No Benim, onde quase metade da população ainda vive em zonas rurais muitas vezes fora da cobertura da rede nacional, a expansão do acesso à eletricidade passa cada vez mais por soluções solares fora da rede.
A Clean Energy and Energy Inclusion for Africa (CEI Africa) e a plataforma de financiamento participativo Energise Africa anunciaram, na quarta-feira, 8 de janeiro de 2026, a mobilização de 2,9 milhões de dólares para financiar a construção de nove mini-redes solares em zonas rurais no Benim. O projeto é liderado pela Mionwa Generation SA, subsidiária do desenvolvedor OnePower.
O financiamento destinado diretamente a estes projetos inclui um empréstimo júnior garantido de 1,5 milhão de USD, concedido pela CEI Africa através da sua plataforma de crowdlending, assim como um empréstimo sénior garantido de 970 000 USD levantado pela Energise Africa, que indica ainda que um montante adicional de 420 000 USD está em mobilização, elevando o total da dívida para cerca de 2,9 milhões USD.
Estes recursos permitirão a construção de nove centrais solares fotovoltaicas com uma capacidade instalada total de 595 kW, acopladas a 1,7 MWh de armazenamento em baterias. Uma vez operacionais, as mini-redes deverão fornecer eletricidade contínua a cerca de 4 700 agregados familiares e atividades económicas locais situados fora da rede nacional.
Para além destes financiamentos de dívida, a CEI Africa concedeu até 972 000 USD em subvenções baseadas em resultados. Por seu lado, a Universal Energy Facility (UEF), um mecanismo de financiamento baseado em desempenho gerido pela Sustainable Energy for All, atribuiu um envelope total de 1,66 milhão USD para cinco locais.
«Este financiamento marca um passo importante para o portfólio OnePower Mionwa no Benim. Ao combinar os financiamentos baseados em resultados da CEI Africa e da UEF com dívida fornecida pela CEI Africa e Energise Africa, conseguimos implementar mini-redes solares sustentáveis, comercialmente viáveis e de qualidade equivalente aos serviços públicos, em comunidades historicamente excluídas da rede central», declarou Matthew Orosz, diretor-geral do One Power Group.
Segundo o Banco Mundial, a taxa de acesso à eletricidade no Benim era de 57 % em 2023. Esta média nacional, porém, esconde fortes disparidades territoriais. Nas zonas rurais, onde a expansão da rede continua mais cara, a taxa de acesso caía para 43 %. A mesma fonte indica que a população rural representava ainda 47 % da população total do país em 2024.
Neste contexto, uma parte significativa dos agregados familiares continua dependente de soluções energéticas limitadas ou pouco fiáveis, reforçando o interesse pelas mini-redes solares como solução de eletrificação sustentável e financeiramente acessível.
Abdoullah Diop
A Costa do Marfim é o 3.º maior produtor de mandioca na África Ocidental, atrás da Nigéria e do Gana. O setor, que pretende reforçar a sua capacidade de produção, está a reorganizar-se para garantir uma melhor coordenação.
Na Costa do Marfim, a Interprofissão do setor da Mandioca (OIA manioc) foi oficialmente lançada a 27 de janeiro, durante uma mesa-redonda em Abidjan que reuniu autoridades públicas, parceiros técnicos e financeiros, instituições financeiras, setor privado e atores da cadeia (produtores, transformadores e comerciantes). É o que indica um comunicado publicado no site do governo.
Este anúncio marca a conclusão de um processo iniciado em novembro de 2025. Segundo Yedoh Kévin Nomel, presidente do conselho de administração da interprofissão, o lançamento da OIA manioc anuncia a transição de um setor fragmentado para um setor organizado e ambicioso.
«Nos próximos três anos, a OIA manioc trabalhará para consolidar a sua governação e estabelecer um mapeamento preciso do setor, implementar mecanismos de recolha de dados e rastreabilidade, estruturar mecanismos de financiamento adaptados aos diferentes elos da cadeia e aplicar padrões de qualidade harmonizados e contratos de fornecimento seguros», declarou o responsável.
Esta vontade de estruturar melhor o setor surge num contexto em que Abidjan afirma, desde 2025, a intenção política de reforçar a cadeia de valor da mandioca no país. Assim, o governo anunciou em maio de 2025 a obtenção de dois empréstimos, no valor total de 45,9 mil milhões de francos CFA (83,7 milhões de dólares), junto do Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID), para financiar a implementação do Projeto de Desenvolvimento da Cadeia de Valor da Mandioca.
O referido projeto prevê, por exemplo, a valorização de 40 000 hectares de terras agrícolas, a criação de 70 hectares de perímetros irrigados destinados à multiplicação de estacas de mandioca para apoiar a produção, bem como a construção de novas unidades de transformação. São iniciativas destinadas a aumentar a produção local do tubérculo e criar oportunidades para os agricultores.
Segundo dados oficiais, a colheita de mandioca na Costa do Marfim aumentou 31,25 % em cinco anos, passando de 6,4 milhões de toneladas em 2020 para 8,4 milhões de toneladas em 2024. Apesar deste crescimento, o setor marfinense ainda fica aquém do desempenho da Nigéria e do Gana. De acordo com dados da FAO, o país mais populoso de África produz mais de 60 milhões de toneladas do tubérculo por ano, enquanto a colheita ganesa atinge 25 milhões de toneladas.
Stéphanas Assocle
Na África Ocidental, o elevado preço dos bilhetes de avião continua a travar o transporte aéreo regional, sendo que as taxas representam, por vezes, um valor superior ao próprio tarifário de base. Para responder a esta situação, a CEDEAO anunciou a supressão das taxas aéreas e uma redução de 25 % das taxas de passageiro e de segurança, em vigor desde 1 de janeiro de 2026.
Um mês após o anúncio da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) relativo à eliminação de determinadas taxas e encargos sobre o transporte aéreo, os efeitos concretos sobre o custo dos bilhetes de avião continuam por se materializar, revelando os limites da implementação nacional da decisão.
Embora a medida tenha sido adotada a nível comunitário, ainda não foi efetivamente transposta para os quadros regulamentares nacionais de todos os Estados-membros. Segundo especialistas, a redução ou supressão das taxas e encargos deve, em primeiro lugar, ser formalmente aprovada por decreto ou despacho em cada Estado-membro, antes de ser comunicada à ATPCO (Airline Tariff Publishing Company), organismo da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) responsável pela parametrização das taxas. Esta etapa permitiria às companhias aéreas aplicar automaticamente as novas taxas nos seus sistemas de reservas. No entanto, em vários países, como a Costa do Marfim, o Senegal e a Nigéria, nenhum diploma de aplicação foi publicado, mantendo-se, de facto, o statu quo.
Uma medida que tem dificuldade em ser aplicada pelas companhias
As taxas e encargos continuam claramente visíveis nos sistemas de reservas, sinal de que os montantes permanecem legalmente exigíveis. Uma simulação realizada com várias companhias, incluindo a Air Côte d’Ivoire, na rota Abidjan–Dacar, para um voo previsto no final de janeiro de 2026, mostra que as taxas e encargos atingem 257 100 FCFA (469,7 dólares), face a uma tarifa de base de 218 100 FCFA, ou seja, mais de metade do preço total do bilhete, fixado em 485 200 FCFA. Esta decomposição confirma que a decisão comunitária ainda não foi refletida na tarifação efetivamente aplicada aos passageiros.
Esta situação levanta inúmeras questões: por que razão a medida ainda não é efetiva? Que discussões estão atualmente em curso com as companhias aéreas para transformar os anúncios em decisões concretas? Até ao momento, nenhuma resposta pública foi dada a estas interrogações.
Recorde-se que, em novembro de 2024, os ministros dos Transportes do espaço comunitário adotaram um roteiro que previa, nomeadamente, a supressão de todos os textos considerados não conformes com as recomendações da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), bem como a redução de 25 % das taxas relacionadas com os passageiros e a segurança.
Apresentado em Conselho de Ministros, este roteiro foi aprovado pelos chefes de Estado da região, que validaram a sua entrada em vigor a partir de 1 de janeiro de 2026. No entanto, para permitir uma transição gradual, foi concedido um período de um ano aos Estados-membros para adotarem as disposições orçamentais necessárias.
Para garantir a sua implementação efetiva, a CEDEAO prevê a criação de um mecanismo de acompanhamento.
O impacto económico nos Estados-membros
Esta reforma constitui uma medida estratégica destinada a dinamizar a economia regional: deverá favorecer a mobilidade das pessoas, estimular o comércio e o turismo e reforçar a integração económica no seio da CEDEAO. Contudo, o seu sucesso dependerá em grande medida da capacidade dos Estados-membros para compensar as perdas fiscais resultantes da supressão das taxas aéreas e para harmonizar as suas regulamentações no setor do transporte aéreo.
A eliminação destas taxas revela-se, aliás, mais complexa do que parece. Na maioria dos países, elas constituem fontes essenciais de financiamento para a manutenção, a modernização das infraestruturas, a renovação dos equipamentos e as despesas de funcionamento. Esta dependência é ainda mais acentuada num contexto em que os programas de expansão de várias plataformas aeroportuárias são financiados por parcerias público-privadas, acompanhadas de contratos de concessão que permitem aos investidores privados amortizar os seus investimentos através das taxas e encargos.
Paradoxalmente, enquanto se espera a supressão de algumas taxas, tem-se observado um aumento ou a introdução de novas cobranças desde o anúncio da decisão da CEDEAO em dezembro de 2024. A título ilustrativo, as taxas de tratamento de dados de imigração aumentarão 9 dólares no Gana a partir de 1 de fevereiro, enquanto na Nigéria o aumento foi fixado em 11,5 dólares desde 1 de dezembro de 2025.
Por seu lado, a Agência para a Segurança da Navegação Aérea em África e Madagáscar (ASECNA), responsável pela gestão das instalações técnicas de navegação aérea na maioria dos aeroportos da região, anunciou um aumento de 15 %, à razão de 5 % por ano durante três anos, da taxa de utilização dos auxílios e serviços em rota. Esta decisão deverá estar em vigor desde 1 de janeiro de 2026.
O impacto esperado no turismo
Embora o setor do turismo na África Ocidental esteja em pleno crescimento, continua fortemente dependente do transporte aéreo, elemento central da sua acessibilidade e competitividade. Para além dos fluxos de viajantes, este meio de transporte alimenta toda a cadeia de valor turística, dinamizando a hotelaria, a restauração e o transporte terrestre.
Na Costa do Marfim, o turismo representa cerca de 6,5 % do PIB. No Benim, onde essa percentagem é estimada em 6 %, as autoridades pretendem elevá-la para 13,4 % até 2030. A concretização destes objetivos continua, no entanto, dependente de uma melhor acessibilidade regional, sendo o custo do transporte aéreo um dos principais entraves.
Na ausência de reduções tarifárias superiores a 40 %, defendidas pela CEDEAO, o impacto esperado no turismo e o aumento da procura entre 20 % e 30 % continuam por se verificar. A procura permanece limitada, sobretudo para as deslocações intra-CEDEAO, ainda percecionadas como mais dispendiosas do que algumas ligações fora da região. Uma situação que deverá continuar a afetar as taxas de ocupação das aeronaves e, por consequência, as margens das companhias aéreas. Para os destinos da África Ocidental, o efeito de alavanca esperado sobre a mobilidade, a frequência hoteleira e os intercâmbios culturais permanece, assim, limitado.
Mais uma medida por concretizar?
A implementação desta medida representa um verdadeiro desafio para a CEDEAO, sob pena de voltar a evidenciar as limitações da organização face às realidades políticas e económicas regionais. A história recente mostra, com efeito, que vários projetos ambiciosos da comunidade foram travados por divergências internas e constrangimentos estruturais. Um exemplo disso é a criação efetiva do ECO, a futura moeda única comunitária.
Este projeto, inicialmente previsto para julho de 2020, foi sucessivamente adiado devido ao não cumprimento dos critérios de convergência macroeconómica pela maioria dos Estados-membros, às divergências em matéria de governação monetária e às incertezas ligadas às crises políticas e sanitárias, nomeadamente a pandemia de Covid-19. Ainda hoje, apesar dos anúncios de um lançamento em 2027, muitos observadores duvidam da capacidade da CEDEAO para ultrapassar estes obstáculos.
Lydie Mobio, Ingrid Haffiny e Henoc Dossa
Este desempenho insere-se num contexto de retoma do turismo no continente africano, marcado por um aumento de 8 % das chegadas internacionais em 2025 face a 2024, segundo a ONU Turismo. A África do Sul destaca-se de forma particular, com um nível recorde e um crescimento de 17,6 % no número de visitantes.
A África do Sul registou 10,48 milhões de chegadas de turistas internacionais entre janeiro e dezembro de 2025, o que representa um aumento de 17,6 % em relação a 2024, um recorde histórico. O anúncio foi feito pela ministra do Turismo, Patricia de Lille (foto), na terça-feira, 27 de janeiro de 2026.
Segundo a ministra, este desempenho confirma a contribuição crescente do turismo para a economia nacional. «O turismo está a funcionar. O turismo tem um bom desempenho. E o turismo continuará a ser um pilar fundamental do crescimento inclusivo, do investimento e da criação de emprego na África do Sul», afirmou.
De acordo com a responsável, este sucesso reflete escolhas políticas deliberadas, uma implementação direcionada e uma colaboração estreita entre o Governo e o setor privado. Além disso, a competitividade global da África do Sul voltou a ser reconhecida quando o país foi distinguido como “Melhor Destino: África 2025” pelos Travel Weekly Reader’s Choice Awards (prestigiados prémios anuais atribuídos pela revista Travel Weekly, que distinguem a excelência na indústria das viagens).
Este desempenho surge num momento em que o continente africano regista um aumento de 8 % das chegadas de turistas internacionais em 2025 face a 2024, a maior progressão a nível mundial, segundo dados da ONU Turismo.
O turismo contribui de forma significativa para a economia sul-africana e poderá ter um impacto ainda maior no produto interno bruto (PIB) e na criação de emprego, em particular entre os jovens. Em 2024, o setor representava 8,4 % do PIB e empregava diretamente mais de 730 000 pessoas. Neste contexto, o Governo sul-africano aprovou o Tourism Growth Partnership Plan 2025–2030, uma estratégia destinada a posicionar o turismo como um motor-chave do crescimento económico inclusivo e da criação de emprego.
Refira-se ainda que o setor gerou 1,8 milhões de empregos diretos e indiretos, o que corresponde a aproximadamente um posto de trabalho criado por cada 13 chegadas internacionais.
Lydie Mobio
Após um ano recorde em 2025, os Estados da UEMOA apontam para 12 700 mil milhões de FCFA em 2026 no mercado de títulos públicos, impulsionados por elevadas necessidades orçamentais e por um mercado regional que se tornou central no financiamento orçamental.
O mercado regional de títulos públicos da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) prepara-se para alcançar um novo patamar, após um ano histórico em 2025. Os Estados-membros da União ambicionam mobilizar cerca de 12 700 mil milhões de francos CFA (23,20 mil milhões de dólares) através de leilões em 2026, segundo as projeções apresentadas pela diretora-geral da UMOA-Titres, Oulimata Ndiaye Diassé (foto), na terça-feira, 27 de janeiro último, num contexto de necessidades de financiamento que permanecem elevadas.
Uma dinâmica de financiamento em forte aceleração
Em 2025, as emissões de títulos públicos atingiram cerca de 11 900 mil milhões de FCFA, um nível inédito, face a 8 127 mil milhões em 2024 e 7 194 mil milhões em 2023. Esta progressão confirma o papel central do mercado regional no financiamento orçamental dos Estados, numa altura em que o acesso a financiamentos externos se tornou mais restrito para muitos países membros.
O ano transato ficou marcado não apenas pelo aumento dos volumes, mas também por uma evolução progressiva da estrutura do mercado. A maturidade média dos títulos emitidos situou-se em torno de 2,1 anos, contra pouco mais de 2 anos no ano anterior. A proporção das maturidades médias e longas aproximou-se, por seu lado, de 50 % dos volumes, refletindo a vontade dos Estados de reduzir a sua exposição ao risco de refinanciamento, mantendo simultaneamente atenção às exigências de liquidez dos investidores.
O mercado continuou igualmente a diferenciar as assinaturas soberanas, com condições de financiamento variáveis consoante os países. Os Estados com fundamentos considerados mais sólidos mantiveram custos mais moderados, enquanto outros tiveram de oferecer rendimentos mais elevados, sobretudo nas maturidades curtas e intermédias.
Um mercado mais ativo, mas ainda concentrado
Outra evolução significativa em 2025 foi o forte ressurgimento do mercado secundário. Após uma retração acentuada em 2023, os volumes transacionados ultrapassaram os 5 400 mil milhões de FCFA, um recorde. A taxa de rotação regressou a níveis próximos dos observados antes do aperto monetário, sinal de um aumento das operações de arbitragem e da atividade. No entanto, esta liquidez continua concentrada nas maturidades curtas e intermédias, sendo os títulos de longo prazo ainda pouco negociados.
O mercado permanece, além disso, largamente sustentado por investidores domésticos, nomeadamente bancos, companhias de seguros e investidores institucionais regionais. Segundo os intervenientes do setor, o alargamento da base de investidores e uma mobilização mais significativa da poupança de longo prazo constituem atualmente um desafio central para sustentar a continuação do crescimento das emissões.
Nesta perspetiva, as instituições regionais, incluindo o BCEAO e a UMOA-Titres, sublinham a necessidade de reforçar a transparência, a disciplina de mercado e o funcionamento do mercado secundário. Condições consideradas determinantes para acompanhar o objetivo de 12 700 mil milhões de FCFA fixado pelos Estados da UEMOA para 2026, após um ano de 2025 já recorde.
Fiacre E. Kakpo
Com um fecho final acima do seu objetivo inicial, o African Rivers Fund IV reforça o seu programa de financiamento de cerca de cinquenta PME. Ao direcionar os seus capitais para a RDC, Angola e várias economias da África Oriental, o fundo aposta em mercados onde o acesso a financiamento de longo prazo continua limitado e onde as necessidades de capital para crescimento permanecem elevadas.
A gestora de ativos XSML Capital anunciou, esta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, o fecho final do seu quarto veículo de investimento, o African Rivers Fund IV (ARF IV), com um montante total de 142 milhões de dólares. O fundo ultrapassa assim o seu objetivo inicial, fixado em 135 milhões de dólares.
O ARF IV tem como objetivo financiar cerca de cinquenta pequenas e médias empresas (PME) africanas que operam em segmentos onde o acesso a financiamento de longo prazo continua restrito. As zonas de intervenção prioritárias são a África Oriental, Angola e a República Democrática do Congo (RDC), países onde a XSML Capital dispõe de presença local.
«O facto de termos ultrapassado o nosso objetivo de dimensão e o teto de financiamento do Fundo IV, num contexto de captação de recursos difícil, demonstra que os investidores apoiam a nossa abordagem de investimento nas PME», declarou Barthout van Slingelandt (foto), sócio-gerente da XSML Capital. Acrescentou ainda: «estamos convencidos de que o crédito privado, combinado com um acompanhamento operacional, é frequentemente perfeitamente adequado às PME locais».
Os montantes investidos por empresa variarão entre 300 mil e 10 milhões de dólares, sob a forma de dívida privada e de participações minoritárias no capital. Esta abordagem permite aos gestores financiar a expansão das suas atividades sem ceder o controlo das respetivas empresas.
Desde o primeiro closing do ARF IV, realizado em março de 2024 e que permitiu mobilizar 98,7 milhões de dólares, o fundo acolheu três novas instituições de financiamento do desenvolvimento, bem como dois family offices alemães, alargando assim a sua base de investidores.
Investimentos já comprometidos
No final de dezembro de 2025, o ARF IV já tinha comprometido 85 milhões de dólares, o que representa 60 % do seu capital de investimento. A atual repartição geográfica da carteira revela uma forte exposição à RDC (47 %), seguida de Angola (22 %), Uganda (17 %) e Zâmbia (14 %). Os setores visados incluem a indústria transformadora, a distribuição, as bebidas, o agroalimentar e o setor farmacêutico, segmentos ligados ao consumo local e à transformação industrial.
O sucesso desta angariação de fundos envia vários sinais ao mercado. Por um lado, confirma o interesse de investidores institucionais por estratégias de dívida privada orientadas para as PME africanas. Por outro, ilustra a atratividade persistente de economias ditas de fronteira, como a RDC ou Angola, onde as necessidades de capital produtivo continuam elevadas.
Com o ARF IV, a XSML Capital consolida assim a sua posição entre os atores especializados no financiamento de PME africanas. A gestora afirma ter investido em mais de 100 PME na África Central, Oriental e Austral, em diversos setores, ao longo de 15 anos de atividade.
Chamberline Moko
2025 marcou um ponto de viragem para a Ecobank Costa do Marfim. Num contexto económico caracterizado por um crescimento sustentado, mas confrontado com necessidades crescentes de financiamento, o banco evoluiu na intersecção de várias dinâmicas: celebração dos 40 anos do Grupo, continuação da transformação digital e desejo de ampliar o seu papel no financiamento da economia real.
Ao longo de 2025, a filial marfinense do Grupo pan-africano Ecobank manteve uma trajetória com o objetivo de consolidar os seus fundamentos financeiros, ao mesmo tempo que expandia o seu campo de atuação sectorial. PME, agricultura, indústria local, empreendedorismo feminino: tantos territórios investidos à medida que o banco refinava o seu posicionamento, entre prudência bancária e dinamismo económico. Um olhar sobre um ano de consolidação para a Ecobank Costa do Marfim.
Apoiar as PME e o investimento produtivo
Desde o início do ano, a Ecobank Costa do Marfim reforçou o seu posicionamento em favor das pequenas e médias empresas. Em janeiro, foi estabelecida uma parceria com a Sociedade de Garantia de Créditos às PME (SGPME), para facilitar o acesso ao financiamento bancário para um segmento frequentemente confrontado com restrições de garantias.
Em fevereiro, o banco participou no financiamento da instalação de uma fábrica farmacêutica liderada pelo grupo Farah, juntamente com outras instituições bancárias. O objetivo declarado foi contribuir para a redução da dependência das importações de medicamentos e apoiar o surgimento de uma indústria farmacêutica local, num país onde a fatura das importações continua elevada.
No mesmo período, foram lançadas várias iniciativas nos setores agrícola e imobiliário, com ações de formação e sensibilização dirigidas aos empreendedores, visando estruturar melhor as cadeias de valor.
Março, mês do financiamento feminino
O mês de março concentrou várias iniciativas voltadas para a autonomia económica das mulheres. A Ecobank Costa do Marfim lançou uma versão reforçada do seu programa ELLEVER, que combina acesso ao financiamento, acompanhamento não financeiro e mentoria.
Além disso, o banco lançou o primeiro «Gender Bond» do espaço UEMOA, uma emissão obrigacionista de 10 mil milhões de FCFA (18,2 milhões de dólares) dedicada ao financiamento de empresas detidas ou geridas por mulheres. A operação, concluída em menos de 48 horas, representa uma inovação no mercado financeiro regional e demonstra o interesse crescente dos investidores por instrumentos de impacto social.
Resultados financeiros e evolução da governação
Em abril, a Assembleia Geral anual confirmou a boa performance dos indicadores financeiros. O produto líquido bancário superou 122 mil milhões de FCFA, em crescimento face ao ano anterior, enquanto o resultado líquido ultrapassou os 57 mil milhões de FCFA. Os acionistas aprovaram a distribuição de dividendos correspondentes a 77% do resultado líquido.
A nível institucional, o ano também foi marcado por uma mudança na presidência do conselho de administração, com o fim do mandato de Michel Aka-Anghui e a nomeação de Serge Thiémélé, garantindo continuidade estratégica.
Agricultura, digital e eficiência operacional
A partir de maio, a Ecobank Costa do Marfim reforçou o seu compromisso com a agricultura, setor-chave da economia marfinense. Por ocasião do Salão Internacional da Agricultura e Recursos Animais (SARA), o banco oficializou o lançamento do seu escritório Agribusiness, destinado a estruturar o financiamento das cadeias agrícolas.
No domínio tecnológico, 2025 confirmou a importância da digitalização na estratégia bancária. A filial marfinense foi reconhecida pelos seus esforços na transformação digital, enquanto internamente foi criado um Centro de Excelência de Crédito para reduzir os prazos de processamento dos pedidos de empréstimo, agora reduzidos a poucos dias úteis.
Capital humano e inclusão financeira
Entre junho e setembro, várias iniciativas envolveram formação, emprego e juventude. Foram estabelecidas parcerias com instituições públicas para reforçar a educação financeira e a empregabilidade dos jovens provenientes do ensino técnico e profissional.
No campo das infraestruturas de pagamento, a Ecobank Costa do Marfim foi um dos primeiros bancos a integrar a plataforma interoperável PI-SPI do BCEAO, destinada a facilitar transferências entre bancos e fintechs em toda a UEMOA. Uma evolução importante num contexto marcado pelo crescimento do mobile money e pela procura de soluções de pagamento mais fluidas.
O ano dos 40 anos do Grupo Ecobank
Outubro foi um momento simbólico com a celebração oficial dos 40 anos do Grupo Ecobank. Para a filial marfinense, esta ocasião deu origem a várias ações de caráter educativo, ambiental e económico, bem como à participação em financiamentos estruturantes, nomeadamente na indústria e na cadeia café-cacau.
Até setembro de 2025, o lucro líquido foi anunciado em 44 mil milhões de FCFA, confirmando uma trajetória de crescimento nos nove primeiros meses do ano, num contexto regional marcado por fortes exigências de solidez financeira.
Fim de ano: parcerias e diversificação
Os últimos meses do ano foram dedicados à consolidação de parcerias, nomeadamente na interoperabilidade de pagamentos com atores de mobile money, e à expansão da oferta de gestão de património. Iniciativas internas ligadas à saúde, bem-estar no trabalho e inovação na gestão encerraram o exercício.
Editado por M.F. Vahid Codjia
Adenia Partners realiza a sua primeira operação no Egito e aposta na produção local de produtos farmacêuticos e de cuidados pessoais
A Adenia Partners realizou, a 26 de janeiro de 2026, a assinatura de um acordo para adquirir uma participação maioritária na Parkville Pharmaceuticals, empresa sediada no Cairo. Trata-se do seu primeiro investimento no Egito. A firma de private equity compra as ações detidas pela Admaius Capital Partners, que tinha entrado no capital da Parkville em novembro de 2023.
Mahmoud Farrag, cofundador e CEO da Parkville Pharmaceuticals, declarou: «Continuamos profundamente empenhados [...] em promover um ambiente de trabalho saudável e estimulante para os nossos colaboradores e em oferecer valor sustentável e de longo prazo aos nossos investidores que acreditam na visão da Parkville. A nossa ambição é posicionar a Parkville como um líder no Médio Oriente e em África.»
Fundada há 18 anos, a Parkville desenvolve, fabrica e distribui produtos em três segmentos: farmacêutico, cosmético e nutracêutico. O seu portfólio inclui cuidados de pele, cuidados capilares, desodorizantes, suplementos alimentares e tratamentos farmacêuticos. A empresa combina produção local com distribuição regional.
A Adenia torna-se acionista ao lado dos fundadores e da equipa de gestão. O fundo prevê alargar a gama de produtos, reforçar os canais digitais e acelerar o comércio online. A expansão para outros mercados regionais também faz parte do plano. Esta operação marca uma extensão geográfica da Adenia para o Norte de África, após investimentos concentrados na África Subsariana. A transação está sujeita a autorizações regulatórias.
A entrada da Adenia no Egito envia um sinal sobre a atratividade do mercado de saúde e de bens de consumo. Para a firma, a operação permite aceder a um mercado interno de grande dimensão, posicionar-se em produtos de saúde com ampla distribuição, explorar o crescimento do e-commerce de saúde e criar uma base de exportação para o Norte de África e Médio Oriente.
Chamberline Moko
Sujeito a uma persistente restrição orçamental, Angola está a explorar um mecanismo de troca dívida‑saúde, com o objetivo de reduzir o custo do seu endividamento e, simultaneamente, redirecionar parte dos recursos libertados para o financiamento do seu sistema de saúde.
Angola estuda novas formas de aliviar o peso da sua dívida pública. O Ministério das Finanças anunciou, na terça-feira, 27 de janeiro, a intenção de implementar ainda este ano um mecanismo de troca dívida‑saúde, em paralelo com um regresso aos mercados internacionais e com o apoio financeiro do Banco Mundial.
Este tipo de mecanismo permite a um país converter uma parte da sua dívida em investimentos direcionados para setores sociais, neste caso a saúde. As poupanças obtidas com o serviço da dívida devem ser então realocadas para programas sanitários. Até ao momento, as autoridades não especificaram os montantes em causa nem os credores envolvidos.
As trocas de dívida com fins sociais ou ambientais estão a ganhar popularidade nos países em desenvolvimento, num contexto de endurecimento das condições financeiras globais. Vários Estados, na América Latina e em África (como a Costa do Marfim no ano passado), recorreram recentemente a este tipo de mecanismo para aliviar a pressão orçamental.
Regresso esperado aos mercados internacionais
No âmbito do seu plano anual de endividamento, o país prevê também levantar cerca de 1,7 mil milhões de dólares nos mercados internacionais em 2026. O governo conta, paralelamente, com um apoio orçamental de 500 milhões de dólares do Banco Mundial, destinado a sustentar o equilíbrio das finanças públicas.
Segundo o Ministério das Finanças, estão previstos este ano quase 1,4 mil milhões de dólares em financiamentos comerciais, nomeadamente através da troca dívida‑saúde. Uma parte das necessidades de financiamento será igualmente assegurada por credores bilaterais e agências de crédito à exportação.
Reduzir o custo da dívida
As autoridades afirmam querer agora «minimizar os custos de financiamento a longo prazo», após um período marcado por uma forte acumulação de dívida, nomeadamente através de empréstimos garantidos pelo petróleo. Em 2025, o serviço da dívida representou mais de 40% das despesas orçamentais do país.
O Ministério antecipa uma redução da razão dívida/PIB para 45% até ao final de 2026, contra 47% no ano passado, melhoria parcialmente relacionada com a revisão do ano base utilizado para o cálculo do Produto Interno Bruto.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê, por sua vez, um crescimento económico moderado para Angola este ano, em torno de 2%. A instituição de Bretton Woods reforça que a trajetória orçamental do país dependerá da sua capacidade de diversificar uma economia ainda largamente dependente do petróleo.
O governo de Luanda afirma prosseguir com as suas reformas, nomeadamente a redução gradual dos subsídios e a abertura de setores dominados pelo Estado a investimentos privados, de forma a reforçar de forma sustentável as finanças públicas.
Fiacre E. Kakpo
A digitalização progressiva da administração argelina não está isenta de riscos. Para se proteger contra ameaças cibernéticas, as autoridades estão a reforçar os mecanismos de proteção digital.
A Argélia dotou-se de um quadro institucional fortalecido para proteger os seus sistemas de informação face ao aumento das ameaças cibernéticas. O decreto presidencial nº 26‑07, de 7 de janeiro de 2026, publicado a 21 de janeiro no Jornal Oficial, define a organização e o funcionamento das estruturas de cibersegurança nas instituições, administrações e organismos públicos, com o objetivo de antecipar e gerir melhor os riscos associados aos ciberataques.
Em cada entidade pública será criada uma estrutura dedicada à cibersegurança, distinta daquela responsável pela gestão técnica dos sistemas de informação. Sob a autoridade direta do responsável máximo da instituição, esta entidade terá a missão de coordenar todas as ações relacionadas com a proteção de dados e a segurança dos sistemas, incluindo para os organismos sob tutela.
Será responsável por elaborar e acompanhar a implementação da política de cibersegurança, identificar os riscos através de uma cartografia dedicada e implementar planos de remediação adequados. Vigilância contínua, auditorias regulares e notificação imediata de qualquer incidente às autoridades competentes complementam o dispositivo.
O decreto também impõe o cumprimento da legislação sobre proteção de dados pessoais, em coordenação com a autoridade nacional competente. Incentiva ainda a cooperação com estruturas responsáveis pelos contratos públicos e pela segurança interna, de forma a integrar cláusulas de segurança nos contratos de subcontratação e reforçar a proteção do pessoal e dos equipamentos.
Esta iniciativa surge num contexto marcado pelo aumento dos ataques digitais na Argélia. Em 2024, o país enfrentou um volume estimado de mais de 70 milhões de ciberataques, segundo dados da Kaspersky, colocando a Argélia no 17.º lugar mundial entre as nações mais visadas por ameaças digitais. Entre estes ataques, mais de 13 milhões de tentativas de phishing foram bloqueadas, assim como cerca de 750.000 anexos maliciosos neutralizados pelas soluções de segurança, evidenciando a magnitude dos riscos para utilizadores e organizações.
Para as autoridades argelinas, este dispositivo deverá consolidar de forma duradoura a governação da cibersegurança no setor público e acompanhar a transição digital através de um enquadramento institucional reforçado. Num país onde o uso de sistemas digitalizados se expande rapidamente, a implementação de um quadro operacional de cibersegurança visa proteger os serviços públicos, infraestruturas críticas e dados sensíveis, ao mesmo tempo que reforça a confiança dos cidadãos e dos agentes económicos no ecossistema digital.
Samira Njoya