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Equipe Publication

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Embora dependa em grande parte da hidroeletricidade, a Zâmbia continua a diversificar a sua matriz energética para garantir o abastecimento. Esta evolução traz, contudo, novos desafios relacionados com a integração de energias variáveis na rede nacional.

Um novo projeto de produção de eletricidade verde com uma capacidade de 100 MW vai ser implementado na Zâmbia. O acordo, celebrado entre a DZGM Energy Resources e a Zesco Limited, prevê a injeção desta energia na rede nacional.

O Ministério da Energia anunciou, no sábado, 28 de março, a assinatura deste contrato de compra de eletricidade (PPA), que abre caminho ao lançamento de um projeto híbrido combinando energia eólica e solar.

Presente na reunião, o Ministro da Energia, Makozo Chikote (imagem, ao centro), sublinhou «a importância de aumentar a produção de eletricidade e melhorar a fiabilidade do abastecimento».

Romper com a dependência da hidroeletricidade

Na Zâmbia, o sistema elétrico continua a basear-se largamente na hidroeletricidade, que representa mais de 80% da produção, segundo dados do National Energy Compact for Zambia. Esta dependência expõe o país e o seu sistema elétrico às variações climáticas. A seca observada em 2024 causou uma redução significativa da produção, pressionando o abastecimento elétrico durante vários meses.

Para responder a este desafio, as autoridades multiplicam os projetos solares para reforçar a capacidade de produção e melhorar a segurança energética. Em setembro de 2025, a Africa GreenCo e a Serenje Energy celebraram um acordo preliminar relativo a um contrato de compra de eletricidade para a central solar de Lusanje, com uma capacidade de 25 MW.

No final de janeiro, o projeto solar de 20 MW do Natural Resources Development College (NRDC), em Lusaca, foi inaugurado. Em fevereiro, o Ministério da Energia assinou um acordo de implementação com a Goldenray Energy para o desenvolvimento de uma central solar de 118 MWp em Sinazongwe, na província do sul.

Um desafio de estruturação

O projeto assinado com a DZGM insere-se na estratégia do país, detalhada no seu “Integrated Resource Plan (IRP)” de 2024, que visa diversificar a matriz energética e reduzir a dependência da hidroeletricidade, principal fonte de abastecimento.

Introduce a utilização de uma solução híbrida combinando energia eólica e solar. Este tipo de instalação permite distribuir melhor a produção ao longo do dia e reduzir as variações associadas a uma única fonte.

No entanto, à medida que a quota de energias variáveis aumenta, a questão do reforço das infraestruturas elétricas torna-se central, para gerir simultaneamente a procura e uma oferta mais intermitente.

Abdoullah Diop

O arroz é o principal cereal cultivado e consumido no Senegal. Embora a produção local satisfaça menos da metade das necessidades do mercado interno, continua a ter dificuldades em conquistar os consumidores, que preferem o arroz importado, considerado de melhor qualidade.

O Senegal está a implementar o capítulo nacional do Observatório do Arroz da CEDEAO (ERO) para melhorar a competitividade do arroz local. O anúncio foi feito num comunicado publicado no site do Ministério da Agricultura a 30 de março.

O ERO é uma plataforma multipartidária que reúne Estados, produtores, setor privado, institutos de investigação e parceiros técnicos, criada em 2021 para operacionalizar a “Ofensiva do Arroz”, a política da CEDEAO que visa a autossuficiência no cereal na África Ocidental. Tem a missão de coordenar os programas relacionados com o setor do arroz, os investimentos públicos e privados, fornecer recomendações políticas aos decisores-chave e facilitar o acesso a financiamento ao longo de toda a cadeia de valor.

A criação de um capítulo nacional do ERO no Senegal sugere a vontade das autoridades de adaptar esta ferramenta de monitorização e coordenação do setor do arroz à realidade do país. “Os atores procederão à adoção de um quadro de governação inclusivo, à implementação dos órgãos de gestão e à elaboração de um plano de ação para operacionalizar o capítulo, em favor de um arroz local competitivo e sustentável”, lê-se no comunicado.

Um contexto oportuno?

No Senegal, a questão da competitividade do arroz produzido localmente está no centro da atualidade do setor agrícola. No país, os produtores enfrentam dificuldades para escoar os seus stocks há vários meses, travados pela concorrência do arroz importado, considerado mais barato, mais homogéneo, melhor limpo, melhor embalado (formatos de sacos adaptados aos orçamentos) e disponível de forma regular.

Já em outubro de 2025, os produtores de arroz do departamento de Dagana, na região do vale do rio Senegal, lançavam o alerta para o risco de cerca de 195.000 toneladas de arroz paddy e processado, provenientes da campanha de 2025, ficarem por vender.

Face à persistência desta situação até 2026, o governo senegalês adotou uma série de medidas, sendo a mais recente, anunciada a 5 de março, a atribuição de um subsídio de 50 francos CFA por cada quilograma de arroz produzido localmente, para facilitar a escoação dos stocks.

Apesar destes esforços, os produtores e agroindústrias de Saint-Louis, na região do vale do rio Senegal, estimavam, a 28 de março, que ainda existiam mais de 50.000 toneladas de arroz paddy e processado por vender nos seus armazéns, segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais.

Os próximos desenvolvimentos irão mostrar se a criação do capítulo nacional do ERO no país poderá insuflar uma nova dinâmica na gestão da cadeia de produção do arroz.

No Senegal, o recurso ao arroz importado está a intensificar-se. No seu último relatório sobre o mercado mundial de cereais, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que o país da Teranga adquiriu 1,47 milhão de toneladas de arroz branqueado no mercado internacional durante a campanha de comercialização de 2024/2025, registando um crescimento de 13% em relação a 2022/2023 (1,3 milhão de toneladas). O USDA estima ainda que as compras para a campanha de 2025/2026 em curso deverão atingir, no final, 1,5 milhão de toneladas.

Stéphanas Assocle

A Indonésia implementa desde 2008 o seu programa de mistura de biocombustível à base de óleo de palma com o gasóleo. Esta política visa reduzir as importações de combustíveis fósseis.

Em 2026, o país aplicará uma nova fase do programa, que prevê a utilização de um combustível composto por 50% de biodiesel de óleo de palma (B50), contra 40% atualmente (B40). Segundo a Reuters, a informação foi anunciada pelo presidente Prabowo Subianto a 30 de março, à margem de uma visita oficial ao Japão.

Esta hipótese, já mencionada no início do mês pelo vice-ministro da Energia, acaba assim por se concretizar. O projeto tinha sido abandonado em janeiro por razões técnicas e financeiras. Embora Prabowo Subianto não tenha detalhado os motivos desta mudança, a decisão está relacionada com a subida dos preços do petróleo.

Após os primeiros ataques israelo-americanos contra o Irão a 28 de fevereiro e o encerramento do Estreito de Ormuz — responsável por cerca de um quarto do transporte marítimo de petróleo —, os preços do barril ultrapassaram os 100 dólares, colocando desafios aos países importadores.

Para a Indonésia, um maior recurso ao óleo de palma — do qual é o maior produtor e exportador mundial — permitiria прежде de tudo reduzir a fatura associada à importação de produtos petrolíferos.

Segundo os dados mais recentes do organismo nacional de estatística (BPS), o país importou 37,75 milhões de toneladas de produtos petrolíferos em 2025, num valor de 23,46 mil milhões de dólares, o que representa cerca de 10% das suas importações totais de mercadorias.

Que implicações para o mercado?

Até ao momento, as autoridades não forneceram detalhes sobre o calendário de implementação do programa. No entanto, a associação indonésia de produtores de biocombustíveis (APROBI) indicou que os testes rodoviários do biodiesel B50 não deverão estar concluídos antes de junho ou julho, prazo inicialmente definido pelo Ministério da Energia.

Ainda assim, esta decisão poderá reforçar o peso da indústria do biodiesel. De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o setor absorveu 13,5 milhões de toneladas de óleo de palma em 2023/2024, tornando-se, na prática, o segundo maior consumidor mundial deste produto.

Nos mercados, a evolução será acompanhada de perto. O aumento do consumo interno através do biodiesel poderá reduzir a oferta para exportação e sustentar os preços do óleo de palma — o mais consumido no mundo — negociado no Bursa Malaysia Derivatives Exchange. Esta tendência poderá também reduzir a diferença de preços face ao óleo de soja, com o qual compete por quotas no mercado global de óleos vegetais.

Espoir Olodo

Ao tornar-se acionista maioritário da Banque agricole et commerciale, a Vista Group Holding inicia a sua entrada no mercado bancário do Chade. O grupo pretende aí implementar a Vista Bank num contexto caracterizado por um baixo nível de inclusão financeira e um acesso limitado ao crédito.

A Vista Group Holding, controlada pelo banqueiro burquinabê Simon Tiemtoré, obteve todas as autorizações regulamentares necessárias para a aquisição de uma participação maioritária no capital da Banque agricole et commerciale (BAC) do Chade. O anúncio foi feito na segunda-feira, 30 de março, pelo Ministério das Finanças chadiano.

Na sequência desta operação, o grupo financeiro da África Ocidental torna-se acionista maioritário da instituição. Os detalhes relativos ao volume de ações adquiridas e ao montante da transação não foram divulgados.

Além disso, as modalidades da operação não foram especificadas, quer se trate de um aumento de capital ou de uma cessão de participações por acionistas existentes. Através desta aquisição, a Vista Group pretende criar e implementar a Vista Bank no Chade. A BAC deverá passar a designar-se Vista Bank Chade.

Uma estratégia de expansão na África Subsaariana

Presente em cinco países da África Subsaariana, através de filiais bancárias na Gâmbia, Guiné, Serra Leoa, Burkina Faso e Moçambique, a Vista Group Holding inicia com esta operação a sua primeira implantação na África Central. O grupo prossegue o objetivo de expandir a sua rede para 25 países do continente nos próximos anos. Em julho de 2025, anunciou projetos de abertura de novas entidades bancárias na Costa do Marfim e no Senegal, com um nível de avanço significativo no projeto marfinense.

A aquisição da BAC insere-se nesta dinâmica, permitindo ao grupo aceder a um novo mercado e implementar o seu modelo bancário num ambiente onde a procura por serviços financeiros ainda está em fase de estruturação.

Um mercado bancário pouco desenvolvido e pouco inclusivo

Criada em 1998, a BAC atua no financiamento de atividades agrícolas e comerciais no Chade. Ocupa uma posição limitada no sistema bancário local, com uma quota de mercado de crédito de 0,39% no primeiro trimestre de 2025, segundo o relatório da Banque des États de l’Afrique centrale sobre a evolução das taxas de juro praticadas pelas instituições de crédito na Communauté économique et monétaire de l’Afrique centrale.

O setor bancário chadiano conta com dez instituições em atividade. De acordo com o relatório país Chade 2025, publicado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, caracteriza-se por uma baixa inclusão financeira, com apenas 15% da população a ter acesso a serviços bancários formais. O crédito ao setor privado permanece limitado (menos de 10% do PIB, contra mais de 30% em média na África Subsaariana) e os bancos concedem sobretudo créditos de curto prazo.

Chamberline Moko

O protocolo de entendimento assinado entre as duas instituições visa melhorar a governação macroeconómica e a coordenação das políticas económicas na região, num contexto marcado simultaneamente por uma retoma do crescimento e por desequilíbrios persistentes.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) assinaram, na sexta-feira, 27 de março, em Abuja, na Nigéria, um protocolo de entendimento com o objetivo de reforçar a sua cooperação em matéria de governação macroeconómica e integração regional.

O acordo, assinado por Omar Alieu Touray, presidente da Comissão da CEDEAO, e Wautabouna Ouattara, diretor executivo do FMI para a África Ocidental, estabelece um quadro de colaboração destinado a melhorar a coordenação das políticas económicas entre os Estados-membros. Prevê, nomeadamente, o reforço do diálogo político, o apoio ao desenvolvimento de capacidades em domínios-chave como a política orçamental, a gestão da dívida e as estatísticas, bem como a melhoria da supervisão macroeconómica regional.

Esta parceria visa igualmente apoiar o avanço do projeto de união monetária regional e representar melhor as prioridades económicas da África Ocidental nas discussões internacionais.

Uma retoma económica ainda contrastada

A assinatura deste acordo ocorre num contexto económico regional contrastado. Segundo dados do Banco de Investimento e Desenvolvimento da CEDEAO (BIDC), as economias da região registaram um crescimento de cerca de 5,1% em 2024, com perspetivas próximas de 5% em 2025 antes de uma aceleração esperada para 5,4% em 2026. No entanto, esta dinâmica continua exposta a vários riscos, nomeadamente a volatilidade dos preços das matérias-primas e as incertezas do comércio internacional, suscetíveis de afetar os países exportadores de petróleo ou de produtos agrícolas.

Paralelamente, os equilíbrios macroeconómicos permanecem frágeis. A inflação média na região deverá atingir 18,6% em 2025, antes de abrandar para 15,3% em 2026. Segundo a BIDC, a Nigéria, o Gana, a Serra Leoa e a Gâmbia deverão apresentar taxas de dois dígitos, principalmente devido às pressões relacionadas com os preços dos alimentos, da energia e com as taxas de câmbio. Em contrapartida, os Estados-membros da UEMOA deverão manter uma inflação média inferior a 5%, apesar das incertezas ligadas ao comércio.

As finanças públicas continuam igualmente sob pressão, embora o défice orçamental regional deva melhorar para cerca de 3,9% do PIB em 2025 e 3,6% em 2026, enquanto o rácio da dívida pública deverá diminuir gradualmente para 56,3% do PIB até 2026.

As perspetivas de integração económica são também afetadas pelas evoluções políticas no seio do bloco. A saída do Burkina Faso, do Mali e do Níger da CEDEAO poderá reduzir o comércio intrarregional, que representava em média 8,6% das trocas comerciais nos últimos três anos. Segundo estimativas da BIDC, esta proporção poderá cair para 5,2%, evidenciando os desafios que a região enfrenta em matéria de integração económica.

Neste contexto, alguns países da sub-região, como a Costa do Marfim ou o Senegal, continuam a apresentar um crescimento sustentado impulsionado pelos investimentos em infraestruturas e pelas reformas económicas, enquanto outras grandes economias, nomeadamente a Nigéria ou o Gana, permanecem confrontadas com constrangimentos relacionados com a dívida e a volatilidade das matérias-primas.

Até agora, a cooperação entre a CEDEAO e o FMI manifestava-se principalmente através de programas bilaterais conduzidos com os Estados-membros. A assinatura deste protocolo marca assim uma evolução para uma abordagem mais estruturada ao nível regional, com o objetivo de reforçar a estabilidade macroeconómica e apoiar os esforços de integração económica na África Ocidental.

Charlène N’dimon

No final da sua missão na Namíbia, o Fundo Monetário Internacional alertou para um crescimento fraco e finanças públicas sob pressão, apelando às autoridades para acelerarem as reformas a fim de reforçar a resiliência económica.

Na Namíbia, o FMI apelou ao governo para acelerar as reformas estruturais. É o que resulta das conclusões da missão de consulta de 2026 ao abrigo do Artigo IV, realizada de 16 a 20 de março de 2026.

No seu comunicado publicado a 27 de março de 2026, a instituição constata uma economia em perda de dinamismo, confrontada com vulnerabilidades internas e um ambiente internacional incerto.

Segundo as conclusões preliminares da missão conduzida por Xiangming Li, o crescimento do PIB real desacelerou para 1,7% em 2025, afetado nomeadamente pela queda da procura mundial de diamantes e pela recomposição do efetivo pecuário após as perdas ligadas à seca de 2024. Esta dinâmica deverá prolongar-se em 2026, num contexto de tensões geopolíticas, especialmente no Médio Oriente, que encarecem os custos energéticos e pesam sobre a procura global.

No plano externo, a situação melhorou ligeiramente. «O défice deverá manter-se elevado devido às importações associadas ao investimento direto estrangeiro na exploração petrolífera e mineira. As reservas cambiais brutas diminuíram após o reembolso do eurobond de 750 milhões de dólares em outubro de 2025, com uma cobertura das importações de 3,5 meses no final de 2025», declarou Xiangming Li.

As finanças públicas constituem um dos principais motivos de preocupação. O défice orçamental agravou-se durante o exercício 2025/2026, devido a uma forte queda das receitas provenientes da União Aduaneira da África Austral. Apesar dos esforços para conter as despesas, nomeadamente a massa salarial e os subsídios, a dívida pública deverá continuar a aumentar a médio prazo.

Recorde-se que a Namíbia tem vindo a implementar reformas macroeconómicas nos últimos anos para estabilizar a sua economia. Em março de 2025, as autoridades apresentaram o orçamento nacional 2025/2026, no valor de 106,3 mil milhões de dólares namibianos (cerca de 6 mil milhões de dólares), um aumento de 6,19% face ao exercício anterior. Este orçamento dá prioridade ao desenvolvimento económico, à segurança, às infraestruturas e à proteção social.

Além disso, o governo namibiano assinou um acordo com o Banco Mundial para o período 2025-2029, com o objetivo de apoiar os seus esforços de redução das desigualdades e de promoção de um crescimento sustentável e resiliente. Esta parceria visa, em particular, estimular a criação de emprego e melhorar o acesso aos serviços públicos, em linha com a Visão 2030.

Num contexto em que a economia namibiana permanece vulnerável a choques externos, o FMI recomenda um reforço da consolidação orçamental, assente nomeadamente no controlo das despesas correntes, na reforma do regime de seguro de saúde dos funcionários públicos (PSEMAS) e na redução das transferências para empresas públicas. A instituição insiste também na necessidade de melhorar a gestão das finanças públicas, incluindo os procedimentos de contratação pública.

Para além dos ajustamentos macroeconómicos, o FMI sublinha a urgência das reformas estruturais. A melhoria do ambiente de negócios, a aceleração dos procedimentos administrativos e a implementação de políticas de conteúdo local são consideradas essenciais para estimular o investimento privado. Além disso, o desenvolvimento do setor digital e o alinhamento dos sistemas educativos com as necessidades do mercado de trabalho surgem como fatores-chave para apoiar o emprego e a diversificação económica.

Segundo as previsões do Banco Mundial, o crescimento do PIB do país deverá passar de 3,7% em 2025 para 3,9% em 2026.

Carelle Yourann (Estagiária)

Sete centros financeiros africanos figuram entre os internacionais mais competitivos, mas apenas dois estão no Top 50 global

A Casablanca Finance City (CFC) destronou o centro financeiro de Maurício, assumindo o título de centro financeiro mais competitivo de África, segundo a 39.ª edição do «Global Financial Centres Index» (GFCI), publicada na quinta-feira, 26 de março de 2026, pelo think tank londrino Z/Yen Group em colaboração com o China Development Institute.

A CFC ocupa o 49.º lugar neste índice semestral, que avalia 120 centros financeiros internacionais com base na sua competitividade e atratividade para investidores, profissionais da área financeira e empresas em todo o mundo.

Casablanca Finance City subiu sete posições em relação à edição anterior do relatório e ocupa agora o 4.º lugar na região África & Médio Oriente, atrás apenas dos centros financeiros dos Emirados de Dubai, Abu Dhabi e Doha. Este hub financeiro, voltado para o continente africano, serve como porta de entrada para a África e conta com mais de 200 empresas membros, distribuídas em quatro categorias principais: instituições financeiras, sedes regionais de multinacionais, prestadores de serviços e holdings.

O Mauritius International Financial Centre, em Maurício, ocupa a segunda posição africana e o 50.º lugar global, subindo duas posições em comparação com a edição anterior do GFCI.

O centro financeiro de Kigali (Rwanda, 72.º global) é o terceiro a nível africano, apesar de ter caído sete posições, à frente de Joanesburgo (África do Sul), que subiu 14 posições e se posiciona no 80.º lugar global e 4.º na África. Seguem-se os centros financeiros da Cidade do Cabo (África do Sul, 96.º global), Nairóbi (Quénia, 114.º) e Lagos (Nigéria, 118.º).

Dos sete centros africanos presentes no ranking, quatro registaram progressos em relação à 38.ª edição do GFCI (Casablanca, Maurício, Joanesburgo e Lagos), enquanto três recuaram (Kigali, Nairóbi e Cidade do Cabo).

Segundo a pesquisa com participantes ativos nos mercados financeiros globais, Maurício, Kigali e Casablanca estão também entre os 15 centros com maior potencial de crescimento nos próximos dois a três anos.

Metodologia baseada em dados e perceção de mercado

O GFCI avalia os centros financeiros com base em duas principais fontes de dados. A primeira integra 147 indicadores quantitativos de competitividade distribuídos por cinco categorias: ambiente de negócios, capital humano, infraestruturas, desenvolvimento do setor financeiro e reputação. Esses dados provêm de instituições multilaterais como o Banco Mundial, o Fórum Económico Mundial (WEF), a ONU e a OCDE.

A segunda fonte é uma pesquisa com 5.218 participantes ativos em centros financeiros globais, incluindo gestores de ativos, traders, bancos e empresas de tecnologia financeira.

No ranking global, Nova Iorque mantém-se no topo, seguida por Londres, Hong Kong, Singapura, São Francisco e Xangai.

Walid Kéfi

 

Enquanto mais de 31% dos jovens malianos entre 15 e 24 anos estão sem emprego, estudo ou formação, segundo o Banco Mundial (2023), Bamaco aposta no setor mineiro para criar uma nova geração de empreendedores qualificados.

O Mali quer transformar seu subsolo em um elevador social. Esse foi o objetivo apresentado na 11.ª edição do Fórum Internacional de Empreendedorismo do Mali (FIDEM), realizada na semana passada em Bamaco.

O tema «Mineração e empreendedorismo: criar cadeias de valor locais sustentáveis» reflete, segundo as autoridades, «a firme vontade de transformar nossos recursos naturais em um motor poderoso de desenvolvimento económico, colocando o empreendedor maliano no centro desta dinâmica de criação de riqueza».

Durante a cerimónia de abertura, a ministra do Empreendedorismo Nacional, Emprego e Formação Profissional, Oumou Sall Seck, apresentou um plano baseado no «patriotismo económico», assente em quatro compromissos concretos: produção, transformação, consumo e investimento no país.

«Por que continuar a exportar nossos recursos em estado bruto? Por que deixar a criação de valor de nossas riquezas para outros?», questionou diante da assembleia.

Uma estratégia nacional para mudar de trajetória

Para concretizar esta ambição, o governo adotou uma Estratégia Nacional de Empreendedorismo, com o objetivo de transformar o país, até 2063, numa nação impulsionada pela criação de empresas. Bamaco estrutura esta visão em seis eixos prioritários, que vão desde a melhoria do ambiente de negócios até ao fortalecimento da cultura empreendedora, passando pelo acesso ao financiamento e promoção da inovação.

No Mali, o setor mineiro é uma fonte importante de receitas para o Estado. Segundo a Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extractivas (ITIE-Mali 2023), as receitas do setor atingiram 644 mil milhões de FCFA, cerca de 1,13 mil milhões de dólares. O ouro é o pilar, com 65.910 kg extraídos, valorizados em 1.926 mil milhões de FCFA, principalmente nas regiões de Kayes e Sikasso. Historicamente, representa 75% das exportações malianas e mais de 7% do PIB. No entanto, este peso económico não se traduz em empregos qualificados e duradouros para a população.

Uma juventude em busca de oportunidades

No Mali, o panorama social é preocupante. O Instituto Nacional de Estatística (INSTAT) estimava a taxa de desemprego em 3,5% em 2024, mas esse número oculta uma realidade muito mais severa. Como na maioria dos países africanos, a economia maliana é dominada pelo setor informal e pela agricultura de subsistência, que concentram grande parte da força de trabalho em condições muitas vezes precárias.

O Boletim de Indicadores do Mercado de Trabalho 2024, publicado pelo Ministério da Economia e Finanças em outubro do mesmo ano, indica que, no período de 2021-2022, o número de desempregados era de cerca de 163.777 pessoas, ou 2,4% da força de trabalho. A proporção de mulheres desempregadas era de 3,2%, contra 1,2% dos homens.

A situação dos jovens é ainda mais crítica. A taxa de desemprego dos 15-35 anos atingia 3,6%, o nível mais alto entre todas as faixas etárias. Segundo o Afrobarometer, um quarto dos malianos entre 18 e 35 anos está em situação de total precariedade, sem emprego, escola ou formação, afetando mais as mulheres (42 a 45%) do que os homens (11 a 17%).

Nessas condições, o FIDEM 2026 coloca uma questão central sobre a inserção profissional dos malianos, especialmente da juventude. A resposta dependerá da capacidade do Mali de formar rapidamente, de forma eficaz, e de cumprir seus compromissos.

Félicien Houindo Lokossou

 

 

RUBRIQUE :  SEçÕES

Sous rubrique: reflexão

Por Diaka Camara, jornalista, produtora e fundadora da agência CBC Worldwide Com & Prod, presidente da Fundação Diaka Camara.

Ainda me lembro daquele momento, em 2011, quando voltei à Guiné após anos nos Estados Unidos. Na minha bagagem: um diploma em jornalismo pela Universidade de Houston, referências e experiências acumuladas, e uma convicção um pouco ousada: a Guiné tinha histórias para contar ao mundo. Histórias que mereciam uma câmera, um roteiro e uma difusão internacional. Muitos me disseram que era cedo demais, que o mercado não estava pronto. Ainda assim, lancei a CBC Worldwide.

“Ainda assim, lancei a CBC Worldwide.”

E hoje, mais de dez anos depois, não digo isso para me elogiar. Digo porque o que construímos — programas de sucesso, a primeira reality show da África Ocidental francófona, documentários transmitidos na Africa 24, parcerias com UNICEF, Canal+ e UNESCO — não surgiu sozinho. Isso exigiu construir pedra por pedra, criando coletivamente uma infraestrutura sólida para a indústria cultural guineense. É exatamente disso que quero falar aqui.

Um país rico pelos seus criadores

A Guiné transborda talento. Seus músicos, cineastas emergentes, empreendedores criativos e uma juventude conectada e ambiciosa constituem um capital humano excepcional. Conacri vibra. As ideias florescem. A energia é palpável e contagiante. E é essa energia — que vi com meus próprios olhos desde que voltei — que me convence de que o país está pronto para a próxima etapa.

O que aprendi ao longo desses anos é que talento, por si só, não basta para construir uma indústria. Ele precisa de um quadro. Não para restringir, mas para amplificar. O talento guineense merece ser visto, distribuído e reconhecido, não apenas localmente, mas internacionalmente.

“A Guiné tem histórias para contar ao mundo. Agora, é preciso dar-lhes o palco que merecem.”

O que a África nos ensina

Em todo o continente, as indústrias criativas ocupam um lugar estratégico nas economias nacionais. Na Nigéria, Nollywood tornou-se hoje uma economia completa, geradora de divisas, empregos e influência diplomática. No Marrocos e em Ruanda, comissões nacionais de cinema atraem produções internacionais, injetando milhões de dólares nas economias locais.

Esses países entenderam algo essencial: a cultura não é um setor secundário. É um vetor de atração, imagem e investimento. A Guiné possui todos os ingredientes para escrever sua própria versão desse sucesso. Sua música brilha muito além das fronteiras. Sua diáspora está engajada. E sinais recentes — o crescente interesse de atores estrangeiros do cinema e da mídia por Conacri — confirmam que a curiosidade existe. Agora, é necessário transformar essa curiosidade em parcerias duradouras.

Simandou 2040: quando a visão nacional valoriza a cultura

Há um sinal político importante que quero destacar, que muda profundamente o jogo para nossa indústria criativa: o programa Simandou 2040, promovido por Sua Excelência o Presidente da República, Mamadi Doumbouya.

Se Simandou é naturalmente associado à exploração do maior depósito de minério de ferro não explorado do mundo, o que chama minha atenção como protagonista da indústria cultural é seu segundo pilar: o destaque da cultura guineense no cenário internacional.

É um sinal raro, e é preciso compreender toda a sua dimensão. Raramente na história recente da Guiné, uma visão de desenvolvimento nacional conferiu explicitamente à cultura o status de alavanca estratégica, ao mesmo nível das minas, infraestruturas ou governança.

Isso significa que o destaque da música guineense, do cinema emergente, do artesanato, do patrimônio imaterial e das indústrias criativas não é mais uma ambição de alguns empreendedores isolados. Agora é uma prioridade do Estado.

E esse reconhecimento muda tudo: abre portas para financiamentos públicos estruturados, parcerias diplomáticas baseadas na cultura e uma estratégia de soft power coerente e assumida.

M. Djiba Diakité, Ministro Diretor de Gabinete da Presidência da República da Guiné e Presidente do Comité Estratégico de Simandou. Diaka Camara, CEO da CBC Worldwide Com&Prod e Presidente da Fundação Diaka Camara

Para quem, como eu, passou anos a convencer investidores, parceiros e instituições de que a cultura guineense era um mercado sério, essa orientação do programa Simandou 2040 é uma validação. Mas é também uma responsabilidade coletiva.

Porque uma visão presidencial só produz efeito se os atores do setor — produtores, criadores, empreendedores e instituições — se mobilizarem para transformá-la em projetos concretos, parcerias duradouras e resultados visíveis.

“Quando o chefe de Estado faz da cultura um pilar do desenvolvimento nacional, cabe a nós, atores do setor, estar à altura dessa ambição.”

Próximas etapas

O que chamo de “estruturar” é concreto.

É um quadro regulatório claro para a produção audiovisual, que protege coproduções locais e internacionais.

São mecanismos de financiamento adaptados — fundos setoriais, incentivos fiscais e garantias — que permitem a um produtor guineense desenvolver projetos ambiciosos.

São parcerias público-privadas que se traduzem em infraestruturas reais: estúdios, formação técnica e plataformas de distribuição.

E é uma estratégia de atração para filmagens estrangeiras, pois cada equipe internacional que grava na Guiné traz visibilidade, formação e divisas.

Nesse contexto, o programa Simandou 2040 pode desempenhar um papel catalisador decisivo: direcionando parte dos retornos econômicos do projeto mineiro para o financiamento das indústrias criativas, apoiando a criação de um fundo nacional da cultura e associando os objetivos de projeção internacional a indicadores mensuráveis, como número de coproduções, presença em festivais internacionais e exportação de conteúdos guineenses em plataformas globais.

Esses projetos não são utópicos. São a próxima etapa lógica de um movimento já iniciado, conduzido por empreendedores, artistas e instituições que acreditam neste país, e agora apoiado por uma vontade política ao mais alto nível do Estado.

O soft power se constrói

Coloquei a minha imagem em campanhas contra a excisão, contra o Ebola, pelo empoderamento das mulheres, não por cálculo, mas porque acredito profundamente que os media e a cultura carregam uma responsabilidade social.

“Porque acredito profundamente que os media e a cultura carregam uma responsabilidade social.”

E, em troca, vi como um conteúdo bem elaborado pode mudar perceções, abrir debates e alterar normas. Essa é a força de uma indústria cultural viva.

O soft power de um país não se decreta. Constrói-se, com método e consistência.

Hoje, a Guiné tem uma janela aberta: uma geração criativa impaciente, instituições que querem falar de imagem e atratividade, investidores da diáspora e do continente que procuram terrenos sérios.

E hoje, tem algo a mais: uma visão nacional que coloca a cultura no coração do projeto de desenvolvimento.

Não podemos perder este momento. Não reinventando tudo, mas consolidando o que existe, profissionalizando o que ainda está em germinação e dando uma dimensão económica a uma energia criativa que já transborda.

O futuro cultural da Guiné é uma decisão estratégica. E esta decisão, se tomada em conjunto — empreendedores, criadores, Estado e parceiros —, pode tornar-se um verdadeiro motor de desenvolvimento sustentável.

Diaka Camara é jornalista, produtora e fundadora da CBC Worldwide, a primeira agência de produção audiovisual na Guiné. Fundadora da Fundação Diaka Camara para a Educação e Empoderamento das Mulheres. Outstanding Global Leader — Congresso dos Estados Unidos.

 

Nos últimos anos, a Finlândia tem apostado no setor digital para se aproximar dos países africanos. Após Nigéria, Etiópia e Gana, o país do Norte da Europa está a considerar uma colaboração com o Senegal.

Na quinta-feira, 26 de março, o ministro senegalês da Comunicação, Telecomunicações e Digital, Alioune Sall, recebeu uma delegação finlandesa liderada por Outi Holopainen, subsecretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, durante a segunda sessão de consultas políticas com a Finlândia.

As duas delegações analisaram projetos digitais, incluindo infraestruturas, a criação de um centro de dados compatível com inteligência artificial (IA), a conectividade dos serviços públicos, cabos submarinos, assim como dois temas cruciais: desinformação e educação mediática dos cidadãos.

Este estreitamento de relações com Helsínquia demonstra a vontade de Dakar de ampliar a sua rede de parceiros tecnológicos. Com o lançamento operacional do New Deal Tecnológico, o país precisa diversificar os seus parceiros para alcançar, dentro dos prazos definidos pelas autoridades, os objetivos de transformação digital.

Nos últimos meses, Dakar aproximou-se de várias empresas tecnológicas, como a americana Visa ou a chinesa Huawei, bem como de organizações internacionais, como a União Internacional de Telecomunicações ou o Banco Mundial, para apoiar os seus projetos digitais e tecnológicos.

A Finlândia, por seu lado, integra a estratégia europeia Global Gateway, lançada em 2021 pela União Europeia, que visa desenvolver ligações inteligentes, fiáveis e seguras com o resto do mundo em diversos setores, incluindo o digital. Esta iniciativa pretende mobilizar até 300 mil milhões de euros (345 mil milhões de dólares) de investimentos para atingir estes objetivos.

No entanto, Senegal e Finlândia ainda não assinaram um acordo oficial.

Adoni Conrad Quenum

 

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