais detalhes sobre as negociações, importa notar que já existem interesses norte-americanos no setor de cobre da Zâmbia. A start-up californiana KoBold Metals está a desenvolver no país o projeto de cobre Mingomba, apontado como uma futura grande mina. A fase de construção ainda não foi anunciada, estando a decisão final de investimento (FID) por determinar.

Apoiar a dinâmica já em curso

A obtenção de novos investimentos através das parcerias em estudo poderá revelar-se decisiva para a indústria de cobre da Zâmbia, sobretudo tendo em conta a dinâmica já gerada por vários projetos emblemáticos. O operador da mina Konkola, Vedanta Resources, anunciou um orçamento de 1,5 mil milhões de USD para aumentar a produção até 2031. A Barrick Mining segue a mesma estratégia com um investimento de expansão de 2 mil milhões USD na sua mina Lumwana, enquanto o grupo chinês JCHX planeia investir para otimizar as suas operações.

Conjuntamente, estes projetos constituem marcos importantes para Lusaca, que aposta especialmente no reforço da capacidade de produção das minas existentes para atingir as suas ambições. Esta abordagem é ainda apoiada por um relatório recente da PwC, que alerta, no entanto, que atingir o objetivo nacional exigirá também novos capitais em exploração e desenvolvimento de novas minas.

“Para alcançar as 3 milhões de toneladas, serão necessários investimentos sustentados em exploração, desenvolvimento mineiro, processamento e infraestruturas de apoio”, indica a PwC. Além do seu potencial geológico, a Zâmbia beneficia de estar entre as jurisdições mineiras mais atrativas do continente, ocupando o 3.º lugar em África em 2025, segundo o Fraser Institute.

No entanto, num contexto eleitoral neste ano, o desafio para a Zâmbia reside na sua capacidade de manter esta dinâmica e preservar um clima de negócios favorável. Num mercado do cobre já sob pressão, marcado por um défice de oferta global projetado devido à transição energética e ao crescimento da inteligência artificial, a corrida pelo metal vermelho pode abrir novas oportunidades significativas.

 Aurel Sèdjro Houenou

 

Com o projeto Kabanga, a Lifezone planeia o desenvolvimento de uma mina de níquel na Tanzânia. Enquanto o início das obras no local está previsto para este ano, a empresa já avança com a sua expansão em África, num contexto de crescente interesse por minerais críticos.

Na terça-feira, 10 de março, a Lifezone Metals anunciou a assinatura de um acordo de exclusividade com o governo do Burundi para o desenvolvimento do projeto de níquel Musongati no país. Este avanço reflete a dinâmica de expansão africana desta companhia mineira americana, já envolvida na futura mina Kabanga, na Tanzânia.

Assinado durante uma cerimónia em Washington D.C., na presença do ministro das Minas do Burundi, Hassan Kibeya, o contrato oferece à Lifezone um período de 14 meses para assumir o projeto Musongati. Inicialmente, a empresa deverá realizar um estudo preliminar de 30 dias, destinado a definir um plano mais amplo para um programa de exploração e viabilidade económica, com possibilidade de extensão conforme os resultados obtidos.

Considerado o maior depósito de níquel do Burundi, Musongati tem sido alvo de trabalhos de exploração há mais de 50 anos. Um estudo de 2011 chegou a definir uma reserva mineral superior a 140 milhões de toneladas. A Lifezone procurará assim refinar estas estimativas, enquanto planeia em paralelo os preparativos para iniciar a construção de Kabanga.

Para este último, a decisão final de investimento (DFI) está prevista para meados de 2026, com o objetivo de desenvolver uma mina capaz de produzir 902.000 toneladas de níquel ao longo de 18 anos, por um custo de 942 milhões de dólares. Musongati poderá integrar a continuidade deste projeto, sendo ambos os depósitos localizados na mesma faixa de níquel. Esta configuração é estratégica, sobretudo no contexto da corrida global ao fornecimento de minerais críticos, incluindo o níquel.

«Como empresa cotada na NYSE, a Lifezone está idealmente posicionada para se tornar o fornecedor preferencial dos Estados Unidos e de países parceiros […] para o níquel, um metal crítico considerado vital para a economia e a segurança nacional americana, e que enfrenta riscos potenciais relacionados com a interrupção das cadeias de abastecimento», explica Christopher Showalter, CEO da Lifezone.

Para o Burundi, um sucesso em Musongati poderá reforçar a sua posição no mapa de destinos estratégicos africanos para minerais críticos. Recorde-se que o país acolhe também a mina de terras raras de Gakara, cuja exploração permanece suspensa desde 2021 devido a disputas contratuais entre o Estado e o operador Rainbow Rare Earths.

 Aurel Sèdjro Houenou

Em Gana, a agricultura contribui com 21 % para o PIB e emprega cerca de 35 % da população ativa. Na sua vontade de modernizar o setor, o governo aposta na mecanização agrícola.

A Bielorrússia planeia enviar 3 000 unidades de máquinas e equipamentos agrícolas (tractores, equipamentos, semeadores e arados) para Gana em 2026. Segundo a agência nacional de notícias bielorrussa (BelTA), a 9 de março, esta informação foi confirmada por Maxim Ryzhenkov, ministro dos Negócios Estrangeiros do país da Europa Oriental.

De acordo com o responsável, esta entrega faz parte de uma parceria com Acra que inclui também a criação de centros de manutenção e a implementação de programas de formação para especialistas locais. Este anúncio confirma o estreitamento das relações entre os dois países no domínio da mecanização agrícola, após um encontro oficial entre Eric Opoku, ministro ganês da Agricultura, e o vice-primeiro-ministro bielorrusso Viktor Karankevich, a 6 de junho de 2025 em Minsk.

Reforço do parque de máquinas agrícolas

Este desenvolvimento surge no momento em que o governo ganês deseja reforçar a mecanização do setor agrícola com o desdobramento previsto em 2026 de mais de 4 000 máquinas e equipamentos agrícolas em 50 distritos. Segundo as autoridades, a operação será realizada no âmbito da iniciativa Farmer Service Centres e do programa « Feed Ghana Initiative » (2025-2028), pilar da estratégia de soberania alimentar do país lançada em abril de 2025.

Esta iniciativa prevê a criação de 50 centros de serviços agrícolas integrados em 50 distritos do país, destinados a fornecer aos agricultores acesso partilhado a máquinas agrícolas modernas, apoio técnico para a sua utilização e insumos agrícolas, visando aumentar a produtividade.

Ao falar sobre o tema a 11 de novembro de 2025, o presidente John Dramani Mahama confirmou que o governo inaugurará os 11 primeiros centros de serviços em 2026. Em Gana, a utilização de mecanização na agricultura continua ainda baixa. Segundo um estudo publicado em 2022, cerca de 78 % das operações agrícolas são realizadas manualmente na antiga Costa do Ouro.

Stéphanas Assocle

O Tesouro senegalês atingiu o seu objetivo de emissão na segunda-feira, inteiramente a curto prazo. Os investidores recusaram-se a comprometer-se a 3 e 5 anos nas condições propostas.

O Tesouro do Senegal levantou, na segunda-feira, 10 de março, a totalidade dos 50 mil milhões de FCFA (88,6 milhões de dólares) que procurava no mercado regional, mas exclusivamente através de bilhetes a 364 dias.

As duas parcelas obrigacionistas, uma OAT a 3 anos a 6,30% e uma OAT a 5 anos a 6,45%, foram rejeitadas na totalidade, por não encontrarem compradores às taxas fixadas em Dakar. Um sinal de desconfiança que ocorre a quatro dias de um vencimento crítico.

Na sexta-feira, 13 de março, o Senegal deverá honrar 333,3 milhões de euros (cerca de 388 milhões de dólares) referentes a eurobonds emitidos em março de 2018, num montante total de principal e juros de 485 milhões de dólares, confirmado pela Reuters e Bloomberg em fevereiro. O Tesouro já mobilizou mais de 700 mil milhões de FCFA no mercado da UEMOA desde o início do ano para garantir este pagamento, sendo a adjudicação de segunda-feira o último elo desta mobilização.

Na sessão, a taxa marginal do BAT a 364 dias situou-se em 6,75%, em queda face aos 6,98% registados na intervenção anterior, a 27 de fevereiro. Um sinal de ligeira descontração a curto prazo, mas também de uma anomalia persistente: o mercado exige mais para os 364 dias do que Dakar está disposto a pagar nas suas obrigações a 3 e 5 anos.

Estas tensões surgem num contexto de crise de financiamento público sem precedentes. A dívida total do setor público senegalês atingia 132% do PIB no final de 2024, segundo o FMI, que suspendeu em 2024 um programa de financiamento de 1,8 mil milhões de dólares após a descoberta de compromissos não declarados na administração anterior. Uma auditoria do Tribunal de Contas revelou que o défice orçamental real tinha sido subestimado em até sete pontos percentuais do PIB por ano, elevando a relação de endividamento no final de 2023 para quase 100% do PIB, contra os 74% oficialmente anunciados.

Desde então, Dakar atua sozinho nos mercados. A suspensão do programa do FMI obrigou o Estado a recorrer ao mercado regional, que financiou 75% das necessidades de 2025, ou seja, 4 000 mil milhões de FCFA mobilizados em 2025. Esta dependência de financiamento curto e caro agrava a parede de refinanciamento futura: entre 2026 e 2028, o país terá de mobilizar cerca de 14 870 mil milhões de FCFA para o serviço da dívida total.

O governo de Bassirou Diomaye Faye mantém o rumo de um regresso progressivo ao equilíbrio orçamental — défice reduzido de 13,4% do PIB em 2024 para 7,8% em 2025 — com um objetivo de 5,37% para 2026 e 3% em 2027. Mas enquanto o FMI não formalizar um programa de apoio, o mercado continuará a fixar o preço da desconfiança e a recusar alongar a maturidade.

Fiacre E. Kakpo

Esta facilidade do Fundo de Solidariedade Africano permitirá ao fundo de garantia cabo-verdiano melhorar o acesso ao crédito das pequenas empresas locais através da sua rede de bancos e instituições de microfinança parceiras.

O Fundo de Solidariedade Africano (FSA) anunciou na segunda-feira, 9 de março, a assinatura de um acordo de contragarantia com a instituição financeira pública cabo-verdiana Pro Garante, o Fundo de Garantia de Cabo Verde. Esta linha de garantia é de 2,5 mil milhões de escudos, cerca de 26 milhões de dólares.

Através deste mecanismo, a instituição financeira multilateral de garantia, que reúne 23 Estados africanos e tem sede em Niamey, no Níger, compromete-se a cobrir parte dos riscos assumidos pela Pro Garante quando esta garante créditos concedidos às empresas pelos bancos locais. A Pro Garante considera esta facilidade uma oportunidade de expandir a sua capacidade de intervenção e facilitar o acesso ao financiamento para as empresas cabo-verdianas, em particular as micro, pequenas e médias empresas (MPME). Estas constituem o motor da economia, mas ainda enfrentam dificuldades para cumprir todos os requisitos para obter crédito.

As MPME em Cabo Verde sofrem de um défice de financiamento estimado em 270 milhões de dólares, cerca de 14,7% do PIB. Esta situação limita a sua capacidade de crescimento e retarda o desenvolvimento de um setor essencial para a economia do país. No entanto, o sistema financeiro cabo-verdiano é líquido e bem capitalizado, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Esta parceria demonstra a importância da cooperação entre instituições africanas na criação de soluções financeiras inovadoras capazes de responder aos desafios do desenvolvimento. Estamos convencidos de que esta iniciativa contribuirá para reforçar o ecossistema de financiamento empresarial em Cabo Verde, criando melhores condições para que os empreendedores possam investir, inovar e crescer”, afirmou a presidente do conselho de administração da Pro Garante, Antonia Maria Cardoso.

Desde a sua criação, em setembro de 1979, o FSA tem como objetivo facilitar o acesso ao financiamento das empresas, permitindo-lhes desempenhar plenamente o seu papel motor no desenvolvimento das economias africanas.

Sandrine Gaingne

Eleição do diretor-geral da AXA Senegal à frente da FSSA ocorre num momento de crescimento do setor de seguros

A eleição do diretor-geral da AXA Senegal para a presidência da FSSA acontece num momento em que o setor regista um aumento do seu volume de negócios e procura ampliar o acesso aos produtos de seguro num mercado em que a taxa de penetração é inferior a 2%.

A Federação Senegalesa das Sociedades de Seguros (FSSA) tem um novo presidente. Amar Kébé (foto), diretor-geral da AXA Senegal, foi eleito à frente desta organização profissional na segunda-feira, 9 de março. Ele sucede a Oumou Niang Touré, diretora-geral da Askia Assurances, que presidia a federação desde outubro de 2022.

Jurista e segurador de formação, Amar Kébé conta com mais de 25 anos de experiência na indústria de seguros. Dirige a AXA Senegal desde janeiro de 2023.

« Juntos, continuaremos os esforços para reforçar o papel do setor de seguros no desenvolvimento económico e na proteção das populações no Senegal », declarou ele.

A FSSA, que reúne cerca de trinta companhias de seguros e resseguros, desempenha um papel central na coordenação dos atores do setor e no diálogo com os poderes públicos.

Esta eleição ocorre algumas semanas após a sua entrada no comité executivo da Federação das Sociedades de Seguros de Direito Nacional Africano (FANAF), na sequência da assembleia-geral realizada em fevereiro de 2026 em Abidjan. Esta organização continental reúne associações nacionais de seguradores de vários países africanos e constitui uma plataforma de coordenação para os atores do setor.

Um mercado de seguros em crescimento

O mercado senegalês de seguros tem registado uma progressão do seu volume de negócios. Segundo dados divulgados em abril de 2025 pelo secretário executivo do Observatório da Qualidade dos Serviços Financeiros, Papa Amadou Diagne, o volume de negócios do setor passou de 249 mil milhões de francos CFA (441 milhões de dólares) em 2022 para 274 mil milhões em 2023, atingindo 290 mil milhões em 2024.

Esta evolução corresponde a um crescimento médio anual de cerca de 10% no período. Apesar desta progressão, a taxa de penetração do seguro na economia permanece baixa. Situava-se em 1,45% em 2022 e atingiu 1,46% em 2023.

A chegada de Amar Kébé à presidência da FSSA ocorre num momento em que as companhias procuram alargar a sua base de clientes e reforçar a sua contribuição para o financiamento da economia.

Chamberline Moko

O grupo sul-africano Absa Group reforça a sua presença no continente e prevê a abertura, em breve, de um escritório em Dubai para facilitar os investimentos internacionais.

O grupo bancário sul-africano Absa Group anunciou um lucro de 24,76 mil milhões de rands para o ano de 2025 (1,5 mil milhões de dólares), um aumento de 12% em relação a 2024, segundo os resultados publicados pela instituição sediada em Joanesburgo. Neste desempenho, as filiais que operam no resto de África — fora da África do Sul — contribuíram com 31% dos lucros do grupo.

Com efeito, o segmento “Africa Regions”, que reúne as atividades em 12 países africanos, incluindo Gana, Botsuana, Quénia e Maurícia, registou um aumento de 25% nos lucros, atingindo 7,76 mil milhões de rands. As atividades domésticas sul-africanas, por sua vez, cresceram de forma mais moderada, com um aumento de 7%. Além disso, a rendibilidade dos capitais próprios (RoE) nas operações africanas passou de 15,1% em 2024 para 16,3% em 2025.

O desempenho das filiais africanas explica-se, nomeadamente, pela melhoria do contexto económico no Gana. Desde 1 de janeiro de 2025, o país deixou de ser considerado uma economia hiperinflacionária nas contas do grupo, o que teve um impacto positivo de cerca de 633 milhões de rands nos lucros da Absa Bank Ghana.

«O crescimento económico foi variável nos nossos outros mercados africanos em 2025. A economia do Gana fortaleceu-se, impulsionada por fortes receitas de exportação de ouro que sustentaram a forte valorização do cedi, levando a uma rápida desaceleração da inflação e a uma redução significativa das taxas de juro», sublinhou o grupo.

A Zâmbia também registou uma recuperação económica graças ao aumento dos preços e da produção de cobre, enquanto as economias diversificadas da África Oriental continuaram a apresentar desempenhos estáveis, segundo o grupo.

A África do Sul continua a ser o principal mercado do grupo

A África do Sul continua a ser o principal mercado do grupo. O país representa 69% dos lucros, com um resultado de cerca de 17 mil milhões de rands, um aumento de 7%.

No total, as receitas do grupo aumentaram 5%. As despesas operacionais cresceram 6%, em grande parte devido aos investimentos no digital e no desenvolvimento de competências dos colaboradores.

Além disso, a gestão de riscos melhorou e as provisões para créditos duvidosos diminuíram 6%, reduzindo o rácio de perdas de crédito para 0,88%, um nível alinhado com os objetivos do grupo.

Perante estes resultados, o Absa Group decidiu aumentar a remuneração dos seus acionistas. O grupo anunciou um dividendo final de 850 cêntimos por ação, elevando o dividendo total do ano para 1 635 cêntimos, o que representa um aumento de 12%.

Uma rede africana alargada e abertura para Dubai

Fora da África do Sul, o Absa Group está presente no Botsuana, Gana, Quénia, Maurícia, Moçambique, Seicheles, Uganda, Zâmbia e Tanzânia, nomeadamente através da Absa Bank Tanzania e da National Bank of Commerce Tanzania. A isto juntam-se escritórios de representação na Nigéria e na Namíbia, bem como atividades de seguros, nomeadamente no Quénia com a Absa Life Assurance e a First Assurance.

Nos próximos três meses, o banco prevê abrir um escritório em Dubai, sujeito às autorizações regulamentares, com o objetivo de facilitar os investimentos internacionais em África.

Sandrine Gaingne

Enquanto a Nigéria procura reduzir a sua dependência dos combustíveis importados, as autoridades parecem aplicar de forma mais rigorosa as regras do código petrolífero, que prevê que as importações só devem ocorrer quando a produção local for insuficiente para satisfazer a procura.

Segundo informações divulgadas na quarta-feira, 11 de março, pelos meios de comunicação locais, o regulador nigeriano do setor petrolífero a jusante, a Nigerian Midstream and Downstream Petroleum Regulatory Authority (NMDPRA), suspendeu pelo segundo mês consecutivo a emissão de licenças de importação de gasolina, sinalizando uma vontade crescente de privilegiar o abastecimento doméstico. Os dados do regulador mostram que nenhuma licença de importação foi concedida em fevereiro.

Além disso, a associação dos refinadores locais, a Crude Oil Refiners Association of Nigeria (CORAN), confirmou que nenhuma autorização foi concedida até agora no mês de março. A entidade, que há vários anos apela às autoridades para limitarem as importações consideradas prejudiciais à rentabilidade das refinarias domésticas, saudou a decisão do regulador. O seu porta-voz, Eche Idoko, considera que qualquer medida destinada a proteger a produção local constitui uma evolução positiva para o setor, sublinhando, contudo, que o principal desafio será manter esta orientação ao longo do tempo.

Esta decisão baseia-se nas disposições do código petrolífero de 2021, que autoriza a importação de combustíveis apenas quando a produção local não é suficiente para satisfazer a procura nacional. Segundo dados do regulador, os volumes disponíveis no mercado interno foram considerados suficientes para responder às necessidades do país.

O consumo médio diário de gasolina na Nigéria atingiu 56,9 milhões de litros por dia em fevereiro de 2026, contra 60,2 milhões de litros em janeiro. Ao mesmo tempo, a Dangote Group forneceu 36,5 milhões de litros de gasolina e cerca de 8 milhões de litros de diesel ao mercado local durante o mês. Com base nesses volumes, o regulador considerou que a produção doméstica permitia limitar o recurso às importações. Além disso, durante o mês de fevereiro, a refinaria atingiu a sua capacidade total de processamento de 650 000 barris por dia.

A suspensão das licenças representa uma mudança em relação à posição defendida pelo antigo dirigente da autoridade reguladora, que considerava que a continuidade das importações era necessária para manter a concorrência no mercado e evitar que um único operador dominasse o abastecimento do país.

A questão do equilíbrio entre produção local e importações continua, no entanto, sensível num país que durante muito tempo exportou petróleo bruto enquanto importava a maior parte dos seus produtos refinados. O desenvolvimento de novas capacidades de refinação, nomeadamente com a refinaria do Dangote Group, está a alterar progressivamente este equilíbrio e a levar as autoridades a ajustar a sua política de abastecimento.

Olivier de Souza

Page 35 sur 236

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.