O projeto de gás Coral Norte é uma das iniciativas voltadas para a exploração dos recursos de gás natural do Moçambique, identificados na bacia offshore de Rovuma. A Technip Energies já havia conquistado um contrato para esse projeto.
O grupo francês Technip Energies anunciou, em 24 de fevereiro, que venceu um "contrato significativo" no projeto de gás Coral Norte, no Moçambique. O projeto está em desenvolvimento no bloco Área 4 da bacia de Rovuma, ao largo de Cabo Delgado.
A informação foi divulgada em um comunicado publicado no mesmo dia no site oficial da empresa. O documento especifica que o contrato abrange atividades de engenharia, fornecimento de equipamentos e preparação para a integração da unidade flutuante.
Esse novo contrato segue o primeiro contrato que envolvia trabalhos preliminares já iniciados no Coral Norte. O comunicado também menciona que a Technip Energies fará parte de um consórcio composto pela JGC Corporation e Samsung Heavy Industries.
O comunicado não especifica o valor do contrato concedido. Ele revela que o contrato foi atribuído pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), a joint venture responsável pelo desenvolvimento do bloco Área 4, que é controlada pela operadora italiana Eni, com seus parceiros ExxonMobil e CNPC.
O comunicado recorda que o Coral Norte será uma unidade flutuante de liquefação de gás natural (FLNG), destinada a ser instalada ao largo do Moçambique, na bacia de Rovuma. A instalação será baseada em um conceito semelhante ao do Coral Sul FLNG, que entrou em operação em 2022 no mesmo bloco.
Em um comunicado distinto, publicado em janeiro de 2026, a Technip Energies havia anunciado a flotação do casco do FLNG Coral Norte no estaleiro de Geoje, na Coreia do Sul. Essa operação antecede a integração dos módulos superiores.
Segunda fase do desenvolvimento do campo Coral, o projeto de gás Coral Norte acelerou nos últimos meses. Após a decisão final de investimento (FID) tomada em outubro de 2025, que validou um projeto de 7,2 bilhões de dólares, o consórcio iniciou a construção da unidade flutuante, com uma capacidade de produção prevista de 3,55 milhões de toneladas de GNL por ano, e com entrada em operação prevista para 2028.
Abdel-Latif Boureima
Na África Ocidental, o Senegal é um dos principais mercados para produtos lácteos, ao lado de países como Mauritânia, Nigéria, Gana e Togo. O país, que visa a autossuficiência, conta com o apoio de parceiros estrangeiros com expertise reconhecida no setor.
No Senegal, o Ministro da Agricultura, Mabouba Diagne, anunciou recentemente a assinatura de um protocolo de acordo com seu homólogo brasileiro. A informação foi divulgada na quinta-feira, 26 de fevereiro, pela mídia local, e foi anunciada durante a segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20), que ocorreu de 24 a 28 de fevereiro em Cartagena, na Colômbia.
Segundo as autoridades, essa nova parceria tem como objetivo acelerar a conquista da autossuficiência em produtos lácteos no Senegal. As intervenções previstas focarão no fortalecimento da cooperação científica entre a Sociedade Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Senegalês de Pesquisas Agrícolas (ISRA), além da implementação de um programa de transferência de embriões de gado Gir, com alto potencial de produção leiteira.
Também está prevista a estruturação sustentável do setor através de parcerias público-privadas, o desenvolvimento de culturas forrageiras e rações alimentares eficientes, assim como a profissionalização do setor por meio de treinamento na gestão de fazendas de laticínios modernas, além do fortalecimento da mecanização agrícola e pastoril.
Aprofundar os esforços em melhoramento genético
Essa aproximação com Brasília na área de pesquisa é ainda mais estratégica, pois o Brasil possui uma excelente reputação no potencial genético de suas raças bovinas adaptadas à pecuária em regiões tropicais, além de ser uma potência no mercado mundial de laticínios. Dados compilados pela FAO mostram, por exemplo, que o Brasil se consolidou como o 5º maior produtor mundial de produtos lácteos, atrás da Índia, EUA, Paquistão e China, com uma oferta média de 36,6 milhões de toneladas por ano entre 2021 e 2023.
É importante ressaltar que, no âmbito do seu programa de melhoramento genético do rebanho bovino, o governo senegalês subvenciona, desde 2017, a importação de gado de alto potencial de produtividade de várias origens, incluindo o Brasil. A última iniciativa foi no dia 10 de janeiro de 2026, quando o Ministério da Agricultura anunciou a chegada de 1.050 cabeças de gado das raças Guzera e Girolando, originárias do Brasil, como parte de uma parceria entre o ministério e o Grupo para o Melhoramento Genético e Pecuária Pastoral e Extensiva no Senegal (GEPES).
Apesar desses esforços, as importações de produtos lácteos aumentaram, refletindo a incapacidade da indústria local em acompanhar o ritmo de crescimento das necessidades do mercado interno. Dados compilados pela Agência Nacional de Estatísticas e Demografia (Ansd) mostram que as importações de produtos lácteos no Senegal aumentaram nos últimos cinco anos, passando de 28.973 toneladas em 2020 para 33.745 toneladas em 2024. Simultaneamente, o valor dessas importações cresceu 34,3% no mesmo período, alcançando 65,73 bilhões de francos CFA (118,2 milhões de dólares).
Stéphanas Assocle
Com o objetivo de apoiar as famílias mais carentes do país, as autoridades camaronesas lançaram um projeto de habitação social. No entanto, o programa tem enfrentado dificuldades para ser concluído, com déficits significativos.
Lançado em 2009, o programa de construção de 10.000 unidades habitacionais sociais, acompanhado pela preparação de 50.000 terrenos para construção, resultou em 1.130 unidades construídas na fase piloto de um total de 1.675 previstas. A esse volume, somam-se o Plano de Urgência Trienal para Aceleração do Crescimento Econômico (Planut), o programa chinês e as moradias para PMEs, elevando o total para 3.585 unidades concluídas até o momento.
Esses dados foram divulgados pela Ministra da Habitação e do Desenvolvimento Urbano (Minhdu), Célestine Ketcha Courtès, em 12 de fevereiro de 2026, em Douala, durante a entrega de chaves a 57 novos proprietários em Mbanga Bakoko. Segundo a ministra, 670 unidades já foram entregues na capital econômica, com 40 adicionais previstas para março e mais 30 para abril.
Entrega de chaves desde 2013 e aumento da cadência de entrega
Célestine Ketcha Courtès afirmou que, desde o início das entregas de chaves em 2013, cerca de 3.000 famílias foram realocadas "de forma digna" em Douala, Yaoundé, Bafoussam, Limbé, Bamenda e Sangmélima. A entrega em Mbanga Bakoko faz parte de uma dinâmica considerada progressiva, mas ainda distante dos objetivos iniciais.
A ministra recorda que, quando assumiu o cargo em 2018, apenas 420 unidades estavam concluídas, sinalizando as dificuldades nos primeiros anos do programa. Ela atribui esses bloqueios a falhas operacionais, como a baixa capacidade financeira e logística de algumas PME locais, o que resultou na paralisação das obras.
Para impulsionar o programa, o governo contratou novas empresas “com desempenho comprovado”, por meio de acordos excepcionais com o Ministério de Obras Públicas. O executivo destaca essa estratégia contratual como uma solução para corrigir as falhas identificadas na execução das obras.
Desafios persistem: déficit habitacional e entraves fiscais
Apesar desses ajustes, os resultados ainda são limitados diante das necessidades. Segundo dados oficiais, o Camarões enfrenta, há alguns anos, um déficit de cerca de 2,5 milhões de unidades habitacionais sociais, considerado uma crise “aguda” pelas autoridades.
Para reduzir esse déficit, o governo informou que iniciou negociações com diversos parceiros privados — Pnhg, Addoha, Lafak e Wagas — para finalizar as condições necessárias para o início de novas construções. No entanto, o processo enfrenta obstáculos relacionados ao acesso ao terreno, considerado um bloqueio estrutural.
Segundo a Minhdu, "discussões com o Ministro dos Domínios, Cadastro e Assuntos Fundiários também avançaram sobre os títulos de propriedade, com prioridade para a entrega efetiva em 2026". A esse desafio, somou-se recentemente uma questão fiscal que pode aumentar o custo dos projetos.
Desde janeiro de 2026, o Estado suspendeu a isenção de IVA sobre imóveis sociais, estabelecendo uma taxa de 10% sobre as operações de imóveis sociais (juros, vendas, aluguéis). Esta medida pode afetar a viabilidade econômica dos projetos, com uma consequência direta no aumento dos investimentos e no acesso à habitação social.
Frédéric Nonos (Investir au Cameroun)
Na África Ocidental, a transformação local do karité é cada vez mais impulsionada pelos países produtores, como a Nigéria, o maior fornecedor mundial dessa matéria-prima.
Na Nigéria, o presidente Bola Tinubu prorrogou por mais um ano a proibição da exportação de nozes de karité cruas, anunciou na quarta-feira, 25 de fevereiro, o porta-voz da presidência, Bayo Onanuga. A medida entrou em vigor no dia 26 de fevereiro e irá durar até o final de fevereiro de 2027, estendendo um período de restrição de 6 meses iniciado em agosto de 2025.
"A proibição tem como objetivo aumentar as capacidades de transformação na Nigéria, melhorar os meios de subsistência nas comunidades produtoras de karité e promover o crescimento das exportações nigerianas baseadas em produtos com maior valor agregado […]. O governo federal incentiva a transformação local das nozes de karité em manteiga, que é vendida de 10 a 20 vezes mais cara do que as nozes cruas", explicou Onanuga.
Ele também indicou que, no contexto dessa prorrogação, foi adotado um quadro de exportação estabelecido pela Bolsa de Commodities da Nigéria (NCX), e as isenções que permitiam a exportação direta das nozes de karité cruas foram retiradas.
"O presidente ordenou que qualquer excedente de nozes de karité cruas seja exportado exclusivamente através do quadro da NCX, conforme as diretrizes aprovadas. Além disso, ele pediu ao Ministério das Finanças que permita o acesso a um balcão de apoio NESS dedicado, a fim de permitir que o Ministério da Indústria, Comércio e Investimentos implemente um mecanismo de financiamento para melhorar a capacidade de produção e transformação", completou o porta-voz.
Segmento de transformação quer se destacar na cadeia de valor
Por enquanto, a medida ainda não gerou reação da Associação Nacional dos Produtos de Karité da Nigéria (NASPAN). Após a primeira restrição, a associação havia solicitado um período de graça de 90 dias ao governo antes da implementação, argumentando que a medida súbita estava dificultando o trabalho dos coletores. No entanto, não obteve sucesso, já que as autoridades querem acelerar a industrialização do setor.
A Nigéria, que é o maior produtor mundial de karité, com uma produção de 350.000 a 500.000 toneladas por ano, ainda enfrenta dificuldades para capturar uma parte significativa do valor agregado gerado pela cadeia de valor. "A Nigéria produz cerca de 40% dos produtos mundiais de karité, mas representamos apenas 1% da participação de mercado, avaliada em 6,5 bilhões de dólares. Isso é inaceitável. Nosso objetivo é gerar cerca de 300 milhões de dólares por ano no curto prazo e, até 2027, esse número será multiplicado por 10", informou o vice-presidente Kashim Shettima em agosto de 2025, logo após o anúncio da suspensão anterior.
Embora o impacto dessa nova decisão sobre os preços seja aguardado nos próximos dias, ela se insere em uma dinâmica que já está em andamento na África Ocidental, onde vários países produtores optaram, desde 2024, por suspender ou limitar fortemente as exportações de nozes de karité cruas.
Após o Burkina Faso em setembro de 2024 e o Mali em outubro, a Costa do Marfim e o Togo também interromperam o envio de amêndoas de karité, respectivamente, em janeiro e abril de 2025. O Gana adotou uma abordagem mais gradual, anunciando em julho de 2025 um bloqueio progressivo das exportações da matéria-prima até 2026, ao invés de um embargo imediato.
Espoir Olodo
Revelado em março de 2025, o projeto BRIDGE tem como objetivo reduzir a lacuna digital na Nigéria, oferecendo acesso expandido e acessível à internet de alta velocidade para as comunidades que até então estavam excluídas ou mal atendidas.
A Nigéria receberá um investimento de 100 milhões de dólares do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD) para financiar o projeto Building Resilient Digital Infrastructure for Growth (BRIDGE), um vasto programa de expansão da fibra ótica.
O ministro nigeriano das Comunicações, Inovação e Economia Digital, Bosun Tijani (foto), confirmou essa informação na quarta-feira, 25 de fevereiro, através de sua conta no X (antigo Twitter). Ele detalhou que esse investimento é resultado de uma missão de investimentos de duas semanas em seis países, com o objetivo de estabelecer parcerias estratégicas. Esse investimento segue após a aprovação de um financiamento de 500 milhões de dólares pela Banco Mundial para o mesmo projeto.
Lançado pelo governo nigeriano em março de 2025, o BRIDGE visa reduzir a lacuna digital do país, garantindo um acesso mais amplo e acessível à internet de alta velocidade para as populações desatendidas ou mal cobertas. O projeto prevê o implantação de mais de 90.000 quilômetros de cabos de fibra ótica, expandindo a rede nacional de 35.000 para 125.000 quilômetros.
Com um custo global estimado de 2 bilhões de dólares, a iniciativa será financiada por investidores privados, com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), do Banco Europeu de Investimentos (BEI) e do Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID).
Com esse projeto, o governo nigeriano pretende melhorar substancialmente "a velocidade e a confiabilidade da internet, aumentando a taxa de penetração da internet para mais de 70%, permitindo que milhões de lares, empresas, escolas e hospitais tenham acesso".
O programa também deverá gerar 20.000 empregos diretos e mais de 150.000 empregos indiretos, além de apoiar o crescimento da economia digital nigeriana. De acordo com as projeções, o projeto pode resultar em um aumento do PIB per capita de 1,5%, elevando o PIB da Nigéria de 472,62 bilhões de dólares para cerca de 502 bilhões de dólares em quatro anos.
Além desse investimento da BERD, Tijani informou que a União Europeia pretende investir 45 milhões de euros (53 milhões de dólares) na economia digital, dos quais 22 milhões de euros serão direcionados para o projeto BRIDGE, 18 milhões para serviços públicos digitais e 5 milhões para o programa 3MTT Nigéria.
Lydie Mobio
A fase de subscrição desta nova emissão de fundos no mercado regional decorre de quinta-feira, 26 de fevereiro, até quinta-feira, 19 de março de 2026.
O Senegal lançou oficialmente, na quinta-feira, 26 de fevereiro, a sua primeira oferta pública de poupança do ano de 2026, com o objetivo de mobilizar 200 bilhões de FCFA (aproximadamente 360 milhões de dólares) junto dos investidores da União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA).
Um financiamento destinado ao orçamento de 2026 e às reformas estruturais
Os recursos recolhidos durante esta operação organizada pela sociedade de gestão e intermediação Invictus Capital & Finance serão utilizados para financiar as necessidades orçamentárias do exercício de 2026. O projeto da Lei de Finanças prevê um orçamento de 7.433,9 bilhões de FCFA (aproximadamente 13,4 bilhões de dólares), o que representa um aumento de 12,4% em relação a 2025.
Uma parte significativa desses fundos também será destinada à Agenda Nacional de Transformação, um programa que visa financiar projetos estruturantes e reformas para melhorar as condições de vida da população e impulsionar o crescimento económico.
De acordo com o Ministério das Finanças e do Orçamento do Senegal, esta operação faz parte de uma visão de longo prazo, integrada na estratégia de gestão da dívida a médio prazo. Contribui também para o aprofundamento do mercado financeiro sub-regional, fortalecendo a posição do Senegal na UEMOA.
Aumento do recurso ao mercado regional num contexto de elevada dívida
Esses novos empréstimos deverão aumentar o nível da dívida, já considerado muito crítico. De acordo com as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida pública total, incluindo a das empresas estatais, alcançou cerca de 132% do PIB no final de 2024.
Esta crise da dívida foi desencadeada em meados de 2024, quando a subdeclaração massiva dos déficits e da dívida foi revelada. Posteriormente, o Tribunal de Contas confirmou que a dívida de 2023 ultrapassava em 25 pontos percentuais os números oficiais anteriores. Em 2025, o Senegal levantou 4.004 bilhões de FCFA no mercado financeiro regional. Embora essa estratégia tenha permitido responder às necessidades imediatas, ela aumenta os riscos para a UEMOA, especialmente com a aproximação da data crucial de março de 2026 para o reembolso de um eurobônus de um bilhão de euros.
Sandrine Gaingne
O acesso ao financiamento continua sendo um dos principais desafios para o crescimento das pequenas empresas na África Oriental, assim como em grande parte das sub-regiões africanas.
A Sociedade Financeira Internacional (SFI) planeja investir até 52 milhões de dólares na Platcorp Holdings, uma empresa de gestão de investimentos em microfinanças registrada em Maurício, para apoiar o financiamento de micro, pequenas e médias empresas no Quênia, Uganda e Tanzânia.
A aprovação do projeto pelo conselho de administração da SFI está prevista para sexta-feira, 27 de março.
Do montante total planejado, 27 milhões de dólares virão dos fundos próprios da SFI. A instituição também pretende mobilizar até 25 milhões de dólares adicionais com investidores parceiros por meio de empréstimos paralelos e empréstimos B.
De acordo com as informações publicadas pela SFI, o financiamento será oferecido na forma de empréstimos de primeira linha com uma duração de quatro anos, destinados a cinco filiais da Platcorp nos três países envolvidos. A distribuição indicativa prevê 20 milhões de dólares para duas filiais no Quênia, 5 milhões para duas filiais em Uganda e 2 milhões de dólares para uma filial na Tanzânia.
Este investimento permitirá que as filiais da Platcorp ofereçam crédito de médio prazo em moeda local e expandam suas operações de empréstimo para PMEs em mercados onde o acesso ao financiamento acessível a longo prazo ainda é limitado. Vale ressaltar que as atividades do grupo relacionadas à microseguros ou à geolocalização de veículos não estão incluídas neste investimento específico.
Segundo a documentação do projeto, 50% dos recursos financiados serão direcionados para empresas de propriedade de mulheres. Esta abordagem visa corrigir um desequilíbrio persistente no acesso ao crédito, uma vez que as empreendedoras frequentemente enfrentam exigências de garantias mais rígidas e redes financeiras limitadas. Além disso, os recursos serão direcionados principalmente para MPMEs que operam em segmentos incluindo zonas rurais e periurbanas.
Com sede em Maurício, a Platcorp Holdings afirma administrar mais de 358 milhões de dólares em ativos e atender mais de um milhão de clientes por meio de uma rede de 568 agências.
SG
Gabão quer mobilizar poupança regional para financiar projetos da Lei de Orçamento de 2026
O Gabão pretende mobilizar poupança regional para financiar os projetos previstos na Lei de Finanças de 2026. A operação combina a captação de liquidez e a conversão de dívidas internas em títulos financeiros, com uma cotação prevista na Bolsa de Valores Mobiliários da África Central.
O Gabão lançou na quarta-feira, 25 de fevereiro, uma emissão obrigacionista por meio de um apelo público à poupança no mercado financeiro da Comunidade Econômica e Monetária da África Central (Cemac).
A operação envolve 85 bilhões de CFA (153 milhões de dólares) e será realizada em duas tranches. A tranche A oferece uma taxa de juro anual de 6% por três anos. A tranche B oferece 6,5% por quatro anos. O capital será reembolsado de uma só vez no vencimento para ambas as tranches.
O produto da emissão será destinado ao financiamento dos projetos estruturantes do Gabão identificados pelo governo e programados na Lei de Finanças de 2026. O período de subscrição vai de 25 de fevereiro a 25 de maio. O Estado nomeou a Emrald Securities Services Bourse como organizador e líder da operação, com a participação da CCA Bourse como co-organizador.
De acordo com o documento aprovado pela Comissão de Supervisão do Mercado Financeiro da África Central, as obrigações terão uma ponderação de 0% em termos prudenciais, o que significa que os bancos não precisarão imobilizar recursos próprios para o cálculo do risco soberano em suas regulamentações.
Desde 2007, o Gabão emitiu um total de 1.641 bilhões de CFA no mercado regional por meio de apelos públicos à poupança e investimentos privados. Esta nova operação segue essa continuidade.
Mecanismo para reduzir os atrasos e apoiar o caixa do Estado
A operação baseia-se em dois canais. Uma primeira parte de 60 bilhões de CFA será mobilizada em numerário. A segunda parte de 25 bilhões de CFA será obtida através de uma recompra parcial de dívidas comerciais detidas por empresas sobre o Estado.
O mecanismo permite que um investidor detentor de uma dívida validada sobre o Estado a converta em obrigações de valor equivalente, desde que aporte uma quantia igual em numerário, com uma relação de 1 para 1. Ao final do processo, ele se tornará portador de obrigações que serão reembolsadas conforme o calendário previsto.
Uma estratégia de endividamento voltada para o mercado regional
Esta emissão faz parte da estratégia de endividamento do Gabão para 2026. O governo prevê um uso significativo de financiamentos internos e externos, com um papel central para o mercado financeiro regional e para os empréstimos semi-concessionais. Assim, essa operação representa um teste para a profundidade do mercado da Cemac e para a capacidade do Tesouro gabonês de mobilizar a poupança local em um contexto de grandes necessidades de financiamento.
Chamberline Moko
A inovação financeira móvel contribuiu de maneira significativa para melhorar o nível de inclusão financeira na África ao longo dos últimos dez anos. Este é um setor em que a concorrência continua a crescer, beneficiando uma grande parte da população ainda excluída do sistema bancário tradicional.
O grupo de telecomunicações pan-africano Axian ampliou sua oferta financeira móvel nas Comores. A empresa anunciou na terça-feira, 24 de fevereiro, que obteve uma licença de instituição financeira digital descentralizada (IFDD) do Banco Central das Comores (BCC). Esta autorização abre caminho para a criação de uma estrutura regulada, 100% digital, operando sob um quadro prudencial e supervisionado, para oferecer serviços financeiros diretamente via celular.
Essa nova entidade operará em paralelo ao MVola, a solução de Mobile Money já implantada pela Axian no arquipélago. Erwan Gelebart, presidente e CEO do Axian Digibank & Fintech Cluster, destacou que "esta licença marca um passo decisivo na ambição da Axian de construir ecossistemas financeiros inclusivos e sustentáveis nas Comores e em todos os nossos mercados. Ela reforça nossas atividades de banco digital e fintech, e amplifica o impacto do Mixx e do MVola, permitindo que os serviços financeiros regulamentados completem nossas capacidades existentes de finanças móveis."
A nova entidade oferecerá soluções de crédito digitais, incluindo nanoempréstimos e microcréditos, com decisão e desembolso quase instantâneos. A ambição é oferecer serviços concretos, como financiamento de capital de giro, acesso à saúde, apoio à educação ou atividades informais, independentemente da localização geográfica dos usuários.
Serviço relevante para a realidade local
Em um arquipélago onde ir a uma agência bancária pode significar uma viagem entre as ilhas, o argumento de proximidade é central. "Concretamente, isso significa que um indivíduo ou agricultor em Anjouan poderá acessar um microcrédito diretamente de seu celular, sem precisar se deslocar até uma agência bancária", explicou Erwan Gelebart.
Esta novidade ocorre em um país onde o acesso aos serviços financeiros bancários ainda é limitado. Apesar do progresso registrado nos últimos cinco anos, o último relatório anual do Banco Central das Comores indica que a taxa de bancarização global (bancos e instituições financeiras descentralizadas) permanece abaixo de 40%, ficando em 39,23% em 2024. Foi nesse contexto que o MVola se estabeleceu no país em 2019, se unindo ao Holo Money, solução do Banco de Desenvolvimento das Comores (BDC), no segmento de transferências de dinheiro e pagamentos móveis. A Axian contribuiu assim para aumentar a taxa de inclusão financeira, definida como a porcentagem da população adulta com pelo menos uma conta bancária, de microfinanças ou com um operador de moeda eletrônica, que subiu para 49,20% em 2024. Graças ao aumento da concorrência, com a chegada do Huri Money da Comores Telecom em 2021, o Banco Central agora projeta uma taxa de inclusão financeira de 75% até 2030.
Com esta nova empresa, o grupo Axian eleva ainda mais o nível de concorrência no segmento de fintechs, enquanto se posiciona como um ator inovador nos serviços financeiros, com grande valor agregado. As Comores representam um verdadeiro teste, cujo sucesso poderá resultar na expansão do novo serviço para outros mercados do grupo na África, como Madagascar, Senegal, Togo e Tanzânia.
Muriel EDJO
Diante das desigualdades persistentes no acesso à educação e das turmas superlotadas, uma iniciativa internacional pretende fornecer apoio material ao Chade para melhorar as condições de aprendizagem das crianças do ensino primário.
O Centro Rei Salman, uma organização saudita de ajuda humanitária e desenvolvimento social, lançou na quarta-feira, 25 de fevereiro, em N'Djamena, um projeto ambicioso para apoiar a educação primária no Chade. Segundo a imprensa local, a iniciativa beneficiará 23.000 alunos, distribuídos em oito províncias, incluindo Lac, Kanem e Hadjer-Lamis. A cerimônia de inauguração ocorreu na escola primária de Arola, na capital, com a presença do Ministro da Educação Nacional, Aboubakar Assidik Choroma, e de um representante da embaixada da Arábia Saudita.
A implementação do projeto está a cargo da Organização para a Promoção do Ensino no Chade (OPET). O programa inclui a distribuição de carteiras escolares coletivas, bem como kits contendo cadernos, canetas, instrumentos de geometria e uniformes. De acordo com os organizadores, 41 escolas primárias serão beneficiadas, com o objetivo de melhorar as condições de aprendizagem de milhares de alunos em todo o país.
Para Mahamat Djibrine, delegado provincial da educação em N'Djamena 1, este projeto marca “uma nova era para a educação no Chade” e abre o caminho para “a construção das gerações do amanhã”.
A iniciativa surge em um contexto de grave crise de aprendizagem. Segundo o Banco Mundial, em 2022, 94% das crianças chadianas não conseguem ler e compreender um texto adequado à sua idade aos 10 anos. A UNESCO também estima que 90% dos alunos do ensino primário apresentem um baixo nível de aprendizagem. As taxas de conclusão permanecem baixas, alcançando 38% para as meninas e 49% para os meninos.
Essas fragilidades impactam o potencial econômico do país. De acordo com o Banco Mundial, o capital humano representa apenas 42% da riqueza nacional, refletindo um investimento ainda insuficiente em educação e formação. Um relatório publicado em 2024 pelo UNICEF destaca, além disso, que muitas escolas carecem de mobiliário adequado, de acesso à água potável e de sanitários funcionais, fatores que contribuem para a evasão escolar e limitam o desempenho dos alunos.
Félicien Houindo Lokossou