O novo presidente da Federação das Sociedades de Seguros de Direito Nacional Africanas ambiciona dinamizar o setor, a fim de aumentar a taxa de penetração do seguro, que se situa em torno de 2% em África.
Mamadou G.K. Koné (foto), presidente da Associação das Sociedades de Seguros da Côte d’Ivoire (ASA-CI) e diretor-geral da SanlamAllianz Côte d’Ivoire, foi eleito presidente da Federação das Sociedades de Seguros de Direito Nacional Africanas (FANAF), no final do 50.º congresso da organização. Sucede a César Ekomie-Afene, no cargo desde 2020, para um mandato de três anos.
Na votação, o Sr. Koné obteve 101 votos entre 201 votantes, superando Evelyne Fassinou (68 votos) e Mamadou Faye (32 votos). Ao seu lado, Aymric Kamega, diretor da ACAM Vie nos Camarões desde 2016, foi eleito vice-presidente. Juntos, terão como missão reforçar a integração dos mercados africanos, melhorar a resiliência do setor e estimular a contribuição dos seguros para o desenvolvimento económico do continente.
O setor segurador africano continua ainda pouco desenvolvido, devido ao peso significativo da economia informal, ao baixo poder de compra e às limitadas capacidades de distribuição dos atores tradicionais. Mamadou Koné pretende tornar a FANAF uma organização mais proativa, inclusiva e ligada às realidades locais. Segundo ele, África dispõe de um potencial “imenso” para o setor dos seguros, ainda pouco explorado e marginal no uso quotidiano das populações. Assim, pretende explorar novos espaços de distribuição e de atuação, a fim de promover o crescimento dos prémios e fazer do seguro um motor de desenvolvimento económico.
Um percurso completo
Mamadou Koné é uma figura bem conhecida no setor, onde acumula mais de 25 anos de experiência. O seu percurso abrange toda a cadeia de valor dos seguros: vida e não vida, resseguro, corretagem, atuariado, regulação e governação. Após os seus inícios na AXA na Côte d’Ivoire, integrou a Direção Nacional de Seguros, depois a Conferência Interafricana dos Mercados de Seguros (CIMA), onde ocupou o cargo de comissário controlador-chefe. Foi também membro do comité de peritos da CIMA entre 2014 e 2020.
À frente da ASA-CI desde 2021, liderou nomeadamente a digitalização dos certificados de seguro automóvel, considerada um avanço importante para reforçar a transparência e combater a fraude. É igualmente vice-presidente da Confederação Geral das Empresas da Côte d’Ivoire (CGECI) e integra vários conselhos de administração de instituições financeiras.
Diplomado pela London Business School (MBA), pela ENSAE Paris em atuariado e pelo Instituto Internacional de Seguros (IIA) de Yaoundé, Mamadou Koné pretende modernizar a FANAF, tornando-a digital, inclusiva e inovadora.
Sandrine Gaingne
Desde o fim da crise pós-eleitoral de 2010, o setor mineiro da Costa do Marfim entrou numa fase de crescimento, com a produção de ouro a mais do que decuplicar desde então. No entanto, os investimentos mobilizados até agora permanecem modestos face às ambições e ao potencial do país.
Nos últimos dez anos, a Costa do Marfim atraiu mais de 2 000 mil milhões de FCFA (3,6 mil milhões de USD) em investimentos mineiros. Este número, revelado durante a conferência Mining Indaba na África do Sul, evidencia a crescente importância do setor mineiro marfinense, mas continua aquém da meta governamental de mobilizar 11 400 mil milhões de FCFA até 2040.
Durante a conferência, que decorreu de 9 a 12 de fevereiro na Cidade do Cabo, a Costa do Marfim reuniu investidores internacionais para apresentar seus atrativos. Seydou Coulibaly, diretor-geral de Minas e Geologia do Ministério das Minas, destacou que os investimentos acumulados nos últimos dez anos resultam de fatores favoráveis: o potencial mineral do país com importantes depósitos de ouro e manganês, a estabilidade política, infraestruturas modernas e uma governança multipartidária transparente.
Estas qualidades renderam ao país reconhecimento internacional. O Fraser Institute classificou a Costa do Marfim como o melhor destino para investimento mineiro na África Ocidental em 2022 e 2023. Na conferência Africa Down Under, na Austrália, a Costa do Marfim foi até apontada como “o melhor lugar do mundo” para construir uma mina de ouro, segundo Justin Tremain, diretor-geral da Turaco, que desenvolve o depósito Afema, com mais de 100 toneladas de ouro.
Ambições elevadas
Atualmente, quatro minas de manganês, uma de níquel e uma de bauxita estão em operação, mas a maior parte dos investimentos nos últimos dez anos focou-se no ouro. Em 2010, o país contava apenas com quatro minas de ouro, produzindo cerca de 5 toneladas; em 2024, possui 13 minas, com produção aproximada de 60 toneladas. Apesar disso, as reservas auríferas continuam subexploradas, com potencial nacional estimado em 600 toneladas. Outros minerais, como coltan, lítio e cobre, ainda não estão explorados.
Para melhor aproveitar esse potencial, o governo lançou em dezembro último o plano PIRME (Política Integrada de Recursos Minerais e Energia), com orçamento de 38 000 mil milhões de FCFA (69 mil milhões USD) até 2040, dos quais 30% (20,7 mil milhões USD) serão destinados ao setor mineiro.
O objetivo é tornar a Costa do Marfim o maior produtor africano de ouro — atualmente, o país ocupava a 7ª posição em 2024, segundo o World Gold Council — e aumentar a contribuição do setor minas-energia para 14% do PIB até 2040, contra 7% em 2022.
Para atingir estas metas, o país moderniza o cadastro mineiro para reforçar a transparência e anuncia revisão do código mineiro, mas enfrenta desafios: será necessário equilibrar maior atratividade para investidores sem desencorajar investimentos, aprendendo com as tensões provocadas por revisões recentes nos códigos mineiros do Mali e Burkina Faso.
Emiliano Tossou
Em África, o mercado de alimentos para animais está em plena expansão, impulsionado pelo crescimento da pecuária e pelo aumento das necessidades de consumo de proteínas de origem animal. Embora parte da procura seja satisfeita por importações, existem também perspetivas de investimento na produção local.
A empresa neerlandesa De Heus, especializada em nutrição animal, anunciou na semana passada ter concluído a construção de uma fábrica de alimentos para animais na cidade de Athi River, no Quénia. Com um investimento total de 32 milhões de dólares, esta unidade, cuja entrada oficial em funcionamento está prevista para quarta-feira, 18 de fevereiro, dispõe de uma capacidade de produção anual de 200 000 toneladas de ração, expansível até 260 000 toneladas. Deverá fornecer uma vasta gama de produtos especializados para aves, suínos, ruminantes e aquacultura.
Este investimento insere-se no âmbito da expansão do grupo em África, que se tem acelerado desde o ano passado. Antes do Quénia, a De Heus anunciou, a 17 de setembro de 2025, ter iniciado diligências para instalar outra fábrica na Côte d’Ivoire, sem contudo especificar o montante do investimento nem a capacidade prevista. Ainda antes, a 2 de setembro de 2025, o grupo inaugurou no Uganda uma unidade exclusivamente dedicada à aquacultura. Avaliada em 25 milhões de dólares, esta unidade industrial tem uma capacidade anual de produção de 100 000 toneladas de alimentos para peixes.
Mais cedo, em março de 2025, a empresa anunciou também a entrada em funcionamento de uma fábrica de alimentos para bovinos com capacidade anual de 15 000 toneladas na África do Sul, país onde já opera vários sites industriais. No total, a De Heus reforçou assim a sua capacidade de produção no continente, com três novas fábricas operacionais em 12 meses e o anúncio de um novo projeto em preparação. O grupo mantém igualmente uma presença industrial de longa data noutros países como o Gana, o Egito e a Etiópia.
Perspetivas promissoras no mercado africano
A ofensiva africana conduzida pelo grupo neerlandês entre 2025 e 2026 ilustra a sua vontade de conquistar uma maior quota num mercado em rápido crescimento. Segundo projeções da Precision Business Insights, empresa de consultoria em inteligência económica, o mercado africano de alimentos para animais foi avaliado em 22,75 mil milhões de dólares em 2025 e deverá crescer, em média, 13,4% ao ano, para atingir 54,88 mil milhões de dólares até 2032.
Para explicar esta previsão otimista, a consultora destaca o efeito combinado do aumento do consumo de carne e de outros produtos proteicos de origem animal, bem como do crescimento demográfico nos países africanos. Para além destas dinâmicas, a Precision Business Insights indica que fatores como o recrudescimento de surtos de doenças animais e a produção em larga escala em sistemas de criação intensiva deverão também impulsionar o mercado africano de alimentos para animais nos próximos anos.
Neste contexto favorável, a aceleração dos investimentos da De Heus sugere igualmente a intenção de se manter competitiva face a outras multinacionais, como as suas compatriotas neerlandesas Nutreco NV e Koninklijke DSM N.V., bem como as norte-americanas Cargill e Novus International, a alemã BASF SE e a austríaca Biomin Holding GmbH.
Em África, a produção de alimentos para animais intensifica-se tanto por impulso de multinacionais como de empresas locais. Segundo o mais recente relatório “Agri-Food Outlook” da empresa norte-americana Alltech, a produção aumentou 7,2%, atingindo 57,7 milhões de toneladas em 2024, registando o maior crescimento anual observado a nível mundial. O relatório indica ainda que 40 novas fábricas de alimentos para animais entraram em funcionamento no continente em 2024.
Stéphanas Assocle
Desde 2024, o grupo mineiro chinês Zijin Mining tem multiplicado os investimentos em ouro em África, nomeadamente com a aquisição da mina Akyem, no Gana. Esta dinâmica foi reforçada no início deste ano com o anúncio da compra da Allied Gold, operadora de várias minas na África Ocidental.
Numa nota publicada na segunda-feira, 9 de fevereiro, o grupo Zijin Mining elevou o seu objetivo de produção de ouro para um máximo de 140 toneladas até 2028, face à meta de 110 toneladas anunciada em 2024. Embora a empresa afirme querer acelerar a otimização das suas minas existentes, esta nova projeção reflete sobretudo a intensificação da sua expansão no setor aurífero africano nos últimos anos.
Historicamente ativo no cobre, através da mina congolesa Kamoa-Kakula, Zijin Mining iniciou em 2024 a sua entrada no ouro africano com a aquisição da mina Akyem, no Gana, por cerca de 1 mil milhões de dólares. Esta expansão consolidou-se em janeiro de 2026, com o anúncio de um acordo para adquirir a empresa canadiana Allied Gold, por 5,5 mil milhões de dólares. Esta última explora três minas na África Ocidental — Sadiola, no Mali, e Agbaou e Bonikro, na Costa do Marfim — e planeia abrir ainda este ano uma quarta mina, Kurmuk, na Etiópia.
Com um portfólio aurífero de mais de uma dezena de minas distribuídas principalmente na China, Papua-Nova Guiné e Colômbia, a Zijin produziu 90 toneladas de ouro em 2025. A produção deverá atingir 105 toneladas em 2026, aumentando significativamente até 2028, conforme o novo objetivo. A concretização desta meta dependerá do progresso dos investimentos e das operações de fusão e aquisição, incluindo a finalização da aquisição da Allied Gold, em curso através da nova subsidiária Zijin Gold, sujeita à aprovação dos acionistas da Allied, com previsão de conclusão para final de abril.
Esta operação poderá ter um impacto significativo na estratégia de Zijin, sublinhando o papel crescente de África na trajetória de produção de ouro do grupo.
Aurel Sèdjro Houenou
Em termos de volume, o Botsuana é o maior produtor africano de diamantes e o segundo a nível mundial. Embora este estatuto não esteja ameaçado a curto prazo pelo Angola, este último posiciona-se cada vez mais como um ator importante da indústria.
Esta semana, durante a conferência Mining Indaba na África do Sul, a ministra das Minas do Botsuana prometeu aumentar os investimentos públicos na exploração de outros minerais além dos diamantes. A mensagem transmitida por Bogolo Joy Kenewendo contrasta com o anúncio feito por Angola no mesmo evento, de um aumento significativo da sua produção de diamantes até 2027. A crise que atravessa o mercado diamantífero oferece, de facto, a Luanda a oportunidade de desafiar a liderança histórica de Gaborone neste setor em África.
Produção e crise do mercado
Em 2024, Angola já reduziu a diferença para o Botsuana, com 14,02 milhões de quilates extraídos, contra 18,12 milhões de quilates do Botsuana. Em comparação, a produção botswanesa do ano anterior (25,09 milhões de quilates) representava mais do que o dobro da produção angolana (9,75 milhões de quilates). Gaborone decidiu reduzir os volumes extraídos para fazer face à queda da procura e dos preços nos últimos três anos. Como reflexo desta crise, os estoques botswaneses atingiram 12 milhões de quilates no final de 2025, quase o dobro do máximo permitido (6,5 milhões).
Por seu lado, Luanda aposta em aumentar os volumes extraídos. Segundo uma brochura oficial distribuída na Mining Indaba, a companhia pública Endiama prevê que o país produza 17 milhões de quilates até 2027, um aumento de 12% em relação à produção de 15,2 milhões de quilates registada em 2025. Este aumento insere-se no plano nacional de desenvolvimento 2023-2027, que prevê a entrada em produção de vários projetos diamantíferos, incluindo a primeira mina do lote, Luele, aberta no final de 2023. Apresentada como a maior do país, esta mina possui recursos estimados em 628 milhões de quilates e uma vida útil projetada de 60 anos.
Angola aposta também na qualidade das suas pedras, comparáveis às do Botsuana. Apesar de menor em volume, a produção diamantífera angolana atingiu 1,41 mil milhões de dólares em 2024, contra 1,35 mil milhões de dólares do Botsuana.
Perspetivas sobre De Beers
O crescimento do setor diamantífero angolano deverá passar também pela transformação local. O plano de desenvolvimento prevê a construção de dezenas de fábricas e a criação de uma bolsa de diamantes, com o objetivo de ganhar participação nos segmentos a jusante da cadeia de valor. Luanda pretende ainda adquirir uma participação no gigante da indústria, De Beers.
Enquanto o grupo está à venda pelo proprietário Anglo American, Angola quer adquirir parte do capital, ao lado do Botsuana. Gaborone, já acionista com 15% da De Beers, deseja controlar totalmente um grupo que ainda retira 70% da sua produção do país da África Austral. Embora a ambição de Luanda possa entrar em conflito com a do Botsuana, existe outra via: a cooperação.
Segundo informações de outubro de 2025, Angola submeteu uma primeira oferta para adquirir uma participação majoritária, planeando fazê-lo através de um consórcio envolvendo outros produtores africanos, com uma participação prevista entre 20% e 30%. Negociações confidenciais estariam em curso com o Botsuana, África do Sul e Namíbia. «Adquirir uma participação majoritária em produtos de luxo é muito arriscado, pois depende do mercado […] Devemos, portanto, ser solidários e atuar como uma equipa», declarou Paulo Tanganha, diretor nacional de recursos minerais de Angola, à Reuters, na margem da conferência.
Impacto na economia angolana
Se uma melhoria das condições de mercado ampliar a diferença entre os volumes de produção do Botsuana e de Angola, os esforços de Luanda podem reforçar a contribuição dos diamantes para a economia nacional. Com uma iniciativa lançada em junho de 2025 para melhorar a imagem do diamante natural face aos diamantes sintéticos, Angola colabora com outros países africanos e atores da indústria para relançar a procura das pedras extraídas.
Mesmo não assumindo o papel central que os diamantes desempenham no Botsuana (um terço das receitas públicas e cerca de 75% das receitas em divisas), os diamantes podem reduzir a dependência de Angola do petróleo. Até 2050, Luanda pretende elevar a participação do setor mineiro para 2,3% do PIB angolano, contra 1,3% em 2022.
Emiliano Tossou
Em muitos países africanos, o acesso a uma eletricidade fiável continua a ser um desafio. Um estudo publicado na revista científica Nature Energy sugere que o desenvolvimento da eletricidade limpa poderá favorecer a adoção de veículos elétricos.
Em África, possuir um veículo elétrico poderá tornar-se mais barato do que possuir um automóvel a gasolina até 2040. Esta é a conclusão de uma análise do MIT Technology Review, baseada no estudo intitulado «Battery-electric passenger vehicles will be cost-effective across Africa well before 2040», publicado na revista científica Nature Energy.
Os autores do estudo avaliaram o custo total de posse ao longo de toda a vida útil dos veículos, incluindo no cálculo o preço de aquisição, os custos de financiamento e as despesas com combustível ou carregamento. No caso dos veículos elétricos (VE), integraram também o custo de um sistema solar autónomo (off-grid), composto por painéis solares, baterias e um inversor. Impostos, direitos aduaneiros e subsídios não foram considerados, de modo a concentrar a análise apenas nos fundamentos económicos.
Este cálculo demonstrou a competitividade dos VE no continente, explicada, nomeadamente, pela redução contínua dos custos das baterias e pela disponibilidade de sistemas solares autónomos, que deverão desempenhar um papel determinante no carregamento. Isto é particularmente válido para os veículos elétricos de duas rodas, que poderão atingir a paridade de custos ainda mais cedo, antes do final da década.
A análise salienta que alguns mercados, como a África do Sul, as Maurícias e o Botsuana, já apresentam condições de financiamento próximas do limiar necessário para essa competitividade.
No entanto, atualmente, a taxa de adoção de veículos elétricos continua muito baixa. O MIT Technology Review indica que apenas 1% dos novos automóveis vendidos no continente em 2025 seriam elétricos. Redes elétricas por vezes instáveis, a falta de infraestruturas de carregamento e, sobretudo, os elevados custos do crédito constituem entraves significativos. Em vários países, o custo do financiamento pode ultrapassar o preço inicial do veículo, atrasando a transição económica, apesar da redução progressiva dos custos tecnológicos.
Abdoullah Diop
A iniciativa AgriConnect foi apresentada pela primeira vez em outubro de 2025, durante as Reuniões Anuais do Banco Mundial e do FMI. Apresentada como um novo quadro destinado a reforçar a segurança alimentar nos países em desenvolvimento, tem a sua primeira aplicação no Senegal.
No Senegal, o governo lançou, na terça-feira, 10 de fevereiro, o Pacto AgriConnect, uma iniciativa estratégica desenvolvida em parceria com o Grupo do Banco Mundial. Segundo um comunicado publicado pela instituição financeira, o programa insere-se no âmbito da Agenda Nacional de Transformação Senegal 2050 e da Estratégia de Soberania Alimentar 2025-2034.
A ambição declarada pelas autoridades é alcançar mais de 90% de segurança alimentar a nível nacional até 2029 e criar 800 000 empregos formais nos setores agrícola e agroindustrial. De acordo com informações divulgadas pela Agência de Imprensa Senegalesa (APS), o governo pretende igualmente, através desta iniciativa, retirar 18,8 milhões de pessoas da insegurança alimentar e nutricional, melhorando a produção agrícola e alimentar.
Em termos concretos, o programa visa três cadeias de valor prioritárias: cereais, horticultura e pecuária. As intervenções previstas centram-se na mobilização de investimentos em infraestruturas e serviços agrícolas, na revisão das políticas setoriais para melhorar o ambiente de negócios, na mobilização de investimento privado para estimular a inovação e a competitividade, bem como na criação de 100 cooperativas agrícolas comunitárias.
«O AgriConnect é uma plataforma modelo de estruturação de um portefólio de projetos ligados à Agenda Nacional de Transformação. Através de contratos-programa por fileira que envolvem todas as partes interessadas, visa alcançar os impactos esperados da Visão Senegal 2050, soberana, justa e próspera», declarou Ahmadou Al Aminou Lo, ministro responsável pelo acompanhamento, coordenação e avaliação da Agenda Nacional de Transformação Senegal 2050.
Espera-se que, até ao final da implementação do programa, a produção de cereais cubra 78% das necessidades do mercado interno, face aos 48% atuais.
Um apoio financeiro massivo para acompanhar o setor privado
O Banco Mundial anunciou que irá duplicar os seus financiamentos anuais ao agronegócio no Senegal no âmbito desta iniciativa. A instituição prevê, nomeadamente, um financiamento adicional de 5 mil milhões de dólares até 2030, através da Sociedade Financeira Internacional (IFC) e da Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), para apoiar investimentos privados, parcerias industriais, transformação local e o acesso dos agricultores a ferramentas digitais.
Este apoio financeiro é oportuno e tanto mais estratégico quanto o setor agrícola é considerado o parente pobre do financiamento bancário. Tal como na maioria dos países da África Subsaariana, a agricultura recebe menos de 5% do total do crédito bancário, sobretudo devido aos riscos associados ao clima, à volatilidade dos rendimentos, à fraca estruturação das fileiras e à insuficiência de garantias.
Esta situação limita os investimentos no setor, apesar de o potencial agrícola permanecer largamente subexplorado. Segundo dados oficiais, as terras cultivadas no Senegal são estimadas em 2,5 milhões de hectares, num potencial de 3,8 milhões de hectares. Além disso, o país explora cerca de 5% do seu potencial de desenvolvimento da irrigação, avaliado em 400 000 hectares.
A subvalorização deste potencial agrícola contribui para uma dependência estrutural das importações de produtos alimentares. Dados compilados pela CNUCED mostram, por exemplo, que as importações senegalesas de produtos alimentares ascenderam, em média, a 1,88 mil milhões de dólares por ano entre 2021 e 2023, tornando o Senegal o segundo país da UEMOA que mais gasta em importações alimentares, depois da Côte d’Ivoire. Entre as principais rubricas de despesa destacam-se os cereais, como o trigo e o arroz, bem como os óleos alimentares.
Stéphanas Assocle
Até aqui, a implementação das infraestruturas públicas digitais progredia de forma desordenada em África, com plataformas fragmentadas, interoperabilidade limitada e uma dependência acentuada de soluções privadas ou estrangeiras.
O governo indiano anunciou, na sexta-feira, 6 de fevereiro, a assinatura de protocolos de entendimento com 23 países, incluindo seis africanos, com vista a uma cooperação no domínio das infraestruturas públicas digitais (DPI). Esta colaboração prevista incide, nomeadamente, sobre a identidade digital, os pagamentos digitais, a troca de dados e as plataformas de prestação de serviços públicos.
Os países africanos envolvidos são a Serra Leoa, a Tanzânia, o Quénia, a Etiópia, a Gâmbia e o Lesoto. Poderão replicar ou adotar plataformas indianas de governação digital, acessíveis através do India Stack Global, um portal que destaca as DPI desenvolvidas pela Índia e facilita a sua implementação junto dos países parceiros. A plataforma dá acesso a 18 soluções digitais essenciais.
Entre elas contam-se o Aadhaar, uma plataforma de identidade digital biométrica; o Unified Payments Interface (UPI), um sistema de pagamentos digitais em tempo real; o DigiLocker, uma carteira digital de documentos autenticados; o e-Hospital, um sistema de gestão hospitalar online; o e-Office, uma plataforma de governação sem papel; o eCourts, dedicado à digitalização dos processos judiciais; e o DIKSHA, uma plataforma nacional de aprendizagem digital.
As restantes soluções abrangem, nomeadamente, a gestão de serviços de vacinação, a partilha segura de dados, a saúde digital, as compras públicas, os serviços administrativos online, a telemedicina, o acompanhamento de doenças não transmissíveis, os serviços de nutrição, a formação e o emprego, a gestão de financiamentos públicos e o planeamento de infraestruturas.
Esta iniciativa insere-se num contexto em que muitos países africanos apostam na transformação digital como motor de desenvolvimento socioeconómico. As DPI são cada vez mais vistas como instrumentos estruturantes para melhorar a eficácia da ação pública, reforçar a inclusão financeira e alargar o acesso a serviços essenciais. Neste domínio, a Índia afirma-se como uma das referências mundiais, com as suas plataformas a servirem cerca de 1,3 mil milhões de pessoas e a suscitarem um interesse crescente por parte de numerosos países. A título de exemplo, o UPI já está operacional nos Emirados Árabes Unidos, em Singapura, no Butão, no Nepal, no Sri Lanka, em França, nas Maurícias e no Qatar.
A Índia ocupa a 97.ª posição a nível mundial no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico das Nações Unidas (EGDI) 2024, com uma pontuação de 0,6678 em 1. Situa-se acima da média mundial (0,6382) e da média africana (0,4247). No subíndice dos serviços online, registou uma pontuação de 0,8184 em 1, superior à média mundial (0,5754 em 1).
Riscos sistémicos a não subestimar
Importa, contudo, recordar que este interesse crescente pelo modelo das infraestruturas públicas digitais (DPI) levanta várias questões, nomeadamente em matéria de cibersegurança. Num estudo publicado em outubro de 2025, o Fórum Económico Mundial (WEF) salienta que, à medida que governos de todo o mundo, em particular os do Sul Global, procuram reproduzir arquiteturas semelhantes, a questão já não é apenas como construir DPI, mas como concebê-las de forma segura.
O estudo destaca, nomeadamente, várias vulnerabilidades observadas na Índia. A exposição pública de informações pessoais de responsáveis levou a uma fuga maciça de dados que afetou mais de 20 milhões de cidadãos. O sistema enfrentou igualmente tentativas de manipulação através de suportes biométricos falsificados, enquanto ataques por correlação revelaram que a integração do Aadhaar em múltiplos serviços públicos podia gerar riscos em cascata para a proteção da vida privada.
Perante a expansão das ciberameaças que visam infraestruturas críticas, o WEF considera que a securização das DPI se torna indispensável. Mesmo um potencial ciberataque pode comprometer a integridade e a disponibilidade destes sistemas, além de enfraquecer a confiança dos cidadãos. Entre os principais riscos identificados figuram a fraude de identidade sintética, os enviesamentos algorítmicos, as ciberameaças alimentadas por inteligência artificial, bem como as questões de soberania dos dados.
Isaac K. Kassouwi
A dinâmica em vários Estados africanos é marcada por uma fraca harmonização dos instrumentos fiscais ligados ao clima, apesar da crescente pressão para mobilizar recursos internos a favor da transição energética.
Lomé, capital do Togo, acolhe desde segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, um encontro regional dedicado às políticas fiscais sensíveis ao clima. Organizado pela Fundação para o Reforço das Capacidades em África (ACBF), em parceria com o Fórum das Administrações Fiscais da África Ocidental (FAFAO), o encontro decorre ao longo de cinco dias e pretende servir de plataforma de intercâmbio sobre os mecanismos de mobilização de recursos nacionais ao serviço da causa ambiental.
Em Lomé, responsáveis das finanças públicas e do ambiente, provenientes de oito países africanos (Togo, Gâmbia, Ruanda, Djibuti, Uganda, Mauritânia, República Democrática do Congo e República Centro-Africana), procuram reforçar os seus conhecimentos sobre políticas fiscais sensíveis ao clima. Os trabalhos incidem, nomeadamente, na partilha de boas práticas em matéria de conceção, implementação e monitorização destas políticas, bem como no reforço das capacidades dos participantes para utilizar ferramentas práticas na sua elaboração e gestão.
Concretamente, os participantes analisam instrumentos de fiscalidade verde, estudam experiências africanas e internacionais e trabalham na identificação de vias de reforma adaptadas aos respetivos contextos nacionais. Esta iniciativa insere-se no âmbito do projeto CADAST, promovido pela ACBF e pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que visa apoiar os governos africanos na definição de políticas macroeconómicas que integrem as questões climáticas.
Segundo Peguewinde Rodolphe Bance, chefe da Unidade de Governação Económica e Social da ACBF, o encontro de Lomé surge na sequência das conclusões de um estudo analítico realizado pela instituição sobre os desafios das políticas fiscais em África. O estudo evidencia capacidades técnicas ainda limitadas para conceber instrumentos fiscais verdes eficazes, desafios relacionados com a administração e a conformidade fiscal, lacunas em matéria de dados e ferramentas analíticas, bem como a necessidade de maior coordenação entre políticas fiscais, climáticas e orçamentais.
Para a diretora de gabinete do Ministério da Economia e das Finanças do Togo, Mawussé Adetou Afidenyigba, este encontro realiza-se num momento oportuno para ajudar os Estados a enfrentar os desafios da fiscalidade verde. «As alterações climáticas já não constituem uma ameaça potencial ou distante; são hoje uma realidade económica e orçamental maior para os nossos países», sublinhou.
Perante esta realidade, o Togo já iniciou várias iniciativas, nomeadamente através de reformas destinadas a reforçar a mobilização de recursos internos, melhorar a eficiência e a equidade do sistema fiscal e alinhar as políticas públicas com os objetivos de desenvolvimento sustentável e de resiliência climática, acrescentou.
Esaïe Edoh
Num contexto de aceleração da transformação digital, as administrações africanas multiplicam as plataformas online, colocando como questão central a segurança da identidade digital.
O Presidente da República de Djibuti, Ismail Omar Guelleh, realizou na segunda-feira, 9 de fevereiro, o lançamento oficial da plataforma Mobile ID, durante o encerramento do Fórum Nacional da Identidade Digital, realizado no Palácio do Povo sob seu alto patrocínio.
Concebida para simplificar e proteger o acesso dos cidadãos a serviços públicos e privados, a Mobile ID permite autenticação eletrónica através de smartphone ou de um identificador digital único. A plataforma visa reduzir os procedimentos administrativos, aumentar a transparência das interações com o Estado e colocar Djibuti numa dinâmica de economia digital moderna. Entre os usos prioritários estão o acesso a serviços de estado civil, processos fiscais, abertura de contas bancárias e assinatura eletrónica de documentos oficiais.
Para além da simplificação dos procedimentos, as autoridades querem que a Mobile ID se torne num instrumento de interoperabilidade de dados. A longo prazo, documentos como a carta de condução ou certas informações de saúde poderão ser integrados em torno do identificador único do cidadão. O Ministro do Interior exemplificou esta perspetiva com a possibilidade de um médico de urgência aceder rapidamente a dados médicos essenciais de um paciente através de um identificador biométrico.
O projeto insere-se numa estratégia mais ampla de modernização da administração pública, na continuidade de iniciativas como “Djibuti Fundamento do Digital”, um programa quinquenal destinado a desenvolver infraestruturas de alta velocidade, promover competências digitais e reforçar a cobertura móvel e de Internet em todo o território. A iniciativa surge num contexto de melhoria gradual da conectividade. Segundo o DataReportal, Djibuti contava com 616.000 ligações móveis ativas no final de 2025 (51,9% da população), enquanto 772.000 pessoas utilizavam a Internet, correspondendo a uma taxa de penetração de 65%.
No entanto, o sucesso do projeto dependerá em grande parte da segurança dos dados. Face a preocupações relacionadas com a proteção da privacidade, o governo assegurou que os dados biométricos dos cidadãos serão mantidos exclusivamente pelo Ministério do Interior. As demais instituições terão acesso apenas através de um sistema seguro de troca de pedidos e respostas entre servidores, garantindo, segundo as autoridades, a soberania e confidencialidade dos dados.
Samira Njoya