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Equipe Publication

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Enquanto muitos jovens no Malawi apresentam lacunas significativas nas competências básicas, o governo lançou uma reforma educativa centrada em saber‑fazer e empregabilidade, com o objetivo de reforçar o capital humano e apoiar o desenvolvimento económico nacional.

O governo malawita apresentou, na sexta-feira, 6 de fevereiro, em Lilongwe, um plano de reforma do sistema educativo destinado a recentralizar o ensino em competências práticas e em bases sólidas de leitura, escrita e cálculo, com vista a melhorar os resultados escolares e as perspetivas de empregabilidade dos jovens. Falando no encerramento da revisão conjunta do setor da educação, o ministro da Educação, Ciências e Tecnologia, Bright Msaka, explicou que esta medida está pensada para orientar as prioridades educativas do país até 2030.

A reforma prevê uma transformação das práticas pedagógicas desde o ensino primário, responsabilizando os professores por aulas diretamente úteis para os percursos profissionais futuros. Um eixo central refere-se ao apoio aos alunos interessados em competências técnicas e práticas, através do reforço dos cursos de ensino e formação técnica, empresarial e profissional (TEVET), explicou o ministro Msaka. A partir do quarto ano do primário, cada aluno deverá “ser capaz de ler, escrever e demonstrar competências básicas de cálculo”, acrescentou.

Esta orientação insere-se numa estratégia mais ampla para reduzir as lacunas de aprendizagem. Segundo dados recentes do UNICEF, apenas 19% das crianças entre 7 e 14 anos possuem competências fundamentais de leitura e 13% competências básicas de numeracia, limitando os seus percursos educativos e profissionais.

A iniciativa pretende alinhar a educação com as necessidades do mercado de trabalho num país de baixos rendimentos, onde o défice de competências básicas restringe o acesso ao emprego formal e limita a produtividade. A representante do UNICEF e presidente do Grupo de Parceiros para o Desenvolvimento da Educação (EDPG), Penelope Campbell, elogia os progressos e o compromisso do governo, nomeadamente através das classes preparatórias (P Class), da gratuidade do ensino secundário e da proposta de alocar 20% do Fundo de Desenvolvimento das Circunscrições à educação, reforçando assim o ecossistema educativo nacional.

Esta reforma decorre num contexto em que o Malawi permanece entre os países mais pobres do mundo, com um PIB per capita de cerca de 504 USD em 2024, crescimento económico fraco e uma população jovem numerosa em busca de oportunidades profissionais. Neste contexto, melhorar a eficácia do ensino e desenvolver competências técnicas e profissionais é considerado um alavanca essencial para reduzir o desemprego, estimular o empreendedorismo e promover um crescimento inclusivo nos próximos anos.

Félicien Houindo Lokosso

 

Face a um mercado de trabalho fragilizado por um desemprego elevado e por desequilíbrios entre formação e emprego, as autoridades públicas marroquinas procuram estimular a iniciativa empreendedora para transformar este potencial em atividades concretas e postos de trabalho.

Durante uma conferência dedicada ao empreendedorismo e emprego, realizada na sexta-feira, 6 de fevereiro, em Marraquexe, o ministro da Indústria e Comércio, Ryad Mezzour, apelou para “apoiar a iniciativa empreendedora ao serviço da criação de emprego, sublinhando a importância de um ambiente favorável ao surgimento de projetos inovadores e sustentáveis. Segundo a imprensa local, esta tomada de posição insere-se na vontade de dar mais margem de ação aos promotores de projetos, de forma a que possam criar empregos e contribuir para a economia nacional.

A economia nacional, nos melhores anos, consegue criar até 250 000 empregos, um número considerado insuficiente face à procura. Todos os anos, cerca de 180 000 diplomados do ensino superior e mais de 330 000 jovens da formação profissional entram no mercado de trabalho, segundo dados oficiais. Esta situação evidencia a necessidade de iniciativas complementares, como o empreendedorismo, para absorver esta mão-de-obra jovem e qualificada.

O ministro também recordou a importância de reforçar as sinergias entre os atores públicos e privados, sobretudo para acompanhar os jovens empreendedores nos primeiros anos de atividade, frequentemente decisivos para a perpetuação dos projetos. O encontro reuniu diversos profissionais, representantes de ecossistemas de inovação e decisores económicos, ilustrando uma dinâmica coletiva em torno desta estratégia.

Acompanhamento de projetos e transformação de competências

Segundo o Maroc Diplomatique, o ministro destacou que um acompanhamento estruturado é indispensável para as iniciativas empreendedoras, com dispositivos de mentoria, financiamento direcionado e acesso a redes profissionais. Este apoio permite remover obstáculos enfrentados pelos jovens promotores de start-ups e multiplicar as hipóteses de sucesso de projetos geradores de emprego.

O ministro insistiu ainda na importância de desenvolver competências adaptadas às necessidades do mercado de trabalho, lembrando que o reforço da formação profissional e técnica complementa o espírito empreendedor. As jovens empresas necessitam tanto de capital como de talentos formados em inovação, gestão e adaptação às mudanças económicas.

Esta abordagem insere-se numa estratégia mais ampla de transformação da economia marroquina, em que o empreendedorismo se torna um instrumento coletivo de crescimento inclusivo, capaz de complementar os circuitos tradicionais de contratação e estimular a criação de empregos duradouros.

Desafios persistentes no mercado de trabalho

Esta orientação ocorre num contexto em que o mercado de trabalho marroquino enfrenta desafios estruturais. Segundo o Alto Comissariado do Plano (HCP), a taxa de desemprego nacional era de 13,3% em 2024, com um peso particularmente elevado entre os jovens de 15‑24 anos, atingindo 36,7%, e um total de 1,63 milhão de pessoas desempregadas.

Entre 2024 e 2025, a economia nacional criou 193 000 postos de trabalho, ou seja, apenas 3,3% da população jovem entre 15 e 24 anos, estimada em cerca de 6 milhões. Apesar desta evolução, a maioria dos jovens continua a enfrentar dificuldades de inserção profissional, evidenciando a importância de estratégias inovadoras como o empreendedorismo para absorver a mão-de-obra jovem e reforçar a adequação entre formação e emprego.

Félicien Houindo Lokossou

A terceira edição do Festival Porlahla confirma o surgimento de uma bienal que faz da cultura sénoufo um instrumento de transmissão, coesão social e projeção territorial na Costa do Marfim.

Organizado com o apoio da Orange Côte d’Ivoire, o Festival Porlahla encerrou a sua terceira edição no domingo, 8 de fevereiro de 2026, em Kouto, no norte da Costa do Marfim. Concebido como uma bienal das artes e da cultura do povo sénoufo, o evento afirma-se progressivamente como um espaço estruturante, onde a cultura se transforma num veículo de transmissão, diálogo social e abertura para além das fronteiras locais.

Ao longo dos dias, a cidade de Kouto transformou-se num ponto de encontro entre comunidades e gerações. As expressões artísticas — danças, música, máscaras e artes tradicionais — serviram de suporte para a narração do património sénoufo, numa lógica assumida de valorização identitária. Mas o evento já não se limita a uma celebração local: esta terceira edição reuniu festivaleiros da Costa do Marfim, Mali, Gana, Benim, Togo, Senegal, Camarões, África do Sul e China, reforçando a dimensão internacional da bienal.

Esta abertura é também política e institucional. A cerimónia de encerramento contou com a presença do vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, Téné Birahima Ouattara, alto patrono do festival. Este sublinhou que o Porlahla se tornou um encontro cultural de dimensão internacional e incontornável, destacando a riqueza do património sénoufo e a vitalidade dos valores tradicionais da região da Bagoué. Para as autoridades, o festival integra uma estratégia mais ampla de promoção da cultura como fator de unidade nacional e estabilidade social.

No plano territorial, o Porlahla é também visto como um instrumento de mobilização local. Diarrassouba Maférima, vice-presidente do conselho regional da Bagoué, insiste na capacidade da bienal de fazer dialogar as gerações, num contexto onde “a palavra dos mais velhos encontra a energia da juventude”, através de formas de expressão profundamente enraizadas na história das comunidades sénoufo.

Sustentado pelo empenho do seu fundador, o empresário Bernard Koné Dossongui, e apoiado por parceiros públicos e privados, o festival procura agora consolidar o seu posicionamento. A longo prazo, o objetivo é perpetuar um evento capaz de gerar impactos sociais e culturais duradouros, ao mesmo tempo que contribui para reforçar a atratividade de Kouto e da região da Bagoué no panorama cultural da Costa do Marfim.

Mais amplamente, o Porlahla insere-se num contexto em que a Costa do Marfim procura fazer da cultura um pilar do seu desenvolvimento e influência. Para tal, as autoridades apostam cada vez mais na valorização do património material e imaterial, no apoio às indústrias culturais e criativas e na promoção de eventos estruturantes, com vista a fortalecer a atratividade turística, consolidar a coesão social e projetar uma imagem de estabilidade e diversidade cultural.

Moutiou Adjibi Nourou

No Malawi, na África do Sul e em Angola, os Estados Unidos continuam a posicionar-se estrategicamente nas futuras fontes africanas de terras raras. Esta estratégia insere-se numa corrida global destinada a estruturar circuitos alternativos à oferta dominante da China.

Numa nota publicada na segunda-feira, 9 de fevereiro, a empresa mineira britânica Altona Rare Earths anunciou ter obtido a confirmação do apoio dos Estados Unidos ao desenvolvimento do seu projeto de terras raras Monte Muambe, em Moçambique. Este apoio, promovido pela United States Trade and Development Agency (USTDA), ilustra a aceleração da ofensiva de Washington no setor emergente das terras raras em África.

Um novo passo para Washington

Perante a quase-dominação da China, que concentra cerca de 70% da produção mundial de terras raras, os Estados Unidos multiplicam, desde há vários meses, iniciativas destinadas a desenvolver cadeias de abastecimento alternativas. Neste contexto, África impõe-se progressivamente como um pilar desta estratégia, com o anúncio de diversos financiamentos americanos a favor de projetos regionais.

Em Angola, a Pensana, empresa britânica responsável pelo projeto Longonjo, que ambiciona desenvolver uma cadeia de abastecimento de terras raras orientada para os Estados Unidos, aguarda atualmente um financiamento de até 160 milhões de dólares da Export-Import Bank dos EUA (EXIM). Paralelamente, Washington apoia o projeto sul-africano Phalaborwa através de uma subvenção da Development Finance Corporation (DFC), via a sociedade de investimento TechMet.

Mais recentemente, a Lindian Resources, operadora do projeto Kangankunde no Malawi, indicou estar em negociações com o governo americano para posicionar o seu ativo como um dos instrumentos capazes de reduzir o “défice emergente de abastecimento” dos Estados Unidos. É neste mesmo contexto estratégico que se insere o apoio concedido ao projeto moçambicano Monte Muambe, com o objetivo da assinatura de uma “convenção de subvenção formal, atualmente em preparação.

Este compromisso de apoio da USTDA constitui uma validação externa significativa da qualidade estratégica e do potencial económico do projeto Monte Muambe. Sublinha o interesse elevado e de alto nível de uma instituição governamental americana de primeira linha no desenvolvimento de uma fonte alternativa e segura de terras raras”, declarou Cédric Simonet, CEO da Altona Rare Earths.

Moçambique entra na dinâmica

Até ao momento, poucos detalhes filtraram sobre as modalidades concretas de uma eventual parceria entre a Altona e a USTDA em torno do projeto Monte Muambe. A natureza do apoio americano permanece, portanto, a esclarecer para este ativo, cujo custo de desenvolvimento é estimado em 276,3 milhões de dólares, segundo um estudo preliminar publicado em 2023. A Altona pretende, por sua vez, uma produção média de cerca de 15 000 toneladas por ano de carbonato misto de terras raras, ao longo de 18 anos de vida útil.

Estes parâmetros estão atualmente a ser atualizados no âmbito de um estudo de pré-viabilidade, mais aprofundado do que um estudo económico preliminar. Entretanto, o interesse manifestado pelos Estados Unidos em Monte Muambe já confere alguma visibilidade a Moçambique nas dinâmicas emergentes do setor de terras raras em África. O país acolhe, além disso, outros projetos em fases menos avançadas, incluindo o de Adriano, onde a júnior australiana MRG Metals Limited anunciou em outubro de 2025 a descoberta de um “potencial depósito aluvial de terras raras”.

Resta agora observar a evolução destas dinâmicas nos próximos meses, tanto no que diz respeito às ambições americanas em Monte Muambe, como à forma como Maputo procurará influenciar os debates. Recorde-se que, enquanto o continente ainda não produz nenhum destes minerais essenciais para turbinas eólicas e veículos elétricos, poderá representar cerca de 9% da oferta mundial de terras raras até 2029, segundo a Benchmark Mineral Intelligence.

Aurel Sèdjro Houenou

Face às limitações das redes elétricas, as trajetórias de eletrificação em África assentam cada vez mais em soluções solares, chamadas a desempenhar um papel mais importante ou até tão relevante  quanto as centrais de grande escala ligadas à rede.

As soluções de eletrificação descentralizada ocupam um lugar crescente nas estratégias de acesso à eletricidade em África. Dois relatórios recentes, publicados pelo Global Solar Council (GSC) e pela Agência Internacional da Energia (AIE), destacam esta ascensão e mostram que estas soluções respondem a constrangimentos concretos relacionados com o estado das redes e com os custos elevados das alternativas, nomeadamente o gasóleo.

Segundo o GSC, no seu relatório Africa Market Outlook for Solar PV: 2026–2029, publicado no início de fevereiro, a energia solar distribuída representa pelo menos 44% das instalações solares em África em 2025, uma percentagem considerada subestimada devido às dificuldades de recenseamento.

Durante muito tempo dominado por grandes projetos ligados à rede, o mercado evolui agora para sistemas instalados diretamente em residências, empresas ou sob a forma de mini-redes. Esta evolução, segundo a organização, é impulsionada pela descida do preço dos painéis solares, pela melhoria das baterias e pelo aumento da procura de eletricidade num contexto de redes instáveis e de tarifas em alta.

Estas conclusões convergem com a análise da AIE sobre o acesso à eletricidade em África. A agência indica que a maioria dos agregados familiares ainda não ligados à rede vive a mais de 30 km da mesma — por vezes a mais de 100 km — ou em zonas rurais pouco povoadas. Nestas condições, a extensão da rede revela-se frequentemente complexa e dispendiosa. No seu cenário ACCESS, a AIE estima que cerca de 55% dos novos acessos à eletricidade até 2035 dependerão de soluções descentralizadas.

A AIE sublinha igualmente que estes sistemas estão agora integrados nos planos nacionais de vários países africanos, incluindo Burkina Faso, Etiópia, Gana, Madagáscar e Mauritânia. O financiamento continua a ser um desafio, mas os custos diminuíram significativamente. O custo das mini-redes baixou cerca de 35% por kWp em cinco anos, graças à redução dos preços dos painéis solares e das baterias, confirmando as conclusões do GSC.

Considerados em conjunto, os dois relatórios mostram que as soluções descentralizadas — em particular a energia solar — se afirmam como uma resposta concreta e sustentável no contexto africano, onde cerca de 600 milhões de pessoas ainda não têm acesso à eletricidade.

Abdoullah Diop

Na África do Sul, a pecuária contribui com 41% do PIB agrícola e garante o sustento de mais de 500 000 pessoas. A febre aftosa é um dos principais desafios do setor na nação arco-íris há vários anos.

Na África do Sul, o Conselho de Investigação Agrícola (ARC), organismo público responsável pela investigação e desenvolvimento agrícola, anunciou no passado dia 6 de fevereiro ter produzido um lote de 12 900 doses multiestirpes de vacina contra a febre aftosa (FMD). Esta doença viral altamente contagiosa afeta principalmente os ruminantes, provocando lesões bucais e podais, bem como uma forte quebra de produtividade.

A informação, tornada pública através de um comunicado do Ministério da Agricultura, assinala a retoma de uma indústria local dedicada ao fabrico deste tipo de vacina, após duas décadas de interrupção.

Um sistema de produção parado há 21 anos

Na nação arco-íris, a produção local de vacinas contra a febre aftosa tinha sido interrompida desde 2005. Segundo dados oficiais, a principal razão apontada foi a obsolescência das infraestruturas e das tecnologias então utilizadas no Instituto Veterinário de Onderstepoort. As instalações já não cumpriam as normas internacionais de qualidade e segurança indispensáveis à produção de vacinas seguras e eficazes.

Esta situação levou a África do Sul a depender inteiramente de vacinas importadas, limitando a sua capacidade de reagir rapidamente ao surgimento de novos focos de FMD e aumentando a vulnerabilidade do setor pecuário. A retoma da produção local abre, assim, caminho à autonomia vacinal.

Segundo o ARC, a reativação da produção local é fruto de mais de duas décadas de investigação e investimentos governamentais, bem como da modernização das infraestruturas para cumprir as normas de qualidade e segurança. «Este primeiro lote representa muitos anos de investigação e empenho. Embora a produção ainda seja de pequena escala, demonstra que a África do Sul tem capacidade para desenvolver vacinas seguras e eficazes que respondem às normas regulamentares e aos desafios locais da doença», declarou Faith Peta, membro da equipa de produção do ARC, citada pelo meio de comunicação local Farmers’s Weekly.

De acordo com o Ministério da Agricultura, está previsto que o primeiro lote de vacinas seja distribuído por seis províncias, nomeadamente o Estado Livre, o Cabo Oriental, o Noroeste, Gauteng, Limpopo e Mpumalanga.

Um imperativo face a uma epizootia difícil de controlar

Este anúncio representa um verdadeiro alívio para o setor pecuário. Segundo dados do Ministério da Agricultura, oito das nove províncias da África do Sul enfrentam atualmente um recrudescimento da epizootia de febre aftosa, afetando tanto explorações comerciais como comunitárias desde 2025. A atual epizootia terá começado em 2021, sendo que apenas a província do Cabo Norte permanece, por enquanto, poupada.

Mais recentemente, em novembro de 2025, o governo anunciou a implementação de uma estratégia global de vacinação de todo o efetivo bovino contra a doença, uma iniciativa que deverá levar o país a importar maiores quantidades de vacinas.

As autoridades estimavam, por exemplo, o custo das necessidades em vacinas para o exercício financeiro 2025/2026 em cerca de 1,2 mil milhões de rands (75,5 milhões de dólares). No entanto, com a retoma da produção local, Pretória espera reduzir progressivamente a dependência das importações nos próximos anos. Esta iniciativa deverá igualmente acelerar a capacidade de resposta e otimizar a proteção dos animais através de campanhas de vacinação.

A partir de março de 2026, prevê-se que o ARC seja capaz de fornecer 20 000 doses por semana, aumentando posteriormente para 200 000 doses semanais a partir de 2027. Para colmatar o défice durante a fase de crescimento da produção local, o Ministério da Agricultura declarou ter tomado medidas para garantir o abastecimento junto de parceiros estrangeiros, nomeadamente o Botswana Vaccine Institute (BVI), a empresa farmacêutica veterinária Biogénesis Bagó, da Argentina, e a empresa Dollvet, sediada na Turquia, de modo a assegurar um fornecimento regular.

«O BVI confirmou a entrega de 700 000 doses da vacina FMD até ao final de fevereiro de 2026. Seguir-se-ão entregas mensais de 700 000 doses em abril, maio e junho. A Biogénesis Bagó, da Argentina, fornecerá em breve um milhão de doses, com mais cinco milhões previstos para março de 2026. A vacina da Dollvet, da Turquia (1,5 milhão de doses), deverá chegar ao país na terceira semana de fevereiro de 2026, seguida de um segundo lote de cinco milhões de doses em março de 2026», sublinha o comunicado.

Stéphanas Assocle

 

Criada em 2025, a Banque Confédérale pour l’Investissement et le Développement da Aliança dos Estados do Sahel (BCID-AES) tinha posteriormente lançado oficialmente as suas atividades, sem, no entanto, anunciar o nome dos seus dirigentes.

A Confederação dos Estados do Sahel (AES) designou o professor Balibié Serge Auguste Bayala (foto) como presidente da Banque Confédérale pour l’Investissement et le Développement (BCID-AES), a instituição financeira comum ao Burkina Faso, ao Mali e ao Níger. Torna-se assim o primeiro dirigente desta banca, criada em 2025 para apoiar as prioridades económicas dos Estados membros, através da mobilização de recursos soberanos e do financiamento de projetos considerados estratégicos pela AES.

O professor Bayala terá como principal missão lançar as bases operacionais da banca, assegurar a sua credibilidade financeira e institucional e mobilizar os recursos necessários ao financiamento das prioridades económicas da Confederação. Caber-lhe-á igualmente definir uma estratégia de investimento coerente, capaz de responder às necessidades dos Estados membros, garantindo simultaneamente uma gestão rigorosa e sustentável dos fundos.

Um perfil técnico e estratégico

O seu perfil responde às exigências técnicas e estratégicas inerentes à criação de uma instituição desta natureza. Professor universitário e especialista em gestão financeira, acumula mais de vinte anos de experiência na governação de instituições públicas e regionais, na estruturação de mecanismos de financiamento e na condução de reformas organizacionais. O seu percurso combina ensino, regulação e gestão.

No Burkina Faso, contribuiu para a criação de um estabelecimento público orientado para canalizar a poupança para o investimento produtivo, reforçando a arquitetura financeira nacional. Exerceu igualmente funções no Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), onde liderou programas de formação e de reforço de capacidades, consolidando o seu conhecimento das políticas monetárias e financeiras da sub-região.

A sua experiência inclui ainda a direção de instituições regionais de formação e a participação em missões de peritagem à escala internacional, conferindo-lhe uma visão estratégica valiosa para liderar a nova banca confederal. Uma experiência que colocará ao serviço da presidência desta nova instituição, dotada de um capital inicial de 500 mil milhões de francos CFA (cerca de 900 milhões de dólares).

A BCID-AES foi concebida para se tornar um instrumento estruturante do desenvolvimento regional. Tem como missões financiar infraestruturas estratégicas, apoiar a industrialização, mobilizar recursos internos e regionais e promover projetos integradores com elevado impacto económico e social. Ao colocar a banca sob a direção de um técnico experiente, a AES pretende reforçar a soberania financeira do seu espaço e consolidar as bases de um crescimento sustentável e inclusivo.

Sandrine Gaingne

 

O grupo sul-africano já relançou o processo de venda do Bidvest Bank, que se insere no âmbito de uma reestruturação da sua área de serviços financeiros e de um recentramento nas suas atividades estratégicas, nomeadamente a higiene, a gestão de fretes e a distribuição de produtos de canalização.

O conglomerado sul-africano Bidvest Group anunciou, na segunda-feira, 9 de fevereiro, o fracasso da operação de alienação da sua filial bancária Bidvest Bank ao grupo nigeriano Access Bank, devido ao não cumprimento, por parte deste último, de determinadas condições suspensivas.

«O acordo celebrado entre a Bidvest e o Access Bank incluía as condições prévias habituais relativas às autorizações regulamentares necessárias. As partes trabalharam ativamente em conjunto para obter essas autorizações. No entanto, é de lamentar que algumas condições não tenham sido cumpridas pelo Access Bank até ao prazo-limite contratualmente acordado, o que levou à anulação da transação», lê-se num comunicado dirigido aos acionistas.

A Access Bank tinha celebrado, em 12 de dezembro de 2024, um acordo com o Bidvest Group com vista à aquisição de 100% do capital do Bidvest Bank, por cerca de 2,8 mil milhões de rands (aproximadamente 157 milhões de dólares norte-americanos às taxas de câmbio da época). Este acordo foi anunciado cerca de cinco meses após a colocação à venda da filial bancária pela sua casa-mãe, que procura recentrar-se nas suas atividades estratégicas, nomeadamente a higiene, a gestão de fretes, bem como a distribuição de produtos de canalização e artigos conexos.

A transação, que se enquadrava no plano de expansão continental da Access Bank, deveria ser concluída no segundo semestre de 2025, sob reserva da obtenção das aprovações regulamentares.

Reestruturação

O grupo sul-africano indicou, no seu comunicado publicado no sítio Web da Bolsa de Valores de Joanesburgo, que já relançou o processo de alienação do Bidvest Bank, cujo produto deverá servir para liquidar a sua dívida atual. «A lógica que presidiu à reestruturação inicial da divisão Bidvest Financial Services e à decisão de alienação mantém-se como um imperativo estratégico. A Bidvest relançou agora o processo de venda. Continuamos confiantes na nossa capacidade de concluir esta alienação e envidaremos esforços para acelerar os prazos da transação», pode ler-se.

O grupo refere ainda que o banco se mantém suficientemente capitalizado, com rácios superiores aos limiares regulamentares mínimos. Indicou igualmente que continuará a «apoiar o Bidvest Bank de forma a garantir a sua solidez financeira e a sua estabilidade operacional durante um período de transição».

A prevista alienação do Bidvest Bank insere-se no âmbito de uma reestruturação da área de serviços financeiros do Bidvest Group, que dispõe de cerca de 250 filiais e emprega mais de 130 000 pessoas na África do Sul, no Reino Unido, na Irlanda, em Espanha, na Austrália e em Singapura. Na mesma linha, o grupo anunciou um acordo para a venda de 100% do capital da sua filial de seguros de vida, Bidvest Life, a um consórcio de fundos de private equity especializado em serviços financeiros.

O Bidvest Group já tinha concluído, em setembro de 2025, a venda da sua filial FinGlobal Migration, especializada na prestação de serviços financeiros a emigrantes sul-africanos, ao grupo local Momentum, por 200 milhões de rands (cerca de 12,5 milhões de dólares norte-americanos).

Walid Kéfi

 

As duas instituições de previdência reafirmaram, no dia 6 de fevereiro de 2026, em Libreville, o seu compromisso com a cooperação Sul-Sul no domínio da proteção social, por ocasião do lançamento da estratégia CAP 2030. Apresentada como uma abordagem baseada na partilha de experiências, esta colaboração coloca a tónica na modernização dos serviços, na governação e no investimento ao serviço exclusivo dos beneficiários.

A Costa do Marfim e o Gabão pretendem dar continuidade à sua cooperação institucional no domínio da previdência social. Esta dinâmica foi ilustrada no dia 6 de fevereiro de 2026, em Libreville, aquando do lançamento da estratégia CAP 2030 da Caixa de Pensões e de Prestações Familiares dos Agentes do Estado do Gabão (CPPF), na presença da Instituição de Previdência Social – Caixa Geral de Reforma dos Agentes do Estado da Costa do Marfim (IPS-CGRAE).

Convidada na qualidade de parceira institucional, a IPS-CGRAE participou neste evento presidido por Marc Abeghe, Ministro gabonês do Orçamento. A colaboração é apresentada como «um modelo bem-sucedido de cooperação Sul-Sul, assente na partilha de experiências e na aprendizagem mútua entre instituições congéneres», privilegiando o intercâmbio entre pares confrontados com realidades comparáveis.

O momento alto da cerimónia foi um painel dedicado ao papel dos organismos de previdência social enquanto atores do desenvolvimento nacional, coanimado pelo Diretor-Geral da IPS-CGRAE. As trocas incidiram, nomeadamente, sobre a responsabilidade das caixas de reforma enquanto investidores institucionais e sobre a articulação entre desempenho financeiro e missão social.

Na ocasião, o Diretor-Geral da IPS-CGRAE recordou que o investimento institucional só faz sentido se servir diretamente os beneficiários: «A razão última do papel de investidor nacional de uma caixa de previdência social é o benefício dos beneficiários, seus únicos e verdadeiros juízes». O objetivo, segundo ele, é garantir, a longo prazo, a segurança do pagamento das pensões, a disponibilidade dos direitos e a melhoria contínua dos serviços, condições para uma reforma «digna e serena».

Do lado gabonês, a CPPF sublinha que a estratégia CAP 2030 visa «colocar o beneficiário e a dignidade do reformado no centro da ação pública». Este roteiro assenta na modernização dos serviços, no reforço da governação e numa gestão responsável orientada para o impacto social. O Diretor-Geral da CPPF indica que as missões de benchmarking realizadas junto de instituições africanas parceiras, incluindo a IPS-CGRAE, contribuíram para alimentar esta reflexão estratégica.

Para além do evento, esta cooperação ilustra a crescente afirmação de parcerias africanas pragmáticas no domínio da proteção social. Apostando na aprendizagem mútua e no respeito pelos contextos nacionais, a CGRAE e a CPPF Gabão pretendem reforçar de forma duradoura os seus sistemas, num contexto marcado por desafios demográficos, económicos e sociais crescentes para as caixas de previdência do continente.

Muitos países africanos apostam na transformação digital para apoiar o seu desenvolvimento socioeconómico. Para tal, reforçam as parcerias com o setor privado, de modo a mobilizar financiamento, tecnologias e competências.

Augustin Kibassa Maliba, ministro da Economia Digital da RDC, reuniu-se na quinta-feira, 5 de fevereiro, com uma delegação da empresa The Founding, sediada nos Emirados Árabes Unidos, que veio apresentar projetos de centros de dados destinados a apoiar o desenvolvimento das infraestruturas digitais. Esta iniciativa insere-se na vontade das autoridades congolesas de atrair investimento estrangeiro para o setor e de desenvolver o ecossistema digital nacional.

Segundo Anand Madia, cofundador e conselheiro principal da The Founding, estas discussões permitiram compreender melhor as expectativas das autoridades congolesas. Acrescentou que «o ministro mostrou-se recetivo e sugeriu a criação de um comité ou de uma célula de trabalho encarregue de trocar informações sobre os diferentes projetos a desenvolver na RDC, identificar projetos conexos e definir as especificações técnicas necessárias à sua concretização, com o acompanhamento do seu ministério».

No mesmo contexto, o ministro recebeu igualmente a empresa tunisina Dirasset International, especializada em estudos de urbanismo e ordenamento do território, acompanhada pelo grupo Bayayi, presente nomeadamente nos setores da distribuição, agricultura, logística e seguros. Segundo o ministério, as trocas incidiram sobre as possibilidades de colaboração em torno de projetos estruturantes suscetíveis de apoiar as políticas públicas na República Democrática do Congo, sem mais pormenores sobre o componente digital.

Multiplicação de iniciativas para atrair investidores

No âmbito das suas ambições de transformação digital, as autoridades congolesas apostam no reforço de alianças estratégicas com o setor privado, tanto nacional como internacional, com o objetivo de partilhar conhecimentos e acelerar a inovação. A RDC prevê investir 1,5 mil milhões de dólares na transformação digital entre 2026 e 2030, em complemento dos financiamentos já mobilizados junto de parceiros internacionais.

Em dezembro passado, durante a Jornada de Reflexão sobre a parceria RDC–Estados Unidos, Augustin Kibassa Maliba sublinhou a importância de parcerias inovadoras com empresas norte-americanas, nomeadamente nos domínios das infraestruturas digitais, da inovação tecnológica, da cibersegurança e do desenvolvimento de competências digitais.

Em novembro, o ministro dos Correios e Telecomunicações, José Mpanda Kabangu, recebeu uma delegação da British International Investment (BII), que veio informar-se sobre as prioridades do governo congolês no setor das telecomunicações. Na ocasião, destacou a dimensão da fratura digital, com 145 territórios não ligados, cerca de 4 000 km de fibra ótica instalados face a uma necessidade estimada de 50 000 km, e 5 150 torres de telecomunicações contra pelo menos 30 000 necessárias.

Ao longo de 2025, foram feitos vários anúncios de parcerias destinadas a financiar projetos digitais. Em outubro, a RDC finalizou um acordo de 150 milhões de dólares com a empresa United Investment LMT (UIL), sediada nas Maurícias, para implantar até 80 000 km de fibra ótica, instalar um cabo submarino e construir três centros de dados. Em setembro, a empresa norte-americana Unity Development Fund manifestou a sua intenção de investir no digital congolês. Em agosto, o Fidelity Bank da Nigéria demonstrou interesse no financiamento de um projeto de satélite nacional de telecomunicações. Em fevereiro, foi igualmente assinado um acordo de mil milhões de dólares com a empresa indiana General Technologies.

Um potencial económico significativo, mas desafios estruturais persistentes

Embora a maioria destas iniciativas de parceria e financiamento ainda se encontre numa fase pouco avançada, inserem-se numa estratégia mais ampla do governo, que aposta no digital para apoiar o desenvolvimento socioeconómico. Esta orientação, observada em vários países africanos, visa nomeadamente a digitalização do conjunto dos serviços públicos, de modo a aproximá-los dos cidadãos.

De forma mais ampla, a integração do digital nos diferentes setores da economia poderá gerar um valor acrescentado estimado em cerca de 4,1 mil milhões de dólares até 2029, segundo a GSMA. Na agricultura, a organização sublinha que a digitalização oferece um elevado potencial de melhoria da produtividade, graças, nomeadamente, a um melhor acesso à informação, a um acompanhamento mais eficaz das culturas, a um acesso facilitado aos mercados e à otimização da cadeia de valor. Estima que tal poderá gerar um valor acrescentado de 2 100 mil milhões de francos congoleses (cerca de 922 milhões de dólares) até 2029, 1,7 milhões de empregos adicionais e um aumento das receitas fiscais avaliado em 300 mil milhões de francos congoleses.

No entanto, a RDC continua a enfrentar importantes desafios estruturais. O país ocupa o 179.º lugar entre 193 no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico das Nações Unidas (EGDI), com uma pontuação de 0,2725 em 1, inferior às médias sub-regional, africana e mundial. Regista o seu desempenho mais fraco no subíndice das infraestruturas de telecomunicações (0,1591).

Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), em 2023, as redes 2G, 3G e 4G cobriam respetivamente 75 %, 55 % e 45 % da população congolesa. A taxa de penetração da telefonia móvel situava-se em 55 %, contra 30,5 % para a Internet. Por seu lado, a GSMA estimava que cerca de 40 milhões de congoleses não utilizavam de todo a Internet móvel em 2023.

Em matéria de cibersegurança, a UIT classificou a RDC no terceiro nível do seu Índice Global de Cibersegurança 2024. O país apresenta resultados considerados relativamente satisfatórios ao nível do quadro legal, mas permanece atrasado no que diz respeito às medidas técnicas, ao desenvolvimento de capacidades e à cooperação.

Isaac K. Kassouwi

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