A Guiné é um importador líquido de produtos alimentares, como a maioria dos países de África. A vontade de reduzir a dependência dessas importações abre perspectivas de investimento para o setor privado, principalmente nos setores mais vulneráveis, como a avicultura.
O conglomerado guineense, Société Nouvelle de Commerce (Sonoco), acabou de negociar a obtenção de um empréstimo de 20 milhões de dólares junto à Sociedade Financeira Internacional (IFC) para investir na avicultura. Num comunicado publicado em 26 de março, a instituição financeira indica que este montante será destinado à FERMAV Industries, filial recentemente criada pelo Grupo Sonoco para a implementação de um projeto avícola integrado.
No âmbito deste projeto, prevê-se que a empresa realize atividades que cubram toda a cadeia de valor, nomeadamente a produção de ração para aves, a criação de galinhas, a transformação e a distribuição. Para já, os detalhes relativos ao local e à data de início das obras ainda não são conhecidos.
«Este projeto permitirá criar cerca de 400 empregos diretos e quase 3.500 empregos indiretos nos setores da criação, transformação, logística e distribuição», destaca o comunicado.
Com este projeto, o Grupo Sonoco terá a oportunidade de diversificar ainda mais a sua atuação na indústria agroalimentar na Guiné. No país, já se distingue há vários anos com atividades nos segmentos de aditivos alimentares, bebidas e moagem, através de outras duas filiais, Agro Food Industrie e Les Moulins d’Afrique (LMA).
Mais amplamente, este novo investimento, caso se concretize, permitirá reforçar as capacidades da indústria avícola local, ainda incipiente. Segundo dados oficiais, a avicultura na Guiné é dominada por sistemas de criação tradicionais e tem dificuldades em suprir as necessidades do mercado doméstico em carne de frango e seus derivados.
No país da África Ocidental, as importações de carne de frango aumentaram 63,25 % em cinco anos, passando de 49.735 toneladas em 2020 para 81.193 toneladas em 2024, segundo dados compilados pela FAO. Paralelamente, a fatura associada a essas compras mais que duplicou, atingindo 105,2 milhões de dólares no mesmo período. Isto deve-se, em grande parte, ao facto de a produção local ter dificuldades em expandir-se.
Segundo a organização das Nações Unidas, a Guiné produziu em média 13.806 toneladas entre 2020 e 2024, nunca conseguindo ultrapassar a marca de 15.000 toneladas nesse período. Neste contexto, a perspetiva de substituir as importações representa uma oportunidade para os atores privados interessados em investir na indústria avícola, desde que o governo estabeleça um quadro favorável que permita aumentar a competitividade face aos produtos importados, geralmente mais baratos.
Stéphanas Assocle
A Tanzânia, terceiro maior importador de fertilizantes na África Oriental após Etiópia e Quénia, está em negociações com o grupo industrial japonês Toyo Engineering Corporation para a instalação de uma fábrica local de fertilizantes.
A informação foi divulgada após uma reunião entre uma delegação da Toyo, liderada pelo diretor do departamento internacional Taisuke Nonaka, e Athumani Kilundumya, secretário permanente adjunto do Ministério da Agricultura da Tanzânia.
O projeto visa produzir fertilizantes essenciais, como amónio e ureia, com o objetivo de fortalecer a indústria local e aumentar a produtividade agrícola, reduzindo a dependência das importações. O secretário destacou que o governo continuará a colaborar com investidores privados para garantir o fornecimento suficiente e acelerar a adoção de fertilizantes pelos agricultores.
Contexto de mercado e oportunidade estratégica
O anúncio chega em um momento de tensões no mercado global de fertilizantes, agravadas por interrupções nas cadeias de abastecimento. Desde fevereiro de 2026, o aumento da tensão militar entre EUA, Israel e Irã afeta o tráfego no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do transporte marítimo mundial de fertilizantes (aproximadamente 16 milhões de toneladas).
Segundo a CNUCED, a Tanzânia importou cerca de 31 % dos fertilizantes do Golfo Pérsico em 2024, tornando-se o segundo país africano mais dependente da região, atrás do Sudão.
O país possui 54,57 trilhões de pés cúbicos padrão de gás natural, matéria-prima chave para fertilizantes nitrogenados, mas menos de 2 % desse potencial era explorado em 2024, segundo a TPDC.
Projetos estrangeiros no setor
Além da Toyo, outras iniciativas estrangeiras estão em curso. Em agosto de 2024, a empresa indonésia PT ESSA Industries assinou um protocolo com a TPDC e o TIC para instalar uma fábrica de ureia na região de Mtwara até 2029, com um investimento de 3 500 bilhões de xelins tanzanianos (1,35 bilhões de dólares).
Entre 2019 e 2023, a Tanzânia importou em média 568 217 toneladas de fertilizantes por ano, enquanto a produção local foi de apenas 37 510 toneladas, segundo o IFDC.
Este novo projeto japonês confirma o crescente interesse de investidores estrangeiros em desenvolver a indústria de fertilizantes na Tanzânia, explorando o potencial ainda subutilizado do país.
Stéphanas Assocle
O Estado senegalês assegura 304 mil milhões de FCFA no primeiro APE de 2026, com taxas entre 6,40 % e 6,95 %
O Senegal anunciou no domingo, 29 de março, o encerramento bem-sucedido do seu primeiro Apelo Público à Poupança (APE) de 2026, lançado no final de fevereiro. A operação mobilizou 304,15 mil milhões de FCFA (533 milhões de dólares), bem acima do objetivo inicial de 200 mil milhões, correspondendo a um índice de cobertura de 152 %.
As taxas de remuneração foram estruturadas para atender diferentes perfis de investidores: 6,40 % para 3 anos, 6,60 % para 5 anos, 6,75 % para 7 anos e 6,95 % para 10 anos. Este esquema diversificado permitiu atrair tanto investidores institucionais como particulares, incluindo a diáspora, reforçando a confiança na assinatura do Senegal no mercado financeiro regional.
Recursos destinados a prioridades do Estado
Segundo o Ministério das Finanças e do Orçamento, os fundos arrecadados serão utilizados principalmente para:
O ministério destacou que esta operação integra-se numa dinâmica de mobilização de recursos domésticos e desenvolvimento do mercado financeiro sub-regional, alinhada às orientações estratégicas do Estado.
Contexto financeiro e desafios
O sucesso do APE surge num contexto financeiro tenso. Em 27 de março, a agência S&P Global Ratings rebaixou a notação em moeda local do Senegal para CCC+/C, apontando que as necessidades de financiamento em 2026 atingirão 26 % do PIB, sem progressos num programa com o FMI.
Desde 2024, o Senegal tem enfrentado uma série de rebaixamentos nas notas de crédito sobre a dívida em divisas estrangeiras, realizados pela Moody’s e pela S&P, limitando o acesso aos mercados internacionais e aumentando o custo de financiamento.
Sandrine Gaingne
Aprovado em 27 de março pelo Conselho de Ministros da UMOA, o novo plano quinquenal da BOAD estabelece um objetivo de financiamentos sem precedentes para a região, apoiado numa reestruturação profunda do seu modelo operacional.
A Banco Oeste-Africana de Desenvolvimento (BOAD) entra numa nova era. Reunido na sexta-feira, 27 de março, em Dakar, o Conselho de Ministros da UMOA aprovou formalmente o plano estratégico “Djoliba, a continuação”, que compromete a instituição para o período 2026-2030 com um objetivo de 6.500 mil milhões de FCFA (cerca de 11,5 mil milhões de dólares) em financiamentos, quase o dobro do ciclo anterior.
Um alicerce financeiro que sustenta a ambição
Esta aceleração assenta em fundamentos sólidos. Entre 2021 e 2025, a BOAD mobilizou 3.765 mil milhões de FCFA, com um crescimento médio anual de 11% do seu produto líquido bancário e uma taxa de créditos em atraso contida em 2,5%. O programa Djoliba 2021-2025 apresentou uma taxa de realização de 107,4%, com 5,2 mil milhões de dólares comprometidos em cinco anos, superando os objetivos iniciais em infraestruturas, agricultura e setores sociais.
Os resultados de 2025 confirmam esta dinâmica:
As notações Baa1 (Moody’s) e BBB (Fitch), categoria “Investment Grade”, mantêm-se, enviando um sinal forte aos mercados de capitais internacionais. Isto reflete-se nas operações e captações internacionais realizadas nos últimos anos.
Uma estrutura financeira que industrializa a securitização
Para atingir os 6.500 mil milhões de FCFA, a BOAD apoia-se em três alavancas:
Este recurso massivo à securitização baseia-se numa experiência consolidada. Em 2023, a primeira operação Doli-P captou 150 mil milhões de FCFA em créditos soberanos, distinguida com o prémio de operação inovadora nos BRVM Awards 2024. Em 2024, uma segunda emissão sobre ativos não soberanos mobilizou 160 mil milhões de FCFA num único dia de subscrição.
No final do ciclo anterior, a BOAD já cobria 26% do seu balanço através de mecanismos de securitização e seguro-crédito. O novo ciclo pretende sistematizar esta gestão ativa do balanço, libertando capital regulamentar e redirecionando-o continuamente para novos projetos, aproximando a BOAD das práticas de grandes bancos de desenvolvimento multilaterais.
De banco a grupo: uma mutação estrutural
A ambição vai além do volume de financiamentos. A BOAD pretende transformar-se num grupo bancário integrado, à semelhança do Banco Mundial, da Agência Francesa de Desenvolvimento ou do Banco Africano de Desenvolvimento. Segundo o presidente Serge Ekué, “trata-se de transformar o ciclo de projetos, passando de uma lógica de aprovação para uma lógica de execução plena e de impacto”.
Na prática, a transformação implica a criação de entidades especializadas em torno da sede em Lomé, seguindo o modelo já iniciado pela filial BOAD Titrisation e pelo recém-lançado BOAD Market Solutions. O plano foi elaborado com o apoio do Boston Consulting Group, após um seminário de concertação alargado aos acionistas e ao setor privado, com quatro eixos prioritários:
Primeiros sinais operacionais de 2026
O impulso inicial confirma a ambição:
Ao ultrapassar o marco simbólico de 10.000 mil milhões de FCFA em financiamentos cumulativos desde 1976, alcançado durante a sessão em Dakar com a aprovação de mais 501,5 mil milhões, a BOAD inicia um novo capítulo.
Fiacre E. Kakpo
A S&P abaiou a notação em moeda local do Senegal para CCC+/C num contexto de elevados requisitos de financiamento e acesso limitado aos mercados internacionais. O Estado recorre ao mercado regional e a instrumentos como os «Total Return Swaps (TRS)» para mobilizar divisas.
A agência S&P Global Ratings rebaixou, na sexta-feira 27 de março, a notação de crédito de longo e curto prazo em moeda local do Senegal de B-/B para CCC+/C. A perspetiva associada à notação de longo prazo em moeda local foi também revista de sob vigilância para negativa.
Esta decisão baseia-se no aumento do recurso à dívida interna de curto prazo e num nível de necessidades de financiamento estimado em 26% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A agência sublinha que a ausência de progressos num programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI) aumenta o risco de refinanciamento, num contexto em que as emissões no mercado regional apresentam prazos mais curtos.
Esta evolução ocorre numa sequência de rebaixamentos iniciada em 2024 por Moody’s e S&P sobre a dívida em divisas estrangeiras do Senegal. A Moody’s reduziu sucessivamente a notação de Ba3 para B1 em outubro de 2024, de B1 para B3 em fevereiro de 2025 e depois para Caa1 em outubro de 2025, devido a preocupações relacionadas com a dívida. Por sua vez, a S&P reduziu a notação de B+ para B em fevereiro de 2025, depois para B- em julho de 2025 e, finalmente, para CCC+ em novembro de 2025. Esta trajetória conduziu a um aumento do custo de financiamento nos mercados internacionais, particularmente para emissões de eurobonds, limitando o acesso a essas fontes de liquidez e direcionando o Estado para o mercado regional.
Recurso ao mercado regional e mobilização de liquidez
Perante estas restrições, o Senegal intensificou o recurso ao mercado regional de títulos públicos da União Monetária Oeste-Africana. Só em 2025, as captações atingiram 4.004 mil milhões de FCFA (7,01 mil milhões de dólares) através de quatro chamadas públicas à poupança (APE) e adjudicações.
No domingo, 29 de março, ao anunciar o encerramento da sua primeira APE do ano, o Senegal indicou ter arrecadado 304,15 mil milhões de FCFA, acima do montante inicialmente previsto de 200 mil milhões, traduzindo um nível de subscrição superior à oferta.
Paralelamente, o Estado recorreu, a partir de 2025, a operações de Total Return Swaps (TRS) para obter liquidez sem recorrer ao mercado internacional. Segundo o Ministério das Finanças, estas operações mobilizaram 721 mil milhões de FCFA entre abril e novembro de 2025, com uma taxa de 7%. O mecanismo assenta na emissão de títulos em moeda local no mercado regional, transferidos como garantia a instituições financeiras como a Africa Finance Corporation e o First Abu Dhabi Bank, em troca de financiamento em divisas. Este recurso aos TRS reflete uma estratégia de diversificação das fontes de financiamento face ao acesso limitado aos mercados internacionais.
Funcionamento dos TRS
As operações de TRS permitem mobilizar recursos em divisas lastreados em títulos em moeda local. O mecanismo envolve investidores com divisas que desejam participar no financiamento do Tesouro. Os fluxos financeiros passam por instituições da sub-região, são convertidos em francos CFA com apoio do banco central e investidos em títulos públicos emitidos no mercado regional.
Para tornar estas operações atrativas aos investidores, são integrados mecanismos de cobertura que limitam o risco cambial e as variações de valor dos ativos, incluindo garantias e montantes dedicados à segurança das transações. A estrutura permite direcionar recursos externos para o mercado regional, mantendo a emissão em moeda local.
Segundo o economista Abou Kane, o recurso aos TRS responde a uma limitação de financiamento. O acesso aos mercados internacionais permanece restrito para o Senegal, enquanto a capacidade do mercado regional é insuficiente para absorver todas as necessidades. Neste contexto, os TRS funcionam como um instrumento de ajuste, mantendo os fluxos de financiamento, apesar da complexidade acrescida e dos compromissos financeiros envolvidos.
Chamberline Moko
O dispositivo visa restabelecer a situação financeira da instituição de microfinanças e reorganizar a sua estrutura após um período marcado por tensões internas e pelo abandono do capital pela Agência Francesa de Desenvolvimento.
Na República Centro-Africana (RCA), as autoridades detalharam o plano de reestruturação da Caisse du Crédit Mutuel de Centrafrique (CMCA), uma instituição de microfinanças de primeira categoria confrontada com dificuldades operacionais e de liquidez.
Na sexta-feira, 27 de março, durante uma visita do Ministro das Finanças e do Orçamento, Hervé Ndoba (foto, ao centro), o administrador provisório da instituição, Jacob Mbaitadjim, indicou que o plano de reestruturação totaliza 5,1 mil milhões de francos CFA (8,9 milhões de dólares). Este montante permitirá restabelecer o equilíbrio financeiro, apoiar o funcionamento da instituição e assegurar a continuidade das suas atividades.
Plano baseado em recapitalização e reorganização interna
O dispositivo apresentado assenta em três pilares principais:
A CMCA encontra-se sob administração provisória pela Comissão Bancária da África Central (COBAC). Em 26 de junho de 2025, Jacob Mbaitadjim foi nomeado administrador provisório, com o objetivo de diagnosticar as dificuldades e implementar medidas de reestruturação. A intervenção do regulador visa conter riscos e proteger os interesses dos depositantes num contexto de desequilíbrio financeiro.
As dificuldades observadas têm origem nas crises económicas e políticas que afetaram a RCA no início dos anos 2000. A saída do principal acionista, a Agência Francesa de Desenvolvimento (anteriormente Caisse Française de Développement), provocou alterações na composição acionista e nos órgãos de gestão.
Neste contexto, a instituição enfrentou problemas de governança e tensões de tesouraria, que resultaram na degradação dos seus equilíbrios financeiros e justificaram a intervenção do regulador.
Chamberline Moko
O chefe de Estado nigeriano sublinhou que irá doar a totalidade dos seus salários desde a sua tomada de posse para constituir o capital inicial deste fundo.
Na Nigéria, o Presidente da República, Bola Ahmed Tinubu (foto), anunciou no domingo, 29 de março, a criação iminente de um fundo de apoio aos membros das Forças Armadas, bem como às famílias dos militares mortos em combate.
A iniciativa foi revelada por ocasião do 74.º aniversário do chefe de Estado. O objetivo é reforçar o apoio aos militares que pagam o preço da manutenção da segurança nacional.
«Hoje, pedi ao contabilista-geral que estabeleça uma conta especial destinada a um fundo dedicado àqueles que servem, aos que ficam feridos no exercício das suas funções e às famílias daqueles que pagaram o preço supremo», declarou o presidente num comunicado.
Num gesto apresentado como um compromisso pessoal, Bola Tinubu precisou que irá doar a totalidade dos salários que recebeu desde a sua chegada ao poder para constituir o capital inicial deste fundo. Apelou ainda aos governadores dos estados, aos parlamentares, ao setor privado, bem como aos seus parceiros institucionais e privados, para contribuírem para esta iniciativa, cujas modalidades práticas serão definidas posteriormente.
O anúncio surge num contexto em que a situação de segurança permanece preocupante na Nigéria, com as autoridades ainda a enfrentarem dificuldades para conter as ameaças. Em novembro de 2025, vários estabelecimentos escolares foram alvo de ataques coordenados. Segundo as Nações Unidas, mais de 300 alunos foram raptados no estado do Níger.
No passado, comunidades dos estados de Benue, Plateau e Kebbi, situados nas regiões centro-norte e noroeste, também foram atacadas. Perante esta situação, o presidente declarou o estado de emergência no mesmo mês e ordenou o recrutamento de 20 000 agentes adicionais.
A poucos meses das eleições gerais previstas para fevereiro de 2027, as questões de segurança deverão afirmar-se como um dos temas centrais do debate político e das prioridades governamentais na Nigéria.
Ingrid Haffiny
Desde o anúncio, em janeiro de 2024, da retirada dos membros da AES da CEDEAO, foram iniciadas discussões para tentar trazer o bloco de volta à comunidade, mas sem sucesso. Lansana Kouyaté deverá principalmente facilitar o diálogo e conciliar os diversos interesses regionais.
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) nomeou Lansana Kouyaté (foto), antigo primeiro-ministro guineense, como negociador-chefe para liderar as discussões com os países da Aliança dos Estados do Sahel (AES). O anúncio foi feito no domingo, 29 de março de 2026.
Lansana Kouyaté terá como missão facilitar o diálogo, conciliar os diferentes interesses regionais e fazer avançar as prioridades estratégicas da instituição sub-regional. «A CEDEAO está convencida de que a sua liderança desempenhará um papel essencial para conduzir com sucesso as complexas negociações futuras e promover um diálogo construtivo no interesse da estabilidade e da cooperação regionais», indica a organização.
Esta nomeação ocorre num momento em que a União Africana (UA) intensifica os seus esforços diplomáticos para reconciliar a CEDEAO e a AES, procurando evitar uma rutura total e manter canais de cooperação, nomeadamente nas questões de segurança e económicas.
Na terça-feira, 10 de março de 2026, Mamadou Tangara, representante especial da UA para o Mali e o Sahel, foi recebido em Freetown pelo presidente da Serra Leoa e presidente em exercício da CEDEAO, Julius Maada Bio. Esta visita enquadrou-se nos esforços regionais para definir um roteiro que reforce a colaboração entre a AES e a CEDEAO.
Desde a retirada em janeiro de 2024, várias personalidades, incluindo o presidente senegalês Macky Sall, foram designadas como mediadores para tentar reintegrar os países da AES no bloco, mas esses esforços não tiveram sucesso. No entanto, a rutura institucional não anulou todos os mecanismos de cooperação regional: Mali, Burkina Faso e Níger continuam a manter a livre circulação de pessoas e bens na sub-região.
Lansana Kouyaté possui uma longa carreira diplomática. Além de ter sido primeiro-ministro da Guiné, foi representante do seu país junto das Nações Unidas e representante adjunto do secretário-geral da ONU para a Somália. Também ocupou o cargo de secretário executivo da CEDEAO.
Lydie Mobio
O Egito enfrenta um ambiente económico sob pressão, marcado por tensões geopolíticas que pesam sobre a oferta global dos mercados energéticos mundiais.
No Cairo, o governo egípcio decidiu abrandar alguns projetos públicos com elevado consumo de combustível por um período inicial de dois meses. O anúncio foi feito no sábado, 28 de março, pelo primeiro-ministro Moustafa Madbouly, durante uma conferência de imprensa no âmbito do Conselho de Ministros.
A medida visa prioritariamente os projetos que exigem grandes quantidades de gasóleo, segundo declarações oficiais. É acompanhada por uma redução de 30% no consumo de combustível dos veículos públicos. Algumas administrações irão também aplicar dias de teletrabalho para limitar as deslocações.
Durante a conferência, Moustafa Madbouly precisou que estas medidas têm como objetivo conter o consumo nas atividades públicas mais intensivas em energia. «O governo não tem outra escolha senão implementar esta decisão», declarou o primeiro-ministro.
Este dispositivo insere-se numa série de ajustes temporários, segundo o governo egípcio. Até ao momento, as autoridades não indicaram se estas restrições poderão ser prolongadas para além do período anunciado.
Estas decisões surgem num contexto de fortes tensões nos mercados de energia ligadas à guerra no Médio Oriente. No relatório Oil Market Report de março de 2026, a Agência Internacional de Energia (AIE) indica que a guerra no Médio Oriente «cria a maior perturbação da oferta de petróleo na história do mercado mundial», devido, nomeadamente, a bloqueios no abastecimento.
Um quadro macroeconómico ainda frágil
Esta restrição nas despesas públicas ocorre num ambiente económico já pressionado. O Egito continua envolvido num programa alargado de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Num comunicado oficial publicado em fevereiro de 2026, a instituição validou a continuação do acordo Extended Fund Facility, no valor de 8 mil milhões de dólares, aprovado em dezembro de 2022 e prolongado até 15 de dezembro de 2026.
As margens de manobra externas continuam, contudo, estreitamente ligadas ao nível das reservas cambiais. Numa publicação de 4 de março de 2026, o Banco Central do Egito indica que as reservas internacionais líquidas atingiram 52,75 mil milhões de dólares no final do mês de fevereiro, um nível considerado excecional.
Em 25 de março de 2026, durante trocas oficiais citadas pelo Ahram Online, o presidente Abdel Fattah al-Sissi e o primeiro-ministro Moustafa Madbouly destacaram a importância de garantir as reservas em divisas face às evoluções económicas em curso.
Esta situação ocorre num momento em que o país enfrenta importantes compromissos financeiros externos. Numa análise publicada em novembro de 2025, a Capital Economics indica que o Egito deverá enfrentar um serviço da dívida externa estimado em 27 mil milhões de dólares em 2026.
Várias instituições sublinham igualmente vulnerabilidades persistentes. Numa nota de 17 de março de 2026, o think tank Atlantic Council menciona um risco de desequilíbrio da balança de pagamentos caso os preços do petróleo se mantenham elevados.
Abdel-Latif Boureima
Estes compromissos abrangem setores prioritários como a indústria transformadora, a agricultura e a agrotransformação, a energia e a construção. A edição «Invest in Ethiopia 2026» representa um aumento significativo em relação aos 1,6 mil milhões de dólares em compromissos registados no ano passado.
A Etiópia concluiu acordos de investimento no valor total de 13 mil milhões de dólares no final do fórum «Invest in Ethiopia 2026», realizado na quinta-feira, 26, e sexta-feira, 27 de março, em Adis Abeba.
Segundo um comunicado do Ministério das Finanças da Etiópia, estes compromissos abrangem vários setores-chave da economia, nomeadamente a indústria transformadora, a agricultura e a agrotransformação, a energia, a construção, bem como outros setores estratégicos.
«Estes acordos demonstram o forte interesse dos investidores e o seu compromisso a longo prazo com o desenvolvimento da Etiópia», sublinha o ministério.
As autoridades etíopes estimam que estes novos projetos deverão contribuir para a criação de empregos, o aumento das receitas em divisas e a transferência de tecnologia, reforçando assim o programa nacional de transformação económica.
Reformas económicas para apoiar o investimento
Esta dinâmica ocorre num contexto de reformas económicas levadas a cabo pelo governo para melhorar a atratividade do país. Entre as medidas implementadas destacam-se a liberalização da taxa de câmbio, a eliminação total das restrições cambiais nas zonas económicas especiais e a abertura progressiva da economia aos investidores privados.
De acordo com dados oficiais, estas reformas já permitiram atrair 2,3 mil milhões de dólares em investimentos durante o primeiro semestre do exercício orçamental de 2025-2026.
Recorde-se que a edição «Invest in Ethiopia 2025» resultou em acordos no valor de 1,6 mil milhões de dólares, atualmente em execução e que contribuem para o crescimento económico do país, segundo as autoridades etíopes.
Charlène N’dimon