Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin
Equipe Publication

Equipe Publication

A África do Sul é o principal parceiro comercial da China em África, com trocas bilaterais que atingiram 34 mil milhões de dólares em 2024.

O ministro sul-africano do Comércio, Parks Tau, e o seu homólogo chinês, Wang Wentao, assinaram um acordo de parceria económica à margem dos trabalhos da Comissão Mista sobre Comércio e Economia (JETC), realizados esta semana. Este quadro de cooperação visa conceder às exportações da nação arco-íris acesso isento de direitos aduaneiros ao mercado do gigante asiático, ao mesmo tempo que incentiva os fluxos de investimento chineses para a África do Sul.

As discussões centraram-se no reforço da parceria económica bilateral, na otimização das trocas comerciais e na promoção de exportações sul-africanas com maior valor acrescentado. Os debates abrangeram igualmente setores estratégicos como a industrialização, as infraestruturas, o comércio agrícola, as energias renováveis e a cooperação tecnológica.

Esta iniciativa surge num momento em que a África do Sul enfrenta um grande diferendo tarifário com os Estados Unidos, o seu segundo maior parceiro comercial, marcado pela aplicação de direitos aduaneiros de 30%. Neste contexto, as autoridades estão a intensificar a sua reorientação para os mercados asiáticos, com o objetivo de obter condições comerciais mais favoráveis para setores-chave como a mineração, a agricultura e a indústria de transformação.

Nos últimos anos, as trocas comerciais entre Pretória e Pequim registaram um crescimento contínuo, afirmando-se a capital chinesa como um importante mercado de destino para minerais, produtos agrícolas e bens manufaturados sul-africanos. Em paralelo, Pretória importa da China uma vasta gama de máquinas, equipamentos eletrónicos e bens de consumo.

Ingrid Haffiny (estagiária)

 

Essaouira é uma cidade costeira de Marrocos situada no oceano Atlântico, na região de Marrakech-Safi, a cerca de duas horas e meia de carro de Marrakech. Ela se destaca pelo clima ameno e muito ventilado, que influencia o ritmo da vida local e a experiência dos visitantes. Seu tamanho moderado e sua atmosfera marítima fazem dela um destino diferente das grandes cidades turísticas do país.

1 Essaouira

A medina de Essaouira, inscrita no Patrimônio Mundial da UNESCO, constitui o coração histórico da cidade. Ela é organizada segundo um traçado relativamente regular, ligado ao seu planejamento no século XVIII, quando Essaouira foi concebida como um porto estratégico. As muralhas, os bastiões e os canhões voltados para o mar formam uma paisagem urbana muito reconhecível, onde se misturam influências marroquinas e europeias.

2 Shopping Essaouira street

O porto continua sendo um espaço econômico central, com uma atividade diária de pesca e um comércio local dinâmico. Ele estrutura profissões ligadas à venda, à reparação das embarcações e à transformação dos produtos do mar. Para os visitantes, oferece uma leitura concreta da cidade, para além dos espaços patrimoniais e dos locais dedicados ao turismo.

3 que faire medina essaouira scaled

O artesanato ocupa um lugar importante, especialmente através do trabalho com a madeira de tuia, usada para fabricar objetos decorativos e móveis. A medina também abriga oficinas de joalheria, têxteis, couro e pintura. Essa atividade artesanal contribui para a economia local e para a identidade visual de Essaouira, embora a oferta varie entre produção tradicional, objetos contemporâneos e produtos destinados ao mercado turístico.

4 47887339 0187 4988 b173 6abf9fdca524

A história de Essaouira é marcada por trocas comerciais e culturais, ligadas à sua posição marítima. A cidade acolheu diferentes comunidades, entre elas uma importante população judaica, por muito tempo ativa no comércio. Hoje, Essaouira conserva a reputação de cidade cultural, reforçada pela presença de eventos, galerias e pelo festival dedicado às músicas gnawa, que contribui para a visibilidade nacional e internacional da cidade.

5 9048

O litoral de Essaouira favorece passeios e atividades ligadas ao vento, como o windsurf e o kitesurf. A praia principal é ampla e de fácil acesso, mas o banho depende das condições climáticas e das correntes. A oferta turística baseia-se numa combinação de riads, hotéis e casas de hóspedes, atraindo tanto visitantes de passagem quanto pessoas em estadias mais longas, vindas pelo patrimônio, pelo mar e pela atmosfera urbana.

O Banco Mundial, envolvido em várias iniciativas de transformação digital no Burkina Faso, empreendeu um balanço sobre o andamento desses diferentes projetos.

Aminata Zerbo/Sabane, ministra burquinense responsável pelas TIC, recebeu na quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, uma delegação do Banco Mundial liderada por Jana Kunicova, diretora setorial responsável pelo desenvolvimento digital na África Ocidental e Central.

As discussões abordaram o progresso do Projeto de Aceleração da Transformação Digital (PACTDIGITAL) e do WURI (West Africa Unique Identification for Regional Integration and Inclusion).

No meio do percurso, o Banco Mundial congratulou-se com os avanços alcançados. « A diretora setorial expressou sua satisfação com os progressos realizados, notadamente a cobertura em andamento de 750 zonas brancas, um sinal forte para a inclusão digital do país. Para manter essa dinâmica, foram identificadas soluções para acelerar o desdobramento do PACTDIGITAL até junho de 2026 », indicou o ministério.

Para 2026, o plano de ação mencionado foca em quatro alavancas: a expansão da rede, a construção de centros de hospedagem de dados, a criação de pontos de acesso aos serviços públicos digitais e o reforço da fibra óptica.

Através dessas prioridades, o Banco Mundial confirma seu papel como parceiro financeiro e técnico fundamental na estratégia digital do Burkina Faso, em um contexto onde as infraestruturas digitais são cada vez mais vistas como motores de modernização do Estado e de desenvolvimento econômico.

Adoni Conrad Quenum

A IHS Towers afirma possuir mais de 37.000 torres de telecomunicações na América Latina e na África. No continente, a empresa está presente na África do Sul, Zâmbia, Camarões, Nigéria e Costa do Marfim.

O grupo sul-africano MTN informou, na quinta-feira, 5 de fevereiro, estar em discussões avançadas para adquirir a empresa de torres IHS Towers, da qual já detém 25% do capital. Embora o desfecho da transação ainda seja incerto, a operação indica uma possível entrada mais profunda no mercado de torres de telecomunicações, alinhada à estratégia de diversificação do grupo com sede em Joanesburgo.

Em comunicado à Bolsa de Valores de Joanesburgo, a MTN destacou que o preço potencial da oferta poderia alinhar-se ao último valor de negociação da IHS na Bolsa de Nova York (NYSE) em 4 de fevereiro de 2026, de US$ 8,23. Com 333,4 milhões de ações em circulação, a capitalização de mercado da empresa atinge US$ 2,74 bilhões. O valor correspondente para os 75% das ações visadas poderia, portanto, chegar a cerca de US$ 2,06 bilhões.

Essa tentativa de aquisição ocorre num momento em que a MTN observa que as ações da IHS Towers na NYSE tiveram “um aumento significativo recentemente”. A empresa ressalta que, caso a transação não se concretize, continuará a “explorar opções para gerar valor sobre seu investimento na IHS”.

Diversificação das atividades

A iniciativa ocorre enquanto a MTN, como muitas operadoras africanas, está passando de operadora de telecomunicações a empresa tecnológica. A companhia busca atender à demanda por soluções, serviços e infraestruturas digitais na África, mesmo com a redução da receita em segmentos tradicionais, como voz.

Ralph Mupita, CEO da MTN, revelou recentemente à Semafor que o grupo procura startups fintech que possam ser adquiridas e integradas diretamente à sua plataforma, incluindo empresas nos setores de pagamentos, empréstimos e transferências de fundos, reforçando a crescente atividade fintech da MTN.

“Trata-se de fortalecer a plataforma. Se uma aquisição nos ajudar a crescer mais rápido, melhorar a experiência do cliente ou agregar novas capacidades ao grupo, é isso que nos interessa”, afirmou Mupita.

Essa exploração vem alguns meses depois de a MTN ter firmado uma parceria com o fornecedor britânico de software de vídeo Synamedia para desenvolver uma nova plataforma de streaming em abril de 2025. Em março, a empresa lançou o MTN Ads, uma plataforma de publicidade digital criada em parceria com a Aleph, e em julho de 2024 anunciou a construção de um data center Tier 4 neutro em relação às operadoras em Lagos, Nigéria. Em setembro de 2025, a empresa revelou que buscava parceiros internacionais para desenvolver data centers dedicados a IA no continente.

Paralelamente, a operadora tornou independente sua filial de infraestrutura Bayobab (anteriormente MTN GlobalConnect), com o objetivo de criar uma plataforma de infraestrutura digital aberta de classe mundial, acessível tanto à MTN quanto a terceiros.

O mercado africano de torres de telecomunicações

A MTN havia inicialmente vendido parte de seu portfólio de torres à IHS Towers, seguindo uma tendência do setor de liberar valor. Em 2022, a empresa finalizou a venda de 5.701 torres por US$ 412 milhões. Desde 2013, a IHS já havia adquirido torres da MTN na Costa do Marfim, Camarões, Zâmbia, Ruanda e Nigéria, além de ter comprado torres de outros fornecedores em diversos mercados.

O interesse renovado no mercado de torres ocorre num contexto de crescimento contínuo do setor africano. Segundo estudo de 2025 da Mordor Intelligence, o rápido avanço da 4G e 5G levou os operadores pan-africanos a multiplicar os sites, especialmente em grandes cidades como Lagos, Nairóbi e Joanesburgo, gerando alta demanda por colocation e novas infraestruturas.

Dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT) indicam que a penetração da 4G e 5G é de 75,2% e 11,8%, respectivamente, enquanto a 2G e 3G alcançam 94,1% e 88,8%.

O aumento no consumo de dados e a penetração crescente de smartphones, impulsionados pelo streaming, redes sociais e pagamentos móveis, aumentam o volume de dados por assinante, exigindo sites mais robustos para múltiplos operadores. Além disso, mandatos governamentais e fundos de serviço universal financiam a construção de torres em áreas rurais e de difícil acesso, garantindo receitas mínimas e reduzindo riscos para as TowerCos.

No momento, o mercado conta com outros grandes players, como American Tower Corporation, Helios Towers Plc, SBA Communications Corporation e Pan African Towers. Outras operadoras estão presentes, como a Axian Telecom com sua TowerCo of Africa (TOA), ativa em Madagascar, RDC, Uganda e Tanzânia. A Indus Towers, majoritariamente detida pela Bharti Airtel (controladora da Airtel Africa), anunciou em setembro de 2025 sua expansão no continente, começando pela Nigéria, Uganda e Zâmbia.

Segundo a Mordor Intelligence, o tamanho do mercado africano de torres de telecomunicações deve atingir US$ 4,03 bilhões em 2026, com crescimento anual médio de 3,35%, chegando a US$ 4,75 bilhões nos anos seguintes.

O MTN Group registrou receita de 188 bilhões de rands em 2024, queda de 15% em relação a 2023, e prejuízo após impostos de 11,2 bilhões de rands, contra lucro de 4 bilhões de rands no ano anterior.

Isaac K. Kassouwi

Sendo um país sem litoral, o Chade não tem acesso direto ao mar nem aos cabos submarinos que transportam quase todo o tráfego global de internet. O país depende, portanto, de interconexões com vizinhos costeiros, como Camarões, para garantir sua conectividade internacional.

O governo chadiano tem exercido pressão sobre as operadoras SOTEL e Airtel para acelerar a reabilitação da rota de fibra óptica N’Djamena–Mberé, um eixo estratégico para a conectividade nacional. Para que os trabalhos comecem efetivamente, as duas empresas precisam revisar o protocolo de acordo assinado em abril de 2025, suspenso posteriormente devido a algumas cláusulas consideradas contrárias aos princípios de soberania digital.

Durante uma reunião na quinta-feira, 5 de abril, Boukar Michel, ministro das Telecomunicações, Economia Digital e Digitalização do Estado, fez observações precisas. Ele convidou a SOTEL a iniciar negociações com a Airtel para corrigir as cláusulas problemáticas, adotar adendos que estejam de acordo com os interesses estratégicos do Estado e proceder à assinatura dos mesmos.

Segundo as autoridades, essas ações refletem uma “vontade constante de reforçar a qualidade da rede nacional de telecomunicações, melhorar a continuidade e o desempenho dos serviços, garantindo o respeito aos imperativos de soberania digital, segurança e interesse público”.

O eixo N’Djamena–Mberé é estratégico, pois conecta a capital chadiana à fronteira com Camarões, atualmente o único ponto de entrada para as capacidades internacionais provenientes dos cabos submarinos. No âmbito de um acordo assinado em maio de 2025, Camarões comprometeu-se a colocar rapidamente em operação o trecho Nana–Mberé, entre outros.

Ao se conectar a essa rota, o Chade diversifica suas entradas de conectividade, hoje limitadas a Kousseri. As autoridades temem que incidentes técnicos nessa rota deixem o país isolado digitalmente, como ocorreu em outubro de 2024, quando o Chade ficou sem internet por mais de 24 horas. Outras interrupções, de menor escala, também ocorreram desde então.

Além de Camarões, o Chade explora outras opções para seu desenvestimento digital, incluindo o projeto da Espinha Dorsal Transaariana de fibra óptica (DTS), que oferece acesso aos cabos submarinos no Mediterrâneo e no Atlântico via Níger, Nigéria, Mali, Burkina Faso, Mauritânia, Argélia e Tunísia. O país também se aproximou da Líbia e do Egito, sendo este último o país africano mais conectado aos cabos submarinos.

Isaac K. Kassouwi

Em 2025, o Ministério do Digital de Burkina Faso atingiu a maior parte de seus objetivos, registrando avanços em conectividade, serviços públicos online e inclusão digital.

O Burkina Faso registrou um progresso significativo na implementação de seu contrato de metas para 2025, com uma taxa de realização de 91% no âmbito do Ministério da Transição Digital, dos Correios e das Comunicações Eletrônicas. Esses resultados foram apresentados durante a sessão de avaliação realizada na terça-feira, 3 de fevereiro, sob a presidência do Primeiro-Ministro Rimtalba Jean Emmanuel Ouédraogo.

De acordo com o comunicado oficial do ministério, o ano de 2025 foi considerado um ano “marco” para o departamento responsável pela transição digital e pelos correios, tanto pela amplitude dos projetos iniciados quanto pelos resultados concretos alcançados. Em termos de conectividade, 370 novas localidades foram conectadas à rede telefônica, oferecendo, pela primeira vez, às suas populações acesso efetivo a serviços de telefonia e à internet, contribuindo para a redução da exclusão digital.

Além da expansão da conectividade, várias realizações estruturantes marcaram o ano. A modernização da administração pública avançou com 272 plataformas de serviços online desenvolvidas ou em fase de implementação, das quais 146 já operacionais, facilitando o acesso de cidadãos e empresas aos serviços públicos. No campo da inclusão digital, foi assinado um contrato de metas entre o Estado e os Correios para a construção de 20 “Zama Tchéy” ou Casas do Cidadão, destinadas a apoiar principalmente as populações mais vulneráveis no uso de serviços digitais.

Para 2026, o ministério pretende capitalizar esses ganhos. As prioridades incluem a implementação de um sistema de registro para identificação eletrônica única da pessoa, com a meta de registrar sete milhões de pessoas até o final do ano. A continuação do projeto “zero zona branca”, com cobertura de 750 novas localidades, a construção de uma rede dedicada à administração pública e o desenvolvimento de ferramentas nacionais de mensagens e colaboração digital também estão entre as ações planejadas.

Paralelamente, um centro de supervisão de infraestruturas digitais foi lançado em janeiro de 2026, a fim de reforçar a capacidade do país de proteger e gerenciar seus sistemas digitais críticos. Para a implementação de todos esses projetos, o ministério mobilizou um orçamento de 61 bilhões de francos CFA, cerca de 109,7 milhões de dólares.

Apesar desses avanços, Burkina Faso ainda enfrenta desafios estruturais, principalmente em termos de penetração da internet e acesso equitativo a serviços digitais de qualidade em todo o território. Segundo o DataReportal, o país contava com 5,42 milhões de usuários de internet no final de 2025, com uma taxa de penetração de 22,4%. No mesmo período, havia 29,3 milhões de conexões móveis ativas, ou seja, 121% da população total, ilustrando um importante potencial de desenvolvimento do uso de serviços digitais.

Samira Njoya

Após meses de divergências, Mali e Barrick Mining anunciaram, em novembro de 2025, a conclusão de um novo acordo. O objetivo era resolver os litígios em andamento e permitir a retomada das atividades na mina de ouro Loulo-Gounkoto.

No Mali, o grupo canadense Barrick Mining prevê uma produção atribuível entre 260.000 e 290.000 onças de ouro em 2026 na mina Loulo-Gounkoto, segundo seu relatório financeiro publicado na quinta-feira, 5 de fevereiro. Mais do que a previsão em si, essa indicação marca sobretudo o retorno deste ativo aos planos de produção do grupo, após ter sido excluído no ano passado devido às tensões persistentes com o Estado maliense.

Um terreno de entendimento finalmente encontrado

Maior mina de ouro do Mali, Loulo-Gounkoto esteve no centro de um longo impasse entre Barrick e as autoridades de Bamako. O conflito surgiu da intenção do Estado de aplicar à mina as disposições do novo Código de Mineração de 2023, alcançando um ponto crítico em janeiro de 2025, quando a companhia fechou o local após a apreensão pelo governo de um estoque de ouro. Na sequência, a Barrick retirou o projeto de suas previsões de produção para o exercício.

O site permaneceu inativo até junho, quando foi colocado sob administração provisória a pedido do governo, visando a retomada das operações. Uma evolução ocorreu em novembro, com a assinatura de um acordo para encerrar o litígio. O pacto previa, entre outros pontos, a renúncia de Bamako a todas as acusações contra as subsidiárias malienses da Barrick, bem como a devolução do estoque de ouro apreendido e o controle operacional da mina à companhia.

Em contrapartida, a Barrick comprometeu-se a retirar procedimentos de arbitragem internacional contra o Mali e a pagar 253 milhões de dólares ao Estado. Segundo a nota divulgada pela empresa, este quadro de resolução foi efetivamente implementado, permitindo-lhe retomar o controle operacional do local em 18 de dezembro de 2025, com a produção reiniciando nos últimos dias do ano.

Somando a produção antes do fechamento e a dos últimos dias de 2025, a Barrick declara uma produção atribuível de 29.000 onças, com base em sua participação de 80%. Incluindo os 20% detidos pelo Estado maliense, o total corresponde a aproximadamente 36.200 onças de ouro entregues no ano. Embora relatórios tenham mencionado a retomada sob administração provisória, nenhuma produção relativa a esse período foi registrada até o momento.

Rumo a uma retomada gradual da produção

Para o ano em curso, a Barrick Mining aposta numa retomada gradual em Loulo-Gounkoto. Considerando a participação do Mali de 20% na produção máxima atribuível de 290.000 onças, a mina poderia gerar até 362.500 onças. Em comparação, esse nível ainda é significativamente inferior às 723.000 onças produzidas em 2024. Apesar desse retorno ainda tímido, Loulo-Gounkoto permanece um ativo estratégico para a Barrick.

Após produzir um total de 3,2 milhões de onças de ouro em 2025, o grupo projeta desempenho quase similar em 2026, contando com a contribuição de Loulo-Gounkoto, especialmente após a venda das minas Hemlo e Tongon no ano passado. O portfólio da companhia inclui cerca de dez minas espalhadas por vários continentes, incluindo várias na África, como Kibali (RDC), North Mara e Bulyanhulu na Tanzânia.

Para o Mali, cuja produção industrial caiu 22,9% no ano passado, a retomada de Loulo-Gounkoto é um episódio-chave, sobretudo com a expectativa de aumento prolongado do preço do ouro em 2026, após uma valorização anual de 67% em 2025.

Paralelamente, continuam as discussões sobre a renovação da licença de exploração da mina Loulo, parte integrante do complexo Loulo-Gounkoto. Esta licença, que deveria expirar neste mês, está em processo de prorrogação por mais dez anos, segundo a Barrick, sem detalhar se as negociações consideram o novo código de mineração. Vale lembrar que este regime permite ao Mali deter até 35% de uma mina (sendo 5% reservados a investidores locais), contra 20% anteriormente.

Aurel Sèdjro Houenou

A medida que o urânio se beneficia de um renovado interesse global por projetos de energia nuclear civil, novos investimentos começam a surgir na produção. Na África, essa dinâmica é impulsionada por atores como a Lotus Resources, presente tanto no Malawi quanto no Botswana.

Na sexta-feira, 6 de fevereiro, a mineradora australiana Lotus Resources anunciou a conclusão de uma colocação de ações lançada no início da semana, arrecadando 76 milhões de dólares australianos (53 milhões de dólares americanos). Segundo a empresa, esse financiamento servirá para reforçar seu caixa, enquanto continua o desenvolvimento de seus projetos de urânio Kayelekera, no Malawi, e Letlhakane, no Botswana.

“Estamos entusiasmados com o apoio recebido de nossos acionistas institucionais, que nos garante maior liquidez durante a fase de ramp-up da produção até atingir a produção plena e a primeira entrega prevista para o segundo trimestre de 2026. Esse financiamento nos permite ter um balanço mais simplificado e flexível, além de maior visibilidade sobre nosso financiamento à medida que Kayelekera gera fluxos de caixa positivos”, declarou Greg Bittar, diretor-geral da companhia.

Em agosto de 2025, a Lotus Resources anunciou o lançamento de Kayelekera, uma mina que deverá produzir em média 2,4 milhões de libras de urânio por ano durante 10 anos. Paralelamente, as ambições da Lotus no urânio africano se estendem também ao Botswana, onde continua avaliando o potencial de Letlhakane. Segundo um estudo preliminar, este projeto poderá, no futuro, entregar em média 3 milhões de libras de urânio por ano durante 10 anos.

Esses parâmetros estão atualmente sendo atualizados no âmbito de um estudo de pré-viabilidade, com conclusão prevista para o segundo semestre deste ano. No contexto, a Lotus busca aproveitar plenamente o crescimento esperado do mercado de urânio, cuja demanda deve aumentar devido à retomada de projetos de energia nuclear civil globalmente. Essa dinâmica já elevou os preços à vista do combustível acima de 100 USD por libra no final de janeiro.

“Os preços do yellowcake permanecem elevados, pois espera-se que a capacidade de produção de energia nuclear continue a crescer para atender à demanda de centros de dados e eletrificação”, explica a Trading Economics.

Resta observar como a Lotus aproveitará esse cenário nos próximos meses, primeiro com Kayelekera e, potencialmente, a longo prazo, com Letlhakane. Para os países anfitriões, a continuidade dos investimentos até a concretização desses projetos oferecerá uma nova fonte de receita mineral.

Aurel Sèdjro Houenou

Confrontado com uma recrudescência de eventos climáticos extremos, Moçambique vê a resiliência das suas infraestruturas de transporte voltar a tornar-se uma questão central. Essencial para a continuidade das trocas comerciais e o abastecimento dos mercados, a reparação das vias danificadas coloca novamente desafios de financiamento.

Em Moçambique, o custo da reabilitação da rede rodoviária após as recentes inundações está agora estimado em cerca de 3,5 mil milhões de USD, segundo o ministro dos Transportes e da Logística, João Matlombe. Segundo ele, um primeiro plano de intervenção de 1,2 mil milhões de USD tinha sido aprovado em 2025 para a reabilitação de vários troços da principal autoestrada norte-sul (EN1), bem como de estradas regionais. «No entanto, tendo em conta os danos recentes, o custo total necessário para reparar toda a rede ascende a 3,5 mil milhões de dólares», indicou. Acrescentou que a rede ferroviária também sofreu danos, implicando trabalhos de reparação adicionais.

Segundo um comunicado das Nações Unidas, as fortes chuvas que caíram durante vários dias danificaram mais de 5.000 km de estradas em nove províncias do país. Entre as infraestruturas afetadas está a estrada que liga a capital Maputo ao resto do território, tornando-se intransitável em alguns pontos. Esta situação perturba a mobilidade das populações e as cadeias de abastecimento, num país onde o transporte rodoviário constitui a espinha dorsal das trocas internas. Embora trabalhos de emergência tenham permitido, segundo a imprensa local, restabelecer parcialmente a circulação em alguns eixos estratégicos, várias regiões permanecem ainda de difícil acesso, devido à falta de infraestruturas funcionais.

Para além da urgência humanitária e logística, estas necessidades de financiamento ilustram um desafio estrutural para o país. Regularmente atingido por choques climáticos, Moçambique dedica uma parte significativa dos seus recursos à reconstrução de infraestruturas danificadas, em detrimento da expansão da rede. Uma situação que retarda os esforços de integração, desenvolvimento económico nacional e fluidez dos corredores de transporte.

Localizado na costa sudeste de África, frente ao Oceano Índico, uma das bacias ciclónicas mais ativas do mundo, Moçambique é um dos países mais expostos a riscos climáticos. Este contexto reforça a necessidade de investimentos acrescidos em infraestruturas de transporte mais resilientes, incorporando normas adaptadas aos efeitos das alterações climáticas.

Henoc Dossa

Diante da persistente fraqueza da demanda por diamantes naturais, a De Beers continua ajustando sua estratégia operacional. O grupo, que obtém a maior parte de sua produção do Botswana, já havia revisado para baixo suas metas de produção global em 2025.

Enquanto o mercado de diamantes naturais permanece geralmente deprimido, a De Beers continua a adotar uma postura de prudência em 2026. Em seu relatório operacional publicado na quinta-feira, 5 de fevereiro, o grupo, ativo principalmente no Botswana, anunciou que agora visa uma produção entre 21 e 26 milhões de quilates este ano, contra uma faixa inicial de 26 a 29 milhões.

Esse novo ajuste prolonga o reequilíbrio de seu plano operacional, após a revisão já realizada em 2025. “As previsões de produção para 2026 foram revisadas para 21-26 milhões de quilates [contra 26-29 milhões de quilates anteriormente], devido ao contexto difícil do mercado de diamantes brutos. A De Beers continua monitorando a evolução deste mercado para ajustar sua produção à demanda”, indicou a companhia em nota.

Nos últimos anos, a demanda mundial por diamantes naturais caiu significativamente, principalmente devido à crescente concorrência dos diamantes sintéticos. A De Beers busca se adaptar a essa evolução ajustando suas metas de produção aos níveis de demanda do mercado. Em 2025, o grupo já havia anunciado uma revisão de seu plano, visando uma produção entre 20 e 23 milhões de quilates, contra uma faixa inicial de 30 a 33 milhões.

Embora essa meta tenha sido atingida, com 21,6 milhões de quilates finalmente declarados, resultou em uma queda de 12% na produção anual. No Botswana, onde a De Beers explora principalmente as minas de Jwaneng e Orapa, o grupo registrou uma redução de 16% na produção. Na Namíbia, o resultado das operações ficou 7% abaixo em relação ao ano anterior. Apenas a mina sul-africana de Venetia registrou um aumento (3%), enquanto a produção canadense também caiu 7%.

Embora a abordagem da De Beers seja uma prudência assumida, ela não é isenta de consequências para os países anfitriões, especialmente o Botswana, cuja economia depende historicamente das receitas da exploração de diamantes. Para 2025, as autoridades preveem assim o segundo ano consecutivo de contração econômica (-3%), em um contexto de queda nos volumes de diamantes comercializados.

Resta observar a evolução das dinâmicas do mercado em 2026 e suas potenciais implicações para os planos da De Beers. Paralelamente, a companhia prepara a cisão de sua empresa-mãe, Anglo American, no âmbito da reestruturação anunciada por esta última em 2024.

Aurel Sèdjro Houenou

Page 86 sur 240

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.